Para não julgarmos

Não julguem, para que vocês não sejam julgados.
Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês.
Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho?
Como você pode dizer ao seu irmão: ‘Deixe-me tirar o cisco do seu olho’, quando há uma viga no seu?
Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão. – Mateus 7:1-5

Infelizmente vivemos numa sociedade onde somos constantemente julgados, seja pela nossa aparência, se somos bonitos ou feios, altos ou baixos, magros ou gordos, se nos vestimos dessa ou daquela maneira, usando roupas da moda ou não, se estamos de acordo com aquilo que o grupo no qual queremos ser aceitos considera como “legal”, “bacana”, se possuímos um bom emprego, um carro, uma casa, se temos estudo…

Tudo é razão para olharmos uns para os outros e apontarmos o dedo, especialmente quando erramos e caímos, logo aparecem muitas pessoas para acusar, para atirar pedra, mas nessas horas parece que até os poucos amigos que achamos que temos fugiram, e não estão lá para nos apoiar e ajudar a levantar.

Hoje eu gostaria de ler com você três histórias que se passaram na vida de Jesus, e através de algumas simples perguntas, convidar vocês a refletir sobre uma lição que Jesus nos deixou através de seu próprio exemplo.

A primeira história se encontra narrada na Bíblia em Mateus 9:9-13.

Passando por ali, Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado na coletoria, e disse-lhe: “Siga-me”. Mateus levantou-se e o seguiu.
Estando Jesus em casa, foram comer com ele e seus discípulos muitos publicanos e “pecadores”.
Vendo isso, os fariseus perguntaram aos discípulos dele: “Por que o mestre de vocês come com publicanos e ‘pecadores’? ”
Ouvindo isso, Jesus disse: “Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes.
Vão aprender o que significa isto: ‘Desejo misericórdia, não sacrifícios’. Pois eu não vim chamar justos, mas pecadores”. – Mateus 9:9-13

Essa história narra como Jesus convidou Mateus para ser seu discípulo.

Só pra gente entender um pouco o contexto, Mateus era um cobrador de impostos.

Ora, se hoje ninguém gosta de alguém que cobre impostos, porque, convenhamos, ninguém gosta de pagar impostos, ainda mais sabendo que muitos dos fiscais que trabalham com cobrança e fiscalização são corruptos, e só cobram daqueles que são honestos, já que os desonestos costumam “molhar sua mão”, imaginem se os fiscais fossem de um governo estrangeiro que está dominando seu país, ou seja, se os impostos que você tem pago a contragosto estão indo beneficiar não você, sua família, seus vizinhos, seu país, mas outro país?

Os cobradores de impostos na época de Jesus eram assim, corruptos e considerados traidores da pátria, então imaginem como a população tinha desprezo e odiava quem realizava essa função?

Veja que nessa história, o texto fala de “publicanos” – esse era o nome da função de cobrador de impostos no império romano – e pecadores, como se publicano fosse uma espécie diferente de pecador, um super-pecador, por assim dizer, alguém tão desprezível que merecia uma categoria própria de classificação.

Em Lucas 19 temos a história de outro homem que também era cobrador de impostos, o nome dele era Zaqueu, e Lucas descreve esse homem como muito rico, mas cujas únicas amizades eram de outros cobradores de impostos como ele, já que a população de sua cidade tinha desprezo por ele e lhe tratava como um inimigo.

E, no entanto, Jesus foi comer justamente com essas pessoas.

A pergunta que eu gostaria que a gente refletisse nessa primeira história então é a seguinte: será que você já foi julgado por algo que você faz, pelo tipo de trabalho que tem, será que quando as pessoas olham para você, mesmo sem conhecer quem você realmente é elas lhe apontam o dedo e dizem coisas que muitas vezes não é verdade, e mesmo que seja não é tudo que você é?

A segunda história que iremos refletir hoje está no livro de João, capítulo 9, versos 1-7.

Ao passar, Jesus viu um cego de nascença.
Seus discípulos lhe perguntaram: “Mestre, quem pecou: este homem ou seus pais, para que ele nascesse cego?”
Disse Jesus: “Nem ele nem seus pais pecaram, mas isto aconteceu para que a obra de Deus se manifestasse na vida dele.
Enquanto é dia, precisamos realizar a obra daquele que me enviou. A noite se aproxima, quando ninguém pode trabalhar.
Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo”.
Tendo dito isso, ele cuspiu no chão, misturou terra com saliva e aplicou-a aos olhos do homem.
Então lhe disse: “Vá lavar-se no tanque de Siloé” (que significa Enviado). O homem foi, lavou-se e voltou vendo. – João 9:1-7

Nessa segunda história, temos Jesus encontrando uma pessoa com uma deficiência física, um homem cego.

