No princípio

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
Ele estava no princípio com Deus.
Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. – João 1:1-3

Esse texto do apóstolo João inicia falando de Jesus sob uma perspectiva bastante diferente do que os judeus estavam acostumados a ouvir falar, e usando uma abordagem bem peculiar, típica dos pensadores e filósofos gregos de então.

João aqui está falando de seu amigo Jesus, uma pessoa de carne e osso com quem tinha convivido por cerca de três anos, e não de um terceiro que morava em um lugar longínquo ou em um passado remoto de quem apenas tinha ouvido falar. Não, de fato tudo que ele narrou ele foi testemunha ocular, em primeira mão.

A finalidade, se é que podemos pensar apenas em uma, é afirmar sem sombra de dúvida e de maneira incontestável, em uma época em que pipocavam boatos e doutrinas se Jesus efetivamente seria Deus, ou se teria vindo apenas em espírito, não possuindo forma corpórea, de que Jesus era ao mesmo tempo ser humano, de carne e osso, dotado de desejos, necessidades biológicas e emocionais, e ao mesmo tempo Deus, em toda sua plenitude (ainda que voluntariamente tenha escolhido esvaziar-se de seu poder, aceitando o castigo que nos era devido, conforme Filipenses 2), o mesmo que estava junto do Pai na criação e por meio de quem tudo veio a existir.

Há, portanto, nesses três versículos algumas rápidas lições que podemos extrair das palavras do apóstolo amado:

1) “No princípio era o Verbo”. Jesus não é um ser criado, como afirmam alguns, nem está preso ou limitado ao tempo, pois Ele mesmo é anterior ao tempo, ele existe desde a eternidade e para além da eternidade. Dizer que “no princípio era o Verbo” deixa bem claro que o Verbo estava presente no início de tudo, sendo portanto antecessor e maior que tudo. Mas prestemos atenção na palavra que João utiliza, verbo, palavra que no grego é logos, de onde tiramos no português a palavra lógica, por exemplo. Jesus é aquele que dá sentido à vida e à existência, sem o qual nada faz sentido, tudo parece que está faltando um pedaço (e de fato está). Logos pode ser traduzida como “verbo” ou “palavra”, e denota tanto uma ação, um movimento, um fazer – e tem razão então, o apóstolo, de ter usado essa palavra no contexto de criação que ele menciona – quanto, em sendo a palavra, a maior, a última, a perfeita e sublime revelação de Deus a nós na figura de seu próprio Filho.

2) “e o verbo estava com Deus”. Cristo aqui é mostrado como participante de uma intimidade profunda com Deus. Não é uma mera relação de amizade ou de serventia, tal como, por exemplo, nós mesmos desfrutamos com nosso Senhor. Não. O nível de perfeição e unidade entre os dois realmente tornam-os indistinguíveis entre si (João 17:21,22), mostram-os perto, geograficamente, emocionalmente, espiritualmente, eram de fato duas pessoas em uma com perfeita sintonia e sinergia que pensavam juntos, sonhavam os mesmos sonhos, planejavam algo em comum para a humanidade que viriam a criar. Jesus era o movimento de Deus, o agir de Deus desde antes da fundação do mundo em prol da humanidade que haveria de criar para sua própria glória e para manifestação da sua bondade criativa.

3) “e o verbo era Deus”. Hoje talvez o conceito de Cristo como Deus não seja tão chocante assim, mas imagine você alguém se dirigir a um povo que nasceu e se formou historicamente ligado a uma religião monoteísta e que tinha lutado sua vida inteira para defender que o Senhor era o único Deus e então aparece alguém afirmando ser igual a Ele. Tamanha blasfêmia somente seria punível de maneira razoável com a morte. É uma pena os judeus não terem percebido nas entrelinhas e até de maneira explícita já desde o Gênesis a palavra de Deus apontando para Cristo, pois tudo que vem de Deus aponta para o seu filho, em que Ele tem todo o prazer (Mateus 3:17). Cristo não era, portanto, “apenas” um anjo, um herói ou semi-deus, como os Romanos e Gregos, cuja cultura dominava aquele período histórico e região geográfica, poderiam crer, tão somente uma criatura, Jesus era o próprio Deus encarnado, alguém que não se conformou em permanecer alheio ao tempo e à história mas veio a este mundo com a missão de resgatar suas próprias criaturas à condição de filhos de Deus. Jesus carregava consigo o DNA do Pai, por isso com tanta propriedade e por tantas vezes afirmou que Ele e o Pai eram um (João 14:9,10).

