Meditação semanal: o exemplo de Jabez

Jabez foi o homem mais respeitado de sua família. Sua mãe lhe deu o nome de Jabez, dizendo: “Com muitas dores o dei à luz”.
Jabez orou ao Deus de Israel: “Ah, abençoa-me e aumenta as minhas terras! Que a tua mão esteja comigo, guardando-me de males e livrando-me de dores”. E Deus atendeu ao seu pedido. – 1 Crônicas 4:9,10

Em meu tempo a sós com Deus hoje pela manhã li esse trecho da Palavra onde conta, em apenas dois versículos, a vida deste homem ilustre chamado Jabez.

O trecho começa afirmando que Jabez foi o homem mais respeitado de sua família. Disso tiramos já duas lições:

  1. a família de Jabez era uma família de homens respeitados, o que nos leva a perceber o tipo de contexto familiar onde essa característica dele pôde nascer e florescer. Famílias saudáveis e de valores coerentes com o Reino de Deus tendem (percebam que o verbo é *tender*) a produzir membros e descendência cujos mesmos valores sejam perpetuados, cumprindo assim a promessa de Deus de fazer misericórdia a milhares dos que O amam (cf. êxodo 20:6). Então, no que cabe a nós, sejamos os agentes multiplicadores do amor de Deus em nossa casa!
  2. Jabez foi além do padrão familiar. Muitos de nós reclamam que viemos de contextos familiares nocivos, lares destroçados, pais abusadores, mas, respeitando realmente essas situações particulares que podem ser responsáveis por começarmos mal a nossa jornada e nos fazer carregar fardos pesados de traumas, vemos em Jabez um exemplo de alguém que foi além, não se limitou ao que aprendeu dentro de casa, mesmo que tenha sido algo já bom e proveitoso. Então temos hoje duas opções em nossas mãos: pegar a “maldição” que recebemos e fazê-la parar aqui, agora, em nossa geração, não passar adiante esse mal; ou nos deixarmos vencer e abater pelo mal sofrido e aprendido e fazê-lo nascer e crescer mais uma vez na vida de nossos filhos… É uma questão muito mais de escolha do que de discurso vitimista.

Perceba que o verso 10 fala que Jabez recebeu esse nome em razão de como tinha nascido, “com muitas dores”, costume da época dos pais batizarem seus filhos com base em sentimentos ou experiências pessoais, que acabava impactando a vida dessa pessoa para o futuro (outro exemplo é Jacó, que significa enganador, e que viveu realmente desta forma até seu encontro com Deus no vale de Jaboque, onde teve seu nome mudado para Israel). Jabez significa aflição, mas ele não parece ter vivido com base no significado do seu nome, nas expectativas de sua mãe, em um “rótulo” ou estigma social.

Ao contrário, talvez aquilo tenha lhe servido de motivação para a busca da excelência. “Eu não me deixarei dominar pela minha história e meu passado”, ou talvez ainda “eu não serei conhecido pelo meu nome, mas pelo meu caráter”. Não sei, só podemos imaginar, mas é algo razoável de pensarmos, e mais ainda de aplicarmos em nossas próprias vidas.

Se temos sido chamados de algo que pegou, e isso tem moldado nosso caráter até hoje, é hora e dia de mudarmos de vida, nos arrependermos e buscarmos a Deus como Jabez, que orou ao Senhor uma oração que, a princípio, poderia talvez nem ser respondida, por ser uma oração *aparentemente* egoísta (cf. Tiago 4:3), mas Deus curiosamente atende seu pedido. Ele não será mais conhecido como homem de dores, de aflições, de males, mas um homem cuidado pela mão do Senhor. O que nos impede de fazer o mesmo, buscarmos ao Senhor, invocarmos o seu nome, clamarmos pela sua benção e proteção?

Tenho por mim que sua oração foi respondida porque a motivação de sua oração por bens e prosperidade não era para gastar com seus próprios deleites e razões fúteis apenas, mas para propagar a benção de Deus em favor de outros, afinal ele era um homem excelente, o mais respeitado / honrado de sua família de homens também excelentes.

