Estudo 2 Pedro 3 – Uma mensagem de despedida

Estudo EBD – Jovens – PIB Fortaleza – 10/03/2019
2 Pedro 3 – Uma mensagem de despedida

Pedro, em suas palavras finais, reafirma que em ambas as cartas que escreveu, ele procurou relembrar seus leitores, a igreja, a quem ele tinha em alta consideração (“queridos irmãos” – NTLH), fatos, ou seja, acontecimentos, não apenas sua opinião sobre assuntos diversos ou mesmo “teológicos”.

Eram fatos.

Não se questionam fatos. Podemos até ter diferentes interpretações sobre os fatos, mas eles continuam lá, sujeitos a novo escrutínio, podemos a qualquer tempo visitá-los novamente na memória de nossas experiências pessoais, por meio de um filme, uma fotografia, às vezes até um cheiro, ou mesmo a leitura de um livro ou outro documento que nos faça relembrar de cada detalhe. Como Pedro lhes havia feito ao escrever suas cartas.

Fatos que eram:

  1. de conhecimento comum (“público e notório”). Não era algo escondido ou “criptografado”, limitado a um público específico, particular, um grupo de “iniciados”… Não! Cristo veio em carne, morreu, ressuscitou e foi visto por muitos em carne até que subiu novamente aos céus. Havia um número grande de testemunhas “oculares” desses fatos, muitos dos quais ainda viviam nesse período.
  2. aprendidos dos santos profetas. Os profetas, como vimos várias vezes em aulas passadas, mencionaram o Cristo, seu nascimento, ministério, detalhes de sua vida. Isso também era conhecido dos leitores de Pedro, em sua maioria, porque isso era de acesso livre a todo judeu, que desde criança estudava a Lei e os Profetas.
  3. aprendidos dos apóstolos. Mesmo que parte dos leitores não tivesse visto pessoalmente a Jesus, ou mesmo que eventualmente alguns tivessem outra herança cultural (os “gentios”) e não conhecessem profundamente a Lei e os Profetas, os próprios apóstolos, quem melhor conheceram a Jesus, tinham sido fontes originais da pregação da mensagem do evangelho, a mensagem da salvação que alcançou aqueles leitores – as palavras do próprio Mestre.


A importância de ter em mente as promessas

Quem foi fiel para cumprir as promessas do passado sobre a vinda de Cristo, permanece fiel para cumprir a promessa de seu retorno.

Isso significa uma coisa: podemos confiar em Deus!

Sim! Deus é altamente, perfeitamente confiável!

Sempre houve pessoas que duvidaram das promessas de Deus e infelizmente sempre haverá. Desde a peregrinação de Israel pelo deserto, é difícil para muitos crer, porque crer não é apenas “acreditar”, é confiar, e confiar significa entregar o controle de nossas vidas a Deus.

Pedro vai além ao citar “escarnecedores”, pessoas que não só não creem, mas também debocham dos que creem. Como os samaritanos fizeram na época da reconstrução do templo, do muro e da cidade de Jerusalém que estavam em ruínas quando do retorno de Israel do exílio babilônico, conforme narrado em Esdras e Neemias.

Fica pior. Às vezes, os maiores incrédulos, os escarnecedores estão no nosso meio. Inadvertidamente ou de propósito, muitos irmãos parecem querer apagar o pavio, em vez de reacender a nossa fé.

Assim, como muitos líderes religiosos judeus questionaram a divindade de Cristo na cruz mandando Ele descer, salvando a si mesmo, sem compreenderem que morrer ali era a única maneira de salvar a humanidade, muitos de nós hoje podem questionar o propósito de Deus na “aparente” demora do retorno de Jesus.

Aparente. O próprio Pedro traz luz a essas dúvidas, muitas vezes dúvidas justas e razoáveis que podemos ter. Sim, porque ter dúvidas justas e razoáveis podem fazer parte da vida e da caminhada de um cristão, não é necessariamente um sinal de falta de fé, mas de reconhecer sua/nossa incapacidade de crer como deveríamos, buscando sair de um lugar de menor fé para um de maior fé.

Os argumentos de Pedro são os seguintes:

  1. esquecimento deliberado, ou memória seletiva. As pessoas contam a história conforme lhes convêm, e deixam de lado o que não lhes convêm. São as famosas “fake news”, histórias contadas pela metade, ou verdades incompletas, onde há parte de verdade e parte fantasia, ou mentira deslavada mesmo. Cheira à verdade, parece com a verdade, tem gosto de verdade, mas é mentira, e quando engolimos se torna veneno em nosso estômago e pode envenenar nosso coração, nossa alma. Isso funciona em tudo na vida, inclusive em matéria de fé e religião.
  2. Deus ordena e coordena a história. Ele é presente e não ausente. Ele não está distante nem alheio ao que se passa conosco, individualmente, no detalhe, muito menos com a igreja e o mundo em larga escala.
  3. também por essa razão, Deus não está preso ou limitado pelo tempo. Diferentemente do que pensam alguns hoje, e até a ciência tem compreendido isso à sua maneira, a matéria e o tempo surgiram no mesmo instante, e estão ligados, interconectados. Deus criou e controla o tempo. Horas, dias, meses e anos são meras “abstrações” para o ser humano perceber a sua finitude e ao mesmo tempo ter esperança de renovo que reside no amanhã.
  4. a aparente “demora” de Deus é, na verdade, sinal de sua paciência e misericórdia para conosco e, principalmente, para com os ainda não salvos. É do interesse e da iniciativa de Deus que todo pecador se arrependa, e não que pereça.

Pedro relembra as palavras de Jesus quando afirma que a vinda de Cristo, seu retorno, é certo mas “inesperado”, e, por isso, devemos estar sempre alertas, vigilantes, para que não sejamos pegos desprevenidos como as virgens néscias da parábola (cf. Mateus 25:1-13).

É um retorno à mensagem da primeira carta, de encorajamento, de uma espera produtiva, em que ansiamos pela vinda de Jesus, não de braços cruzados, mas sim vivendo vidas santas, piedosas, nos esforçando para não pecar, uma luta diária mesmo, o evangelho vivido na prática e não apenas na teoria, andando em paz com todos, não para glória e honra própria, mas para agradar o noivo, que é Cristo.

Além disso, nesse tempo que nos aguarda, nossa missão é partir para o resgate de outras almas perdidas!


Conclusão

Concluindo, Pedro nos exorta a não agirmos como esses escarnecedores, principalmente os que se passam por irmãos, que são os mais perigosos. É o caminho descrito no Salmo 1, onde é feliz o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Andar, se deter, se assentar. Saímos da condição de movimento e paramos, começando a descer a escada rolante da vida cristã. Primeiro apenas um conselho, depois um caminho, uma vida de pecado que vai anestesiando o coração e a mente até ao ponto onde nós mesmos seremos como um daqueles escarnecedores, fazendo pouco-caso das coisas espirituais, irreverentes, contando piada de coisas muito sérias.

O remédio para isso é, nas palavras do salmista, ter prazer na Lei do Senhor e na sua Lei meditar de dia e de noite, e perceba que Lei aqui não são as doces palavras do Salvador capturadas em alguma passagem dos evangelhos ou das cartas de Paulo ou Pedro, mas era o pentateuco, a parte mais “árida”, por assim dizer, do Velho Testamento, mas que para o salmista tinha um sabor muito doce, pois trazia vida.

O gnosticismo, seita que Pedro também busca combater, era como um câncer atacando a igreja por dentro, por meio de homens que se apresentavam como servos do Senhor, mas eram joio, e não trigo, pessoas que deturpavam de propósito a verdade.

O autor aqui reconhece que há coisas nas Escrituras que são de difícil compreensão – não impossível! – e que esses falsos irmãos se aproveitam disso para dar um significado completamente diferente, fora do comum. Ele fala isso sobre as cartas de Paulo, equiparando umas às outras, reconhecendo a inspiração daquilo que viria a se tornar boa parte do Novo Testamento.

Finalmente, o antídoto para esse veneno seria crescermos em força espiritual e conhecermos melhor o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, a quem todos devemos dar a glória, ontem, hoje e eternamente.

Deus nos abençoe.

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Compreendendo os valores do reino: trabalho

Pregação ICS 17/02/2019 – Compreendendo os valores do reino: trabalho

Texto base: Lucas 3.7-14

João dizia às multidões que vinham para o batismo: “Filhos de serpentes! Vocês estão procurando escapar do terrível castigo sem voltar-se verdadeiramente para Deus! É por isso que estão querendo batizar-se!
Primeiramente deem frutos que mostrem que vocês realmente se arrependeram. E não pensem que estão livres porque são da família de Abraão. Isso não basta. Destas pedras do deserto Deus pode fazer nascer filhos de Abraão!
O machado do seu julgamento está posto à raiz das árvores. Sim, toda árvore que não der bom fruto será derrubada e atirada no fogo”.
A multidão perguntou: “O que devemos fazer?”
“Se alguém tem duas túnicas”, respondeu ele, “dê uma a quem não tiver nenhuma. Quem tiver comida de sobra, dê àqueles que estão com fome”.
Até os cobradores de impostos vieram para serem batizados. Eles perguntaram: “Mestre, o que devemos fazer?”
Ele respondeu: “Cuidem para que não cobrem mais impostos do que o governo romano exige de vocês”.
“E nós”, perguntaram alguns soldados, “o que devemos fazer?”
João respondeu: “Não tomem dinheiro com ameaças nem violência; não acusem ninguém falsamente; contentem-se com o seu salário!”

O texto que lemos conta a história de João Batista, primo de Jesus e o profeta que foi encarregado de anunciá-lo ao seu povo.

