Dando a César o que é de César (o papel do cristão na política)

Texto base: 2 Crônicas 7:14 (pregação realizada na Igreja de Cristo Salinas em 07/10/2018, dia das eleições)

E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.

Introdução
Alguém saberia dizer que dia é hoje?

Hoje é o dia em que o país irá eleger seus próximos representantes para diversas esferas de poder, algo que irá impactar nossa nação e nossas vidas pelo menos pelos próximos quatro anos.

Pensando nisso, minha ideia hoje é conversarmos um pouco sobre um assunto que pode ser bastante árido, não é fácil, normalmente não é agradável e dificilmente termina em um consenso, que é sobre política, ou, mais precisamente, sobre o nosso papel como cristãos em uma sociedade que parece cada dia mais dividida e intolerante.

Vou tentar ser breve, mas antes de mais nada, gostaria apenas de esclarecer que quando falo sobre política, NÃO estou me referindo a um candidato, partido político, ou mesmo ideologia em particular, muito embora esses assuntos sejam importantes, não venham recebendo a relevância devida no nosso meio evangélico, e quando são tratados, normalmente adquirem um viés de curral eleitoral, onde as lideranças eclesiásticas tentam tornar-se, elas próprias, seus parentes ou amigos, lideranças políticas, arregimentando os votos de seus fiéis e agora eleitores, ou ainda quando fazem do culto e do púlpito um palanque para defender candidatos e propostas que buscam não o benefício da sociedade como um todo, mas apenas os interesses particulares daquela liderança, igreja local ou denominação.

1 Timóteo 2:1,2 diz assim:

Antes de tudo, recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões e ação de graças por todos os homens; pelos reis e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e pacífica, com toda a piedade e dignidade.

Com esse texto em mente, gostaria de fazer uma pergunta que tenho feito a mim mesmo: Será que temos, eu e vocês, orado por nossos governantes e autoridades públicas?

E quando falo em termos orado, por razões óbvias não estou me referindo a pedir a Deus egoisticamente para candidato A ou B ganhar essas eleições em particular, mas, levando em conta que acabamos de sair de uma série de mensagens sobre oração, se estamos incluindo em nossas orações diárias, em nossos momentos a sós com Deus, nossos políticos que adoramos odiar…

Sério.

Tendo ou não votado nos políticos que estão exercendo seus mandatos, seja qual for nosso sentimento para com eles, será que ao invés de apenas reclamarmos, nós não levantamos sequer uma única vez um clamor ao Senhor para abençoá-los?

Perceba que eu me incluo nessa pergunta; isso é uma angústia pessoal minha há algum tempo, e é algo que, mesmo a contragosto, eu tenho tentado fazer, dedicar alguns minutos do meu dia não para falar mal dos nossos políticos, mas para orar por suas vidas, quem sabe de alguma maneira me colocar na brecha e interceder pelo nosso país.

Ponto 1
Então, aqui eu gostaria de falar sobre o primeiro papel do cristão com relação a esse tema – e eu não vou falar muitos – que é ter sua vida alicerçada em oração. Aliás, a oração deve ser uma parte essencial em nossas vidas em razão de tudo, não apenas da nossa relação com a política.

Como o texto base fala, devemos em oração nos humilhar e admitir nossa própria parcela de culpa para o problema que todos passamos.

Isaías 6:1-7 diz assim:

No ano em que o rei Uzias morreu, eu vi o Senhor assentado num trono alto e exaltado, e a aba de sua veste enchia o templo.
Acima dele estavam serafins; cada um deles tinha seis asas: com duas cobriam o rosto, com duas cobriam os pés, e com duas voavam.
E proclamavam uns aos outros: “Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos, a terra inteira está cheia da sua glória”.
Ao som das suas vozes os batentes das portas tremeram, e o templo ficou cheio de fumaça.
Então gritei: Ai de mim! Estou perdido! Pois sou um homem de lábios impuros e vivo no meio de um povo de lábios impuros; e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos!”
Então um dos serafins voou até mim trazendo uma brasa viva, que havia tirado do altar com uma tenaz.
Com ela tocou a minha boca e disse: “Veja, isto tocou os seus lábios; por isso, a sua culpa será removida, e o seu pecado será perdoado”.

Eu me lembro de algo que presenciei há alguns anos quando estava começando o curso de Direito na UFBA. Houve um processo “eleitoral”, por assim dizer, para ver quem seriam os representantes estudantis que iriam compor o Centro Acadêmico Rui Barbosa, no qual disputaram três chapas.

Perceba que esse é o ambiente onde normalmente surgem muitas das lideranças políticas em nosso país, no passado e ainda hoje, e aqui veja o que aconteceu, um evento importante para o ambiente estudantil, no qual seriam discutidas propostas de interesse daquela coletividade, e no entanto, uma das chapas se chamava “Dinheiro”, e tinha como uma de suas principais propostas colocar “escadas rolantes” no prédio da faculdade, que eram tipo 4 lances de escada, e a “propaganda eleitoral” eram notas de dinheiro daquele jogo Banco Imobiliário… Zueira pura.

Meus irmãos, o mal do Brasil não são os políticos, é o brasileiro, sou eu e você, infelizmente! Os políticos são só um reflexo nosso enquanto sociedade pecadora.

O mal dessa nação – corrupção, violência, pobreza – mais do que um problema social, é um problema espiritual, e se nós não formos a solução do problema, enquanto embaixadores de Cristo, enquanto aqueles que podem apresentar o verdadeiro libertador a todos quanto precisam de salvação, nós seremos parte do problema.

Efésios 6:12, no trecho que fala da armadura de Deus, o apóstolo Paulo afirma que “…a nossa luta não é contra pessoas, mas contra os poderes e autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais”.

Essa luta, somente podemos travar com o poder da Palavra e da oração, pelo Espírito Santo de Deus atuando em nossas vidas, não é argumentando em textões de redes sociais, como se tivéssemos sempre 100% da razão, fôssemos os donos absolutos da verdade, e o próximo fosse obrigado a deixar de votar em seu candidato para aceitar aquele a quem apoiamos. Mas volto a isso depois.

A “pequena corrupção” que cometemos, eu e você, no nosso dia a dia, tipo pagar a “cervejinha do guarda” para evitar uma multa, jogar lixo pela janela do carro, levar o cachorro pra fazer suas necessidades e não recolher, enfim, que não estou comparando em gravidade aos muitos crimes que vemos os políticos cometerem nos jornais e na imprensa – lembro de um episódio que se tornou público de “irmãos” orando pela propina recebida, para vergonha não deles, mas do Cristo a quem dizem servir – ISSO ajuda a alimentar o problema da nossa nação.

Não há um justo, nem um sequer. Então é com muita vergonha que eu me coloco perante Deus como Isaías, reconhecendo que eu sou um miserável, um pecador, que não mereço ter um bom governo. De fato, na oração que tenho feito, digo ao Pai: “Senhor, tem misericórdia de nós, povo brasileiro, mesmo sem merecermos, porque sei que por merecimento, só teremos o castigo de um mal governante”.

E quando falo sobre castigo, é porque bons ou maus, entendo que os governantes e autoridades lá estão porque ou foram diretamente alçadas a essa posição por Deus, ou porque Ele assim o permitiu para castigar o nosso povo ímpio e corrompido.

