Icthus

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O peixe é um símbolo do cristianismo quase tão conhecido, popularizado, e antigo quanto à cruz de Cristo.

Para escrever esse post, preferi não consultar muito a Internet, e me ater mais às minhas lembranças, ao que está interiorizado na minha cabeça e coração a respeito desse símbolo cristão, do que li e ouvi a respeito durante minha vida como servo do Senhor, e colocar para fora o sentimento que guardo aqui dentro.

A primeira coisa que me vem à mente acerca desse símbolo é a chamada dos primeiros discípulos por Jesus quando o Mestre apenas iniciava seu ministério. Os primeiros discípulos que Jesus chamou para serem seus seguidores foram os pescadores Pedro, Tiago, João e André.

De pescadores de peixes, Jesus fez uma proposta revolucionária àquelas pessoas de algo que mudaria suas vidas; utilizando a metáfora que eles entenderiam, o Mestre os convidou a serem pescadores de homens, responsáveis por algo muito maior do que a simples alimentação gerada como fruto do seu trabalho, a salvação e transformação de vidas perdidas.

Alguém poderia encarar essa ousada proposta como um belo trabalho de marketing, uma vez que Jesus utilizou-se do contexto sociocultural daqueles homens, a pesca, para atraí-los a um investimento em que não teriam como avaliar as dimensões, o resultado final, que sou eu e mais de um bilhão de pessoas que professam a fé em Cristo hoje no mundo, sem contar os muitos outros que já partiram para junto do Pai no decorrer da história.

Uma segunda lembrança que tenho a respeito do peixe é o lanche que um garoto trazia consigo quando foi ouvir aquele jovem de trinta e poucos anos falar a respeito de vida, de Deus, de coisas que ele talvez não compreendesse bem, mas que, movido talvez pela curiosidade, levado por algum parente ou amigo, achou-se em meio a uma multidão que passou o dia a ouvi-Lo falar, e devido ao ermo do local em que se reuniram, e o horário, percebeu-se que não haveria como alimentar a todas aquelas pessoas. Isso, obviamente como a história conta, seria assim não fosse o pronto atendimento do Senhor Jesus, que com apenas o lanche daquele garoto, composto de poucos pedaços de pães e, novamente eles, peixes, efetuou um de seus muitos milagres, multiplicando aquela refeição de modo a alimentar milhares de pessoas a ponto de sobrar cestos e mais cestos de restos de comida.

Assim, o peixe torna à sua função original como alimento, sustento, e leva-nos a uma nova dimensão, quando compreendemos o caráter profético daquele ato (e deixe-me aqui tentar retirar qualquer carga de “profetada” ou “determinação”, ou ritual neo-pentecostal que o valha; não, não era esse um “ato profético” como se diz hoje em dia nos círculos mais heterodoxos do meio evangélico), onde Cristo alimenta a fome terrena, como faria com a fome espiritual através de sua própria carne e sangue vertidos na cruz do Calvário.

O peixe trouxe ali um renovo, uma nova esperança de vida para aquelas pessoas que estavam famintas, tanto quanto Cristo tem a cada dia a oportunidade de, resgatando alguém do fundo do poço em que se encontra, mostrar-lhe a vida, e vida em abundância, que Deus reservou para ele.

Lembro-me também de um episódio ocorrido depois que Pedro negou Jesus, o Mestre havia sido crucificado e até ressuscitado, mas os discípulos primeiros, aqueles mesmos pescadores voltaram à sua atividade inicial. Parece que a vergonha da renúncia, a dor da perda havia desmotivado e desconsolado aqueles homens que abdicaram do seu propósito de pregar aos homens a salvação prometida e trazida por Cristo, a vida eterna com o Pai, e retornaram ao seu trabalho cotidiano.

