Para não julgarmos

Não julguem, para que vocês não sejam julgados.
Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês.
Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho?
Como você pode dizer ao seu irmão: ‘Deixe-me tirar o cisco do seu olho’, quando há uma viga no seu?
Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão. – Mateus 7:1-5

Infelizmente vivemos numa sociedade onde somos constantemente julgados, seja pela nossa aparência, se somos bonitos ou feios, altos ou baixos, magros ou gordos, se nos vestimos dessa ou daquela maneira, usando roupas da moda ou não, se estamos de acordo com aquilo que o grupo no qual queremos ser aceitos considera como “legal”, “bacana”, se possuímos um bom emprego, um carro, uma casa, se temos estudo…

Tudo é razão para olharmos uns para os outros e apontarmos o dedo, especialmente quando erramos e caímos, logo aparecem muitas pessoas para acusar, para atirar pedra, mas nessas horas parece que até os poucos amigos que achamos que temos fugiram, e não estão lá para nos apoiar e ajudar a levantar.

Hoje eu gostaria de ler com você três histórias que se passaram na vida de Jesus, e através de algumas simples perguntas, convidar vocês a refletir sobre uma lição que Jesus nos deixou através de seu próprio exemplo.

A primeira história se encontra narrada na Bíblia em Mateus 9:9-13.

Passando por ali, Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado na coletoria, e disse-lhe: “Siga-me”. Mateus levantou-se e o seguiu.
Estando Jesus em casa, foram comer com ele e seus discípulos muitos publicanos e “pecadores”.
Vendo isso, os fariseus perguntaram aos discípulos dele: “Por que o mestre de vocês come com publicanos e ‘pecadores’? ”
Ouvindo isso, Jesus disse: “Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes.
Vão aprender o que significa isto: ‘Desejo misericórdia, não sacrifícios’. Pois eu não vim chamar justos, mas pecadores”. – Mateus 9:9-13

Essa história narra como Jesus convidou Mateus para ser seu discípulo.

Só pra gente entender um pouco o contexto, Mateus era um cobrador de impostos.

Ora, se hoje ninguém gosta de alguém que cobre impostos, porque, convenhamos, ninguém gosta de pagar impostos, ainda mais sabendo que muitos dos fiscais que trabalham com cobrança e fiscalização são corruptos, e só cobram daqueles que são honestos, já que os desonestos costumam “molhar sua mão”, imaginem se os fiscais fossem de um governo estrangeiro que está dominando seu país, ou seja, se os impostos que você tem pago a contragosto estão indo beneficiar não você, sua família, seus vizinhos, seu país, mas outro país?

Os cobradores de impostos na época de Jesus eram assim, corruptos e considerados traidores da pátria, então imaginem como a população tinha desprezo e odiava quem realizava essa função?

Veja que nessa história, o texto fala de “publicanos” – esse era o nome da função de cobrador de impostos no império romano – e pecadores, como se publicano fosse uma espécie diferente de pecador, um super-pecador, por assim dizer, alguém tão desprezível que merecia uma categoria própria de classificação.

Em Lucas 19 temos a história de outro homem que também era cobrador de impostos, o nome dele era Zaqueu, e Lucas descreve esse homem como muito rico, mas cujas únicas amizades eram de outros cobradores de impostos como ele, já que a população de sua cidade tinha desprezo por ele e lhe tratava como um inimigo.

E, no entanto, Jesus foi comer justamente com essas pessoas.

A pergunta que eu gostaria que a gente refletisse nessa primeira história então é a seguinte: será que você já foi julgado por algo que você faz, pelo tipo de trabalho que tem, será que quando as pessoas olham para você, mesmo sem conhecer quem você realmente é elas lhe apontam o dedo e dizem coisas que muitas vezes não é verdade, e mesmo que seja não é tudo que você é?

A segunda história que iremos refletir hoje está no livro de João, capítulo 9, versos 1-7.