Amós 2:6,7 nos fala:

Assim diz o SENHOR: “Por três transgressões de Israel, e ainda mais por quatro, não anularei o castigo. Vendem por prata o justo, e por um par de sandálias o pobre. Pisam sobre a cabeça dos necessitados como pisam no pó da terra, e negam justiça ao oprimido…”

Já o apóstolo Pedro em 1 Pedro 2:11-17 nos fala:

Amados, insisto em que, como estrangeiros e peregrinos no mundo, vocês se abstenham dos desejos carnais que guerreiam contra a alma.
Vivam entre os pagãos de maneira exemplar para que, naquilo em que eles os acusam de praticarem o mal, observem as boas obras que vocês praticam e glorifiquem a Deus no dia da sua intervenção.
Por causa do Senhor, sujeitem-se a toda autoridade constituída entre os homens; seja ao rei, como autoridade suprema, seja aos governantes, como por ele enviados para punir os que praticam o mal e honrar os que praticam o bem.
Pois é da vontade de Deus que, praticando o bem, vocês silenciem a ignorância dos insensatos.
Vivam como pessoas livres, mas não usem a liberdade como desculpa para fazer o mal; vivam como servos de Deus.
Tratem a todos com o devido respeito: amem os irmãos, temam a Deus e honrem o rei.

Então, irmãos, esses textos que vimos nos ensinam que:
1) Deus NÃO se esquece da injustiça cometida, especialmente contra os pobres e necessitados;
2) Por essa razão, Deus mesmo envia governantes maus para punir a sociedade que assim age; ou seja, os maus governantes que temos são castigo de Deus por sermos um povo tão ruim e obstinado;
3) Somos chamados a ser exemplos para a sociedade, luz para o mundo, farol para as nações, mostrando os valores do Reino que são MUITO diferentes dos valores que a sociedade ensina, na verdade, em muitos casos, serão opostos, e por essa razão seremos perseguidos, pois quem está nas trevas não quer que a luz exponha seus pecados e sua corrupção;
4) Devemos nos sujeitar às autoridades e honrá-las, não desrespeitá-las e acreditem quando eu digo que isso, pelo menos pra mim, é MUITO difícil. É muito difícil honrar políticos em quem não votamos, com quem discordamos veementemente, mas aqui reside a nossa diferença para o mundo.

Perceba que honrar não significa concordar, não significa sequer obedecer se eles aprovarem, por exemplo, leis que promovam a injustiça e forem contra os valores do Reino. Lembro do exemplo do pastor Martin Luther King Jr., que liderou um movimento de desobediência civil contra as leis de segregação racial e lutou a favor de direitos civis para a população negra nos Estados Unidos da década de 50 e 60.

No entanto, onde o mundo prega o ódio e é intolerante, nós devemos pregar o amor, o respeito e a tolerância, o que infelizmente nem sempre acontece e pior, nós, muitas vezes, temos sido os mais intolerantes de todos.

Ponto 2
O segundo ponto que eu gostaria de enfatizar sobre nosso papel como cristãos nesse contexto e momento atual, diz respeito ao que fazemos ou deixamos de fazer, os pecados que temos cometido, os nossos maus caminhos…

Antes de mais nada, meus irmãos, não sou EU quem vai dizer a VOCÊS, o que fazer ou deixar de fazer. Aliás, de modo geral, não “deveria” ser o pastor, uma liderança religiosa ou outra pessoa a fazer isso e sim vocês mesmos, avaliando sua própria vida à luz das Escrituras e buscando ouvir a voz de Deus!

Nesse mesmo texto de Timóteo que lemos, apenas um pouco antes no capítulo 1, temos o seguinte conselho do apóstolo Paulo:

Partindo eu para a Macedônia, roguei-lhe que permanecesse em Éfeso para ordenar a certas pessoas que não mais ensinem doutrinas falsas, e que deixem de dar atenção a mitos e genealogias intermináveis, que causam controvérsias em vez de promoverem a obra de Deus, que é pela fé.
O objetivo desta instrução é o amor que procede de um coração puro, de uma boa consciência e de uma fé sincera.
Alguns se desviaram dessas coisas, voltando-se para discussões inúteis, querendo ser mestres da lei, quando não compreendem nem o que dizem nem as coisas acerca das quais fazem afirmações tão categóricas. – 1 Timóteo 1:3-7

Antes de passar a algumas lições de cunho mais prático, uma vez que nossa vida já seja, ao menos em tese, uma vida construída sobre o fundamento da oração, deixe-me contar uma história da minha infância.

Quando eu era pivete, ouvi duas mulheres comentando entre si em quem votariam, se no candidato A ou B, ao que uma delas comentou “Em A, claro, ele é lindo!”…

Perceba o que levou essa pessoa a votar nesse candidato em particular naquela eleição. O problema é que, tantos anos depois, nós como nação continuamos votando assim.

Nós cristãos, então, deveríamos ter os princípios e valores de Deus em nossos corações de maneira a escolhermos melhor os candidatos que procurassem o bem da sociedade como um todo, e não apenas nossa satisfação egoísta imediata.

Isso só é possível por meio da informação, da educação, de nos despirmos de nossos preconceitos e passarmos a agir com mais prudência e inteligência, verificando quais as propostas que os diversos candidatos fazem, se são minimamente realizáveis, ou se são apenas para captar votos de maneira populista.

Entrando no texto que lemos por último, Paulo exorta Timóteo a não nos ocuparmos com fábulas, genealogias e discussões. O que isso significa? Pode significar, por exemplo, deixar de brigar por besteira nas redes sociais!

Aliás, só um parêntese com relação a isso. Esse é um assunto tão sério, que o apóstolo Paulo repetiu o conselho a Timóteo em sua segunda carta, e também a Tito…

Voltando, o verso 6 do capítulo 1 diz que alguns chegam a se desviar da fé em razão de discussões inúteis. Embora o contexto aqui seja de discussões “religiosas” ou “teológicas”, na verdade a maneira como muitos de nós têm tratado a política e suas convicções ideológicas beira a religião, o fanatismo e até a idolatria.

Meus irmãos, todos temos a liberdade de pensamento e expressão que tanto a fé cristã quanto a Constituição nos oferecem. No entanto, algo que deveria ser senso comum, ou pelo menos bom senso, que o nosso direito termina onde começa o do outro, infelizmente tem sido esquecido em nossos comentários infindáveis tentando convencer uns aos outros de que nosso candidato é santo e que o do outro é o satanás…

De fato, no verso 7 Paulo afirma que muitos se passam por entendidos sem na verdade saberem de muita coisa, e será que nós não temos visto muitas pessoas assim na imprensa e nas redes sociais agindo como verdadeiros especialistas no assunto, sem na verdade talvez nunca terem lido nada a respeito?

De repente, NÓS, com um apertar de mouse ou teclar de uma tela viramos especialistas em tudo…

Novamente, eu não quero dizer o que você precisa fazer ou deixar de fazer, mas digo apenas isso: vamos deixar de agir como meninos! Podemos seguir usando da irreverência típica do cearense para fazer nossos “memes” de Internet, mas o limite, além da verdade, claro, é o respeito ao outro, ao direito que tem de ter uma opinião diferente da nossa, talvez oposta; assim como temos nossos espaços nas redes sociais, deixar os espaços alheios em paz!

É o Espírito Santo quem convence do pecado, da justiça e do juízo, e nós também temos que aplicar essa verdade espiritual no aspecto político ou ideológico e entender que nem todos sairão convencidos de certas discussões, e muito provavelmente alguém sairá machucado, talvez alguém próximo ou mesmo alguém da família, a quem amamos e que pode pensar bem diferente de nós.

Aliás, sobre ideologias, aqui cabe algo que para mim parece básico, fundamental: acredito que toda ideologia possivelmente terá suas vantagens e desvantagens, mas acima de tudo, não será a esquerda, a direita ou mesmo o centro que irá salvar nossa nação, meus irmãos, mas o alto! Nosso Salvador de fato já veio e é Jesus Cristo e não um político qualquer, por melhor que seja!

Em Mateus 5:20, Jesus diz o seguinte: “Pois eu lhes digo que se a justiça de vocês não for muito superior à dos fariseus e mestres da lei, de modo nenhum entrarão no Reino dos céus”.

Qual tem sido a nossa “justiça”, a nossa “ética”? Será que temos nos comportado exatamente igual às pessoas que não conhecem a Cristo, ou até pior muitas vezes?

