Pregação ICS 22/12/2019 – O Melhor Presente

Texto base: Lucas 2:4-14.

E como José era da linhagem de Davi, teve de ir a Belém, na Judeia, terra natal do rei Davi, viajando de Nazaré, na Galileia, para lá. Ele levou consigo Maria, sua esposa, que estava grávida.
Estando ali, chegou a hora de nascer o filho dela; e ela deu à luz seu primeiro filho, um menino. Enrolou-o num cobertor e o deitou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria.
Naquela noite alguns pastores estavam nos campos, guardando seus rebanhos de ovelhas. De repente um anjo do Senhor apareceu ao redor deles, e ficaram cercados do brilho da glória do Senhor. Eles ficaram muito aterrorizados, mas o anjo os acalmou.
“Não tenham medo!”, disse ele. “Eu lhes trago boas notícias de grande alegria, e isso é para todo o povo! Hoje, na cidade de Davi nasceu o Salvador, que é o Cristo, o Senhor. Como vocês vão reconhecê-lo? Vocês encontrarão uma criancinha enrolada num cobertor, deitada numa manjedoura!”
De repente, juntou-se ao anjo uma grande multidão de anjos, o exército celestial, louvando a Deus e cantando:
“Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra para todos aqueles que ele quer bem”.


Introdução

Dos quatro evangelhos, apenas Mateus e Lucas trazem uma descrição do nascimento de Jesus. Marcos já começa sua narrativa pelo batismo e tentação, e João toma uma abordagem completamente diferente.

Nesta época de Natal, podemos pensar “em que o nascimento de Jesus é relevante para mim, para a sociedade em que vivo, hoje”?

Mesmo em ambientes não religiosos, ou em religiões não cristãs, dificilmente alguém questionaria a existência história de Jesus de Nazaré. Dificilmente, porque ainda hoje há quem creia que Ele era apenas um espírito, como os gnósticos da época do apóstolo João, razão pela qual o discípulo amado defendeu tão fortemente a humanidade biológica de seu mestre e amigo; ou quem sabe um anjo, o maior deles talvez; e outros até creem nele como divindade, mas a qual não teria compartilhado a natureza humana como nós, suas criaturas.

Mas, novamente, em que essa história em particular é relevante hoje? Não seria a parte mais importante de sua vida apenas a morte na cruz e a ressurreição? Ou será que toda a vida de Jesus não traria lições preciosas para nossa vida hoje, especialmente no mundo em que vivemos, no qual em muitos lugares já não se chama mais esse período de “Natal”, mas simplesmente de “Festas”, um termo genérico para não mais associá-lo ao cristianismo e a Jesus, numa tentativa politicamente correta de não ofender pessoas de outras crenças?

Muito embora não saibamos, com certeza, quando o Messias nasceu, ao celebrarmos seu nascimento, vida, morte e ressurreição todos os dias, mas, especialmente, nessa época do ano, isso nos permite uma reflexão sobre o ano que passou, e a esperança que esse nascimento em particular traz para o ano novo que está prestes a nascer.

Nos últimos dois domingos, foi visto aqui porque foi necessária sua vinda. Ele, rei e majestade, despiu-se de sua glória para assumir a posição de servo, em obediência ao Pai, humilhando-se a si mesmo tornando-se semelhante a uma de suas criaturas e dando-se para morrer em nosso lugar, e não qualquer morte, por doença ou velhice, mas a mais dolorosa conhecida na época, morte por tortura, morte de cruz, que em toda dor trazia ainda uma mais profunda, a dor que o pecado que Ele não cometeu, pecado que era meu e seu, causou nEle, a dor da separação do Pai que nunca havia acontecido antes nem por um momento sequer.

Jesus foi prometido desde o Gênesis como aquele que pisaria a cabeça da serpente, o servo sofredor descrito no profeta Isaías, Ele, o verdadeiro presente de natal que contrasta com o consumismo desenfreado do mundo atual, e escancara o nosso egoísmo e indiferença para com o nosso próximo que pede uma lembrança no sinal, ou está caído nas praças e ruas de nossa cidade sem ter um mínimo de dignidade, muito distantes da imagem e semelhança com que foram criados pelo Pai.

Mas esse bebê que precisa nascer hoje em nossos corações é o portador de dois tipos de mensagem, uma mensagem de salvação, a melhor notícia que poderíamos receber, mas também uma mensagem de condenação, a pior notícia que alguém não desejaria receber.


1 – Jesus é a melhor notícia

Mais uma vez, vimos nos últimos dois domingos que Jesus não veio ao acaso, de maneira aleatória. Não! Ele primeiramente foi prometido. Deus anunciou desde a queda do homem que enviaria um descendente de mulher para resgatar a humanidade, o que aponta para essa dupla natureza de Cristo. 100% Deus e 100% homem. E como homem ele haveria de nascer, cumprir todo o ritual biológico do ser humano, de embrião a feto, e desde o útero de sua mãe ele impactava a humanidade à sua volta, como vemos na narrativa de Lucas 1 quando Maria visita sua prima Isabel.

E depois de nascer, passar pelas cólicas que nós vemos nossos filhos passarem… Sim, esse mesmo Jesus, Deus e rei do universo, decidiu vir ao mundo da forma mais frágil possível, um bebê, que dependeria de algumas de suas criaturas para a sobrevivência mais básica, mamaria o seio de sua mãe, seria cuidado por seu pai, se submeteria voluntariamente a passar por tudo aquilo que nós passamos para que nós soubéssemos, por seu exemplo, que é possível passar por essa vida e não se contaminar pelo pecado, muito embora nós – não ele, carreguemos essa mancha em nosso DNA. Cristo adorou e foi obediente ao Pai desde que nasceu, para glória dEle e salvação nossa.

Em segundo lugar, vimos que Cristo não foi anunciado genericamente, mas com um propósito, com detalhes que fazem com que a Palavra de Deus de ontem, hoje e eternamente seja plenamente confiável. Se Deus cumpriu fielmente sua palavra no decorrer da história preparando a vinda do Messias, continuou fazendo enquanto Ele esteve entre nós, e agora que esperamos ansiosamente o seu retorno podemos ter a certeza de que Ele voltará, pois Ele disse que o faria, e sua palavra é fiel e verdadeira.

Jesus, então, é a melhor notícia porque é uma notícia verdadeira, que se cumpre, não é fake news. Aliás, Ele mesmo afirmou isso em João 14:6 quando disse “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim”.

Só há um caminho, não muitos, embora digam que toda e qualquer religião vale, toda religião leva a Deus… Mentira! Só Cristo, o filho de Deus e Deus mesmo pode nos levar à presença do Pai.

Só há uma verdade. É preciso dizer que existe uma verdade, há absolutos, nem tudo é relativo, nem tudo que dizem por aí é verdade, seja em filosofias, seja na ciência, seja na própria religião, qualquer que seja, mesmo que alguém venha aqui no púlpito falar a vocês de outra coisa que não estiver na Palavra de Deus, não terá sido verdade se negar o que Cristo falou, o que Jesus viveu e ensinou.

E só há uma vida, a vida de Cristo, porque Ele veio ao mundo para que tivéssemos vida, e vida em abundância, conforme João 10:10.

Ele prometeu e vai cumprir. Mas o que tanto Ele prometeu? Como fala o profeta Isaías, prometeu liberdade aos cativos, cura aos doentes, a pregação do ano aceitável ao Senhor. Isso Ele fez enquanto esteve presente aqui.

Suas promessas, contudo, não ficaram apenas no passado, embora mesmo aquelas certamente tenham repercussão ainda hoje em nossas vidas. Sim, hoje podemos experimentar essa vida que Jesus nos oferece, uma vida plena, uma vida de bençãos que são espirituais, mas em muitos aspectos e situações também físicas.

Ele não nos prometeu vitórias sem limites nem uma vida sem problemas, mas que em tudo seríamos mais do que vencedores, ou seja, passaremos pelos problemas, pelas lutas, pelas dificuldades e tribulações EM SUA COMPANHIA e ao final de tudo seremos vitoriosos, porque aprendemos, porque sobrevivemos, porque saímos pessoas melhores, mais maduras, mais humildes, mais servas, mais obedientes ao Pai. Essa é a vitória que importa, uma vitória que permanece para sempre, porque esse mundo é passageiro e toda vitória que se resuma às coisas que adquirimos aqui não passa da cova, mas as vitórias que Cristo nos promete são do tipo que levamos para a eternidade, e continuam impactando gerações após a nossa.

Em 1 Timóteo 1:15, o apóstolo Paulo nos diz: “Esta afirmação é fiel e digna de toda aceitação: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o pior”. Meus irmãos, sem sombra de dúvida faço das palavras de Paulo as minhas palavras. Sem a esperança e a certeza da salvação que Cristo nos trouxe e oferece a todos, se vivêssemos apenas para esta vida curta e passageira, ou seja, se Cristo só servisse para nós como um reles mentor, um coach, palavra muito em voga hoje em dia, um guru, um sábio, uma pessoa iluminada, um mestre religioso, alguém que apenas enfrentou as mazelas das estruturas sociais iníquas, MAS NÃO realizou sua obra na cruz e na ressurreição, seríamos os mais miseráveis de todos os homens, conforme também Paulo em 1 Coríntios 15:19.

NÃO, meus irmãos! Nossa esperança começa aqui mas continua para a eternidade. Muitos textos bíblicos apontam para a realidade de que essa vida não é mais do que uma leve brisa, uma sombra, incomparável ao que há de vir em tempo e qualidade, para bem ou para mal, conforme a escolha que eu e você façamos.

Jó 14:1,2 diz assim:

Como é curta a vida do homem nascido de mulher, cheia de medo e sofrimento! Ele nasce e cresce como uma flor, mas logo murcha e morre. Ele some depressa, como a sombra de uma nuvem que passa no céu.

A esperança que temos em Jesus é que toda dor dessa vida um dia passará, todo choro acabará, em breve não haverá mais sofrimento. Esta, sim, é uma excelente notícia! A vida não termina aqui. Isso aqui não é tudo que temos.

A boa notícia continua ao dizer que Cristo é para todos. Aleluia!

