Impactando vidas

Estava esses dias pensando com meus botões sobre a diferença que fazemos ou causamos na vida das pessoas, o impacto que somos capazes de gerar, positivo, negativo, ou nenhum (neutro).

Lembrei de uma situação que ocorreu há alguns anos, quando eu convivia, em razão de um relacionamento passado, com uma velhinha em estado avançado de Alzheimer, que todos os dias quando eu chegava para namorar sua neta essa senhora vinha me perguntar quem eu era, e coisa e tal (lembrem-se que essa doença, no que conheço em minha ignorância médica, impede as pessoas de reter suas memórias recentes), ao que eu sempre lhe respondia de maneira bem animada o que eu tinha ido fazer ali, meu nome etc., as vezes até tirava uma brincadeira com ela do tipo “Dona Rute, a senhora acreditaria se eu dissesse que sou o seu namorado?”, e ela ria, enfim, até que (chegando onde queria chegar) um dia, sem ninguém lhe dizer nada, quando entrei em sua casa, ela apontou pra mim e perguntou à minha sogra de então “é o Eli?” (lá me chamavam assim), e ela ficou meio branca (mais do que já era), meio desconcertada e sem resposta, e não sabia se ria ou se chorava da reação da mãe de ter guardado, por algum “milagre” e apenas momentaneamente (voltou a esquecer-se, “normalmente”, após algum tempo) o meu nome.

Eu não estou sugerindo um milagre, ou que eu tenho um impacto tão profundo na vida de ninguém, mas as vezes (eu diria a maioria das vezes) todos nós geramos nos outros com quem nos relacionamos sentimentos os quais não conseguimos entender, medir, sequer (re)conhecer.

Como diz a batida citação do livro “O Pequeno Príncipe”, “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”, e é verdade mesmo, de um jeito ou de outro nós nos tornamos importantes para os outros, e ouso dizer que quem não se torna importante é porque não conviveu, não se relacionou, não amou, não se deu, não se abriu, é uma pessoa que se isolou do mundo, de tudo e de todos, numa redoma, como um ermitão numa caverna perdida de uma floresta distante.

Essa história e aquela situação marcaram minha vida, e tenho certeza que como essa são tantas outras na minha e na sua vida, por isso reflita um pouco sobre que tipo de impacto você está produzindo, se as pessoas vão se lembrar de você pelas coisas boas que você deixou, se você terá sido importante, ou se apenas pelos traumas gerados, ou (talvez pior), não se lembrarão de você de jeito nenhum, pois você foi insignificante para elas.

Deus nos abençoe e nos capacite a sermos sempre impactantes em nossos relacionamentos, se não por nós mesmos, por amor a Cristo, para que por meio de nós, daquilo que Ele fez e faz em nossas vidas, seu nome seja conhecido e glorificado, Ele seja amado e seguido.

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O exemplo de Maria – feliz dia das mães!

Disse então Maria: A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador; porque atentou na baixeza de sua serva; pois eis que desde agora todas as gerações me chamarão bem-aventurada, porque me fez grandes coisas o Poderoso; e santo é seu nome. – Lucas 1:46-49

E [Jesus] desceu com eles, e foi para Nazaré, e era-lhes sujeito. E sua mãe [Maria] guardava no seu coração todas estas coisas. – Lucas 2:51

Sua mãe [Maria] disse aos serventes: Fazei tudo quanto ele [Jesus] vos disser. – João 2:5

Desde cedo acordei com esses textos em minha cabeça, lembrando-me de um culto ecumênico em celebração ao dia das mães que participei no trabalho, ainda em Salvador alguns anos atrás, no qual tive a oportunidade de levar uma palavra das Escrituras aos presentes, e refleti sobre a maternidade sob a ótica da vida e do exemplo de Maria, mãe de Jesus.

Não sendo católico, me causa um certo estranhamento, possuindo cerca de 90% de conhecidos e amigos do Facebook nominalmente pertencentes a essa religião, não ter visto sequer uma mensagem de dia das mães que a mencionasse.

Não vejo isso, necessariamente como um problema, e como batista respeito muito seu exemplo, sem considerá-la demais, nem fazer dela pouco caso ou desprezá-la como uns e outros costumam fazê-lo.

Maria, então, pra não esticar a conversa, a meu ver traz em sua vida, como falei, diversos exemplos de características que as mulheres em geral, especialmente as mães, podem seguir:

1) ela soube reconhecer sua pequenez, especialmente perante um Deus tão grande. A honestidade de autoestima (sua humildade), é uma das principais marcas de uma mulher e uma mãe que teme a Deus;

2) ela compreendeu corretamente a fonte e o alvo de seu louvor e de sua alegria. Enquanto muitos de nós hoje, e vou fazer menção às mães, colocam nos filhos sua fonte de alegria e sua razão de viver (o que é um peso de responsabilidade que muitos não tem condição de arcar, e que gera uma expectativa muitas vezes doentia em suas mães), muito embora eles tenham sim enorme importância, Maria em todo momento entendeu que Deus, o Senhor, era o principio e o fim de tudo aquilo que de bom lhe estava a acontecer;

3) ela se colocou no devido lugar, sabendo que importante era não ela, a mãe do vindouro Messias, mas seu Filho propriamente dito, Filho de Deus e Deus mesmo. Isso é importante porque muitas mães apegam-se às glórias dos filhos e fazem delas suas próprias, e não que isso seja ruim, mas torna-se quando a mulher passa a vangloriar-se disso, exaltando-se para além do necessário, ou ainda quando se coloca “na conta” do sucesso de seu filho como única ou maior responsável (embora tenha sim imprescindível papel);