Ora, se hoje, com a tecnologia que nós temos, e escolas, e apoio em geral da sociedade de maneira a incluir e tornar produtivas e aceitas as pessoas com deficiência, ainda assim essas pessoas têm muitas dificuldades, imaginem na época de Jesus onde não havia nada disso.

Agora para piorar, naquela época as pessoas acreditavam que uma deficiência física ou uma doença grave era sinal de que a pessoa tinha sido castigada por Deus por causa de algum pecado sério que ela mesma ou seus pais tinham cometido, ou seja, a sociedade via aquelas pessoas que já experimentavam todo tipo de constrangimento e limitação, muitas vezes sem conseguir trabalhar e tendo que depender completamente de sua família, chegando ao ponto de pedir esmola para ter o que comer, como pessoas amaldiçoadas por Deus.

Imaginem isso!?

E, no entanto, Jesus diz que não é assim, Jesus toca os olhos daquele cego e o cura de sua deficiência.

Em Mateus 9:27-31 temos a história de dois outros cegos que Jesus também toca em seus olhos para que também pudessem ver.

A pergunta que gostaria que refletíssemos nessa segunda história é a seguinte: será que você já se sentiu menosprezado por algo no seu corpo, não precisa ser necessariamente uma deficiência, mas algo que te deixa com vergonha, constrangido, algo que as pessoas podem rir de você, ou mesmo ter uma “peninha” que na verdade também não ajuda em nada a sua dor? Pior, algo que alguém pode dizer que é culpa sua, ou até castigo de Deus em sua vida por algo que você não fez, mas que eles pensam que sim?

A terceira história que temos para refletir hoje está narrada em Lucas 7:36-39:

Convidado por um dos fariseus para jantar, Jesus foi à casa dele e reclinou-se à mesa.
Ao saber que Jesus estava comendo na casa do fariseu, certa mulher daquela cidade, uma ‘pecadora’, trouxe um frasco de alabastro com perfume, e se colocou atrás de Jesus, a seus pés. Chorando, começou a molhar-lhe os pés com as suas lágrimas. Depois os enxugou com seus cabelos, beijou-os e os ungiu com o perfume.
Ao ver isso, o fariseu que o havia convidado disse a si mesmo: “Se este homem fosse profeta, saberia quem nele está tocando e que tipo de mulher ela é: uma ‘pecadora’ “. – Lucas 7:36-39

Essa história fala que Jesus foi jantar na casa de um fariseu. Os fariseus eram um grupo religioso que era muito radical em suas crenças e práticas religiosas, pessoas que colocavam sua religião acima de tudo e de todos, um grupo que frequentemente discutia com / e perseguia Jesus, e que foi diretamente responsável pela sua morte.

Nessa história temos outra personagem, uma mulher sem nome descrita apenas como “pecadora”. Perceba bem, a Bíblia não fala exatamente qual era o pecado dessa mulher, apenas que era tão público e notório, era algo tão escandaloso que ela não era mais conhecida por seu nome, mas pelo pecado que havia cometido ou praticado.

Agora vamos nos colocar por um momento no lugar dessa mulher. Será que temos algo em nossas vidas que fizemos de errado no passado, reconhecemos que foi errado, aquilo marcou a nossa vida gerando traumas que carregamos até hoje e que infelizmente as pessoas não conseguem mais olhar para nós como outra pessoa normal, mas como “a pecadora”, ou seja, a nossa história é quem nos define e não quem de fato somos?

Veja que o fariseu, uma espécie de líder religioso, chegou a duvidar de Jesus, dele ser um profeta, porque Jesus permitiu que a mulher considerada pecadora, de má fama, tocasse nEle, e aqui cabe um parêntese, de que os fariseus, em sua religiosidade, faziam coisas tão exageradas que nem a própria lei de Moisés mandava fazer, e, por outro lado, não conseguiam entender que Deus, mesmo por meio do rigor da lei, agia com graça em favor das pessoas, e não massacrava nem repudiava, nem afastava as pessoas como aqueles homens faziam. Eles, de fato, estavam mais preocupados com sua reputação se as pessoas da sociedade vissem aquela pessoa de má-fama tendo contato com eles do que em ajudá-la a vencer seus traumas e deixar para trás seu passado de vergonha.

Mas Jesus não teve vergonha dela, nem se preocupou com o que as pessoas iriam falar dele por causa daquela mulher.