Deus se achegou a nós, nos escolheu para sermos seus amigos, seus filhos. Nunca mais precisaríamos de sacrifícios para acalmar seu furor como tantas religiões ainda hoje fazem, na esperança de conseguir o favor de sua “divindade”. Em Cristo, nós já temos o favor de Deus sobre nós e em nós!

Não é para apenas um povo, como acreditava Israel, uma etnia, uma casta como na Índia, uma categoria de iniciados, como os gnósticos pregavam, ou cujas revelações fossem possíveis apenas aos oráculos ou líderes religiosos. Não! Deus se revela em Jesus a cada um de nós, e especialmente Lucas capta bem essas escolhas particulares de Deus, como estudamos nos nossos Pequenos Grupos, onde Jesus parece escolher o segregado, aquele que a sociedade despreza, os miseráveis para fazer deles sua principal companhia. Esses sou eu e você, então que grande notícia esta, pois nunca mais ninguém pode nos dizer que Deus não nos ama, pois Jesus já mostrou em sua vida que ama.

Vejamos o que diz Romanos 5:6-8:

“Quando estávamos totalmente desamparados, Cristo veio na hora certa e morreu pelos pecadores. Mesmo que fôssemos justos, realmente não esperaríamos que alguém morresse por nós, embora alguém tivesse coragem de morrer por uma pessoa boa. Deus, no entanto, mostrou seu grande amor por nós, enviando Cristo para morrer por nós enquanto ainda éramos pecadores”.

Pecadores, sim, Deus ama pecadores, você consegue compreender o peso dessa verdade? Sim, porque eu e você não somos perfeitos, longe disso! Jesus não veio para quem se achava santo, perfeito, religioso, mas para os que se reconheciam doentes, carentes do amor de Deus, os que têm a humildade de perceberem sua situação de miséria e clamarem por socorro a quem lhes pode salvar, Jesus Cristo, nosso Senhor!

É o que diz Lucas 5:30-32:

E os escribas deles, e os fariseus, murmuravam contra os seus discípulos, dizendo: Por que comeis e bebeis com publicanos e pecadores?
E Jesus, respondendo, disse-lhes: Não necessitam de médico os que estão sãos, mas, sim, os que estão enfermos; Eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores, ao arrependimento.

João 3:16, talvez o texto mais conhecido das Escrituras, nos diz que “Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu filho unigênito, para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna”. Isso sim é demonstração de amor, isso é demonstração de graça, de misericórdia, de favor. Agora a questão é: você reconhece que precisa desse presente? Ou será que ano após ano o deixamos abandonado embaixo da árvore, talvez até jogamos fora com o restante das caixas e embrulhos dos outros presentes que não têm a mesma importância?

Jesus é a melhor notícia que aparece no local e condição mais inesperada. É verdade. Percebam onde os pais de Jesus foram descansar à espera de seu nascimento. Um estábulo. E que objeto serviu de bercinho, uma manjedoura, apropriada não para receber um recém-nascido, com higiene, com conforto, com cheiro adequado, silêncio… Ao contrário, um contexto que nenhum de nós gostaria de ter nossos bebês.

A notícia que os anjos trazem é anunciada não aos sacerdotes e líderes religiosos, não ao rei, não ao Sinédrio, não às lideranças políticas dos judeus ou de Roma, mas a simples pastores. Pessoas comuns, sem instrução, não que Deus não se importe com os ricos e poderosos, mas escolheu àqueles homens rudes em primeiro lugar como que para torcer a lógica humana de que da pobreza e “insignificância” não pode vir algo bom.

A estrela que anunciou o natal, vejam só, aparece a sábios de uma terra distante, possivelmente da Mesopotâmia ou até além, e não a judeus, não aos religiosos de Israel. O texto de Mateus 2 diz que eram magos, ou seja, talvez praticassem alguma religião baseada na leitura dos astros, não eram pessoas “próximas”, culturalmente, religiosamente, etnicamente falando, mas que, sabedoras de algum modo da promessa do Messias, receberam de Deus a revelação de que aquela estrela no céu não apontava apenas para um fenômeno natural, mas para a maior demonstração sobrenatural que a história e a humanidade já conheceram. Como os pastores, eram pessoas totalmente inesperadas para a ocasião.

Novamente isso é muito bom para nós hoje, porque significa que não importa quem sejamos, por mais desprezados ou desprezíveis que pensemos ser, por pior que tenhamos sido, ou talvez totalmente ignorados, figurantes no roteiro de nossa própria vida, foi justamente pessoas como nós que Deus escolheu para acolher o menino, para lhe servir de pais, amigos, companheiros de ministério.

Terminando essa primeira parte, vejamos mais adiante, ainda no capítulo 2 de Lucas, quando seus pais vão apresentá-lo no templo, de maneira “semelhante” ao que fizemos hoje aqui com o Benjamin. [Dia da apresentação do meu filho Benjamin na igreja.]

Os versos 25 ao 35 falam de um homem chamado Simeão, a quem Deus havia prometido que não morreria antes que visse o Cristo. Vejamos suas próprias palavras:

“Ó Soberano, agora já pode despedir o seu servo em paz!
Pois eu já vi com meus próprios olhos a sua salvação, que o Senhor preparou na presença de todos os povos. Ele é a luz que trará iluminação espiritual às nações, e será a glória do seu povo Israel”.

Um último aspecto a respeito de Jesus ser a melhor notícia, diz respeito ao seu ministério.

Ele veio não apenas para Israel, seu povo, mas, conforme João 1:11,12, “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome…”

Sim! Jesus nos deu o poder de sermos feitos filhos de Deus, a todos aqueles que recebem de coração essa boa notícia, esse presente, crendo em seu nome, crendo em seu poder, crendo em seu perdão e em sua salvação.

Como Simeão reconheceu, Jesus é a luz para as nações, para retirar-nos das trevas e da escravidão do pecado para o seu próprio reino, conforme Colossenses 1:12-14, preparado por Deus para TODOS os povos, judeus e não judeus, isto é, eu e você hoje!


2 – Jesus é também a “pior notícia”

A vinda de Jesus ao mundo trouxe-nos a melhor notícia de todas, a salvação para o perdido, restauração de vista aos cegos, liberdade aos cativos do diabo, recuperação da dignidade ao miserável, tantas bençãos de cunho espiritual e material, mas para muitos, essa notícia apresenta também uma dura realidade, que pode ser também a pior notícia de todas.

Na continuação desse trecho sobre Simeão, novamente suas palavras dizem assim:

“Esta criança será rejeitada por muitos em Israel, e isto para própria destruição deles. Ele será motivo de contradição, mas uma grande alegria para outros. E os pensamentos mais profundos de muitos corações serão revelados. E a tristeza, como uma espada, atravessará a sua alma”.

Desde seu nascimento Jesus seria rejeitado, e por toda a sua vida muitos recusaram suas palavras, seus ensinamentos, sua pregação, seu chamado. Seus corações estavam profundamente endurecidos pelo pecado e a luz que iluminava os seus atos imorais fazia com quem temessem suas obras de poder.

Como Simeão bem predisse, Jesus foi e continua sendo motivo de contradição, porque não há como dizermos que cremos em Deus, que seguimos a Jesus, e continuarmos a fazer nossas obras más dia após dia como se nada houvesse acontecido. Quando alguém conhece verdadeiramente a Jesus num relacionamento de intimidade, sua vida é completamente transformada!

João 3:17-20 diz assim:

Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por meio dele. “Não há condenação reservada para aqueles que creem nele como Salvador. Mas aqueles que não creem nele já estão condenados por não crerem no Filho único de Deus. A sentença deles está baseada neste fato: A luz veio ao mundo, porém os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más. Os que praticam o mal odeiam a luz e ficam longe dela, com medo de que seus pecados sejam revelados.

Jesus não veio ao mundo para condenar a mim ou a você, meu amigo, meu irmão, mas para nos dar a oportunidade, hoje, de nos relacionarmos com o Pai e experimentarmos salvação. Ele hoje nos estende a mão buscando ansiosamente nos resgatar do caminho da perdição, mas cabe a nós aceitarmos seu convite, não deixemos para o amanhã, que não sabemos se virá, a oportunidade de dizermos sim. A responsabilidade é pessoal, individual e urgente!

Vindo ao mundo, imediatamente Jesus, como o prometido rei dos judeus, acaba por questionar a situação política dos governantes de Israel, no caso o rei Herodes e toda a cúpula que com ele governava o povo por concessão romana.

Herodes, de fato, ficou tão preocupado com aquilo, com a possibilidade iminente de se ver retirado de seu trono, que procurou matar todos os meninos da região que a família de Jesus estava morando, conforme a narrativa de Mateus 2.

Jesus também incomodou as lideranças religiosas, pois as pessoas agora prestariam atenção em um líder comum de origem popular, alguém que falava a linguagem do povo, e não mais na casta de fariseus e saduceus, escribas e outros líderes que também se beneficiavam da dominação de Israel pelo império romano, e viviam às custas do comércio do templo e da religião. Quando a religião é fim em si mesmo, Jesus vira um inimigo e uma péssima notícia para aqueles que vivem e lucram por meio dela.

Aliás, como essa mensagem é relevante hoje, em um mundo onde tantos líderes religiosos fazem da fé um comércio, vendendo Jesus por trocados, um estelionato espiritual onde prometem mundos e fundos e entregam esperanças vazias e frustradas, mercenários, não pastores, que não cuidam de suas ovelhas, mas as exploram para ganho próprio e benefício pessoal!

Mas, irmãos, isso também serve de alerta para nós, hoje, que talvez vamos em busca desse tipo de mensagem. Veja o que o apóstolo Paulo nos diz em 2 Timóteo 4:3,4:

“…chegará uma época quando as pessoas não suportarão a verdade, mas andarão de um lado para outro procurando mestres que lhes digam apenas aquilo que desejam ouvir. Elas se recusarão a ouvir aquilo que as Escrituras dizem, mas seguirão suas próprias ideias desorientadas”.

