Perseverança, compromisso e prioridade

E Jesus lhe disse: Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás, é apto para o reino de Deus. – Lucas 9:62

Essa fala de Jesus é a culminação de uma história em que muitos parecem se comprometer com Cristo mas na verdade têm só o impulso inicial, e depois param pelo caminho.

De fato, muitas das histórias que se passaram com o Senhor, ou mesmo que Ele contou, falam da perseverança que todo crente salvo deve vivenciar, como bem lembramos da parábola do semeador (Mateus 13), cujas espécies de terrenos demonstram que tipo de coração possuímos: 1) um coração que não entende a palavra de Deus semeada em nossa vida (semente caída à beira do caminho); 2) um coração que recebe a Palavra com alegria mas não desenvolve perseverança, fraquejando ao primeiro sinal de perseguição (semente plantada em meio às pedras); 3) um coração que recebe a Palavra, e a permite até brotar, mas não consegue produzir frutos, por causa da quantidade de coisas que coloca como prioridade em sua vida na frente das coisas sagradas (semente planta em meio a espinhos); 4) e, por fim, um coração que recebe a Palavra do Senhor e põe em prática, coloca em primeiro lugar em sua vida, que passa então a produzir, a frutificar, a dar resultado de maneira plena e farta.

No caso do texto de Lucas 9, vemos um homem que com intrepidez afirma que seguiria ao Senhor onde quer que Ele fosse, talvez da boca pra fora, talvez para aparecer, ou mesmo por uma razão ingênua e sincera, mas Cristo vem ao seu encontro com uma afirmação que lhe joga um balde de água fria na cabeça: você tem certeza realmente de que irá me seguir onde quer que eu for? Saiba que hoje mesmo não sei onde vou comer ou dormir! Será que você consegue viver uma vida de dependência completa e absoluta de Deus, pois essa é a vida que levo e a vida que proponho.

Em segundo lugar, um homem é chamado a segui-Lo, ao que responde dizendo que necessita atender aos costumes religiosos e morais para com sua família, algo de valor, senão constituísse num mero pretexto. Muitos de nós, como aquele homem, colocamos na frente de Deus muitas coisas que são em si mesmo boas, seriam uma boa “desculpa” se as dirigíssemos em direção a um amigo qualquer, mas não a Jesus. Ele quer prioridade, e o compromisso é baseado em prioridade. No mesmo sentido o próximo homem, que pede primeiro para se despedir dos seus, como se o seguir a Cristo fosse lhe impedir de revê-los, ou coisa parecida. Desculpas, sempre elas, desculpas.

Em outra parábola, para concluir, que temos em Lucas 14, vemos um rei que faz um convite para muitas pessoas para estarem com ele em uma festa, uma solenidade única, ao que todos passam a responder ao mensageiro com toda sorte de desculpas, as quais, isoladamente, não parecem esfarrapadas, mas que quando colocadas em uma balança com o evento para o que tinham sido convidados, vemos que são totalmente fora de propósito e tempo, como: 1) inventariar uma propriedade (como se ela fosse sair dali para outro lugar, ou se perder com um dia de atraso); 2) testar uma junta de bois recém adquiridos (algo que, na verdade, deveria ter sido feito – e provavelmente o foi – antes da compra, e, caso contrário, não seria um dia a mais que faria alguma diferença no negócio); 3) a realidade do casamento (como se a mulher fosse lhe impedir de participar de uma festa, normalmente elas que são as primeiras a quererem participar). O que significa tudo isso? Será que, em plena consciência alguém, tendo recebido um convite para uma festa da realeza, daria esse tipo de desculpa? Ou será que, convenhamos, tudo deve ficar em segundo plano e postergado um pouco para atender aquilo que é realmente mais importante, provavelmente único?

Cristo quando nos fala sobre nossos valores, nosso compromisso e nossas prioridades, nos convida e ao mesmo tempo confronta com o fato de que Ele deve ser a prioridade número um em nossa vida. Se somente fizermos isso, tudo passará a receber a prioridade certa, pois, ao contrário, costumamos dar prioridade às coisas erradas e relegar o importante a segundo plano. Assim o é quando colocamos os negócios à frente da nossa família, e tudo à frente de Deus, e acabamos perdendo negócios, família e sem experimentar tudo de bom que Deus tem preparado para nós. Quando perseveramos em Cristo, desenvolvemos esse sentido correto de prioridade, passamos a ter um relacionamento saudável com os nossos, e isso também impacta diretamente no tipo de profissional que somos em nossas relações no dia a dia.

