Rio de Janeiro

Estou no Rio de Janeiro há cerca de uma semana para um congresso e um curso.

Ambos estão muito aquem das espectativas, que já não eram muito grandes, por sinal.

No entanto, o bom de estar aqui, além de rever alguns familiares, é o networking que a gente acaba fazendo, conhecer colegas novos, rever alguns mais antigos, e por os assuntos da categoria em dia.

É uma pena que o clima não ajudou, está chovendo e fazendo um pouco de frio todos os dias, e por isso não deu pra aproveitar mais a "cidade maravilhosa".

Aliás, maravilhosa mesmo.

É uma cidade bem peculiar, com sua arquitetura diferenciada, disposição geográfica cercada de morros e com bairros que, mesmo vizinhos, por vezes se tornam muito distantes.

Pude conhecer um pouco mais do Rio, ainda não tanto quanto gostaria, mas por exemplo, dessa vez que peguei um frescão do aeroporto até a Barra da Tijuca, passando por diversos locais turisticos, e ainda andando de táxi pela cidade, que, a propósito, são baratos.

Foi bom também rever a família, como já falei, e é interessante como Deus sempre tem algo para nos falar, às vezes até por meio de pedras clamando, como diz sua palavra, quando pude ouvir testemunhos diferentes, palavras diferentes, e bem edificantes nos dois casos, de dois dos meus familiares, reconhecendo a soberania e grandeza do Pai, o seu amor por nós.

Argumentei com um deles que era difícil para mim, como cristão, ver que a cidade do Rio, a capital proprocionalmente mais evangélica do Brasil, ser por sua vez a mais violenta, e a meu ver isso significa que dos evangélicos, pouco são, de fato, Igreja, ao qual ele me retrucou que ao contrário, o Rio está assim justamente porque a Igreja atua bastante aqui, e por isso o inimigo, que também não dorme no ponto, também estava atuando de maneira muito mais sinistra aqui.

Faz algum sentido…

Infelizmente ambos, apesar de tudo que ouvi e vi, não dobraram seus joelhos rendendo suas vidas à Jesus, como eles mesmos reconhecem.

Espero, sinceramente, que não demorem em fazê-lo.

Amanhã, se Deus quiser, devo voltar a Salvador, e é bom, porque estou com saudade da minha namorada, igreja, trabalho, rotina, enfim.

Deus nos abençoe.

Anúncios

Vestibular

Farei vestibular esse final de ano. Direito noturno é o curso, e a instituição é a UFBA – Universidade Federal da Bahia.

Não sei por que resolvi fazer o vestibular, nem sei ao certo se quero ou por que quero, se é que quero, fazer o curso de Direito.

Não sei se por "pressão", ou excesso de motivação, digamos assim, da parte materna, da namorada e da sogra; não sei se por algum resquício de sentimento mal resolvido de não ter passado na primeira tentativa, doze anos atrás (fiz vestibular para Direito na Universidade Federal do Ceará em 1996, logo que concluí o então segundo grau), apesar de que não guardo rancor da minha própria irresponsabilidade e imaturidade enquanto estudante de não ter estudado e aproveitado a boa escola que meus pais me proporcionaram, e ao mesmo tempo me sinto feliz com a escolha profissional que fiz, e com as conseqüências dela advindas.

Acho que não é o último, até porque logo que cheguei em Salvador prestei vestibular para Direito em uma faculdade pouco conhecida e passei, mas decidi não cursar uma vez que me inteirei do nível da instituição, que não vale a pena citar.

Não sei.

Sei que resolvi fazer, fiz a inscrição há duas semanas e paguei o boleto bancário, e agora estou estudando.

Aliás, cá entre nós, bem mais do que estudava à época do meu terceiro ano.

Não, não quero dizer que devido ao meu esforço irei passar, até porque não faço idéia dos planos de Deus para mim neste sentido.

Inclusive, confiar em meu próprio esforço nunca me rendeu bons frutos, como seria de esperar.

Assim, prefiro entregar todo o processo nas mãos de Deus, como tenho tentado pautar tudo na minha vida, por mais difícil que isso às vezes possa ser.

Lembro-me daquele versículo: "Se o SENHOR não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o SENHOR não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela." Salmos 127:1, e penso que de fato, seria, ou melhor, seria não, é em vão qualquer iniciativa humana, e particularizando, qualquer iniciativa minha que não tenha o respaldo de Deus.