Assim como há “pastores” que pregam um Jesus “gênio da lâmpada”, da teologia da prosperidade, onde você “investe” nele para obter um retorno que é muito mais material do que espiritual, há também “ovelhas” gananciosas que buscam somente esse “Jesus”, somente essa mensagem, mensagem de cura, de dinheiro, de benefícios. “Pare de sofrer”, é o seu lema! Se eu for a Jesus e não receber o que quero, um emprego, um marido, uma esposa, um carro novo, uma casa, esse Jesus eu não quero, esse presente permanece debaixo da árvore pegando mofo.

O nascimento de Jesus pode ser uma notícia amarga para quem vive uma vida egoísta, sem se preocupar com o sofrimento alheio, para quem pensa que tudo acaba aqui, e se entrega a uma vida de prazeres vãos e inconsequentes, para quem pensa que Deus é um mito ou uma fantasia. Esses caminham a passos largos para o inferno, sem se aperceber das escolhas terríveis que estão fazendo, o presente de Deus que estão renegando.

Para muitos de nós hoje, com nossas árvores recheadas de presentes, é fácil esquecermos de Jesus… Tantas coisas da vida nos distraem, divertimentos, entretenimento, prazeres até sadios, que não são inerentemente errados ou pecados em si mesmo mas que podem eventualmente tornarem-se em ídolos para nós, ou nos levarem a nos distanciarmos de Jesus, não mais reconhecermos como precisamos desesperadamente e urgentemente desse que é o melhor presente de Deus para nós.


3 – O que fazer diante de tudo isso

Jesus veio ao mundo em uma família pobre, não teve sequer um local adequado para recebê-lo. E hoje? Será que ele encontra um bom lugar em nossos corações, em nossas famílias? Será que celebramos o nascimento desta criança, ou como muitas outras que viram paisagem em nossas cidades nós ignoramos sua presença, tanto faz Ele nascer ou deixar de nascer, nada significa para nós?

Quando pensamos em natal, será que pensamos mais em peru, presentes, talvez nas contas a pagar na virada do ano que se aproxima, e bem pouco no que realmente vale a pena, Jesus, o Deus que se fez carne e habitou entre nós?!

O que o natal tem significado para você?

O natal pode ter vários significados. Filmes e mais filmes contam do chamado “espírito do natal”, falam de solidariedade, companheirismo, perdão, família, generosidade, e estão parcialmente certos, mas tudo isso sem Jesus não vale nada, pois o principal motivo do natal foi perdido. O aniversariante não estando presente, o que de fato temos a celebrar?

O nascimento de Jesus é, como bem disse o anjo, novas de grande alegria. No entanto, traz consigo também um enorme peso de responsabilidade, pois nos confronta com a realidade espiritual de que há um caminho e uma escolha a ser feita. Será que temos escolhido o caminho da morte ou o caminho da vida?

É tempo de despertar! Não somos mais crianças, bebezinhos sem entendimento e que em tudo dependem de seus pais! Você e eu somos responsáveis por nossas escolhas, e se essas escolhas nos levam para mais perto ou mais longe de Deus. Não são seus pais, irmãos, marido ou mulher que serão responsáveis diante de Deus por sua vida, exceto quanto a terem ou não pregado o evangelho e dado bom testemunho. Não são os pastores e líderes que serão responsáveis pela sua caminhada, exceto por terem anunciado uma mensagem verdadeira e oferecido a mão para caminhar com você por este caminho. A responsabilidade é individual, minha e sua.

Quando confrontados com a mensagem da salvação, a mensagem de Jesus, o Emanuel, o Deus conosco, será que temos virado às costas para o amor desse Deus? Será que temos rejeitado sua oferta de paz, de reconciliação, será que temos noção do mal que temos feito e das consequências eternas que irão nos sobrevir?

Por outro lado, uma vez tendo recebido e acolhido essa boa nova, será que ficaremos calados vendo os outros perecer? Será que lhes sonegaremos a notícia mais importante, o presente mais precioso da história, que Deus os ama, que Deus os busca, que Deus em Jesus deu a sua vida por eles e ambos, eles e nós, temos a oportunidade hoje de recebermos o perdão e a salvação?

Voltemos à nossa história. O que aconteceu com os pastores após verem o menino? O verso 17 nos diz que “Depois de o verem, os pastores falavam a todos o que havia acontecido, e o que o anjo lhes havia dito a respeito daquele menino”. E o resultado? Verso 18: “E todos os que ouviam a história dos pastores ficaram admirados”.

É impossível não reagirmos a uma notícia como essa. Quando os pastores contaram aos seus conhecidos sobre o que tinha acontecido, todos ficaram admirados e não era para menos. Pense em tudo que lhes aconteceu, pense em tudo que falamos hoje aqui! Quando Jesus nasce em nossas vidas, meus irmãos, causa uma comoção tão grande que é impossível não falarmos a outras pessoas, isso muda nossa vida totalmente e essa história ainda hoje continua impactando a cada pessoa que se deixa transformar pelo poder de Deus, do mais rico ao mais pobre, do mais ignorante ao mais culto, do mais simples ao mais poderoso, homens e mulheres continuam hoje sendo profundamente tocados por esse menino que nasceu há pouco mais de dois mil anos.

Para concluir, vou contar uma história que aconteceu comigo e Talita quando fomos à África em 2017. Perto de virmos embora, havia alguns vestidos que “sobraram” e a missionária Heidi Baker, líder do ministério onde ficamos hospedados, pediu para nos conhecer e quando soube que tínhamos esses vestidos “extras”, nos convidou para uma reunião que ela fazia com as crianças que ela tinha como filhos e filhas adotivos dentro da base.

Durante o encontro, ela escolheu alguns meninos para entregarem os vestidos a algumas das meninas, e quando o primeiro foi lá entregar, sabe como é criança, todo sem jeito e com vergonha ele praticamente rebolou o presente no colo da menina e saiu de lado, mas a Heidi chamou com todo carinho o menino e ensinou algo a ele, a todas as demais crianças e outros adultos que estavam ali, e, talvez sem saber, mais ainda a Talita e a mim, de que quando damos um presente, não podemos dar de qualquer jeito. É importante sabermos receber um presente, obviamente, mas ela ensinou algo que eu nunca tinha parado para prestar atenção, o valor de dar corretamente. Até pra dar, a gente precisa saber dar direito, a forma de Deus.

Ela disse que aqueles vestidos haviam levado 9 meses para serem feitos e chegado ali, que eram fruto de muito amor e cuidado, e que esse era um amor que representava uma gestação e um nascimento, semelhante ao amor que Cristo tem por nós.

Em seu ensinamento àquelas crianças ficou algo para mim, que muitas vezes damos o presente da forma errada, e aqui falo de Jesus. Jesus, que é o melhor presente de todos, nós entregamos embrulhado em papel de enrolar prego e não na embalagem mais digna, damos de má vontade, quase como criança birrenta que não quer compartilhar o que ganhou com o irmão ou com o amiguinho…

Quando entregamos esse presente precisamos ensinar o seu valor, o quanto ele custou, e não falo aqui, deixo bem claro, de “vender Jesus” ou anunciar um Jesus diferente das Escrituras, mas do preço do seu sangue na cruz do Calvário. Não foi sem esforço, então não deve ser de qualquer jeito.

No Natal, quando damos ou recebemos presentes, normalmente é de ou para quem amamos, ou, no máximo, se “providos de um enorme sentimento de generosidade”, vamos um pouco além e damos a alguém que está passando necessidade. Mas imagine aqui que Deus deu o seu bem mais precioso, seu melhor presente, seu Filho amado, para pessoas que só lhe ofenderam, que foram e têm sido rebeldes, seus inimigos. Será que você teria coragem de fazer o mesmo?

E sabendo disso tudo, você tem coragem de rejeitar esse presente de Deus? Após ouvir o que falamos aqui hoje, estamos plenamente cientes da repercussão da nossa escolha por aceitá-lO ou rejeitá-lO?

Não vou constrangê-lo a vir a frente, levantar sua mão ou nada parecido, mas leve consigo pra sua casa, nesses poucos dias que nos separam do ano novo, que decisão você deve tomar, o que em sua vida você precisa mudar, o que eu e você precisamos abrir mão, tantos “presentes” sem futuro, mas embrulhados em embalagens vistosas, enquanto o autor da vida quer nascer hoje em nossas vidas e não acha lugar sequer em uma manjedoura, essa pérola preciosa mas que está envolta em panos e por isso talvez a esqueçamos, não damos o seu real valor, dia a dia permanece embaixo da árvore sempre a espera de ser recebida com alegria.

Qual o melhor presente de natal? Não seria Ele, Jesus, o próprio Natal, que quer nascer no meu e em seu coração? O presente esquecido tantas vezes por muitos de nós, quer ser lembrado, aberto, experimentado, conhecido, apreciado, reconhecido pelo valor inestimável que possui. Um presente é um sinal de lembrança, de que somos amados. Como Deus nos ama, então, meus irmãos, já que nos deu seu Filho, seu único Filho, por amor de nós! Receba hoje esse presente, receba a Jesus como Senhor e Salvador de sua vida!

Deus nos abençoe.

Última mensagem do ano de 2019

Conta as bênçãos, conta quantas são.
Recebidas da divina mão.
Uma a uma, dize-as de uma vez,
Hás de ver surpreso quanto Deus já fez.

A estrofe acima, coro do hino 329 do Cantor Cristão, chamado “Conta as Bençãos”, é o tema para esta última mensagem do ano.

Hoje, 31/12/2019, é um dia para refletirmos sobre o ano que passou, e nos prepararmos mental e espiritualmente para o ano que está prestes a nascer.

Pensando em 2019, quantas bençãos podemos enumerar, se nos detivermos um momento, quanto poderemos agradecer a Deus pelo muito que certamente Ele fez em nossas vidas? Bençãos de saúde, de cuidado, preservando a nossa integridade física de acidentes, da violência, e não somente a nossa mas a das pessoas a quem amamos…

Continuando, bençãos de trabalho, em um país que ainda se recupera da maior crise econômica de sua história, bençãos de ministério, de termos tido o privilégio de servir ao nosso Senhor sendo abençoadores de outras pessoas, bençãos de termos ganhado novas pessoas para Jesus, ou termos recebido novas pessoas para cuidar, esposas, filhos, companheiros de caminhada…

A maior benção de 2019 certamente foi andar mais perto dEle, do Mestre, do Senhor, nós que somos seus escravos, mas não apenas isso, seus amigos, filhos de Deus, cf. João 1:12.