Que seu exemplo de vida e oração possam servir a nós, hoje, em nome de Jesus.

Deus nos abençoe.

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Meditação semanal: Deus, o melhor Pai

“Se o SENHOR não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o SENHOR não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela.
Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão de dores, pois assim dá ele aos seus amados o sono.
Eis que os filhos são herança do Senhor, e o fruto do ventre o seu galardão.
Como flechas na mão de um homem poderoso, assim são os filhos da mocidade.
Bem-aventurado o homem que enche deles a sua aljava; não serão confundidos, mas falarão com os seus inimigos à porta.” – Salmos 127:1-5

Ontem foi dia dos pais, meu primeiro dia dos pais, mesmo que Benjamin ainda esteja na barriga da minha mulher, e ultimamente tenho meditado na qualidade de Pai que temos em Deus. Deus, o Senhor, é o nosso pai, e que pai!

É Ele quem edifica nossas casas, nossas vidas, nossos casamentos, nossas famílias, e nos será inútil empreender qualquer esforço que seja desprovido dessa percepção e desse reconhecimento. Devemos, portanto, nos colocar numa posição de completa submissão e dependência dEle, como filhos pequenos em relação ao seus pais terrenos, que confiam cegamente naqueles que para si são como “super-heróis”.

Em outra passagem, Jesus, confrontando os líderes religiosos, diz que se nós, sendo maus, sabemos dar boas coisas a nossos filhos, que dirá Deus, o melhor Pai, aos seus filhos, fazendo menção especificamente ao melhor presente, que é o seu próprio Espírito Santo a habitar em nós (cf. Lucas 11:13).

O melhor que podemos considerar entregar às próximas gerações, aos nossos filhos que, como o salmista enfatiza, são herança do Senhor, nosso maior “patrimônio”, nossa recompensa, mais do que a educação ou o cuidado – que já fazemos! – é o entendimento de que eles pertencem não a nós, mas a Deus, nós somos meros mordomos de suas vidas enquanto estiverem sob nossa responsabilidade.

Pense nisso hoje, mesmo você que talvez ainda não seja pai. Que o Senhor que é o nosso Pai, o melhor pai que alguém poderia desejar, capacite você a também desempenhar bem esse papel tão importante, que você nunca esqueça que pode contar sempre com Sua ajuda, e mesmo que você não tenha tido um pai tão bom assim, saiba que Deus é infinitamente melhor e pode lhe capacitar a ser o tipo de pai que você gostaria de ter tido, vencer os traumas passados e entregar uma melhor criação aos seus próprios filhos.

Essa é a minha oração hoje por mim e por você.

Deus nos abençoe.

Meditação semanal: sobre o amor sofredor

O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. – 1 Coríntios 13:4

O texto bem conhecido de 1 Coríntios 13, tão lembrado em contextos de amor romântico, casamento, namoro etc., na verdade está inserido entre dois capítulos que falam dos dons espirituais que o Espírito Santo concede à sua Igreja.

O amor a que Paulo se refere é um dom de Deus, e não apenas qualquer dom, mas o dom que reflete um de seus atributos divinos. Amor não é simplesmente um sentimento, amor é uma decisão e uma predisposição de se entregar em prol da pessoa amada, entrega que significa serviço sacrificial. Não à toa, o amor de 1 Coríntios 13 é o amor agape.

Começamos domingo último uma série de pregações em nossa igreja sobre o serviço, e vimos que Cristo deu-nos o exemplo do tipo de serviço que agrada a Deus, aquele que é feito para sua pessoa, ainda que reflita em nossos irmãos ou outras pessoas. Sendo assim, reflita comigo nesta pergunta: Será que tenho amado verdadeiramente a Jesus, de maneira sacrificial? Será que esse amor tem me levado a servi-lo e à sua família com dedicação?