A pergunta que temos, então, para refletir é a seguinte: será que você carrega traumas do passado que não consegue superar, coisas que fizeram com que as pessoas se afastassem de você e não queressem mais contato, não confiassem mais em você, algo que você já mudou, mas que continua afetando a maneira como as pessoas olham pra você e pensam a seu respeito? Será que, por outro lado, você não tem sido como um daqueles religiosos e apontado o dedo na cara das pessoas, afastando-as, ao invés de acolhendo-as, ajudando a mantê-las naquela situação de abandono e condenação ao invés de ajuda-las a mudar de vida e de construir uma nova história para elas?

Essas três histórias nos ensinam uma importante lição a respeito de Jesus, que Ele, sendo Deus, escolheu ser como um de nós, uma pessoa comum, e de todos os lugares onde ele poderia nascer, nasceu em um estábulo de animais sem higiene, filho de pessoas pobres, um carpinteiro e sua jovem esposa, viveu em uma região afastada dos grandes centros, que era Nazaré, e fez questão de andar com as pessoas que a sociedade julgava serem ninguém, não terem importância, pessoas que a religião dizia que você não podia tocar, que as convenções sociais diziam que você não poderia conversar ou se relacionar.

Jesus, então, toca em quem ninguém tem coragem de tocar, ele abraça os feridos de alma e afirma que para Ele nós somos importantes, Ele faz e vai além do que a religião diz que a gente pode ir ou fazer, Ele mesmo que foi rejeitado decide acolher os rejeitados e nos manda fazer o mesmo.

Esse é o mesmo Jesus de ontem, que restabeleceu dignidade àquela mulher pecadora, que deu vista aos cegos e operou muitos milagres, aquele que não teve preconceito de se relacionar com todos, andar com todos, falar e tocar a todos quantos queriam e precisavam de seu toque, de sua companhia, o mesmo Jesus que hoje quer fazer o mesmo por mim e por você, nós que temos tantos preconceitos, que julgamos tanto as pessoas mesmo sendo também vítimas muitas vezes do olhar e do dedo acusador de alguém. Ele está conosco e nos diz: parem de julgar, parem de condenar, comecem agora mesmo a ajudar, a animar, a levantar; e também nos diz quando estamos fracos e caídos que estará sempre conosco todos os dias, nos dando força para prosseguir na caminhada.

Nós podemos voltar pras nossas casas refletindo nessas três perguntas que eu fiz essa noite:

1.                       Será que quando as pessoas olham para você, mesmo sem conhecer quem você realmente é, elas lhe apontam o dedo e lhe julgam? Ou será que você tem feito isso com relação a outras pessoas?

2.                       Será que você já se sentiu menosprezado por algo que te deixa com vergonha, algo que alguém pode dizer que é culpa sua, ou até castigo de Deus em sua vida por algo que você não fez, mas que eles pensam que sim? Ou será que você fez alguém se sentir assim?

3.                       Será que você tem estado preso ao seu passado e se deixado definir por sua história até agora? Ou será que você tem apontado o dedo na cara das pessoas, ao invés de ajuda-las a mudar de vida e de construir uma nova história para elas?

E a lição que aprendemos com Jesus, que pode nos ajudar a refletir nessas perguntas é para sermos menos preconceituosos com relação às pessoas, deixando de julgá-las mas oferecendo a mão para ajudá-las, caminhando com elas, de modo a levá-las cada vez mais para perto de Deus, e ajudando-as a mudar de vida, para uma vida melhor com Deus, com Jesus.

Deus nos abençoe.

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Histórias parecidas, encontros com Jesus, resultados diferentes

Jesus utilizava muito parábolas para ensinar a respeito dos valores do Reino de Deus. Parábolas são como fábulas, estórias com uma moral, um ensinamento central.

Hoje, no entanto, vamos ver duas histórias que realmente aconteceram, não foram fábulas, não foram parábolas, mas como dois homens realmente tiveram um encontro com o Senhor, dois homens com histórias de vida muito parecidas em alguns aspectos, mas que saíram de seus respectivos encontros com Jesus de maneira bem diferente.

A primeira história que iremos ver é a do jovem rico, uma pessoa cujo nome não é mencionado na Bíblia, mas que se encontra narrada em Mateus 19:16-24.

