O lobo e o cordeiro

Em nosso interior habitam um cordeiro e um lobo eternamente em disputa. O lobo que habita em nós chama-se carne, são as nossas tendências pecaminosas egoístas. O cordeiro, por seu lado, chama-se espírito, tendência natural do ser humano de caminhar em direção ao seu criador.

Ora, sabemos que por sua própria natureza, o cordeiro é mais fraco que o lobo; este é, naturalmente, predador do primeiro. Sendo assim, fica fácil entender que não precisamos alimentar o lobo para que ele permaneça forte e vença o cordeiro em suas disputas diárias, mais do que isso, nas lutas em que se enfrentam a cada instante em que se nos apresenta uma decisão.

Não! Ao contrário, devemos cuidar de mantê-lo sempre acorrentado, pois ele não é um animal domesticável que podemos andar por aí carregando no colo, ou mesmo de correia… De outro modo, facilmente ele devoraria o cordeiro.

O cordeiro, este sim deverá ser bem alimentado e cuidado para que permaneça forte e possa subsistir aos ataques inevitáveis do nosso lobo interior que, por mais fraco que pareça estar, nunca estará completamente morto.

Essa ilustração serve para nos ensinar que devemos alimentar aquilo que gera o bem em nosso interior, tanto pensamentos, atitudes e ações, as coisas que honram e agradam a Deus e transbordam, tranformam-se em amor prático ao próximo. O que quer que alimentemos fica forte e se multiplica em nossas vidas, quer o egoísmo, os nossos vícios e defeitos, quer a compaixão, nossas virtudes e práticas altruístas.

No entanto, percebamos por fim que o mais forte de todos os cordeiros ainda assim, por sua frágil natureza, não é páreo para o mais fraco de todos os lobos. Para seu resguardo, portanto, necessitamos do pastor das ovelhas para afugentar o lobo que insiste em atacar. Nessa estória o pastor é Cristo, na figura do Espirito Santo que habita em cada um dos filhos de Deus, sendo a força sobrenatural de que precisamos para vencer as nossas próprias limitações e fraquezas naturais e demais investidas do maligno.

Que Deus nos abençoe cada dia, capacitando-nos a buscar nEle a força que nos falta para vencermos a nós mesmos nas lutas do dia a dia. Que nessa busca possamos reconhecer a nossa profunda necessidade e dependência dEle. Que, finalmente, entreguemos a nossa história de vida ao bom pastor que é Cristo, que não somente cuidará de nosso cordeiro interior, mas ainda nos ajudará a manter sob controle o lobo, e mesmo quando não consigamos mais segurar as suas amarras, Ele virá ao nosso auxílio e socorro.

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Ore pelos seus inimigos

Estou aqui pensando com meus botões sobre a ordem (isso mesmo, a ordem, ou melhor AS pois OS verbos estão no imperativo) de Jesus de orarmos pelos nossos inimigos…

Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus; – Mateus 5:44

Temos tantas razões para fazer o que Cristo nos manda, embora muitas outras queiram conspirar contra:

  1. em obediência a Cristo fazemos o que Ele nos ordena, como servos que desejam bem servir a nosso Senhor;
  2. quando oramos e amamos, colocamos nosso coração em disposição ao Senhor para que Ele mude nosso sentimento com relação ao nosso inimigo. Perceba que o sentimento só muda (e não necessariamente muda) após a obediência;
  3. quando fazemos o que Cristo manda, tiramos nossa fé da teoria e pomos em prática;
  4. ao fazermos bem ao nosso inimigo, deixamos a vingança para Deus, a quem realmente pertence (Romanos 12:19);
  5. ao tratar com benevolência a quem nos maltrata e persegue, nós geramos neles constrangimento e vergonha (Romanos 12:20, em citação de Provérbios 25:21,22);
  6. quando obedecemos, fazemos nossa parte, o que nos cabe, em confiança de que Deus fará a dEle, o que não nos cabe;
  7. Deus pode fazer muito através da oração do justo (Tiago 5:16), inclusive (embora não necessariamente) mudar o coração e a disposição do nosso inimigo;
  8. ao orarmos pelos nossos inimigos, reconhecemos que também somos falhos já que somos seres humanos, suscetíveis a errar, machucar, lesar o outro, e muitas vezes até intencionalmente, não nos colocamos, portanto, como superiores que ninguém;
  9. por fim a nossa oração demonstra não só que somos filhos de Deus, como ainda pode levar o outro que talvez ainda não seja a experimentar o novo nascimento e a adoção do Pai.