Ao passar, Jesus viu um cego de nascença.
Seus discípulos lhe perguntaram: “Mestre, quem pecou: este homem ou seus pais, para que ele nascesse cego?”
Disse Jesus: “Nem ele nem seus pais pecaram, mas isto aconteceu para que a obra de Deus se manifestasse na vida dele.
Enquanto é dia, precisamos realizar a obra daquele que me enviou. A noite se aproxima, quando ninguém pode trabalhar.
Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo”.
Tendo dito isso, ele cuspiu no chão, misturou terra com saliva e aplicou-a aos olhos do homem.
Então lhe disse: “Vá lavar-se no tanque de Siloé” (que significa Enviado). O homem foi, lavou-se e voltou vendo. – João 9:1-7

Nessa segunda história, temos Jesus encontrando uma pessoa com uma deficiência física, um homem cego.

Ora, se hoje, com a tecnologia que nós temos, e escolas, e apoio em geral da sociedade de maneira a incluir e tornar produtivas e aceitas as pessoas com deficiência, ainda assim essas pessoas têm muitas dificuldades, imaginem na época de Jesus onde não havia nada disso.

Agora para piorar, naquela época as pessoas acreditavam que uma deficiência física ou uma doença grave era sinal de que a pessoa tinha sido castigada por Deus por causa de algum pecado sério que ela mesma ou seus pais tinham cometido, ou seja, a sociedade via aquelas pessoas que já experimentavam todo tipo de constrangimento e limitação, muitas vezes sem conseguir trabalhar e tendo que depender completamente de sua família, chegando ao ponto de pedir esmola para ter o que comer, como pessoas amaldiçoadas por Deus.

Imaginem isso!?

E, no entanto, Jesus diz que não é assim, Jesus toca os olhos daquele cego e o cura de sua deficiência.

Em Mateus 9:27-31 temos a história de dois outros cegos que Jesus também toca em seus olhos para que também pudessem ver.

A pergunta que gostaria que refletíssemos nessa segunda história é a seguinte: será que você já se sentiu menosprezado por algo no seu corpo, não precisa ser necessariamente uma deficiência, mas algo que te deixa com vergonha, constrangido, algo que as pessoas podem rir de você, ou mesmo ter uma “peninha” que na verdade também não ajuda em nada a sua dor? Pior, algo que alguém pode dizer que é culpa sua, ou até castigo de Deus em sua vida por algo que você não fez, mas que eles pensam que sim?

A terceira história que temos para refletir hoje está narrada em Lucas 7:36-39:

Convidado por um dos fariseus para jantar, Jesus foi à casa dele e reclinou-se à mesa.
Ao saber que Jesus estava comendo na casa do fariseu, certa mulher daquela cidade, uma ‘pecadora’, trouxe um frasco de alabastro com perfume, e se colocou atrás de Jesus, a seus pés. Chorando, começou a molhar-lhe os pés com as suas lágrimas. Depois os enxugou com seus cabelos, beijou-os e os ungiu com o perfume.
Ao ver isso, o fariseu que o havia convidado disse a si mesmo: “Se este homem fosse profeta, saberia quem nele está tocando e que tipo de mulher ela é: uma ‘pecadora’ “. – Lucas 7:36-39

Essa história fala que Jesus foi jantar na casa de um fariseu. Os fariseus eram um grupo religioso que era muito radical em suas crenças e práticas religiosas, pessoas que colocavam sua religião acima de tudo e de todos, um grupo que frequentemente discutia com / e perseguia Jesus, e que foi diretamente responsável pela sua morte.

Nessa história temos outra personagem, uma mulher sem nome descrita apenas como “pecadora”. Perceba bem, a Bíblia não fala exatamente qual era o pecado dessa mulher, apenas que era tão público e notório, era algo tão escandaloso que ela não era mais conhecida por seu nome, mas pelo pecado que havia cometido ou praticado.

Agora vamos nos colocar por um momento no lugar dessa mulher. Será que temos algo em nossas vidas que fizemos de errado no passado, reconhecemos que foi errado, aquilo marcou a nossa vida gerando traumas que carregamos até hoje e que infelizmente as pessoas não conseguem mais olhar para nós como outra pessoa normal, mas como “a pecadora”, ou seja, a nossa história é quem nos define e não quem de fato somos?