E os desejos e planos para 2020? Casa própria, um novo emprego ou quem sabe aprovação em um concurso público, mulher, filhos, carro novo (mesmo que usado)… Todos esses são sonhos justos e razoáveis e Deus tem prazer em nos conceder. Deus não é um deus mal, um estraga prazeres, como muitos pensam, ao contrário, Ele tem prazer em nos dar coisas boas (cf. Mateus 7:11), que excedem em muito aquilo que pedimos ou pensamos (cf. Efésios 3:20), especialmente sabedoria (cf. Tiago 1:5) e o seu próprio Espírito Santo (cf. Lucas 11:13).

Mas não pense apenas nas coisas que você quer ganhar ou receber, pense naquilo que você pode dar, no milagre que você pode ser na vida de alguém. Peça a Deus para ser um melhor marido, filho, irmão, pai, um melhor funcionário onde trabalha, um melhor patrão ou colega de trabalho, uma ovelha mais serva a seu pastor ou comunidade com a qual congrega…

Deus em 2020 quer cumprir na minha e em sua vida o Seu propósito, realizar os sonhos dEle muito mais do que os nossos, Ele quer caminhar conosco, estreitar o nosso relacionamento de maneira a sermos cada vez mais íntimos com nosso Pai. Assim experimentaremos sua boa, agradável e perfeita vontade em nós (cf. Romanos 12:2), que é seu próprio Filho Jesus.

Sim, façamos nossos planos, mas confiando que a palavra final é do Senhor (cf. Provérbios 16:1). Entreguemos nosso 2020 a Ele, e não sejamos ansiosos, pois Ele tem cuidado de nós (cf. 1 Pedro 5:7, e Salmos 55:22). Em 2020, busquemos mais a Jesus, conhecê-lO, andar com Ele, aprender dEle. Todos os nossos sonhos e planos, por melhores que sejam, não se comparam a um relacionamento com Cristo.

Concluindo, o meu desejo para 2020, para a minha e a sua vida, meu amigo, meu irmão, é o que diz as Escrituras em Lucas 12:29-31:

Não busquem ansiosamente o que hão de comer ou beber; não se preocupem com isso.
Pois o mundo pagão é que corre atrás dessas coisas; mas o Pai sabe que vocês precisam delas.
Busquem, pois, o Reino de Deus, e essas coisas lhes serão acrescentadas.

Que daqui a um ano, no final de 2020, possamos olhar para trás e vermos o quanto conseguimos, o quanto conquistamos, e sermos gratos a Deus por todas essas coisas. Mas, principalmente, possamos reconhecer o quanto mais parecidos com Jesus nos tornamos, o quanto mais do Pai conhecemos, o quanto mais íntimos de seu Santo Espírito nos tornamos.

Esse é o meu desejo para nossas vidas nesse ano que começa amanhã.

Deus nos abençoe.

Sobre um caso recente de ransomware

Pensando sobre um caso recente de um crime que está se tornando bastante comum (não citarei nomes ou quaisquer outras referências – fogem ao ponto, é desnecessário e antiético), ataque de ransomware.

Do que se trata: por alto, ocorre uma invasão de um computador e os dados armazenados são criptografados, e a senha para descriptografá-los é obtida mediante o pagamento de um resgate, normalmente por meios difíceis ou impossíveis de rastreamento, como por meio de criptomoedas.

Fomos acionados para investigar um ataque do gênero. Liguei para a pessoa responsável pela área de TI e perguntei se seria possível enviar o equipamento (servidor) para análise em laboratório. Não seria, não havia um servidor de reserva para substituir o principal em caso de falha catastrófica (como era o caso). Todo o esquema de salvaguardas se resumia ao backup (felizmente atualizado) dos sistemas em operação.

Considerando as limitações inerentes a esse tipo de análise/investigação (ex.: conta de e-mail para contato/pagamento do resgate pertencente a serviço localizado no estrangeiro em país não cooperativo), o pouco que poderíamos fazer tornou-se em nada, frustrando as expectativas dos presentes na reunião de atendimento, já que não teríamos acesso ao equipamento comprometido, e que o mesmo teria de ser colocado novamente no ar a toque de caixa.

Algumas lições ficaram evidentes:

1) a solução empregada de virtualizar os ambientes de produção e seus respectivos sistemas, de modo a cortar custos, o que é compreensível, visto que a área de TI, normalmente área meio em uma empresa, dificilmente recebe um orçamento adequado, e facilitar (em certo sentido) a administração dos recursos, no caso de uma operação crítica como era a área de atuação da pessoa que nos acionou, não se mostrou a mais adequada, pois uma vez que o servidor foi comprometido, todos os sistemas ficaram offline.

2) Backups nunca devem ser a única solução de reserva para um evento catastrófico. Não vou me estender muito, mas existem tantas soluções passivas e ativas para prover redundância quanto o dinheiro pode pagar, e o prejuízo causado à empresa pelo fato de suas operações terem parado por um ou dois dias, suponhamos da ordem de alguns milhões de reais (mas poderia ser, no seu caso, todas as fotos de família dos últimos 20 anos), sem contar a quantidade de homens-hora despendida levantando novamente os sistemas, teriam em muito pago uma solução mais robusta, que envolvesse, por exemplo, um servidor clone que permanecesse offline, apenas acionado numa eventualidade (eu sei que ninguém quer “desperdiçar” um recurso “caro” como um servidor apenas para “ficar no banco”, mas se é assim com equipes desportivas, que dirá mesmo na operação de uma empresa).

3) A prevenção sempre será o melhor remédio. A nossa recomendação nesse tipo de caso é não pagar o resgate (é a famosa máxima de não negociar com terroristas ou bandidos) a não ser em caso de desespero extremo (frise-se). Primeiro que pagar incorre em risco, afinal, ninguém sabe se o criminoso ao receber o pagamento irá realmente descriptografar o material, ou entregar a senha, afinal, se o criminoso fosse alguém confiável e ético não estaria cometendo crimes. Segundo que ainda que o faça, ele saberá que a pessoa ou empresa invadida paga, potencializando novos ataques. E por prevenção, estabelecer boas políticas de auditoria para exame futuro de ataques ou mal usos (respostas a incidentes) vem bem a calhar.

4) Por último, e entendendo que uma invasão nem sempre começa por um equipamento servidor (ex.: pode começar por um equipamento de rede e se propagar rede adentro), que por melhor que esteja instalado, configurado e mantido (atualizado) sempre pode estar sujeito a incidentes como esse (afinal, brechas e falhas de segurança são reportados todos os dias envolvendo sistemas operacionais, gerenciadores de bancos de dados, além de falhas humanas e de hardware, engenharia social, etc.), uma verdade antiga de manter serviços sensíveis offline ainda vale, muito embora na situação real do dia-a-dia isso pode se provar mais difícil (então, talvez seja melhor estruturar a rede, equipamentos servidores e sistemas distribuídos em camadas, mantendo os dados mais sensíveis com acesso limitado internamente, e apenas os serviços públicos com acesso pela Internet).

Se mantemos nossos dados sob custódia adequada, com backups atualizados, e um sistema de redundância na medida da nossa capacidade técnica e financeira, mesmo que um evento dessa magnitude aconteça (mesmo que não por crime, uma falha de hardware me vem à mente), nosso prejuízo será minimizado. Quando os incidentes acontecem, e eles acontecem (lei de Murphy), é melhor estar preparado para o pior cenário, para não depender de forças ocultas e não confiáveis (criminosos, por exemplo) para a recuperação de seus/nossos ativos digitais.

Fica a reflexão.

Bons (e maus) conselhos

E tomou Roboão conselho com os anciãos, que estiveram perante Salomão seu pai, enquanto viveu, dizendo: Como aconselhais vós que se responda a este povo?
E eles lhe falaram, dizendo: Se te fizeres benigno e afável para com este povo, e lhes falares boas palavras, todos os dias serão teus servos.
Porém ele deixou o conselho que os anciãos lhe deram; e tomou conselho com os jovens, que haviam crescido com ele, e estavam perante ele. – 2 Crônicas 10:6-8

Conselhos. Na vida, sempre precisamos de conselhos para tomar alguma decisão difícil ou passar por um momento de angústia ou adversidade que enfrentamos. Ao admitir que precisamos de conselhos, reconhecemos que não somos detentores de todo o conhecimento, nos colocamos numa posição de humildade e dependência, em primeiro lugar de Deus, e em seguida de outras pessoas. Não somos 100% independentes de tudo e de todos, e não fomos criados para sermos assim, pelo contrário, a interdependência saudável nos leva a crescimento e amadurecimento em todas as áreas de nossas vidas.

Ocorre que, como o texto da Palavra nos ensina hoje, nem sempre devemos ouvir todos os conselhos que nos são dados. Na verdade, nem todo mundo que quer nos aconselhar busca o nosso melhor interesse ou tem o nosso bem estar em mente quando vem nos “aconselhar”. Não só isso, sabendo que somos pecadores, mesmo na melhor das boas intenções, muitas vezes falhamos em dar bons conselhos aos nossos amigos e a pessoas a quem amamos, e a recíproca também é verdadeira com relação aos conselhos que recebemos.

Roboão tomou conselho com os anciãos, e isso não quer dizer necessariamente que eram bons conselhos, afinal velhice em idade não significa maturidade, mas pelo texto tiramos que realmente eram bons os conselhos que aqueles homens experimentados haviam dado ao novo rei. Eles tinham conhecimento de causa, afinal haviam trabalhado por tantos anos com seu pai, Salomão. Roboão fez mal ao desprezar o conselho daqueles homens. O problema não foi exatamente buscar conselhos em seus amigos, já que a própria Palavra diz que “na multidão de conselhos há segurança” (Pv 11:14), mas 1) desprezar conselhos dados que já eram muito bons e, 2) buscar o conselho em amigos “sem futuro”, jovens inexperientes e imaturos, que visavam apenas o poder e o prestígio, como o restante do texto demonstra. O resto é história: a divisão de Israel em dois reinos, ficando a descendência de Davi com a liderança de uma porção bem menor de gente e território.

