Violência

As vezes fico pensando que a violência deste mundo é diretamente responsável e ao mesmo tempo resultado da falta de amor, do esfriamento generalizado do amor, conforme Mateus 24:12 que diz “E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará”.

A violência, além de traumatizar, tem o poder nefasto de insensibilizar as pessoas, tornar banal algo que é estúpido, grosseiro, desumanizador, diminuindo o valor do ser humano, das relações, instituindo a ditadura do medo, forçando-nos a nos desapegarmos uns dos outros.

Por outro lado, a mesma violência possui também como resultado e como princípio o egoísmo, o amor exagerado do si mesmo, do eu. Não posso me esquecer das palavras do apóstolo Paulo em 2 Timóteo 3:1-5, falando sobre esta geração de hoje, os homens e mulheres do nosso tempo:

Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te.
A minha oração hoje é que Deus renove a minha mente, purifique os meus pensamentos, mude a minha vontade, dê-me novos sonhos, enfim, me desfaça como um oleiro a um vaso deformado, e me reconstrua conforme os seus valores, e não permita que eu me assemelhe ou adote os padrões deste mundo, desta sociedade rebelde e distante do Pai. Como diria o pastor Ed René Kivitz, eu convido você a fazer também esta oração.
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Liberando o perdão

Olhai por vós mesmos. E, se teu irmão pecar contra ti, repreende-o e, se ele se arrepender, perdoa-lhe. E, se pecar contra ti sete vezes no dia, e sete vezes no dia vier ter contigo, dizendo: Arrependo-me; perdoa-lhe. – Lucas 17:3-4

Nesse texto, como em muitas outras passagens das Escrituras, somos instados a perdoar. Taí coisa difícil a ação de perdoar.

Perdoar é um verbo porque demanda movimento, ação ainda que de espírito e mente, embora as vezes física mesmo, de uma disposição agressiva, vingativa, cheia de mágoa, para uma posição de neutralidade, até para um reencontro, um reinício, se possível, um reestabelecimento das relações de cordialidade, onde o coração aprende a esquecer e deixar pra lá a ofensa, o que passou, e estende novamente a mão.

É custoso, tudo isso depende de esforço, as vezes sobrehumano, e é por essa razão que contamos com o poder do Espírito Santo que habita em nós, nos levando a caminhar uma segunda milha quando por vezes nem a primeira conseguiríamos.

Contudo, não devemos baratear o perdão, pois embora seja de graça, exige um preço e um sacrifício, que é a condição do arrependimento. O perdão que é dado sem ser pedido, sem ser resposta a um coração arrependido, é desperdiçado, vira escárnio, e a pessoa que é objeto do perdão nunca irá ser transformada.

Vejam bem que o texto é bem claro que devemos repreender o nosso irmão se ele pecar contra nós, ou seja, demanda-nos uma postura firme de correção não apenas para defender nosso direito, de modo egoísta, mas para proteger o irmão de uma vida de erro e pecado.

Além disso, o texto prossegue, se ele voltar a si e se arrepender, só aí deveremos perdoá-lo. Novamente Jesus afirma, se o irmão pecar contra nós várias vezes ao dia, se ele demonstrar arrependimento, por pior que seja a afronta devemos liberar o perdão e tentar esquecer o que aconteceu, lançando para trás, não tornando novamente em sua face o ocorrido.

Que essa palavra encontre abrigo hoje em nossos corações, pois nós também estamos sujeitos a pecar, e quando o fizermos, que Deus nos ajude a nos arrepender e buscar imediatamente solucionarmos o conflito através de uma confissão àquele a quem ofendemos, e igualmente que nos permita, nos capacite a repensar nosso sentimento de superioridade quando decidimos por não perdoar o nosso irmão que nos tem ofendido, lembrando-nos que, conforme a oração sacerdotal, somente somos perdoados por Deus quando estendemos o perdão que recebemos nas relações horizontais que possuímos, apenas com essa única condição, que nosso ofensor tenha nos procurado disposto a mudar, possuidor de um genuíno arrependimento em seu coração, afinal Deus também só nos perdoa quando O buscamos com um arrependimento sincero.

Deus nos abençoe.

O sentimento do pai

‎"E, levantando-se, foi para seu pai; e, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou." – Lucas 15:20

Lucas 15:11-32 narra a conhecida parábola do filho pródigo. Não analisarei a parábola a fundo, até porque tantas vezes eu mesmo fiz isso, e você provavelmente também já ouviu falar alguma vez dela. No entanto, gostaria de pensar rapidamente sobre um aspecto dessa mensagem, presente nesse versículo acima: o sentimento do pai ao ver o filho.

Se o pai tivesse visto o filho, apesar de todos os pesares, retornar ao lar feliz, exultante, em boas condições de saúde e aparência próspera, talvez até trazendo consigo mulher e filhos, seu sentimento para com o filho seria possivelmente de alegria pelo retorno, satisfação pelas realizações que ele alcançou, curiosidade de saber o que lhe tinha ocorrido durante sua ausência.