Veja que o fariseu, uma espécie de líder religioso, chegou a duvidar de Jesus, dele ser um profeta, porque Jesus permitiu que a mulher considerada pecadora, de má fama, tocasse nEle, e aqui cabe um parêntese, de que os fariseus, em sua religiosidade, faziam coisas tão exageradas que nem a própria lei de Moisés mandava fazer, e, por outro lado, não conseguiam entender que Deus, mesmo por meio do rigor da lei, agia com graça em favor das pessoas, e não massacrava nem repudiava, nem afastava as pessoas como aqueles homens faziam. Eles, de fato, estavam mais preocupados com sua reputação se as pessoas da sociedade vissem aquela pessoa de má-fama tendo contato com eles do que em ajudá-la a vencer seus traumas e deixar para trás seu passado de vergonha.

Mas Jesus não teve vergonha dela, nem se preocupou com o que as pessoas iriam falar dele por causa daquela mulher.

A pergunta que temos, então, para refletir é a seguinte: será que você carrega traumas do passado que não consegue superar, coisas que fizeram com que as pessoas se afastassem de você e não queressem mais contato, não confiassem mais em você, algo que você já mudou, mas que continua afetando a maneira como as pessoas olham pra você e pensam a seu respeito? Será que, por outro lado, você não tem sido como um daqueles religiosos e apontado o dedo na cara das pessoas, afastando-as, ao invés de acolhendo-as, ajudando a mantê-las naquela situação de abandono e condenação ao invés de ajuda-las a mudar de vida e de construir uma nova história para elas?

Essas três histórias nos ensinam uma importante lição a respeito de Jesus, que Ele, sendo Deus, escolheu ser como um de nós, uma pessoa comum, e de todos os lugares onde ele poderia nascer, nasceu em um estábulo de animais sem higiene, filho de pessoas pobres, um carpinteiro e sua jovem esposa, viveu em uma região afastada dos grandes centros, que era Nazaré, e fez questão de andar com as pessoas que a sociedade julgava serem ninguém, não terem importância, pessoas que a religião dizia que você não podia tocar, que as convenções sociais diziam que você não poderia conversar ou se relacionar.

Jesus, então, toca em quem ninguém tem coragem de tocar, ele abraça os feridos de alma e afirma que para Ele nós somos importantes, Ele faz e vai além do que a religião diz que a gente pode ir ou fazer, Ele mesmo que foi rejeitado decide acolher os rejeitados e nos manda fazer o mesmo.

Esse é o mesmo Jesus de ontem, que restabeleceu dignidade àquela mulher pecadora, que deu vista aos cegos e operou muitos milagres, aquele que não teve preconceito de se relacionar com todos, andar com todos, falar e tocar a todos quantos queriam e precisavam de seu toque, de sua companhia, o mesmo Jesus que hoje quer fazer o mesmo por mim e por você, nós que temos tantos preconceitos, que julgamos tanto as pessoas mesmo sendo também vítimas muitas vezes do olhar e do dedo acusador de alguém. Ele está conosco e nos diz: parem de julgar, parem de condenar, comecem agora mesmo a ajudar, a animar, a levantar; e também nos diz quando estamos fracos e caídos que estará sempre conosco todos os dias, nos dando força para prosseguir na caminhada.

Nós podemos voltar pras nossas casas refletindo nessas três perguntas que eu fiz essa noite:

1.                       Será que quando as pessoas olham para você, mesmo sem conhecer quem você realmente é, elas lhe apontam o dedo e lhe julgam? Ou será que você tem feito isso com relação a outras pessoas?

2.                       Será que você já se sentiu menosprezado por algo que te deixa com vergonha, algo que alguém pode dizer que é culpa sua, ou até castigo de Deus em sua vida por algo que você não fez, mas que eles pensam que sim? Ou será que você fez alguém se sentir assim?