Essa mesma narrativa também se encontra nos outros 3 evangelhos, cada um trazendo uma perspectiva ou um detalhe um pouco diferente, mas que retrata a mesma história básica:
1) João Batista pregava a vinda do Reino de Deus que estava próxima, cuja instalação se daria com o início do ministério de Jesus, o Rei dos Reis;
2) João pregava no deserto e batizava (por isso o apelido “Batista”) todos aqueles que, com sinceridade de coração, desejavam publicamente confessar que se arrependiam de serem pecadores e buscavam uma vida nova de comunhão com Deus.

Os valores mais básicos da ética do Reino, que remetem aos próprios valores e qualidades do Rei, são a justiça, a solidariedade, a honestidade, a compaixão, a santidade, o amor, etc., atributos que misturam um aspecto ideológico ou filosófico, no sentido de uma maneira de enxergar a vida, mas também, e principalmente, de cunho prático.

Mas, antes de focar especificamente em um dos valores, vamos continuar um pouco a história.

João chama os líderes religiosos de “filhos de serpentes”, porque eles buscaram o batismo como uma espécie de “amuleto” espiritual que garantisse a sua salvação, mas SEM demonstrar o arrependimento sincero que precede a conversão.

Vejamos o verso 7: “Vocês estão procurando escapar do terrível castigo”. Ora, se bem que essa é, teoricamente, uma “boa” razão para buscar a Deus, não é com certeza a MELHOR razão, porque nossa atenção está no problema – o castigo eterno no inferno, em vez de ansiarmos pela adoção na família de Deus e por desenvolvermos um relacionamento íntimo com o Pai.

Aqueles homens não queriam se voltar de verdade para Deus, porque isso significa necessariamente abrir mão do “eu”, pôr em segundo plano a própria vontade e, ao decidir seguir o Mestre, colocar a vontade dEle como prioridade nº 1. É o que diz Jesus em Lucas 9.23, tomarmos diariamente a nossa cruz, negarmos a nós mesmos, todos os dias, a conversão é diária!

Mas entre a multidão havia pessoas realmente interessadas em uma nova vida, nesse Deus a quem João anunciava, nesse reino prestes a surgir. O texto de Lucas traz três categorias de pessoas que questionam a João o que deveriam fazer para dar fruto que mostrasse que realmente haviam compreendido aquela mensagem, que a sua conversão era genuína:
1) a multidão em geral, filhos (e destinatários) da promessa do Messias de quem os profetas falaram, como vemos no verso 8;
2) cobradores de impostos, rejeitados socialmente por servirem à potência dominadora e seus interesses, contra o seu próprio povo, e conhecidos por sua desonestidade;
3) soldados romanos, parte do povo invasor, gentios e inimigos de Israel.

Todos estavam ansiosos por uma resposta.

Vamos agora fazer uma pausa na narrativa para analisarmos o segundo e terceiro grupos, porque o valor que gostaria de conversar com vocês hoje tem a ver com a mensagem que João lhes entrega.

Aos cobradores, João diz: “Cuidem para que não cobrem mais impostos do que o governo romano exige de vocês”.

Aos soldados, por sua vez: “Não tomem dinheiro com ameaças nem violência; não acusem ninguém falsamente; contentem-se com o seu salário”.

Dentre todos os valores do reino pregados por João, Jesus, seus discípulos, a Lei, os profetas, etc., gostaria de falar hoje sobre o valor do trabalho, algumas coisas que o trabalho não é ou não representa, e o que ele de fato é ou representa.

Percebam que tanto os cobradores de impostos quanto os soldados possuíam práticas de trabalho, seja pelo ambiente, pela cultura organizacional, pelos valores da sociedade em que estavam inseridos, que iam frontalmente de encontro aos valores do Reino: ética, honestidade, etc.

Isso serve de alerta para nós hoje porque seja qual for a profissão que escolhermos, a carreira a que nos dedicamos, dificilmente não seremos confrontados com questões semelhantes, ou até piores, no nosso dia a dia.

Pessoalmente, já ouvi de muita gente como é difícil conciliar os valores do reino quando se é advogado ou contador, por exemplo, e se busca livrar o cliente de alguma “bronca”.

Também já ouvi de empresários como é difícil ser cristão e pagar todos os impostos e obrigações fiscais, trabalhistas, previdenciárias e ainda conseguir se manter competitivo e não quebrar num mercado que muitas vezes premia quem oferece o menor preço, independentemente de como se chegou até ele.

E como não pensar em médicos e nas possibilidades de infidelidade conjugal, com pacientes ou colegas de trabalho; ou em policiais e a tentação da violência ou mesmo a corrupção que pode afetar quase que qualquer servidor público, e a respeito de serviço público, como não falar no verdadeiro pacto da mediocridade que muitos fazem, por não haver uma “competição”, ou pela garantia da estabilidade funcional…

Esses são pecados ou tentações específicos dessas áreas, sem falar nas genéricas, como orgulho, preconceito, fofoca, tentativa de subir na carreira pisando ou dando rasteiras nos outros, e eu poderia continuar falando, mas acho que já deu pra entender que toda área está sujeita a tentações, algumas gerais, outras particulares, algumas mais, outras menos, porque a culpa é do sistema de valores corrompido que a sociedade pecadora infelizmente possui.

Então, embora o pecado afete a maneira como trabalhamos, o trabalho NÃO é, em si mesmo, ou, pelo menos, não necessariamente, um pecado.

Aliás, ele também NÃO é um castigo pelo pecado ou uma maldição dele decorrente.

Com relação a isso, voltemos aos primeiros capítulos do Gênesis, onde vemos a atuação criativa e criadora de Deus – Pai, Filho e Espírito Santo, trabalhando durante seis dias para criar os astros, a terra, a natureza e, por fim, o homem, à sua imagem e semelhança, para só então descansar no sétimo dia, cf. Gn 2.1-3.

O trabalho estava na criação de tudo que existe, e sem ele, nada seria criado, ontem e hoje. Deus trabalhou, seu Filho trabalhou, o Espírito ainda hoje trabalha em nós, através de nós, em nosso favor e de toda a humanidade, e nós muitas vezes temos fugido dessa responsabilidade e, por que não, privilégio!

Mas, voltando ao Gênesis, o trabalho do homem precede a queda, então não pode ser castigo pelo pecado. Vejamos. Gn 2.15: “O Senhor Deus colocou o homem no jardim do Éden para cuidar dele e o cultivar”. Cuidar do jardim e o cultivar. Trabalho!

Também o homem tem a responsabilidade – e o trabalho – de dar nomes aos animais, cf. Gn 2.20.

De fato, o trabalho então já era tão árduo que Deus mesmo percebeu que o homem precisava de uma companheira, uma ajudadora, para dividir consigo a carga. E aqui cabe um princípio – que não vou detalhar hoje – de que AMBOS devem trabalhar, esposo e esposa devem se ajudar mutuamente, embora os arranjos pessoais e a forma como irão fazê-lo dependam da realidade e escolhas individuais de cada família.

O castigo que a humanidade recebeu por seu pecado, além da morte eterna, foi que o trabalho passaria a ser muito mais penoso que o necessário e o resultado bem mais escasso, cf. Gn 3.17-19.

O entendimento do trabalho como algo ruim, pecaminoso, ou algo a ser evitado, veio, em alguma medida, da filosofia grega, povo para quem o trabalho manual era relegado aos escravos, era considerado vil e indesejável, enquanto ao homem livre o recomendável e bom seria a contemplação e a prática da filosofia; do gnosticismo, que considerava apenas as coisas e assuntos da alma e do espírito como puras e santas, e as ligadas à carne, entre elas o trabalho, como pecaminosas e impuras; e, finalmente, da tradição católico romana desde Santo Agostinho, influenciado pela filosofia grega, e se agravando durante toda a idade média, chegando ao ponto onde se recomendava a completa separação do homem do mundo e dos afazeres mundanos em monastérios na busca pela perfeição e santidade; o trabalho era uma verdadeira maldição.

Isso, contudo, veio a mudar no esteio da Reforma Protestante.

Maurício de Castro e Souza, Mestre em Ciências da Religião pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, além de professor de Ética e Cidadania na mesma universidade, leciona a respeito da ética de Calvino quanto ao trabalho, a qual nós evangélicos herdamos, o seguinte:

Calvino, ao tratar dos assuntos referentes à sua época em Genebra, não se preocupa apenas com questões teológicas, mas entende que não se pode tratar de teologia sem cuidar também dos aspectos sociais. Nesse sentido, ele resgata o real sentido do trabalho, tido como maldição em sua época.Calvino mostra que o trabalho é uma benção e que o homem deve usar sua vocação para a glória de Deus e também para o benefício da sociedade.
Entende também que, em uma sociedade, sempre haverá pobres e ricos e que estes devem viver de tal forma que possibilitem a assistência aos necessitados. Para isso, Calvino recomenda uma vida frugal, em que o ser humano, ao viver com moderação, poderá não apenas se precaver para uma época de penúria, mas também terá como ajudar seu próximo.

Calvino, de fato, como outros reformadores, apenas procura resgatar o valor do trabalho sob a ética cristã, tal como experienciado pela igreja primitiva, conforme narrado em todo o Novo Testamento.

