Sonhos esquisitos

Noite passada tive vários sonhos esquisitos.

Ora, já não é normal ter um sonho esquisito, que dirá vários.

Mas deixa eu contá-los, ou melhor, o que lembro deles.

Na verdade todos giravam em torno do tema de eu ser tio, pasmem, só não foram mais estranhos do que seriam se o tema fosse eu sendo pai, mas tudo bem, voltemos aos sonhos.

Nos sonhos, parte deles eu brincava com os filhos de Heliú, parte com os de Cynthia. Na verdade, se bem me lembro, em um sonho Cynthia tinha uma menina, e Heliú outra menina, e em outro Cynthia tinha duas meninas e Heliú um menino.

Veja que estranho, não sei se é por causa do vestibular e tal, e um dos livros indicados pela UFBA e que eu estudei é "Triste fim de Policarpo Quaresma", de Lima Barreto, mas o nome do filho do meu irmão era justamente Policarpo.

Acho que se Heliú for ler esse texto, ou Claudinha igualmente, certamente irá bolar de rir porque definitivamente eu acho que Policarpo não seria o nome primeiro a ser sugerido para o seu filho.

Aliás, acho que na vida só conheci um Policarpo, um garoto pobre quando eu era guri, e na verdade faz tanto tempo que não o vejo que não sei o que a vida fez dele.

Bem, mas no sonho também aparecia minha vó Vanda, aliás eu acho que era ela, não tenho certeza embora não ache que fosse mamãe até porque as duas são fisicamente muito diferentes. No sonho, sei lá porque, ela tinha perdido parte de um dos braços, tipo, um dos braços dela terminava no antebraço, pouco antes do punho, como se tivesse perdido em algum acidente ou doença, Deus a livre.

Sim, mas o mais curioso foi eu, mais velho no sonho mas ainda assim garboso, charmoso e tal, um pouco mais até do que a minha modéstia me permite admitir como meu estado físico atual ;), brincava com os gurizinhos, e era engraçado ver as "minhas sobrinhas" gritando pelo meu nome "tio Eliade, tio Eliade", veja isso, veja aquilo e tal.

Aliás, terminando esse post, talvez pelo fato de estar um pouco deprê esses dias, quando acordei e estava tomando meu "café", fiquei lembrando que Cynthia já tá casada, Heliú casa daqui a pouco, ou seja, é bem capaz de os sonhos, tirando a parte de Vovó, eu espero, se realizarem daqui a pouco tempo.

Espero, à época, já estar morando novamente próximo deles para curtir meus sobrinhos que vierem.

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Palestra

Ontem apresentei mais uma palestra sobre minha área de trabalho.

Não vou falar sobre o meu trabalho nem sobre a palestra em particular, mas sobre o que se passa na minha cabeça quando sou convidado a palestrar.

Primeiro, fico muito feliz e satisfeito em poder contribuir para a construção de conhecimento de outras pessoas.

Além disso, todas as vezes que sou convidado a falar sobre alguma coisa em algum lugar, é uma oportunidade de portas se abrirem, não só para mim como indivíduo, ou profissional, mas principalmente para a instituição que represento, afinal são contatos e relacionamentos formados, e quem não sabe como isso é importante no mundo de hoje?

Mas, também me sobrevém um sentimento de nervosismo, uma certa angústia de saber exatamente o que falar, qual o público que irá ouvir aquilo que tenho a falar, o que dizer e o que não deve ser dito, além do como fazer isso. Saber se o público é mais leigo ou já tem alguma base sobre o assunto também serve para direcionar o conteúdo da apresentação que irei fazer.

Terceiro, como um livro que li certa vez sobre falar em público sugeria, gosto de chegar cerca de meia hora mais cedo para testar o equipamento de som, o computador, retroprojetor ou outro equipamento de audiovisual, repassar as transparências, de maneira não só a tornar a palestra o mais fluida possível, mas também ajudar a diminuir um pouco minha ansiedade.