3.                       Será que você tem estado preso ao seu passado e se deixado definir por sua história até agora? Ou será que você tem apontado o dedo na cara das pessoas, ao invés de ajuda-las a mudar de vida e de construir uma nova história para elas?

E a lição que aprendemos com Jesus, que pode nos ajudar a refletir nessas perguntas é para sermos menos preconceituosos com relação às pessoas, deixando de julgá-las mas oferecendo a mão para ajudá-las, caminhando com elas, de modo a levá-las cada vez mais para perto de Deus, e ajudando-as a mudar de vida, para uma vida melhor com Deus, com Jesus.

Deus nos abençoe.

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Aviso aos navegantes: sobre o amor

Mulheres de Jerusalém, eu as faço jurar pelas gazelas e pelas corças do campo: não despertem nem provoquem o amor enquanto ele não o quiser. – Cânticos 2:7

Cânticos é um dos livros poéticos do Antigo Testamento que narra, em forma de poesia, o amor romântico do rei Salomão por sua esposa mais preciosa, a Sulamita, a quem ele se derrama de paixão e amor em todas as esferas em versos até bem explícitos, embora não vulgares, falando sobre muitos temas afetos ao relacionamento conjugal.

Nesse contexto, não deixa de ser um pouco “estranho” Salomão por três vezes recomendar às mulheres de Jerusalém que não despertassem o amor antes da hora adequada, o que nos indica claramente pelo menos três lições:

  1. há uma hora adequada para o amor, e cada tipo específico de amor (amizade, namoro e casamento) possui um contexto específico que não deve ser atropelado sob pena de perder-se o melhor de cada etapa, antecipando dificuldades que a falta de maturidade, experiência e intimidade não permitirão administrar com sabedoria;
  2. o amor é algo que deve vir naturalmente, mas também pode ser buscado, despertado, provocado. Em Cantares 3:5, a segunda vez que aparece esse conselho, Salomão diz para não incomodar o amor, e é curioso essa expressão “incomodar”, como algo que traz um certo desconforto, e não deixa de ser verdade, se meditarmos no aviso do homem mais sábio que já viveu, o amor na hora errada traz uma série de inconvenientes, seja no contexto familiar, responsabilidades laborais ou acadêmicas, e até no âmbito mais pessoal, onde a pessoa precisa dedicar tempo que talvez não possua a sentimentos que talvez não poderá corresponder. É estranho mas é verdade, muitas vezes o amor nasce de um “incômodo”, e dificilmente um amor com semelhante início terá um fim aprazível;
  3. o amor “meio que” tem vida própria, ou seja, tem o tempo certo de nascer, de crescer, de amadurecer, a forma própria de tudo acontecer, e não adianta “forçar a barra”. O conselho é claro, não despertar o amor enquanto ele mesmo não quiser, ou seja, ele não deve ser instigado, de maneira afobada ou por desespero, e os sentimentos que o cercam, embora possam ser nutridos (para que cresçam) ou sufocados (para que diminuam e morram), devem surgir de modo espontâneo, voluntário, com mutualidade e naturalidade.

A forma literária judaica utiliza da repetição para denotar gravidade e importância de determinado assunto. Então, considerando que por três vezes Salomão faz menção a esse tema, é de nossa responsabilidade parar e pensar se não estamos pondo o carro na frente dos bois muitas vezes, provocando sentimentos em outras pessoas de forma inadequada, de maneira inconsequente, os quais, vindos na hora e da forma errada, trarão mais aborrecimentos e sofrimento do que a alegria, paz e regozijo que Deus criou para nosso desfrute.

Nesse sentido, fiquemos com um último alerta, ainda nas palavras do rei Salomão (embora num contexto ligeiramente diferente mas que também serve a este propósito), se esses não foram suficientes, de quão sério é este assunto:

Pode alguém colocar fogo no peito sem queimar a roupa?
Pode alguém andar sobre brasas sem queimar os pés? – Provérbios 6:27-28

Esse é o risco de quem desperta, provoca, incomoda o amor antes da hora, antes que ele mesmo, sentindo-se preparado, acorde por livre e espontânea vontade: por fogo nas próprias roupas, caminhar sobre brasas, ou seja, praticamente atear fogo em si mesmo, no próprio corpo, e como sairá dessa sem se queimar, sem ter um enorme prejuízo?