4) “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez”. Jesus, portanto, não era um homem de barro formado à imagem e semelhança de Deus, como vemos na narrativa de Gênesis 1, mas Ele mesmo era Deus, cujos homens, feitos por suas próprias mãos, fotocópias coloridas suas, foram esses sim criados à semelhança de Deus, mas apenas semelhantes, não iguais, pois não possuíam a mesma essência ou natureza. Jesus não é ser criado, mas ele próprio é o autor da criação, dotado de infinita sabedoria, criatividade e inteligência e apenas por Ele tudo do nada veio à existir, Ele foi o artífice da natureza, sem o qual não existiríamos, Ele mesmo é a condição sine qua non de existirmos, “porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos” (Atos 17:28a).

Vendo essas lições extraídas de tão rico texto, não podemos deixar de pensar na aplicação prática dessas palavras para nossa vida hoje. Jesus não é simplesmente um ser criado que não tenha poderes para nos ajudar, nem tampouco é um mero espírito incorpóreo incapaz de sentir o que nós sentimos, e que portanto não pode entender as dificuldades que temos de lidar com o pecado e com a ansiedade e toda sorte de males que nos afligem diuturnamente.

Ao contrário, Ele mesmo sendo Deus não se manteve distante, mas caminhou entre nós, experienciou tudo aquilo que poderíamos viver de modo que Ele entende profundamente a sua criatura não apenas como criador, que já seria suficiente já que somente Ele possui o nosso “manual de instruções”, mas como viveu como um de nós, em nosso meio, o Senhor sabe exatamente o que pedimos, mesmo quando não conseguimos fazê-lo corretamente, Ele sabe de antemão tudo quanto precisamos, a sua empatia por nós vai além do que uma força ou divindade distante, impessoal ou transcendental poderia assumir.

A minha oração hoje é que possamos, a começar em mim, confiar plenamente em Cristo Jesus como Senhor e Salvador de nossas vidas, pois Ele é capaz, afinal Ele nos criou, Ele estava lá junto ao Pai no momento da criação pensando em mim e em você, desde o princípio de tudo Ele já existia, e hoje mesmo está à direita de Deus intercedendo por nós, como advogado que milita em uma causa que conhece bem (1 João 2:1). Cristo é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo que pedimos ou pensamos (Efésios 3:2), e nenhuma causa é perdida em suas mãos, pois nada lhe é impossível ou difícil demais (Lucas 1:37), ainda que para nós pareça (Lucas 18:27).

Deus nos abençoe.

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Hospitalidade

Hoje meditei na passagem bíblica da destruição de Sodoma e Gomorra (Gênesis 18 em diante), mas não necessariamente na destruição em si daquelas cidades más, e sim na característica marcante encontrada tanto na vida de Abraão quanto na vida de Ló, não coincidentemente os dois patriarcas das únicas famílias que escaparam, qual seja a hospitalidade.

A hospitalidade é muito valorizada e incentivada por Deus tanto no antigo quanto no novo testamento, e verdadeiramente reflete o caráter de Cristo em seus seguidores.

Vemos essa caracteristica em Abraão quando oferece alimento e repouso para os anjos, e em Ló quando oferece igualmente abrigo para a noite.

Mas a hospitalidade só pode nascer em um ambiente propício, tal qual um coração generoso.

A generosidade de Abraão foi marcante, tendo pedido a Deus pela salvação daquela cidade ímpia, rogando-Lhe insistentemente que poupasse a multidão de pecadores em favor de uns poucos justos que porventura ali morassem.

A de Ló, por seu turno, além das bençãos da hospitalidade, verificou-se ao ter a sua casa ameaçada pelos moradores de Sodoma que lhe exigiam que entregasse em suas mãos os anjos do Senhor para que fizessem com eles toda sorte de abominações pelas quais eram conhecidos, sendo que Ló chegou a oferecer a própria vida e de suas filhas em lugar deles.

Pense consigo mesmo um instante agora se você estaria disposto a receber estranhos em sua casa? Dificilmente hoje em dia recebemos conhecidos, ou até mesmo amigos, que dirá estranhos.

Agora imagine que você além de recebê-los você os trata de maneira melhor até do que os de casa, ou ainda que entrega a própria vida em favor deles.