Que a lição que aprendemos hoje possa nos levar a tomar melhores decisões, afinal, como vimos recentemente sobre a sabedoria, o temor do Senhor é a própria fonte de sabedoria. Não há sabedoria, não há boas escolhas longe do Senhor, apartadas da sua própria Palavra, que venham de pessoas que não buscam a sua Face e seu Caminho. O tipo de conselho e de conselheiros que devemos aceitar são pessoas que servem a Cristo, e delas, as que sabemos de antemão que se importam conosco de verdade, conselhos que visam o nosso bem e não coisas fúteis.

Essa é a minha oração por mim e por você hoje.

Pregação ICS 08/09/2019 – A quem servir na igreja local

Pregação ICS 08/09/2019 – A quem servir na igreja local

Texto base: Lucas 10:25-37

Certa ocasião, um perito na lei levantou-se para pôr Jesus à prova e lhe perguntou: “Mestre, o que preciso fazer para herdar a vida eterna?”
“O que está escrito na Lei?”, respondeu Jesus. “Como você a lê?”
Ele respondeu: “‘Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todas as suas forças e de todo o seu entendimento’ e ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’”.
Disse Jesus: “Você respondeu corretamente. Faça isso, e viverá”.
Mas ele, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: “E quem é o meu próximo?”
Em resposta, disse Jesus: “Um homem descia de Jerusalém para Jericó, quando caiu nas mãos de assaltantes. Estes lhe tiraram as roupas, espancaram-no e se foram, deixando-o quase morto.
Aconteceu estar descendo pela mesma estrada um sacerdote. Quando viu o homem, passou pelo outro lado.
E assim também um levita; quando chegou ao lugar e o viu, passou pelo outro lado.
Mas um samaritano, estando de viagem, chegou onde se encontrava o homem e, quando o viu, teve piedade dele.
Aproximou-se, enfaixou-lhe as feridas, derramando nelas vinho e óleo. Depois colocou-o sobre o seu próprio animal, levou-o para uma hospedaria e cuidou dele.
No dia seguinte, deu dois denários ao hospedeiro e disse-lhe: ‘Cuide dele. Quando voltar lhe pagarei todas as despesas que você tiver’.
“Qual destes três você acha que foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?”
“Aquele que teve misericórdia dele”, respondeu o perito na lei. Jesus lhe disse: “Vá e faça o mesmo”.

 

Introdução

Jesus, em seus três anos de ministério, fez e ensinou muitas coisas, conheceu muita gente, e as pessoas quando vinham ao seu encontro, estavam motivadas por todo tipo de sentimento e expectativa, algumas justas e razoáveis, outras nem tanto, somente curiosidade ou até despeito mesmo, buscando alguma razão para fazê-lo cair em alguma armadilha no seu discurso.

A história que lemos hoje é sobre um desses encontros, quando um especialista na Lei Mosaica questiona o Senhor a respeito de algo que em tese ele mesmo sabe, porque não era um tema obscuro, não era um pormenor escondido, um detalhe de uma nota de rodapé. Era o cerne da Lei, que resumidamente se encontra nos 10 mandamentos em Êxodo 20, ou seja, a ética do nosso relacionamento com Deus e com o ser humano, que continua sendo a mesma ética do Reino de Deus hoje, já que Deus é o mesmo ontem e hoje, Ele não muda.

Deuteronômio 6:5 diz: “Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças”.

Já Levítico 19:18 fala: “Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor”.

Novamente, não eram textos obscuros. Então o especialista estava pondo Jesus à prova: “Será que esse ‘Rabi’ conhece a Lei”?

Mas como Jesus não a conheceria, já que Ele é a pessoa que a inspirou?! A Lei apontava para o Filho, nos conduzindo até Ele, cf. Gálatas 3:24,25. A Lei entregue por Deus a Moisés e por meio dele ao povo de Israel, muito embora cercada de cerimônias, rituais, sacrifícios, trazia em meio a suas muitas proibições e mandamentos um valor intrínseco que desafia a nossa leitura superficial da mesma, que é igual à leitura que aquele homem estava fazendo: a salvação é algo que eu posso conquistar com meu esforço e mérito, EU sou o senhor do meu destino.

Na verdade, a Lei, que somente o Filho conseguiu cumprir com perfeição, apontava para algo que nós hoje temos clara certeza: a salvação vem pela fé, por meio da graça, e isso não é por ação humana, é dom de Deus, cf. Efésios 2:8-10, o texto mais conhecido sobre esse tema, mas que não é o único.

Paulo, em Romanos 11, falando a respeito de como Deus reservou 7000 homens que não dobraram seus joelhos a Baal nos tempos de Elias, explica que Deus o fez “segundo a eleição da graça” (v. 5), ou seja, mesmo no período da Lei, Deus sempre se relacionou com o homem com base na graça, no amor, e não em coisas que “temos a capacidade de fazer”.

Continuaremos falando sobre isso mais adiante.

 

A Quem servimos?

O tema da nossa reflexão de hoje sobre o serviço é “A Quem servimos”? Essa pergunta pode parecer meio óbvia como a feita por aquele doutor da Lei. Vamos falar, sim, um pouco do óbvio, e talvez pensar também em outras respostas menos óbvias a esse questionamento.

 

1 – Servimos a Deus

Em primeiro lugar, a resposta óbvia quando pensamos no destinatário do nosso serviço é: Deus.

Sim! Em primeiro lugar, servimos a Deus. Se nosso serviço não brotar de um coração movido por generosidade como resposta de gratidão por tudo que Deus tem sido e feito por nós e em nós, nosso serviço não terá repercussões espirituais para a vida eterna.

E por repercussões espirituais para a vida eterna – lembrando aqui das palavras do personagem de Russel Crowe no filme “Gladiador” (“O que fazemos na vida ecoa na eternidade”), pense não apenas nos galardões ou recompensas que teremos (e não vou entrar no mérito de quais, quantos ou como serão, salvo que nossas obras não devem ter essa motivação principal), mas pense nos frutos que produzimos, quantas almas ajudamos a levar a Jesus, quantas vidas abençoamos de tantas maneiras.

Segundo o texto de Efésios, a salvação não vem pelas obras, diferentemente do que aquele doutor da Lei pensava. Nunca será pelo “que posso fazer”. Aliás, essa ansiedade por fazer, fazer, fazer é algo intrínseco à nossa natureza humana. É a dificuldade que temos de entregar o controle remoto da nossa vida a outra pessoa, no caso Deus. Em outra passagem, Lucas 18 narra um moço rico perguntando a Jesus o que fazer para herdar a vida eterna, como se ele ou nós pudéssemos fazer algo nesse sentido.

A esse respeito, as coisas que fazemos são chamadas pelo profeta Isaías de trapo imundo. Abra comigo sua Bíblia em Isaías 64:4-6.

Porque desde que o mundo é mundo, ninguém ouviu, nenhum ouvido percebeu e olho nenhum viu um Deus como o nosso, que trabalha para aqueles que nele confiam.
O Senhor recebe de braços abertos quem tem alegria em praticar a justiça, que se lembra do Senhor e quem anda nos seus caminhos. Mas nós vivemos pecando e fizemos o Senhor se irar; com todo o nosso pecado, como podemos ser salvos?
Todos nós nos tornamos impuros. As nossas boas ações, que pensamos ser um lindo manto de justiça, não passam de trapos imundos. Murchamos como as folhas no outono; os nossos pecados nos levam sem destino, como o vento faz com as folhas.

Vejamos de trás pra frente:

1) somos pecadores. Nossas boas ações, que temos em alta conta, não valem nada. Menos que nada, são trapos imundos!

2) como, então podemos ser salvos? Por nossas obras, parece claro que não é!

3) “O Senhor recebe de braços abertos quem tem alegria em praticar a justiça, que se lembra do Senhor e quem anda nos seus caminhos” e “trabalha para aqueles que nele confiam”. Essa é a resposta para a pergunta que é minha, sua, do moço rico e do conhecedor da Lei do texto base de hoje. A Palavra chave é confiar. Crer não é um simples acreditar. Acreditar até os demônios acreditam, cf. Tiago 2:19. Crer é confiar. E da confiança vem a motivação e a capacidade para obedecer. Eu só consigo obedecer, eu só desejo obedecer aquele em quem confio. Essa é a fé salvadora, uma fé que não vem de obras, mas produz obras que são frutos de justiça, frutos dignos de arrependimento, o fruto do Espírito cf. Filipenses 1:11, Lucas 3:8 e Gálatas 5:22.

Usando a conhecida metáfora de uma árvore, as obras que fazemos são nossos frutos, e a salvação pela graça, por meio da fé, é a raiz. A planta nasce em Deus e frutifica em nós, na mutualidade, “uns aos outros” como diversas vezes Jesus nos ensinou a fazer, e não o contrário.

Mas, esse mesmo Jesus também nos diz que a árvore que não dá fruto, o agricultor, que é o Pai, vem e corta, e lança fora para ser queimada (cf. Mateus 7:19).

Então, nessa metáfora, nós somos pomar do Senhor. Alegra ao Pai ver árvores frondosas e frutíferas, que dão o seu fruto no devido tempo (cf. Salmos 1:3), ou seja, o homem que “tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite” (cf. v. 2), árvores de frutas saborosas, que alimentam os famintos, e não árvores secas que não produzem fruto e só ocupam espaço e dão trabalho.

Devemos servir a Deus em primeiro lugar. Ele deve sempre ocupar o foco de nossa vida e serviço. Nos relacionamos com Ele primeiro, com maior dedicação, mais intensidade, com profunda comunhão e intimidade. Depois, qualquer outra pessoa. Igualmente, primeiro O servimos, e em seguida aos demais. Sim, porque servimos também a outras pessoas. Não para nEle o serviço, e, aliás, também O servimos quando servimos seus filhos.

