4 verdades em 1 João 5

Escrevi-lhes estas coisas, a vocês que crêem no nome do Filho de Deus, para que vocês saibam que têm a vida eterna.
Esta é a confiança que temos ao nos aproximarmos de Deus: se pedirmos alguma coisa de acordo com a sua vontade, ele nos ouve.
E se sabemos que ele nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que temos o que dele pedimos. – 1 João 5:13-15

Texto tão pequeno da Palavra que nos traz tão preciosas verdades:

  1. Nós, os que cremos em Jesus, temos a vida eterna. Não é pouca coisa. De fato, é a coisa mais preciosa que um ser humano poderia desejar. E somente nós os que creem, pois fora de Cristo não há salvação nem vida eterna.
  2. Podemos nos aproximar de Deus. Deus não é um deus distante, um ente metafísico impessoal que não se importa conosco, nem um deus mau que se ausentou do mundo. Não! Ele, de fato, deseja que nós O busquemos e nos acheguemos a Ele com coragem e ousadia! Ele é bem presente em TODOS os momentos da nossa vida, mas especialmente na hora da angústia e da aflição, pronto a nos socorrer sempre que gritarmos por auxílio.
  3. Não precisamos tentar manipular a Deus como os pagãos fazem com seus “deuses”, mediante sacrifícios de animais ou mesmo pessoais, com dinheiro, comida ou outra coisa. De fato, a única coisa que precisamos fazer é pedir pois Deus é pai e tem prazer em fazer e dar coisas boas a seus filhos. O único “requisito” é que esteja de acordo com a sua vontade, e isso não é algo ruim nem inalcançável, uma vez que sua própria Palavra diz que ela é boa, agradável e perfeita, e não apenas para o Pai, em seus planos e propósitos eternos, nem para a humanidade de modo geral, mas individualmente para mim e você!
  4. Não precisamos passar por A, B ou C para nos achegarmos a Deus. Ninguém tem maior influência com Deus entre nós homens que faça com que precisemos de pastores, padres, rezadeiras ou um irmão de fé, “do fogo”, porque não é porque fulano ou beltrano é mais “poderoso” que eu que minha oração deixará de ser ouvida enquanto a dele será. Não! Esse é outro conceito pagão que Deus desencoraja veementemente quando nos diz para irmos diretamente a Ele, por meio de seu Filho. Somente Jesus nos reconciliou, somente Ele abriu as portas, Deus nos ama porque amou seu Filho e porque nós também O amamos, então nenhum “santo” ou figura histórica tem o poder ou a necessidade de interceder a nosso favor perante Deus, como se Deus fosse alguém que precisasse ser convencido para agir, como se Ele fosse difícil de estender o seu favor aos homens, ou mesmo como se fosse surdo ou ocupado demais para nos ouvir ou atender. De fato, se você pensa assim de Deus, que deus é esse que você está crendo? Porque certamente não é o Deus das Escrituras, o Deus que nos amou tão profundamente a ponto de enviar seu único Filho para morrer em nosso lugar! Deus é onipotente, onisciente e onipresente, e não apenas isso, SÓ ELE tem esses atributos! Ninguém mais. Será que você consegue entender isso em sua profundidade? Será que você pode crer nisso?!
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Anticristãos

Amados, não creiam em qualquer espírito, mas examinem os espíritos para ver se eles procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo.
Vocês podem reconhecer o Espírito de Deus deste modo: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne procede de Deus; mas todo espírito que não confessa Jesus não procede de Deus.
Esse é o espírito do anticristo, acerca do qual vocês ouviram que está vindo, e agora já está no mundo. – 1 João 4:1-3

Vivemos num mundo onde há uma pluralidade de religiões e credos, entre os quais o cristianismo, do meio do qual proliferam milhares de igrejas e seitas que dizem seguir a Jesus, afirmam carregar sua verdade, obedecer suas palavras e viver conforme Ele mesmo viveu e pregou.