Deus nos abençoe.

O vestir-se e o escândalo: uma palavra

A Bíblia afirma que tudo que fizermos (inclusive o vestir) seja para a glória de Deus (1 Coríntios 10:31).

Nesse sentido, não tem como a pessoa andar seminua ou “sensualizando” e considerar que isso é para a glória de Deus. É para glória própria mesmo, por vaidade pessoal, por qualquer razão que seja, que pode não ser necessariamente má, mas dificilmente deixará de ser minimamente egoísta.

Nesse sentido, há uma recomendação clara quanto ao vestir no texto de 1 Pedro 3:1-6, que segue:

Do mesmo modo, mulheres, sujeitem-se a seus maridos, a fim de que, se alguns deles não obedecem à palavra, sejam ganhos sem palavras, pelo procedimento de sua mulher, observando a conduta honesta e respeitosa de vocês.
A beleza de vocês não deve estar nos enfeites exteriores, como cabelos trançados e jóias de ouro ou roupas finas.
Pelo contrário, esteja no ser interior, que não perece, beleza demonstrada num espírito dócil e tranquilo, o que é de grande valor para Deus.
Pois era assim que também costumavam adornar-se as santas mulheres do passado, que colocavam a sua esperança em Deus. Elas se sujeitavam a seus maridos, como Sara, que obedecia a Abraão e lhe chamava senhor. Dela vocês serão filhas, se praticarem o bem e não derem lugar ao medo.

Não fala, certamente na questão de ser pedra de tropeço ou causa de pecado alheio, mas vê-se que a ênfase é dada não na beleza ou nos adornos, ou vestimentas externas, mas nos atributos de caráter que são internos.

Com relação a ser pedra de tropeço, remeto à palavra do apóstolo Paulo em Gálatas 5:13 que diz:

Irmãos, vocês foram chamados para a liberdade. Mas não usem a liberdade para dar ocasião à vontade da carne; pelo contrário, sirvam uns aos outros mediante o amor.

Temos obviamente a liberdade em Cristo para fazer qualquer coisa, pois não somos escravos dos nossos instintos animais, mas essa liberdade não pode ser usada como pretexto para justamente dar vazão a esses mesmos instintos!

Além disso, o próprio Paulo nos ensina sobre a fraqueza de alguns irmãos, por amor de quem deveríamos nos preservar de realizar determinadas coisas, que novamente, não são necessariamente más:

Portanto, deixemos de julgar uns aos outros. Em vez disso, façamos o propósito de não colocar pedra de tropeço ou obstáculo no caminho do irmão.
Como alguém que está no Senhor Jesus, tenho plena convicção de que nenhum alimento é por si mesmo impuro, a não ser para quem assim o considere; para ele é impuro.
Se o seu irmão se entristece devido ao que você come, você já não está agindo por amor. Por causa da sua comida, não destrua seu irmão, por quem Cristo morreu.
Aquilo que é bom para vocês não se torne objeto de maledicência.
Pois o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo; aquele que assim serve a Cristo é agradável a Deus e aprovado pelos homens.
Por isso, esforcemo-nos em promover tudo quanto conduz à paz e à edificação mútua.
Não destrua a obra de Deus por causa da comida. Todo alimento é puro, mas é errado comer qualquer coisa que faça os outros tropeçarem.
É melhor não comer carne nem beber vinho, nem fazer qualquer outra coisa que leve seu irmão a cair.
Assim, seja qual for o seu modo de crer a respeito destas coisas, que isso permaneça entre você e Deus. Feliz é o homem que não se condena naquilo que aprova.
Mas aquele que tem dúvida é condenado se comer, porque não come com fé; e tudo o que não provém da fé é pecado. – Romanos 14:13-23

Paulo fala, no contexto, sobre comida oferecida aos ídolos, mas se examinarmos bem o contexto tiramos um princípio de não constrangermos ou escandalizarmos propositadamente um irmão quando está ao nosso alcance evitá-lo.