Será que temos apelado em nossas discussões com argumentos flagrantemente mentirosos, usando indiscriminadamente as famosas “fake news”, afinal “os fins justificam os meios”, só que não!?

Se para fazer valer a minha opinião eu desrespeito o próximo, eu engulo o outro, eu minto ou propago mentiras, meus irmãos, em que, absolutamente, Cristo tem feito diferença em minha vida?

Na Palavra, não temos, ao menos não lembro aqui de memória, muita coisa escrita especificamente sobre o tema da política.

Há duas passagens na vida de Jesus que eu acho que se aproximam um pouco desse tema, mas antes de falar sobre elas, devemos nos lembrar que uma das razões porque os judeus não creram em Jesus é porque a expectativa deles sobre o Messias estava errada. Ao invés de esperar o servo sofredor de Isaías 53, eles esperavam um redentor político, alguém que restaurasse a glória de Israel no aspecto econômico, e sua influência política e militar na região, expulsando os dominadores romanos.

Por outro lado, como Jesus expôs a corrupção e a hipocrisia dos líderes religiosos de sua época, atraindo uma fama considerável, apesar dos pesares, essa mesma cúpula religiosa foi a responsável por, finalmente, denunciá-lo ao governador romano não simplesmente como um “herege”, mas usando um pretexto de um argumento político, como se ele incitasse as massas a uma revolta…

Mas agora os textos. O primeiro encontra-se em Lucas 20:21-26, que diz:

E perguntaram-lhe, dizendo: Mestre, nós sabemos que falas e ensinas bem e retamente, e que não consideras a aparência da pessoa, mas ensinas com verdade o caminho de Deus.
É-nos lícito dar tributo a César ou não?
E, entendendo ele a sua astúcia, disse-lhes: Por que me tentais?
Mostrai-me uma moeda. De quem tem a imagem e a inscrição? E, respondendo eles, disseram: De César.
Disse-lhes então: Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.
E não puderam apanhá-lo em palavra alguma diante do povo; e, maravilhados da sua resposta, calaram-se.

Não sei se vocês têm a mesma percepção que eu tenho. Jesus foi instado em seu tempo a se manifestar sobre um assunto controverso envolvendo política, e assim como naquela época, hoje muitos de nós também somos e, da mesma maneira, a intenção da pergunta nem sempre é genuína e honesta. Eles quiseram fazer Jesus cair em uma pegadinha, mas Jesus respondeu, basicamente, e penso que virando os olhos, com um “cada um no seu quadrado”, ou seja, religião e política não se misturam.

De fato, sempre que a religião e a política se misturaram na história da humanidade, a primeira serviu apenas como pretexto e instrumento de dominação para a segunda, como aconteceu, por exemplo, durante a idade média com a Igreja Católica e suas alianças, muitas vezes espúrias, com reis e soberanos que iam e vinham com o sabor do vento, sempre que eram a favor ou contra essa dominação.

O segundo texto é o diálogo que Jesus tem com Pilatos em João 18:33-36 e João 19:7-11:

Tornou, pois, a entrar Pilatos na audiência, e chamou a Jesus, e disse-lhe: Tu és o Rei dos Judeus?
Respondeu-lhe Jesus: Tu dizes isso de ti mesmo, ou disseram-te outros de mim?
Pilatos respondeu: Porventura sou eu judeu? A tua nação e os principais dos sacerdotes entregaram-te a mim. Que fizeste?
Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui.

Responderam-lhe os judeus: Nós temos uma lei e, segundo a nossa lei, deve morrer, porque se fez Filho de Deus.
E Pilatos, quando ouviu esta palavra, mais atemorizado ficou.
E entrou outra vez na audiência, e disse a Jesus: De onde és tu? Mas Jesus não lhe deu resposta.
Disse-lhe, pois, Pilatos: Não me falas a mim? Não sabes tu que tenho poder para te crucificar e tenho poder para te soltar?
Respondeu Jesus: Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado…

Jesus reconhece o poder político de Pilatos, e de onde provem esse poder temporal. No entanto, Ele deixa bem claro de que reino ele é Rei, um reino que não é deste mundo, não apenas geográfica ou fisicamente, mas espiritualmente, cujos valores, como falei, são outros.

Isso significa que devemos ficar em cima do mundo quando confrontados? Que não podemos ter nossa opinião? Claro que não! Com relação à fé, mas aplico também a qualquer tema, inclusive esse, Pedro nos afirma em 1 Pedro 3:15 que devemos estar preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que nos pedir a razão da nossa esperança.

Aqui temos um modelo para como devemos nos comportar em nossas “discussões” sobre política:
1) responder quando perguntado. Isso parece meio óbvio, mas muitos de nós temos invadido conversas e espaços alheios para falar algo que ninguém nos perguntou… Eu tenho certeza que ninguém aqui gosta quando alguém se mete em sua conversa, então porque a gente vai importunar os outros?
2) responder com mansidão e temor. Meus irmãos, muitas vezes importa tanto ou mais quanto a “verdade” que achamos que vamos falar, a forma como essa “verdade” será dita.

Só pra fechar esse segundo ponto sobre aspectos mais práticos que nós podemos adotar como postura, eu gostaria de falar sobre a consciência do voto. Meu irmão, ninguém é obrigado a ter um posicionamento sobre todo e qualquer assunto, não!

Na minha percepção, não há essa história de “votar errado”. Quando eu ouço alguém dizer “vou votar em A, porque eu queria votar em B mas B não tem chance”, eu respeito, é o chamado “voto útil”, mas pra mim, todo voto que é fruto de uma reflexão, de usarmos a nossa cabeça, é um voto consciente e é um “voto útil”, um “voto certo”.

Pra mim, pessoalmente, só “vota errado” quem vota sem refletir, sem se informar, porque alguém “mandou”, porque viu alguém famoso ou uma liderança religiosa, no nosso caso, apoiar…

E quando eu falo isso, eu quero dizer a você, meu irmão, que se após analisar os candidatos, partidos, ideologias, propostas, você ainda não consegue se sentir confortável em votar em A ou B ou C ou D ou Z, que sua dúvida também é um exercício de honestidade, e se você decidir votar em branco, ninguém tem nada a ver com isso!

Por fim, imagine o cenário em que uma igreja local possui diversas lideranças que vêm a público apoiar candidato A, ou B, ou C, como ficariam suas ovelhas, especialmente aquelas que podem “considerar fortemente”, digamos assim, suas opiniões na hora de se decidirem por seus candidatos, ao invés de elas próprias buscarem o caminho da informação e a orientação de Deus?

A confusão seria grande… Como aliás, parece ser o caso no cenário evangélico nacional, onde cada grande igreja, denominação ou líder faz exatamente isso, e não apenas isso, mas incorre nos erros que já conversamos aqui de espalhar mentiras, invadir os espaços alheios, e a igreja e o Evangelho viram campo de batalha…

Conclusão
Concluindo, o texto que lemos de 2 Crônicas 7:14 diz novamente o seguinte: E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.

Deus aqui fala conosco, seu povo. Devemos assumir uma postura de responsabilidade pessoal: Se EU, que ME chamo cristão, ME humilhar, e orar, e buscar a face do Senhor, e ME converter dos meus maus caminhos, ENTÃO o Senhor ouvirá dos céus, perdoará os meus pecados, e sarará a minha terra.

Veja bem, a responsabilidade de fazer do Brasil um lugar melhor para se viver começa conosco e começa com a oração, com nos humilharmos reconhecendo nossos pecados, como fez Isaías, nos convertermos de nossos maus caminhos, ou seja, sendo nós o exemplo que nossa sociedade precisa… Aí, só aí, o Senhor agirá, não apenas em NOSSO favor, nós “crentes”, mas em favor de TODA nossa nação.

