Apocalipse, felicidade e desafio

Feliz aquele que lê as palavras desta profecia e felizes aqueles que ouvem e guardam o que nela está escrito, porque o tempo está próximo. – Apocalipse 1:3

Começando a ler novamente o livro de Apocalipse, que por tanto tempo tive medo, por tanto tempo ignorei completamente o seu conteúdo maravilhoso, embora de difícil compreensão, me senti privilegiado por ser um dos chamados felizes por ler as palavras dessa profecia, e por que feliz?

Porque o Apocalipse fala de boas notícias, do retorno do meu Senhor e Salvador Jesus Cristo para buscar a sua igreja, da qual faço parte, para habitar nas moradas celestiais que hoje Ele se encontra preparando para nós vivermos eternamente ao lado do Pai.

É um livro que traz severos avisos para a igreja permanecer vigilante num mundo que caminha a passos largos para o inferno e está fadado a morrer em trevas e sofrimento, terrível notícia para quem está se perdendo, é verdade, embora alegria para os que se salvam, ao mesmo tempo que é um estímulo para que nós que conhecemos esta verdade proclamemos a todos que conhecemos que Jesus Cristo é a resposta, o caminho, a verdade e a vida, e ninguém vai ao Pai senão por meio dEle, conforme suas próprias palavras.

Mas a Palavra é ao mesmo tempo dura e clara, somente são felizes os que em primeiro lugar leem, ou seja, tomam conhecimento do que ela trata, ouvem, ou seja, prestam atenção, não são displicentes no trato com a Palavra, e por fim guardam o que nela está escrito, obedecendo, meditando, alimentando-se e sendo transformados pelo Espírito Santo que age por meio de sua Palavra. Não adianta lermos e não ouvirmos, sermos surdos à voz de Deus que fala, ou ainda ouvirmos e não praticarmos, desobedecermos a sua vontade que é boa, agradável e perfeita.

Finalmente, o que me dá ainda mais alegria e esperança ao ler esse livro é que João, seu autor, diz que o tempo do fim, do retorno de Cristo, da salvação da Igreja, do encontro com o Pai, de não haver mais choro, nem dor, nem tristeza, nem sofrimento, somente paz, está próximo, e se já estava próximo há 1900 anos quando ele escreveu esse livro, hoje está ainda mais, e o tempo não poderia ser mais propício para a volta de Jesus, terminando de cumprir por completo esse livro de profecias, como já o fez com todas as demais profecias a seu respeito contidas no antigo testamento.

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4 verdades em 1 João 5

Escrevi-lhes estas coisas, a vocês que crêem no nome do Filho de Deus, para que vocês saibam que têm a vida eterna.
Esta é a confiança que temos ao nos aproximarmos de Deus: se pedirmos alguma coisa de acordo com a sua vontade, ele nos ouve.
E se sabemos que ele nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que temos o que dele pedimos. – 1 João 5:13-15

Texto tão pequeno da Palavra que nos traz tão preciosas verdades:

  1. Nós, os que cremos em Jesus, temos a vida eterna. Não é pouca coisa. De fato, é a coisa mais preciosa que um ser humano poderia desejar. E somente nós os que creem, pois fora de Cristo não há salvação nem vida eterna.
  2. Podemos nos aproximar de Deus. Deus não é um deus distante, um ente metafísico impessoal que não se importa conosco, nem um deus mau que se ausentou do mundo. Não! Ele, de fato, deseja que nós O busquemos e nos acheguemos a Ele com coragem e ousadia! Ele é bem presente em TODOS os momentos da nossa vida, mas especialmente na hora da angústia e da aflição, pronto a nos socorrer sempre que gritarmos por auxílio.
  3. Não precisamos tentar manipular a Deus como os pagãos fazem com seus “deuses”, mediante sacrifícios de animais ou mesmo pessoais, com dinheiro, comida ou outra coisa. De fato, a única coisa que precisamos fazer é pedir pois Deus é pai e tem prazer em fazer e dar coisas boas a seus filhos. O único “requisito” é que esteja de acordo com a sua vontade, e isso não é algo ruim nem inalcançável, uma vez que sua própria Palavra diz que ela é boa, agradável e perfeita, e não apenas para o Pai, em seus planos e propósitos eternos, nem para a humanidade de modo geral, mas individualmente para mim e você!
  4. Não precisamos passar por A, B ou C para nos achegarmos a Deus. Ninguém tem maior influência com Deus entre nós homens que faça com que precisemos de pastores, padres, rezadeiras ou um irmão de fé, “do fogo”, porque não é porque fulano ou beltrano é mais “poderoso” que eu que minha oração deixará de ser ouvida enquanto a dele será. Não! Esse é outro conceito pagão que Deus desencoraja veementemente quando nos diz para irmos diretamente a Ele, por meio de seu Filho. Somente Jesus nos reconciliou, somente Ele abriu as portas, Deus nos ama porque amou seu Filho e porque nós também O amamos, então nenhum “santo” ou figura histórica tem o poder ou a necessidade de interceder a nosso favor perante Deus, como se Deus fosse alguém que precisasse ser convencido para agir, como se Ele fosse difícil de estender o seu favor aos homens, ou mesmo como se fosse surdo ou ocupado demais para nos ouvir ou atender. De fato, se você pensa assim de Deus, que deus é esse que você está crendo? Porque certamente não é o Deus das Escrituras, o Deus que nos amou tão profundamente a ponto de enviar seu único Filho para morrer em nosso lugar! Deus é onipotente, onisciente e onipresente, e não apenas isso, SÓ ELE tem esses atributos! Ninguém mais. Será que você consegue entender isso em sua profundidade? Será que você pode crer nisso?!