Assim agiram esses homens de Deus e nós também somos ensinados por Jesus a fazer o mesmo, na medida das nossas possibilidades, conforme diz sua palavra em Mateus 10:42 “E qualquer que tiver dado só que seja um copo de água fria a um destes pequenos, em nome de discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão.” e ainda Mateus 25:36 “Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me.”

A minha oração hoje é que Deus nos dê um coração generoso e aberto a exercitar a hospitalidade, sendo recebendo pessoas em nossos lares como se a Cristo o fizéssemos, acolhendo os novos convertidos e os recém chegados à comunidade cristã de nossa igreja local, ou mesmo se preciso for de sairmos da nossa zona de conforto quando visitarmos enfermos, órfãos e presos, sabendo que o bem que fazemos a cada um destes que não teriam como nos pagar de volta, é ao próprio Senhor que o fazemos, e Ele muito se agrada disso.

Deus nos abençoe.

Desperdiçando os dons

Hoje revi a história de Sansão (Juízes 13-16), herói hebreu do velho testamento bíblico, juiz de um povo oprimido pelos filisteus e que desperdiçou grandemente sua vida e os dons que Deus lhe confiou, como a força, inteligência e liderança por causa de motivos pessoais, fúteis e egoístas.

Sansão possuía um voto de nazireado, que lhe obrigava a abster-se de vinho e outras bebidas fortes, entre outros comportamentos que lhe eram proibidos, e ainda deveria cumprir uma série de mandamentos, entre os quais o de não cortar o cabelo.

Esse voto servia para demonstrar publicamente, além do relacionamento pessoal de intimidade que tinha o nazireu com o Senhor, princípios de higiene, moral e ordem, e ainda simbolizavam o relacionamento de Deus com seu povo, como foi o caso na vida de muitos dos profetas.

No entanto, lendo cuidadosamente a história de Sansão, percebemos que a única coisa do nazireado que ele cuidou foi a questão do cabelo, e talvez por essa razão tenha ficado tão conhecido por essa característica, e a abstinência do vinho.

Ele viveu em farras e de maneira promíscua, completamente indigna de um nazireu, um servo do Senhor, e muito menos de um líder do povo, um juiz, alguém dotado de especial responsabilidade perante a sociedade.

Sansão usou os dons que Deus lhe deu para vingança pessoal e fama, para humilhar seus inimigos e conquistar vantagens pessoais, esquecendo-se de que os dons que Deus nos dá devem ser usados para o bem e não para o mal, para a comunidade e não para nossos próprios interesses, de maneira altruísta e nunca egoísta.

O resultado na vida de Sansão é conhecido: primeiro a traição, depois a cegueira física (que foi apenas a consequência da cegueira espiritual anterior), e por fim a morte.

Sansão no fim de sua vida se reconciliou com Deus, mas a pergunta que fica é: a que custo?

Precisava realmente passar por tudo que passou, humilhação, sofrimento físico, traição?

Não poderia ele ter cumprido o seu propósito de livrar a nação de Israel, levando uma fama muito mais justa do que levou, bastando para isso ter obedecido fielmente a Deus?

A minha oração hoje é que Deus não permita que eu(nós) desperdice(mos) os dons que ele me(nos) dá em atitudes e ações egoístas e fúteis, empregados com a motivação errada, gastando meu(nosso) tempo em atividades que não glorificam seu nome nem ajudam o próximo, ao contrário, são perda de tempo e de qualidade de vida pessoal e coletiva.

Deus nos abençoe.

Síndrome da casa-grande

Vós, senhores, fazei o que for de justiça e equidade a vossos servos, sabendo que também tendes um Senhor nos céus. – Colossenses 4:1
Hoje pela manhã eu estava na academia quando ouvi duas dondocas conversando sobre empregadas domésticas, uma comentando com a outra o “absurdo” que era ter de pagar FGTS, como se já não bastasse o INSS, e dizendo que daqui a pouco o Brasil estaria igual aos EUA, onde é tão caro pagar funcionários para casa que ninguém quase possui uma empregada em tempo integral para cuidar dos afazeres domésticos, tendo que se virar ou pagar quando muito uma diarista para eventualmente fazer o serviço mais pesado.