Esse texto de João, pra mim, representa mais além do que o mero combate à heresia do gnosticismo que afirmava que Jesus era um ser angelical que teria vindo apenas em espírito ou em forma incorpórea.

Na verdade, trazendo para os nossos dias poderíamos certamente utilizar o mesmo parâmetro de João para vermos se alguém que se diz cristão é de fato um, e mais, se um líder religioso de uma igreja que se chama cristã faz por merecer esse rótulo, que é se ele prega a Jesus, Jesus encarnado, crucificado e ressurreto.

Sim, porque infelizmente muitos hoje falam de Jesus, mas de que espécie de Jesus estão falando? João foi o melhor amigo de Jesus, então quando ele falava do Mestre, ele tinha respaldo. Que autoridade têm esses que hoje mencionam o santo nome do Senhor?

Será que falam do Jesus carpinteiro que nasceu de uma virgem em uma cidade esquecida, homem de dores conforme as profecias antigas afirmaram que seria, alguém que viveu uma vida dura e de privações, acostumado desde cedo a conviver com a escória da sociedade, ou será que apenas fazem uma vaga referência a Jesus como rei, como vitorioso, enquanto prometem sucesso e prosperidade, e uma abundância de bençãos que têm de vir necessariamente vestidas de ouro e riquezas, tornando Jesus em mais um gênio da lâmpada?

Vejam bem o alerta de João, o mesmo que disse ontem que aquele que não confessa a Jesus não procede de Deus continua sendo válido hoje, mesmo dentro de igrejas que digam que Jesus Cristo é o Senhor, pois esse jargão “evangélico” pode colar em marketing religioso e placa de edifício, mas se não corresponder à realidade do coração do homem que lidera esse tipo de movimento, serve mais para afastar o ser humano de seu Criador, presta um desserviço ao Mestre que deveria servir e promover.

Advogado

Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo.
E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo. – 1 João 2:1-2

 παρακλητον, Parakletos, palavra grega cuja tradução mais próxima daquilo que conhecemos hoje em dia, e em nosso idioma Português, significa advogado, alguém que intercede em favor de outrem perante um juiz, mas não qualquer advogado, alguém que apressadamente aceitou uma causa sem saber sequer de quem se trata ou que crime cometeu, ao contrário, alguém que conhece profundamente a situação daquele a quem defende por já ter estado em sua pele, por assim dizer.

Eu curso Direito e no Direito aprendemos a nos despir de alguns de nossos preconceitos e “vestir” alguns novos valores, tudo para que possamos oferecer ao nosso cliente a melhor defesa, até porque, afinal, todos merecem – segundo a lei – serem defendidos em um julgamento por uma defesa técnica, conduzida por alguém capaz, que entenda das leis, que se apresente perante o juiz da maneira digna e com as palavras e a técnica adequadas.

Com isso em mente, fiquei pensando nesse texto de 1 João 2, em como Jesus é o melhor intercessor que alguém poderia ter, alguém que se coloca ao nosso lado (daí o prefixo “para”, ao lado de), aliás, quer chova ou faça sol, nos momentos de alegria, de tristeza ou no auge da dor Ele não sai do nosso lado, como um advogado faria (ou deveria fazer) com seu cliente enquanto não sai o julgamento e ele se encontra preso preventivamente, por exemplo.

Mas o que me veio à mente foi algo que me deixou bastante atormentado, imaginei que eu, como advogado, teria de defender meu pior inimigo, alguém por exemplo que tivesse atentado contra minha própria vida, ou feito algo pior contra mim ou alguém que amo, isso perante o juiz que fosse meu próprio pai, que soubesse toda a situação, e por isso tivesse toda razão de ser “suspeito” em me condenar previamente ao próprio julgamento, e enfrentando o acusador que teria muitos anos de experiência a mais que eu. Eu tremo nas bases só de imaginar uma situação assim.