Única existência, único mediador

Quando Cristo veio como sumo sacerdote dos benefícios agora presentes, ele adentrou o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito pelo homem, isto é, não pertencente a esta criação.
Não por meio de sangue de bodes e novilhos, mas pelo seu próprio sangue, ele entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, e obteve eterna redenção.
Ora, se o sangue de bodes e touros e as cinzas de uma novilha espalhadas sobre os que estão cerimonialmente impuros os santificam de forma que se tornam exteriormente puros, quanto mais, então, o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu de forma imaculada a Deus, purificará a nossa consciência de atos que levam à morte, de modo que sirvamos ao Deus vivo!
Por essa razão, Cristo é o mediador de uma nova aliança para que os que são chamados recebam a promessa da herança eterna, visto que ele morreu como resgate pelas transgressões cometidas sob a primeira aliança.
No caso de um testamento, é necessário que comprove a morte daquele que o fez; pois um testamento só é validado no caso de morte, uma vez que nunca vigora enquanto está vivo aquele que o fez. – Hebreus 9:11-17

A Bíblia é extremamente clara com relação à duração da nossa existência, dizendo, ao contrário do que afirmam algumas religiões orientais, por exemplo, que vivemos apenas uma vez, morremos apenas uma vez, não existindo espaço, portanto, para o conceito de reencarnação, que não só não aparece uma vez sequer nas Escrituras como é rechaçada frontalmente em diversas passagens como essa de Hebreus 9.

Reencarnação, o ato de uma mesma alma ou espírito habitar em tempos diversos corpos diferentes, é completamente diferente do que Cristo experimentou e que nós também um dia experimentaremos que é a ressurreição, que significa a transformação desse corpo corruptível, ou seja, fadado a pecar e sofrer inclusive na pele as consequências desse pecado na medida que envelhecemos e adoecemos (sendo a morte decorrência natural desse processo, conforme Romanos 6:23), num corpo incorruptível, semelhante ao dos anjos, por assim dizer, um corpo capaz de adentrar o próprio céu, para habitar nas moradas que Cristo nos tem preparado.

Assim não cabe a falsa ilusão de que o cristianismo pode se confundir ou mesclar com budismo ou espiritismo. Qualquer “semelhança” é mera coincidência, e não falo aqui com desprezo a essas ou outras religiões, já que todas, imagino, possuem seus méritos, seus valores, princípios morais que levam seus seguidores a uma vida de caridade e bondade.

O problema, como esse texto de Hebreus 9 fala, é que a caridade, embora importante, é um sacrifício pessoal, sombra daquilo que Jesus já veio fazer, e possui caráter insuficiente para nos salvar da condenação do pecado. Nesse caso, somente o sacrifício único e último de Cristo poderia fazê-lo e deveras fez, cabendo a nós somente a humildade de aceitá-lo em nossas vidas, experimentando o relacionamento diário com o Pai que, em Jesus e somente nEle, podemos ter, visto que Ele nos reconciliou com Deus, nós que antes éramos seus inimigos, por meio de seu perfeito sangue.