E eis que, aproximando-se dele um jovem, disse-lhe: Bom Mestre, que bem farei para conseguir a vida eterna?
E ele disse-lhe: Por que me chamas bom? Não há bom senão um só, que é Deus. Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos.
Disse-lhe ele: Quais? E Jesus disse: Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho; honra teu pai e tua mãe, e amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Disse-lhe o jovem: Tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade; que me falta ainda?
Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, e segue-me.
E o jovem, ouvindo esta palavra, retirou-se triste, porque possuía muitas propriedades.
Disse então Jesus aos seus discípulos: Em verdade vos digo que é difícil entrar um rico no reino dos céus.
E, outra vez vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus. – Mateus 19:16-24

Desse primeiro encontro, podemos tirar ao menos duas lições:

  1. O jovem queria fazer algo para conseguir a vida eterna. Ele seguia a lógica do mérito, do esforço pessoal, como ele havia conquistado tudo na vida com base nessa lógica, supôs que a vida espiritual seguiria a mesma lógica de “faça isso” ou “não faça aquilo” e “estamos conversados”, que é a lógica de muitas religiões mas NÃO é a lógica de Jesus nem do cristianismo.
  2. O jovem acreditava que com bajulação (“bom mestre”) e arrogância (“tudo isso tenho guardado desde a minha mocidade”) poderia conseguir algum favor, como ele provavelmente estava acostumado a fazer com tudo na vida, mas Cristo o repreende mostrando a real intenção do seu coração, o que era realmente importante em sua vida: os bens materiais, o apego que ele tinha por suas riquezas, e não uma devoção sincera a Deus nem uma vontade genuína de seguir a Jesus.

A segundo história que iremos ver é a de um homem rico chamado Zaqueu, um cobrador de impostos para o império romano, que dominava Israel na época de Jesus, como um fiscal da receita nos dias de hoje, considerado um traidor da nação por exercer essa função em prol do império dominante, um pária da sociedade, excluído dos círculos sociais, mal visto, com a fama que um político ou funcionário público corruptos poderiam ter hoje. Sua história é narrada em Lucas 19:1-10.

E, tendo Jesus entrado em Jericó, ia passando.
E eis que havia ali um homem chamado Zaqueu; e era este um chefe dos publicanos, e era rico.
E procurava ver quem era Jesus, e não podia, por causa da multidão, pois era de pequena estatura.
E, correndo adiante, subiu a uma figueira brava para o ver; porque havia de passar por ali.
E quando Jesus chegou àquele lugar, olhando para cima, viu-o e disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, porque hoje me convém pousar em tua casa.
E, apressando-se, desceu, e recebeu-o alegremente.
E, vendo todos isto, murmuravam, dizendo que entrara para ser hóspede de um homem pecador.
E, levantando-se Zaqueu, disse ao Senhor: Senhor, eis que eu dou aos pobres metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo quadruplicado.
E disse-lhe Jesus: Hoje veio a salvação a esta casa, pois também este é filho de Abraão.
Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido. – Lucas 19:1-10

Desse segundo encontro, podemos tirar outras duas lições:

  1. Jesus não tem preconceitos. De fato, a Palavra de Deus nos diz que Ele não faz acepção  (distinção) de pessoas (Romanos 2:11). Ele veio buscar ricos e pobres, seja quem for, desde que reconheça que precisa e depende dele. Este é o sinal, reconhecer-se pecador, doente, sujo, maltrapilho. Como o Mestre mesmo falou, Ele não veio buscar os sadios, os justos, mas pecadores ao arrependimento (Lucas 5:31,32).
  2. O coração de Zaqueu, antes corrupto e ganancioso, tornou-se generoso, mostrando a transformação que Jesus operou em sua vida. Enquanto o jovem rico tinha um coração egoísta e mesquinho e preferiu permanecer assim, Zaqueu bastou conhecer Jesus para reconhecer que sua riqueza não valia nada quando comparada ao eterno, àquilo que as riquezas não podem comprar, como saúde, paz, alegria, tranquilidade, companheirismo, amigos de verdade, respeito e admiração etc.

Vimos, portanto, duas pessoas com histórias parecidas, homens com muito dinheiro, bens, que tiveram encontros com Jesus, mas que saíram desses encontros de maneira bem diferente um do outro: enquanto um (Zaqueu) saiu transformado, feliz, o outro (o jovem rico) saiu transtornado, triste, pois não conseguiu abrir mão daquilo que ele considerava mais importante em sua vida (as riquezas) por amor a Jesus.