Nas palavras do Pr. Leandro B. Peixoto, da 2ª Igreja Batista em Goiânia,

“Tendo o Antigo Testamento como pano de fundo, não é surpreendente ver a mesma apreciação do trabalho na igreja cristã do primeiro século. Embora ele tenha chamado seus apóstolos, retirando-os de suas vocações originais, Jesus não fez nenhum apelo geral para que todos os cristãos abandonassem o trabalho diário. Aliás, grande parte do ensinamento do Senhor foi retirado de temas do mundo do trabalho cotidiano, sem quaisquer desculpas.
Paulo também possuía uma visão positiva do trabalho, quando ele ordenou a todos os cristãos que continuassem em seus empregos ou estados e que trabalhassem bem (Cl 3.23-24; 1Ts 4.11-12). Ele mesmo continuou em seu comércio como fazedor de tendas durante seu ministério de plantação de igrejas (At 18.3).
Continuar em suas ocupações profissionais cotidianas foi, aparentemente, o padrão cristão geral logo após o período apostólico. Os cristãos davam glória a Deus através de suas ocupações ou profissões. Eles tinham os mesmos empregos que os incrédulos pagãos, mas eles realizavam esses trabalhos de uma maneira distintamente cristã”.

E ainda: ‘Lutero levou os cristãos a contrastarem o chamado monástico de servir “fora do mundo” com o chamado autenticamente cristão de servir “no mundo”’.

Ou seja, foi rasgado o véu da dualidade de separar o trabalho e a vida cotidiana em algo “secular” ou profano, “maldito” até, e o sagrado, que seria a piedade, a contemplação, especialmente a de caráter religioso. Tudo é uma coisa só, a vida como um todo é um palco e cenário para aplicarmos na prática a fé que afirmamos possuir, conforme nos ensina o apóstolo Tiago. O nosso trabalho diário pode bem nos levar a produzir as obras de que fala o apóstolo Paulo, as obras para as quais fomos criados, cf. Efésios 2.8-10. É da nova essência do cristão, nova criatura em Cristo Jesus, o trabalhar e trabalhar bem.

O trabalho, sob a ética do Reino, também não é nem deve servir como mecanismo de exploração e dominação do nosso semelhante. Isso vale para nós enquanto empresários, empreendedores, mas também como chefes, como líderes. E mesmo que não sejamos nem um nem outro, também pode nos afetar na medida em que nos proporciona uma condição de vida onde talvez nos sintamos “privilegiados” e passemos a nos considerar superiores a outras pessoas. Ao contrário, o trabalho deveria nos capacitar a servir melhor o nosso próximo, com mais dedicação, com mais recursos, com mais qualidade.

Se, de um lado, vimos o que o trabalho NÃO é, por outro lado podemos aprender o que ele É, ou pode vir a ser, na vida de um cristão.

Em primeiro lugar, o trabalho é ou pode ser uma forma de glorificarmos a Deus. De fato, nas palavras de Hernandes Dias Lopes, “o trabalho glorifica a Deus, dignifica o homem e abençoa o próximo”.

O apóstolo Paulo, em 1 Co 10.31 diz “Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus”. Tudo, inclusive o trabalho.

Por consequência lógica, não é qualquer trabalho que glorifica a Deus. Novamente, nas palavras de Hernandes Dias Lopes, “colocar as mãos num trabalho que contribui para a decadência do ser humano é conspirar contra o propósito para o qual o trabalho foi instituído por Deus”.

Não vou aqui entrar no mérito de qual trabalho teria essa ou aquela condição, mas nós, como servos do Senhor e Filhos podemos muito bem pedir a orientação ao nosso Pai sobre o que é bom ou não para cada um, o que podemos fazer ou deixar de fazer como escolha profissional de maneira a glorificá-lo, até porque, embora possa haver profissões ou trabalhos bons ou maus sob um olhar mais abrangente – a prostituição, mesmo que considerada trabalho, por exemplo, não pode glorificar a Deus nem dignificar o ser humano, há escolhas que são teoricamente neutras, sendo boas ou más na medida em que obedecemos ou não ao chamado de Deus para nossas vidas, e na medida em que utilizamos tais carreiras de maneira ética e produtiva ou não.

Quando perguntado como um trabalhador cristão pode glorificar a Deus no seu trabalho, John Piper respondeu o seguinte:

1) Dependência. Vá para o trabalho completamente dependente de Deus (cf. Pv. 3:5-6 e Jo. 15:5). Sem Ele você não respira, se move, pensa, sente ou fala.
2) Integridade. Seja absoluta e meticulosamente honesto e digno de confiança no trabalho. Não se atrase. Esteja no trabalho o dia inteiro. “Não roubarás”. Muito mais pessoas roubam o seu empregador sendo preguiçosos do que roubando dinheiro do caixa.
3) Habilidade. Seja bom no que você faz. Deus não te deu apenas a graça da integridade, mas também a das habilidades. Trate o presente como tesouro e seja um bom administrador dessas habilidades. O crescimento da habilidade é construído por dependência e integridade.
4) Formação corporativa. A medida que você tenha influência e oportunidade, molde a essência do ambiente de trabalho para que suas estruturas, políticas, expectativas e objetivos prossigam de acordo com Cristo.
5) Impacto. Objetive ajudar sua empresa a impactar vidas sem destruir sua essência. Algumas indústrias possuem impactos destrutivos (por exemplo, pornografia, apostas, aborto, golpes de marketing, etc.). Mas muitas podem ser salvas ao mudar para um impacto que seja construtivo sem arruinar vidas. Assim que você tiver oportunidade, trabalhe nisso.
6) Comunicação. Locais de trabalho são teias de relacionamentos. Relacionamentos são possíveis através da comunicação. Demonstre seu ponto de vista Cristão nas comunicações normais da vida. Não esconda sua luz sob o cesto. Coloque-a em posição de destaque de forma encantadora, natural, alegre, mas sem forçar a barra.
7) Amor. Sirva os outros. Seja aquele que se voluntaria primeiro para pegar a pizza, para dirigir o carro, para organizar o piquenique. Seja interessado pelos outros no trabalho. Seja conhecido como aquele que não liga apenas para as histórias de fim de semana, mas pelas pesadas e dolorosas manhãs de Segunda-Feira. Ame seus companheiros de trabalho e aponte-os para Aquele que suportou um grande fardo.
8) Dinheiro. Trabalho é onde você ganha (e gasta) dinheiro. É tudo de Deus, não seu. Você é o administrador. Transforme seus ganhos em inundações de generosidade em como você administra o dinheiro de Deus. Não trabalhe e ganhe somente por ter. Trabalhe e ganhe para ter o que dar e investir nos empreendimentos de Cristo. Faça seu dinheiro falar de Cristo como seu supremo Tesouro.
9) Agradecimento. Sempre agradeça a Deus pela vida, pela saúde, pelo trabalho e por Jesus. Seja uma pessoa agradecida no trabalho. Não esteja junto com aqueles que reclamam. Deixe sua gratidão a Deus inundar em um espírito humilde de agradecimento aos outros. Seja conhecido no trabalho como alguém cheio de esperança, humilde e agradecido.

Esses 9 conselhos de John Piper nos levam a ser espiritualmente influentes no nosso ambiente de trabalho. Que privilégio e, mais uma vez, que responsabilidade!

Será que já dá pra perceber como o trabalho é um valor muito importante para Deus e deveria ser também para nós, cristãos?

Vou além, é o trabalho, de modo geral, nosso segundo mais importante ministério cristão, o primeiro sendo o lar, a família. Por meio da minha e da sua profissão, meus irmãos, é que Cristo será conhecido a policiais, médicos, advogados, esteticistas, fotógrafos, profissionais da moda, etc., pessoas que talvez nunca pisariam numa igreja e podem, por meio do nosso testemunho, conhecer e aprender a amar Jesus.

Será que nós temos verdadeiramente demonstrado os valores do Reino no local em que trabalhamos, em nossa profissão, em nossos relacionamentos com colegas, superiores ou inferiores hierárquicos, pacientes, clientes, fornecedores?

Ou, ao contrário, será que as pessoas quando ouvem falar que somos cristãos evangélicos já torcem o nariz pelo mal exemplo que nós, ou outras pessoas que se diziam cristãs, já lhes deram, de agir talvez bem pior do que o mundo mesmo faz no dia a dia?

Se o crente é o primeiro a caluniar, a usar de métodos escusos para promoção pessoal, a fazer fofoca, a chegar atrasado ou faltar, a reclamar, a furtar mesmo, ou ser apenas mais um medíocre, algo para o que nós decididamente não fomos criados para ser, será que esse tem sido um testemunho adequado do poder de Deus agindo em nossas vidas?

Aliás, Deus não nos criou para sermos medíocres, mas para sermos excelentes em tudo que fizermos. Somos chamados a sermos santos, porque Ele é santo.

Santo significa chamado para um propósito, separado. O nosso propósito é mostrar ao mundo o amor de Deus dispensado em nosso favor em Jesus Cristo, e que lugar melhor, que ambiente mais propício para fazer isso do que onde gastamos grande parte do nosso tempo, com pessoas que convivemos talvez mais do que nossa própria família?

Vejamos o que o Mestre disse a esse respeito:

“Pois eu lhes digo que se a justiça de vocês não for muito superior à dos fariseus e mestres da lei, de modo nenhum entrarão no Reino dos céus”. – Mateus 5:20

Jesus fala especificamente sobre a justiça, outro valor do reino, mas perceba que Ele eleva o padrão a um nível muito alto. É um chamado à excelência!

Quando falo sobre o trabalho, e sobre sermos excelentes em vez de medíocres, tenho que ter em mente a necessidade de um equilíbrio, o que a Palavra de Deus já trazia quando afirmava, por exemplo, que para tudo há um tempo determinado, conforme Eclesiastes 3:1-13.

Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar; tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar; tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar; tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora; tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar; tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.
Que proveito tem o trabalhador naquilo em que trabalha?
Tenho visto o trabalho que Deus deu aos filhos dos homens, para com ele os exercitar.
Tudo fez formoso em seu tempo; também pôs o mundo no coração do homem, sem que este possa descobrir a obra que Deus fez desde o princípio até ao fim.
Já tenho entendido que não há coisa melhor para eles do que alegrar-se e fazer bem na sua vida; e também que todo o homem coma e beba, e goze do bem de todo o seu trabalho; isto é um dom de Deus. – Eclesiastes 3:1-13

Salomão nesse texto fala sobre trabalhar e descansar. Nem só um nem só o outro. E um foi feito para o outro.

Percebam que eu não estou defendendo a pessoa virar viciada em trabalho, em prejuízo de sua saúde, de sua família, e até mesmo de seu relacionamento com Deus. Não é isso.

Eu entendo, como qualquer pessoa, a necessidade de lazer, de descanso. Eu valorizo muito meu “ócio criativo”, como costumo chamar meu tempo quando descarrego as energias… Mas a vida não se resume a isso. Aliás, isso é e deve ser apenas uma pequena porção do nosso dia a dia.

A Palavra é muito sábia, em Provérbios 6:6-11, quando diz:

Observe a formiga, preguiçoso, reflita nos caminhos dela e seja sábio!
Ela não tem nem chefe, nem supervisor, nem governante, e ainda assim armazena as suas provisões no verão e na época da colheita ajunta o seu alimento.
Até quando você vai ficar deitado, preguiçoso? Quando se levantará de seu sono?
Tirando uma soneca, cochilando um pouco, cruzando um pouco os braços para descansar, a sua pobreza o surpreenderá como um assaltante, e a sua necessidade lhe virá como um homem armado. – Provérbios 6:6-11

Mas também diz no Salmos 127.1-2:

Se o Senhor Deus não edificar a casa, não adianta nada trabalhar
para construí-la.
Se o Senhor não proteger a cidade, não adianta nada os guardas
ficarem vigiando.
Não adianta trabalhar demais para ganhar o pão, levantando cedo e deitando tarde, pois é Deus quem dá o sustento aos que ele ama, mesmo quando estão dormindo. – Salmos 127:1,2

Muitas vezes nos queixamos de uma sociedade injusta, do governo, do patrão “explorador”, de Deus, de todo mundo por não “termos uma oportunidade”, e não reconhecemos que a culpa pode estar em nós mesmos que temos a mentalidade de “pobre”, de “fracassado”, de medíocre, uma mentalidade que precisa ser transformada, cf. Romanos 12:2, que precisa sair da condição de acomodação.

Muitos de nós não temos as coisas que desejamos, não realizamos os sonhos que temos e que permanecem no mundo da fantasia por causa da nossa preguiça mesmo, da nossa indisposição e incapacidade para erguer as mangas e suar. Invejamos aqueles que têm, mas não fazemos nem de longe por onde, não conseguimos abrir mão daquilo que é necessário para chegar até ali, só vemos os louros do sucesso alheio, sem perceber as pedras no caminho que eles trilharam.

De fato, o nosso ambiente religioso, onde a generosidade de coração e a caridade predominam, ou deveriam predominar, é também um ambiente onde pode nascer em alguns a vontade de se aproveitar do esforço alheio e se “encostar”, levar vantagem do sentimento de mutualidade que o evangelho proporciona.

Para esses, ou contra esse tipo de tentação em nossos corações, vejamos o que diz o apóstolo Paulo em 2 Tessalonicenses 3.6-12:

Irmãos, em nome do nosso Senhor Jesus Cristo nós lhes ordenamos que se afastem de todo irmão que vive ociosamente e não conforme a tradição que receberam de nós.
Pois vocês mesmos sabem como devem seguir o nosso exemplo, porque não vivemos ociosamente quando estivemos entre vocês, nem comemos coisa alguma à custa de ninguém. Pelo contrário, trabalhamos arduamente e com fadiga, dia e noite, para não sermos pesados a nenhum de vocês, não por que não tivéssemos tal direito, mas para que nos tornássemos um modelo para ser imitado por vocês.
Quando ainda estávamos com vocês, nós lhes ordenamos isto: se alguém não quiser trabalhar, também não coma.
Pois ouvimos que alguns de vocês estão ociosos; não trabalham, mas andam se intrometendo na vida alheia.
A tais pessoas ordenamos e exortamos no Senhor Jesus Cristo que trabalhem tranquilamente e comam o seu próprio pão. – 2 Tessalonicenses 3:6-12

Concluindo, eu poderia ter falado sobre o trabalho utilizando o viés da sociologia, da economia, de qualquer das muitas ideologias, citando alguma das percepções que Weber ou Marx, por exemplo, tiveram ao analisar essa questão. Mas não.

Somos desafiados dia a dia a compreender os valores do Reino, a vivermos segundo a ética do Reino. Como Cristo, nosso Reino também não é deste mundo então necessariamente nossos valores serão diferentes, serão divergentes! Isso não é fácil, como a vida cristã não costuma ser.

Entretanto, aquilo que parece impossível para o homem, o Espírito Santo nos capacita a, com o nosso trabalho como em tudo na vida, glorificarmos a Deus, sermos dignificados, e termos a capacidade de abençoar o próximo; agirmos verdadeiramente como sal e luz onde mais é necessário, no meio da sociedade.

Deus nos abençoe.

15 anos de polícia

12/01/2019, hoje faz 15 anos que trabalho na Polícia Federal.

Como diria um tio meu, “Até aqui nos ajudou o Senhor” (1 Samuel 7:12).

Há 15 anos esse versículo tem sido verdade em minha vida, desde que caminhei com meu pai as escadarias da Superintendência Regional em Salvador, onde ele me entregou para aquela que seria minha primeira chefe, Ângela, que me recebeu como a um filho, com carinho e ao mesmo tempo de forma rígida como ela mesmo teria feito com seus filhos que tinham aproximadamente a minha idade, o que certamente foi decisivo na minha formação profissional como Perito Criminal Federal.

O Senhor tem cuidado da minha segurança e saúde, física, mental e espiritual nesse ambiente que por melhor que seja, e em muitos aspectos é, um lugar de excelência, também sofre os problemas de todo serviço público, além dos riscos inerentes à profissão, inclusive os de cunho psicológico, devido ao stress cotidiano e ao tipo de gente e situações a que somos expostos.

Foi Deus que me colocou aqui, desde antes de eu entrar, em todo o concurso e na academia de polícia foram constantes e presentes os seus muitos milagres (um testemunho à parte), e tenho dedicado a Ele e à sociedade brasileira, meu povo, todo o esforço do meu trabalho, pois como afirmou João Calvino, o trabalho não apenas dignifica o homem, mas também glorifica a Deus, e essa é a maior honra que um homem pode possuir, glorificar a Deus, esse é o meu “orgulho”, se é que posso dizer que tenho algo de me orgulhar, me orgulho no Senhor e nas suas misericórdias, que se renovam a cada manhã sobre a minha vida.

Nesses quinze anos, trabalhei em centenas de casos de combate à pedofilia e exploração infantil, fraudes previdenciárias, desvios de verbas públicas federais envolvendo prefeituras e políticos… participei de tantas operações policiais que perdi a conta; depus em juízo muitas vezes no interesse da verdade, não a favor ou contra ninguém; e fiz mais de mil laudos, o produto principal da minha função, sobre coisas tão diversas, as vezes aparentemente banais, outras cuja dificuldade escapava em muito a minha capacidade técnica, sendo que até nisso o Senhor foi o meu socorro, aquele que me deu a inteligência e criatividade para responder a cada questionamento, mesmo os mais infundados e até talvez injustos que me foram formulados.

Hoje eu tenho um coração agradecido, um pouco mais maduro do que a criança que tomou posse em 12/01/2004 com menos de 24 anos de idade, o Perito mais novo da Polícia Federal na época, mas ainda profundamente dependente da mão do Pai.

Todos os dias pela manhã em minhas orações dedico a Ele meu trabalho, meu serviço, como tudo em minha vida. Peço inteligência, sabedoria, proteção contra os maus e que eu mesmo não caia em qualquer tentação. Que eu não venha a ser instrumento de injustiça, mas de sua justiça.

Minha oração hoje é para que Ele continue sendo meu Deus e Senhor nos próximos anos de trabalho, enquanto Ele quiser que eu seja policial, uma função de muito orgulho, uma carreira que é mais do que o meu sustento e ganha pão, é o meu ministério, não meu por vontade e esforço próprio, mas presente de Deus para minha vida e daqueles que são próximos de mim.

Obrigado, meu Deus, por esses 15 anos de Polícia Federal, que o Senhor continue guiando os meus passos onde quer que eu for, até o dia que eu me aposentar e além, aqui nesta casa ou onde o Senhor quiser me levar, se assim te aprouver, pois nada tenho por precioso que não seja teu, que não tenha sido o Senhor que tenha me dado, muito embora eu seja sim muito feliz onde estou e onde o Senhor me trouxe.

Estudo sobre Gênesis 48

1. Jacó adoece (vv. 1-10)

Jacó já é idoso e sabe que seu tempo de vida está chegando ao fim.Em seus momentos finais, ele chama a José, seu filho preferido, para se despedir dele e abençoá-lo com uma benção especial.

Veremos no capítulo seguinte, 49, as bênçãos com que ele abençoa cada um de seus filhos, mas aqui ele tem algo diferente para seu filho amado.

A primeira coisa que Jacó faz quando José chega em sua presença, a mais importante, é relembrar e reconhecer a promessa de Deus sobre suas vidas, de que eles seriam uma grande nação; daquelas 70 almas que entraram no Egito e que descendiam de Jacó, herdeiro de Isaque e Abraão, uma numerosa multidão nasceria.