Como claramente vemos, Ele é o mediador, porque foi por meio do SEU sangue, assim não há outro caminho a Deus, ninguém poderia exercer influência alguma perante o Pai senão seu próprio Filho, por mais “meritosa” que a pessoa pudesse parecer a si mesmo ou a nós. Isso mesmo, nem Maria, os santos mártires ou anjos poderiam acrescentar algo à defesa que o perfeito advogado, Cristo, já faz por nós perante o Pai.

O texto, em linguagem até jurídica, explica esse novo “testamento”, no qual somos herdeiros pela morte do testador, Cristo. Para bom entendedor meia palavra basta, mas de todo modo, como é hoje onde não há herdeiro sem a morte do titular do bem, assim seríamos nós sem Cristo, sendo, portanto, a vida eterna que herdamos, proveniente desse pacto, dessa aliança, desse testamento pelo sangue de Jesus, fora do qual não há salvação, não há remissão de pecados, não há relacionamento com Deus, não há escapatória do inferno.

O Deus que Cristo nos revela na oração do pai nosso

Vocês, orem assim: ‘Pai nosso, que estás nos céus! Santificado seja o teu nome.
Venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.
Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia.
Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores.
E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal, porque teu é o Reino, o poder e a glória para sempre. Amém’. – Mateus 6:9-13

O nosso relacionamento com Deus é construído e desenvolvido de diversas maneiras, mas certamente duas das principais são a oração e a leitura da Palavra.

A oração nos permite falar com Deus, expressarmos o que sentimos a seu respeito; é talvez a primeira forma de O adorarmos verdadeiramente, nos colocarmos sensíveis à sua voz.

Não consigo imaginar um cristão que não tenha uma vida constante de oração, e a principal razão para tanto é que se dizemos seguir a Cristo, afinal é isso que ser cristão significa, devemos imitá-lo, e Jesus foi alguém que possuía uma vida de oração.

Para ele a oração não era algo eventual, esporádico, ou mesmo opcional. Era algo fundamental, peça principal de seu dia a dia como vemos em diversas passagens das Escrituras, tais como Lucas 6:12, Marcos 6:46, Mateus 26:36, entre outros textos, e isso tanto em situações de alegria, tristeza, angústia, etc., onde Ele se preparava para o que viria pela frente através de uma conversa com seu melhor amigo que era seu Pai, o nosso Pai.

Eu já falei disso antes, mas não custa repetir, não temos como desenvolver relacionamentos profundos de intimidade com outras pessoas sem diálogo, sem conversa, mesmo no mundo de hoje onde o ambiente virtual tem suplantado o real em tempo, em que passamos tanto tempo conectados pela rede que às vezes até nos esquecemos de nos relacionar presencialmente, mas de todo modo ainda mantemos algum contato, mesmo que por curtidas, compartilhadas e cutucadas.

Jesus em sua época não dispunha dos recursos tecnológicos que estão à nossa disposição hoje. Nem precisava. O seu contato com Deus era melhor do que qualquer acesso à Internet banda larga. Suas atualizações de status eram instantaneamente visualizadas pelo seu Pai e pelo Espírito Santo, que vinham bater papo com Ele no melhor de todos os chats, o da oração, de madrugada, no monte muitas vezes, em lugares isolados, no deserto, longe da perturbação da correria do mundo em que vivia.

Sim, correria. Porque embora não estivesse sujeito ao estresse do trânsito, ele precisava percorrer longas distâncias a pé ou no máximo no lombo de algum animal, no calor de estradas poeirentas do Oriente Médio, ou ainda enfrentando tempestades no mar da Galiléia, lidava com perigo de morte e violência, pois não faltavam bandidos, e sua região era uma região fronteiriça, de passagem, com povos inimigos por todos os lados. Isso sem falar dos religiosos de plantão, ávidos por pegá-lo em alguma falta para poderem desmoralizá-lo.

Jesus mais do que ninguém talvez precisasse de oração, precisasse desse contato com o Pai. Ora, Ele viera do Pai e coexistia com o Pai e o Espírito em perfeita harmonia e em tal nível de proximidade que não teríamos como distinguir uns dos outros. A oração era o seu alimento, seu pão, alimento que também está ao nosso dispor para que desfrutemos dele, comamos dele, aprendamos com ele, tenhamos também esse nível de intimidade e proximidade com o Pai e com o Espírito.

Mas Jesus nos mostra por meio da oração diversas facetas de Deus que eu gostaria de trazer à nossa meditação.