Como lições finais da diferença entre essas duas histórias e dois encontros temos:

  1. O homem verdadeiramente rico é aquele que reconhece que suas riquezas, poder, bens, influência, fama etc. não fazem dele uma pessoa melhor ou superior aos outros, nem põe a sua confiança nessas coisas, mas em Deus.
  2. Os ricos também precisam de salvação. É muito “fácil” entendermos porque nós, “reles mortais”, precisamos de Jesus, já que Ele nos dá paz, alegria, saúde, e supre as nossas necessidades, mas muitos ricos acreditam que não precisam de nada, que tudo que eles precisarem, eles mesmos irão comprar e não será Deus quem irá suprir ou providenciar. Só que eles estão enganados, pois ricos também têm carências, frustrações, problemas emocionais e familiares, vivem estressados e só a paz de Jesus pode evitar que vejam seus relacionamentos familiares destruídos ou mesmo tirem suas próprias vidas, como é muito comum em países onde a maior parte da população é rica e diz “não precisar de Deus, de Jesus”.

Revisitando as lições e os textos acima, minha oração hoje é para que Deus nos ajude a nos despirmos de todo preconceito quando ouvirmos e pregarmos o amor de Deus, que é para todos, afinal todos precisam de Deus, entendendo ainda que não podemos colocar nossa confiança e nossa força em riquezas materiais, ou mesmo em outros atributos que porventura consideremos como qualidades ou virtudes pessoais (ex.: podemos não ser ricos, mas confiarmos em nossa força física, beleza estética, conquistas acadêmicas ou profissionais etc.), e sim em Deus, que verdadeiramente é a nossa força e sustento, em quem podemos depender e confiar em tudo, em todas as horas.

Deus nos abençoe.

Religião para o pobre e necessitado

Se não tiver recursos para oferecer uma ovelha, trará pela culpa do seu pecado duas rolinhas ou dois pombinhos ao Senhor: um como oferta pelo pecado e o outro como holocausto.
Se, contudo, não tiver recursos para oferecer duas rolinhas ou dois pombinhos, trará como oferta pelo pecado um jarro da melhor farinha como oferta pelo pecado. Mas sobre ela não derramará óleo nem colocará incenso, porquanto é oferta pelo pecado. – Levítico 5:7,11

Lendo aqui sobre as ofertas de holocaustos que a lei mosaica determinava ao pecador, lei esta outorgada por Deus ao seu povo (Israel) por meio de seu servo Moisés, vejo que NUNCA as ofertas eram pesadas, ou exigiam demais dos fiéis, ao ponto de tornarem a expiação pelo pecado impossível ou inviável. Ao contrário, por duas vezes no mesmo texto vemos a oferta ser “desconsiderada” para menos de modo a facilitar o seu exercício e cumprimento pelo pecador arrependido.

Contudo, muitos anos depois (Mateus 21:12,13), Jesus vê que haviam mercadores no templo negociando com a fé alheia não para facilitar simplesmente a prática religiosa daqueles que vinham de longe e não podiam trazer animais para o sacrifício, mas sim cobrando-lhes exageradamente, um jarro de farinha pelo preço de rolinhas ou pombinhos, e estes pelo preço de uma ovelha, o oposto do que a Lei determinava que era favorecer o pobre de maneira a não marginalizá-lo do exercício da religião.

Infelizmente, porém, hoje, muitos líderes religiosos possuem práticas ainda piores, “vendendo” a salvação como um produto de prateleira, como se possível fosse, milagres e experiências sobrenaturais, não apenas afastando o pobre e perdido pecador de encontrar a salvação que é, sempre foi e sempre será de graça e por graça de Deus, não por meio de obras para que ninguém se glorie (Efésios 2:8,9), como também alienando os mais necessitados da fé genuína e verdadeira e que está disponível a todos sem esforço e sem peso algum ao oferecer-lhes algo diluído, que não se parece nem de longe com o autêntico e original que encontramos sem reservas nas Escrituras.

Lembrem-se disso na próxima vez que ouvir de alguém que você precisa participar de alguma “campanha” numa “igreja” A ou B, “precisam” doar para alcançar o favor ou o perdão de Deus, ou quem sabe ainda “semear” na vida do “anjo da igreja”, ou qualquer que seja o linguajar utilizado, de modo a ser próspero ou obter vitória sobre sua vida, embora o conceito de próspero e vitória na Bíblia não seja de modo algum o que se prega por aí hoje em dia, nem Deus ter prometido mundos e fundos que muitos acreditam que Ele tenha, querendo usá-Lo como um amuleto ou verdadeiro gênio da lâmpada que milagrosamente irá desfazer todos os laços ou resolver todos os problemas garantindo uma vida de fartura e “paz” a todos.