1 Coríntios 10:31-33 diz o seguinte:

Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus.
Não se tornem motivo de tropeço, nem para judeus, nem para gregos, nem para a igreja de Deus.
Também eu procuro agradar a todos de todas as formas. Porque não estou procurando o meu próprio bem, mas o bem de muitos, para que sejam salvos.

O mesmo apóstolo Paulo que escreveu “Dediquem-se uns aos outros com amor fraternal. Prefiram dar honra aos outros mais do que a si próprios. ” (Romanos 12:10) nos ensina que devemos fazer TUDO para a glória de Deus, inclusive nossas manifestações de cunho político ou ideológico, TUDO, com o propósito não de convencer alguém, como um incrédulo normalmente faria, mas com o propósito da SALVAÇÃO dessa pessoa, o que pode significar desistir de uma discussão ou deixar para lá um argumento.

Infelizmente, e me coloco em primeiro lugar nesse pedido coletivo de perdão ao Senhor, não temos tido a mesma intrepidez para anunciar as boas novas e os valores do Reino com que temos brigado por nossos políticos e defendido suas ideias.

Pra terminar, vou ler uma curta reflexão que recebi esses dias pelo celular e que creio tem tudo a ver com o que vimos hoje:

“Tímidos para agir com amor e ensinar o evangelho, ávidos e incisivos quando o assunto é defender nosso candidato, nas eleições.
Medrosos para pôr a mão na massa e ajudar o necessitado, intensos e frenéticos quando o que está em jogo é nossa ideologia político-partidária.
Retraídos quando o assunto é perdoar e dar a outra face ao perverso, mas extremamente agressivos ao atacar aquele(a) que se faz adversário(a) nas eleições.
Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus, disse Jesus. Parafraseando, dai ao político a proporção de intensidade e a atenção própria da realidade política (que tem sua importância), mas a Deus, dai a proporção de entrega que lhe é devida. ” – Desconheço o autor.

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A profecia de Deus para ontem e para hoje

Ai daqueles que fazem leis injustas, que escrevem decretos opressores, para privar os pobres dos seus direitos e da justiça os oprimidos do meu povo, fazendo das viúvas sua presa e roubando dos órfãos!
Que farão vocês no dia do castigo, quando a destruição vier de um lugar distante? Atrás de quem vocês correrão em busca de ajuda? Onde deixarão todas as suas riquezas?
Nada poderão fazer, a não ser encolher-se entre os prisioneiros ou cair entre os mortos. Apesar disso tudo, a ira divina não se desviou; sua mão continua erguida. – Isaías 10:1-4

Eu honestamente não sei qual a pior situação, quando você é um profeta de Deus, ser chamado a denunciar as injustiças, mazelas, pecados do próprio povo, o povo de Deus, sabendo de antemão que as pessoas não darão ouvidos, a situação não irá se remediar, as mesmas coisas continuarão acontecendo, como foi Isaías desde o seu envio (Isaías 6:8-13), ou quando você é enviado a uma terra distante, a um povo que é seu pior inimigo, pregar a mesma mensagem (é, e sempre será, a mesma!), de arrependimento, confissão e conversão, sob pena de serem castigados, exterminados, varridos do mapa, mas sabendo, também antecipadamente, que Deus, grande e rico em misericórdia, estaria disposto a lançar no mar do esquecimento todos os pecados que esse povo, em sua humilhação, resolvesse admitir, como foi o caso de Jonas (Jonas 3:10, 4:1,2).

Isaías 10 nos fala de como o povo de Deus estava completamente corrompido, os líderes e governantes aceitavam suborno, oprimiam os pobres, faziam leis que beneficiavam somente a eles mesmos em detrimento da justiça… Nada muito diferente do Brasil de hoje, não é verdade?

Infelizmente, como Israel daqueles dias, o nosso país também está maculado desde sua raiz, suas entranhas estão podres, vomitamos pecados sobre pecados, ao ponto de, como aquele povo de outrora, Deus não ter mais misericórdia sequer do desvalido porque até esse também se corrompeu (Isaías 9:13-17), não há mais um justo, nem um sequer.

Aqueles que guiam este povo o desorientam, e aqueles que são guiados deixam-se induzir ao erro.
Por isso o Senhor não terá nos jovens motivo de alegria, nem terá piedade dos órfãos e das viúvas, pois todos são hipócritas e perversos, e todos falam loucuras. Apesar disso tudo, a ira dele não se desviou; sua mão continua erguida. – Isaías 9:16,17

Ouvimos muito em nosso meio religioso sobre a poderosa mão de Deus, usada em um contexto de benção (e como queremos a benção de Deus, muitas vezes esquecemos do próprio Deus, convertido em gênio da lâmpada), mas aqui em Isaías ela é constantemente retratada como a mão de castigo, a mão que traz a justiça e a ira de Deus. Essa mão dificilmente alguém aceitaria de bom grado ou cantaria louvores pedindo a Deus por “sua mão”…

Quando será que começaremos nós a revolução que desejamos ver no mundo? Quando será que eu, que sou povo de Deus, assumirei minha auto-responsabilidade e farei como o profeta Isaías, reconhecendo meu pecado, e pedindo misericórdia a Deus porque sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios (Isaías 6:5). Infelizmente, porém, não são apenas os nossos lábios que precisam ser convertidos, mas também nossos olhos, nossas mãos, nossa mente, nosso coração.

Talvez nós, como o profeta, precisemos ver a Deus, sermos tocados pela brasa do altar, sermos convertidos e termos nossos pecados extirpados de nós, como um câncer retirado por uma cirurgia, cuja pessoa, entre a vida e a morte, somente espera convalescente que sobreviva por um milagre, por alguma obra do destino ou do acaso…

Não podemos esperar que nossos políticos sejam melhores do que nós por que é de nós que eles vêm. Pedimos por uma renovação dos quadros de modo que, quem sabe, novos nomes possam trazer algum alívio à população e reverta esse cenário de violência e corrupção que nos assola, mas malditos somos por confiar em homens e não em Deus (Jeremias 17:5), malditos somos por não buscarmos nós renovar a nossa mente para que, só assim, experimentemos a boa, agradável e perfeita vontade de Deus (Romanos 12:2) em nós, sobre nós e por meio de nós.

Somente quando não mais nos conformarmos ao padrão deste mundo (Romanos 12:1), é que poderemos caminhar o caminho do Senhor. Somente quando nos adequarmos ao seu padrão é que poderemos ver nossa sociedade florescer. Se hoje “precisamos” de políticos que se dizem evangélicos (ou católicos, ou religiosos, tanto faz) para tentar contrapor os interesses gananciosos dos demais, nos enganando a nós mesmos (se é que alguém ainda cai nesse “conto do vigário”, senão lembrem-se daqueles políticos flagrados em uma reunião de “oração”, agradecendo a deus – em minúscula mesmo, mamon – pela propina recebida), se nós nos convertermos de verdade, a sociedade como um todo será impactada pelos valores do reino e os políticos que dela saírem também terão em seu coração um pouco do Espírito do Senhor, também desejarão o benefício da coletividade e não apenas de seu próprio bolso.

Não precisamos mais de profetas de uma prosperidade vã e falsa dizendo que tudo vai bem, quando, na verdade, tudo vai mal. Não! Somente quando reconhecermos o nosso verdadeiro estado lastimável é que seremos capazes de compreender a extensão e a profundidade do nosso problema e, tendo chegado ao fundo do poço, saberemos que estamos perdidos, poderemos gritar por socorro, perceberemos que precisamos de um Salvador, Cristo o Senhor, e clamaremos como já muitos em seu tempo fizeram: filho de Davi, tem compaixão de mim!