4) ela guardava em seu coração (meditava) as coisas que não conseguia compreender. Muitas mães, no afã do cuidado, por inexperiência ou outra razão, querem resolver tudo por seus filhos enquanto isso nem sempre é possível, quando normalmente as experiências da vida são aquilo que tornarão seus filhos em homens e mulheres maduros e independentes. As coisas da vida de Jesus que Maria não conseguia compreender ela não reclamava, não brigava com seu filho, não se apavorava, antes confiava em Deus e esperava o desenrolar da história para que então entendesse corretamente o que se passava e suas consequências. Como essa sabedoria é necessária hoje em dia, quando muitas mães querem assumir o volante da vida de seus filhos, conduzindo-os na direção que consideram boa, mas tolhendo-lhes o direito de tomar suas próprias decisões. Precisamos então, mães, ter a sabedoria e o discernimento de guardar, de esperar, de ajudar dentro do solicitado, entendendo que os filhos são nossos (seus), mas que são da vida (e possuem vida própria);

5) finalmente, ela sempre apontou para Cristo. É grande a tentação de apontar para si como exemplo, ao invés de reconhecer em outros esse papel, ou mesmo entender que o filho já cresceu e ele também é fonte de exemplo. Mas, sobretudo, no âmbito espiritual, Maria reconheceu que Cristo é que era o mestre e Senhor, era Ele quem deveria ser obedecido, a proeminência era dEle e não dela, ela também serva, cujo exemplo muitas mães falham em entender ainda hoje.

Com o exemplo de Maria em mente, desejo a todas as mães, em especial à minha (bem como à minha avó ainda viva, e demais tias), um excelente dia das mães, sob a graça e a paz do Senhor.

Deus vos (nos) abençoe!

Desviados 2

E aconteceu que, indo eles pelo caminho, lhe disse um: Senhor, seguir-te-ei para onde quer que fores.
E disse-lhe Jesus: As raposas têm covis, e as aves do céu, ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça.
E disse a outro: Segue-me. Mas ele respondeu: Senhor, deixa que primeiro eu vá a enterrar meu pai.
Mas Jesus lhe observou: Deixa aos mortos o enterrar os seus mortos; porém tu vai e anuncia o reino de Deus.
Disse também outro: Senhor, eu te seguirei, mas deixa-me despedir primeiro dos que estão em minha casa.
E Jesus lhe disse: Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás, é apto para o reino de Deus. – Lucas 9:57-62

Não, não acredito em perda da salvação. Não é o tema desse texto, mas é logicamente impossível perder algo por demérito que não se conquistou por mérito próprio (nesse contexto, pelo menos).

Acredito na não salvação, ou ainda mais claramente nos efeitos que a palavra de Deus tem quando não encontra um solo fértil para frutificar (ou melhor, dos solos/corações que a recebem), como Cristo descreveu na parábola do semeador (Lucas 8:5-18), quais sejam a empolgação inicial de um “novo crente”, o apagar de sua “fé” pelas decepções com o meio religioso-eclesiástico, a sucumbência às pressões sociais e do meio onde está inserido, a prevalência da dúvida, a falta de bases sólidas e alimento espiritual para o seu crescimento, enfim.

E creio também que muitos que estão entre nós tem aparência de crente, “cheiro” de crente, falam como cristãos (ou pelo menos usam seus jargões de um evangeliquês raso mas convincente), mas não são verdadeiramente salvos, convertidos, transformados, joios em meio ao trigo, como diz o Senhor (Mateus 13:24-30), cujas obras que permanecerem essas darão testemunho verdadeiro de sua salvação (ou não salvação).

Por que lembrei desse texto e resolvi escrever a respeito dele? Porque tenho visto mais e mais pessoas com as quais convivi no meio religioso, muitas delas que trabalharam na obra de Deus como obreiros, missionários, evangelistas, cantores, e hoje estão distantes do caminho do Senhor, vivendo o oposto do que tanto pregaram e cantaram.

Sei que os que foram verdadeiramente escolhidos, eleitos de Deus em Cristo Jesus, como filhos pródigos um dia retornarão para a casa do Pai.

No entanto, lembro também das palavras do apóstolo João:

Filhinhos, é já a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também agora muitos se têm feito anticristos, por onde conhecemos que é já a última hora.
Saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós. – 1 João 2:18,19

Os desviados, que nunca foram cristãos, na verdade se tornaram em anticristos, lutam contra o Senhor, desprezam o seu amor, a sua Palavra, o seu sacrifício, estavam (e estão) em nosso meio, cantam com a gente, falam como a gente, vão para as nossas programações, mas a verdade é que só o tempo dirá que são apenas joio, como palha que é levada pelo vento e não tem substância.

Isso deveria nos mover de compaixão por suas almas, nos causar uma santa indignação, e não sermos por eles enganados e levados ao mesmo erro que cometem.

Deus nos abençoe e guarde.

Desviados

Ontem, conversando com alguns amigos, fiquei triste ao saber que conhecidos meus de tempos passados, ex líderes de jovens em suas respectivas igrejas, que serviram ao Senhor e até abraçaram a obra, tinham se desviado, “chutado o pau da barraca”, indo para o mundão “com gosto de gás”.