No entanto, essa é a situação que Jesus assume, ele coloca-se em nosso lugar para nos defender pois Ele esteve entre nós, se encarnou e viveu como um de nós, experimentou todo tipo de emoção, sentimento, calor, frio, suor, lágrimas, fome, sede, dor, alegria, enfim, tudo que nós podemos passar Ele passou e por isso entende perfeitamente, e pode nos defender da melhor maneira possível. De fato, como no exemplo que citei no parágrafo anterior, Ele é capaz de fazer algo que nós como humanos nunca conseguiríamos, esquecer a dor de termos causado a sua morte na cruz por causa de nossa rebeldia, nossa rebelião contra Deus pai, o peso de nossos pecados sobre seus ombros, tudo para não apenas nos libertar da culpa, mas para restabelecer nosso vínculo com o Pai em amor, reconciliando aqueles que eram seus inimigos com Deus, nos adotando em uma nova família para desespero do acusador que, diferentemente do que seria se fosse eu o advogado, nesse caso a longa experiência que possui não chega aos pés da competência do nosso defensor.

Jesus é o advogado que faz (fez) aquilo que nenhum advogado teria a coragem de fazer, de propor ao juiz, e lei humana nenhuma permitiria que isso acontecesse: Ele ofereceu-se para pagar o preço, cumprir a pena do nosso pecado que é a morte. Sim, com sua morte na cruz do Calvário a cédula de dívida que possuíamos perante Deus por toda nossa desobediência e orgulho foi rasgada, cancelada. Não temos mais o que temer, o inimigo não pode mais nos acusar, o juiz já não nos olha pelo que fizemos, pelos “crimes” que cometemos, pela nossa “folha corrida”, nossos “antecedentes”. Não! Voltamos a ser, e em Cristo continuaremos assim, réus primários, de bons antecedentes, por mais que ainda “reincidamos” eventualmente, Ele nos perdoa pois Ele não olha simplesmente para nós, Ele nos olha pelos olhos de seu Filho Jesus, o nosso advogado. Seria uma péssima aproximação dizer que em Jesus temos sempre pronta e à nossa disposição um habeas corpus, porque esse é um remédio constitucional que tende a evitar que uma injusta ameaça de prisão venha a acontecer, primeiro porque no nosso caso, não fosse nosso advogado, a “prisão” não seria um ato injusto, e segundo porque em Jesus, por meio dEle, nossa pena passada, atual e mesmo a vindoura já estão pagas, cumpridas. Esse é o significado de propiciação, satisfação, pagamento. Algo que nunca poderíamos fazer por nós mesmos, algo que nenhuma outra pessoa, por melhor que fosse, poderia fazer por nós ainda que quisesse, algo que somente Jesus pôde fazer.

Verdades sobre Cristo em 1 João 1

O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam — isto proclamamos a respeito da Palavra da vida.

A vida se manifestou; nós a vimos e dela testemunhamos, e proclamamos a vocês a vida eterna, que estava com o Pai e nos foi manifestada.

Nós lhes proclamamos o que vimos e ouvimos para que vocês também tenham comunhão conosco. Nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo. – 1 João 1:1-3

 João foi o melhor amigo de Jesus enquanto Ele habitava esta terra.

Ora, isso não é algo irrelevante.

Ao contrário, quando começamos a ler a 1ª carta de João devemos necessariamente ter isso em mente.

Primeiro porque João foi quem mais e melhor conheceu a Jesus e isso diz muito a nós porque por meio do apóstolo João melhor conhecemos a figura tanto divina quanto humana de Cristo, já que Ele exclusivamente possuía essa dupla natureza.

Segundo porque João rebate inúmeras heresias que existiam em seu tempo e que infelizmente ainda causa a queda ou o desvio de muitos hoje em dia.

A primeira coisa que João fala é que Cristo “era desde o princípio”, o que remete à sua preexistência à própria criação, porquanto Ele mesmo foi o criador de tudo e de todos conforme lemos tanto no Gênesis, quanto no próprio relato do evangelho de João, no capítulo 1º.