Se Deus não estiver à frente, eu prefiro nem ir, do que ir e me dar mal, e ainda eventualmente até me afastar do Senhor.

Então, se Deus não estiver à frente deste projeto de vestibular, de nova faculdade, de outros 5 anos correndo com trabalhos escolares e provas, tudo que estou fazendo é em vão.

E olhe que é em vão MESMO, por que sinceramente, eu que odeio Biologia e Química resolvi "fazer a minha parte", e comecei a estudar justamente por essas duas disciplinas, e como estou "sofrendo" ao ver funções orgânicas e inorgâncias que quando fiz os meus primeiros vestibulares eu, recém saído do terceiro ano, já não entendia muita coisa, imaginem hoje, doze anos depois, está sendo muito mais difícil internalizar esses conceitos.

O segundo ponto que quero tocar é justamente esse, a questão do "fazer a parte", e que no meu caso, implica em grande sacrifício.

Paulo nos diz em 1ª Coríntios 9:24-27 que devemos, no curso da nossa vida cristã, nos abster de determinadas coisas, que não são necessariamente ruins, em prol do resultado da nossa caminhada, da carreira que nos propusemos.

O texto é esse abaixo:

24 Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis.
25 E todo aquele que luta de tudo se abstém; eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, uma incorruptível.
26 Pois eu assim corro, não como a coisa incerta; assim combato, não como batendo no ar.
27 Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado.

Semelhantemente, meu propósito de fazer vestibular, e ainda que eu venha a não passar, seja que razão for, me estimula a, seguindo as palavras do apóstolo Paulo, me abster de algumas coisas, momentaneamente, de modo a tentar obter vitória nesse objetivo que estabeleci.

Certamente prefiro gastar meu tempo livre jogando videogames, vendo filmes ou seriados televisivos, que são meus hobbies, ou mesmo fazendo qualquer outra coisa do que estudar, e estudar matérias de escola.

No entanto, se estabeleço uma meta, devo procurar trabalhar para atingí-la, ou estaria dando socos no ar, como diz o texto da Palavra, estaria me esforçando à toa, ou me enganando a mim mesmo.

Como palavra final, àqueles que, como eu, irão prestar vestibular agora no fim do ano, deixo o texto de 1ª Pedro 5:6, 7 que diz:

6 Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte;
7 Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.

Eu entreguei todo o meu cuidado com relação a esse assunto ao Senhor, estou na dependência dele, e, pelo menos por enquanto, curiosamente (devido à minha fraqueza humana, admito), não estou ansioso.

Mas não é só isso.

Como o versículo 6 enfatiza, devemos nos humilhar na presença do Senhor, sabendo que dEle dependemos integralmente, e que é a sua soberania que, finalmente, decidirá se seguimos ou ficamos.

Nos humilhar é admitirmos que não temos o controle de todas as variáveis, nem sequer daquelas que nos cercam (como estudar matéria A ou B), e não significa um entreguismo derrotista ou sentimento pessimista, mas sim uma fé confiante e inabalável em Deus por saber que sua vontade para nossas vidas é boa, perfeita e agradável, e seus propósitos não podem ser frustrados (e isso, definitivamente, não é um mero chavão religioso).

Estou fazendo minha parte, confiando, e espero continuar assim, seja qual for o resultado, porque o meu desejo, finalmente, é estar e permanecer no centro da vontade de Deus (e, quem sabe, cursando Direito no ano que vem ;)).

Deus nos abençoe.

Cicatrizes

Ontem estávamos Sarinha e eu brincando com algumas de minhas muitas cicatrizes.

Todas as que lembrei, e pude contar (numericamente falando), contei a ela como tinha conseguido.

Tenho três no rosto, sendo uma no queixo, uma no lábio superior e outra embaixo do lábio inferior, uma na mão esqueda, outra no punho esquerdo, outra no pé direito, e a lista vai embora…

Contei das quedas, do espinheiro, do muro chapiscado, do atropelamento e até do caco de telha que cruzei em um jogo de futebol na adolescência.

É interessante porque fiquei, hoje, meditando sobre isso.

As cicatrizes são marcas causadas em um instante de dor, e embora essa dor vá embora com o tempo, dificilmente conseguiremos esquecer por completo aquilo que passamos pois aquela marca estará sempre lá para nos lembrar do que aconteceu.