A minha oração então, hoje, é para que, entendendo essa Palavra de Deus, e a recebendo, possamos dar-lhe a importância devida, e pô-la em prática. Isso não significa que, num passe de mágica, tudo em nossa vida passará a dar certo e os problemas cessarão, apenas que, a pessoa que resolvemos priorizar, Deus, será por nós facilmente encontrada sempre que precisarmos (e sempre precisamos) em todas as outras áreas de nossa vida. O tipo de relacionamento que Cristo espera de nós é aquele baseado em confiança, em perseverança, em compromisso, algo que apenas nasce num dia, mas que deve crescer e amadurecer com a caminhada, uma caminhada que não tem volta, que requer termos um senso correto de prioridade, um caminho que não nos permite ficar parados e acomodados com nosso estado atual, mas lutarmos com Deus ao nosso lado contra nossa própria natureza egoísta e pecadora, sabendo que ao final seremos vencedores.

Deus nos abençoe.

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In God we trust (nEle a gente pode confiar)

Então disse o Senhor a Moisés: Eis que vos farei chover pão dos céus, e o povo sairá, e colherá diariamente a porção para cada dia, para que eu o prove se anda em minha lei ou não. – Êxodo 16:4

O pão nosso de cada dia nos dá hoje; – Mateus 6:11

Deus é um deus provedor.

Ele cuida de nós e deseja o nosso melhor.

Deus nunca nos prometeu riquezas, poder, luxo ou que satisfaria nossos desejos egoístas frutos da nossa sociedade consumista, mas Ele nos prometeu saciar as necessidades mais básicas, o que, na pirâmide de Maslow, corresponde às necessidades fisiológicas, como alimento, saúde, e de segurança, como a moradia, abrigo.

É nesse contexto que o Salmista diz que o Senhor é o nosso pastor, e nada nos faltará (em nada passaremos necessidade), conforme Salmos 23:1, ou ainda no contexto da oração do Pai Nosso, ensinada como modelo de relacionamento com o Pai por nosso mestre Jesus, que Deus veste os lírios do campo em riqueza que nem Salomão usou, e alimenta os pardais que não precisam se preocupar, como não o faria conosco, seus filhos e infinitamente mais preciosos para Ele do que meras flores ou passarinhos?

Vejamos bem que o mesmo que Deus promete para Israel, em Cristo nós também temos acesso, a esse Deus de provisão, à sua generosa oferta de cuidado, de que não precisamos ficar ansiosos, preocupados, muito embora vivamos em um cenário de crise econômica onde muitos de nós estejamos momentaneamente apertados ou mesmo desempregados, esse é o momento de crer, esse é o momento de confiar.

Israel não confiou em Deus, nos versos seguintes vemos que o povo colheu mais do que podia comer com medo de faltar no dia seguinte, e a comida apodreceu.

O desafio portanto é confiar, entregar-nos nas mãos poderosas de Deus e não temos como confiar desconfiando, como diz a bela música do Vencedores por Cristo.

Não!

Ou confiamos ou não confiamos, não há meio termo, e a ansiedade é sinônimo de desconfiança.

Mas como eu, eu sei que você também é humano e fraco, então ainda que tenha apenas uma fagulha de fé e esperança, exercite essa confiança no Pai dando o primeiro passo pela fé, faça como aquele pai desesperado que deseja a cura de seu filho quando vai ao encontro de Jesus, conforme Marcos 9:24, reconheça sua incredulidade e peça a Deus que fortaleça ou aumente a sua fé!

A minha oração hoje é para que eu e você não sejamos teimosos e faltos de fé como aquele povo de Israel no Êxodo, que aprendamos a confiar e depender completamente em Deus, pois Ele nos sustenta e guarda, e diferentemente de nós que somos infiéis, Ele é fiel, Ele permanece fiel pois Ele é constante, Ele não muda, Ele está sempre disposto a estender a sua mão para nos abençoar!

Deus nos abençoe.

Impactando vidas

Estava esses dias pensando com meus botões sobre a diferença que fazemos ou causamos na vida das pessoas, o impacto que somos capazes de gerar, positivo, negativo, ou nenhum (neutro).