1 – Deus pai
Jesus através da oração do pai nosso opera uma mudança radical de paradigma. Antes dEle, os judeus não se relacionavam com Deus de maneira próxima, era sempre com um profundo sentimento de respeito, a tal ponto que sequer mencionar o nome de Deus um judeu se permitia.

De fato, tal proximidade e intimidade chocou os religiosos daquela época. Embora tenhamos alguns exemplos de pessoas que foram próximas a Deus no Antigo Testamento, como Daniel, que a Bíblia diz que orava três vezes ao dia (Daniel 6:10), e mais notadamente o Rei Davi, homem segundo o coração de Deus (muitas de suas orações vemos na forma de Salmos), que trouxe uma analogia de Deus na figura do pastor de ovelhas, a oração de Cristo a Deus iniciava-se pelo substantivo Pai.

Jesus enxergava em Deus mais do que um pastor, mais do que um guerreiro, um Deus provedor, Deus de paz, Deus presente, Deus de vitórias e general, figuras bem conhecidas e típicas do povo de Israel, mas que de certa forma denotam um Deus distante, quase insensível e impessoal.

Jesus via em Deus a figura do pai, e isso era inédito. Na verdade, tanto era inédito quanto ofensivo considerar Deus à semelhança de um de nós enquanto pai, e mais ainda, considerar-se digno de ser chamado filho de Deus. Era uma blasfêmia!

Note que Jesus nos ensina a chamarmos a Deus de pai, e pai nosso. Deus não é pai apenas de Jesus, seu filho natural único, mas de todos quantos O receberam como Senhor e Salvador, aos quais deu-lhes também o poder de serem feitos filhos, conforme João 1:12,13, filhos por adoção em amor.

Isso nos traz tanto a alegria de compartilharmos de uma família, a certeza de um amor perfeito, porque Deus nunca falha e nos ama de modo até incompreensível para nós muitas vezes, como também a esperança e a certeza de que um dia iremos nos encontrar com Ele face a face como ainda não o conhecemos, mas como seu filho Jesus já conhece, iremos habitar com Ele nas mansões celestiais que tem preparado para nós, um ambiente que é descrito como um lugar de perfeita paz e harmonia onde não haverá mais choro, nem angústias nem tristeza (Apocalipse 21:4).

Isso era algo que o povo de Israel não compreendia. A filiação é algo que só recebe aquele que reconhece o senhorio de Cristo sobre sua vida, logo nem todos são filhos de Deus, embora todos sejamos criaturas suas, feitura de suas mãos.

2 – Deus santo
Cristo então segue dizendo que o nome de Deus é santo e isso não é mera bajulação, como crianças pequenas muitas vezes quando querem um presente de seus pais e chegam dizendo “paizinhoooô”, ou coisa do gênero. Não, Cristo reconhece a majestade de Deus, a glória da santidade de seu pai, e na verdade isso é algo que Ele conhecia bem por ter vivido desde a eternidade em unidade com Deus.

Ele não precisava dizer isso, mas Jesus tem prazer em declarar as virtudes de seu Pai, a sua bondade, o seu cuidado, ensinando-nos que não temos um pai qualquer, uma figura cheia de falhas e limitações como nossos pais terrenos, muitos dos quais cometem até abusos e comportamentos indignos da figura de pai.

Jesus, nesse caso, me parece mais como aquela criança que chega para contar para a outra com todo orgulho como seu pai é importante, verdadeiro super-herói e isso nos mostra que temos muito, tudo mesmo, de que nos orgulhar do nosso Pai, alguém que nos criou conforme sua imagem e semelhança e que veio ao nosso encontro nos resgatar, dar sua própria vida por nós através de seu Filho.

Uma imagem que me vêm à mente nesse momento é uma fotografia que se tornou famosa do ex-presidente americano John Kennedy tirada no salão oval da Casa Branca, nos EUA, na qual seu filho aparece despreocupado brincando aos seus pés ou mesmo sob sua mesa enquanto seu pai, o homem mais poderoso do mundo, discutia assuntos como a crise dos mísseis de Cuba com outras autoridades de Estado.

Assim somos nós com relação ao nosso Pai celeste, nós estamos meio que brincamos ignorando todas as situações de perigo ao nosso redor mas Ele sempre nos protegendo. De fato, não atentamos para o fato de Deus nos chamar a sermos santos como Ele é santo (Levíticos 20:7, entre outros textos), tanto por desconhecermos, muitas vezes, a Palavra, quanto por não entendermos que santidade não significa perfeição, muito embora em Deus até assuma essa conotação.