É óbvio que Paulo também fala sobre a maturidade cristã, maturidade esta que nos leva, por exemplo, a considerar banal esse tipo de assunto, ou seja, não sermos nós os escandalizados, enquanto os novos na fé em tudo se escandalizam. Além disso, existem pessoas que nunca amadurecem, permanecendo meninos por toda vida, se escandalizando por qualquer besteira. Por fim existem os maus, aqueles que se escandalizam não porque algo é constrangedor, mas porque sua mente é corrompida, conforme palavras do Senhor Jesus em Lucas 11:34:

A candeia do corpo é o olho. Sendo, pois, o teu olho simples, também todo o teu corpo será luminoso; mas, se for mau, também o teu corpo será tenebroso.

E ainda:

O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem, e o homem mau, do mau tesouro do seu coração tira o mal, porque da abundância do seu coração fala a boca. – Lucas 6:45

Enfim, não podemos nem devemos viver numa paranoia de achar que tudo que fazemos ou vestimos ou pensamos ou dizemos é mau só porque alguém considera assim, mas na medida do possível, do razoável, com base nos princípios bíblicos e especialmente no amor ao próximo, podemos e devemos evitar aquilo que pode ser evitado e não vai nos causar um sacrifício ou tormento exagerado, até porque certamente não estaremos o tempo todo com essas pessoas que por tudo se escandalizam.

Na verdade, embora existam, por exemplo, mulheres sem noção usando roupas mínimas na igreja, sem a menor necessidade e cabimento, e essa palavra foi em resposta a um questionamento sobre isso, que estaria na mulher a culpa do pecado do homem, o que não é necessariamente ou muitas das vezes o caso (afirmação que inclusive não deixa de ter um cunho machista e com o condão de lançar a própria culpa e responsabilidade pessoal numa terceira pessoa, o que é mais fácil de fazer do que admitir o próprio erro e consertar-se), existem muitos homens que a mulher poderia estar de burca que ainda assim estariam com a mente povoada de desejos sexuais.

Que a moderação, o amor ao próximo e a paz de Cristo em nossos corações sejam os balizadores para o nosso comportamento, que inclui a maneira como nos vestimos de um lado, ou como pensamos, julgamos e reagimos do outro, de maneira que possamos crescer como corpo de Cristo e amadurecermos na fé no nosso Senhor.

Deus nos abençoe.

Um amor proativo

E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás. – Gênesis 2:16-17

O amor de Deus para com o homem está sempre pensando além, indo adiante, sendo proativo em prepará-lo para enfrentar as dificuldades da vida, buscando livrá-lo do mal e das adversidades e lutas da vida que, em excesso, abateriam nossa alma, abalariam nossa confiança nEle, fariam com que a vida não valesse a pena ser vivida.

O homem foi criado para ser livre, mas os limites de sua liberdade eram bem claros, limites feitos do que era bom, agradável e perfeito que é a vontade de Deus.

Deus proibiu ao homem o acesso a árvore por diversas razões, mas uma deles talvez seja porque sabia que, conhecendo o bem e o mal, o homem preferiria o mal, pois o homem só enxerga o agora, o hoje, não o amanhã, o homem egoísta não percebe que suas ações irão impactar o mundo e não apenas o seu umbigo.

Deus enfim estava protegendo o homem dele mesmo, de seu egoísmo, das consequências de sua própria maldade que ainda não havia germinado, e que de maneira nenhuma poderia sair impune; de fato, pelo pecado decorrente da maldade do homem vem a morte, a de Adão, a sua e a minha.