Josué 24:14,15 diz assim:

Agora temam o Senhor e sirvam-no com integridade e fidelidade. Joguem fora os deuses que os seus antepassados adoraram além do Eufrates e no Egito, e sirvam ao Senhor.
Se, porém, não lhes agrada servir ao Senhor, escolham hoje a quem irão servir, se aos deuses que os seus antepassados serviram além do Eufrates, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra vocês estão vivendo. Mas, eu e a minha família serviremos ao Senhor.

O Senhor requer nossa dedicação exclusiva, no sentido de que nada nem ninguém pode ocupar o seu lugar em nossos corações, vida e serviço. Não podemos servir a Deus e ao dinheiro, por exemplo, cf. Mateus 6:24.

O serviço, nesse caso, é uma forma de relacionamento entre o servo e o seu senhor. Nós somos os servos, ou, pelo menos, deveríamos ser. Mas, quem tem sido nosso senhor? A quem, realmente, temos servido?

Será que temos servido a Deus ou a nós mesmos? Qual tem sido nossa motivação diária quando acordamos: honrar a Deus, nosso Pai de amor? Glorificar o seu nome através de um testemunho fiel? Amar sua família como Ele mesmo nos ensinou? Ou buscar nossos próprios interesses, por melhores e mais ingênuos que pareçam?

Marcos 14:3 narra a história de uma pessoa que tinha um entendimento correto da prioridade ao servir. Seu nome é Maria, irmã de Marta e Lázaro. O texto diz assim:

Estando Jesus em Betânia, reclinado à mesa na casa de um homem conhecido como Simão, o leproso, aproximou-se dele certa mulher com um frasco de alabastro contendo um perfume muito caro, feito de nardo puro. Ela quebrou o frasco e derramou o perfume sobre a cabeça de Jesus.
Alguns dos presentes começaram a dizer uns aos outros, indignados: “Por que este desperdício de perfume?
Ele poderia ser vendido por trezentos denários, e o dinheiro dado aos pobres”. E a repreendiam severamente.
“Deixem-na em paz”, disse Jesus. “Por que a estão perturbando? Ela praticou uma boa ação para comigo.
Pois os pobres vocês sempre terão consigo, e poderão ajudá-los sempre que o desejarem. Mas a mim vocês nem sempre terão.
Ela fez o que pôde. Derramou o perfume em meu corpo antecipadamente, preparando-o para o sepultamento.
Eu lhes asseguro que onde quer que o evangelho for anunciado, em todo o mundo, também o que ela fez será contado em sua memória”.

Sabe o que eu falei sobre repercussões espirituais para a vida eterna? Aqui está uma pessoa que entendeu bem esse conceito. Maria não se importou com o valor de seu sacrifício ao servir, e aliás, se importou sim, mas não como a gente se importa, com mesquinharia, contando centavos… Pra ela quanto mais caro, quanto maior o sacrifício, mais feliz e realizada ela ficou pois sabia que aquilo agradaria ao seu amado. Maria não se importou foi com o que os outros poderiam pensar, se ou como seria julgada – ela sabia que seria julgada, e isso não foi empecilho como muitas vezes o é para nós. Ela não fez aquilo para ser vista. Ela se importou em agradar a Jesus, e isso bastava.

Perceba que esta é a mesma Maria que Lucas, ao narrar as palavras de Jesus, descreve como tendo escolhido “a boa parte, e esta não lhe será tirada”, enquanto Marta sua irmã, cujo serviço desvirtuou-se em ativismo, recebe a repreensão do Senhor: “Marta! Marta! Você está preocupada e inquieta com muitas coisas; todavia apenas uma é necessária”, (cf. Lucas 10:38-42). Jesus não condena o serviço, mas Ele enxerga onde está o coração do homem, e o tipo de serviço que Ele gosta e recebe deve partir de priorizarmos o mais importante, que é o relacionamento, é o simplesmente estar a seus pés.

Um último aspecto, temos em 2 Timóteo 2:4: “Nenhum soldado se deixa envolver pelos negócios da vida civil, já que deseja agradar aquele que o alistou”.

Como o próprio texto deixa claro, a vida comum, em que pé esteja, não pode servir de obstáculo à nossa missão.

Mas… que negócios seriam esses? Qualquer coisa que não diga respeito direta e imediatamente à própria missão, qual seja, viver e pregar que o Reino de Deus é chegado!

Nesse sentido, a correta prioridade das coisas da vida deve ser: 1) nos relacionarmos com Deus individualmente, em intimidade; 2) nos relacionarmos com Deus como família, com nossas esposas e filhos; 3) nos relacionarmos com Deus como igreja, irmãos e irmãs que se reúnem nos lares ou coletivamente; e 4) nos relacionarmos com Deus no mundo, ou seja, pregando seu amor e sacrifício em Jesus a quem ainda não Lhe conhece.

Essa é a nossa missão diária, a nossa guerra, o nosso serviço.

 

2 – Servimos aos irmãos

Em segundo lugar, servimos aos nossos irmãos. Já falamos aqui em outra oportunidade, servimos prioritariamente à nossa família espiritual e à nossa família natural. Sobre isso Paulo nos fala em 1 Timóteo 5:4,8:

Mas, se alguma viúva tiver filhos, ou netos, aprendam primeiro a exercer piedade para com a sua própria família, e a recompensar seus pais; porque isto é bom e agradável diante de Deus.
Mas, se alguém não tem cuidado dos seus, e principalmente dos da sua família, negou a fé, e é pior do que o infiel.

Fazendo uma ponte com o primeiro tópico, há duas considerações que precisamos fazer:

1) Não podemos crer que serviremos a Deus sem servir ou ignorando sua família. Irmãos, Deus não precisa do nosso serviço. É um privilégio nosso servi-lo. Na verdade, nós precisamos servir a Deus, de modo a sermos transformados pela atuação do Espírito Santo. Servir à família de Deus é uma oportunidade que Deus nos dá de contribuir para o crescimento do Reino.

2) Servindo a família de Deus, que é a nossa família espiritual, estamos também servindo ao próprio Pai, cf. Mateus 25:34-40:

Então o Rei dirá àqueles à sua direita: ‘Venham, benditos do meu Pai, para o Reino preparado para vocês desde a criação do mundo. Porque eu tive fome, e vocês me deram de comer; eu tive sede, e vocês me deram de beber; eu era um estranho, e vocês me convidaram para suas casas; eu estive nu, e vocês me vestiram; eu estive doente, e vocês cuidaram de mim; estive na prisão, e vocês me visitaram’.
Então os justos responderão: ‘Senhor, quando foi que nós vimos o Senhor com fome, e lhe demos de comer? Ou com sede, e lhe demos alguma coisa para beber? Ou como estranho, e o socorremos? Ou nu, e o vestimos? Quando foi que vimos o Senhor doente, ou na prisão, e o visitamos?’
E o Rei lhes dirá: ‘Digo a verdade a vocês: Quando vocês fizeram isso ao menor destes meus irmãos, estavam fazendo a mim!’

Não vou entrar no mérito do “como” servimos pra não dar spoilers das próximas mensagens, mas deve estar claro em nossos corações que o serviço é relacionamento, e deve ter o propósito de buscar a piedade, ou seja, caminhar em intimidade com o Pai em primeiro lugar, e com os irmãos em segundo.

Serviço que não tem esse entendimento deixa de ser serviço e vira ativismo religioso ou nem isso. Podemos proporcionar um bem individual ou coletivo até expressivo, mas teremos perdido o foco da missão, que é levar pessoas a Jesus! Já disse uma vez e digo outra, não adianta termos pessoas recuperadas das drogas, com casamentos e famílias restauradas, educadas, com emprego, saúde e barriga cheia, mas caminhando para o inferno! Esse tipo de obra não “ecoa para a eternidade”. O prejuízo eterno é maior do que qualquer vantagem ou bem-estar adquirido nesta vida.

Voltemos ao texto base. Há um detalhe importante nessa parábola que muito poucas vezes é mencionado, e talvez nos passe desapercebido. Jesus fala que o sacerdote e o levita desciam de Jerusalém a Jericó.

Já ouvi algumas vezes que uma possível causa para aqueles homens não atenderem ao caído teria sido por razão religiosa. Explico. A Lei moisaica dizia em diversos locais que tocar em um cadáver, uma pessoa ou animal morto, era motivo de tornar alguém cerimonialmente impuro e, portanto, afastava essa pessoa do convívio social e das obrigações religiosas por determinado período de tempo, fosse um ou alguns dias. Levítico 11, Levítico 21, Números 19, entre outros textos, falam desse assunto. Vejamos Números 19, como exemplo:

Quem tocar em uma pessoa morta ficará impuro durante sete dias. Deverá purificar-se lavando-se com a água purificadora no terceiro e no sétimo dia. Mas, se não se purificar no terceiro e no sétimo dia, não estará puro. Aquele que tocar em uma pessoa morta e não se purificar, contamina o Tabernáculo do Senhor. Por isso, essa pessoa será eliminada de Israel, porque a água purificadora não foi borrifada sobre ela, e a sua impureza permanece sobre ela. – Números 19:11-13

O texto continua com mais detalhes e situações onde esse mandamento se aplicaria. O ponto é: havia uma previsão na lei cerimonial que regia o povo de Israel que poderia “explicar” a reação daqueles dois religiosos.

Explica, mas não justifica, porque em face da miséria humana, deveríamos fazer como Jesus em situação parecida: ter misericórdia, sentir a dor do outro em nós, em nossos corações, e nos mover da inatividade para a ação!

Mas, na verdade, e aqui entra o detalhe da parábola, nem a explicação religiosa convence, pois o texto deixa claro que eles desciam de Jerusalém a Jericó. Tanto sacerdotes quanto levitas possuíam turnos de serviço, semelhante às escalas que temos hoje de 24 horas trabalhadas por 72 de descanso, no caso deles normalmente uma semana a cada tantos meses, e o seu turno já havia encerrado, caso contrário eles estariam subindo a Jerusalém e não descendo de volta a Jericó. Eles não precisavam, em tese, se preocupar com suas “obrigações religiosas” para fugir da responsabilidade humanitária.