Aqui vemos uma história interessante. Aqueles pescadores, homens experientes em seu trabalho, passaram a noite inteira mar adentro e nada conseguiram pegar. No entanto, aparece Jesus, e talvez por isso mesmo que já falei, vergonha ou dor, eles não o reconheceram, e diz aos “ex”-discípulos que lançassem novamente as redes para o lado direito do barco. Provavelmente aqueles homens já tinham lançado as redes para todos os lados do barco durante aquela noite, eles não tinham começado recentemente nesta atividade e conheciam “os segredos do mar”, então talvez tenham pensado “quem é este homem que chega querendo nos ensinar a fazer nosso próprio trabalho, nós que temos pescado a nossa vida inteira?”, mas a despeito de tudo que pudesse indicar o contrário, eles obedeceram e lançaram novamente as redes na água.

O resultado é história, pescaram tantos peixes que as redes quase rasgaram, o barco quase veio a pique com a enorme quantidade de pescados. O peixe aqui fez aqueles homens reconhecerem novamente o Mestre. Quem se atenta para o fato é o discípulo amado, João. Pedro ao saber disso corre, ou melhor, nada até a praia onde o Senhor o espera para confrontá-lo de uma vez por todas contra sua própria natureza. Até quando o velho Pedro iria ser apenas mais um pescador (e não estou querendo diminuir essa importante profissão), sendo que o próprio Senhor já o havia chamado e dedicado a um trabalho sem dúvida inigualável?

Cristo nesse momento faz com Pedro o que muitas vezes precisa fazer conosco, dá um tranco. Quando o Senhor pergunta aquele homem se ele O ama, Ele já sabe a resposta, já sabe que Pedro O ama, mas, não querendo envergonhá-lo que não é esse seu perfil (se é que podemos “profilar” Jesus) ou intenção, deseja ouvi-lo reconhecer publicamente que uma vez tomada aquela decisão, de amar, ele não mais voltaria atrás.

Amar, como já muito dediquei tempo aqui no meu espaço sem espaço, é uma decisão e não um sentimento, e o que Jesus estava “cobrando” de Pedro era justamente onde se encontrava a decisão que ele havia feito anteriormente, ao ponto de declarar em alto e bom som que morreria pelo Mestre se possível fosse, sendo que ele foi o primeiro a nega-Lo e a fugir.

A pergunta de Cristo a Pedro era o ponto de partida para todas as decisões que ele deveria tomar a partir dali. Sua vida não pertencia mais a si, mas aos outros, a tantos quanto ele pudesse pregar.  A responsabilidade era grande, poderia e acabou levando a sua morte.

O peixe, voltando ao fio da meada, serviu no curso da história para identificar os seguidores de Jesus, os pescadores de homens, também conhecidos como pescadores de almas, símbolo desbastado nas tumbas onde a igreja se reunia durante a perseguição pelo império romano.

Mas como eu li na Internet recentemente sobre o tema, não adianta usarmos toda forma de símbolo para tentar nos associar ou identificar com o cristianismo, se de fato não agimos como cristãos, se nossa vida não reflete aquilo que dizemos crer, ou se não vivemos como Jesus viveu.

Colocar um adesivo do peixe no carro (e eu tenho um no meu), usar um crucifixo ou até uma tatuagem de nada serve se a nossa vida não refletir o caráter de Jesus em nós, se não formos como Ele quer que sejamos. Alguém já disse que devemos pregar em todo tempo, se necessário usando palavras. Aqui vejo o símbolo do peixe nessa conotação. Se vivermos aquilo que pregamos, não será o peixe que nos identificará como cristãos, mas tudo que fizermos demonstrará isso. Por outro lado, por mais que afirmemos ser cristãos, e não agirmos como tais, esses símbolos de nada adiantam. Que tenhamos tatuado em nosso coração, portanto, a palavra de Deus e a coloquemos em pratica.

A propósito, encerrando este post, Ichtus vem do grego Ixthus que significa peixe. A última associação com o cristianismo que queria citar era que em grego, peixe também é um acróstico das palavras: Iesus Xristos Theo Uios Sopter, que significa Jesus Cristo, Filho de Deus, o Salvador.

Deus nos abençoe.