No entanto, confesso que pensei não apenas numa cicatriz física, de pele, que embora em mim não represente algo que me envergonhe, sei que para muitos, devido ao trauma experimentado, e das conseqüências resultantes, pode causar bastante constrangimento e embaraço.

Pensei naquelas pessoas que sofrem experiências de dores tão profundas em suas almas que guardam verdadeiras cicatrizes, marcas indeléveis e que chegam a mudar suas personalidades, moldando-as em pessoas que muitas vezes não gostariam de ser.

Não vou nem entrar no mérito de citar possíveis experiências do gênero, todos nós ou passamos, ou conhecemos alguém que passou, ou pelo menos sabemos identificar alguma experiência capaz de marcar "incuravelmente" uma pessoa.

No entanto, assim como a pele se regenera, se reconstrói, mas muitas vezes precisa de um acompanhamento médico, e em casos especiais até cirurgia, a nossa alma também precisa às vezes de remédio, seja o ombro de um amigo, o conversar com alguém (até com um profissional, pastor ou psicólogo, por exemplo, se for o caso), mas acima de tudo, aquele que nos conhece mais do que qualquer pessoa e é capaz de curar toda dor da nossa alma, pois "ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si".

Este é Jesus, o médico dos médicos, aquele que nos traz a paz uma vez que é o Príncipe da paz.

Somente Jesus pode curar por completo aquela cicatriz, a marca que não quer sair de uma alma enferma e triste.

Podemos confiar a Jesus todos os nossos segredos mais íntimos, aquilo que nos aflige, o que tira a nossa paz.

O remédio para uma alma ferida muitas vezes é amargo como o é um remédio comum, mas o perdão que liberamos, e a graça recebida de Deus através do Espírito Santo nos tornam leves novamente, se não apagando por completo a história de dor sofrida, mas recriando as estruturas necessárias para encontrarmos novamente a felicidade em nossa alma.

Deus nos abençoe.

Gálatas

Terminei de ler esse final de semana o livro de 2º Coríntios, e comecei a ler hoje o livro de Gálatas. Li o primeiro capítulo.

Depois que terminei de ler, inclusive os comentários, porque minha Bíblia é comentada, fiquei pensando em como os gálatas, ou melhor, os judaizantes das igrejas da Galácia, queriam por fina força que os gentios primeiro se judaizassem, ou seja, se submetessem à Lei mosaica, para depois serem cristãos, diminuindo a eficácia, perfeita, do sacrifício salvífico de Cristo na cruz.

Mas não pensei nisso isoladamente. Na verdade fiquei comparando à muitas igrejas pentecostais hoje em dia que querem por fina força determinar quem tem ou não o batismo com o Espírito Santo por causa de uma manifestação específica exterior de um dom, que segundo o próprio apóstolo Paulo, é o menor dos dons, como é o caso do dom de línguas.

Já vi também casos em que simplesmente substituíam o dom acima por outro, como cura ou revelação, mas a idéia continuava a mesma, forçar o cristão a se adaptar a um padrão não contido nas escrituras, mas inventado pela cabeça de alguém.

Isso sem contar, penso agora na hora que escrevo este post, do tanto de igreja hoje tocando shofares, usando túnicas, e até com cópias da arca d’aliança em seus "templos"… Igrejas que pregam o "evangelho" do dinheiro e não da cruz…

Para aqueles da galácia, Paulo alertava que o pregar de um novo evangelho, por ele mesmo ou até por anjos, deveria ser considerado maldição. E para estes que pregam esses desvairios hoje em dia?

Deus nos abençoe.

Fora de moda

Gosto bastante de Legião Urbana. Atirem a primeira pedra, quem de vocês evangélicos religiosos extremistas que nunca ouviram uma música "secular", ou que não gosta de nada que não seja "gospel".

Aliás, no geral, desprezo o "gospel", ou seja, o padrão de música, estilo, palavreado evangeliquês supostamente cristão, mas culturalmente e espiritualmente vazio que temos hoje em dia inundando e infestando nossas igrejas. Mas, deste assunto trato outro dia, em outro post, deixa eu voltar pro que quero dizer.

Ouvindo uma música desse grupo recentemente, me deparei com uma frase que me pareceu interessante: "Afinal, amar ao próximo é tão demodé". A música é Baader-Meinhof Blues, de Dado Villa-lobos, Renato Russo e Marcelo Bonfá, lançada no álbum Legião Urbana, de 1985.