Ontem, pra variar, a lei de Murphy imperou, pois mesmo chegando mais cedo para fazer tudo isso, o notebook que levei não se entendeu com o datashow então tive que usar o computador do próprio local, que tinha uma versão diferente do software com o qual criei minha apresentação, então tive que exportar a minha palestra na versão compatível com o programa instalado o que acabou bagunçando todos os meus slides, e não havia tempo para corrigi-los. Lição para próxima vez levar já em vários formatos, inclusive em PDF que não tem essa frescura.

Cumpro também um certo "ritual" antes de cada palestra. Primeiro e mais importante oro, agradecendo a Deus a oportunidade, e pedindo para ser instrumento dEle em tudo quanto disser e/ou fizer, bem como que aquilo que irei proferir seja útil para os ouvintes. Também peço a Ele calma, e que tire de mim todo nervosismo, afinal, para quem não me conhece (e até para, provavelmente, o espanto daqueles que me conhecem) sou muito tímido e esse tipo de situação, ou seja, falar em público, me deixa muito nervoso. E por último, uso minha "arma secreta", um comprimido de propanolol uma hora antes para me deixar bem tranqüilo, relaxado.

Aqui cabem algumas considerações. Já fui professor por cerca de seis meses da classe dos jovens da Escola Bíblica Dominical da igreja que sou membro, e já dei inúmeras outras palestras e aulas, desde a época da faculdade, então não é a falta de experiência que me deixa nervoso. Além disso, não estava falando de um assunto que desconheço, mas que domino, então também não é nervosismo gerado por navegar em águas nunca dantes navegadas. Por último, quem me conhece sabe que quando fico nervoso começo a falar bem rápido, literalmente embolando tudo que digo, de modo que não é possível entender nada do que estou dizendo, por isso o propanolol, que ajuda a evitar esse embaraço.

Bem, é isso. Até a próxima palestra, que deverá ser daqui a duas semanas, se Deus quiser.

Fé?

Efésios 2:8 Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.

Resolvi começar este post com esse versículo porque quero falar um pouco, só um pouco mesmo, sobre fé.

Esta semana, ou na passada, não lembro bem, estava almoçando no shopping Barra com meu colega Vinícius, e, não sei por que razão, enquanto comíamos e conversávamos, o tópico parou em crença, fé, religião, algo assim.

Ele me falou o que achava do assunto e então pude emitir minha opinião, a de que crença não pode ser confundida com fé.

Eu posso crer em qualquer coisa, a própria constituição me garante essa liberdade. Se quiser crer que uma vaca é sagrada, que pedras têm o poder de fazer alguma coisa, que uma imagem de escultura representa um ser sobrenatural, que uma aparição é um fantasma, um espírito ou um ente querido que já se foi, ou até mesmo se eu decidir não crer em nada, eu não devo satisfações, à princípio, a ninguém.

Vejam os exemplos que eu citei, não são meros exemplos. São casos representativos de religiões das quais não participo e com as quais não concordo. Na verdade, ao contrário, segundo o que creio, e que está contido nas escrituras, leia-se Bíblia, tudo isso que citei como possível crença é falso, imaginativo ou até demoníaco.

Embora tenha feito essa referência ao meu colega, deixando bem clara minha posição, o que considerei mais importante foi destacar que fé não se confunde com mera crença porque crença pode não ser respaldada por nada, pode ser algo inventado, enquanto fé tem embasamento em alguma coisa, como experiências passadas (ainda que experiências sejam algo complexo de se explicar e, inclusive, nosso corpo biológico está sujeito a alterações psicossomáticas que podem "fabricar" experiências), ou textos sagrados, por exemplo.

Para mim, e concordo com um pastor que ouvi falar sobre isso certa vez, fé que não é baseada em algo concreto, racional, é mero "fideísmo", se é que existe esta palavra. Fé, como dom de Deus, é composta de várias facetas, e entre elas temos uma espiritual, uma emocional e uma racional, então a partir do momento que a "fé" não tem embasamento, é dissociada do seu fator racional, e vira superstição.

Superstição, isso é o que uma crença é se não tem bases sólidas, e é nesse frágil fundamento que as religiões em geral depositam sua confiança.

Terminando, a fé que recebemos não vem do nosso esforço, do nosso intelecto, do nosso emocional, e, a não ser que Deus nos dê essa fé, não creremos naquilo que afirmamos crer, será apenas uma superstição que cultivaremos no nosso interior.