Embora falho como todo ser humano e como todo ser humano sujeito a esse mesmo processo de queda, se não me cuidar (cf. 1 Coríntios 10:12), é algo que honestamente nunca vou entender, pois apesar de conviver com uma humanidade falha, pessoas que nos deixam na mão, nos desapontam, cometem todo tipo de sacanagem comigo e com você, eu inclusive infelizmente, o meio religioso, onde essas histórias deveriam menos acontecer, ainda é palco para que muitas vezes continuem ocorrendo, no entanto, a mais remota hipótese de contemplar o mundo como uma alternativa viável e razoável à qualquer igreja, por pior que seja, não me atrai de nenhuma maneira, não tem qualquer resplendor por mais ilusório que pareça.

Ver homens e mulheres outrora dedicados ao Senhor hoje entregues às falsas alegrias que o mundo afirma proporcionar, e não preciso entrar em detalhes, me faz refletir sobre a minha própria fraqueza e humanidade. Penso com meus botões sobre seus líderes, pastores, que devem chorar em seus corações de angústia ao ver suas ex ovelhas tão distantes dos caminhos do Senhor sem nada poderem fazer. Não tenho como ficar feliz ao vê-los dessa maneira, embora certamente agradeça a Deus por, apesar das inúmeras “oportunidades” de também estar lá, Ele mesmo ter me preservado de tamanho sofrimento, mantendo-me sempre perto dos seus caminhos, mesmo quando eu mesmo me achava distante.

A minha oração hoje é que encontremos no Senhor bases firmes para construir a nossa casa sobre a rocha que é Cristo, não pessoas, entendendo que mesmo nos desapontando, decepcionando e traindo, o que não justifica mas explica seu comportamento, elas continuam sendo gente como a gente, e isso não deve ser razão para abandonarmos a igreja, comunidade terapêutica que como hospital deve sempre ser lugar de tratamento para os cansados e abatidos (embora não dirigida por loucos como um hospício às avessas, que é o retrato de muitas comunidades religiosas hoje infelizmente). Pastores também são homens como nós e suas possibilidades de alcançar suas ovelhas só vai até onde elas se permitem tratar, admoestar, mesmo como os animais, com batidas na pata pelo cajado se preciso for, e se como ovelhas nos revoltarmos contra esses chamados de atenção e fugirmos para longe dos caminhos do Senhor, nós mesmos seremos os principais prejudicados.

Deus nos abençoe.

Estudo EBD 06/12/2015 (Isaías 29)

O capítulo 29 de Isaías continua sob o mesmo contexto do capítulo 28, ou seja, após Deus, através do profeta, ter trazido uma palavra de revelação a respeito da destruição que iria acontecer com as nações ao redor de Israel/Judá, e falar sobre aquilo que cada povo tinha de mais precioso e para o qual o povo de Deus olhava e confiava nessas coisas ao invés de em Deus, e que o Senhor iria destruir, como prova de que devemos depender e confiar somente nEle, temos agora o relato do que iria acontecer especificamente com Israel, primeiro por essa condição, ou seja, de depender dos outros povos e não de Deus, e depois em razão de outros pecados que já não tinham a ver com outros povos.

Os primeiros dois versículos retratam Jerusalém como Ariel, palavra que pode significar duas coisas:

  • a primeira dessas coisas é “Leão de Deus”, já que Jerusalém era forte como um leão na percepção dos povos ao seu redor;
  • a segunda é “altar de Deus”, uma vez que lá ficava localizado o templo do Senhor, onde, na percepção do povo, Deus habitava, e no contexto dessa profecia, indicava o futuro sangrento de Jerusalém, que seria sitiada pelos seus inimigos.

O verso 1 traz ainda a expressão “acrescentai ano a ano, e sucedam-se as festas”, o que alguns comentaristas afirmam que, nesse contexto de início de uma profecia, significava o marco temporal para quando a mesma iria se realizar (pelo menos a primeira metade da profecia, como veremos), ou seja essa palavra começaria a acontecer depois de decorrido um ano.

Isso é importante porque apesar de Isaías trazer uma palavra de “desgraça” e destruição, como já vimos até aqui no chamado do profeta, a mensagem que Deus levaria ao povo através dele não seria ouvida (Isaías 6:9,10), ou seja, ninguém daria a devida importância, não causaria o clamor nem o pesar nem o arrependimento nem o medo que uma palavra de tal ordem deveria causar.

Além disso, vejam que o povo iria continuar na sua vidinha diária, fazendo seus afazeres, e inclusive, pelo costume, participando de manifestações de cunho religioso (as festas da páscoa, do pentecostes e dos tabernáculos), “espiritual”, mas que na verdade não tinham base nenhuma, nenhum significado, era só aparência, só “casca”, era só pra “cumprir tabela”, não demonstravam verdadeiro arrependimento e uma vida consagrada de verdade, e nós sabemos que Deus não se importa com aparência, não se importa com meros rituais, hoje não é assim e já não era no antigo testamento, apesar do contexto e da realidade social serem bem diferentes dos nossos após a primeira vinda de Jesus. Para eles aquilo tudo era uma obrigação burocrática como qualquer outra, e só.

Então imagine aí você como profeta trazer a mensagem que vamos ver agora para o povo, uma mensagem terrível, e o povo não estar nem aí, como será que você enquanto profeta ficaria, e Deus enquanto Senhor daquele povo?

A mensagem de destruição é a que se encontra nos versículos 2 a 16 que tem algumas características que vale a pena ressaltar.