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Um sonho que eu tive…

Essa noite tive mais um dos meus sonhos realísticos, com enredo, personagens, locação e tudo o mais.

Dessa vez eu não conseguia voltar para Fortaleza até terminar a faculdade, ficava revoltado com a política de recursos humanos e transferências do meu trabalho e resolvia prestar um concurso público para ganhar um pouco menos mas para trabalhar no Ceará.

E não é que no meu sonho eu passava! Eu assumia como promotor estadual no Ceará, para trabalhar na cidade do Eusébio.

Meus sonhos, para quem não está acostumado, são muito detalhados, parecem filmes hollywoodianos, e nesse caso eu ia morar tipo no Alphaville Eusébio, Sarinha conseguia um emprego no PSF da própria cidade, que para quem não sabe é ao lado de Fortaleza, tipo Lauro de Freitas para Salvador.

É isso… espero que não tenha que se tornar realidade esse sonho. Quem sabe até lá eu já estou em Fortaleza, e termino lá minha faculdade.

Nervosismo

Ontem, como tem sido as últimas segundas e quartas, houve apresentação pelos colegas de uma aula na disciplina de Antropologia.

As equipes são formadas por seis membros, e ontem (mais uma vez a palavra ontem, mmm…) um dos colegas ficou nervoso demais e passou mal, não conseguindo apresentar a sua parte.

Não vou falar do colega em si, só um parêntesis para dizer que fomos alguns de nós ver se como ele estava do lado de fora da sala para ver se havia algo que pudéssemos fazer para ajudá-lo, mas sim do nervosismo.

Como eu sei o que é esse sentimento! Você sente o peito queimar; o estômago embrulhar e encher-se de “borboletas” como diria uma pessoa acolá; sua respiração aumenta, até ao ponto de hiperventilar; sua pressão sobe demais, ou pode até cair bastante; as mãos são acometidas por suores, sudorese que se propaga por outros locais do corpo; pode haver uma perda momentânea do equilíbrio, sensação de náusea ou de desmaio, ou mesmo, em casos extremos, um descontrole emocional e físico que pode passar por arritmias cardíacas ou mesmo dores de cabeça ou no estômago e desconforto intestinal.

Longe de ser um post médico, até porque de medicina eu não entendo nada e o máximo que eu faço é me autoreceitar (shame on me, I know) uma aspirina vez ou outra, eu citei acima o que acontece com muitos de nós que ficam nervosos ao ponto de somatizar, transformar em sintomas toda nossa ansiedade, nossa angústia frente a uma circunstância que nosso corpo entende como uma situação de perigo, algo à semelhança de nossos antepassados se encontrarem frente a frente com uma onça, por exemplo, talvez possamos pensar assim, com um pânico digno, muitas vezes, de toda a descarga de adrenalina que nosso corpo puder jogar no nosso sangue (digamos que seja assim que isso aconteça, eu sinceramente não sei com certeza).

O nervosismo ataca especialmente pessoas tímidas como eu (sim, eu sou tímido, mas não é esse o assunto deste post, então deixem-me voltar para ele), e há situações em que ataca mais, assim como outras em que ataca menos.

Dentre as possíveis circunstâncias que causam uma angústia prévia e um nervosismo crescente eu posso citar o ato de falar em público (eu poderia citar o “chegar junto” de uma paquera, mas como foi-se a época, não vou entrar nessa seara). Quem me conhece ou convive comigo sabe que sempre que tenho que me manifestar em aula, por exemplo, perguntando para tentar tirar uma dúvida com um professor é bem comum eu me embolar todo na hora da pergunta, nao porque não saiba o que perguntar, mas porque fiquei nervoso e comecei a trocar as palavras, falar mais rápido, e até o bendito branco me dá justo na hora que tenho a atenção do professor e de toda a turma (pronto, lá foram mais sintomas).