Fato é, irmãos, que muitos de nós, eu e vocês tantas vezes, temos buscado escorar nossa preguiça e desdém sob tantas desculpas esfarrapadas, e a religião pode muito bem ser uma delas. Como aquele doutor da lei, procuramos “brechas” para escapar de nossa obrigação de ajudar, de servir o próximo, afinal “quem é o meu próximo”?

Qual tem sido nossa justificativa? “Não posso perder meu tempo”? “Não posso me contaminar”? “O que será que vão pensar de mim”? “Não adianta mesmo…”? “Não concordo com essa visão de igreja ou com teologia A, B ou C”?

Quando não temos em mente a missão, quando não enxergamos o serviço à família de Deus como algo importante, fundamental, não percebemos o nosso papel no corpo, como vimos no acampamento e já agora nessas duas séries sobre serviço, procuraremos desculpas e qualquer uma vai servir para nos manter presos à nossa zona de conforto.

Os dois primeiros homens da parábola viram aquela situação como uma causa perdida. Pra eles não importava a vida da pessoa que estava ali caída tanto quanto as suas preocupações religiosas, suas reputações ou qualquer outra motivação que tenham tido.

A questão, então, é a seguinte: será que de alguma maneira a religião está nos afastando das pessoas? Será que em razão da religião, reputação, acomodação ou de qualquer outra coisa a gente está desprezando ou ficando cegos a pessoas que podem estar morrendo ao nosso redor? E não apenas ficando cegos no sentido passivo, insensíveis, mas será que não estamos fechando os olhos de propósito pra essas pessoas e, pior, usando alguma dessas desculpas? Será que só servimos quando há plateia, quando podemos explorar a exposição que teremos, ou será que só servimos para sermos vistos?

 

3 – Servimos ao mundo

Em terceiro lugar, servimos ao mundo. Quando servimos ao mundo devemos ter em mente a missão principal que continua sendo servir a Deus e glorificar o seu nome. Óbvio! Não somos uma ONG, somos a Igreja, corpo de Cristo, pescadores de homens em busca de resgatar os perdidos.

Servindo ao mundo, podemos servir três tipos de pessoas: os “amigos” do reino, pessoas próximas cujo evangelho já tem sido semeado em seus corações; os indiferentes ao reino, “neutros”, por assim dizer; mas também os inimigos do reino, aqueles que ativamente perseguem ao Senhor e aos seus filhos.

Sobre isso, Jesus nos ensina:

Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo.
Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus; porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos.
Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo?
E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim?
Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus. – Mateus 5:43-48

Quando amamos aos nossos inimigos, quando servimos a quem nos persegue – nós individualmente, ou à mensagem da Cruz – oportunizamos que o Espírito Santo trabalhe poderosamente em suas vidas, conforme a palavra de Paulo em Romanos 12:17-21:

A ninguém torneis mal por mal; procurai as coisas honestas, perante todos os homens.
Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens.
Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira, porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor.
Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça.
Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem.

Sim, meus irmãos, fazer o bem, dar a outra face quando levarmos um tapa, andar uma segunda milha, dar também a capa, cf. Mateus 5:38-41. Eu vou ser bem honesto com vocês, isso não é fácil. Sério, a vontade ao receber um tapa não é oferecer a outra face, não é servir, não é demonstrar gentileza e um coração manso como fruto do Espírito. A vontade é dar uma mãozada ainda maior. Mas nós não devemos ceder à nossa carne, e sim submeter a nossa vontade ao Espírito Santo que nos ajudará a frutificarmos em serviço até por quem nos persegue e maltrata.

Nisso, muito nos ajudam as disciplinas espirituais; em busca da piedade mortificamos a nossa carne, a nossa natureza pecadora, nossos desejos egoístas, fortificamos nosso espírito e caminhamos para ficar cada vez mais parecidos com nosso Senhor; e entre as disciplinas está o serviço, serviço que nos humilha, impedindo que sejamos soberbos, arrogantes, e que nos torna mais dependentes de Deus e uns dos outros, em vez de independentes e centrados apenas em nós mesmos e em nossos próprios interesses e vontades.

Percebam que, na parábola do bom samaritano, o único que se dispôs a ajudar o seu próximo era um inimigo étnico e religioso. Se não estivesse naquela condição, o homem caído talvez nem sequer lhe estendesse a mão ou lhe cumprimentasse. Pior, quem sabe se a história se invertesse se aquele judeu agiria como agiu o samaritano… Dificilmente.

Será que temos sidos constrangidos pelo Espírito Santo quando ímpios fazem por nós algo que seríamos incapazes de fazer por eles? Que tapa com luva de pelica levamos cada vez que incrédulos, idólatras, pessoas até sem religião alguma nos pagam o mal que fazemos em bem. É Deus clamando por meio de pedras, igreja, falando por meio de jumentas, com o perdão da expressão, para ver se o seu povo se converte, pra ver se o meu e o seu coração de pedra viram carne e vertem algum sangue.

Gostaria de lembrar, ainda sobre servir ao mundo, a respeito de um “paradoxo”, digamos assim. Mateus 13:24-30 nos conta a parábola do joio e do trigo. Lucas 8:5-15 fala da parábola do semeador.

Essas duas estórias nos ensinam, entre outras coisas, que do nosso lado na igreja pode haver um descrente fazendo-se passar por irmão. Isso mesmo! E eu não estou falando da pessoa que você ou eu convidamos para ouvir a Palavra, estou falando de membros e frequentadores rotineiros.

Olhe pra pessoa que está do seu lado. Ela pode estar cantando como a gente, dando glória a Deus com empolgação, ou mesmo chorar em êxtase em determinado momento mas ainda não ser convertida, esconder uma vida não arrependida cheia de pecados não confessados, e frequenta esse local e ambiente apenas porque faz bem à sua alma, lhe dá algum tipo de satisfação, pelas amizades que conquistou, quem sabe um contato profissional, ou pior, até com más intenções como talvez algum de nós já tenha visto ou ouvido falar de pessoas assim.

Por outro lado, como pescadores que lançam suas redes ao mar, como o semeador que saiu a semear, nosso trabalho talvez tenha que ser para a igreja que ainda está lá fora e precisa que alguém vá lá e pregue, cf. Romanos 10:14-16.

Em último lugar, João 13 conta como Jesus, na noite em que foi traído, lavou os pés de seus discípulos, inclusive os de Judas. O verso 1º desse capítulo diz que “tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim”.

Por uma série de razões, entendemos que, na verdade, os discípulos até este momento ainda não eram inteiramente convertidos. Todos iriam abandonar a Jesus, um iria negá-lo explicitamente, outro iria traí-lo, vendendo-o a preço de escravo.

E a todos estes Jesus amou. Amou. Amar é o melhor serviço, amar é o maior dom, cf. 1 Coríntios 12:31 e o capítulo 13 inteiro.

 

Conclusão

Se eu não submeto a minha carne a Jesus, se eu não obedeço os seus mandamentos, cf. João 14, não adianta eu servir. Aliás, servir desse jeito talvez seja uma grande demonstração de hipocrisia…

Serviço não é um “liquid paper” que vai apagar os meus erros cometidos, ele não é uma forma de aceitação, de salvação, não! A forma de aceitação é a graça. Demonstramos que fomos aceitos por meio da obediência. Só assim podemos servir.

Não adianta a gente cometer todo tipo de absurdo, ter a vida toda errada, e vir fazer jejum, e vir fazer serviço, vir fazer outras coisas. As disciplinas espirituais não são um contrapeso de balança, em que eu tento equilibrar os meus pecados com “virtudes” a perseguir. Não funciona assim. Mas sim, uma vez salvos, elas colaboram e muito no nosso processo de santificação.

A graça nos motiva a servir de maneira dedicada ao Senhor, a quem tudo devemos. Ele é a pessoa mais importante. Quando enxergamos a sua grandeza, fazemos ofertas como a de Abel, o melhor que temos de tempo, dinheiro, dons, esforço, serviço. Caso contrário, é mera religiosidade vã, é cópia barata, é como o sacrifício de Caim, qualquer coisa serve, de qualquer jeito tá bom. É a perigosa religião dos israelitas no tempo de Malaquias, que entregavam a Deus ofertas de pães imundos e animais doentes e defeituosos e tinham a cara lisa de querer que Deus aceitasse aquilo tudo numa boa e ainda os abençoasse.

Como falei, Deus não precisa do nosso serviço. Nós é que precisamos servir ao Senhor! Precisamos servir ao nosso próximo, especialmente aos da família da fé, aproximando os que hoje estão distantes, perdidos no mundo, mas sem afastar quem está perto.

Servimos, por exemplo, aos pobres em suas carências materiais, mas servimos também aos ricos que possuem outros tipos de carências. Uma das coisas que vi na África foi pessoas realmente miseráveis, que não tinham luz elétrica, água encanada ou qualquer conforto da vida moderna, muitas vezes nem comida, mas eram ricos porque conheciam Jesus, porque tinham um relacionamento com Ele.

Por outro lado a Europa, um continente que alguns chamam de “pós-cristão”, é lar de pessoas que têm tudo, mas não têm Jesus, então são pobres naquilo que mais importa, bem parecido com o retrato narrado por João no Apocalipse, quando da carta enviada à igreja de Laodiceia (cf. 3:17): “Você diz: ‘Eu sou rico, tenho tudo o que necessito; não preciso de coisa alguma’. E não percebe que espiritualmente você é um desgraçado, um miserável, um pobre, cego e nu”.

A quem servimos? Servimos a Deus, à igreja, e ao mundo. Os detalhes do porquê, como, etc., temos visto e continuaremos a ver nessas mensagens sobre serviço.

A nossa resposta pessoal a tudo que ouvimos hoje deve ser obediência à palavra final de Jesus àquele perito na lei: “vá e faça o mesmo”!

Deus nos abençoe.