Lembrei de uma situação que ocorreu há alguns anos, quando eu convivia, em razão de um relacionamento passado, com uma velhinha em estado avançado de Alzheimer, que todos os dias quando eu chegava para namorar sua neta essa senhora vinha me perguntar quem eu era, e coisa e tal (lembrem-se que essa doença, no que conheço em minha ignorância médica, impede as pessoas de reter suas memórias recentes), ao que eu sempre lhe respondia de maneira bem animada o que eu tinha ido fazer ali, meu nome etc., as vezes até tirava uma brincadeira com ela do tipo “Dona Rute, a senhora acreditaria se eu dissesse que sou o seu namorado?”, e ela ria, enfim, até que (chegando onde queria chegar) um dia, sem ninguém lhe dizer nada, quando entrei em sua casa, ela apontou pra mim e perguntou à minha sogra de então “é o Eli?” (lá me chamavam assim), e ela ficou meio branca (mais do que já era), meio desconcertada e sem resposta, e não sabia se ria ou se chorava da reação da mãe de ter guardado, por algum “milagre” e apenas momentaneamente (voltou a esquecer-se, “normalmente”, após algum tempo) o meu nome.

Eu não estou sugerindo um milagre, ou que eu tenho um impacto tão profundo na vida de ninguém, mas as vezes (eu diria a maioria das vezes) todos nós geramos nos outros com quem nos relacionamos sentimentos os quais não conseguimos entender, medir, sequer (re)conhecer.

Como diz a batida citação do livro “O Pequeno Príncipe”, “tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”, e é verdade mesmo, de um jeito ou de outro nós nos tornamos importantes para os outros, e ouso dizer que quem não se torna importante é porque não conviveu, não se relacionou, não amou, não se deu, não se abriu, é uma pessoa que se isolou do mundo, de tudo e de todos, numa redoma, como um ermitão numa caverna perdida de uma floresta distante.

Essa história e aquela situação marcaram minha vida, e tenho certeza que como essa são tantas outras na minha e na sua vida, por isso reflita um pouco sobre que tipo de impacto você está produzindo, se as pessoas vão se lembrar de você pelas coisas boas que você deixou, se você terá sido importante, ou se apenas pelos traumas gerados, ou (talvez pior), não se lembrarão de você de jeito nenhum, pois você foi insignificante para elas.

Deus nos abençoe e nos capacite a sermos sempre impactantes em nossos relacionamentos, se não por nós mesmos, por amor a Cristo, para que por meio de nós, daquilo que Ele fez e faz em nossas vidas, seu nome seja conhecido e glorificado, Ele seja amado e seguido.

O exemplo de Maria – feliz dia das mães!

Disse então Maria: A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador; porque atentou na baixeza de sua serva; pois eis que desde agora todas as gerações me chamarão bem-aventurada, porque me fez grandes coisas o Poderoso; e santo é seu nome. – Lucas 1:46-49

E [Jesus] desceu com eles, e foi para Nazaré, e era-lhes sujeito. E sua mãe [Maria] guardava no seu coração todas estas coisas. – Lucas 2:51

Sua mãe [Maria] disse aos serventes: Fazei tudo quanto ele [Jesus] vos disser. – João 2:5

Desde cedo acordei com esses textos em minha cabeça, lembrando-me de um culto ecumênico em celebração ao dia das mães que participei no trabalho, ainda em Salvador alguns anos atrás, no qual tive a oportunidade de levar uma palavra das Escrituras aos presentes, e refleti sobre a maternidade sob a ótica da vida e do exemplo de Maria, mãe de Jesus.

Não sendo católico, me causa um certo estranhamento, possuindo cerca de 90% de conhecidos e amigos do Facebook nominalmente pertencentes a essa religião, não ter visto sequer uma mensagem de dia das mães que a mencionasse.

Não vejo isso, necessariamente como um problema, e como batista respeito muito seu exemplo, sem considerá-la demais, nem fazer dela pouco caso ou desprezá-la como uns e outros costumam fazê-lo.