Hebreus 11:1 diz "Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem". Com esse versículo embaso meu texto e opinião acima descritos.

Deus nos abençoe, dando-nos a fé que precisamos para viver confiando nEle, ou seja, a fé em Cristo Jesus, seu filho, nosso Senhor e Salvador.

Sim, Deus fala conosco

Neste último domingo pela manhã ouvi uma pregação na IBAM de um pastor americano falando como Deus fala conosco.

Ele usou o acrônimo BOCA, para dizer que Deus nos fala através da Bíblia, da Oração, das Circunstâncias, e dA igreja. É, esse último "A", foi meio forçação (acho que não existe esta palavra, o Word está aqui reclamando) de barra, mas deixa pra lá.

Não vou colocar aqui o que ele falou até porque não lembro tudo, mas uma coisa que ficou na minha cabeça martelando, e que tem tudo a ver com o mundo evangélico de hoje, onde se deseja desesperadamente reviver experiências do passado, como se o relacionamento com Deus fosse uma cartilha ou uma receita de bolo, foi que Deus fala com a gente de maneira pessoal, única, individual, e se levarmos em conta as histórias bíblicas, Ele pode falar com um filho de uma maneira tão particular que nunca mais outra pessoa experimentará algo semelhante.

Nesse sentido, ele citou como Deus falou como Moisés, ou seja, usando uma sarça ardente. Quantas vezes mais Deus falou com outra pessoa, na bíblia ou fora dela usando uma moita pegando fogo e não se consumindo?

Além disso, segundo o pastor, e confirmado pelas escrituras, Deus também falou com Noé utilizando uma arca e um dilúvio, que nunca mais se repetiram.

O pastor também citou o caso de Paulo, a quem Cristo se revela no meio do deserto entre Jerusalém e Damasco, como uma luz muito forte fazendo-o cair de cima do lombo de um animal.

De fato, Deus é tão criativo e possui iniciativas tão únicas – quem não se lembra do peixe grande engolindo Jonas, da brisa ao falar com Elias ou dos novelos de algodão de Gideão – que acho pouco provável Ele precisar repetir experiências para nos cativar, para chamar nossa atenção.

Veja você que hoje há pessoas que dizem que Deus só fala através de profecias, através de línguas estranhas, de visões, ou através do pastor P, bispo B ou "apóstolo" A, e não individualmente a cada um de nós.

Cuidado! Deus já falou até através de uma jumenta, então não há razão de crer que ele não fala mais conosco.

O que pode acontecer é estarmos tão surdos à sua voz que não reconhecemos mais quando o nosso Pai fala, entendermos errado o que Ele diz, ou mesmo ouvindo, simplesmente decidirmos por ignorar.

Além disso, cabe ressaltar que Deus não fala só conosco, como se fôssemos os únicos "merecedores" do seu favor, as únicas criaturas, por sermos seus filhos. Nem sequer merecemos sua graça que tão preciosa e constantemente derrama em nossas vidas, e ainda queremos impedir que outros também ouçam a sua voz? Deus falou com Balaão, por essa mesma jumenta que falei antes, e ainda com outros reis na história, como o próprio livro do profeta Daniel cita como exemplo.

Afinal, o fato de Deus se aproximar de nós, meros mortais, seres humanos, já indica o seu muito amor para conosco. Se para nós, filhos, Ele nos quer bem, nos quer conduzir pela mão, ensinar nos caminhos da sua verdade, muito mais aqueles que não são ainda filhos, o seu amor por eles enseja que eles ouçam a sua voz chamando-os pelo nome e dizendo "venham ser também meus filhos, experimentar do meu perdão, do meu amor".

Concluindo, em 1 Samuel 3, a palavra de Deus fala que naquela época era incomum Deus falar através de visões, e havia tempo o Senhor não se manifestava até que resolve falar de maneira audível com Samuel. Novo "silêncio" de Deus verifica-se no período inter-testamentário, por cerca de 400 anos sem se levantar um profeta verdadeiro.