Santidade, a que somos chamados, significa estarmos ou sermos separados de um meio para outro para um fim específico, no caso Deus nos separando do pecado e da morte, do mundo que jaz no maligno, para o seu reino, para sermos diferentes e impactarmos esse mundo como sal e luz, missão que seu Filho mesmo nos outorgou (Marcos 16:15).

Deus é santo e não conhece o pecado nem o tolera. Na medida em que Jesus nos ensina a orarmos assim, Ele nos mostra que devemos reconhecer a nossa própria fraqueza e limitações perante o Deus que é infinitamente superior.

3 – Deus rei
A seguir Cristo nos remete, e aos seus discípulos, à uma figura que os israelitas já conheciam bem, a figura de Deus como rei. De fato, Israel na época de Jesus, embora sob dominação romana, possuía um rei, Herodes, então a figura de um rei, de um reino, não era algo distante à realidade e compreensão daquele povo.

Nós, por outro lado, talvez tenhamos que nos esforçar um pouco para entendermos a magnitude desse conceito. Primeiro porque vivemos em uma República, onde o chefe de Estado e Nação é o presidente, cujos poderes, embora certamente sejam muitos, sofrem de muitas limitações ditadas pela própria ordem constitucional na qual estamos inseridos.

Talvez possamos entender por analogia, quando examinamos a vida da família real espanhola, sueca, ou principalmente a britânica, que acompanhamos na televisão ou em outros meios de comunicação.

Não é meu intuito aqui discutir Direito ou História, e voltando ao texto que lemos, quando Cristo ora clamando para que Deus venha com seu reino, Ele reconhece que os governos deste mundo claramente possuem valores diferentes, distantes dos valores do reino de Deus e que, por essa razão, era necessária e urgente a implantação de maneira definitiva deste reino que, antes de ser político, é um reino espiritual.

Sim, Jesus em diversos momentos, posteriormente, viria a confirmar essa afirmação, quando, por exemplo, disse a Pilatos que seu reino não era deste mundo (João 18:36). O reino de Deus é tratado por Cristo em diversas situações com variadas metáforas, como, por exemplo, na parábola do grão de mostarda (Lucas 13:18 em diante), em que o Mestre ensina que é um reino que começa pequeno, de maneira despretensiosa, e no decorrer do tempo transforma-se em uma árvore frondosa e de grandes proporções.

Cristo nos ensina que os valores do reino são diferentes, e a vontade de Deus, soberano deste reino, é melhor, por isso Ele pede que seja feita a vontade de Deus aqui na terra, no estabelecimento do seu reino de paz e justiça, como espelho do que é nos céus onde está assentado em seu trono.

De fato, uma das últimas orações que Jesus faz aqui na terra antes de ser crucificado é no jardim de Getsêmani, onde clama a Deus pedindo que, se possível, passasse dele o cálice da aflição da separação e da morte em condenação pelo nosso pecado (Lucas 22:42), pecado que Ele nunca experimentou, morte que Ele não precisava passar por demérito próprio, mas que Ele voluntariamente aceitou por saber que era essa a vontade do Pai desde o princípio para sua vida, conforme Gênesis 3:15.

Nem sempre teremos a compreensão plena de qual é a vontade de Deus, ou mesmo que ela é, de fato, boa, agradável e perfeita, conforme Romanos 12:2. A oração que Cristo nos ensina é, então, também nesse sentido, um reconhecimento de que não entendemos tudo, nossa limitação também se estende a esse aspecto da nossa vida, nós dependemos completamente de Deus e por isso rogamos que, por mais que façamos conhecidas a Deus nossas petições com súplicas e ações de graça, conforme Filipenses 4:6, Ele faça a vontade dEle e não a nossa, e que de alguma maneira possamos confiar e descansar nEle e em sua bondade para conosco.

4 – Deus que cuida de nós
Se pararmos para analisar o contexto em que a oração do pai nosso está inserida, percebemos que ela é quase como um grande parêntese que Jesus faz em seu discurso, uma breve pausa para ensinar-nos alguns princípios que dizem respeito a Deus, nos levando a conhecer mais de nosso Pai, e ainda a respeito da oração, uma das principais maneiras de nos relacionarmos com Ele.