É difícil, mas não é impossível. Deus nos abençoe e nos capacite a conseguir fazer o que Ele mesmo ordenou.

Que tipo de autoridade? Que tipo de mensagem?

Fui e voltei do almoço a pé. Calor gostoso do meu Ceará. Suei um bocado, um belo banho que me espere mais tarde. No caminho senti Deus tocando no meu coração quando vi um homem de paletó nesse sol escaldante, como vejo, infelizmente, muitos pastores e líderes religiosos conduzirem seu ‘rebanho’ de cima de seus púlpitos, dificilmente porem seus pés na mesma terra, vestirem a mesma roupa, falarem as mesmas palavras, sentirem as mesmas dores.

Lembrei imediatamente da comparação que o povo de Israel fez ao ouvir Jesus falar, com as palavras dos fariseus e demais líderes religiosos de sua época (Mateus 7:29), palavras distantes, desconexas da realidade das pessoas, palavras que afastavam ao invés de aproximar, palavras duras de divisão e ódio muito ao contrário do amor do Pai demonstrado através de Jesus.

Parece-me que as pessoas anseiam por status, posição ou reconhecimento, como se buscassem, pelo modo de falar empostado ou pelas roupas vistosas (embora destoantes do ambiente empobrecido ou clima local), uma autoridade espiritual que de fato não possuem, nem inerentemente nem dada por Deus…

Vejam vocês que os líderes religiosos de ontem e de hoje se vestiam com pompa e circunstância; Jesus, por outro lado, Deus-virado-homem, encarnado como filho de um carpinteiro e carpinteiro como o pai, cercado de outros homens do campo, pastores de ovelhas, pescadores, rudes, iletrados, peões no nosso linguajar popular, talvez mal tivesse dinheiro para calçar uma sandália descente, vestia qualquer trapo que estivesse à disposição, talvez de segunda, terceira ou quarta mão…

Não é à toa que sua figura choca os religiosos de plantão; comer sem lavar as mãos, ignorar os mandamentos religiosos de guardar o sábado para curar pessoas doentes que segundo os próprios religiosos mereciam a doença por causa do seu pecado, que audácia, que absurdo!

O Jesus de ontem não conviveria bem com os pastores e bispos de hoje. Como andar em meio a ovelhas trajando vestes e calçados que não servem a um pastor? Afinal, pastorear ovelhas, o que o Mestre ordenou a Pedro e, por consequência, à igreja, é trabalho braçal, serviçal, não dá para fazer do alto de um púlpito nem vestido de gala.

Os homens de negócios que têm liderado muitos fiéis e não fiéis, alguns dos quais enganados, outros sedentos pelo mesmo poder, dinheiro, fama e sucesso que aqueles têm pregado, por não terem autoridade tentam valer-se da aparência. Mas a aparência sem conteúdo não serve de nada. Jesus, Deus, nos ensina que devemos olhar não para a aparência, mas para o interior.

Que tal começarmos agora mesmo olhando primeiro para nossas intenções, o que anseia nosso coração. Com que tipo de ‘evangelho’ nos identificamos? A mensagem chamando as pessoas a pararem de sofrer, que afirma que nosso sofrimento é fruto da nossa falta de fé, que diz a Deus o que Ele tem que ser, invertendo a posição de Senhor para nosso servo, que busca no dinheiro a medida do sucesso? Ou a mensagem da cruz, do Cristo que foi servo sofredor, que embora não precisasse, sendo rei, entregou sua própria vida em amor de muitos, em amor de mim e de você, a mensagem daquele que ontem e hoje escolheu conviver conosco, andar no nosso meio, comer conosco à mesa, tocar nossas feridas sem pudor, sem vergonha, sem nojo?

Deus nos abençoe a que escolhamos a segunda mensagem, que Cristo possa ser encontrado cada dia em nossas vidas.