Maria, então, pra não esticar a conversa, a meu ver traz em sua vida, como falei, diversos exemplos de características que as mulheres em geral, especialmente as mães, podem seguir:

1) ela soube reconhecer sua pequenez, especialmente perante um Deus tão grande. A honestidade de autoestima (sua humildade), é uma das principais marcas de uma mulher e uma mãe que teme a Deus;

2) ela compreendeu corretamente a fonte e o alvo de seu louvor e de sua alegria. Enquanto muitos de nós hoje, e vou fazer menção às mães, colocam nos filhos sua fonte de alegria e sua razão de viver (o que é um peso de responsabilidade que muitos não tem condição de arcar, e que gera uma expectativa muitas vezes doentia em suas mães), muito embora eles tenham sim enorme importância, Maria em todo momento entendeu que Deus, o Senhor, era o principio e o fim de tudo aquilo que de bom lhe estava a acontecer;

3) ela se colocou no devido lugar, sabendo que importante era não ela, a mãe do vindouro Messias, mas seu Filho propriamente dito, Filho de Deus e Deus mesmo. Isso é importante porque muitas mães apegam-se às glórias dos filhos e fazem delas suas próprias, e não que isso seja ruim, mas torna-se quando a mulher passa a vangloriar-se disso, exaltando-se para além do necessário, ou ainda quando se coloca “na conta” do sucesso de seu filho como única ou maior responsável (embora tenha sim imprescindível papel);

4) ela guardava em seu coração (meditava) as coisas que não conseguia compreender. Muitas mães, no afã do cuidado, por inexperiência ou outra razão, querem resolver tudo por seus filhos enquanto isso nem sempre é possível, quando normalmente as experiências da vida são aquilo que tornarão seus filhos em homens e mulheres maduros e independentes. As coisas da vida de Jesus que Maria não conseguia compreender ela não reclamava, não brigava com seu filho, não se apavorava, antes confiava em Deus e esperava o desenrolar da história para que então entendesse corretamente o que se passava e suas consequências. Como essa sabedoria é necessária hoje em dia, quando muitas mães querem assumir o volante da vida de seus filhos, conduzindo-os na direção que consideram boa, mas tolhendo-lhes o direito de tomar suas próprias decisões. Precisamos então, mães, ter a sabedoria e o discernimento de guardar, de esperar, de ajudar dentro do solicitado, entendendo que os filhos são nossos (seus), mas que são da vida (e possuem vida própria);

5) finalmente, ela sempre apontou para Cristo. É grande a tentação de apontar para si como exemplo, ao invés de reconhecer em outros esse papel, ou mesmo entender que o filho já cresceu e ele também é fonte de exemplo. Mas, sobretudo, no âmbito espiritual, Maria reconheceu que Cristo é que era o mestre e Senhor, era Ele quem deveria ser obedecido, a proeminência era dEle e não dela, ela também serva, cujo exemplo muitas mães falham em entender ainda hoje.

Com o exemplo de Maria em mente, desejo a todas as mães, em especial à minha (bem como à minha avó ainda viva, e demais tias), um excelente dia das mães, sob a graça e a paz do Senhor.

Deus vos (nos) abençoe!

Desviados 2

E aconteceu que, indo eles pelo caminho, lhe disse um: Senhor, seguir-te-ei para onde quer que fores.
E disse-lhe Jesus: As raposas têm covis, e as aves do céu, ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça.
E disse a outro: Segue-me. Mas ele respondeu: Senhor, deixa que primeiro eu vá a enterrar meu pai.
Mas Jesus lhe observou: Deixa aos mortos o enterrar os seus mortos; porém tu vai e anuncia o reino de Deus.
Disse também outro: Senhor, eu te seguirei, mas deixa-me despedir primeiro dos que estão em minha casa.
E Jesus lhe disse: Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás, é apto para o reino de Deus. – Lucas 9:57-62

Não, não acredito em perda da salvação. Não é o tema desse texto, mas é logicamente impossível perder algo por demérito que não se conquistou por mérito próprio (nesse contexto, pelo menos).

Acredito na não salvação, ou ainda mais claramente nos efeitos que a palavra de Deus tem quando não encontra um solo fértil para frutificar (ou melhor, dos solos/corações que a recebem), como Cristo descreveu na parábola do semeador (Lucas 8:5-18), quais sejam a empolgação inicial de um “novo crente”, o apagar de sua “fé” pelas decepções com o meio religioso-eclesiástico, a sucumbência às pressões sociais e do meio onde está inserido, a prevalência da dúvida, a falta de bases sólidas e alimento espiritual para o seu crescimento, enfim.