Eu já fui professor de Escola Bíblica Dominical (EBD) de uma classe de jovens por mais de 6 meses na igreja que sou membro, já terminei um curso universitário (o que sou formado, de Informática) onde vez por outra tínhamos seminários para apresentar, sem contar a especialização e o mestrado que fiz onde também tive que dar as minhas aulinhas (não concluí nenhuma das duas, mas não vou entrar no mérito aqui, agora), e vez por outra sou chamado a proferir palestras sobre a minha área de trabalho (que também não vou discutir aqui), já li livros sobre o assunto (ou seja, como se portar numa situação dessas), mas ainda assim cada vez que alguma dessas oportunidades aparece, lá vem o nervosismo atacando com qualquer um (ou todos) dos sintomas que descrevi antes.

Os livros (ou o livro que li pelo menos, pra não mentir dizendo que li mais de um) dizem muitas coisas de como fazer para diminuir a tensão e o nervosismo numa hora dessas. Dizem que devemos checar o material de apoio que iremos usar, não confiarmos (ou melhor, dependermos) na tecnologia, estudarmos de maneira consistente o assunto proposto, olharmos nos olhos das pessoas com quem estamos falando, especialmente alguém com quem tenhamos alguma relação de amizade, o que nos dá uma sensação de paz e confiança naquilo que estamos fazendo, e por aí vai.

Particularmente, eu costumo, além do que falei acima e de outras coisas que não vem ao caso, orar. Orar me conecta ao meu Deus, a quem peço paz, tranquilidade, confiança e domínio próprio. Pela fé sinto tudo isso, e mais ainda, a certeza que preciso ter de que farei um bom trabalho. Além disso, tomo sempre um propanolol de 10 mg (lá vou eu me automedicando de novo, os médicos de plantão me perdoem, por favor), que serve para diminuir os batimentos cardíacos me deixando bem “zen” para a apresentação que irei fazer.

Com o tempo, para as pessoas “normais”, ou não tímidas, melhor dizendo, fica mais fácil controlar tudo isso, aliás, tão fácil que é internalizado, deixando de racionalizar sobre esse nervosismo. Para mim, contudo, ainda hoje sou atacado por esse sentimento, essas sensações, então tenho que me agarrar ao que posso para chegar ao final da minha aula, palestra ou seminário, e chegar vivo, consciente e com um resultado satisfatório, seja a compreensão daquilo que falei, seja a aprovação por meio de uma nota boa vinda da professora.

Deus nos abençoe.

Catarse coletiva; a igreja do Brasil se aproxima da igreja americana

Esse fim de semana passado estive em Fortaleza para o feriado do dia do trabalho.

Como costumo fazer sempre que estou lá, fui para uma igreja que uns amigos freqüentam e que gosto bastante, tem um pastor famoso (apesar dele não ter pregado essa vez), e que é uma igreja muito grande, com uma quantidade significativa de membros.

Não vou comentar nada de “errado” que vi na igreja. Não é isso. Não sei nem se posso considerar certo ou errado o que vou falar aqui, mas tudo bem, e sem querer filosofar a respeito, vou logo começando dizendo que estava eu bem sentado em minha cadeira ao lado da minha mãe, e os pais do marido da minha irmã que estão de volta ao Brasil depois de uma temporada nos Estados Unidos, sentados ao lado dela, quando um dos pastores se dirigiu a platéia pelo nome, ao que foi ovacionado com um “boa noite fulano”.

Obviamente o nome dele não é fulano, coloquei fulano para preservar a identidade do pastor e da igreja, apesar de que honestamente nem lembro o nome dele.

Depois ele falou algumas coisas e sempre a igreja respondendo.

Nesse momento fiquei imaginando uma conversa que tive com o tio Ari (o pai do meu cunhado) sobre as igrejas nos EUA, a maioria quase morta, esvaziada, só com pessoas idosas. Lembrei-me durante a conversa do que o pastor da igreja que freqüento aqui em Salvador falou de sua visita à Suécia ano passado, que as igrejas lá estavam encolhendo, definhando, morrendo mesmo, onde havia um culto por semana de uma horinha no domingo pela manhã e se houvesse no sábado anterior alguma programação, já era motivo suficiente para não ter nada no dia seguinte.