A primeira delas é que é Deus mesmo quem exerce o juízo. Vemos que os verbos estão todos conjugados na primeira pessoa, ou seja, é Deus falando que vai agir. Veja: “porei a Ariel em aperto” – v. 2; “te cercarei com o meu arraial, e te situarei com baluartes, e levantarei trincheiras contra ti” – v. 3; “Do Senhor dos Exércitos será visitada” – v. 6; “Porque o Senhor derramou sobre vós um espírito de profundo sono e fechou os vossos olhos. Mesmo que Deus vá usar os povos ao redor de Israel para exercer esse juízo, como vemos no verso 5, é dEle que vem esse castigo, não é algo sem um propósito ou aleatório.

A segunda, como vimos no capítulo 28, versos 10-13, fala novamente sobre o fato do povo não querer ouvir a mensagem, estar completamente cego, surdo e de fato sem entendimento a respeito da mensagem. Como no capítulo 28, é como se Deus falasse como uma criança de colo, palavras balbuciadas sem sentido, as quais não é possível entender, ou mesmo em um idioma desconhecido que não pudessem traduzir, e aqui no capítulo 29 Deus traz novamente uma alegoria para descrever essa situação de descrença do povo, quando diz que derramou sobre o povo um sono profundo, ou seja, as pessoas estavam embriagadas de sono ao ponto de não entenderem direito o que estava se passando ao redor delas.

Cá entre nós, quantos de nós já não experimentamos uma situação assim onde de tão bêbados de sono não sabemos o que está acontecendo com a gente? Eu lembro que quando eu morava no Cambeba, tinha dias que eu voltava da faculdade (eu faço faculdade no centro) tarde da noite que eu não fazia ideia como chegava em casa, só sabia que eu tinha chegado e agradecia a Deus por ter cuidado de mim no caminho. Agora imagine que eu senti a proteção de Deus nessa situação, e se fosse o contrário, se fosse o castigo de Deus? Nós não saberíamos nem o que tinha nos atingido.

A terceira é que de uma situação confortável de alegria, de festa, de prazer, divertimento, repentinamente a situação iria se transformar em tragédia, em dor, em lamento, em choro.

Nos versos 10-12, vemos três novas situações, ou seja, 1) a profecia de Deus não alcançou o povo porque eles estavam “como que dormindo”, sem prestar atenção à sua voz e a todo o cenário que estava sendo montado ao redor de Israel; 2) a profecia de Deus era como um livro selado, o qual as pessoas não podiam ler por causa do selo – e nesse caso, o verso diz que a pessoa que recebe o livro até sabe ler, mas não consegue por causa do selo do livro e aqui não sabemos que tipo de selo é esse, já que antigamente existiam vários tipos de selo, mas o importante é saber que o livro da profecia acabava sem ser lido; e 3) o livro da profecia era dado a quem não sabia ler, que não lia por essa razão. Se prestarmos bem atenção podemos distinguir então que o povo é comparado a esses três tipos de pessoas, que possuem algo em comum, elas não recebem o conteúdo da mensagem, não conhecem a profecia do Senhor, mas cuja responsabilidade era pessoal, fosse por inércia, por falta de cuidado, falta de correr atrás, falta de auxiliar o próximo, fosse porque fosse aquele povo não era inocente e não poderia alegar isso.

Agora vamos prestar atenção em duas coisas que chamam a atenção na forma como está descrito o castigo de Deus: o castigo que Deus dá a Israel seu filho é moderado, Ele age por meio da Assíria utilizando meios de guerra normais, cuja extensão dos danos, o medo causado, tudo é “razoável”; nos versos seguintes vemos o castigo que Deus dá aos outros povos, em especial à própria Assíria, que é muito maior, e ele utiliza de analogias com desastres naturais para mostrar com que poder Deus causaria aquela tragédia. Isso significa que apesar de todo o pecado, Israel ainda recebia da misericórdia e do amor de Deus. Vejam que a Assíria estava sitiando Jerusalém no governo de Ezequias, conforme 2 Reis 19:32-35. 185 mil homens morreram em uma só noite, só um cataclismo de proporções bíblicas para causar tamanha destruição em período tão curto de tempo, o que demonstra o castigo superlativo de Deus sobre os Assírios.
Mas tudo que a gente falou até agora tem uma razão de ser, que é a hipocrisia do povo, conforme vemos no v. 13.

De fato, esse versículo é citado por Jesus em Mateus 15:1-20, especialmente o v. 8,9.

O que isso quer dizer, que as pessoas, pela sua religiosidade vã ao invés de aproximar o homem de Deus fazem é afastá-lo na medida em que impõe sobre si pesadas cargas, regras e mais regras do que pode ou do que não pode ser feito como faziam os fariseus, ou seja, uma religiosidade vazia, de aparência, sem mudança interior, como o povo de Israel da época de Isaías, da época de Jesus, e como infelizmente muitos de nós continuamos a ter ainda hoje.

Segundo um comentarista:

Todos nós somos capazes de agir de modo hipócrita. Muitas vezes caímos em padrões rotineiros em nossa adoração e tornamo-nos negligentes quanto à oferta de nosso amor e devoção a Deus. Se desejamos ser chamados de povo de Deus, devemos ser obedientes e adorá-lo sincera e honestamente.

Além disso, para quem vem acompanhando as profecias desse primeiro terço do livro de Isaías percebe que os líderes políticos e religiosos do povo procuravam outras nações para fazer alianças “por baixo dos panos”, de modo que confiavam nessas alianças e não em Deus para sua proteção. No entanto, Deus deixa bem claro que não foi “surpreendido”, nada ficou oculto a Ele, como vemos no v. 15, ou seja, quando pensamos que podemos esconder algo de Deus, ou fazer algo às escondidas, podemos ter a certeza de que Deus está vendo. Ao contrário, o Salmo 139, especialmente os vv. 1-4 falam sobre a certeza de que Deus tudo sabe, tudo conhece, tudo vê e de que nada podemos esconder dEle.