Sendo assim, desde a primeira menção à palavra Pai, podemos ter a certeza de que Deus cuida de nós, como afinal, é esperado de um pai. Mas Deus não é um mero pai terrestre. Jesus quando nos ensina a pedir a Deus o nosso pão diário encerra nesse pedido a certeza de que seremos atendidos, pois Deus supre cada uma de nossas necessidades, como vemos na continuação imediata desse texto em que temos meditado, a respeito do que comemos ou vestimos, preocupação constante em nossas vidas e sobre o que o Mestre admoestava os seus ouvintes.

A Bíblia vai além no capítulo seguinte, final do sermão do monte, onde Jesus diz exatamente isso, que Deus não é um pai qualquer, e ainda O compara com nós mesmos, afinal, quando um filho da gente nos pede uma coisa boa, nós não damos uma coisa ruim, que dirá mesmo Deus que é perfeito e é incomparável em termos de poder e amor por nós seus filhos, o que não nos dará.

Isso não significa termos um relacionamento com Deus baseado em bençãos que porventura Ele resolva nos dar, nem orarmos fazendo pedidos egoístas. Deus não tem interesse em ter filhos mimados, e muitas de nossas orações não são respondidas justamente pelo fato de serem pedidos egoístas, conforme Tiago 4:3.

Essa é mais uma razão porque devemos pedir o pão “nosso”, ou seja, não é o meu pão, mas o pão que eu quero compartilhar com você que talvez não tenha o que comer. Deus supre as nossas necessidades, não a minha necessidade apenas, e isso deixa claro que muitas vezes nós mesmos seremos usados pelo pai para ajudar o irmão em seu momento de aflição, de dificuldade.

Vale lembrar, no entanto, que pão não necessariamente quer dizer a comida, ou apenas isso, mas talvez uma roupa, um brinquedo, um livro, ou mesmo tempo de qualidade para ouvir a dor do outro, dar um abraço e carinho que ninguém mais se disporia a fazê-lo.

Enfim, o alimento que pedimos a Deus pode ser de ordem física, emocional e quem sabe até espiritual, na medida em que nos dispusermos a compartilhar o Pão da Vida que é Jesus (João 6:35, entre outros) com pessoas que ainda se encontram perdidas neste mundo, vivendo uma vida de frustrações, passando necessidade mesmo tendo tudo que alguém poderia desejar em termos materiais.

Mas o cuidado que Deus demonstra para conosco deve ser razão para confiarmos nEle e não ansiarmos pelo dia de amanhã. O pão nosso é de cada dia, ou seja, não devemos nos preocupar com o que aconteceu ontem, nem o que porventura venha a acontecer no dia seguinte. Basta a cada dia o seu mal, conforme Mateus 6:34, ainda no contexto dessa oração.

É uma confiança que se estabelece dia a dia, as experiências que temos com o Pai ontem nos levam a confiar mais nEle hoje, e assim por diante. Tudo volta ao aspecto relacional, pois como qualquer relacionamento baseado em confiança, a confiança se constrói por etapas, e se sabemos que podemos confiar em Deus que foi fiel ontem, igualmente temos a certeza de que Ele é fiel hoje e continuará sendo amanhã pois Ele não muda, e permanece fiel ainda que nós sejamos infiéis, pois Ele não pode negar a si mesmo (2 Timóteo 2:13), antes é fiel em amor a cada um de nós e para glória de seu próprio nome.

Por fim, o clamor pelo pão de cada dia serve como lembrança que o nosso relacionamento com Deus é diário. Não estamos pedindo um bolo de festa onde só comemos em ocasiões especiais, e da mesma forma o nosso momento a sós com Deus não deve ser só no domingo, ou na ocasião do culto comunitário, mas desenvolvido no nosso quarto, no dia a dia.

5 – Deus que nos perdoa
Jesus mais uma vez inova ao dizer que devemos pedir o perdão de Deus em oração. Ele estabelece não uma condição para o perdão de Deus, pois Deus só requer de nós que aceitemos o sacrifício de seu Filho na cruz do Calvário, reconhecendo que somos pecadores e carentes do seu perdão, nos arrependendo de nossos males e nos convertendo de nossos maus caminhos, mas sim algo que Ele sempre nos ensinou que era darmos o exemplo.

Deus já nos perdoou em Cristo Jesus na cruz do Calvário, então qual seria a razão de fazermos esse tipo de pedido?

A primeira razão diz respeito à nossa responsabilidade pessoal pelos nossos atos, ou seja, assumirmos perante Deus as nossas faltas cometidas contra a sua lei, tenha sido por ações, omissões, palavras ou pensamentos de rebeldia contra o Pai, contra outra pessoa, ou mesmo dirigidas contra nós mesmos.