Lembrei-me de quando morava em Salvador e sentia em muitas pessoas um sentimento, a que denominei “síndrome da senzala”, de inferioridade, um pouco de recalque com o sucesso meritocrático alheio, onde as pessoas demandavam reparação social e pregavam um ativismo cultural de modo a reverter situações desfavoráveis supostamente herdadas de seus ascendentes que foram escravizados e mantidos à margem do desenvolvimento socioeconômico por políticas, segundo essas pessoas, de Estado que promoveram a discriminação dos afrodescendentes no Brasil.

Não vou entrar no mérito dessa “síndrome”, até porque apenas lembrei-me dela por ocasião do seu oposto, a que chamo de “síndrome da casa-grande”, onde pessoas que nunca contribuíram para o desenvolvimento social, apenas herdaram um status-quo privilegiado, imaginam possuir o direito adquirido de usufruto do bem estar com base na exploração do trabalho alheio, e pior, da humilhação de seus semelhantes, num profundo sinal de preconceito e discriminação, lembrando muito o sistema de castas adotado na Índia onde pessoas nascidas em uma posição da “pirâmide socio-religiosa” possuem direitos maiores que outras apenas pelo nascimento, sendo o outro ser humano considerado inferior e, portanto, desmerecedor de tratamento igualitário e sequer o mínimo de respeito.

Esses dias li um artigo, que comentei com um primo meu, a respeito de uma imobiliária em Miami/EUA que percebeu a “necessidade” de se vender apartamentos com quartos de empregada, coisa inexistente no mercado local, a brasileiros nouveau riche (ou talvez nem tanto “nouveau” assim) que não dispensavam a sua “empregada-a-tiracolo”, numa infeliz comparação com aqueles cachorrinhos de madames, artigo que falava inclusive do preconceito de não se oferecer à pessoa que trabalha no lar e que em pleno século 21 ainda dorme em ambiente de trabalho (e aqui não irei discutir se sua liberdade estaria sendo tolhida, parcial ou totalmente, de modo comissivo ou omissivo por parte de seus empregadores) um quarto comum da casa, como se a profissional (e aqui coloco no feminino por ser desse gênero a maior parte das trabalhadoras desse perfil profissional) fosse em alguma espécie e em termos de humanidade inferior aos demais membros da família, relegando-a ao depósito no fundo do apartamento ou da casa a que teimamos de chamar de quarto de empregada, um nome mais bonito para uma senzala moderna para onde os “serviçais” tem a obrigação de se recolher e permanecer assim até o início da obrigação laboral do dia seguinte, ou até serem importunados por algum de seus patrões a qualquer hora do dia ou da noite, como se sua jornada de trabalho fosse além das 8 horas diárias.

Voltando ao “papo” das senhoras que presenciei na academia, também não concordo em se pagar FGTS a empregadas domésticas, mas não por serem empregadas domésticas, nem ainda em razão de se sobrecarregar ainda mais a classe média (pois quem é rico até poderia, economicamente e a princípio, arcar com este e muitos outros encargos trabalhistas), muito embora essa última razão até possa ser “justa”, em sentido amplo, mas sim por não concordar com a figura em si do FGTS e de outros encargos, impostos e taxas como por exemplo PIS/COFINS, FGTS de modo geral (e não apenas para a categoria profissional das pessoas que trabalham no lar, seja qual for sua função) e outras que engessam o sistema trabalhista brasileiro, e impedem muitas vezes os empresários de contratar mais, então não vem ao caso, certamente mereceria discussão isolada desse particular, a minha humilde opinião a esse respeito.

No entanto, o que fiquei matutando, e caminho para o fim, é que permanece no brasileiro de modo geral, infelizmente, a mentalidade de “senhor de engenho”, novamente chamo de “síndrome da casa-grande”, onde o patrão crê no direito de explorar seu funcionário até não poder mais, sugando-lhe até a alma se possível fosse. Não é apenas fazê-lo, que já seria condenável, mas não ver problema nisso e pior, realmente acreditar que tem esse direito, algo herdado até por direito divino, que Deus me perdoe, apesar que não duvido que possivelmente haja alguns pensando assim. Fico triste em saber que uma das senhoras da conversa, que passa o dia inteiro na academia “sem fazer nada”, entregando todo o cuidado da casa à(s) trabalhadora(s) que ali labutam (e suportam tamanha afronta de sua “patroa” provavelmente por não disporem de melhores opções de emprego em face de sua escolaridade), era mulher de um juiz, ou seja, não apenas possuidora, supostamente, de melhor educação (formal, pelo menos) do que boa parte da sociedade, como ainda teria, ainda que indiretamente, um mínimo de contato com o Direito e as leis deste país que protegem funcionários de maus patrões como ela me pareceu ser.</p

O pensamento daquela mulher me remeteu às aulas de filosofia do primeiro semestre do curso de Direito onde aprendi que os tão aclamados gregos, famosos por sua filosofia, tratavam com imenso desprezo o trabalho braçal, e que apenas por sua sociedade ser fortemente baseada no trabalho escravo é que dispunham de tempo para dedicar-se à contemplação e aos pensamentos nobres. Que contradição!