É triste ver que os Estados Unidos, que já foram o berço do movimento missionário mundial até bem pouco tempo atrás vê-se nesse estado. Igualmente triste é ver a Suécia, palco do movimento pentecostal tradicional no final do século XIX e início do século XX ter chegado a esse nível de frieza espiritual.

Jesus já bem disse que no fim dos tempos o amor de muitos esfriaria (Mateus 24:12), mas como Ele mesmo colocou, a razão para que isso acontecesse é a multiplicação da iniqüidade.

Tio Ari falou ainda que o culto de oração nas quartas-feiras era mais um lanche coletivo com alguma palestra insossa do que um momento dedicado ao louvor do Senhor. Falou o quanto era difícil conseguir pastores para trabalhar na obra e ao invés de ficar estudando, teologizando nas escolas e promovendo a criação de doutrinas as mais confusas e estranhas possíveis.

Pensei ainda com meus botões que desde a década de oitenta temos importado os costumes, modismos e teologias, normalmente as piores, principalmente dos Estados Unidos, e é isso exatamente que me preocupa.

Se hoje somos considerados o celeiro de missões mundiais, como um dia foram os Estados Unidos, e anteriormente a Europa (e hoje essa última está ainda em pior estado do que o primeiro), temos que tomar cuidado para não enveredarmos justamente pelo mesmo caminho de erro que eles antes de nós trilharam.

Os Estados Unidos e os países da Europa, desenvolvidos socialmente, onde a pobreza, em geral, é algo do passado, onde vive-se tão bem, com expectativas tão altas de vida, e “vida em abundância”, como diria o Mestre, estão vivendo um caos espiritual e decadência moral cada vez maiores, em completo abandono e esquecimento do amor de Cristo, isso deve-se a terem se apegado aos bens materiais ao invés dos bens morais e espirituais, terem esquecido o amor ao próximo e terem aprendido, e como, o amor ao dinheiro.

A catarse coletiva em que se transformou o culto americano, isto é, pelo menos aquele que ainda existe porque a maior parte dos cultos é de meros rituais religiosos sem função ou causa que seja mais profunda do que a mera casca superficial, algo que venha do âmago do nosso ser (digo, do deles), começa a repercutir e gerar seguidores aqui no Brasil.

Enquanto isso, tio Ari me disse que ele, como brasileiro que é, bastante efusivo e carinhoso, chegava para abraçar as pessoas depois do culto e muitas delas, senhores e senhoras já de idade, vinham às lágrimas pelo mais simples contato humano que há tanto não sabiam o que era.

Essa experiência na igreja no fim de semana passado pode não ter nada a ver com isso. Deus me fala muitas vezes sobre situações específicas em lugares que não tem necessariamente a ver com o assunto em fim. No entanto, é curioso ver o direcionamento que a igreja no Brasil tem tomado nas duas últimas décadas, e é só desse período que posso falar, já que só tenho vinte e nove anos de idade e de igreja, e ver aquela realidade que vi ali, onde pessoas tinham um momento semanal de experiência religiosa que culminava em uma catarse coletiva proporcionada pelo pastor, pela banda, pelo ambiente.

Fico pensando, e termino aqui até porque continuo mastigando e ruminando essa idéia, em como eu penso que a igreja se vive mais na realidade do dia a dia, do pequeno grupo onde um conhece o outro, apóia e sustenta, onde você estabelece vínculos de amizade, onde o irmão mais experimentado exorta o mais novo na fé, ou seja, um cristianismo mais próximo daquilo que lemos na Bíblia, do que essas experiências psicológicas regadas a muita música (e algumas vezes danças, e muito mais) que chego mesmo a questionar muitas vezes se fui para o local certo, se fui prestar um culto a Deus ou assistir um espetáculo, um “show” da fé.