No verso 16 tem uma das partes desse capítulo que mais me chama a atenção, sobre Deus falando de como as pessoas tencionam fazer dEle, Senhor, em servo, e de nós, servos, em senhores. É uma inversão de papeis. Nada muito diferente, por exemplo, do que muitos fazem hoje em dia quando dizem “determinar” o agir de Deus, “declarando” algo, como se Deus tivesse a obrigação de fazer o que essa pessoa está dizendo, como se Deus fosse um gênio da lâmpada à nossa disposição todo o tempo para fazer tudo que pedirmos, indiscriminadamente, como um pai estraga seus filhos mimados ao fazer tudo que querem. Mas não, Deus não age dessa forma!

Além disso, é muito fácil para nós dizermos que queremos ser os senhores do nosso nariz. Quem nunca ouviu alguém dizer algo do tipo, ou mesmo chegou a dizer esse tipo de coisa? Na verdade, fomos criados para sermos dependentes de Deus e uns dos outros e toda forma de pecado de um modo ou de outro demonstra nossa vontade de sermos independentes do Pai. É como a figura de linguagem usada no texto, de um mero objeto criado dizer ao seu criador que não foi Ele quem o fez, que Ele não sabe o que está fazendo.

A segunda parte dessa profecia de Isaías diz respeito provavelmente ao reino vindouro de Cristo. Tem um caráter bem escatológico e vemos as injustiças serem corrigidas, o que ainda não ocorreu. Parte dessa profecia, porém, tem cumprimento já na primeira vinda de Jesus [Mateus 11:5. Jesus quando falou aos discípulos de João essas palavras, certamente tinha em mente essa profecia de Isaías que se referia ao futuro messias, Ele mesmo, e não apenas isso, mas que João Batista também conhecia essa promessa, e que confrontado com aquela realidade reconheceria que Ele era aquele de quem a Escritura falara].

É interessante notar essa contraposição da injustiça que o mundo experimenta e a proposta de Jesus, porque a lógica do mundo é outra. No mundo a paz é a ausência de conflito, em Jesus podemos sentir paz em meio à tempestade como de fato muitas vezes ocorreu com seus discípulos e acontece com a gente muitas vezes também. Percebam que aqui temos surdos que ouvem, cegos vendo, tiranos sendo humilhados etc. Esse exemplo é muito claro quando vemos as palavras de Jesus no sermão da montanha em Mateus 5.

Finalmente é interessante notarmos essa mesma mudança quando no início do capítulo (vv. 10-12) o povo é cego e sem entendimento porque praticam uma religião de aparências, mas quando a religião do povo se transforma, é como se as escamas caíssem dos olhos, e as pessoas obtivessem o entendimento que lhes faltava.

Para concluir vamos relembrar as lições que vimos hoje:

  1. Deus castiga seus filhos, mas sempre com misericórdia e esperança, enquanto os ímpios têm condenação eterna e muito mais severa;
  2. A religião que agrada a Deus é a sincera, fruto de arrependimento, não a de mera aparência, superficial, de rituais ou de proibições ou obrigações irrefletidas;
  3. Deus não tolera a hipocrisia. De fato, Ele prefere que cheguemos à sua presença reconhecendo nossa fraqueza, nossa fragilidade, pois só assim teremos condição de receber dEle aquilo que precisamos para nos reerguer;
  4. Nem tudo está perdido para sempre. Mesmo depois de muito sofrimento e castigo, Deus não deixa de amar a seu povo e está sempre disposto a dar novo alento e fazer novas promessas de uma vida próspera e feliz a seu lado.

Deus nos abençoe.

Palavra aos jovens

Filhinhos, escrevo-vos, porque pelo seu nome vos são perdoados os pecados. Pais, escrevo-vos, porque conhecestes aquele que é desde o princípio. Jovens, escrevo-vos, porque vencestes o maligno. Eu vos escrevo, filhos, porque conhecestes o Pai. Eu vos escrevi, pais, porque já conhecestes aquele que é desde o princípio. Eu vos escrevi, jovens, porque sois fortes, e a palavra de Deus está em vós, e já vencestes o maligno. Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre. – 1 João 2:12-17

Existem diversos textos da Palavra que falam diretamente a nós, jovens, nos chamando à responsabilidade, nos exortando, nos lembrando que no evangelho do reino também há um espaço e um papel reservado para nós.

A juventude é uma época especial na vida de um homem e de uma mulher, é o período no qual possuímos muita energia, ainda temos tempo para realizar muitas coisas, é quando podemos sonhar – com uma família, uma carreira profissional ou acadêmica, uma casa, um carro, viajar – sonhos que são válidos, bons muitas vezes, e é a melhor época para tomarmos aquela que é a mais importante decisão na vida de uma pessoa, a de ter um relacionamento com Deus por meio de seu filho Jesus.

Eu gosto desse texto de João porque ele tem uma atitude paternal, ele fala do alto de seus muitos anos à igreja, mas ele não fala de maneira genérica, ao contrário, ele dá conselhos específicos a públicos específicos, entre os quais estamos nós jovens.

Os conselhos que João dá são de caráter prático, não têm a intenção de ficar na mera teoria, nem ele tem a pretensão de falar como um professor distante. Ele também foi jovem e sabe das necessidades que possuímos, a realidade emocional que vivenciamos, as nossas dificuldades diárias, e com base nisso ele nos traz uma palavra de encorajamento.