A perpetuação desse pensamento preconceituoso e discriminatório é uma das muitas coisas que faz com que a sociedade brasileira de modo geral não progrida, pois afinal, como dar educação e prover melhor condição social, o que permitiria uma possibilidade maior de escolha e discernimento político, e quem sabe ascensão social, a pessoas que não consideramos iguais a nós nos elementos mais básicos da humanidade?

E vós, senhores, fazei o mesmo para com eles, deixando as ameaças, sabendo também que o Senhor deles e vosso está no céu, e que para com ele não há acepção de pessoas. – Efésios 6:9
A dois mil anos o apóstolo Paulo, seguindo os preceitos de Cristo, já exortava aqueles que, possuindo a condição financeira de ter funcionários, os tratasse de maneira digna como se ao Senhor mesmo, sabendo que todos, indistintamente, possuímos a Jesus nos céus por Senhor, e Ele não faz acepção de pessoas, não trata pessoas com parcialidade, favoritismo ou discriminação, então nós, que nos dizemos seus seguidores, deveríamos efetivamente seguir o seu exemplo, e não o contrário como muitas vezes fazemos, religiosos e que tratamos tão mal àqueles que tem disposto de seu tempo, saúde e vida mesmo para trabalhar para nós.

Deus nos ajude a mudarmos a nossa mentalidade, sabendo tratar a todos indistintamente não pelo “grau de importância” do papel social que cumprem segundo a nossa ótica “burguesa” (e uso esse termo com muita cautela), mas sim por serem humanos como nós, em nada diferentes aos olhos do Pai, ao contrário, sabendo tratar nossos funcionários com um respeito e consideração devidos, pois afinal trabalham para nos ajudar a ter um bom padrão de vida e conforto, coisa que muitas vezes eles mesmos tem se privado de ter no decorrer de suas atividades.

Pegos de surpresa

E olhai por vós, não aconteça que os vossos corações se carreguem de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e venha sobre vós de improviso aquele dia. – Lucas 21:34
Jesus nessa passagem está falando do dia vindouro do seu retorno, para o qual devemos nos preparar através de uma vida de dedicação a Deus em amor e verdade, e ao próximo com generosidade e paciência.

A palavra de Cristo nos exorta não a levarmos necessariamente uma vida acética e abstêmia de tudo de bom que há nesta vida. Não é isso que o texto diz. Ao contrário, Jesus nos alerta apenas para não nos deixarmos dominar pelos prazeres da vida, seja o comer, o beber, ou outras atividades de lazer, relaxamento e diversão, nem tampouco pelas lutas e dificuldades da vida cotidiana, como emprego, carreira, faculdade, bens, a rotina, de modo que esqueçamos do mais importante que é o nosso relacionamento com o Pai, e com os nossos semelhantes.

Mas o alerta do Senhor não é sem destino, nem sem fim em si mesmo. Como se não bastasse o mal decorrente de vivermos uma vida entregue às paixões irrefreadas, ou ainda mergulhados em angústias e aflições promovidas pelos problemas que nos cercam e que na maioria das vezes somos nós mesmos que criamos ou atraímos, o fim de quem assim vive é na verdade esquecer de viver, e ser surpreendido ou pela enfermidade, pela dor, pela morte, ou pior, pela morte eterna que é o inferno, onde haverá para sempre pranto, solidão, desespero e ausência de Deus.

Minha oração hoje é que Deus tenha liberdade para trabalhar em meu coração retirando tudo que eu tenho tomado em exagero e que, como consequência, esteja me afastando de Si, e me fazendo esquecer daqueles que precisam da minha companhia, do meu cuidado, do meu tempo e até mesmo dos meus bens.

Se possível, faça você também essa oração.

Deus nos abençoe.