Se era (é!) preexistente, como de fato é, Jesus não assume a natureza de coisa criada, como nós seres humanos, sujeito a falhas e fraquezas. Igualmente não pode ser comparado a um anjo ou outra criatura celestial, que embora tenham seu poder e glória, ficam muito aquém da majestade e senhorio do próprio criador de todas as coisas e que é Deus.

A segunda coisa que João fala de Jesus é que pode ouvi-Lo, vê-Lo, contemplá-Lo, e que suas mãos tinham apalpado Ele.

João faz menção aos sentidos, ao sistema sensorial, dizendo que Jesus foi visível, falou, comeu, sentiu fome, sede, tristeza, alegria, que as pessoas tinham tocado nele, e não apenas um leve resvalar de pele com pele, mas um abraço apertado mesmo, e até um beijo, como na traição de Judas.

Jesus, portanto, foi de carne e osso como eu e você, e não apenas uma “alma penada”, um espírito incorpóreo como alguns querem crer.

Isso significa que Ele entende perfeitamente bem todas as angústias e aflições que experimentamos no nosso dia a dia.

Ele, mais do que ninguém, tem o respaldo de defender-nos perante o Pai pois Ele sabe do que estamos falando, Ele viveu tudo aquilo que pode nos ocorrer, embora sem ter pecado.

A terceira coisa que João fala de Jesus, seu amigo, lembre-se bem, é que Ele é a Palavra da vida.

O próprio João no seu evangelho chama Jesus de Palavra, Logos, da onde tiramos a palavra lógica e que de fato é a razão de ser do universo, o que dá leis à natureza para sustentar a vida de animais, plantas, e dos seres humanos, criação sua.

Mas a vida se manifestou duas vezes, a primeira na nossa criação, a segunda na nossa re-criação, quando por meio de sua morte e ressurreição, Jesus nos reconciliou com o Pai, proclamando a nós que antes estávamos mortos em nossos pecados, e éramos inimigos de Deus, o evangelho de salvação, evangelho que significa boas notícias, de fato excelentes notícias, de que não dependemos de nossos esforços e méritos para cumprir uma lei, mas que o amor de Deus em Cristo Jesus nos alcançou, nos salvou, nos purificou, nos vivificou.

A última coisa que Jesus fala nesse trecho é que aquilo que ele viu, que ele testemunhou, isso também ele proclamou, para que nós também tivéssemos comunhão com Deus, com Cristo e com sua Igreja.

Poxa vida, se nós somos detentores de tamanha palavra de esperança, por que não deveríamos fazer o mesmo e compartilhar dessa mensagem com todos quantos pudermos, pessoas que, como eu e você um dia já fizemos, também caminham a passos largos para o inferno, lugar de miséria, sofrimento e separação completa e eterna de tudo que é bom, a começar do próprio Deus, lugar que não foi criado para nós seres humanos, mas para o diabo e seus demônios, mas que as pessoas voluntariamente, em sua rebelião contra Deus, também estão se auto condenando?

A minha oração hoje é para que você conheça a Jesus Cristo, o melhor amigo que alguém pode ter, que se arrependa de seus pecados e O receba em sua vida como Salvador e Senhor e desfrute verdadeiramente dessa amizade, dessa companhia, de um relacionamento profundo com o Pai, com o Filho e com o Espírito Santo.

Escravidão

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Mais de 120 anos se passaram e ainda vivemos uma escravidão.

E não falo aqui de rincões perdidos na floresta amazônica ou de fazendas no interior do Nordeste ou carvoarias país afora, onde a palavra escravidão sai da condição de exagero vocabular para a dura expressão da realidade.

Falo de Fortaleza, zona urbana, século XXI.

Meu pai comprou umas pedras cariri para uma reforma que está fazendo na casa dele e me pediu para ir até lá receber o material já que ele está no interior.

