Estudo sobre o natal

O que o natal representa para você?

Estava lendo essa semana na internet sobre pessoas que não comemoram o natal porque afirmam que não é uma festa cristã. Alegam, até com razão, que não só a festa, hoje, é puramente comercial, girando em torno de presentes e comida, como até sua própria origem não tem relação com o que se propõe, celebrar o nascimento de Jesus.

As pessoas que não comemoram o natal afirmam que a festa foi instituida pela Igreja Católica para coincidir com o solstício de inverno, período em que diversas religiões pagãs costumavam celebrar a fecundidade, morte e renascimento, entre outros, e foi incorporada à cultura cristã de modo a ganhar essas pessoas à Cristo. Também afirmam que Papai Noel, chamado em outros países de Santa Claus, ou Nicolau, também teria origem pagã, bem como os demais símbolos como o pinheiro de natal, as renas e os duendes… por fim dizem que Jesus não nasceu nesse período, e então não vêm motivo para celebrar…

Eu concordo que nenhum desses símbolos é cristã por procedência. Também sabemos que a festa em si, culturalmente, se afastou por completo do principal que é a pessoa de Jesus. Por fim, embora a festa possa não coincidir com a data específica do nascimento do Senhor, cabe aqui refletirmos em uma pergunta: o que você faria se descobrisse que não nasceu no dia que vocÊ costuma celebrar seu aniversário mas em outro dia. Renato colocou essa pergunta na internet essa semana e várias foram as respostas… eu, particularmente, penso e disse que para mim não haveria problema, pois seria mais um motivo para celebrar e duas oportunidades para festejar e ganhar presentes. Mas, e com relação ao natal?

Não sabemos com certeza quando Jesus nasceu e me parece extremamente superficial discutir se devemos ou não celebrar o natal este período. Bem, creio em primeiro lugar que devemos celebrar o nascimento, a vida e a obra de Jesus todos os dias de nossas vidas, e não somente no natal. Aqueles que usam da desculpa que Jesus não nasceu nesse período, por não saberem quando Jesus nasceu acabam por não comemorar algo que fez a diferença da humanidade, a encarnação do próprio Deus, que deu sua vida por nós pecadores na cruz do calvário. Isso é valorizar a forma mais do que o conteúdo, é se prender no superficial ao invés de se aprofundar no que o momento traz para reflexão.

Esta semana teve culto ecumênico no meu trabalho, e fui convidado a levar um pastor aqui da igreja para dar uma palavra rápida lá, o qual prontamente o fiz, graças a pastor Jairo, ex-professor desta sala, que colaborou conosco e trouxe uma mensagem de reflexão sobre a ética de Deus, pois este é um período de reflexão, e como celebrar o natal de Jesus sem ser ético, sem pregar e viver a justiça, a honestidade, a paz, ações em prol do outro. Ele fez um comentário interessante, dizendo que sem o outro nós não temos referência, pois sozinhos é muito fácil ser paciente, bom, responsável… o que nos põe à prova é a presença do outro, e como o outro nos faz falta! Jesus foi o primeiro a tratar a pessoa do outro como próximo, e muitas vezes passamos batido por esta palavra, mas na verdade o outro soa muitas vezes distante, e de fato o é para muita gente, na maioria das vezes, mas Jesus muda esse quadro ao afirmar que devemos amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos, ou seja, não apenas alça o outro à categoria de próximo, traz para perto quem estava distante, mas nos ordena que amemos aqueles a quem muitas vezes ignoramos, que façamos justiça e ajamos com ética frente à essas pessoas.

A segunda palavra que foi trazida naquele culto foi à respeito do principal. O que para nós é principal neste período? Será a culinária, com panetones, perus e outros alimentos? Serão os presentes, que, apesar da dificuldade da nação, muitos ainda tem o prazer e a benção de receber, e mais ainda de dar? Será que é o clima de paz e fraternidade? Foi um padre que levou a palavra e ele falou com muita propriedade, usando sempre o pronome “Eu”, ou seja trazendo para si a responsabilidade, e fez questão de enfatizar isso, o não jogar para o outro a responsabilidade que é de mim e você, mas deve começar em mim esse operar da justiça que PastorJairo colocou. Ele falou que muitas vezes culpamos o governo, as pessoas pela violência, mas o que fazemos contra a violência? O que eu faço para ajudar o próximo, o que eu faço para tornar o natal de alguém melhor? Ele lembrou que se o natal significa o nascimento de Jesus e é isso que estamos celebrando, então é isso que deve ser priorizado, o levar a palavra de Jesus a quem ainda não conhece, a quem ainda não experimenta essa vida de abundância, principalmente aqueles que estão em situações de privação que muitas vezes não conseguimos imaginar, como os órfãos, os idosos em asilos, os doentes e os presos, ouvir suas histórias particulares e fazer realmente a diferença na vida deles.