23 anos já se passaram desde o lançamento deste disco e cada vez mais, infelizmente, "amar ao próximo é tão demodé", tão fora de moda. Não, não é algo recente. A letra da música fala, entre outras coisas, de injustiça, e desde sempre há injustiça no mundo. Talvez as coisas só estejam mais explícitas devido à massificação da mídia, e da mesma ter se tornado muito tablóide, passando a explorar cada vez mais as mazelas sociais, ou ainda devido à explosão demográfica experimentada pelo nosso planeta no século 20, onde obviamente, se a população cresce, também crescem a pobreza, injustiças, fome e guerras.

No entanto, pode ser, como sempre foi e provavelmente ainda será por muito tempo, fora de moda amar ao próximo, mas essa tem que ser uma decisão de cada cristão de obedecer ao mandamento de Jesus (o maior mandamento, segundo o mestre), de amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. É um mandamento, não é opcional. Amar não significa ter sentimentos ou emoções em relação a alguém, e eu já postei diversas vezes sobre isso.

Amar significa decisão e ação, e decididamente, embora esteja fora de moda agir em prol, em favor de alguém que passe por injustiça, por alguém com fome, alguém que pode até não merecer, mas não deixa de ser nosso próximo mesmo assim, é agora, e cada dia mais que amar ao próximo se torna necessário.

É difícil, não apenas por ser fora de moda, ser "brega" amar ao próximo, mas porque envolve uma dose muito grande de sacrifício. Nenhuma oferta sacrificial é fácil, e essa não seria diferente. Mas, vale a pena.

Encerrando meu post, conclamo a todos nós, a começar por mim (seriously), a amarmos nossos próximos, com alegria, sacrificialmente, obedecendo ao Senhor Jesus que fez isso perfeitamente, e nos deixou sua vida como exemplo, por ter morrido em amor de nós, quando ainda éramos rebeldes ao seu amor. Como vi em um outro blog na Internet quando estava pesquisando sobre essa música, amar ao próximo nunca será demodé, pelo menos para nós cristãos. Amar ao próximo deve ser "fashion", se me permitem o trocadilho.

Deixo o texto de Mateus 25:31-46 para nossa reflexão. Deus nos abençoe.

31 E quando o Filho do homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória;
32 E todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas;
33 E porá as ovelhas à sua direita, mas os bodes à esquerda.
34 Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo;
35 Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me;
36 Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me.
37 Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber?
38 E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos?
39 E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te?
40 E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.
41 Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos;
42 Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber;
43 Sendo estrangeiro, não me recolhestes; estando nu, não me vestistes; e enfermo, e na prisão, não me visitastes.
44 Então eles também lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou estrangeiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos?
45 Então lhes responderá, dizendo: Em verdade vos digo que, quando a um destes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a mim.
46 E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna.

O belo: ao natural

Eu tenho que admitir, sou um homem ao modo antigo, pelo menos em parte.

Às vezes penso que tenho o gosto estranho. Não sei. Talvez, admito, mas segundo meu gosto pessoal o que me é mais belo é quase sempre o mais natural, o menos modificado, o mais intacto e intocado.

Particularmente, e pra não ficar divagando entre tantas coisas que prefiro natural ao artificial, vou resumir a um item, o cabelo. Eu sinceramente me considero o inimigo número um de chapinhas, pranchas e demais artefatos utilizados para alisar os cabelos.

Aliás, quem foi que disse que cabelo liso e escorrido deve ser o padrão de beleza? Por que não termos vários padrões de beleza capilar, ou mesmo uma bela diversidade de estilos? A propósito, cabelo liso não combina com todo mundo mesmo!

Tão bonitos são os cabelos cacheados, ondulados, tá, os lisos também, e até os crespos, desde que originais das pessoas que os têm.

Houve épocas em que fazia-se de tudo para se deixar o cabelo ondulado, hoje a moda é deixá-los lisos, lisíssimos, e assim vemos as mulheres penando (e pagando caro, inclusive financeiramente, pelo próprio sofrimento) nos salões de beleza, gastando horas do seu tempo, passando todo tipo de produto químico (como por exemplo formol, que serve para preservar cadáveres!) sem a menor noção se aquilo tem conseqüências a longo prazo, tanto nos cabelos, no couro cabeludo, ou mesmo na saúde do restante da cabeça e do corpo, para tentarem se ajustar a um perfil que elas mesmos elegeram.