Será que hoje estamos com excesso de profetas afirmando que Deus fala com cada um deles (e com cada um uma coisa diferente e conflitante com o que falou com os demais), será que estamos realmente ouvindo a voz de Deus, ou será que mais uma vez Ele se calou esperando um novo Samuel para quem vai revelar o mais profundo e íntimo do seu coração?

Creio que Deus não está calado. Ele continua a falar através da bíblia, da oração, das circunstâncias e da igreja. Pode acontecer dEle resolver se manifestar através de algum sinal visível e sobrenatural, assim como também pode acontecer de Ele acalentar nosso sono com algo que vai fazer o nosso dia seguinte ser bem diferente, bem melhor do que seria de outro modo.

Deus nos abençoe, nos abrindo os ouvidos para ouvirmos a sua voz, nos dando o entendimento para discernirmos o que realmente vem do Pai, e operando em nós tanto o querer como o efetuar de maneira a pormos em prática a sua palavra.

Vida medíocre

Há um tempo eu tava malhando na academia do meu prédio e ouvi, de rabo de orelha, a instrutora conversando com uma "malhante" – ambas, pela desinência de gênero que usei, são, obviamente, do sexo feminino – discutindo como a vida, para as duas, era muito medíocre.

Fiquei prestando atenção por alguns instantes no que elas falaram, nos argumentos que uma disse à outra, e sinceramente não me surpreendi. Uma falou que achava a vida monótona, medíocre, porque ela vivia para trabalhar, e trabalhava apenas para pagar as próprias contas e comprar alguma coisa, eventualmente trocar de carro ou coisa do gênero.

A outra concordou e enquanto comentava por sua vez, eu fui fazer um exercício em outra máquina e deixei de escutar a conversa alheia.

No entanto, tanto tempo depois ainda me pego pensando no que as duas conversaram. Como quem não conhece Jesus, quem não tem o mestre como Senhor de sua vida, passa por essa vida de qualquer jeito, passa apenas, não vive de verdade.

A vida para quem não tem Jesus no coração começa com um buraco, um vazio existencial. A experiência de viver nunca será completa, sempre será, no máximo, medíocre, se pensarmos como essas duas moças que citei.

A pessoa que vive para trabalhar, e trabalha para viver, ou seja, um círculo que não sei nem se chamo de virtuoso ou vicioso, claramente não aproveita a vida, especialmente da forma que Deus nos preparou para vivê-la, não sabe o que é a vida abundante de que a Bíblia fala.

Encarar a vida como medíocre é não reconhecer os belos pores-do-sol como criação do Pai, não saber o carinho do Espírito Santo afagando o nosso coração em um momento de dor, de angústia, e não ter a companhia do melhor amigo que há, Jesus Cristo, o senhor que nos eleva da categoria de servos para a de amigos, Aquele que deu a sua própria vida por nós, para que não experimentássemos essa vida medíocre que muitos vivem, por ignorância ou vontade pessoal, mas vivêssemos uma vida para além daquilo que pedimos ou pensamos.

Deus nos abençoe, no sentido de recebermos dEle a alegria de servi-lo em uma vida que tem tudo menos mediocridade, sabendo que Ele tem um plano para cada um de nós, visto que, por ter nos criado, sabe quem somos pelo nome, mais do que nós mesmos nos conhecemos.

Maximizando as chances. Será?

Esta é a última semana do cursinho de revisão para o vestibular que estou fazendo no Oficina.

Antes de começar propriamente dito o post que estou escrevendo, e não é uma questão de propaganda, mas como diz a Bíblia, "a quem honra, honra", o cursinho é muito bom, e realmente, em minha opinião, faz o que pode e até mais do que isso para melhor preparar o aluno, tendo em vista a exigüidade do tempo que dispõe, três semanas, para revisar todo o conteúdo a ser cobrado pela UFBA em seu vestibular.

Dito isso, gostaria de lembrar que minha intenção inicial ao me matricular nesse cursinho era revisar, obviamente, o conteúdo programático para o vestibular que irei fazer este final de semana que vem, ou seja, fazer a minha parte, confiando que Deus irá fazer a dEle, seja qual for.