Será que é esse caminho que estamos andando, de uma igreja que prega, que louva, para uma igreja “satisfeita”, como alguém que comeu um churrasco, e de “barriga cheia” fica apenas contemplando, deixa de agir, de cumprir o seu propósito não apenas social, mas vital-existencial-espiritual, que é o de levar pessoas a Cristo, como diria a missão de uma igreja aqui em Salvador, através de atitudes, palavras e ações?

Deus nos abençoe.

Pensamento do dia

Li o Salmo 73 hoje à tarde e meditei nos quatro últimos versículos, que seguem abaixo:

25 Quem tenho eu no céu senão a ti? e na terra não há quem eu deseje além de ti.

26 A minha carne e o meu coração desfalecem; mas Deus é a fortaleza do meu coração, e a minha porção para sempre.

27 Pois eis que os que se alongam de ti, perecerão; tu tens destruído todos aqueles que se desviam de ti.

28 Mas para mim, bom é aproximar-me de Deus; pus a minha confiança no Senhor DEUS, para anunciar todas as tuas obras.

De fato, em quem podemos confiar se não no Senhor nosso Deus? Tudo nos atinge e persegue mas é Ele quem nos guarda e protege com sua mão forte, nos consolando e acalentando com seu amor.

Por isso, busquemos a esse Pai de amor, acheguemos-nos a Ele, anunciemos sua verdade, seu amor, seu perdão e seu poder.

Deus nos abençoe.

Casamento

Meu casamento está chegando.

Faltam aproximadamente cinco semanas para o casamento civil e menos de dois meses para a cerimônia religiosa.

Na verdade não vim falar sobre o meu casamento que está breve, mas sobre algo que ouvi ontem na faculdade.

Cheguei ontem mais cedo e fui para a área da cantina onde tinham vários colegas conversando a respeito de casamento.

Achei curioso as várias opiniões apresentadas mas queria trazer aqui à luz apenas duas.

A primeira delas que queria falar é a que ouvi de uma colega que está namorando um cara que ela disse que conheceu quando ele estava terminando o namoro que ele tinha com outra pessoa. Pelo que entendi eles começaram antes dele terminar o namoro anterior. Ela disse que quando o casal se ama não tem essa de desconfiança, pode vir quem for ele ou ela respeitam o seu respectivo e ignoram as investidas. Assim, se o namorado atual dela gostasse realmente da outra não teria sequer olhado para ela, que dirá terminado com a outra para ficar com ela.

Concordo plenamente. Quando se ama, se respeita, e isso é o suficiente para afastar, com mais ou menos ênfase, a depender da abordagem, àquele que está tentando investir contra a pessoa, contra o relacionamento. Se preciso for, até ser grosseiro acho válido, como coloquei na minha opinião ontem.

A segunda opinião que ouvi e queria colocar aqui é a que ouvi de outra colega minha dizendo que queria casar e ter vários filhos, que esse era o sonho da vida dela e que ela queria terminar a faculdade já casada.

Surpreendeu-me não só a opinião em si, tão dissonante das demais, e tão discrepante frente ao considerado normal hoje em dia, que é o “aproveitar a vida”, carpe diem, não casar, ou deixar para casar o mais tarde possível ficando com todos e todas quanto puder, numa promiscuidade e falta de compromisso absurdo (para mim pelo menos), mas de quem estava vindo aquela opinião.

Eu sei que não devemos julgar ninguém, e prejulgar menos ainda, mas a fama dessa minha amiga, da própria boca dela, é de gostar de farra, de beber etc. Não vou julgar o comportamento em si, mas apenas a correlação do estilo de vida atual com o pretendido, que no meu entendimento são incompatíveis.

Não estou dizendo que o casal não irá mais sair, mas que ambos, por exemplo, não irão mais sair só com os amigos individualmente para encher a cara e paquerar por exemplo. Pelo menos para mim, esse último comportamento não é normal.

Mas deixa eu voltar para o que queria dizer, que é uma coisa que eu pensei alguns anos atrás. Não se pode exigir de outro aquilo que você não é ou não está disposto a ser.