E creio também que muitos que estão entre nós tem aparência de crente, “cheiro” de crente, falam como cristãos (ou pelo menos usam seus jargões de um evangeliquês raso mas convincente), mas não são verdadeiramente salvos, convertidos, transformados, joios em meio ao trigo, como diz o Senhor (Mateus 13:24-30), cujas obras que permanecerem essas darão testemunho verdadeiro de sua salvação (ou não salvação).

Por que lembrei desse texto e resolvi escrever a respeito dele? Porque tenho visto mais e mais pessoas com as quais convivi no meio religioso, muitas delas que trabalharam na obra de Deus como obreiros, missionários, evangelistas, cantores, e hoje estão distantes do caminho do Senhor, vivendo o oposto do que tanto pregaram e cantaram.

Sei que os que foram verdadeiramente escolhidos, eleitos de Deus em Cristo Jesus, como filhos pródigos um dia retornarão para a casa do Pai.

No entanto, lembro também das palavras do apóstolo João:

Filhinhos, é já a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também agora muitos se têm feito anticristos, por onde conhecemos que é já a última hora.
Saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós. – 1 João 2:18,19

Os desviados, que nunca foram cristãos, na verdade se tornaram em anticristos, lutam contra o Senhor, desprezam o seu amor, a sua Palavra, o seu sacrifício, estavam (e estão) em nosso meio, cantam com a gente, falam como a gente, vão para as nossas programações, mas a verdade é que só o tempo dirá que são apenas joio, como palha que é levada pelo vento e não tem substância.

Isso deveria nos mover de compaixão por suas almas, nos causar uma santa indignação, e não sermos por eles enganados e levados ao mesmo erro que cometem.

Deus nos abençoe e guarde.

Desviados

Ontem, conversando com alguns amigos, fiquei triste ao saber que conhecidos meus de tempos passados, ex líderes de jovens em suas respectivas igrejas, que serviram ao Senhor e até abraçaram a obra, tinham se desviado, “chutado o pau da barraca”, indo para o mundão “com gosto de gás”.

Embora falho como todo ser humano e como todo ser humano sujeito a esse mesmo processo de queda, se não me cuidar (cf. 1 Coríntios 10:12), é algo que honestamente nunca vou entender, pois apesar de conviver com uma humanidade falha, pessoas que nos deixam na mão, nos desapontam, cometem todo tipo de sacanagem comigo e com você, eu inclusive infelizmente, o meio religioso, onde essas histórias deveriam menos acontecer, ainda é palco para que muitas vezes continuem ocorrendo, no entanto, a mais remota hipótese de contemplar o mundo como uma alternativa viável e razoável à qualquer igreja, por pior que seja, não me atrai de nenhuma maneira, não tem qualquer resplendor por mais ilusório que pareça.

Ver homens e mulheres outrora dedicados ao Senhor hoje entregues às falsas alegrias que o mundo afirma proporcionar, e não preciso entrar em detalhes, me faz refletir sobre a minha própria fraqueza e humanidade. Penso com meus botões sobre seus líderes, pastores, que devem chorar em seus corações de angústia ao ver suas ex ovelhas tão distantes dos caminhos do Senhor sem nada poderem fazer. Não tenho como ficar feliz ao vê-los dessa maneira, embora certamente agradeça a Deus por, apesar das inúmeras “oportunidades” de também estar lá, Ele mesmo ter me preservado de tamanho sofrimento, mantendo-me sempre perto dos seus caminhos, mesmo quando eu mesmo me achava distante.

A minha oração hoje é que encontremos no Senhor bases firmes para construir a nossa casa sobre a rocha que é Cristo, não pessoas, entendendo que mesmo nos desapontando, decepcionando e traindo, o que não justifica mas explica seu comportamento, elas continuam sendo gente como a gente, e isso não deve ser razão para abandonarmos a igreja, comunidade terapêutica que como hospital deve sempre ser lugar de tratamento para os cansados e abatidos (embora não dirigida por loucos como um hospício às avessas, que é o retrato de muitas comunidades religiosas hoje infelizmente). Pastores também são homens como nós e suas possibilidades de alcançar suas ovelhas só vai até onde elas se permitem tratar, admoestar, mesmo como os animais, com batidas na pata pelo cajado se preciso for, e se como ovelhas nos revoltarmos contra esses chamados de atenção e fugirmos para longe dos caminhos do Senhor, nós mesmos seremos os principais prejudicados.