1 Tessalonicenses 5:8

Nós, porém, que somos do dia, sejamos sóbrios, vestindo a couraça da fé e do amor e o capacete da esperança da salvação. – 1 Tessalonicenses 5:8

Acho bacana esse texto de 1 aos Tessalonicenses porque apesar de pequeno, traz profundas lições a nós que nos chamamos de cristãos:

  1. Paulo no contexto compara o mundo enquanto sistema social perverso que foge de Deus e de seus valores, e de modo ativo Lhe desobedece, às trevas, e aqueles que se deixaram impactar pelo amor de Deus, seu perdão, graça e bondade, os homens e mulheres que vivem o evangelho prático de arrependimento, confissão de pecados e obediência ao Pai, à luz. Semelhantemente chama aos primeiros de criaturas da noite, enquanto aos últimos de criaturas do dia, não que a noite em si mesma carregue consigo algum mal, mas pelo aspecto do escondido, da escuridão das trevas como parâmetro de comparação entre aqueles cuja bondade não poderia ser escondida ainda que quisessem, e aqueles cuja maldade reclama a escuridão sob pena de ser exposta, e a seu praticante, à vergonha, ao julgamento, à condenação.
  2. Da mesma forma Paulo toca, repetidas vezes (e eu iria dizer que de forma indireta, mas dificilmente eu poderia entender como algo incidental uma coisa que se repete uma e outra vez) sobre a necessidade de nos mantermos sóbrios, em contraposição à nos embebedarmos, embriagarmos, e aqui não se refere ao mero uso de bebida alcoólica, até porque ele mesmo bebia (e tanto que recomendou a Timóteo que usasse do vinho para combater um problema estomacal), mas se olharmos por esse aspecto, inicialmente, para exercitarmos de moderação em tudo quanto fazemos, mesmo em coisas que não tem valor em si mesmos ou até que são boas, mas quando tomadas em excesso produzem males as vezes irremediáveis, e aqui uso o verbo tomar pela semelhança com o ato de beber, mas coloco verdadeiramente com respeito a qualquer coisa que façamos, deixemos de fazer, pensemos ou falemos. A sobriedade então se reveste mais de uma postura de responsabilidade com relação a nós mesmos, a Deus e aos outros, para não sermos surpreendidos por situações que estariam muito bem em nosso controle e, por descuido, despreparo, irresponsabilidade mesmo, nos achamos reféns de resultados que podem muito nos prejudicar.
  3. Por fim não posso deixar de me lembrar da semelhança desse texto com o de Efésios 6 onde o mesmo Paulo descreve a armadura que todo cristão tem necessariamente de vestir se desejar ser vitorioso contra as armadilhas do diabo. Isso mesmo. A nossa luta não é contra carne ou contra sangue, como diz o verso 12 de Efésios, no sentido de contra pessoas individualmente (ainda que tenhamos muitos “inimigos”, ou desafetos, pessoas que intentam o mal contra nós, psicopatas de um mundo vil, criminosos e tantas pessoas que nos fariam talvez questionar a realidade desse versículo), mas contra um reino espiritual que é real e faz (ou tenta, no melhor de seu esforço) contraposição ao reino de Deus do qual somos ao mesmo tempo súditos e embaixadores, um reino que aprisiona pessoas em ciladas demoníacas de sujeição a desvalores morais, onde pessoas são rebaixadas à condição de coisas, onde relacionamentos não valem mais nada, ou melhor valem apenas o quanto se pode pagar, o quanto um pode representar como vantagem para o outro, de fato, para cada valor ou princípio divino que, creia, é o melhor para a humanidade criada pelo Pai, quer impor, nos indivíduos e no inconsciente coletivo, no sistema político, social, cultural e econômico, o exato oposto, um outro “valor” que deturpe, que destrua, que mate e rouba como o próprio Cristo fez questão de avisar (João 10:10). É uma luta, diária, para a qual não podemos em hipótese nenhuma ir desarmados, desprotegidos, e sem a devida cautela e preparo, tanto físico, quanto psicológico/emocional, quanto, principalmente, espiritual. É interessante, contudo, que não nos valemos da lógica desse mundo para combatê-lo, nem confiamos em armas e estratégias militares (Salmos 20:7) para derrotar tão sagaz, feroz e potente inimigo, mas as nossas vestimentas e a nossa estratégia nos são dadas pelo Espírito Santo que guerreia conosco, ao nosso redor e em nosso coração, e consistem não de qualquer espada de metal, carabina ou canhão, ou ainda capacete ou uniforme camuflado, por exemplo, mas da fé, amor, e esperança da salvação, pelos quais e para os quais lutamos, uma vez que são meio e fins em si mesmos.