A primeira lição que aprendemos dessa palavra de João diz respeito ao contexto em que ela está inserida. Poucos versículos antes, o apóstolo fala que ele deseja que nós não pequemos, mas ele reconhece que somos pecadores, especialmente nós jovens, porque ainda não temos tanta maturidade, acabamos por fazer más escolhas, tomar decisões precipitadas, por o carro na frente dos bois, ignorar os conselhos que pessoas mais experientes nos dão, especialmente nossos pais.

Eu não sou teólogo, e não é minha intenção falar sobre o pecado e suas consequências, entre as quais a separação de Deus e a morte.

Mas sendo honestos com nós mesmos, nós conseguimos dizer, muitas vezes, quando pisamos na bola, seja quando desobedecemos nossos pais, seja quando colamos em uma prova da escola, quando mentimos ou fazemos algo que no fundo no fundo nossa consciência avisa que é errado. Isso é pecado.

Mas João não quer jogar nada na nossa cara, esfregar em nosso nariz que estamos errados, que somos imaturos, nem nada do gênero.

Como eu falei, a palavra dele não é de condenação, mas de encorajamento. E a lição que tiramos é que temos em quem confiar para desabafar, para contar que erramos, para pedir forças, alguém que nos conhece mais profundamente que nossos pais, que nossos melhores amigos, que nós mesmos.

Esse alguém é o Senhor Jesus, o próprio Deus que um dia veio à terra habitar entre nós, viveu entre nós como um de nós e por isso sabe todas as lutas e dores que passamos, Ele nos entende como ninguém, e por isso pode nos ajudar em tudo que precisamos.

Jesus é aquele por meio de quem nossos pecados são perdoados, nossas falhas apagadas, aquele que nos dá uma nova esperança, ele é a nossa luz no fim do túnel quando não temos mais no que acreditar, quando cremos que tudo acabou, que é o fim, Ele nos estende a mão e nos ajuda a levantar, sem julgamentos, sem acusações.

A segunda lição que temos nessa palavra de João afirma que nós jovens vencemos o maligno. Veja bem, não é que nós venceremos o maligno, no futuro, é que nós vencemos o maligno, algo que é ao mesmo tempo passado e presente. Mas como assim?

A resposta para essa pergunta está na parte final desse versículo quando João afirma que nós conhecemos o Pai. Somente conhecendo o Pai nós temos a noção de que somos filhos, de que temos uma família que nos acolhe, nos aceita e nos dá força para vencer as adversidades, o pecado, as tentações.

Deus não é um mal pai, um padrasto, ele é um bom pai que tem prazer em nos ajudar, seus filhos, a vencer todas as nossas dificuldades.

Nós vencemos o maligno não por nosso próprio mérito ou esforço mas pelo mérito e esforço de Jesus. Jesus venceu o pecado, o mal, o diabo, o inferno e a morte na cruz do calvário e isso nos diz que o inimigo já é um derrotado, um perdedor.

Isso não é para menosprezar sua força, nem fazer pouco caso de suas artimanhas. Ele é muito esperto, e tenta de tudo para nos fazer cair.

Contudo, a Palavra de Deus em 1 Coríntios 10:13 nos diz: “Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar”.

Deus não permite que sejamos tentados além das nossas forças, e se achamos que vamos cair, Ele mesmo dá o livramento. De fato, um dos textos mais fortes a esse respeito encontra-se nas palavras de Paulo em Romanos 8, que diz:

E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou. Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas? Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem é que condena? Pois é Cristo quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós. Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia; Somos reputados como ovelhas para o matadouro. Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, Nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor. – Romanos 8:28-39

Deus NOS escolheu, jovens, Ele NOS separou, Ele NOS predestinou, Ele NOS chamou, tudo isso porque Ele NOS amou. Você consegue entender o peso destas palavras? Você consegue entender a dimensão deste amor, e a responsabilidade que temos perante um Deus tão amoroso assim?

Vejamos bem o que a Palavra diz, em Cristo Jesus somos mais do que vencedores, e isso não deve ser banalizado, entenda o que isso quer dizer. Isso não nos torna invencíveis ou super-homens, isso não quer dizer que não passaremos por aflições, angústias, dificuldades, muitas coisas inerentes à nossa condição de jovens, ou mesmo que eventualmente não chegaremos a cair, mas que Jesus Cristo é capaz de nos fazer passar por meio de todas essas tribulações de cabeça erguida, confiantes, e sermos ao final vencedores.

Isso significa que a vitória de Cristo não se resume a que Ele realizou na cruz há quase 2000 anos, a maior vitória da história, mas é uma vitória cotidiana, nas nossas lutas diárias, pois Ele nunca nos abandona, não nos deixa sós nem indefesos. A nossa luta não é só nossa, é também sua luta, Ele luta ao nosso lado. O inimigo só tem vitórias momentâneas se nós mesmos fraquejarmos e deixarmos de buscar a face do Senhor, mas ele não pode se orgulhar mais do que ter vencido algumas poucas batalhas, já que a guerra já está perdida.

A terceira lição que João nos traz é que somos fortes e nossa força não é da nossa inteligência, do nosso vigor, do nosso dinheiro, da nossa beleza ou qualquer outro atributo físico ou intelectual pessoal. A nossa força vem do Senhor, de fato, a nossa força É o Senhor! Na verdade, a juventude é uma época marcada por inseguranças pessoais, então se fôssemos analisar somente nossas capacidades pessoais, dificilmente poderíamos acreditar que somos realmente fortes. O apóstolo Paulo mais uma vez traz uma importante lição a esse respeito, quando nos fala sobre isso em 2 Corintios 12:9 e 10:

“E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte.”