Deus nos abençoe.

Estudo EBD 06/12/2015 (Isaías 29)

O capítulo 29 de Isaías continua sob o mesmo contexto do capítulo 28, ou seja, após Deus, através do profeta, ter trazido uma palavra de revelação a respeito da destruição que iria acontecer com as nações ao redor de Israel/Judá, e falar sobre aquilo que cada povo tinha de mais precioso e para o qual o povo de Deus olhava e confiava nessas coisas ao invés de em Deus, e que o Senhor iria destruir, como prova de que devemos depender e confiar somente nEle, temos agora o relato do que iria acontecer especificamente com Israel, primeiro por essa condição, ou seja, de depender dos outros povos e não de Deus, e depois em razão de outros pecados que já não tinham a ver com outros povos.

Os primeiros dois versículos retratam Jerusalém como Ariel, palavra que pode significar duas coisas:

  • a primeira dessas coisas é “Leão de Deus”, já que Jerusalém era forte como um leão na percepção dos povos ao seu redor;
  • a segunda é “altar de Deus”, uma vez que lá ficava localizado o templo do Senhor, onde, na percepção do povo, Deus habitava, e no contexto dessa profecia, indicava o futuro sangrento de Jerusalém, que seria sitiada pelos seus inimigos.

O verso 1 traz ainda a expressão “acrescentai ano a ano, e sucedam-se as festas”, o que alguns comentaristas afirmam que, nesse contexto de início de uma profecia, significava o marco temporal para quando a mesma iria se realizar (pelo menos a primeira metade da profecia, como veremos), ou seja essa palavra começaria a acontecer depois de decorrido um ano.

Isso é importante porque apesar de Isaías trazer uma palavra de “desgraça” e destruição, como já vimos até aqui no chamado do profeta, a mensagem que Deus levaria ao povo através dele não seria ouvida (Isaías 6:9,10), ou seja, ninguém daria a devida importância, não causaria o clamor nem o pesar nem o arrependimento nem o medo que uma palavra de tal ordem deveria causar.

Além disso, vejam que o povo iria continuar na sua vidinha diária, fazendo seus afazeres, e inclusive, pelo costume, participando de manifestações de cunho religioso (as festas da páscoa, do pentecostes e dos tabernáculos), “espiritual”, mas que na verdade não tinham base nenhuma, nenhum significado, era só aparência, só “casca”, era só pra “cumprir tabela”, não demonstravam verdadeiro arrependimento e uma vida consagrada de verdade, e nós sabemos que Deus não se importa com aparência, não se importa com meros rituais, hoje não é assim e já não era no antigo testamento, apesar do contexto e da realidade social serem bem diferentes dos nossos após a primeira vinda de Jesus. Para eles aquilo tudo era uma obrigação burocrática como qualquer outra, e só.

Então imagine aí você como profeta trazer a mensagem que vamos ver agora para o povo, uma mensagem terrível, e o povo não estar nem aí, como será que você enquanto profeta ficaria, e Deus enquanto Senhor daquele povo?

A mensagem de destruição é a que se encontra nos versículos 2 a 16 que tem algumas características que vale a pena ressaltar.

A primeira delas é que é Deus mesmo quem exerce o juízo. Vemos que os verbos estão todos conjugados na primeira pessoa, ou seja, é Deus falando que vai agir. Veja: “porei a Ariel em aperto” – v. 2; “te cercarei com o meu arraial, e te situarei com baluartes, e levantarei trincheiras contra ti” – v. 3; “Do Senhor dos Exércitos será visitada” – v. 6; “Porque o Senhor derramou sobre vós um espírito de profundo sono e fechou os vossos olhos. Mesmo que Deus vá usar os povos ao redor de Israel para exercer esse juízo, como vemos no verso 5, é dEle que vem esse castigo, não é algo sem um propósito ou aleatório.