Esse não é o cristianismo, não é a fé pregada e vivida por Jesus a que denominou Reino de Deus. É arremedo de fé, falsificação, e só caem nesse “conto do vigário” os ingênuos e incautos desconhecedores da Palavra de Deus (Mateus 22:29), ou os mal intencionados, que já buscam mamom por deus ao invés de Jeová.

Deus nos abençoe.

Todos somos pecadores

Todavia, não há um só justo na terra, ninguém que pratique o bem e nunca peque. – Eclesiastes 7:20

Voltando hoje da academia, passei em frente a uma loja de baterias que tem aqui nas proximidades, e ouvi de rabo de orelha um senhor, um simples mecânico, conversando com seus colegas sentados na porta do estabelecimento comercial, falando mais ou menos o seguinte:

“…Rapaz, todos nós somos pecadores. Sabe como é, passa uma mulher, a gente logo olha, e começa a imaginar as coisas…”

Mulher é sempre tema fácil em qualquer roda de homens, mas aquela conversa me chamou a atenção pela palavra utilizada pelo cidadão, “pecadores”, e porque na continuação, enquanto eu ainda pude ouvir, percebi que ele tentava a seu modo explicar o evangelho de Jesus de maneira muito simples e eficiente aos seus colegas de trabalho, de uma maneira que eu mesmo infelizmente não consigo, do “alto” da minha inteligência e capacidade.

Lembrei, continuando meu caminho, das palavras de Jesus em resposta a alguém que lhe chamou de bom (embora percebamos pelas palavras que se tratava de um elogio não sincero com razões secundárias):

E Jesus lhe disse: Por que me chamas bom? Ninguém há bom senão um, que é Deus. – Marcos 10:18

Ora, se mesmo Jesus somente considerava bom a Deus, nem a si mesmo, imagine nós mesmos hoje em dia como não somos ou deveríamos ser? De fato, em sua época, a luta mais dura que ele empreendeu foi justamente contra os religiosos de plantão, que se achavam superiores, suprassumos da santidade e espiritualidade, mas que no entanto não conseguiam cumprir a lei e ainda impediam outros em sua caminhada de fé por adicionar coisas ainda mais difíceis de serem realizadas, como se já não bastasse o fato da lei em si mesmo ser absolutamente impossível de ser cumprida em sua integralidade o tempo todo por qualquer ser humano.

Com isso em mente, a minha oração hoje é para que Deus retire de nós toda hipocrisia de nos acharmos santos, melhores do que os nossos semelhantes, como aquele fariseu da parábola que Jesus contou em Lucas 18:11, nos faça reconhecer que somos carentes da sua misericórdia e graça, que não possuímos mérito nenhum da nossa salvação e de tudo de bom que Deus tem nos concedido, e que nos capacite a também agir em favor daqueles que estão em nosso redor, com compaixão e não com julgamento.

Deus nos abençoe.

Más companhias, maus costumes

Não se deixem enganar: “as más companhias corrompem os bons costumes”. – 1 Coríntios 15:33

Recentemente Deus falou comigo sobre as amizades que nós cristãos cultivamos no mundo, sobre a dualidade que existe entre os valores de Deus e o sistema corrompido de valores opostos aos seus a que chamamos mundo, uma realidade não geográfica mas moral e espiritual, e de como, nesse contexto, não devemos nos relacionar em profundidade com pessoas que não possuem o mesmo Deus como Senhor, que não fazem parte da mesma família da fé. Na ocasião Deus me falou através dos textos de Tiago 4:4-5 e 1 João 2:15-17.

Ontem novamente senti Deus falar comigo sobre esse assunto, embora tendo outro “gatilho”, no caso uma pessoa que conheço que já frequentou a igreja e hoje está afastada, e a diferença que eu pude perceber em seu comportamento, em seus valores, até mesmo na maneira de falar, nas palavras e expressões usadas, quando conversei com essa pessoa esses dias.

O texto que Deus me tocou hoje, ontem na verdade, foi o de 1 Coríntios 15:33 que fala sobre as más companhias, como elas promovem uma mudança ruim nos valores, na moral, nos costumes de quem, embora sendo servo do Senhor, deixa-se contaminar, passa a compartilhar (“dividir o pão”) a vida, se relaciona com frequência e intimidade com quem escolheu caminhar longe do Senhor.

Não há no cristianismo a figura do yin-yang taoísta onde há uma parcela de bom no mau, e vice-versa, uma parcela de mau no bom. Somos chamados a ser santos, separados, pois somos filhos de um Deus que é santo, e deseja para sua família os mais altos padrões morais e éticos.