Cristo deu-nos a si mesmo em nosso favor, em nosso lugar, Ele mesmo é a essência do servo sofredor, conforme descrição do profeta Isaías, Ele, cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo e nos leva a um entendimento correto do que é o serviço, que não é mero ativismo, não é o “servir” pelo servir, que pode virar idolatria, mas onde essa ação, juntamente com esse propósito e essa motivação, juntas, em sinal de obediência, agradam o Pai.

O amor, este que é o melhor dos dons, cf. 1 Coríntios 12:31, nos faz caminhar a segunda milha, dar a outra face, perdoar, exercitar a mutualidade, aproxima os que estavam distantes, e nos capacita, nós que já somos próximos – irmãos! família! – a vivermos juntos em unidade e intimidade.

A minha oração hoje é para que cada um de nós, juntamente com nossos familiares e pessoas a quem amamos, possamos aprender com Jesus o significado de ser servos. Que esses dois meses de estudo sobre esse tema possam ser abençoadores, mas também desafiadores, chacoalhando nossas estruturas, quebrando cadeias de preconceitos e nos retirando da nossa zona de conforto em direção à vontade de Deus. E nisso, caminhando até lá chegarmos, exercitarmos a disciplina do serviço, de maneira a sermos cada dia mais parecidos com Jesus, nosso Senhor.

Deus nos abençoe!

Gratidão pela perfeição do corpo

Tu criaste o íntimo do meu ser e me teceste no ventre de minha mãe.
Eu te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável. Tuas obras são maravilhosas! Disso tenho plena certeza.
Meus ossos não estavam escondidos de ti quando em secreto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra.
Os teus olhos viram o meu embrião; todos os dias determinados para mim foram escritos no teu livro antes de qualquer deles existir. – Salmos 139:13-16

Esses dias estava meditando na perfeição do corpo humano. E não apenas em geral, do ser humano em suas funções biológicas, mas em como eu, pessoalmente, nasci perfeito.

Claro que, por perfeito, não quero dizer absolutamente desprovido de defeitos, já que eu, e todos nós na verdade, possuímos alguma falha de cunho moral, ou de caráter, traço de personalidade, temperamento, etc., sem contar as coisas que “consideramos” defeitos ou falhas em outros aspectos da nossa existência. Isso é fruto da nossa natureza pecadora, que tem a capacidade, além de nos fazer morrer, nos lançar para longe de Deus, também de impactar negativamente a nossa vida em todas as esferas.

Mas, voltando ao ponto, orei esses dias sobre isso, lembrando da experiência que vivi há alguns anos de ter uma pessoa cega almoçando sentado à minha frente em um restaurante self-service, em que Deus me falou profundamente sobre o aspecto da gratidão pela vista, pelo sentido da visão, pelos olhos que o astigmatismo (no meu caso) não impedem de funcionar como efetivamente acontecia com aquele homem, que buscava tatear em volta de seu prato por seus talheres, praticamente tendo de comer a sua comida com as mãos.

Somos perfeitos. Altos ou baixos, gordos ou magros, excessivamente cabeludos ou carecas, todos os pequenos defeitos que pensamos ter e que nos tornam distantes do padrão social de beleza, nada se compara a uma vida desprovida da visão, ou sem os membros, como também me vem à mente aquele rapaz chamado Nick Vujicic, que mesmo frente à sua enorme limitação, consegue ser feliz, consegue ser grato a Deus, consegue ver a bondade do Pai que lhe concedeu uma bela família e tantas outras bençãos.

A perfeição com que fomos criados – e mesmo aqueles que têm defeitos que lhes limitam de viverem plenamente, congênitos ou em razão de doenças ou acidentes, esses também podem dar glória a Deus mesmo nessas circunstâncias, como vários textos da Palavra nos ensinam (v.g.: João 9:3, 1 Tessalonicenses 5:18) – deve nos constranger pelo entendimento acerca da bondade, da misericórdia, do favor que Deus derrama sobre nós desde antes de nascermos.