A segunda, como vimos no capítulo 28, versos 10-13, fala novamente sobre o fato do povo não querer ouvir a mensagem, estar completamente cego, surdo e de fato sem entendimento a respeito da mensagem. Como no capítulo 28, é como se Deus falasse como uma criança de colo, palavras balbuciadas sem sentido, as quais não é possível entender, ou mesmo em um idioma desconhecido que não pudessem traduzir, e aqui no capítulo 29 Deus traz novamente uma alegoria para descrever essa situação de descrença do povo, quando diz que derramou sobre o povo um sono profundo, ou seja, as pessoas estavam embriagadas de sono ao ponto de não entenderem direito o que estava se passando ao redor delas.

Cá entre nós, quantos de nós já não experimentamos uma situação assim onde de tão bêbados de sono não sabemos o que está acontecendo com a gente? Eu lembro que quando eu morava no Cambeba, tinha dias que eu voltava da faculdade (eu faço faculdade no centro) tarde da noite que eu não fazia ideia como chegava em casa, só sabia que eu tinha chegado e agradecia a Deus por ter cuidado de mim no caminho. Agora imagine que eu senti a proteção de Deus nessa situação, e se fosse o contrário, se fosse o castigo de Deus? Nós não saberíamos nem o que tinha nos atingido.

A terceira é que de uma situação confortável de alegria, de festa, de prazer, divertimento, repentinamente a situação iria se transformar em tragédia, em dor, em lamento, em choro.

Nos versos 10-12, vemos três novas situações, ou seja, 1) a profecia de Deus não alcançou o povo porque eles estavam “como que dormindo”, sem prestar atenção à sua voz e a todo o cenário que estava sendo montado ao redor de Israel; 2) a profecia de Deus era como um livro selado, o qual as pessoas não podiam ler por causa do selo – e nesse caso, o verso diz que a pessoa que recebe o livro até sabe ler, mas não consegue por causa do selo do livro e aqui não sabemos que tipo de selo é esse, já que antigamente existiam vários tipos de selo, mas o importante é saber que o livro da profecia acabava sem ser lido; e 3) o livro da profecia era dado a quem não sabia ler, que não lia por essa razão. Se prestarmos bem atenção podemos distinguir então que o povo é comparado a esses três tipos de pessoas, que possuem algo em comum, elas não recebem o conteúdo da mensagem, não conhecem a profecia do Senhor, mas cuja responsabilidade era pessoal, fosse por inércia, por falta de cuidado, falta de correr atrás, falta de auxiliar o próximo, fosse porque fosse aquele povo não era inocente e não poderia alegar isso.

Agora vamos prestar atenção em duas coisas que chamam a atenção na forma como está descrito o castigo de Deus: o castigo que Deus dá a Israel seu filho é moderado, Ele age por meio da Assíria utilizando meios de guerra normais, cuja extensão dos danos, o medo causado, tudo é “razoável”; nos versos seguintes vemos o castigo que Deus dá aos outros povos, em especial à própria Assíria, que é muito maior, e ele utiliza de analogias com desastres naturais para mostrar com que poder Deus causaria aquela tragédia. Isso significa que apesar de todo o pecado, Israel ainda recebia da misericórdia e do amor de Deus. Vejam que a Assíria estava sitiando Jerusalém no governo de Ezequias, conforme 2 Reis 19:32-35. 185 mil homens morreram em uma só noite, só um cataclismo de proporções bíblicas para causar tamanha destruição em período tão curto de tempo, o que demonstra o castigo superlativo de Deus sobre os Assírios.
Mas tudo que a gente falou até agora tem uma razão de ser, que é a hipocrisia do povo, conforme vemos no v. 13.

De fato, esse versículo é citado por Jesus em Mateus 15:1-20, especialmente o v. 8,9.

O que isso quer dizer, que as pessoas, pela sua religiosidade vã ao invés de aproximar o homem de Deus fazem é afastá-lo na medida em que impõe sobre si pesadas cargas, regras e mais regras do que pode ou do que não pode ser feito como faziam os fariseus, ou seja, uma religiosidade vazia, de aparência, sem mudança interior, como o povo de Israel da época de Isaías, da época de Jesus, e como infelizmente muitos de nós continuamos a ter ainda hoje.

Segundo um comentarista:

Todos nós somos capazes de agir de modo hipócrita. Muitas vezes caímos em padrões rotineiros em nossa adoração e tornamo-nos negligentes quanto à oferta de nosso amor e devoção a Deus. Se desejamos ser chamados de povo de Deus, devemos ser obedientes e adorá-lo sincera e honestamente.