Explico. Anos atrás eu orava a Deus pedindo uma pessoa assim e assado, e nunca obtinha resposta, até que alguém me deu essa lição: “Eliade, você não pode pedir a Deus algo que você não é, porque Deus não iria dar você a alguém que não te merece”, e esse merecer não era que eu fosse bom demais para a pessoa, ao contrário, eu era ruim para a pessoa e Deus não iria fazer uma “sacanagem” com essa pessoa, quem quer que fosse.

Não sei se me fiz entender direito, mas voltando à opinião da colega, eu não quis dizer na hora até porque não se trata de uma coisa específica dela, é algo que já ouvi várias vezes, se você quer alguém “pra casar”, seja alguém “pra casar”. Não espere algo que você não é, porque pode até acontecer mas provavelmente não dará certo, a não ser que você ou o outro mude e cheguem a um meio termo que pode não agradar ninguém.

É difícil não querer ser usado, servir de objeto para alguém, se é assim que você age com os outros, se é esse seu comportamento. Com sentimentos não se brinca, já diziam os antigos, e nesse condão lembro-me das palavras de Salomão em Provérbios 4:23 “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida”.

Estas foram algumas palavras minhas, posso dizer, depois de alguns anos de experiência, pois já não sou mais garoto, e depois de algumas poucas “ficadas” que já ficaram para trás na lembrança, e alguns relacionamentos mais sérios, sendo o atual com quatro anos e caminhando para o casamento, se Deus quiser.

Espero ter-me feito entender e desculpem-me se a alguém ofendi.

Deus nos abençoe.

Que ética?

Vi hoje umas fotos no orkut que me chamaram a atenção.

As fotos estavam no orkut de uma amiga minha de Fortaleza que há anos não vejo pessoalmente, e que não entrarei em detalhes para não identificá-la demais até porque o post que estou escrevendo não é sobre ela em particular, mas sobre as fotos, ou melhor, o que as fotos representam, e que são algo que podem ser generalizadas, e vou fazer isso.

As imagens eram de bolsas, relógios e outros artigos de luxo, digamos assim, classe média, e tinham na legenda algo como “Relógios importados” e “Bolsas importadas”, por encomenda.

Essa minha amiga vive fora do país e está fazendo uns trocados trazendo produtos para vender aqui no Brasil.

Que mal há nisso, alguém poderia perguntar, ou mesmo afirmar que isso é uma coisa comum.

De fato, é bastante comum, conheço várias pessoas que fizeram e fazem isso.

No entanto, não é porque é comum que passa a ser correto, eticamente falando e pior, no caso trata-se de crime de descaminho, ou seja perpassa a mera questão ética.

Mas sem entrar no mérito de que a pessoa não pode importar enquanto pessoa física produtos para venda, ou mesmo trazer consigo em suas viagens esse tipo de produto com a mesma finalidade, o que acarretaria em sansão administrativa por parte da Receita Federal, ou, como falei, configuraria crime e poderia ser punido na extensão da lei, quero me ater à questão ética, até porque essas pessoas que conheço que fazem isso se dizem cristãs, e acima da ética do mundo em que vivemos que pode até dizer que não há problema nesse tipo de comportamento, a ética de Cristo de dar a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus (Marcos 12:17) é muito superior, muito mais profunda e severa.

Eu posso não concordar com a forma como o governo aplica os recursos que arrecada, posso até não ver problema nisso, como já mencionei, mas não tenho como dizer que é ético, pelo menos à luz da Palavra de Deus burlar o fisco brasileiro em troca de uma vantagem pessoal e imediata.

Isso me lembra algumas pregações que ouvi onde os pastores, com razão, afirmaram que não adianta você orar a Deus pedindo para ele lhe ajudar com algo errado, como por exemplo, pedir a Deus para não ser pego quando você sonega impostos, ou quando a sua empresa está irregular e você ora pedindo para não ser multado. A ética de Deus não funciona assim.

Que ética é essa que estamos vivendo, tão distante da ética e da moral de Cristo, onde tudo é justificável?

Deus nos abençoe.