Se, por um lado, poderia pensar que fazendo esse cursinho, dando um duro danado essas três semanas indo dormir 10 e pouco da noite para acordar às 6 da manhã todos os dias, estudando, trabalhando e malhando, sem relaxar ou fazer qualquer um de meus hobbies, maximizo minhas chances frente à concorrência do vestibular, por outro lado penso se realmente maximizarei qualquer chance de todo jeito.

Veja se você consegue acompanhar meu raciocínio.

Creio que o plano é de Deus em me colocar ou não no curso de Direito, independente de ser na federal ou não, mas digamos, por hipótese, que seja na federal.

Sim, cabe-me fazer a minha parte e penso que Deus não irá fazê-la por mim. No entanto, penso que quando Deus quer alguma coisa, 0% de chance torna-se em 100%, assim como se Ele não quiser alguma coisa, 100% de chance vira 0%, pois nenhum de seus planos pode ser frustrado.

Entendo que Deus é soberano para fazer, deixar de fazer e até proibir que se faça. Ele é Deus e Senhor da minha vida e não deve explicações a mim por nenhum de seus atos.

No entanto, sabemos que nem tudo que acontece é da "vontade" de Deus. Neste ponto, cabe fazer uma distinção do que seria a vontade de Deus.

Tudo que acontece no mundo é conhecido por Deus, e Ele até permite que as coisas aconteçam, mesmo más, para um propósito específico que muitas vezes não iremos entender.

Veja o que aconteceu com Jó, que Deus permitiu a Satanás arruinar sua saúde, matar sua família, deixá-lo na pobreza, mas Jó permaneceu fiel, e posteriormente Deus restituiu em muitas vezes o que ele tinha perdido.

Não tenho como explicar terremotos, furacões e tsunamis que matam centenas de milhares de pessoas e certamente não atribuo essas catástrofes à vontade ativa de Deus, ainda que, soberanamente, como já falei, como criador de todos nós, Ele detenha o direito de fazê-lo, e ao ler as escrituras veríamos que não seria uma coisa inédita (vide o dilúvio).

Ou seja, resumindo, há duas vontades de Deus, uma permissiva, onde ainda que Ele não concorde ou opere em determinada situação, Ele permite, vez que oniscientemente sabe o propósito que aquilo tudo irá alcançar, e uma volitiva, ou ativa de Deus, onde Ele age mudando circunstâncias, situações, quebrando leis da natureza e tudo mais que for necessário para ver seu plano cumprido.

Bem, mas já divaguei bastante, até demais, e devo voltar ao assunto. Seguindo meu raciocínio, dá pra perceber que é impossível um plano de Deus falhar, e se for plano de Deus para minha vida eu passar no vestibular, me pergunto, será que realmente eu maximizaria minhas chances estudando, me preparando, freqüentando esse cursinho?

Difícil dizer.

A princípio seria um não, já que, nos finalmentes, a nossa ação pouca (ou melhor, nenhuma) influência teria no processo como um todo. Mas, contudo, todavia, entretanto, senão, não obstante, trilhando o caminho entre o calvinismo e o arminianismo (se é que existe tal caminho), penso que Deus nos dá uma relativa liberdade, um semi-livre-arbítrio, digamos assim, do qual já falei aqui mesmo no meu espaço sem espaço, onde somos como peixes que vivem livremente no ambiente aquático, mas morrem se "resolverem" sair para a terra, ou seja, podemos agir de certa forma livres, desde que nos limites de sua vontade, seja ela passiva ou ativa.

Essa liberdade, ou semi-liberdade, é que me faz responder pelas conseqüências de meus atos de jogar os livros pra cima e desistir de estudar, "confiando" (porque aí pra mim já não seria confiar-depender, mas "confiar"-vagabundear) que Deus tem um plano de me levar a cursar Direito noturno na UFBA à partir do próximo ano (será que Ele tem mesmo?), ou fazer a minha parte, deixando que Deus faça a dEle, sabendo que seja qual for, ela é boa, perfeita e agradável como diz sua Palavra.