Além disso, para quem vem acompanhando as profecias desse primeiro terço do livro de Isaías percebe que os líderes políticos e religiosos do povo procuravam outras nações para fazer alianças “por baixo dos panos”, de modo que confiavam nessas alianças e não em Deus para sua proteção. No entanto, Deus deixa bem claro que não foi “surpreendido”, nada ficou oculto a Ele, como vemos no v. 15, ou seja, quando pensamos que podemos esconder algo de Deus, ou fazer algo às escondidas, podemos ter a certeza de que Deus está vendo. Ao contrário, o Salmo 139, especialmente os vv. 1-4 falam sobre a certeza de que Deus tudo sabe, tudo conhece, tudo vê e de que nada podemos esconder dEle.

No verso 16 tem uma das partes desse capítulo que mais me chama a atenção, sobre Deus falando de como as pessoas tencionam fazer dEle, Senhor, em servo, e de nós, servos, em senhores. É uma inversão de papeis. Nada muito diferente, por exemplo, do que muitos fazem hoje em dia quando dizem “determinar” o agir de Deus, “declarando” algo, como se Deus tivesse a obrigação de fazer o que essa pessoa está dizendo, como se Deus fosse um gênio da lâmpada à nossa disposição todo o tempo para fazer tudo que pedirmos, indiscriminadamente, como um pai estraga seus filhos mimados ao fazer tudo que querem. Mas não, Deus não age dessa forma!

Além disso, é muito fácil para nós dizermos que queremos ser os senhores do nosso nariz. Quem nunca ouviu alguém dizer algo do tipo, ou mesmo chegou a dizer esse tipo de coisa? Na verdade, fomos criados para sermos dependentes de Deus e uns dos outros e toda forma de pecado de um modo ou de outro demonstra nossa vontade de sermos independentes do Pai. É como a figura de linguagem usada no texto, de um mero objeto criado dizer ao seu criador que não foi Ele quem o fez, que Ele não sabe o que está fazendo.

A segunda parte dessa profecia de Isaías diz respeito provavelmente ao reino vindouro de Cristo. Tem um caráter bem escatológico e vemos as injustiças serem corrigidas, o que ainda não ocorreu. Parte dessa profecia, porém, tem cumprimento já na primeira vinda de Jesus [Mateus 11:5. Jesus quando falou aos discípulos de João essas palavras, certamente tinha em mente essa profecia de Isaías que se referia ao futuro messias, Ele mesmo, e não apenas isso, mas que João Batista também conhecia essa promessa, e que confrontado com aquela realidade reconheceria que Ele era aquele de quem a Escritura falara].

É interessante notar essa contraposição da injustiça que o mundo experimenta e a proposta de Jesus, porque a lógica do mundo é outra. No mundo a paz é a ausência de conflito, em Jesus podemos sentir paz em meio à tempestade como de fato muitas vezes ocorreu com seus discípulos e acontece com a gente muitas vezes também. Percebam que aqui temos surdos que ouvem, cegos vendo, tiranos sendo humilhados etc. Esse exemplo é muito claro quando vemos as palavras de Jesus no sermão da montanha em Mateus 5.

Finalmente é interessante notarmos essa mesma mudança quando no início do capítulo (vv. 10-12) o povo é cego e sem entendimento porque praticam uma religião de aparências, mas quando a religião do povo se transforma, é como se as escamas caíssem dos olhos, e as pessoas obtivessem o entendimento que lhes faltava.

Para concluir vamos relembrar as lições que vimos hoje:

  1. Deus castiga seus filhos, mas sempre com misericórdia e esperança, enquanto os ímpios têm condenação eterna e muito mais severa;
  2. A religião que agrada a Deus é a sincera, fruto de arrependimento, não a de mera aparência, superficial, de rituais ou de proibições ou obrigações irrefletidas;
  3. Deus não tolera a hipocrisia. De fato, Ele prefere que cheguemos à sua presença reconhecendo nossa fraqueza, nossa fragilidade, pois só assim teremos condição de receber dEle aquilo que precisamos para nos reerguer;
  4. Nem tudo está perdido para sempre. Mesmo depois de muito sofrimento e castigo, Deus não deixa de amar a seu povo e está sempre disposto a dar novo alento e fazer novas promessas de uma vida próspera e feliz a seu lado.

Deus nos abençoe.