No entanto, só posso imaginar a situação em que se encontrava aquele rapaz. A Bíblia não relata explicitamente o estado final dele, mas podemos concluir que deveria ser lastimável, pois ele acabara de chegar de um país que sofria uma fome intensa, no qual havia perdido tudo que tinha – tempo, saúde, bens e ‘amigos’ – desperdiçados com um estilo de vida promíscuo e extravagante, ao ponto de ter de disputar o alimento com os porcos, animal sujo e sem higiene para os nossos padrões e considerado impuro segundo os padrões sociais e religiosos judaicos, e ainda sonhar, desejar a condição do trabalhador braçal, dos empregados do seu pai que possuíam o pão para comer, e sandálias para calçar.

O pai então é movido de íntima compaixão e então percebo como deve se sentir Deus, pois a figura paterna nessa parábola aponta para Si, quando olha para nós, seus filhos amados e que temos tantas vezes desperdiçado nossas vidas, nossos dons e talentos que Ele nos deu, fugindo de sua presença, vivendo distantes do seu convívio, de seu amor.

Deus olha para nós e corre ao nosso encontro através de seu filho Jesus. Ele nos beija através do seu Santo Espírito, apesar do fedor e da sujeira do nosso pecado, a despeito daquilo ‘manchar’ suas limpas vestes. Deus não liga que tenhamos voltado de uma vida jogada na sarjeta, pois Ele se alegra pelo simples fato de termos voltado!

Deus não se importa até com a comoção social que significa um homem de idade não apenas receber um filho rebelde de volta ao lar, mas ainda correr em sua direção (algo vergonhoso para um homem de idade fazer naquela época), o que demonstra de maneira clara e definitiva o quanto Deus se importa comigo e com você, o quanto Ele nos ama e está disposto a perdoar, a deixar tudo que passou para trás e nos trazer novamente à condição de filhos, restaurar a nossa dignidade e começar do zero um novo relacionamento de intimidade conosco.

A última coisa que penso com relação ao sentimento do pai nessa parábola é que dificilmente um pai, vendo o filho nesse estado, teria tempo ou disposição para ter algum tipo de ressentimento, ou teria de ser um pai muito ruim para antes de qualquer coisa lançar-lhe tudo em rosto, censurá-lo antes sequer de recebê-lo. Não. Deus certamente não nos quer ao seu lado como filhos imundos, maltrapilhos e descalços como um escravo qualquer. Ele deseja celebrar conosco com o novilho cevado. Deus não guarda qualquer espécie de mágoa ou ressentimento de filhos que, mesmo rebeldes, resolvam voltar ao seu convívio.

Deus nos abençoe de modo que possamos parar hoje e voltarmos aos braços do Pai que nos receberá sem reservas. Ele nos ama e está dizendo ainda hoje para regressarmos, pois permanece disposto a perdoar as nossas falhas.

Um só mediador

‎"E aconteceu que, dizendo ele estas coisas, uma mulher dentre a multidão, levantando a voz, lhe disse: Bem-aventurado o ventre que te trouxe e os peitos em que mamaste.
Mas ele disse: Antes bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a guardam." – Lucas 11:27-28

Neste domingo, meditemos nas palavras do Senhor, a quem temos venerado, adorado, servido, orado: a Deus, através de seu filho Jesus, único mediador entre Deus e os homens, conforme 1 Timóteo 2:5; ou a Maria, anjos ou ‘santos’, ou mesmo que tenha sido a Deus por ‘intermédio’ destes?

Muito embora devamos reconhecer a importância do testemunho de Maria, dos apóstolos e de homens e mulheres que vieram a ser mártires, entregando suas vidas por amor de Cristo, nunca devemos esquecer que eles também eram homens como nós, sujeitos às mesmas paixões e defeitos, falíveis e de fato falhos, entendendo que nunca poderiam substituir a Cristo em sua intercessão por nós junto ao Pai, como único verdadeiro advogado em nossa causa, conforme 1 João 2:1,2.

Por que abriríamos mão, pois, de um relacionamento próximo de intimidade com o Pai por meio de Cristo interpondo ainda outra pessoa entre nós e o Pai?

Jesus viveu entre nós e disse que está (presente contínuo) conosco até o fim dos tempos (Mateus 28:20), através do seu Santo Espírito que habita em nós, portanto não carecemos de padre ou pastor, algum santo mártir, ou ainda Maria mãe biológica de Jesus, para levar nossos pedidos e súplicas em oração ao Pai, ainda que estes de fato pudessem interceder por nós, o que não é o caso.

De fato, alçamos indevidamente alguns homens e mulheres à condição de semideuses, concedendo-lhes poderes que somente Deus possui, como a onisciência, onipresença e onipotência necessárias para ouvir e responder orações em diversos idiomas, concomitantemente, nos mais distantes países do mundo.

Não sejamos, portanto, nem inocentes nem ingênuos, meninos na nossa fé, de crermos nesse tipo de lenda; ao contrário, exercitemos uma religião saudável, crítica e questionadora, buscando confrontar qualquer pessoa, por mais que exerça uma suposta posição de liderança espiritual, verificando junto à Bíblia, palavra de Deus, se aquilo que falam e vivem é verdade e faz sentido.

Por fim, e voltando à exegese dessa mesma palavra, feliz (bem-aventurado) é não Maria mãe de Jesus, apenas pelo fato de ter sido mãe biológica de Jesus, mas sim todo aquele que ouve a palavra de Deus e a guarda, a obedece; estes são os que amam verdadeiramente o Pai, e os quais o Pai ama verdadeiramente (João 14:21).

Deus nos abençoe.