Isso é importante especialmente no mundo de hoje onde muitos jogam a culpa de todos os seus males em Deus ou no diabo mas esquecem-se de que a grande maioria das aflições pelas quais passamos são consequências diretas das nossas más escolhas e pecados, pecados estes que são gerados em nosso coração poluído. Como diz Lamentações 3:39, de que se queixa o homem senão de seus próprios pecados?

Não! Devemos agir não como crianças que, quando pegas em flagrante, desandam a chorar ou mentem, jogando a culpa em outra pessoa. Devemos reconhecer a nossa necessidade de correção, sabendo que ela se destina a polir-nos, moldar-nos e nos transformar em pessoas melhores, afinal, é o Pai educando seus filhos com amor, pois o pai que ama seu filho ensina o certo do errado.

Em segundo lugar, pedimos a Deus para nos perdoar como perdoamos aos nossos devedores, reconhecendo que nós também falhamos, tanto em relação a Deus quanto em relação ao nosso semelhante, e isso, portanto, nos impede de nos julgar superiores aos outros, ou de considerar suas faltas piores que as nossas.

Nesse sentido, se analisarmos bem como essa frase está escrita, vemos que o pedido a Deus para que nos perdoe é na forma como nós temos perdoado, ou seja, o nosso perdão deve preceder o pedido de perdão, não podemos chegar a Deus para “exigir” o perdão de nossos pecados, que já sabemos estar perdoados, se guardamos rancor ou mágoa de outras pessoas que nos ofenderam.

Em terceiro lugar, Tiago 5:16 nos diz para confessarmos nossos pecados mutuamente e orarmos uns pelos outros para que sejamos sarados, então quando pedimos perdão a Deus pelos nossos pecados, somos alvos de seu poder curador, a nossa própria oração tem efeito terapêutico em nossas vidas, como alguém que procura um psicólogo, por exemplo, para, através de análise, resolver vários de seus problemas e dificuldades pessoais.

6 – Deus que nos livra do mal
Cristo aqui nos mostra que Deus tem tanto uma atitude passiva de proteção como uma ativa em nosso favor e contra a tentação e o mal. Como assim?

Quando Ele pede para Deus não nos deixar cair em tentação, Ele está reconhecendo e ao mesmo tempo afirmando categoricamente que passaremos por tentações, muito embora as tentações não venham de Deus, afinal Deus não tenta a ninguém, conforme Tiago 1:13, mas que com toda tentação, o próprio Deus nos supre com os mecanismos de escape, conforme 1 Coríntios 10:13.

Deus novamente me parece a figura do pai que tem cuidado de seus filhos pequenos e não os deixa, por exemplo, correr para o meio de uma rua movimentada onde os carros estão passando e que correrão, dessa forma, um sério risco de vida.

O diabo usa as nossas próprias fraquezas e concupiscências da carne para nos testar até o limite, mas Deus sempre providencia, através do seu Santo Espírito, um alívio NA aflição, NA angústia, embora nem sempre nos tire nem uma nem outra, como bem nos lembra a história de Daniel na cova dos leões e de seus amigos na fornalha de fogo.

Por outro lado, percebamos que não devemos nós mesmos alimentar nosso lobo interior. Eu costumo dizer que dentro de nós há um lobo e um cordeiro em constante luta. Ora, por sua própria natureza, o lobo é mais forte e feroz que o cordeiro, então ele não precisa ser alimentado para vencer essa luta. Ao contrário, se esperamos ou desejamos que o cordeiro vença, devemos sempre alimentá-lo e deixar o lobo morrer de fome.

Em outras palavras, se não queremos ser nossos próprios algozes, se não queremos cair no despenhadeiro, fiquemos longe da beirada! Assim, se cairmos, não teremos ninguém a quem culpar senão a nós mesmos. “Pobre” do diabo, que já levou muita culpa na história por atitudes, comportamentos, falhas de caráter e pecados planejados e executados unica e exclusivamente por nós mesmos, embora ele certamente tenha muito a colaborar em nossa queda.

O livramento passivo não quer dizer que Deus nos deixa abandonados nem sugere que Deus não se importa conosco, ou que não cuida de nós. Ao contrário, é uma estratégia da batalha que consiste em dois polos, o atacar e o defender, onde, neste caso, é o caso de resistir ao diabo, e ele fugirá de nós, como bem diz o texto de Tiago 4:7.