Percebam que diferentemente do que as pessoas e povos que não conhecem a Deus querem impor à nação de Israel hoje, aquela terra de Canaã era uma possessão eterna aos filhos da promessa.

Deus, por meio de Moisés, quem escreve essa história e narra ao povo durante o êxodo no deserto, resgata seus filhos da escravidão do Egito, mas uma escravidão que vai além das amarras e cadeias físicas.

Deus precisa renovar as mentes e os corações de seu povo ontem e hoje em corações e mentes que enxerguem para além das circunstâncias e adversidades da vida (cf. Rm 12:2). É um povo que precisa ser ensinado a caminhar por fé e não por vista (cf. 2 Co 5:7).

O povo de Israel no deserto deixa de ter a mente de escravo para ter a mente de guerreiro que seria necessária para conquistar, com a liderança do próprio Deus, a terra que há muitos anos era sua e voltaria novamente ao seu domínio, ainda que com muita luta, suor e sangue.

Mas, voltando à benção especial, a José caberia, ao menos em tese, apenas um doze avos da herança de seu pai, mesma porção que deveria caber a cada um de seus irmãos à exceção da parte da herança que seria devida ao primogênito, Rubén, que, como sabemos, pela cultura da época, receberia mais, em termos patrimoniais, mas também espirituais e sociais, pois o primogênito receberia o encargo de liderar o clã quando o patriarca falecesse.

Aqui então Jacó chama José e diz que seus dois filhos seriam considerados como filhos de Israel, ou seja, a porção que cada um receberia, seria a porção de filho e não de netos, vindo José, então a receber porção dobrada da herança.

Por que isso?

Deuteronômio 18:1 nos fala que toda a tribo de Levi não teria herança em Israel, e receberiam um chamado e uma missão de liderar o povo no seu relacionamento com Deus.

Ao contrário de pensarmos que foram “castigados” ou “preteridos” na distribuição das terras e das riquezas, Deus seria sua herança, como diz o verso 2, ou seja, o Senhor estabelece aqui um princípio de que Ele é o nosso provedor, não devemos nos confiar na nossa própria força, inteligência ou suor, mas entender que Ele mesmo é o nosso sustento.

Assim, a parte das terras que caberia a Levi seria juntada à porção de José e distribuído entre seus dois filhos. De fato, toda a tribo de Levi deveria receber uma porção de cidades e terras para seu gado nos arredores dessas cidades, que seria distribuído em meio às terras de seus irmãos, como dando a entender, pedagógica e metaforicamente, que Deus estaria presente em meio ao seu povo (cf. Nm 35:1-3).

 

2. Jacó abençoa José e os filhos deste (vv. 11-22)

Não obstante José fosse o filho preferido de Jacó, ele se prostra em sua presença demonstrando que sua posição de governador geral do Egito não lhe tornava superior a seu pai. Ele demonstra honra, um princípio que muitas vezes esquecemos, mas que faz parte da ética de Deus para com seu povo.

Mais uma vez a Bíblia descreve, pela boca de Jacó, o reconhecimento deste de que Deus tinha sido seu sustento e livramento durante toda sua vida (vv. 15-16).

Jacó, em seguida, como aconteceu consigo mesmo, entende da parte de Deus que não seria o primogênito de José, Manassés, que receberia a posição de destaque, mas Efraim, seu filho mais moço. Aqui não era favoritismo de avô, era direcionamento divino.

Finalmente, Jacó separa algo em especial para José, um pedaço de terra que ele mesmo havia conquistado quando jovem, mas que muitos anos depois Israel teria de reconquistar quando entrasse novamente em Canaã (cf. Dt 3:12-22).

Dando a César o que é de César (o papel do cristão na política)

Texto base: 2 Crônicas 7:14 (pregação realizada na Igreja de Cristo Salinas em 07/10/2018, dia das eleições)

E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.

Introdução
Alguém saberia dizer que dia é hoje?

Hoje é o dia em que o país irá eleger seus próximos representantes para diversas esferas de poder, algo que irá impactar nossa nação e nossas vidas pelo menos pelos próximos quatro anos.

Pensando nisso, minha ideia hoje é conversarmos um pouco sobre um assunto que pode ser bastante árido, não é fácil, normalmente não é agradável e dificilmente termina em um consenso, que é sobre política, ou, mais precisamente, sobre o nosso papel como cristãos em uma sociedade que parece cada dia mais dividida e intolerante.

Vou tentar ser breve, mas antes de mais nada, gostaria apenas de esclarecer que quando falo sobre política, NÃO estou me referindo a um candidato, partido político, ou mesmo ideologia em particular, muito embora esses assuntos sejam importantes, não venham recebendo a relevância devida no nosso meio evangélico, e quando são tratados, normalmente adquirem um viés de curral eleitoral, onde as lideranças eclesiásticas tentam tornar-se, elas próprias, seus parentes ou amigos, lideranças políticas, arregimentando os votos de seus fiéis e agora eleitores, ou ainda quando fazem do culto e do púlpito um palanque para defender candidatos e propostas que buscam não o benefício da sociedade como um todo, mas apenas os interesses particulares daquela liderança, igreja local ou denominação.

1 Timóteo 2:1,2 diz assim:

Antes de tudo, recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões e ação de graças por todos os homens; pelos reis e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e pacífica, com toda a piedade e dignidade.

Com esse texto em mente, gostaria de fazer uma pergunta que tenho feito a mim mesmo: Será que temos, eu e vocês, orado por nossos governantes e autoridades públicas?

E quando falo em termos orado, por razões óbvias não estou me referindo a pedir a Deus egoisticamente para candidato A ou B ganhar essas eleições em particular, mas, levando em conta que acabamos de sair de uma série de mensagens sobre oração, se estamos incluindo em nossas orações diárias, em nossos momentos a sós com Deus, nossos políticos que adoramos odiar…

Sério.

Tendo ou não votado nos políticos que estão exercendo seus mandatos, seja qual for nosso sentimento para com eles, será que ao invés de apenas reclamarmos, nós não levantamos sequer uma única vez um clamor ao Senhor para abençoá-los?

Perceba que eu me incluo nessa pergunta; isso é uma angústia pessoal minha há algum tempo, e é algo que, mesmo a contragosto, eu tenho tentado fazer, dedicar alguns minutos do meu dia não para falar mal dos nossos políticos, mas para orar por suas vidas, quem sabe de alguma maneira me colocar na brecha e interceder pelo nosso país.

Ponto 1
Então, aqui eu gostaria de falar sobre o primeiro papel do cristão com relação a esse tema – e eu não vou falar muitos – que é ter sua vida alicerçada em oração. Aliás, a oração deve ser uma parte essencial em nossas vidas em razão de tudo, não apenas da nossa relação com a política.

Como o texto base fala, devemos em oração nos humilhar e admitir nossa própria parcela de culpa para o problema que todos passamos.

Isaías 6:1-7 diz assim:

No ano em que o rei Uzias morreu, eu vi o Senhor assentado num trono alto e exaltado, e a aba de sua veste enchia o templo.
Acima dele estavam serafins; cada um deles tinha seis asas: com duas cobriam o rosto, com duas cobriam os pés, e com duas voavam.
E proclamavam uns aos outros: “Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos, a terra inteira está cheia da sua glória”.
Ao som das suas vozes os batentes das portas tremeram, e o templo ficou cheio de fumaça.
Então gritei: Ai de mim! Estou perdido! Pois sou um homem de lábios impuros e vivo no meio de um povo de lábios impuros; e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos!”
Então um dos serafins voou até mim trazendo uma brasa viva, que havia tirado do altar com uma tenaz.
Com ela tocou a minha boca e disse: “Veja, isto tocou os seus lábios; por isso, a sua culpa será removida, e o seu pecado será perdoado”.

Eu me lembro de algo que presenciei há alguns anos quando estava começando o curso de Direito na UFBA. Houve um processo “eleitoral”, por assim dizer, para ver quem seriam os representantes estudantis que iriam compor o Centro Acadêmico Rui Barbosa, no qual disputaram três chapas.

Perceba que esse é o ambiente onde normalmente surgem muitas das lideranças políticas em nosso país, no passado e ainda hoje, e aqui veja o que aconteceu, um evento importante para o ambiente estudantil, no qual seriam discutidas propostas de interesse daquela coletividade, e no entanto, uma das chapas se chamava “Dinheiro”, e tinha como uma de suas principais propostas colocar “escadas rolantes” no prédio da faculdade, que eram tipo 4 lances de escada, e a “propaganda eleitoral” eram notas de dinheiro daquele jogo Banco Imobiliário… Zueira pura.

Meus irmãos, o mal do Brasil não são os políticos, é o brasileiro, sou eu e você, infelizmente! Os políticos são só um reflexo nosso enquanto sociedade pecadora.

O mal dessa nação – corrupção, violência, pobreza – mais do que um problema social, é um problema espiritual, e se nós não formos a solução do problema, enquanto embaixadores de Cristo, enquanto aqueles que podem apresentar o verdadeiro libertador a todos quanto precisam de salvação, nós seremos parte do problema.

Efésios 6:12, no trecho que fala da armadura de Deus, o apóstolo Paulo afirma que “…a nossa luta não é contra pessoas, mas contra os poderes e autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais”.

Essa luta, somente podemos travar com o poder da Palavra e da oração, pelo Espírito Santo de Deus atuando em nossas vidas, não é argumentando em textões de redes sociais, como se tivéssemos sempre 100% da razão, fôssemos os donos absolutos da verdade, e o próximo fosse obrigado a deixar de votar em seu candidato para aceitar aquele a quem apoiamos. Mas volto a isso depois.