A minha oração hoje então é de arrependimento e confissão. Como aquele hino antigo (HCC, 275) fala,…

Perdoa-me, Senhor, se eu não vivi pra te servir,
se em meu agir o teu amor também não refleti.
Perdoa-me, Senhor,
se em teu caminho não segui,
se falhas cometi,
se tua doce voz não quis ouvir.
Escuta minha oração, Senhor,
desejo aqui viver pra teu louvor;
ensina-me a te ouvir e com amor servir
e os santos passos teus aqui seguir.

Perdoa-me, Senhor, se eu de ti me afastei,
se em meu caminho escuro tua luz não procurei;
perdoa-me, Senhor, se na aflição não te busquei,
se eu não te sondei,
se teu querer pra mim não procurei.
Escuta minha oração, Senhor,
desejo aqui viver pra teu louvor;
ensina-me a voltar e junto a ti estar
e em tua graça sempre confiar.

Perdoa-me, Senhor, se frutos eu não produzi,
se, indiferente a tudo, a missão eu não cumpri;
perdoa-me, Senhor,
se os campos brancos eu não vi,
se só pra mim vivi,
se meus talentos não desenvolvi.
Escuta minha oração, Senhor,
desejo aqui viver pra teu louvor;
ensina-me a agir e meu dever cumprir
e frutos dignos dedicar a ti.

Que Deus nos ajude a sermos melhores homens e mulheres, verdadeiramente servos seus, convertidos pela justiça e para a justiça, que sua vara e sua mão estejam sempre estendidas sobre nós para nos disciplinar, quem sabe assim, talvez, nós possamos ser purificados e cheguemos a ver um mundo melhor.

Para recebermos perdão

E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores;
Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós;
Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas. – Mateus 6:12,14-15

Jesus, ao ensinar seus discípulos (e nós, como um dos tais) a orar, coloca ênfase no perdão, perdão que se pede e perdão que se dá.

Ora, a primeira coisa que Ele ensina é que a medida do perdão que pedimos é a medida do perdão que concedemos, nem mais, porque não merecemos, nem menos porque também não somos tão generosos, convenhamos.

Deus não espera de nós perfeição ou santidade absoluta (nesta vida pelo menos), embora espere que reconheçamos que a mesma condição de pecadores que temos e somos também alcança nosso próximo, e por isso ele é tão merecedor do nosso perdão como nós somos do perdão de Deus, ou seja, não é (como não somos), mas ainda assim devemos estender a nossa mão de perdão para ele como Deus também o faz para conosco.

Então somos apresentados a uma condição para termos os nossos pecados perdoados: perdoarmos a quem nos ofendeu. Simples assim.

Na verdade, Deus está sempre disposto a nos perdoar, sempre que pedirmos perdão com um coração quebrantado e arrependido, e uma das coisas que demonstra cabalmente o estado sincero de arrependimento é justamente o fato de termos perdoado a quem nos ofende, por que quem é aquele que nunca teve alguém nesta condição, alguém que nunca passou por isso, de ser ofendido, de guardar uma certa mágoa ou ressentimento?

O perdão de Deus está disponível atrás da porta que se encontra fechada com chave, mas curiosamente a chave está na nossa mão, e a chave é o perdão.

Será que não passamos tempo demais com a porta fechada sem perceber a chave que está perto, ao nosso alcance?

Pense nisso hoje, a quem será que tenho negado o perdão, de quem tenho guardado mágoa ou ressentimento mesmo a pessoa tendo vindo pedir o meu perdão, será que sou mesmo tão importante assim que posso negar o perdão a alguém que me ofendeu?

A minha oração hoje é para que reconheçamos a nossa própria necessidade de perdão, a nossa própria fraqueza perante um Deus que, sendo santo, estende a nós a sua mão de graça e bondade, e somente espera de nós essa reciprocidade em direção daqueles que também precisam, e, portanto aprendamos a dispensar também esse perdão a quem nos tem ofendido.

Deus nos abençoe.

Para não julgarmos

Não julguem, para que vocês não sejam julgados.
Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês.
Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho?
Como você pode dizer ao seu irmão: ‘Deixe-me tirar o cisco do seu olho’, quando há uma viga no seu?
Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão. – Mateus 7:1-5

Infelizmente vivemos numa sociedade onde somos constantemente julgados, seja pela nossa aparência, se somos bonitos ou feios, altos ou baixos, magros ou gordos, se nos vestimos dessa ou daquela maneira, usando roupas da moda ou não, se estamos de acordo com aquilo que o grupo no qual queremos ser aceitos considera como “legal”, “bacana”, se possuímos um bom emprego, um carro, uma casa, se temos estudo…

Tudo é razão para olharmos uns para os outros e apontarmos o dedo, especialmente quando erramos e caímos, logo aparecem muitas pessoas para acusar, para atirar pedra, mas nessas horas parece que até os poucos amigos que achamos que temos fugiram, e não estão lá para nos apoiar e ajudar a levantar.

Hoje eu gostaria de ler com você três histórias que se passaram na vida de Jesus, e através de algumas simples perguntas, convidar vocês a refletir sobre uma lição que Jesus nos deixou através de seu próprio exemplo.

A primeira história se encontra narrada na Bíblia em Mateus 9:9-13.

Passando por ali, Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado na coletoria, e disse-lhe: “Siga-me”. Mateus levantou-se e o seguiu.
Estando Jesus em casa, foram comer com ele e seus discípulos muitos publicanos e “pecadores”.
Vendo isso, os fariseus perguntaram aos discípulos dele: “Por que o mestre de vocês come com publicanos e ‘pecadores’? ”
Ouvindo isso, Jesus disse: “Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes.
Vão aprender o que significa isto: ‘Desejo misericórdia, não sacrifícios’. Pois eu não vim chamar justos, mas pecadores”. – Mateus 9:9-13

Essa história narra como Jesus convidou Mateus para ser seu discípulo.

Só pra gente entender um pouco o contexto, Mateus era um cobrador de impostos.

Ora, se hoje ninguém gosta de alguém que cobre impostos, porque, convenhamos, ninguém gosta de pagar impostos, ainda mais sabendo que muitos dos fiscais que trabalham com cobrança e fiscalização são corruptos, e só cobram daqueles que são honestos, já que os desonestos costumam “molhar sua mão”, imaginem se os fiscais fossem de um governo estrangeiro que está dominando seu país, ou seja, se os impostos que você tem pago a contragosto estão indo beneficiar não você, sua família, seus vizinhos, seu país, mas outro país?

Os cobradores de impostos na época de Jesus eram assim, corruptos e considerados traidores da pátria, então imaginem como a população tinha desprezo e odiava quem realizava essa função?

Veja que nessa história, o texto fala de “publicanos” – esse era o nome da função de cobrador de impostos no império romano – e pecadores, como se publicano fosse uma espécie diferente de pecador, um super-pecador, por assim dizer, alguém tão desprezível que merecia uma categoria própria de classificação.

Em Lucas 19 temos a história de outro homem que também era cobrador de impostos, o nome dele era Zaqueu, e Lucas descreve esse homem como muito rico, mas cujas únicas amizades eram de outros cobradores de impostos como ele, já que a população de sua cidade tinha desprezo por ele e lhe tratava como um inimigo.

E, no entanto, Jesus foi comer justamente com essas pessoas.

A pergunta que eu gostaria que a gente refletisse nessa primeira história então é a seguinte: será que você já foi julgado por algo que você faz, pelo tipo de trabalho que tem, será que quando as pessoas olham para você, mesmo sem conhecer quem você realmente é elas lhe apontam o dedo e dizem coisas que muitas vezes não é verdade, e mesmo que seja não é tudo que você é?

A segunda história que iremos refletir hoje está no livro de João, capítulo 9, versos 1-7.