Deus também nos auxilia na batalha contra o mal de modo ativo, nos fortalecendo em meio à adversidade através do seu Santo Espírito. Como o texto de Tiago 4:7 já mencionado afirma, devemos nos submeter a Deus, então resistir ao diabo, ou seja, não temos como conseguir, de modo algum, resistir ao diabo se não tivermos, primeiramente, nos submetido a Deus.

Deus nos veste com sua armadura, conforme Efésios 6 em clara citação de Isaías 59, ou seja, Deus, que é conhecido como general no antigo testamento, nos comanda como um exército vitorioso contra as hostes do mal, uma batalha que, como diz as Escrituras, não é contra carne nem contra sangue, mas contra principados e potestades (Efésios 6:12), ou seja, uma realidade espiritual que não podemos negar a sua influência maligna neste mundo, especialmente na vida daqueles que ainda não se converteram a Cristo.

7 – Deus que é dono e senhor de todas as coisas
Cristo quando menciona Reino, poder e glória exprime a extensão do poder e do domínio de Deus para além da esfera espiritual, política, social, ou qualquer outra que haja. Ele coloca o Pai como Senhor absoluto do universo e todos os seres criados, afinal Ele mesmo desenhou, projetou e executou tudo que existe, dos animais às plantas, rochas, planetas, leis da natureza, até ao homem, criado à sua própria imagem e semelhança.

Mas além disso, Jesus faz um reconhecimento público de que nós possuímos nosso próprio reino, poder e glória particulares, nem que seja apenas nossa casa, nossa família, nosso trabalho, nossas realizações e méritos pessoais, mas que estes devem ser depositados aos pés do Senhor porque dEle vieram em primeiro lugar, pois foi a capacitação do Pai que nos permitir alcançar e conquistar o que conquistamos.

De fato, em Apocalipse 4 vemos as figuras dos 24 anciãos lançando suas coroas perante o trono do Deus altíssimo, demonstrando claramente que qualquer autoridade, qualquer poder, qualquer glória, qualquer honra ou riqueza que porventura possuíssem não era fruto apenas de mérito pessoal, antes eram verdadeiramente devidos ao Pai, e por isso mesmo a Ele eram dedicados e devolvidos.

Mas o reino, o poder e a glória de Deus não são limitados pelo tempo, não têm começo ou fim, porque o próprio Deus é senhor do tempo, criação sua e que diz respeito apenas a nós seres mortais. Deus é eterno, e igualmente eternos seu reino, poder e glória.

Cristo nos ensina que tudo aquilo que o diabo nos promete é mentira. Não podemos esquecer que essa foi uma das promessas que ele fez a Jesus quando o tentou, que se o Senhor o adorasse ele daria todas as riquezas e poder do mundo, algo que nem seu era, mas do próprio Deus. O diabo quer sempre tentar tomar o lugar de Deus em nossas vidas, mesmo que seja através de mentiras deslavadas, artimanhas suas que tem usado para enganar homens e mulheres desde Adão.

Conclusão
A oração do pai nosso não deveria ser feita como uma reza, uma mera repetição formal de palavras, como um encantamento ou mantra. Jesus não nos manda orarmos repetindo essas exatas palavras. Em verdade, no próprio contexto da palavra lida, Jesus rechaça esse comportamento feito pelos pagãos ou incrédulos, que pensam que pelo muito repetirem uma mesma oração serão ouvidos.

A oração do pai nosso, portanto, nos revela como devemos nos relacionar com nosso pai através da oração. Mais que isso, nos revela o próprio Deus com quem nos relacionamos, um Deus que é pai, que é santo, que é rei, que cuida de nós, que nos perdoa, que nos livra do mal, e que é dono e senhor de todas as coisas.

Isso não é razão suficiente para adorarmos esse Deus de verdade, em sinceridade de coração, com tudo que temos e que somos?

Como falei no início, a oração tem o “poder” de nos tornar mais sensíveis a voz de Deus, pois quanto mais falamos com o Pai, mais facilmente reconhecemos seu tom de voz, como se parece sua face, nós O conhecemos e nos fazemos cada vez mais conhecidos dEle, como ovelhas conhecem o seu pastor, como servos o seu senhor, amigos uns aos outros, e filhos a seu pai.

A minha oração hoje é que Deus continue se revelando cada dia a nós na medida em que o busquemos através da oração e leitura da Palavra. Que as palavras de Jesus possam ecoar em nossos corações revelando um Deus relacional, perto, não distante, um Deus que é pai, o nosso pai.

Deus nos abençoe.