A “pequena corrupção” que cometemos, eu e você, no nosso dia a dia, tipo pagar a “cervejinha do guarda” para evitar uma multa, jogar lixo pela janela do carro, levar o cachorro pra fazer suas necessidades e não recolher, enfim, que não estou comparando em gravidade aos muitos crimes que vemos os políticos cometerem nos jornais e na imprensa – lembro de um episódio que se tornou público de “irmãos” orando pela propina recebida, para vergonha não deles, mas do Cristo a quem dizem servir – ISSO ajuda a alimentar o problema da nossa nação.

Não há um justo, nem um sequer. Então é com muita vergonha que eu me coloco perante Deus como Isaías, reconhecendo que eu sou um miserável, um pecador, que não mereço ter um bom governo. De fato, na oração que tenho feito, digo ao Pai: “Senhor, tem misericórdia de nós, povo brasileiro, mesmo sem merecermos, porque sei que por merecimento, só teremos o castigo de um mal governante”.

E quando falo sobre castigo, é porque bons ou maus, entendo que os governantes e autoridades lá estão porque ou foram diretamente alçadas a essa posição por Deus, ou porque Ele assim o permitiu para castigar o nosso povo ímpio e corrompido.

Amós 2:6,7 nos fala:

Assim diz o SENHOR: “Por três transgressões de Israel, e ainda mais por quatro, não anularei o castigo. Vendem por prata o justo, e por um par de sandálias o pobre. Pisam sobre a cabeça dos necessitados como pisam no pó da terra, e negam justiça ao oprimido…”

Já o apóstolo Pedro em 1 Pedro 2:11-17 nos fala:

Amados, insisto em que, como estrangeiros e peregrinos no mundo, vocês se abstenham dos desejos carnais que guerreiam contra a alma.
Vivam entre os pagãos de maneira exemplar para que, naquilo em que eles os acusam de praticarem o mal, observem as boas obras que vocês praticam e glorifiquem a Deus no dia da sua intervenção.
Por causa do Senhor, sujeitem-se a toda autoridade constituída entre os homens; seja ao rei, como autoridade suprema, seja aos governantes, como por ele enviados para punir os que praticam o mal e honrar os que praticam o bem.
Pois é da vontade de Deus que, praticando o bem, vocês silenciem a ignorância dos insensatos.
Vivam como pessoas livres, mas não usem a liberdade como desculpa para fazer o mal; vivam como servos de Deus.
Tratem a todos com o devido respeito: amem os irmãos, temam a Deus e honrem o rei.

Então, irmãos, esses textos que vimos nos ensinam que:
1) Deus NÃO se esquece da injustiça cometida, especialmente contra os pobres e necessitados;
2) Por essa razão, Deus mesmo envia governantes maus para punir a sociedade que assim age; ou seja, os maus governantes que temos são castigo de Deus por sermos um povo tão ruim e obstinado;
3) Somos chamados a ser exemplos para a sociedade, luz para o mundo, farol para as nações, mostrando os valores do Reino que são MUITO diferentes dos valores que a sociedade ensina, na verdade, em muitos casos, serão opostos, e por essa razão seremos perseguidos, pois quem está nas trevas não quer que a luz exponha seus pecados e sua corrupção;
4) Devemos nos sujeitar às autoridades e honrá-las, não desrespeitá-las e acreditem quando eu digo que isso, pelo menos pra mim, é MUITO difícil. É muito difícil honrar políticos em quem não votamos, com quem discordamos veementemente, mas aqui reside a nossa diferença para o mundo.

Perceba que honrar não significa concordar, não significa sequer obedecer se eles aprovarem, por exemplo, leis que promovam a injustiça e forem contra os valores do Reino. Lembro do exemplo do pastor Martin Luther King Jr., que liderou um movimento de desobediência civil contra as leis de segregação racial e lutou a favor de direitos civis para a população negra nos Estados Unidos da década de 50 e 60.

No entanto, onde o mundo prega o ódio e é intolerante, nós devemos pregar o amor, o respeito e a tolerância, o que infelizmente nem sempre acontece e pior, nós, muitas vezes, temos sido os mais intolerantes de todos.

Ponto 2
O segundo ponto que eu gostaria de enfatizar sobre nosso papel como cristãos nesse contexto e momento atual, diz respeito ao que fazemos ou deixamos de fazer, os pecados que temos cometido, os nossos maus caminhos…

Antes de mais nada, meus irmãos, não sou EU quem vai dizer a VOCÊS, o que fazer ou deixar de fazer. Aliás, de modo geral, não “deveria” ser o pastor, uma liderança religiosa ou outra pessoa a fazer isso e sim vocês mesmos, avaliando sua própria vida à luz das Escrituras e buscando ouvir a voz de Deus!

Nesse mesmo texto de Timóteo que lemos, apenas um pouco antes no capítulo 1, temos o seguinte conselho do apóstolo Paulo:

Partindo eu para a Macedônia, roguei-lhe que permanecesse em Éfeso para ordenar a certas pessoas que não mais ensinem doutrinas falsas, e que deixem de dar atenção a mitos e genealogias intermináveis, que causam controvérsias em vez de promoverem a obra de Deus, que é pela fé.
O objetivo desta instrução é o amor que procede de um coração puro, de uma boa consciência e de uma fé sincera.
Alguns se desviaram dessas coisas, voltando-se para discussões inúteis, querendo ser mestres da lei, quando não compreendem nem o que dizem nem as coisas acerca das quais fazem afirmações tão categóricas. – 1 Timóteo 1:3-7

Antes de passar a algumas lições de cunho mais prático, uma vez que nossa vida já seja, ao menos em tese, uma vida construída sobre o fundamento da oração, deixe-me contar uma história da minha infância.

Quando eu era pivete, ouvi duas mulheres comentando entre si em quem votariam, se no candidato A ou B, ao que uma delas comentou “Em A, claro, ele é lindo!”…

Perceba o que levou essa pessoa a votar nesse candidato em particular naquela eleição. O problema é que, tantos anos depois, nós como nação continuamos votando assim.

Nós cristãos, então, deveríamos ter os princípios e valores de Deus em nossos corações de maneira a escolhermos melhor os candidatos que procurassem o bem da sociedade como um todo, e não apenas nossa satisfação egoísta imediata.

Isso só é possível por meio da informação, da educação, de nos despirmos de nossos preconceitos e passarmos a agir com mais prudência e inteligência, verificando quais as propostas que os diversos candidatos fazem, se são minimamente realizáveis, ou se são apenas para captar votos de maneira populista.

Entrando no texto que lemos por último, Paulo exorta Timóteo a não nos ocuparmos com fábulas, genealogias e discussões. O que isso significa? Pode significar, por exemplo, deixar de brigar por besteira nas redes sociais!

Aliás, só um parêntese com relação a isso. Esse é um assunto tão sério, que o apóstolo Paulo repetiu o conselho a Timóteo em sua segunda carta, e também a Tito…

Voltando, o verso 6 do capítulo 1 diz que alguns chegam a se desviar da fé em razão de discussões inúteis. Embora o contexto aqui seja de discussões “religiosas” ou “teológicas”, na verdade a maneira como muitos de nós têm tratado a política e suas convicções ideológicas beira a religião, o fanatismo e até a idolatria.

Meus irmãos, todos temos a liberdade de pensamento e expressão que tanto a fé cristã quanto a Constituição nos oferecem. No entanto, algo que deveria ser senso comum, ou pelo menos bom senso, que o nosso direito termina onde começa o do outro, infelizmente tem sido esquecido em nossos comentários infindáveis tentando convencer uns aos outros de que nosso candidato é santo e que o do outro é o satanás…

De fato, no verso 7 Paulo afirma que muitos se passam por entendidos sem na verdade saberem de muita coisa, e será que nós não temos visto muitas pessoas assim na imprensa e nas redes sociais agindo como verdadeiros especialistas no assunto, sem na verdade talvez nunca terem lido nada a respeito?

De repente, NÓS, com um apertar de mouse ou teclar de uma tela viramos especialistas em tudo…

Novamente, eu não quero dizer o que você precisa fazer ou deixar de fazer, mas digo apenas isso: vamos deixar de agir como meninos! Podemos seguir usando da irreverência típica do cearense para fazer nossos “memes” de Internet, mas o limite, além da verdade, claro, é o respeito ao outro, ao direito que tem de ter uma opinião diferente da nossa, talvez oposta; assim como temos nossos espaços nas redes sociais, deixar os espaços alheios em paz!

É o Espírito Santo quem convence do pecado, da justiça e do juízo, e nós também temos que aplicar essa verdade espiritual no aspecto político ou ideológico e entender que nem todos sairão convencidos de certas discussões, e muito provavelmente alguém sairá machucado, talvez alguém próximo ou mesmo alguém da família, a quem amamos e que pode pensar bem diferente de nós.

Aliás, sobre ideologias, aqui cabe algo que para mim parece básico, fundamental: acredito que toda ideologia possivelmente terá suas vantagens e desvantagens, mas acima de tudo, não será a esquerda, a direita ou mesmo o centro que irá salvar nossa nação, meus irmãos, mas o alto! Nosso Salvador de fato já veio e é Jesus Cristo e não um político qualquer, por melhor que seja!

Em Mateus 5:20, Jesus diz o seguinte: “Pois eu lhes digo que se a justiça de vocês não for muito superior à dos fariseus e mestres da lei, de modo nenhum entrarão no Reino dos céus”.

Qual tem sido a nossa “justiça”, a nossa “ética”? Será que temos nos comportado exatamente igual às pessoas que não conhecem a Cristo, ou até pior muitas vezes?