A Palavra, no texto que lemos, diz que Deus mesmo nos teceu no ventre de nossa mãe. Como obra de tecelão, cada um de nós é um “tapete” riquíssimo, perfeitamente criado e decorado para o propósito de glorificar o nome do Senhor. Mas será que temos feito isso? Será que temos sido agradecidos por algo tão simples, algo que pode passar batido em nossa vida corrida e atribulada?

Nosso corpo, templo do Espírito (cf. 1 Coríntios 3:16), deve ser motivo de muita gratidão e cuidado nosso. Essa percepção deve nos levar a louvar e glorificar ao Pai cada dia, maravilhados por sua grandeza, por sua criatividade, por o ser o autor da nossa história, da nossa fé, da nossa esperança, da nossa redenção, em Cristo Jesus, aquele que, por seu nascimento, vida, morte e ressurreição nos resgatou da natureza pecadora, lavando-nos com seu sangue precioso e nos fazendo filhos de Deus por adoção.

A minha oração, então, é para desenvolvermos uma gratidão especial a Deus nesse sentido, e não deixarmos passar o encantamento e a sensibilidade de perceber a mão cuidadora do Pai em todas as circunstâncias, em todas as coisas, porque as vezes as que aparentam ser mais banais, são as que mais precisamos, e sem as quais seríamos mais abalados.

Deus nos abençoe.

Pequena reflexão sobre hermenêutica bíblica

Tenho meditado muito esses dias sobre hermenêutica de modo geral, e bíblica em particular, em como somos muito displicentes com relação a isso.

Infelizmente, a gente aceita todo tipo de interpretação.

Muitas “crendices gospel” que há por aí em razão de interpretações sem o menor fundamento bíblico, de pegar um versículo, retirá-lo do contexto e criar uma aplicação pessoal que é até “boa”, se pensarmos numa ética meramente humana, mas que não tem um embasamento bíblico, pelo menos não no texto do qual supostamente foi tirada, e isso aí já levou e continua levando as pessoas (nós) a cometerem sérias heresias, então arriscar “qualquer coisa”, uma exegese apressada, açodada, feita de qualquer jeito, é muito complicado, porque uma coisa é você tirar uma aplicação pessoal no seu tempo a sós com Deus para uma realidade sua específica daquele momento, e outra bem diferente (e mais séria) é você levar isso de púlpito, e nós como pregadores temos essa responsabilidade, ou então aceitar o que vem de púlpito nessa mesma condição.

Eu falo muito sobre isso… Eu não vou nem entrar no mérito de saber ou não saber as línguas originais, Grego, Hebraico, Aramaico, que nisso já tenho um distanciamento – eu uso muito essa história do distanciamento – então se você não sabe a língua original, você já tem uma perda, agora o problema é que nós muitas vezes, nós, povo brasileiro de modo geral, a gente não sabe nem a língua portuguesa direito, então se a gente interpreta mal o Português de modo geral, você vai ler a Bíblia e interpreta mal porque você não sabe Português. Isso não é nem questão de regra de interpretação, de hermenêutica bíblica, é você que não sabe a língua que você fala.

Então, nas etapas de interpretação, a mais básica, a mais fundamental é você saber falar corretamente o idioma que você pretende interpretar, e a maioria do povo brasileiro, e muitos pastores, muitos crentes não sabem nem o Português. E esse é o primeiro cuidado que a gente, quando vai se aproximar das Escrituras, tem que ter, isto é, um dos primeiros cuidados.

Só para explicar o que chamo de “distanciamento”, é que eu falo, principalmente com relação à Bíblia, aos temas bíblicos, às coisas que têm na bíblia, mas também com a História de modo geral funciona mais ou menos da mesma forma, é que existem pelo menos 4 etapas de distanciamento entre nós, pessoas, leitores, ouvintes etc. do século XXI, das pessoas que escreveram aquele texto, que vivenciaram aquela realidade:

  1. a distância linguística, ou seja, a gente fala Português, a gente não fala nem Grego, nem Hebraico, nem Aramaico. E a gente não fala Grego, Hebraico e Aramaico daquela época, porque o Grego, Hebraico e Aramaico, hoje, são idiomas que, como qualquer outro, evoluem(iram) e mudam(aram), então o Grego de hoje não é o Grego da época de Jesus;
  2. essa segunda etapa, então, diz respeito a esse distanciamento temporal. Nós, hoje, não temos como enxergar corretamente, ou exatamente da mesma forma, como as pessoas para as quais foram escritas essas mensagens enxergavam, porque a gente vive num tempo diferente, e o tempo envolve a questão da língua ter mudado, mas envolve também a cultura. 2000 anos de história nos separam, no mínimo, em alguns textos bem mais do que isso.
  3. então assim, a gente vive em primeiro lugar o distanciamento linguístico, em segundo o distanciamento temporal, e em terceiro lugar o distanciamento cultural. Por que? Porque somos brasileiros, a gente é latino, nasceu e se criou numa realidade judaico-cristã ocidental do século XXI. Não somos judeus nem romanos/gregos do século I, então tem essa questão cultural muito forte. Os judeus, por exemplo, tinham a lei mosaica como seu dia a dia, era muito mais do que uma questão meramente religiosa, mas eu não preciso entrar em detalhes aqui e agora.
  4. e em quarto lugar, o distanciamento geográfico, porque vivemos num país democrático, que é o Brasil do século XXI, novamente, a gente não vive no Oriente Médio, a gente não tem a mentalidade do camponês da Palestina daquela época, que vivia num contexto agropastoril, de dominação por uma potência estrangeira com outra cultura, língua, religião e valores, a gente é um cara que vive na cidade, com todas as repercussões que isso traz.

Eu sempre toco muito nesses quatro distanciamentos como pontos de reflexão e cuidado na hora de nos aproximarmos de qualquer texto histórico, principalmente texto das Escrituras, e eu não vou nem entrar no mérito, mais do que correto, de tentarmos entender, sob o prisma espiritual mesmo, o que o Espírito santo quis revelar para aquela pessoa em particular, naquela realidade especial, qual foi o contexto imediato daquela mensagem, porque é muito fácil a gente tentar tirar aplicações pessoais e puxar pro nosso contexto, pra nossa realidade, uma coisa que as vezes não tem como, foi feito especificamente pra uma realidade, pra um povo, pra uma história, pra uma cultura, pra uma geografia, que talvez não se aplique mais, e a gente tem que ter sabedoria do Espírito Santo, discernimento do Espírito Santo, não somente dominar as técnicas de interpretação, ter respeito por esses quatro elementos de distanciamento, mas ter o Espírito Santo como guia e norte na nossa vida na hora de interpretar as Escrituras.

Meditação semanal – oração

“Orai sem cessar.” – 1 Tessalonicenses 5:17

(Quase) toda semana eu tento mandar uma mensagem curtinha para meditação aos meus amigos e pessoas próximas a quem quero bem, pessoas que eu tento interceder a Deus em oração por suas vidas, ajudando-os, se possível, em alguma medida em suas vidas espirituais a permanecerem firmes, sabendo que tem um irmão orando por eles e que podem contar nos momentos de lutas e aflições, ou mesmo vitórias, que são cenas tão comuns em nossas vidas.

Faço isso sem pretensões de ser mais espiritual, minha oração não vale um real a mais do que a de outra pessoa, mas entendendo que em fazendo isso, Deus responde as nossas orações feitas em concordância, Ele pode nos ajudar mostrando um ao outro o que talvez, sozinhos, não tenhamos conseguido ouvir ou enxergar.

Com isso em mente, começo a semana com essa mensagem curtinha de desafio para nós, igreja, hoje, sobre o poder da oração.

Será que estamos ocupados demais para orar?

A oração é a principal maneira de estreitarmos nosso relacionamento com Deus, a piedade.

Por meio da oração, as religiões buscam conseguir o favor de sua divindade; conosco, no entanto, não é assim, pois em Cristo já possuímos o favor de Deus sobre nós!