Ao passar, Jesus viu um cego de nascença.
Seus discípulos lhe perguntaram: “Mestre, quem pecou: este homem ou seus pais, para que ele nascesse cego?”
Disse Jesus: “Nem ele nem seus pais pecaram, mas isto aconteceu para que a obra de Deus se manifestasse na vida dele.
Enquanto é dia, precisamos realizar a obra daquele que me enviou. A noite se aproxima, quando ninguém pode trabalhar.
Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo”.
Tendo dito isso, ele cuspiu no chão, misturou terra com saliva e aplicou-a aos olhos do homem.
Então lhe disse: “Vá lavar-se no tanque de Siloé” (que significa Enviado). O homem foi, lavou-se e voltou vendo. – João 9:1-7

Nessa segunda história, temos Jesus encontrando uma pessoa com uma deficiência física, um homem cego.

Ora, se hoje, com a tecnologia que nós temos, e escolas, e apoio em geral da sociedade de maneira a incluir e tornar produtivas e aceitas as pessoas com deficiência, ainda assim essas pessoas têm muitas dificuldades, imaginem na época de Jesus onde não havia nada disso.

Agora para piorar, naquela época as pessoas acreditavam que uma deficiência física ou uma doença grave era sinal de que a pessoa tinha sido castigada por Deus por causa de algum pecado sério que ela mesma ou seus pais tinham cometido, ou seja, a sociedade via aquelas pessoas que já experimentavam todo tipo de constrangimento e limitação, muitas vezes sem conseguir trabalhar e tendo que depender completamente de sua família, chegando ao ponto de pedir esmola para ter o que comer, como pessoas amaldiçoadas por Deus.

Imaginem isso!?

E, no entanto, Jesus diz que não é assim, Jesus toca os olhos daquele cego e o cura de sua deficiência.

Em Mateus 9:27-31 temos a história de dois outros cegos que Jesus também toca em seus olhos para que também pudessem ver.

A pergunta que gostaria que refletíssemos nessa segunda história é a seguinte: será que você já se sentiu menosprezado por algo no seu corpo, não precisa ser necessariamente uma deficiência, mas algo que te deixa com vergonha, constrangido, algo que as pessoas podem rir de você, ou mesmo ter uma “peninha” que na verdade também não ajuda em nada a sua dor? Pior, algo que alguém pode dizer que é culpa sua, ou até castigo de Deus em sua vida por algo que você não fez, mas que eles pensam que sim?

A terceira história que temos para refletir hoje está narrada em Lucas 7:36-39:

Convidado por um dos fariseus para jantar, Jesus foi à casa dele e reclinou-se à mesa.
Ao saber que Jesus estava comendo na casa do fariseu, certa mulher daquela cidade, uma ‘pecadora’, trouxe um frasco de alabastro com perfume, e se colocou atrás de Jesus, a seus pés. Chorando, começou a molhar-lhe os pés com as suas lágrimas. Depois os enxugou com seus cabelos, beijou-os e os ungiu com o perfume.
Ao ver isso, o fariseu que o havia convidado disse a si mesmo: “Se este homem fosse profeta, saberia quem nele está tocando e que tipo de mulher ela é: uma ‘pecadora’ “. – Lucas 7:36-39

Essa história fala que Jesus foi jantar na casa de um fariseu. Os fariseus eram um grupo religioso que era muito radical em suas crenças e práticas religiosas, pessoas que colocavam sua religião acima de tudo e de todos, um grupo que frequentemente discutia com / e perseguia Jesus, e que foi diretamente responsável pela sua morte.

Nessa história temos outra personagem, uma mulher sem nome descrita apenas como “pecadora”. Perceba bem, a Bíblia não fala exatamente qual era o pecado dessa mulher, apenas que era tão público e notório, era algo tão escandaloso que ela não era mais conhecida por seu nome, mas pelo pecado que havia cometido ou praticado.

Agora vamos nos colocar por um momento no lugar dessa mulher. Será que temos algo em nossas vidas que fizemos de errado no passado, reconhecemos que foi errado, aquilo marcou a nossa vida gerando traumas que carregamos até hoje e que infelizmente as pessoas não conseguem mais olhar para nós como outra pessoa normal, mas como “a pecadora”, ou seja, a nossa história é quem nos define e não quem de fato somos?

Veja que o fariseu, uma espécie de líder religioso, chegou a duvidar de Jesus, dele ser um profeta, porque Jesus permitiu que a mulher considerada pecadora, de má fama, tocasse nEle, e aqui cabe um parêntese, de que os fariseus, em sua religiosidade, faziam coisas tão exageradas que nem a própria lei de Moisés mandava fazer, e, por outro lado, não conseguiam entender que Deus, mesmo por meio do rigor da lei, agia com graça em favor das pessoas, e não massacrava nem repudiava, nem afastava as pessoas como aqueles homens faziam. Eles, de fato, estavam mais preocupados com sua reputação se as pessoas da sociedade vissem aquela pessoa de má-fama tendo contato com eles do que em ajudá-la a vencer seus traumas e deixar para trás seu passado de vergonha.

Mas Jesus não teve vergonha dela, nem se preocupou com o que as pessoas iriam falar dele por causa daquela mulher.

A pergunta que temos, então, para refletir é a seguinte: será que você carrega traumas do passado que não consegue superar, coisas que fizeram com que as pessoas se afastassem de você e não queressem mais contato, não confiassem mais em você, algo que você já mudou, mas que continua afetando a maneira como as pessoas olham pra você e pensam a seu respeito? Será que, por outro lado, você não tem sido como um daqueles religiosos e apontado o dedo na cara das pessoas, afastando-as, ao invés de acolhendo-as, ajudando a mantê-las naquela situação de abandono e condenação ao invés de ajuda-las a mudar de vida e de construir uma nova história para elas?

Essas três histórias nos ensinam uma importante lição a respeito de Jesus, que Ele, sendo Deus, escolheu ser como um de nós, uma pessoa comum, e de todos os lugares onde ele poderia nascer, nasceu em um estábulo de animais sem higiene, filho de pessoas pobres, um carpinteiro e sua jovem esposa, viveu em uma região afastada dos grandes centros, que era Nazaré, e fez questão de andar com as pessoas que a sociedade julgava serem ninguém, não terem importância, pessoas que a religião dizia que você não podia tocar, que as convenções sociais diziam que você não poderia conversar ou se relacionar.

Jesus, então, toca em quem ninguém tem coragem de tocar, ele abraça os feridos de alma e afirma que para Ele nós somos importantes, Ele faz e vai além do que a religião diz que a gente pode ir ou fazer, Ele mesmo que foi rejeitado decide acolher os rejeitados e nos manda fazer o mesmo.

Esse é o mesmo Jesus de ontem, que restabeleceu dignidade àquela mulher pecadora, que deu vista aos cegos e operou muitos milagres, aquele que não teve preconceito de se relacionar com todos, andar com todos, falar e tocar a todos quantos queriam e precisavam de seu toque, de sua companhia, o mesmo Jesus que hoje quer fazer o mesmo por mim e por você, nós que temos tantos preconceitos, que julgamos tanto as pessoas mesmo sendo também vítimas muitas vezes do olhar e do dedo acusador de alguém. Ele está conosco e nos diz: parem de julgar, parem de condenar, comecem agora mesmo a ajudar, a animar, a levantar; e também nos diz quando estamos fracos e caídos que estará sempre conosco todos os dias, nos dando força para prosseguir na caminhada.

Nós podemos voltar pras nossas casas refletindo nessas três perguntas que eu fiz essa noite:

1.                       Será que quando as pessoas olham para você, mesmo sem conhecer quem você realmente é, elas lhe apontam o dedo e lhe julgam? Ou será que você tem feito isso com relação a outras pessoas?

2.                       Será que você já se sentiu menosprezado por algo que te deixa com vergonha, algo que alguém pode dizer que é culpa sua, ou até castigo de Deus em sua vida por algo que você não fez, mas que eles pensam que sim? Ou será que você fez alguém se sentir assim?

3.                       Será que você tem estado preso ao seu passado e se deixado definir por sua história até agora? Ou será que você tem apontado o dedo na cara das pessoas, ao invés de ajuda-las a mudar de vida e de construir uma nova história para elas?