Cá entre nós, fico pensando e me pergunto, será que elas fazem isso por nós homens, ou por elas próprias. Por que se me perguntarem digo veementemente: Não façam! Eu não gosto de cabelo artificial, e comigo fazem coro muitos homens que, como eu, se assustam com os penteados das mulheres que passam pela gente nos shoppings da vida, só pra citar um exemplo. A beleza de um cabelo natural é infinitamente maior do que a de um cabelo "geneticamente modificado".

Esse post foi quase todo "sobre cabelo", mas considerando minha primeira frase, eu generalizo para quase tudo que nos rodeia, mas é melhor parar por aqui que a polêmica já foi suficiente.

E há quem diga que é o Espírito Santo

Alguns anos atrás eu conheci uma senhora, que não vem ao caso dizer quem é, e estávamos juntos vendo TV quando apareceu um programa de um pastor da Igreja Batista da Lagoinha onde diversas pessoas agiam como animais, se arrastavam e debatiam no chão, e tudo, segundo eles "motivados" ou pela "ação do Espírito Santo" de Deus.

Eu, horrorizado, de pronto rebati o que o tal "pastor" dizia, no meu caso afirmando que aquilo estava muito mais para devaneio pessoal e individual de cada um ali, e podendo chegar até ao máximo de uma possessão demoníaca, pela forma que alguns se portavam, mas nunca a ação do doce Consolador.

A senhora, pentecostal doente, bradou que não, que aquilo era obra do Espírito Santo e ficamos naquele embate, obviamente infrutífero, por alguns instantes.

Por que estou escrevendo sobre isso? Hoje alguém publicou um tópico na minha comunidade do Orkut falando sobre uma "unção do cachorro", onde pessoas latiam e tudo mais, e colocou um enlace para um vídeo que segue abaixo.

http://www.godtube.com/view_video.php?viewkey=c721f6fc8a6aa6665a78

Não quero aqui discorrer detalhada e exaustivamente sobre a atuação do Espírito Santo, mas gostaria de pontuar algumas coisas, começando por trazer à memória alguns textos bíblicos de bastante interesse:

Marcos 5:1-15

1 E chegaram ao outro lado do mar, à província dos gadarenos.
2 E, saindo ele do barco, lhe saiu logo ao seu encontro, dos sepulcros, um homem com espírito imundo;
3 O qual tinha a sua morada nos sepulcros, e nem ainda com cadeias o podia alguém prender;
4 Porque, tendo sido muitas vezes preso com grilhões e cadeias, as cadeias foram por ele feitas em pedaços, e os grilhões em migalhas, e ninguém o podia amansar.
5 E andava sempre, de dia e de noite, clamando pelos montes, e pelos sepulcros, e ferindo-se com pedras.
6 E, quando viu Jesus ao longe, correu e adorou-o.
7 E, clamando com grande voz, disse: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? conjuro-te por Deus que não me atormentes.
8 (Porque lhe dizia: Sai deste homem, espírito imundo.)
9 E perguntou-lhe: Qual é o teu nome? E lhe respondeu, dizendo: Legião é o meu nome, porque somos muitos.
10 E rogava-lhe muito que os não enviasse para fora daquela província.
11 E andava ali pastando no monte uma grande manada de porcos.
12 E todos aqueles demônios lhe rogaram, dizendo: Manda-nos para aqueles porcos, para que entremos neles.
13 E Jesus logo lho permitiu. E, saindo aqueles espíritos imundos, entraram nos porcos; e a manada se precipitou por um despenhadeiro no mar (eram quase dois mil), e afogaram-se no mar.
14 E os que apascentavam os porcos fugiram, e o anunciaram na cidade e nos campos; e saíram muitos a ver o que era aquilo que tinha acontecido.
15 E foram ter com Jesus, e viram o endemoninhado, o que tivera a legião, assentado, vestido e em perfeito juízo, e temeram.

Sobre esse trecho, em comparação com o vídeo que acabamos de ver, e com a história que contei:

1) quem transtorna o comportamento das pessoas são espíritos imundos, demônios, ou uma legião deles, como vemos no texto, e não o Espírito de Deus;

2) uma vez que a pessoa que está neste estado lastimável tem um encontro com Jesus, acontece o contrário do que vimos no vídeo, ou seja, a pessoa recobra os sentidos, como vemos no verso 15;

3) Deus, muito menos seu Santo Espírito, tem prazer em fazer chacota com seus filhos.