A oração, então, serve para transformar o nosso coração, torná-lo mais sensível à voz do Pai, trabalhar o nosso caráter, a nossa paciência, a nossa perseverança, testar o nosso coração se temos sido altruístas ou egoístas ao pedir, e se temos sido gratos ou não, trazendo apenas pedidos, ou também os muitos agradecimentos que cada um de nós com certeza pode e deve fazer.

Como a mensagem do pr. Hernandes Dias Lopes bem fala, além de incontáveis pesquisas no meio religioso, a oração, se formos considerar apenas por um viés pragmático, é a principal maneira com que pequenos grupos têm crescido e se desenvolvido, e igrejas prosperado mundo afora, mas não vivemos sob a lógica do pragmatismo, a oração para nós, mais uma vez, significa relacionamento, intimidade, conhecimento mútuo do Pai e nosso.

Será que, no fim dos tempos, quando questionados pelo Pai sobre como gastamos nossa vida, em face de tantas distrações que consomem nosso tempo, como redes sociais, televisão, Internet, teremos condições de dar a “desculpa” de que não tivemos tempo para orar? Realmente?!?

Finalmente, a Palavra no texto de Paulo nos incentiva a orar sem cessar. A parábola do juiz iníquo, em Lucas 18, nos fala sobre o dever de orar sempre, e nunca desfalecer, e nela Jesus conclui dizendo: “E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele de dia e de noite, ainda que tardio para com eles? Digo-vos que depressa lhes fará justiça. Quando porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?” – Lucas 18:7,8.

Depressa é a palavra chave aqui! Embora a noção de tempo para nós seja bem diferente para Deus.

A nossa constância e perseverança em oração demonstra ao Senhor a fé que possuímos que Ele pode prover aquilo que pedimos.

E, ao desenvolver essa disciplina espiritual da oração, por meio da qual temos o coração transformado em um coração conforme a vontade de Deus, tudo quanto pedimos, com fé, recebemos (cf. Mateus 21:22) porque nossos pedidos já estarão alinhados com sua vontade que é boa, agradável e perfeita (cf. Romanos 12:2), para nossas vidas, para a vida daqueles a quem amamos e com quem nos preocupamos, e para toda a humanidade.

Essa é a minha oração para a minha e a sua vida hoje.

Deus nos abençoe.

Meditação semanal – a Palavra

Certa ocasião, um perito na lei levantou-se para pôr Jesus à prova e lhe perguntou: “Mestre, o que preciso fazer para herdar a vida eterna?”
“O que está escrito na Lei?”, respondeu Jesus. “Como você a lê?”
Ele respondeu: “‘Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todas as suas forças e de todo o seu entendimento’ e ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’”.
Disse Jesus: “Você respondeu corretamente. Faça isso, e viverá”. – Lucas 10:25-28

A meditação de hoje é sobre a Palavra. Semana passada meditamos sobre a oração. Oração e Palavra são as duas maneiras principais como o crente se conecta ao seu Senhor, tem a oportunidade de conhecê-lo melhor e alinhar sua vida à vontade do Pai.

Por meio da oração comunicamos nossos desejos, nossas angústias e nossa gratidão a Deus. Como vimos, é por meio dela que nos tornamos sensíveis à voz de Deus, não para mudar a vontade de Deus, mas para mudar o nosso coração. Isso, então, é feito por meio da leitura e meditação na Palavra de Deus, uma vez que já estamos sensíveis à sua voz.

Como bem disseram os salmistas em diversas ocasiões, “lâmpada para os meus pés é tua Palavra, e luz para o meu caminho” (119:105), “e na sua lei medita de dia e de noite” (1:2), entre outras, a Palavra de Deus é como um farol para a estrada da nossa vida – sinuosa, íngreme, escorregadia como eram os caminhos dos tempos bíblicos – ela firma nossos pés na Rocha que é Cristo, nos faz andar sem vacilarmos, por meio dela descobrimos a vontade de Deus para nossas vidas.