Será que temos apelado em nossas discussões com argumentos flagrantemente mentirosos, usando indiscriminadamente as famosas “fake news”, afinal “os fins justificam os meios”, só que não!?

Se para fazer valer a minha opinião eu desrespeito o próximo, eu engulo o outro, eu minto ou propago mentiras, meus irmãos, em que, absolutamente, Cristo tem feito diferença em minha vida?

Na Palavra, não temos, ao menos não lembro aqui de memória, muita coisa escrita especificamente sobre o tema da política.

Há duas passagens na vida de Jesus que eu acho que se aproximam um pouco desse tema, mas antes de falar sobre elas, devemos nos lembrar que uma das razões porque os judeus não creram em Jesus é porque a expectativa deles sobre o Messias estava errada. Ao invés de esperar o servo sofredor de Isaías 53, eles esperavam um redentor político, alguém que restaurasse a glória de Israel no aspecto econômico, e sua influência política e militar na região, expulsando os dominadores romanos.

Por outro lado, como Jesus expôs a corrupção e a hipocrisia dos líderes religiosos de sua época, atraindo uma fama considerável, apesar dos pesares, essa mesma cúpula religiosa foi a responsável por, finalmente, denunciá-lo ao governador romano não simplesmente como um “herege”, mas usando um pretexto de um argumento político, como se ele incitasse as massas a uma revolta…

Mas agora os textos. O primeiro encontra-se em Lucas 20:21-26, que diz:

E perguntaram-lhe, dizendo: Mestre, nós sabemos que falas e ensinas bem e retamente, e que não consideras a aparência da pessoa, mas ensinas com verdade o caminho de Deus.
É-nos lícito dar tributo a César ou não?
E, entendendo ele a sua astúcia, disse-lhes: Por que me tentais?
Mostrai-me uma moeda. De quem tem a imagem e a inscrição? E, respondendo eles, disseram: De César.
Disse-lhes então: Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.
E não puderam apanhá-lo em palavra alguma diante do povo; e, maravilhados da sua resposta, calaram-se.

Não sei se vocês têm a mesma percepção que eu tenho. Jesus foi instado em seu tempo a se manifestar sobre um assunto controverso envolvendo política, e assim como naquela época, hoje muitos de nós também somos e, da mesma maneira, a intenção da pergunta nem sempre é genuína e honesta. Eles quiseram fazer Jesus cair em uma pegadinha, mas Jesus respondeu, basicamente, e penso que virando os olhos, com um “cada um no seu quadrado”, ou seja, religião e política não se misturam.

De fato, sempre que a religião e a política se misturaram na história da humanidade, a primeira serviu apenas como pretexto e instrumento de dominação para a segunda, como aconteceu, por exemplo, durante a idade média com a Igreja Católica e suas alianças, muitas vezes espúrias, com reis e soberanos que iam e vinham com o sabor do vento, sempre que eram a favor ou contra essa dominação.

O segundo texto é o diálogo que Jesus tem com Pilatos em João 18:33-36 e João 19:7-11:

Tornou, pois, a entrar Pilatos na audiência, e chamou a Jesus, e disse-lhe: Tu és o Rei dos Judeus?
Respondeu-lhe Jesus: Tu dizes isso de ti mesmo, ou disseram-te outros de mim?
Pilatos respondeu: Porventura sou eu judeu? A tua nação e os principais dos sacerdotes entregaram-te a mim. Que fizeste?
Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui.

Responderam-lhe os judeus: Nós temos uma lei e, segundo a nossa lei, deve morrer, porque se fez Filho de Deus.
E Pilatos, quando ouviu esta palavra, mais atemorizado ficou.
E entrou outra vez na audiência, e disse a Jesus: De onde és tu? Mas Jesus não lhe deu resposta.
Disse-lhe, pois, Pilatos: Não me falas a mim? Não sabes tu que tenho poder para te crucificar e tenho poder para te soltar?
Respondeu Jesus: Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado…

Jesus reconhece o poder político de Pilatos, e de onde provem esse poder temporal. No entanto, Ele deixa bem claro de que reino ele é Rei, um reino que não é deste mundo, não apenas geográfica ou fisicamente, mas espiritualmente, cujos valores, como falei, são outros.

Isso significa que devemos ficar em cima do mundo quando confrontados? Que não podemos ter nossa opinião? Claro que não! Com relação à fé, mas aplico também a qualquer tema, inclusive esse, Pedro nos afirma em 1 Pedro 3:15 que devemos estar preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que nos pedir a razão da nossa esperança.

Aqui temos um modelo para como devemos nos comportar em nossas “discussões” sobre política:
1) responder quando perguntado. Isso parece meio óbvio, mas muitos de nós temos invadido conversas e espaços alheios para falar algo que ninguém nos perguntou… Eu tenho certeza que ninguém aqui gosta quando alguém se mete em sua conversa, então porque a gente vai importunar os outros?
2) responder com mansidão e temor. Meus irmãos, muitas vezes importa tanto ou mais quanto a “verdade” que achamos que vamos falar, a forma como essa “verdade” será dita.

Só pra fechar esse segundo ponto sobre aspectos mais práticos que nós podemos adotar como postura, eu gostaria de falar sobre a consciência do voto. Meu irmão, ninguém é obrigado a ter um posicionamento sobre todo e qualquer assunto, não!

Na minha percepção, não há essa história de “votar errado”. Quando eu ouço alguém dizer “vou votar em A, porque eu queria votar em B mas B não tem chance”, eu respeito, é o chamado “voto útil”, mas pra mim, todo voto que é fruto de uma reflexão, de usarmos a nossa cabeça, é um voto consciente e é um “voto útil”, um “voto certo”.

Pra mim, pessoalmente, só “vota errado” quem vota sem refletir, sem se informar, porque alguém “mandou”, porque viu alguém famoso ou uma liderança religiosa, no nosso caso, apoiar…

E quando eu falo isso, eu quero dizer a você, meu irmão, que se após analisar os candidatos, partidos, ideologias, propostas, você ainda não consegue se sentir confortável em votar em A ou B ou C ou D ou Z, que sua dúvida também é um exercício de honestidade, e se você decidir votar em branco, ninguém tem nada a ver com isso!

Por fim, imagine o cenário em que uma igreja local possui diversas lideranças que vêm a público apoiar candidato A, ou B, ou C, como ficariam suas ovelhas, especialmente aquelas que podem “considerar fortemente”, digamos assim, suas opiniões na hora de se decidirem por seus candidatos, ao invés de elas próprias buscarem o caminho da informação e a orientação de Deus?

A confusão seria grande… Como aliás, parece ser o caso no cenário evangélico nacional, onde cada grande igreja, denominação ou líder faz exatamente isso, e não apenas isso, mas incorre nos erros que já conversamos aqui de espalhar mentiras, invadir os espaços alheios, e a igreja e o Evangelho viram campo de batalha…

Conclusão
Concluindo, o texto que lemos de 2 Crônicas 7:14 diz novamente o seguinte: E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.

Deus aqui fala conosco, seu povo. Devemos assumir uma postura de responsabilidade pessoal: Se EU, que ME chamo cristão, ME humilhar, e orar, e buscar a face do Senhor, e ME converter dos meus maus caminhos, ENTÃO o Senhor ouvirá dos céus, perdoará os meus pecados, e sarará a minha terra.

Veja bem, a responsabilidade de fazer do Brasil um lugar melhor para se viver começa conosco e começa com a oração, com nos humilharmos reconhecendo nossos pecados, como fez Isaías, nos convertermos de nossos maus caminhos, ou seja, sendo nós o exemplo que nossa sociedade precisa… Aí, só aí, o Senhor agirá, não apenas em NOSSO favor, nós “crentes”, mas em favor de TODA nossa nação.

1 Coríntios 10:31-33 diz o seguinte:

Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus.
Não se tornem motivo de tropeço, nem para judeus, nem para gregos, nem para a igreja de Deus.
Também eu procuro agradar a todos de todas as formas. Porque não estou procurando o meu próprio bem, mas o bem de muitos, para que sejam salvos.

O mesmo apóstolo Paulo que escreveu “Dediquem-se uns aos outros com amor fraternal. Prefiram dar honra aos outros mais do que a si próprios. ” (Romanos 12:10) nos ensina que devemos fazer TUDO para a glória de Deus, inclusive nossas manifestações de cunho político ou ideológico, TUDO, com o propósito não de convencer alguém, como um incrédulo normalmente faria, mas com o propósito da SALVAÇÃO dessa pessoa, o que pode significar desistir de uma discussão ou deixar para lá um argumento.

Infelizmente, e me coloco em primeiro lugar nesse pedido coletivo de perdão ao Senhor, não temos tido a mesma intrepidez para anunciar as boas novas e os valores do Reino com que temos brigado por nossos políticos e defendido suas ideias.

Pra terminar, vou ler uma curta reflexão que recebi esses dias pelo celular e que creio tem tudo a ver com o que vimos hoje:

“Tímidos para agir com amor e ensinar o evangelho, ávidos e incisivos quando o assunto é defender nosso candidato, nas eleições.
Medrosos para pôr a mão na massa e ajudar o necessitado, intensos e frenéticos quando o que está em jogo é nossa ideologia político-partidária.
Retraídos quando o assunto é perdoar e dar a outra face ao perverso, mas extremamente agressivos ao atacar aquele(a) que se faz adversário(a) nas eleições.
Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus, disse Jesus. Parafraseando, dai ao político a proporção de intensidade e a atenção própria da realidade política (que tem sua importância), mas a Deus, dai a proporção de entrega que lhe é devida. ” – Desconheço o autor.