Quando os funcionários da empresa onde ele comprou o material chegaram e começaram a descarregar as pedras, me deu uma revolta e uma dor no coração de ver a penúria como estavam vestidos, suas condições de trabalho, pegando as pedras com as mãos nuas, sem qualquer equipamento de proteção individual como luvas, botas, algo do gênero.

Comecei a puxar papo com eles para saber se a empresa não tinha fornecido os materiais básicos para a segurança do trabalho, ao que me responderam que não, mesmo eles tendo pedido (segundo eles várias vezes), e olhe que consultei na Internet no intervalo entre um e outro descarregamento para ver quanto custaria o conjunto bota e luva, que era de aproximadamente R$ 28,00.

R$ 28,00 pela segurança laboral de cada funcionário que a empresa tem a obrigação de fornecer e que não fazia, aliás, tanto não fazia que 2 dos 3 funcionários tiveram que se virar por conta própria com relação às botas, um deles estava de chinelo de dedo, e nenhum calçava luvas, era na mão seca mesmo.

Depois o funcionário adoece, tem um acidente e se fere e precisa ser afastado e a empresa tem que arcar com o prejuízo de contratar alguém para repor o lugar vago e não sabe o porque.

Se bem que pilantra como é, se acontece algo assim não duvido nada que seja tchau e bênção, mais um desempregado na fila do INSS em busca do auxílio desemprego.

Pior que nem o medo da fiscalização do Ministério Público do Trabalho ou de um processo trabalhista por parte de algum funcionário a “bendita” empresa tinha, afinal, pobres ignorantes como eram os funcionários, eles sequer sabiam seus direitos, como proceder, e certamente não brigariam por aquilo, talvez até com vergonha ou medo de procurar um advogado que os orientasse ou pleiteasse em seu favor.

Mas aquela situação não me deixou quieto, perguntei o nome do funcionário que parecia o mais velho, seu Antônio.

Seu Antônio, juntamente com outros 2 dos 3 funcionários, veio de Paraipaba atrás de um emprego em Fortaleza porque trabalhar na agricultura numa época de seca como essa, em que pese as chuvas que começaram a cair, não dá pra viver.

Eu perguntei a seu Antônio se não era melhor trabalhar na construção civil, em um dos muitos canteiros de obra na região do porto do Pecém.

Ele me disse que lá tinha realmente muitas vagas e oportunidades, mas que para cada vaga eram mil interessados, talvez exagero seu, talvez não considerando a seca e a falta de condições que assola o nosso sertão.

Mas voltei às minhas perguntas sobre a empresa, perguntei se eles tinham ao menos assinado a carteira, ao que me responderam afirmativamente (exceto seu Antônio que confessou ter recusado assinar por não querer perder a aposentadoria rural, já que faltavam só 4 anos para ele se aposentar como agricultor – ele tinha 56 anos).

E quanto ao horário de trabalho, alimentação?

O motorista me disse que só estavam liberados para almoçar após todas as entregas da manhã, mesmo sendo aquela hora 13:30 e ainda faltar uma entrega por fazer.

Além disso, ele me falou que o horário deles ia das 7 da manhã até muitas vezes tarde da noite, e de sorriso amarelo me confidenciou que seu patrão pagava todas as horas extras… a R$ 2,00 a hora.

Mas como se não bastasse isso tudo, o que me causou mais revolta foi o que seu Antônio, novamente ele, contou, que ele e os outros dois de Paraipaba, como não tinham onde morar, vieram do interior, dormiam no trabalho mesmo, em alojamentos repletos de ratos, junto aos materiais de construção que eles iriam entregar, e não bastasse isso, até a água do local, que eles retiravam de um poço artesiano, o proprietário da empresa ameaçou cortar.

E, a gota d’água, foi quando, sem perguntar, um deles me disse “e é porque o dono lá é evangélico”.