E a lição que aprendemos com Jesus, que pode nos ajudar a refletir nessas perguntas é para sermos menos preconceituosos com relação às pessoas, deixando de julgá-las mas oferecendo a mão para ajudá-las, caminhando com elas, de modo a levá-las cada vez mais para perto de Deus, e ajudando-as a mudar de vida, para uma vida melhor com Deus, com Jesus.

Deus nos abençoe.

Histórias parecidas, encontros com Jesus, resultados diferentes

Jesus utilizava muito parábolas para ensinar a respeito dos valores do Reino de Deus. Parábolas são como fábulas, estórias com uma moral, um ensinamento central.

Hoje, no entanto, vamos ver duas histórias que realmente aconteceram, não foram fábulas, não foram parábolas, mas como dois homens realmente tiveram um encontro com o Senhor, dois homens com histórias de vida muito parecidas em alguns aspectos, mas que saíram de seus respectivos encontros com Jesus de maneira bem diferente.

A primeira história que iremos ver é a do jovem rico, uma pessoa cujo nome não é mencionado na Bíblia, mas que se encontra narrada em Mateus 19:16-24.

E eis que, aproximando-se dele um jovem, disse-lhe: Bom Mestre, que bem farei para conseguir a vida eterna?
E ele disse-lhe: Por que me chamas bom? Não há bom senão um só, que é Deus. Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos.
Disse-lhe ele: Quais? E Jesus disse: Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho; honra teu pai e tua mãe, e amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Disse-lhe o jovem: Tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade; que me falta ainda?
Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me.
E o jovem, ouvindo esta palavra, retirou-se triste, porque possuía muitas propriedades.
Disse então Jesus aos seus discípulos: Em verdade vos digo que é difícil entrar um rico no reino dos céus.
E, outra vez vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus. – Mateus 19:16-24

Desse primeiro encontro, podemos tirar ao menos duas lições:

  1. O jovem queria fazer algo para conseguir a vida eterna. Ele seguia a lógica do mérito, do esforço pessoal, como ele havia conquistado tudo na vida com base nessa lógica, supôs que a vida espiritual seguiria a mesma lógica de “faça isso” ou “não faça aquilo” e “estamos conversados”, que é a lógica de muitas religiões mas NÃO é a lógica de Jesus nem do cristianismo.
  2. O jovem acreditava que com bajulação (“bom mestre”) e arrogância (“tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade”) poderia conseguir algum favor, como ele provavelmente estava acostumado a fazer com tudo na vida, mas Cristo o repreende mostrando a real intenção do seu coração, o que era realmente importante em sua vida: os bens materiais, o apego que ele tinha por suas riquezas, e não uma devoção sincera a Deus nem uma vontade genuína de seguir a Jesus.

A segundo história que iremos ver é a de um homem rico chamado Zaqueu, um cobrador de impostos para o império romano, que dominava Israel na época de Jesus, como um fiscal da receita nos dias de hoje, considerado um traidor da nação por exercer essa função em prol do império dominante, um pária da sociedade, excluído dos círculos sociais, mal visto, com a fama que um político ou funcionário público corruptos poderiam ter hoje. Sua história é narrada em Lucas 19:1-10.

E, tendo Jesus entrado em Jericó, ia passando.
E eis que havia ali um homem chamado Zaqueu; e era este um chefe dos publicanos, e era rico.
E procurava ver quem era Jesus, e não podia, por causa da multidão, pois era de pequena estatura.
E, correndo adiante, subiu a uma figueira brava para o ver; porque havia de passar por ali.
E quando Jesus chegou àquele lugar, olhando para cima, viu-o e disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, porque hoje me convém pousar em tua casa.
E, apressando-se, desceu, e recebeu-o alegremente.
E, vendo todos isto, murmuravam, dizendo que entrara para ser hóspede de um homem pecador.
E, levantando-se Zaqueu, disse ao Senhor: Senhor, eis que eu dou aos pobres metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo quadruplicado.
E disse-lhe Jesus: Hoje veio a salvação a esta casa, pois também este é filho de Abraão.
Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido. – Lucas 19:1-10

Desse segundo encontro, podemos tirar outras duas lições:

  1. Jesus não tem preconceitos. De fato, a Palavra de Deus nos diz que Ele não faz acepção  (distinção) de pessoas (Romanos 2:11). Ele veio buscar ricos e pobres, seja quem for, desde que reconheça que precisa e depende dele. Este é o sinal, reconhecer-se pecador, doente, sujo, maltrapilho. Como o Mestre mesmo falou, Ele não veio buscar os sadios, os justos, mas pecadores ao arrependimento (Lucas 5:31,32).
  2. O coração de Zaqueu, antes corrupto e ganancioso, tornou-se generoso, mostrando a transformação que Jesus operou em sua vida. Enquanto o jovem rico tinha um coração egoísta e mesquinho e preferiu permanecer assim, Zaqueu bastou conhecer Jesus para reconhecer que sua riqueza não valia nada quando comparada ao eterno, àquilo que as riquezas não podem comprar, como saúde, paz, alegria, tranquilidade, companheirismo, amigos de verdade, respeito e admiração etc.

Vimos, portanto, duas pessoas com histórias parecidas, homens com muito dinheiro, bens, que tiveram encontros com Jesus, mas que saíram desses encontros de maneira bem diferente um do outro: enquanto um (Zaqueu) saiu transformado, feliz, o outro (o jovem rico) saiu transtornado, triste, pois não conseguiu abrir mão daquilo que ele considerava mais importante em sua vida (as riquezas) por amor a Jesus.

Como lições finais da diferença entre essas duas histórias e dois encontros temos:

  1. O homem verdadeiramente rico é aquele que reconhece que suas riquezas, poder, bens, influência, fama etc. não fazem dele uma pessoa melhor ou superior aos outros, nem põe a sua confiança nessas coisas, mas em Deus.
  2. Os ricos também precisam de salvação. É muito “fácil” entendermos porque nós, “reles mortais”, precisamos de Jesus, já que Ele nos dá paz, alegria, saúde, e supre as nossas necessidades, mas muitos ricos acreditam que não precisam de nada, que tudo que eles precisarem, eles mesmos irão comprar e não será Deus quem irá suprir ou providenciar. Só que eles estão enganados, pois ricos também têm carências, frustrações, problemas emocionais e familiares, vivem estressados e só a paz de Jesus pode evitar que vejam seus relacionamentos familiares destruídos ou mesmo tirem suas próprias vidas, como é muito comum em países onde a maior parte da população é rica e diz “não precisar de Deus, de Jesus”.

Revisitando as lições e os textos acima, minha oração hoje é para que Deus nos ajude a nos despirmos de todo preconceito quando ouvirmos e pregarmos o amor de Deus, que é para todos, afinal todos precisam de Deus, entendendo ainda que não podemos colocar nossa confiança e nossa força em riquezas materiais, ou mesmo em outros atributos que porventura consideremos como qualidades ou virtudes pessoais (ex.: podemos não ser ricos, mas confiarmos em nossa força física, beleza estética, conquistas acadêmicas ou profissionais etc.), e sim em Deus, que verdadeiramente é a nossa força e sustento, em quem podemos depender e confiar em tudo, em todas as horas.

Deus nos abençoe.

Perseverança, compromisso e prioridade

E Jesus lhe disse: Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás, é apto para o reino de Deus. – Lucas 9:62

Essa fala de Jesus é a culminação de uma história em que muitos parecem se comprometer com Cristo mas na verdade têm só o impulso inicial, e depois param pelo caminho.