Nessa mesma linha, podemos ver também o texto de Mateus 17:14-21, que conta a história de um rapaz com comportamento semelhantemente bizarro.

No entanto, há quem diga que é o Espírito Santo fazendo essas coisas. Será? Vejamos outro texto interessante:

Daniel 4:10-37

10 Eis, pois, as visões da minha cabeça, estando eu na minha cama: Eu estava assim olhando, e vi uma árvore no meio da terra, cuja altura era grande;
11 Crescia esta árvore, e se fazia forte, de maneira que a sua altura chegava até ao céu; e era vista até aos confins da terra.
12 A sua folhagem era formosa, e o seu fruto abundante, e havia nela sustento para todos; debaixo dela os animais do campo achavam sombra, e as aves do céu faziam morada nos seus ramos, e toda a carne se mantinha dela.
13 Estava vendo isso nas visões da minha cabeça, estando eu na minha cama; e eis que um vigia, um santo, descia do céu,
14 Clamando fortemente, e dizendo assim: Derrubai a árvore, e cortai-lhe os ramos, sacudi as suas folhas, espalhai o seu fruto; afugentem-se os animais de debaixo dela, e as aves dos seus ramos.
15 Mas deixai na terra o tronco com as suas raízes, atada com cadeias de ferro e de bronze, na erva do campo; e seja molhado do orvalho do céu, e seja a sua porção com os animais na erva da terra;
16 Seja mudado o seu coração, para que não seja mais coração de homem, e lhe seja dado coração de animal; e passem sobre ele sete tempos.
17 Esta sentença é por decreto dos vigias, e esta ordem por mandado dos santos, a fim de que conheçam os viventes que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens, e o dá a quem quer, e até ao mais humilde dos homens constitui sobre ele.
18 Este sonho eu, rei Nabucodonosor vi. Tu, pois, Beltessazar, dize a interpretação, porque todos os sábios do meu reino não puderam fazer-me saber a sua interpretação, mas tu podes; pois há em ti o espírito dos deuses santos.
19 Então Daniel, cujo nome era Beltessazar, esteve atônito por uma hora, e os seus pensamentos o turbavam; falou, pois, o rei, dizendo: Beltessazar, não te espante o sonho, nem a sua interpretação. Respondeu Beltessazar, dizendo: Senhor meu, seja o sonho contra os que te têm ódio, e a sua interpretação aos teus inimigos.
20 A árvore que viste, que cresceu, e se fez forte, cuja altura chegava até ao céu, e que foi vista por toda a terra;
21 Cujas folhas eram formosas, e o seu fruto abundante, e em que para todos havia sustento, debaixo da qual moravam os animais do campo, e em cujos ramos habitavam as aves do céu;
22 És tu, ó rei, que cresceste, e te fizeste forte; a tua grandeza cresceu, e chegou até ao céu, e o teu domínio até à extremidade da terra.
23 E quanto ao que viu o rei, um vigia, um santo, que descia do céu, e dizia: Cortai a árvore, e destruí-a, mas o tronco com as suas raízes deixai na terra, e atada com cadeias de ferro e de bronze, na erva do campo; e seja molhado do orvalho do céu, e a sua porção seja com os animais do campo, até que passem sobre ele sete tempos;
24 Esta é a interpretação, ó rei; e este é o decreto do Altíssimo, que virá sobre o rei, meu senhor:
25 Serás tirado dentre os homens, e a tua morada será com os animais do campo, e te farão comer erva como os bois, e serás molhado do orvalho do céu; e passar-se-ão sete tempos por cima de ti; até que conheças que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens, e o dá a quem quer.
26 E quanto ao que foi falado, que deixassem o tronco com as raízes da árvore, o teu reino voltará para ti, depois que tiveres conhecido que o céu reina.
27 Portanto, ó rei, aceita o meu conselho, e põe fim aos teus pecados, praticando a justiça, e às tuas iniqüidades, usando de misericórdia com os pobres, pois, talvez se prolongue a tua tranqüilidade.
28  Todas estas coisas vieram sobre o rei Nabucodonosor.
29 Ao fim de doze meses, quando passeava no palácio real de babilônia,
30 Falou o rei, dizendo: Não é esta a grande babilônia que eu edifiquei para a casa real, com a força do meu poder, e para glória da minha magnificência?
31 Ainda estava a palavra na boca do rei, quando caiu uma voz do céu: A ti se diz, ó rei Nabucodonosor: Passou de ti o reino.
32 E serás tirado dentre os homens, e a tua morada será com os animais do campo; far-te-ão comer erva como os bois, e passar-se-ão sete tempos sobre ti, até que conheças que o Altíssimo domina sobre o reino dos homens, e o dá a quem quer.
33 Na mesma hora se cumpriu a palavra sobre Nabucodonosor, e foi tirado dentre os homens, e comia erva como os bois, e o seu corpo foi molhado do orvalho do céu, até que lhe cresceu pelo, como as penas da águia, e as suas unhas como as das aves.
34 Mas ao fim daqueles dias eu, Nabucodonosor, levantei os meus olhos ao céu, e tornou-me a vir o entendimento, e eu bendisse o Altíssimo, e louvei e glorifiquei ao que vive para sempre, cujo domínio é um domínio sempiterno, e cujo reino é de geração em geração.
35 E todos os moradores da terra são reputados em nada, e segundo a sua vontade ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem possa estorvar a sua mão, e lhe diga: Que fazes?
36 No mesmo tempo tornou a mim o meu entendimento, e para a dignidade do meu reino tornou-me a vir a minha majestade e o meu resplendor; e buscaram-me os meus conselheiros e os meus senhores; e fui restabelecido no meu reino, e a minha glória foi aumentada.
37 Agora, pois, eu, Nabucodonosor, louvo, exalço e glorifico ao Rei do céu; porque todas as suas obras são verdade, e os seus caminhos juízo, e pode humilhar aos que andam na soberba.