Jovens, não tentem ser fortes sozinhos, não tentem ser autossuficientes, ao contrário, reconheçamos que somos fracos, que somos inseguros, que somos pecadores, que necessitamos de salvação, de ajuda, pois somente assim estaremos em condição de receber de Deus tudo que precisamos, somente quando reconhecemos nossa fraqueza é que podemos reconhecer em Deus a força necessária para vencermos as dificuldades dessa vida.

Isso não significa sermos uma geração de frouxos, medrosos, inseguros. Ao contrário. Reconhecer nossas limitações e fraquezas é o primeiro sinal de alguém vitorioso, pois requer coragem e ousadia enxergar nossa necessidade de auxílio, de outras pessoas e principalmente de Deus. Ninguém é autossuficiente, ninguém é todo poderoso e sabe tudo exceto Deus, então não sejamos orgulhosos, quando estivermos precisando de um apoio, saibamos que temos uns aos outros, e Deus acima de todos com quem podemos contar.

A parte final desse versículo de 1 João nos diz novamente que vencemos o maligno, mas antes disso nos dá uma pista importante para que possamos entender como isso acontece, como podemos vencê-lo, como podemos ser fortes, ou seja, a partir do momento em que a Palavra de Deus está em nós, e nesse sentido entendemos tanto a Palavra de Deus enquanto seu filho Jesus Cristo, conforme o mesmo apóstolo João em seu evangelho, capítulo 1, versículo 1, ou seja, somente aqueles que possuem um relacionamento pessoal e íntimo com o Senhor é que possuem a força necessária para vencer o maligno, e em segundo lugar a Palavra de Deus enquanto escrituras reveladas a nós, as quais nos devem servir de alimento diário, afinal, se precisamos de alimento físico para nos manter saudáveis e fortes biologicamente falando, do mesmo modo também ao nos alimentarmos de sua Palavra nos deixará fortes para resistirmos às ciladas do diabo.

Não podemos de modo algum nos esquecer de que o próprio Jesus foi tentado, e respondeu a cada uma das tentações através da Palavra de Deus que Ele conhecia muito bem e que nós também podemos conhecer, nos alimentar, comer realmente dessa Palavra.

A quarta e última lição que João nos deixa, jovens, igreja, é um sonoro alerta. Não nos deixemos enganar pelas coisas supérfluas deste mundo. O mundo é um sistema de valores que são opostos aos valores de Deus. Deus é amor, o mundo é desamor, é ódio, é indiferença. Deus é paz, o mundo é conflito, guerras. Deus é justiça, o mundo é injustiça.

João deixa bem claro que Deus e o mundo são duas realidades irreconciliáveis. Ele diz que quem ama ao mundo, o amor do Pai não está nele pois novamente, é como tentar misturar água e óleo. Então João resume o que seriam esses valores do mundo que não podemos amar: a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, que trocando em miúdos, falando claramente, significa os desejos mais egoístas, imediatistas, sem limites, escrúpulos, onde queremos logo, aqui e agora, do nosso jeito, da nossa forma, a nossa vontade, sem nos importarmos se estamos prejudicando alguém, se estamos ferindo ou fazendo mal a outras pessoas, pois o mundo não se importa com ninguém, o mundo não está nem aí se eu ou você somos feridos quando alguém nos trai, quando alguém nos rouba de nossos sonhos, a nossa felicidade, os nossos bens, o nosso tempo. Você consegue perceber a distância que isso está dos valores de Deus?

Deus SIM se importa se eu sofro, se eu faço alguém sofrer, se eu cometo ou sou vítima de uma injustiça, então não pode haver comunhão entre esse mesmo Deus e os valores egoístas do mundo. Então a partir do momento que desejamos ardentemente vencer a qualquer custo, crescer mesmo que pisando em outras pessoas, conquistar lugares altos, posições, riqueza, famas, mulheres ou homens – a depender do gênero – e não nos importamos em como iremos atingir esses objetivos, só vale o eu, tudo eu, assumimos que amamos o mundo e não a Deus.

E somente para deixar bem claro, NÃO é pecado sonhar. Mais uma vez eu relembro que a juventude é a época da vida em que mais sonhamos, com uma família, uma casa, bens materiais de conforto, mas isso não deve ser levado às últimas consequências, nem ser colocado acima de tudo e de todos.

Pecado não é sonhar, mas é a ganância, o egoísmo, é trocar o duradouro, que é o amor de Deus, o amor de nossos pais, irmãos, família, igreja, amigos, pelo que é passageiro, pelo supérfluo, pelo que parece importante, mas só parece, é só uma casca sem conteúdo de verdade.

Como o texto lido termina, tudo que é supérfluo passa, mas o que é essencial é duradouro, e permanece para sempre. Assim é o amor de Deus em nós, assim é o nosso relacionamento com Jesus, assim são os nossos sonhos quando os depositamos aos pés da Cruz e entregamos todos ao seu cuidado, quando entendemos que Ele quer o melhor para nós e que Ele tem prazer em nos fazer bem e nos dar boas coisas como a filhos amados que somos.

Lembremos da história de José do Egito, como tantos outros exemplos de jovens no decorrer da Bíblia – Josué, Davi, Timóteo, o próprio Jesus – alguém que não deixou de viver, de sonhar, de realizar, mesmo sendo jovem, alguém que não procurou a sua satisfação pessoal nem a realização imediata de suas necessidades, mas confiou em Deus, agiu com maturidade e paciência mesmo quando as situações da vida pareciam adversas.