De fato, muitas das histórias que se passaram com o Senhor, ou mesmo que Ele contou, falam da perseverança que todo crente salvo deve vivenciar, como bem lembramos da parábola do semeador (Mateus 13), cujas espécies de terrenos demonstram que tipo de coração possuímos: 1) um coração que não entende a palavra de Deus semeada em nossa vida (semente caída à beira do caminho); 2) um coração que recebe a Palavra com alegria mas não desenvolve perseverança, fraquejando ao primeiro sinal de perseguição (semente plantada em meio às pedras); 3) um coração que recebe a Palavra, e a permite até brotar, mas não consegue produzir frutos, por causa da quantidade de coisas que coloca como prioridade em sua vida na frente das coisas sagradas (semente planta em meio a espinhos); 4) e, por fim, um coração que recebe a Palavra do Senhor e põe em prática, coloca em primeiro lugar em sua vida, que passa então a produzir, a frutificar, a dar resultado de maneira plena e farta.

No caso do texto de Lucas 9, vemos um homem que com intrepidez afirma que seguiria ao Senhor onde quer que Ele fosse, talvez da boca pra fora, talvez para aparecer, ou mesmo por uma razão ingênua e sincera, mas Cristo vem ao seu encontro com uma afirmação que lhe joga um balde de água fria na cabeça: você tem certeza realmente de que irá me seguir onde quer que eu for? Saiba que hoje mesmo não sei onde vou comer ou dormir! Será que você consegue viver uma vida de dependência completa e absoluta de Deus, pois essa é a vida que levo e a vida que proponho.

Em segundo lugar, um homem é chamado a segui-Lo, ao que responde dizendo que necessita atender aos costumes religiosos e morais para com sua família, algo de valor, senão constituísse num mero pretexto. Muitos de nós, como aquele homem, colocamos na frente de Deus muitas coisas que são em si mesmo boas, seriam uma boa “desculpa” se as dirigíssemos em direção a um amigo qualquer, mas não a Jesus. Ele quer prioridade, e o compromisso é baseado em prioridade. No mesmo sentido o próximo homem, que pede primeiro para se despedir dos seus, como se o seguir a Cristo fosse lhe impedir de revê-los, ou coisa parecida. Desculpas, sempre elas, desculpas.

Em outra parábola, para concluir, que temos em Lucas 14, vemos um rei que faz um convite para muitas pessoas para estarem com ele em uma festa, uma solenidade única, ao que todos passam a responder ao mensageiro com toda sorte de desculpas, as quais, isoladamente, não parecem esfarrapadas, mas que quando colocadas em uma balança com o evento para o que tinham sido convidados, vemos que são totalmente fora de propósito e tempo, como: 1) inventariar uma propriedade (como se ela fosse sair dali para outro lugar, ou se perder com um dia de atraso); 2) testar uma junta de bois recém adquiridos (algo que, na verdade, deveria ter sido feito – e provavelmente o foi – antes da compra, e, caso contrário, não seria um dia a mais que faria alguma diferença no negócio); 3) a realidade do casamento (como se a mulher fosse lhe impedir de participar de uma festa, normalmente elas que são as primeiras a quererem participar). O que significa tudo isso? Será que, em plena consciência alguém, tendo recebido um convite para uma festa da realeza, daria esse tipo de desculpa? Ou será que, convenhamos, tudo deve ficar em segundo plano e postergado um pouco para atender aquilo que é realmente mais importante, provavelmente único?

Cristo quando nos fala sobre nossos valores, nosso compromisso e nossas prioridades, nos convida e ao mesmo tempo confronta com o fato de que Ele deve ser a prioridade número um em nossa vida. Se somente fizermos isso, tudo passará a receber a prioridade certa, pois, ao contrário, costumamos dar prioridade às coisas erradas e relegar o importante a segundo plano. Assim o é quando colocamos os negócios à frente da nossa família, e tudo à frente de Deus, e acabamos perdendo negócios, família e sem experimentar tudo de bom que Deus tem preparado para nós. Quando perseveramos em Cristo, desenvolvemos esse sentido correto de prioridade, passamos a ter um relacionamento saudável com os nossos, e isso também impacta diretamente no tipo de profissional que somos em nossas relações no dia a dia.

A minha oração então, hoje, é para que, entendendo essa Palavra de Deus, e a recebendo, possamos dar-lhe a importância devida, e pô-la em prática. Isso não significa que, num passe de mágica, tudo em nossa vida passará a dar certo e os problemas cessarão, apenas que, a pessoa que resolvemos priorizar, Deus, será por nós facilmente encontrada sempre que precisarmos (e sempre precisamos) em todas as outras áreas de nossa vida. O tipo de relacionamento que Cristo espera de nós é aquele baseado em confiança, em perseverança, em compromisso, algo que apenas nasce num dia, mas que deve crescer e amadurecer com a caminhada, uma caminhada que não tem volta, que requer termos um senso correto de prioridade, um caminho que não nos permite ficar parados e acomodados com nosso estado atual, mas lutarmos com Deus ao nosso lado contra nossa própria natureza egoísta e pecadora, sabendo que ao final seremos vencedores.

Deus nos abençoe.

In God we trust (nEle a gente pode confiar)

Então disse o Senhor a Moisés: Eis que vos farei chover pão dos céus, e o povo sairá, e colherá diariamente a porção para cada dia, para que eu o prove se anda em minha lei ou não. – Êxodo 16:4

O pão nosso de cada dia nos dá hoje; – Mateus 6:11

Deus é um deus provedor.

Ele cuida de nós e deseja o nosso melhor.

Deus nunca nos prometeu riquezas, poder, luxo ou que satisfaria nossos desejos egoístas frutos da nossa sociedade consumista, mas Ele nos prometeu saciar as necessidades mais básicas, o que, na pirâmide de Maslow, corresponde às necessidades fisiológicas, como alimento, saúde, e de segurança, como a moradia, abrigo.

É nesse contexto que o Salmista diz que o Senhor é o nosso pastor, e nada nos faltará (em nada passaremos necessidade), conforme Salmos 23:1, ou ainda no contexto da oração do Pai Nosso, ensinada como modelo de relacionamento com o Pai por nosso mestre Jesus, que Deus veste os lírios do campo em riqueza que nem Salomão usou, e alimenta os pardais que não precisam se preocupar, como não o faria conosco, seus filhos e infinitamente mais preciosos para Ele do que meras flores ou passarinhos?

Vejamos bem que o mesmo que Deus promete para Israel, em Cristo nós também temos acesso, a esse Deus de provisão, à sua generosa oferta de cuidado, de que não precisamos ficar ansiosos, preocupados, muito embora vivamos em um cenário de crise econômica onde muitos de nós estejamos momentaneamente apertados ou mesmo desempregados, esse é o momento de crer, esse é o momento de confiar.

Israel não confiou em Deus, nos versos seguintes vemos que o povo colheu mais do que podia comer com medo de faltar no dia seguinte, e a comida apodreceu.

O desafio portanto é confiar, entregar-nos nas mãos poderosas de Deus e não temos como confiar desconfiando, como diz a bela música do Vencedores por Cristo.

Não!

Ou confiamos ou não confiamos, não há meio termo, e a ansiedade é sinônimo de desconfiança.

Mas como eu, eu sei que você também é humano e fraco, então ainda que tenha apenas uma fagulha de fé e esperança, exercite essa confiança no Pai dando o primeiro passo pela fé, faça como aquele pai desesperado que deseja a cura de seu filho quando vai ao encontro de Jesus, conforme Marcos 9:24, reconheça sua incredulidade e peça a Deus que fortaleça ou aumente a sua fé!

A minha oração hoje é para que eu e você não sejamos teimosos e faltos de fé como aquele povo de Israel no Êxodo, que aprendamos a confiar e depender completamente em Deus, pois Ele nos sustenta e guarda, e diferentemente de nós que somos infiéis, Ele é fiel, Ele permanece fiel pois Ele é constante, Ele não muda, Ele está sempre disposto a estender a sua mão para nos abençoar!

Deus nos abençoe.