Já falei aqui antes e por isso não vou repetir, mas creio que Deus tem tipos distintos de bênçãos, para determinadas pessoas em situações específicas, e se este for o caso em que Ele tenha uma benção condicionada a eu fazer a minha parte, e eu não fizer, quem perderá serei eu, ainda que Deus tivesse me ofertado essa oportunidade que "deixei passar".

Não sei ao certo se tudo que escrevi acima faz/fez sentido, nem sequer se é verdade, teologicamente ou qualquer outro mente falando, mas, concluindo, independente de, de fato, maximizar, ou não, minhas chances, sejam elas quais forem, continuo crendo que devo fazer minha parte naquilo que me cabe, e continuo crendo que devo confiar em Deus, descansando nEle pois sei que Ele não falha, o Senhor é fiel e cuida de mim melhor do que eu poderia cuidar, pois Ele me criou e me conhece mais do que eu mesmo.

Deus nos abençoe.

Vidas secas, ainda mais secas

Tive essa semana aula de literatura no cursinho pré vestibular que estou frequentando e a professora falou sobre o livro Vidas Secas, de Graciliano Ramos.

Além do recurso computacional do powerpoint que ela usou, ela também mostrou trechos do filme, creio eu da década de sessenta, por estar em preto e branco, o qual é bastante fidedigno ao livro.

Esse é, particularmente, um dos meus livros favoritos. Primeiro porque trata de uma realidade com a qual me identifico bastante, o fenômeno do êxodo rural, motivado, entre outros fatores, pela seca que assola o sertão nordestino, já que eu nasci no interior do Ceará, área bastante afetada por esta situação.

Lembro-me diversas vezes ter visto retirantes indo embora da minha região por causa da seca, ou da indústria da seca, melhor dizendo, que há tanto tempo poderia ter resolvido, ainda que parcialmente, esta tragédia humanitária e não faz nada, digo, os governantes da área atingida.

Fiquei pensando, outro professor tinha perguntado quem era do interior e só eu, praticamente, levantei a mão, que os guris presentes na sala de aula vivem em uma realidade tão distante da descrita no livro, e tão próxima de nós que moramos no Nordeste, ainda que na capital.

Pensei que é difícil realmente entender o que se passa com aqueles homens, mulheres, crianças e animais que precisam sair de suas roças, caminhando dias até a cidade, em busca de água para beber, em busca de trabalho, já que a vida no campo morreu como as plantas pela falta de chuva.

É difícil para eles que nunca viram essa cena com seus próprios olhos, senão pela página de um livro ou tela de cinema, quando muito, terem empatia com essas pessoas que também são seres humanos como nós.

Cheguei a me emocionar um pouco na aula, e essa semana mesmo, um dia que estava na academia do prédio malhando de manhã cedo, e vi na tv uma repórter falando sobre justamente isso, a seca no semi-árido nordestino, e mostrou imagens de sertanejos do interior das Alagoas, Ceará e Bahia.

Concluindo esse post, me lembro de quando vim para Salvador pela primeira vez, há 15 anos, eu morava em Iguatu, no centro-sul do Ceará, e viemos, meus colegas da oitava série do, à época, primeiro grau, hoje ensino fundamental, e eu, de ônibus, percorrendo os interiores do Ceará, Pernambuco e Bahia, até chegar à esta capital, e presenciamos algo que nunca mais eu, e tenho certeza que eles também não, iria esquecer, cenas onde o nosso ônibus passava pela estrada de terra, visto o asfalto há muito ter se acabado em meio aos buracos, em pleno calor, sol escaldante, poeira levantada pelo vento bem ao estilo de filmes de velho oeste, e pessoas, moradoras da região, correndo lado a lado com o veículo gritando, esfomeadas, maltrapilhas e decrépitas que pelo amor de Deus jogássemos algo para elas comerem, pois elas estavam literalmente morrendo de fome.

Essa cena nunca me saiu da cabeça, especialmente porque uma das pessoas que jogou, e muita, comida para fora do ônibus para que as pessoas pegassem, era um colega meu que, pelo menos à época, já que desde então não o vejo, era uma das piores pessoas que já conheci até hoje. Se até ele sentiu empatia, por que nós, muitas vezes somos incapazes de ter este sentimento, tomar esta decisão, e agir conforme ambos?

Deus nos abençoe.