Vivemos num mundo frenético onde cada vez mais desperdiçamos nosso tempo com trabalho em exagero, diversão e entretenimento em exagero, tudo em exagero, como uma fuga de nos encontrarmos sós, conosco e com o Pai. E seremos cobrado disso, desse tempo que perdemos.

As Escrituras sagradas devem trazer luz ao nosso pecado escondido e nos confrontar ao ponto de nos tornarmos pecadores arrependidos, cada vez mais parecidos com o Cristo a quem dizemos servir. Não é à toa, afinal, que Davi foi considerado um homem segundo o coração de Deus, apesar do pecado em relação a Urias, cf. 1 Reis 15:3-5, pois em tudo Ele buscava ao Senhor em sua Palavra, e olhe que ao seu dispôr só havia pouco mais do que o pentateuco, que a nós, hoje, parece tão árido, mas que a seus olhos era como um manancial no deserto, rios no ermo.

No texto de hoje, o perito na Lei é confrontado pelo Autor da Lei: “como a lês”, “como a interpretas” segundo outra tradução. Podemos nos fazer a mesma pergunta: como temos lido as Escrituras? De maneira a questionar o Mestre, ou quem sabe procurando nos justificar, como aquele homem, em busca de desculpas para nosso pecado, preconceito, letargia?

Será que temos “lido” a Bíblia pelo olhar de outras pessoas, pregadores, teólogos, estudiosos, “peritos na lei”, de instituições religiosas ou de cunho social, ou mesmo pelo olhar de nossa viciada história pessoal, nossas próprias limitações, pecado, preconceitos, preferindo, quem sabe, nos dedicar ao estudo de comentários, livros e material de apoio, ou estudos devocionais, que têm o seu valor mas não são as Escrituras? Ou será que temos gastado tempo dedicando nosso melhor ao que de fato é melhor, ao principal alimento, aquilo que nos sustenta?

Lâmpada para os pés é a maneira com a qual enxergamos o caminho. Como um farol que guia uma embarcação, ou os óculos de uma pessoa míope, não temos como enxergar adequadamente a nossa vida, tomar as decisões corretamente se estivermos “às escuras”, se não pudermos ver, se nosso sentido principal nos tiver sido privado, e privado muitas vezes por nós mesmos, em nossa luta diária contra nossa carne.

Concluindo, Mateus 6:22 e 23 nos fala que “a candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz; se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso”. Com que lente temos enxergado a vida? Com a lente do mundo, do sistema que nos afasta de Deus, ou com a lente de Cristo, das Sagradas Letras, que nos aproximam do Senhor?

Se, ao lermos a Palavra, olhamos para ela e para a vida com os olhos de Jesus, tudo é iluminado, tudo é transformado, tudo se faz novo.

Se, contudo, não a lemos, ou se lemos com a intenção errada no nosso coração, sem a disposição ou motivação adequadas, como aquele homem e tantos outros relatos dos evangelhos nos mostram, e, principalmente, sem a condução do Espírito Santo, de nada adiantará; na verdade, ao contrário, isso nos levará cada vez para mais longe do Pai e de seus filhos, nossa família.

A minha oração hoje, então, é para que aprendamos a meditar cada dia mais na Palavra, mergulhar nas Escrituras, com o auxílio e no poder do Espírito Santo a nos moldar o caráter e a mente, operando uma mudança de paradigma, de cosmovisão, de valores, para que tomemos a sua forma e não a do mundo, cf. Romanos 12:2, e que em o fazendo, passemos a enxergar o mundo como ele realmente é, pela lente do Senhor que o criou.

Que Deus nos ajude a conhecermos cada vez mais toda a Escritura, que é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra, cf. a mensagem de Paulo em sua 2ª carta a Timóteo, capítulo 3, versos 16-17, a Palavra antiga que tem transformado os corações no decorrer da história e tem levado muitos homens e mulheres a entregarem suas vidas em dedicação a esta mesma Palavra que nos apresenta o nosso Senhor e seu precioso amor por nós.

Deus nos abençoe.