Quando andamos em más companhias, e por más companhias não quero dizer bandidos, ou prostitutas, ou pessoas de má fama, pelo contrário, pode ser seu vizinho ou colega de trabalho, da faculdade ou, pasme, até mesmo da igreja, conforme exortação do apóstolo Paulo em 1 Coríntios 5:9-11, somos vítimas não apenas do falatório, que não é tão importante dentro do contexto da obra sendo feita, de resgate de vidas, mas sim da influência, essa sim que merece nossa atenção e cuidado, que eles mesmos podem exercer sobre nós, um fardo pesado que requer ombros fortalecidos na Palavra do Senhor para conseguir suportar.

Já lhes disse por carta que vocês não devem associar-se com pessoas imorais.
Com isso não me refiro aos imorais deste mundo, nem aos avarentos, aos ladrões ou aos idólatras. Se assim fosse, vocês precisariam sair deste mundo.
Mas agora estou lhes escrevendo que não devem associar-se com qualquer que, dizendo-se irmão, seja imoral, avarento, idólatra, caluniador, alcoólatra ou ladrão. Com tais pessoas vocês nem devem comer. – 1 Coríntios 5:9-11

Devemos ser sal e luz nesta terra (Mateus 5:13-14), então Deus não quer que nos isolemos das pessoas perdidas, sobre as quais devemos exercer nossa influência positiva para que elas mesmas entendam o amor de Deus por elas, e os valores eternos do reino, de modo que sejam salvas e venham com isso a abandonar paulatinamente seus vícios e pecados. Isso requer de nós interação e apoio. Muitas vezes doação de tempo e estarmos presente em ocasiões especiais em suas vidas. Mas não nos obriga a partilharmos de ambientes, locais e situações que podem comprometer nosso testemunho, fazer tropeçar um irmão mais fraco na fé, ou ao invés de causar-lhes uma boa influência, poderá nos fazer desviar do caminho nós mesmos.

É realmente uma dificuldade conciliar a tarefa de pregar a Palavra sem preconceito sem se deixar contaminar pelos valores morais corrompidos, como Jesus fez por exemplo, que preferia a companhia dos mais rejeitados socialmente falando, prostitutas e bandidos mesmo, coisa que dificilmente conseguiríamos fazer sem sofrer algum tipo de consequência no mínimo de reprovação social, ou de cunho vexatório.

No entanto, a Palavra mais de uma vez é clara com relação a esse assunto, afirmando, por exemplo, que feliz é o homem que não anda conforme o conselho dos ímpios, não se detém no caminho de pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores, antes o seu prazer está na Lei do Senhor, Lei na qual medita durante todo o dia (Salmos 1). Quando damos ouvidos aos conselhos daqueles que não confiam em Deus, somos instigados a confiar mais em nós mesmos e depender menos do Pai; quando caminhamos diariamente com amigos cujos padrões morais, comportamentais, sociais diferem muito dos nossos enquanto cristãos, somos pouco a pouco anestesiados com relação a seus desvalores, a suas posições contrárias à vontade do Pai; quando sentamos numa roda onde o assunto dificilmente passará longe de futilidades, entrando normalmente por pecados como a fofoca e imoralidade, seremos coniventes com tudo aquilo que está sendo dito ou feito, passaremos a considerar como normal aquele tipo de conversa, de atitude, de ação, e cedo ou tarde estaremos tão parecidos com os demais que o mundo já não conseguirá enxergar em nós a luz de Cristo que deveria estar brilhando, o sal terá perdido o seu sabor e não prestará para nada.

A minha oração hoje não é pedindo a Deus para que nos retire do mundo, mas para que nos dê fé suficiente e prática de modo a impactarmos nossos amigos que não entregaram ainda suas vidas a Cristo, não nos deixando contaminar no caminho, permitindo que sejamos nós a fonte de influência e não eles, pois estaremos sempre em menor número e as pressões sociais tendem a produzir em nós um constrangimento de nos levar a repetir os mesmos padrões de comportamento, palavras, e valores que não glorificam ao Pai que eles possuem. É uma tarefa árdua mas possível.

Deus nos abençoe.

Quando a religiosidade nos paralisa

Então disse o Senhor a Moisés: Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem. – Êxodo 14:15

Quando a religiosidade nos paralisa.

Moisés foi provavelmente uma das pessoas que se relacionou com Deus de maneira mais próxima, com maior intimidade.

Porém, nem ele escapou de levar um “puxão de orelha” do Senhor, por uma simples razão, ele foi clamar a Deus, orar, quando deveria estar agindo.