Amar a Deus sobre todas as coisas

Amar a Deus sobre todas as coisas, também mencionado como amar a Deus com todo nosso coração, com toda nossa alma, com todo nosso entendimento e com todas as nossas forças. Esse é o primeiro e grande mandamento, desde o Antigo Testamento e também por Jesus enfatizado.

Amar a Deus é sinônimo de uma vida piedosa, uma vida pautada na leitura da Palavra e na oração, que se desdobra em mudança de mente, de uma mente pecadora para a mente de Cristo, de valores egoístas de um sistema chamado mundo, que preza pelo hedonismo que escraviza, para os valores do reino de Deus, que preza pela liberdade da escolha responsável e altruísta, de sermos supostamente senhores de nós mesmos, apesar de escravos do pecado, para sermos servos do Senhor, o que nos torna verdadeiramente livres.

Amar ao próximo como a nós mesmos, que é o segundo mandamento dado por Cristo, resumo dos demais mandamentos da lei mosaica, só vale se vier precedido do primeiro e grande mandamento. Amar ao próximo como a nós mesmos sem uma vida dedicada em primeiro lugar ao Senhor pode até garantir uma sociedade mais justa, o que é bom, pode até fortalecer os laços de amizade e confiança, o que é salutar, mas não leva ninguém a ter um relacionamento pessoal e íntimo com o Senhor, não afasta ninguém do inferno, não molda verdadeiros valores no coração do homem, o que é imprescindível.

Resumo da lei

Portanto, dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra.
A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei.
Com efeito: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não cobiçarás; e se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.
O amor não faz mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o amor. – Romanos 13:7-10

Romanos 13 fala de sermos submissos às leis e autoridades governamentais, instituídas que são por Deus (ainda que não entre no mérito de explicar como se dá esse processo, se de modo ativo ou passivo/permissivo).

Fala ainda de que devemos pagar nossos impostos, por mais injustos que pareçam.

De fato, Paulo aqui é coerente com o ensino de Jesus em Lucas 20:25.

Portanto não cabe a nós que nos dizemos cristãos deixarmos de pagar os nossos impostos ou fraudá-los de qualquer maneira sob qualquer pretexto.

Alegue o que quiser, invente a desculpa que lhe parecer melhor, mas saiba disso, declarou o que não devia para obter uma maior restituição na sua declaração do IR, por exemplo gastos médicos e de saúde, trouxe produtos de fora do país com valor maior que o limite de U$ 500,00 e não declarou nem pagou o imposto devido, ou mesmo que o tenha feito, trouxe com fins indevidos, como vender para obter algum trocado, sabendo que isso é proibido, você está agindo exatamente igual a qualquer pessoa desse mundo e completamente o oposto do que a Bíblia ensina, que é a vontade de Deus para seus filhos.

Mas uma das coisas que me chama atenção nesse texto é essa passagem que transcrevi acima, que guarda bastante semelhança com texto de 1 Corintios 13, que fala sobre o amor.

O amor é o resumo da Lei e dos profetas, como vemos várias vezes nas Escrituras ser anunciado.

Portanto amemos, não como obrigação ou por força de lei, muito embora este seja também um sinal de obediência e filiação.

Mostremos na prática, e talvez na mais difícil e dura delas, que somos verdadeiramente família de Deus.

O mundo está carente de muitas coisas, mas certamente a mais importante de todas é o amor, amor este que na prática supre todas as demais necessidades.

Amor que não é sentimento, embora até provoque o mesmo, mas ações benéficas em prol do próximo, do nosso semelhante.

Deus nos abençoe.