Luna, um colega meu que é agente de polícia e também pastor batista trouxe a terceira e última palavra, também baseado nas duas últimas, e no texto de João 1, que diz que no princípio era o Verbo, e isso nos traz à memória, como ele colocou, que Jesus não é um sentimento, mas é como o Logos no original no grego, a Palavra, uma ação no sentido de nomear algo ou alguém, e isso nos ensina que nada que Jesus ensinou deve ficar apenas no plano das idéias, mas será inútil se não for colocado em prática. Jesus disse “teus pecados estão perdoados” mas disse também “levanta, toma o teu leito e anda”, e isso significa que Jesus estava preocupado não apenas em “abençoar” espiritualmente uma pessoa mas também promover uma mudança na vida dela de modo que ela tivesse condições de seguir por conta própria. Quantas vezes nós nos paramos dizendo a alguem que nos pede esmola nesse período “Deus te abençoe” mas não somos de fato os agentes dessa benção, não entregamos o pão ou o dinheiro que ele está pedindo. Quando oramos para que Deus envie uma benção, um anjo na vida de alguém devemos ser os primeiros a nos prontificar a sermos esse anjo, sermos esse canal de bençãos.

Esse ano de 2006 foi e tem sido um ano muito bom para minha vida. Conquanto eu olhe para trás e possa ver alguns percalços, percebo que, no entanto, muito mais foram as vitórias, as bençãos, os livramentos, os momentos em que pude sentir pertinho de mim a presença do meu Senhor, o meu Deus. Este é um período que podemos refletir o que será de nossas vidas no próximo ano que já se avizinha. Eu, por organização ou por ser metódico mesmo costumo fazer um plano de metas sempre antes do ano começar, de modo a me orientar no que fazer e como fazer durante o ano para que minha vida seja produtiva. No entanto, nesses próximos dias que irei fazer o “balanço” de como foi minha vida em 2005 o que encontrarei? Será que fui canal de bençãos para outras pessoas ou será que meu plano de metas que escrevi ano passado era demasiadamente egoísta que não colocou o próximo em nenhum momento como prioridade? Esse é um ponto a refletir na hora de escrever meu plano de metas para 2006, e não apenas isso, mas na hora de por em prática e tomar as decisões que todos, eu em particular, temos que fazer.

Minhas palavras que deixo para reflexão são: que possamos escrever, pensar, planejar o nosso 2006 sim, mas nos lembrarmos daqueles que muitas vezes não tem tido as mesmas oportunidades, em quantidade e qualidade, que nós temos de ser tão abençoados, e procurarmos nos lembrar que se somos tão abundantemente abençoados, Deus assim o faz para que sejamos canal para levar sua benção a outras pessoas. Deus nos ajude a celebrar sim o natal, nos lembrando do nascimento de Jesus, mas não apenas o nascimento, mas sua vida inteira dedicada às outras pessoas, pois o dia que se chama hoje é o melhor momento para avaliarmos nossas vidas e decidirmos se o rumo que traçamos é o melhor, ou se podemos ser diferentes, praticar, começando em mim, essa ética que Jesus viveu, essa justiça, essa paz, sermos esse sal a que somos chamados a ser.

Reflexão:

  • O que eu gostaria de dedicar a Deus neste 2006? Minha vida financeira, família, amigos, relacionamentos, trabalho, etc?
  • Em que eu gostaria de contribuir na obra de Deus, em alguma área ministerial, em 2006?
  • Que planos tenho feito para 2006 que não involvam diretamente bençãos para minha vida, mas a minha vida sendo benção na vida de outras pessoas?

Estudo ministrado na Escola Bíblica Dominical da Igreja Batista da Graça, sala dos jovens, domingo, 18 de dezembro de 2005, por Eliade Filho

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