Como pode?

A Bíblia nos diz que para tudo há um tempo determinado (Eclesiastes 3), inclusive o tempo para meditação na Palavra de maneira particular, ou oração, mas a grande parte do tempo que temos é tempo para ação mesmo.

Deus não quer que seus filhos sejam crianças dependentes e que não conseguem fazer nada por si mesmas, sempre tendo que recorrer ao Pai por ajuda nas coisas mais banais. Ao contrário, Ele espera que adquiramos sabedoria e maturidade no nosso caminhar diário consigo, de modo que a maior parte das decisões poderemos tomar por conta própria, pois já teremos internalizado, já saberemos de antemão qual é a boa, perfeita e agradável vontade do Pai para nós naquela circunstância, e dessa forma ganharemos tempo precioso deixando de estar ansiosos e inseguros.

Como Moisés naquele momento, somos incentivados por Deus, mandados mesmos a agir, chega de meditar apenas, calcular somente, o momento de planejar já passou, temos de ter coragem de começar, sair da inércia, confiando que se Deus nos trouxe até aqui Ele é capaz de nos levar até o final.

Isso é depender em Deus, não esperar que em tudo Ele nos puxe pela mão ou pior, nos leve em seus braços, como crianças pequenas ou raquíticas. Não é esse o tipo de fé que Deus deseja de seus filhos, antes, Ele deseja que desenvolvamos o tipo de fé prática que teve Neemias (Neemias 2:2,3) quando perguntado pelo rei o que afligia seu coração, ele não saiu correndo para seu quarto orar, pedir uma resposta miraculosa ou sobrenatural, a sua intimidade com Deus, a sua vida de oração culminou em que ele já estava sensível à voz do Senhor e à necessidade de seus irmãos em Israel, e pode, dessa forma, falar ao rei tudo que precisava ser feito, com coragem e determinação, sem pestanejar, sem gaguejar, sem ter medo de errar.

A minha oração hoje é para que deixemos de lado a religiosidade que paralisa, aquela infantilóide, imatura, dependente em excesso, e passemos a desenvolver um relacionamento saudável de intimidade com o Pai que resulte não em cerimônias, não em afastamento do mundo (no sentido dos ermitões ou daqueles que vivem em clausuras), mas em ações práticas, bem pensadas, responsáveis, aquelas que o Pai poderia olhar para nós, seus filhos, e dizer que se orgulha.

Deus nos abençoe.

José e a ética de Deus

E aconteceu depois destas coisas que a mulher do seu senhor pôs os seus olhos em José, e disse: Deita-te comigo.
Porém ele recusou, e disse à mulher do seu senhor: Eis que o meu senhor não sabe do que há em casa comigo, e entregou em minha mão tudo o que tem; ninguém há maior do que eu nesta casa, e nenhuma coisa me vedou, senão a ti, porquanto tu és sua mulher; como pois faria eu tamanha maldade, e pecaria contra Deus? – Gênesis 39:7-9

A história de José é uma verdadeira novela, repleta de capítulos de amor e ódio, dos quais extraímos, como lição principal, a ética de Deus que Ele mesmo concede a seus filhos de modo a serem exemplo para um mundo mergulhado no pecado.

Vejam que José precede as tábuas da Lei, não havia qualquer sistema religioso formalizado, instituído, a sua revelação pessoal e individual do Senhor se dera por meio do testemunho de seus antepassados próximos, pois Deus pessoalmente resolveu por graça escolher a seu bisavô Abraão, seu avô Isaque e seu pai Jacó para estabelecer com eles uma aliança de fé, portanto a ética de José não era a ética dos egípcios, que representa a ética deste mundo, pois pela lógica deste mundo, ele poderia ter se aproveitado da situação, já que era o senhor da casa de fato, e ninguém estava ali para o repreender ou flagrar naquele ato injusto e imoral para com o seu patrão, mas não, por suas próprias palavras ele reconhece que aquilo, para além de um ato errado para com seu chefe, era uma impiedade, uma imoralidade contra o seu Deus, e isso prevalecia sobre qualquer sistema de valores utilitaristas, imediatistas, egocêntricos, que focassem apenas no prazer imediato e fugaz.

Que seu exemplo marque nossas vidas de modo que, seguindo-o, possamos impactar o mundo ao nosso redor, não importem as consequências, que muitas vezes serão a incompreensão e a injustiça, como foi na história de José, pois no final o nosso coração estará em paz, e o Senhor será conosco.