Eu garanto que muitos de nós, Deus queira que nenhum, iremos passar por aquilo que ele passou, ser vendido como escravo pela própria família, ser preso injustamente, mas mesmo assim ele não se deixou abater, ele não se revoltou contra Deus ao contrário, e nós também em nossas dificuldades também podemos confiar no Pai, também podemos reconhecer no Senhor o melhor amigo que podemos contar em todas as horas e para todas as circunstâncias.

Os conselhos de João a nós jovens foram:

  1. somos pecadores, mas Jesus perdoa nossos pecados.
  2. nós vencemos o maligno.
  3. nós somos fortes e corajosos.
  4. nós não nos deixamos seduzir pelas facilidades do mundo.

O salmo 119:9 diz: “Como poderá o jovem manter puro o seu caminho? Observando-o conforme a tua Palavra”. Somente pondo em prática os conselhos de João é que podemos vencer nesta vida. Somente obedecendo a Palavra de Deus seremos vitoriosos sobre o mal, as angústias e dificuldades que enfrentamos.

Concluindo, jovens, tomemos posição neste mundo e ajamos com responsabilidade, perante Deus e sua igreja, e perante a sociedade. Vamos viver de verdade esse evangelho de esperança que dizemos crer, espelhar o amor de Deus em Cristo Jesus em nossas vidas com atitude, criatividade, ousadia, alegria, de maneira jovem como nós somos. Eu sou desafiado todos os dias a fazer isso. Esse é o desafio de Deus também para suas vidas hoje.

Deus nos abençoe.

A obediência como sinal da confiança

E o Senhor disse a Moisés: “Pegue a vara, e com o seu irmão Arão reúna a comunidade e diante desta fale àquela rocha, e ela verterá água.
Vocês tirarão água da rocha para a comunidade e os rebanhos beberem”.
Então Moisés pegou a vara que estava diante do Senhor, como este lhe havia ordenado.
Moisés e Arão reuniram a assembleia em frente da rocha, e Moisés disse: “Escutem, rebeldes, será que teremos que tirar água desta rocha para lhes dar?”
Então Moisés ergueu o braço e bateu na rocha duas vezes com a vara. Jorrou água, e a comunidade e os rebanhos beberam.
O Senhor, porém, disse a Moisés e a Arão: “Como vocês não confiaram em mim para honrar minha santidade à vista dos israelitas, vocês não conduzirão esta comunidade para a terra que lhes dou”. – Números 20:7-12

A desobediência nem sempre é decorrência clara de um ato de rebelião.

No caso de Moisés, Deus lhe confronta dizendo que ele não havia confiado no Senhor, e isso é válido para nós também hoje em dia que alegamos que não somos rebeldes, que obedecemos a sua vontade, mas na verdade tentamos fazer a sua vontade da nossa própria maneira, o que significa que não confiamos no seu plano original, na sua forma, enfim, na sua vontade, já que fazer “a vontade de Deus” no nosso tempo e não no seu, ou à nossa maneira e não à sua, é, de fato, fazer a nossa vontade e não a dEle.

Curiosamente, se prestarmos bastante atenção ao texto, vemos que Moisés chama o povo de rebelde, e na mesma “cena”, na mesma ocasião, ele igualmente age com rebeldia, e isso nos ensina que ninguém está imune a cair, todos estão aptos a se rebelar um ou outra vez contra o Senhor, ninguém em absoluto é perfeito, e que, por melhor que seja o servo, por mais amado que seja o filho (e somos todos amados por Deus), a rebeldia, seja qual for a sua faceta, mesmo que (como se isso justificasse ou amenizasse alguma coisa) se reflita em falta de confiança, esse ato trará sérias consequências, no caso de Moisés perda da benção de entrar na terra prometida, no nosso caso perda de outras bençãos, incluindo a maior delas que é a comunhão com Deus, abalada momentaneamente por esse pecado, embora Ele mesmo voluntariamente busque sempre a comunhão conosco, apesar de nossa infidelidade e rebeldia.

Um segundo aspecto que percebemos no texto é que Moisés, ao bater na rocha ao invés de falar com ela como o Senhor ordenara, muda o foco do milagre, de ser proveniente da ação benevolente de um Deus amoroso, para uma ação de um mero homem em resposta à rebeldia do povo.

Ora, Moisés por conta própria nunca poderia realizar o milagre, e nós igualmente não, já que tanto ele quanto nós “somente” podemos ser meros instrumentos nas mãos de Deus, se obedecermos, se confiarmos, o que, convenhamos, já é um imenso privilégio.

Além disso, como Deus mesmo fala a Moisés, eles (ele e Arão, seu irmão) perderam a oportunidade de testemunhar da santidade, honrar a beneficência e fidelidade de Deus em meio ao povo que, rebelde, poderia reconhecer o seu pecado e converter-se de seus maus caminhos, ou seja, pecaram duas vezes com um só ato de “desconfiança”.

A minha oração hoje é para que paremos de fazer a nossa vontade disfarçada em “vontade de Deus” e aceitemos de bom grado obedecê-lo, fazer sua vontade que é boa, agradável e perfeita (Romanos 12:2), por mais que não a compreendamos, por mais que tenhamos uma fé pequena em acreditar em seu resultado, por mais que confiemos mais como um ato de obediência do que de fé muitas vezes.

Deus nos abençoe.