Isso mesmo, o cara se diz religioso e trata tão mal, de maneira ilegal e até desumana, seus funcionários, fazendo com que trabalhem longas horas sem equipamentos obrigatórios de proteção, com alimentação precária e em horário irregular, e dormindo em alojamentos insalubres infestados de ratos, ou seja, condição análoga à escravidão como infelizmente ainda vemos e ouvimos muito pela TV, e que eu honestamente nunca poderia imaginar que veria um dia tão perto em plena capital cearense.

Essa cena me deu uma vergonha da minha condição humana, um nojo mais uma vez desse rótulo “evangélico” que não diz nada e que infelizmente dito muito, muito ao contrário do que deveria significar, boas novas, já que tem sido sinônimo de pilantragem, falcatrua e desprezo pela vida alheia.

É difícil viver nesse país onde ainda existam tantos seu Antônios, e tantas empresas pilantras como essa que explorem tanto o funcionário, a pessoa, ao ponto de desumanizá-lo, tratá-lo apenas como mais uma mercadoria, ou talvez até menos, já que muitos cuidam bem de seus produtos e mal de seus funcionários.

Em tempo, essas são as mãos de seu Antônio, não apenas calejadas, rachadas mesmo de ter que pegar em pedra, suor, lágrimas e pó que dizem muito a respeito do que temos sido como sociedade infelizmente.

Insensatos

São insensatos por natureza todos os que desconheceram a Deus, e, através dos bens visíveis, não souberam conhecer Aquele que é, nem reconhecer o Artista, considerando suas obras.
Tomaram o fogo, ou o vento, ou o ar agitável, ou a esfera estrelada, ou a água impetuosa, ou os astros dos céus, por deuses, regentes do mundo.
Se tomaram essas coisas por deuses, encantados pela sua beleza, saibam, então, quanto seu Senhor prevalece sobre elas, porque é o criador da beleza que fez estas coisas.
Se o que os impressionou é a sua força e o seu poder, que eles compreendam, por meio delas, que seu criador é mais forte; pois é a partir da grandeza e da beleza das criaturas que, por analogia, se conhece o seu autor.
Contudo, estes só incorrem numa ligeira censura, porque, talvez, eles caíram no erro procurando Deus e querendo encontrá-lo: vivendo entre suas obras, eles as observam com cuidado, e porque eles as consideram belas, deixam-se seduzir pelo seu aspecto.
Ainda uma vez, entretanto, eles não são desculpáveis, porque, se eles possuíram luz suficiente para poder perscrutar a ordem do mundo, como não encontraram eles mais facilmente aquele que é seu Senhor?
Mas são desgraçados e esperam em mortos, aqueles que chamaram de deuses a obras de mãos humanas: o ouro, a prata, artisticamente trabalhados, figuras de animais, alguma pedra inútil, a que, outrora, certa mão deu forma. – Sabedoria 13:1-10

É curioso e ao mesmo tempo triste saber que os católicos têm em sua Bíblia esse texto acima e ainda assim adorarem, venerarem, louvarem imagens de escultura como referências a pessoas que já morreram como Maria, mãe de Jesus ou os santos mártires.

Falo em sua Bíblia porque a Bíblia dos católicos, diferentemente da Bíblia de origem protestante/evangélica, ou mesmo do antigo testamento judeu, possui livros “extras”, por assim dizer, denominados apócrifos ou deuterocanônicos, como esse da Sabedoria, por exemplo.

O mal, tanto deles (católicos) como nosso (evangélicos), se é que posso dizer que sou evangélico já que não concordo com a maior parte das aberrações que tenho visto e ouvido no meio religioso chamado “gospel” hoje em dia, é que não lemos as Escrituras, aquilo que consideramos sagrado, verdadeira Palavra de Deus.

Somos frutos de um país ignorante e preguiçoso, onde estamos mais acostumados a ver vídeos e navegar a internet do que ler um bom livro, dirá mesmo um livro de cunho religioso que poderia, além do principal que é levar-nos a um relacionamento com Deus por meio de seu filho Jesus, fazer-nos discernir o certo do errado nas diversas religiões que se dizem cristãs, principalmente na nossa mesmo.