Meditação semanal: sabedoria

Naquela noite Deus apareceu a Salomão e disse: “Peça o que quiser, e eu darei a você!”
Salomão respondeu: “Ó Deus, o Senhor foi tão bondoso com o meu pai Davi, e me colocou como rei em seu lugar. Agora, ó Senhor Deus, meu desejo é que o Senhor cumpra a promessa que fez a meu pai Davi, porque me fez rei sobre uma nação tão numerosa como o pó da terra! Peço que o Senhor me dê sabedoria e conhecimento para governar esse povo. Pois quem pode, sozinho, dirigir uma nação tão grande como esta?”
Deus respondeu: “Já que o seu maior desejo é ajudar o seu povo e, em vez de pedir tesouros, riqueza pessoal, honras, a destruição dos seus inimigos, ou vida longa, pediu sabedoria e conhecimento para dirigir bem o meu povo sobre o qual o coloquei como rei, eu vou dar a sabedoria e o conhecimento que você pediu! Mas também vou dar riquezas, bens e honra, como nenhum outro rei antes de você teve e nenhum outro terá depois de você!”
Então Salomão deixou o Tabernáculo, desceu do monte Gibeom e voltou a Jerusalém para governar Israel. – 2 Crônicas 1:7-13

Em minha leitura da Palavra hoje pela manhã, meditei nesse texto que narra como Salomão foi ungido Rei de Israel. Salomão percebeu que para bem desempenhar o seu encargo, e reconhecendo a enorme responsabilidade de liderar o seu povo, ele teria que necessariamente buscar forças e sabedoria no Senhor, o mesmo Deus que escolheu seu pai Davi e o ajudou em todo seu reinado.

As lições que podemos tirar da vida de Salomão são muitas, nesse e em outros textos, coisas que ele fez que foram boas e podemos aprender para aplicá-las em nossas vidas, guardadas as devidas proporções e contextos, mas também as negativas, coisas que devemos aprender a evitar, não apenas para nosso sucesso na vida, mas, principalmente, para caminharmos em intimidade com o Pai.

Aqui, particularmente, quero focar o aspecto da sabedoria. Salomão sabia que toda a sabedoria e conhecimento que o mundo pode oferecer, embora tivessem o seu proveito, seriam insuficientes para realizar a sua missão. Além disso, ele percebe o valor que reside na sabedoria, o quanto ela deve ser priorizada em nossa caminhada, e não apenas acúmulo de conhecimento para glória pessoal, ao contrário, sabedoria para administrar, de maneira altruísta, as bençãos que o próprio Deus derramaria em prol do povo de Israel.

Em nossas vidas, como Salomão comprovou, podemos adquirir muitas coisas e realizar outras tantas com nosso esforço pessoal e dedicação, podemos desenvolver nossa carreira, estudar e conseguir títulos acadêmicos, trabalhar e ganhar quem sabe muito dinheiro. Tudo isso pode ser bom, nenhuma dessas coisas tem um valor intrínseco, mas para que sejam boas e façam o bem, para nós e para aqueles que amamos, devem vir necessariamente acompanhadas da sabedoria, e sabedoria que vem do alto, sabedoria que flua em direção de ajudar os outros.

O temor do Senhor é o princípio da sabedoria, o seu fundamento, o seu alicerce, cf. Provérbios 9:10, texto escrito pelo mesmo Salomão após receber de Deus este presente e comprovar como sendo um dos bens mais preciosos que alguém, eu e você, poderia sonhar em receber.

Pela humildade de se colocar diante de Deus com um coração sedento por sabedoria, ao invés de ganancioso pelos bens materiais, luxo e riquezas que este mundo pode oferecer, especialmente a um rei, o Senhor concede seu pedido, e lhe acrescenta até o que não pediu, aquelas coisas que todos desejam, e muitos até se destroem na tentativa desesperada de conseguir. E só após receber esse presente, Salomão desce o monte e vai realizar o seu trabalho. Trabalho que é feito de maneira apressada, sem ter recebido de Deus a sabedoria, por maior que seja o esforço e dedicação, não terá o mesmo sucesso que aquele empregado na força e sabedoria do Pai.

Concluindo, Tiago 1:5 nos fala que “se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada”. Sabedoria é o tipo de presente que Deus, que é um bom pai, tem prazer em dar a seus filhos, e, como diz o texto, de maneira liberal, ou seja, superabundante, e não lança no rosto, porque Ele mesmo sabe que a sabedoria produz frutos riquíssimos, de comunhão consigo mesmo, e de crescimento para seu povo.

A minha oração hoje, para mim e para você, é que possamos recorrer a Deus buscando a sabedoria para os nossos desafios diários que a vida nos apresenta, entendendo, como Salomão, que a sabedoria que vem do alto é a melhor coisa que podemos aspirar, a linha mestra que deve conduzir a nossa vida e as nossas decisões de modo a nos tornar pessoas felizes, prósperas e, principalmente, íntimas do Senhor.

Deus nos abençoe.

Meditação semanal: soldados

Nenhum soldado se deixa envolver pelos negócios da vida civil, já que deseja agradar aquele que o alistou. – 2 Timóteo 2:4

Ontem (25/08) comemorou-se no Brasil o dia do soldado, aqueles de nós que lembramos e consideramos essa data por alguma razão.

Soldado, aqui no texto bíblico, não significa a patente específica de uma força militar em particular, mas o combatente em geral, aquele que dá sua vida pela causa que lhe fez alistar-se, seja amor ao país, certos valores, ou, no nosso caso, nosso Senhor que nos arregimenta ao seu “exército”.

O apóstolo Paulo, autor desse texto, em uma das muitas metáforas que utiliza para a vida cristã, nos compara a soldados, e nosso Senhor Jesus Cristo a nosso general, comandante máximo, líder de sua tropa e a quem devemos submissão e honra, nos moldes da hierarquia e disciplina sem as quais nenhuma força armada consegue funcionar e operar, em tempos de guerra ou de paz.

Então, considerando esse texto, seu contexto e significado, que lições podemos tirar para nossa vida cristã?

Em primeiro lugar, como o próprio texto deixa claro, nenhum soldado se deixa envolver pelos negócios da vida civil, ou seja, a vida civil, em que pé esteja, não pode servir de obstáculo ou empecilho à nossa missão. Mas… que negócios seriam esses? Qualquer coisa que não diga respeito direta e imediatamente à própria missão, qual seja, viver e pregar que o Reino de Deus é chegado! Nesse sentido, temos que ter a clara noção da missão e da prioridade das coisas da vida: nos relacionarmos com Deus individualmente, em intimidade; nos relacionarmos com Deus como família, com nossas esposas e filhos; nos relacionarmos com Deus como igreja, irmãos e irmãs que se reúnem nos lares ou coletivamente; nos relacionarmos com Deus no mundo, ou seja, pregando seu amor e sacrifício em Jesus a quem ainda não Lhe conhece. Essa é a nossa missão diária, a nossa guerra.

Em segundo lugar, cabe lembrar outro texto do apóstolo Paulo sobre quem é nosso inimigo, contra quem fazemos guerra. Encontra-se em Efésios 6, do qual pinçaremos três versículos:

Vistam-se de toda a armadura de Deus, a fim de que possam permanecer a salvo das táticas e das artimanhas de Satanás. Porque nós não estamos lutando contra gente feita de carne e sangue, mas contra os poderes e autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais. Portanto, usem cada peça da armadura de Deus para resistir ao inimigo sempre que ele atacar e, quando tudo estiver acabado, vocês ainda estejam de pé. – Efésios 6:11-13

Nosso inimigo, irmãos, não é nosso governo do qual discordamos, forças políticas ou ideológicas A ou B, os corruptos e criminosos deste mundo que roubam a nossa paz, forças invasoras de um império estrangeiro, nem muito menos as pessoas com quem convivemos no dia a dia e que podem nos causar problemas, nos atormentar o juízo, algumas das quais bem próximas, colegas de trabalho querendo subir na carreira pisando em nossas cabeças, um chefe incompreensivo, ou quem sabe uma esposa, pais, filhos, irmãos de sangue que não compreendem os valores de Cristo e nos perseguem por essa razão (e feliz se formos perseguidos por essa razão, cf. Mateus 5:11, e não porque somos chatos mesmo, ou temos o temperamento difícil, ou somos maus profissionais ou pessoas de difícil convivência)…

Nosso inimigo é o diabo e seus demônios, buscando sempre uma brecha ou fragilidade em nosso caráter ou comportamento para nos atacar, já que sua missão é roubar, matar e destruir (cf. João 10:10): a nossa vida, a nossa família, o plano de Deus em e através de nós. Por isso as armas de nosso exército são armas espirituais, conforme a continuação do texto de Efésios: oração, meditação na Palavra de Deus, o próprio Espírito Santo… Foi com esse poder que Cristo, nosso comandante em chefe, venceu todas as ciladas de Satanás, desde o deserto em que foi tentado até a cruz, quando por sua morte venceu (SIM, sua morte nos trouxe vida, glória a Deus!) de uma vez por todas o inimigo, e nos capacita cada dia a fazer o mesmo pelo poder e autoridade do seu nome!

Uma terceira e última lição para nós hoje é a razão principal de não nos deixarmos envolver com as coisas dessa vida passageira, que é agradar Aquele que nos alistou. Isso mesmo! Como conscritos, não fomos nós que voluntariamente nos alistamos a uma causa, mas Deus que nos amou (cf. João 3:16) nos alistou no seu exército e então, por gratidão, honra e obediência, fazemos tudo que podemos para agradá-lo. Se soldados comuns possuem as razões que possuem para dedicar-se à sua missão, que dirá nós àquele que deu a própria vida em nosso favor? Por Jesus somos obedientes, a Deus fazemos sua vontade, mesmo sem entender, mesmo que seu plano seja distante da nossa compreensão, afinal, ao soldado lhe é confiada uma missão e essa deve ser cumprida e não questionada, mas o grande plano cabe ao general, cujo propósito vai muito além do aqui e agora que enfrentamos e que já nos causa suficiente comoção.

A minha oração hoje é para que, imbuídos desse entendimento, ajamos como soldados bem treinados desse exército, não abrindo portas para os ataques vis e sorrateiros do inimigo que tentará a todo custo obter vitórias sobre a nossa vida e sobre as vidas daqueles a quem amamos usando táticas ardilosas a fim de causar a maior quantidade de baixas de guerra. Busquemos vestir as armaduras espirituais que estão ao nosso dispor cada dia, permanecendo firmes e vigilantes como todo bom soldado, prontos a agir sempre que formos chamados ao combate.

Deus nos abençoe.