A profecia de Deus para ontem e para hoje

Ai daqueles que fazem leis injustas, que escrevem decretos opressores, para privar os pobres dos seus direitos e da justiça os oprimidos do meu povo, fazendo das viúvas sua presa e roubando dos órfãos!
Que farão vocês no dia do castigo, quando a destruição vier de um lugar distante? Atrás de quem vocês correrão em busca de ajuda? Onde deixarão todas as suas riquezas?
Nada poderão fazer, a não ser encolher-se entre os prisioneiros ou cair entre os mortos. Apesar disso tudo, a ira divina não se desviou; sua mão continua erguida. – Isaías 10:1-4

Eu honestamente não sei qual a pior situação, quando você é um profeta de Deus, ser chamado a denunciar as injustiças, mazelas, pecados do próprio povo, o povo de Deus, sabendo de antemão que as pessoas não darão ouvidos, a situação não irá se remediar, as mesmas coisas continuarão acontecendo, como foi Isaías desde o seu envio (Isaías 6:8-13), ou quando você é enviado a uma terra distante, a um povo que é seu pior inimigo, pregar a mesma mensagem (é, e sempre será, a mesma!), de arrependimento, confissão e conversão, sob pena de serem castigados, exterminados, varridos do mapa, mas sabendo, também antecipadamente, que Deus, grande e rico em misericórdia, estaria disposto a lançar no mar do esquecimento todos os pecados que esse povo, em sua humilhação, resolvesse admitir, como foi o caso de Jonas (Jonas 3:10, 4:1,2).

Isaías 10 nos fala de como o povo de Deus estava completamente corrompido, os líderes e governantes aceitavam suborno, oprimiam os pobres, faziam leis que beneficiavam somente a eles mesmos em detrimento da justiça… Nada muito diferente do Brasil de hoje, não é verdade?

Infelizmente, como Israel daqueles dias, o nosso país também está maculado desde sua raiz, suas entranhas estão podres, vomitamos pecados sobre pecados, ao ponto de, como aquele povo de outrora, Deus não ter mais misericórdia sequer do desvalido porque até esse também se corrompeu (Isaías 9:13-17), não há mais um justo, nem um sequer.

Aqueles que guiam este povo o desorientam, e aqueles que são guiados deixam-se induzir ao erro.
Por isso o Senhor não terá nos jovens motivo de alegria, nem terá piedade dos órfãos e das viúvas, pois todos são hipócritas e perversos, e todos falam loucuras. Apesar disso tudo, a ira dele não se desviou; sua mão continua erguida. – Isaías 9:16,17

Ouvimos muito em nosso meio religioso sobre a poderosa mão de Deus, usada em um contexto de benção (e como queremos a benção de Deus, muitas vezes esquecemos do próprio Deus, convertido em gênio da lâmpada), mas aqui em Isaías ela é constantemente retratada como a mão de castigo, a mão que traz a justiça e a ira de Deus. Essa mão dificilmente alguém aceitaria de bom grado ou cantaria louvores pedindo a Deus por “sua mão”…

Quando será que começaremos nós a revolução que desejamos ver no mundo? Quando será que eu, que sou povo de Deus, assumirei minha auto-responsabilidade e farei como o profeta Isaías, reconhecendo meu pecado, e pedindo misericórdia a Deus porque sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios (Isaías 6:5). Infelizmente, porém, não são apenas os nossos lábios que precisam ser convertidos, mas também nossos olhos, nossas mãos, nossa mente, nosso coração.

Talvez nós, como o profeta, precisemos ver a Deus, sermos tocados pela brasa do altar, sermos convertidos e termos nossos pecados extirpados de nós, como um câncer retirado por uma cirurgia, cuja pessoa, entre a vida e a morte, somente espera convalescente que sobreviva por um milagre, por alguma obra do destino ou do acaso…

Não podemos esperar que nossos políticos sejam melhores do que nós por que é de nós que eles vêm. Pedimos por uma renovação dos quadros de modo que, quem sabe, novos nomes possam trazer algum alívio à população e reverta esse cenário de violência e corrupção que nos assola, mas malditos somos por confiar em homens e não em Deus (Jeremias 17:5), malditos somos por não buscarmos nós renovar a nossa mente para que, só assim, experimentemos a boa, agradável e perfeita vontade de Deus (Romanos 12:2) em nós, sobre nós e por meio de nós.

Somente quando não mais nos conformarmos ao padrão deste mundo (Romanos 12:1), é que poderemos caminhar o caminho do Senhor. Somente quando nos adequarmos ao seu padrão é que poderemos ver nossa sociedade florescer. Se hoje “precisamos” de políticos que se dizem evangélicos (ou católicos, ou religiosos, tanto faz) para tentar contrapor os interesses gananciosos dos demais, nos enganando a nós mesmos (se é que alguém ainda cai nesse “conto do vigário”, senão lembrem-se daqueles políticos flagrados em uma reunião de “oração”, agradecendo a deus – em minúscula mesmo, mamon – pela propina recebida), se nós nos convertermos de verdade, a sociedade como um todo será impactada pelos valores do reino e os políticos que dela saírem também terão em seu coração um pouco do Espírito do Senhor, também desejarão o benefício da coletividade e não apenas de seu próprio bolso.

Não precisamos mais de profetas de uma prosperidade vã e falsa dizendo que tudo vai bem, quando, na verdade, tudo vai mal. Não! Somente quando reconhecermos o nosso verdadeiro estado lastimável é que seremos capazes de compreender a extensão e a profundidade do nosso problema e, tendo chegado ao fundo do poço, saberemos que estamos perdidos, poderemos gritar por socorro, perceberemos que precisamos de um Salvador, Cristo o Senhor, e clamaremos como já muitos em seu tempo fizeram: filho de Davi, tem compaixão de mim!

A minha oração hoje então é de arrependimento e confissão. Como aquele hino antigo (HCC, 275) fala,…

Perdoa-me, Senhor, se eu não vivi pra te servir,
se em meu agir o teu amor também não refleti.
Perdoa-me, Senhor,
se em teu caminho não segui,
se falhas cometi,
se tua doce voz não quis ouvir.
Escuta minha oração, Senhor,
desejo aqui viver pra teu louvor;
ensina-me a te ouvir e com amor servir
e os santos passos teus aqui seguir.

Perdoa-me, Senhor, se eu de ti me afastei,
se em meu caminho escuro tua luz não procurei;
perdoa-me, Senhor, se na aflição não te busquei,
se eu não te sondei,
se teu querer pra mim não procurei.
Escuta minha oração, Senhor,
desejo aqui viver pra teu louvor;
ensina-me a voltar e junto a ti estar
e em tua graça sempre confiar.

Perdoa-me, Senhor, se frutos eu não produzi,
se, indiferente a tudo, a missão eu não cumpri;
perdoa-me, Senhor,
se os campos brancos eu não vi,
se só pra mim vivi,
se meus talentos não desenvolvi.
Escuta minha oração, Senhor,
desejo aqui viver pra teu louvor;
ensina-me a agir e meu dever cumprir
e frutos dignos dedicar a ti.

Que Deus nos ajude a sermos melhores homens e mulheres, verdadeiramente servos seus, convertidos pela justiça e para a justiça, que sua vara e sua mão estejam sempre estendidas sobre nós para nos disciplinar, quem sabe assim, talvez, nós possamos ser purificados e cheguemos a ver um mundo melhor.

Para recebermos perdão

E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores;
Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós;
Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas. – Mateus 6:12,14-15

Jesus, ao ensinar seus discípulos (e nós, como um dos tais) a orar, coloca ênfase no perdão, perdão que se pede e perdão que se dá.

Ora, a primeira coisa que Ele ensina é que a medida do perdão que pedimos é a medida do perdão que concedemos, nem mais, porque não merecemos, nem menos porque também não somos tão generosos, convenhamos.

Deus não espera de nós perfeição ou santidade absoluta (nesta vida pelo menos), embora espere que reconheçamos que a mesma condição de pecadores que temos e somos também alcança nosso próximo, e por isso ele é tão merecedor do nosso perdão como nós somos do perdão de Deus, ou seja, não é (como não somos), mas ainda assim devemos estender a nossa mão de perdão para ele como Deus também o faz para conosco.

Então somos apresentados a uma condição para termos os nossos pecados perdoados: perdoarmos a quem nos ofendeu. Simples assim.

Na verdade, Deus está sempre disposto a nos perdoar, sempre que pedirmos perdão com um coração quebrantado e arrependido, e uma das coisas que demonstra cabalmente o estado sincero de arrependimento é justamente o fato de termos perdoado a quem nos ofende, por que quem é aquele que nunca teve alguém nesta condição, alguém que nunca passou por isso, de ser ofendido, de guardar uma certa mágoa ou ressentimento?

O perdão de Deus está disponível atrás da porta que se encontra fechada com chave, mas curiosamente a chave está na nossa mão, e a chave é o perdão.

Será que não passamos tempo demais com a porta fechada sem perceber a chave que está perto, ao nosso alcance?

Pense nisso hoje, a quem será que tenho negado o perdão, de quem tenho guardado mágoa ou ressentimento mesmo a pessoa tendo vindo pedir o meu perdão, será que sou mesmo tão importante assim que posso negar o perdão a alguém que me ofendeu?

A minha oração hoje é para que reconheçamos a nossa própria necessidade de perdão, a nossa própria fraqueza perante um Deus que, sendo santo, estende a nós a sua mão de graça e bondade, e somente espera de nós essa reciprocidade em direção daqueles que também precisam, e, portanto aprendamos a dispensar também esse perdão a quem nos tem ofendido.

Deus nos abençoe.