Aqui vemos Deus fazendo coisa "parecida" ao mostrado no vídeo ao Rei Nabucodonosor. No entanto, é importante ressaltarmos as diferenças para que não apareça alguém dizendo que o que tem no vídeo é obra do Espírito Santo:

1) Nabucodonosor recebe não uma "unção" como dizem essas pessoas do vídeo, e os pentecostais que acreditam neste tipo de coisa, e sim um castigo de Deus por sua soberba. Tanto que ao final do texto o próprio Rei reconhece sua insensatez e se converte do seu pecado, recobrando o juízo;

2) o que aconteceu com Nabucodonosor não foi estar, temporariamente, semelhante a um animal. O texto diz que ele "virou" um animal, na medida que passou a comer ervas do campo como um boi, e até os pelos lhe cresceram a ponto de serem confundidos com penas de águias. Isso definitivamente não vemos acontecer no vídeo e em outras situações do gênero.

Caminhando para o final desse post, penso que isso que a gente pode ver no vídeo não é obra do Espírito Santo. O Espírito Santo que habita em mim, e em todo cristão, opera o poder transformador de Deus no sentido de mudar a velha criatura em alguém semelhante a Cristo, não a um animal. O Deus que nos ama não utiliza desse recurso com seus filhos, e "sim" (olhe lá que é um caso excepcional, e não a regra) com ímpios. Não creio, particularmente, que boa parte dessas manifestações sejam sobrenaturais, mas sim frutos de uma mente doente, perturbada, em grande parte, pela fé e crença em doutrinas deturpadas, em um "deus" que não é o Senhor Deus dos Exércitos, em um pseudo-evangelho que exalta o homem, a criatura, e não o criador.

Finalizando, deixo para reflexão os textos abaixo.

1º Coríntios 12:1-11

1 Acerca dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes.
2 Vós bem sabeis que éreis gentios, levados aos ídolos mudos, conforme éreis guiados.
3 Portanto, vos quero fazer compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus diz: Jesus é anátema, e ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor, senão pelo Espírito Santo.
4 Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo.
5 E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo.
6 E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos.
7 Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil.
8 Porque a um pelo Espírito é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência;
9 E a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar;
10 E a outro a operação de maravilhas; e a outro a profecia; e a outro o dom de discernir os espíritos; e a outro a variedade de línguas; e a outro a interpretação das línguas.
11 Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer.

1º João 4:1 Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo.

Mateus 24:23,24

23 Então, se alguém vos disser: Eis que o Cristo está aqui, ou ali, não lhe deis crédito;
24 Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos.

Grifo meu. Somente ao Pai sejam dados toda honra, toda glória, todo louvor e todo domínio para sempre. Deus nos abençoe.