Andar de caiaque–uma metáfora da nossa vida cristã

Ontem fui andar de caiaque na beira-mar com uns amigos da igreja e não pude deixar de perceber a semelhança do que passamos ali com nossa vida cristã, e por isso resolvi escrever algumas coisas que me vieram à cabeça.

A primeira coisa que pensei foi nas pessoas com quem caminhamos, com quem trilhamos a nossa vida cristã. Estávamos em quatro, dois em cada caiaque. Escolhemos ao acaso quem iria com quem, não havia uma preferência pessoal, ou uma ordem predeterminada, e isso me deixou pensando em que pessoas entram na nossa vida de maneira que não esperamos, de maneira totalmente ‘aleatória’, e quem escolhemos ou mesmo sem escolhermos caminha conosco mais de perto, como a amiga que estava no mesmo caiaque que eu, ou não tão próximo, como os outros dois que estavam no outro caiaque.

A segunda coisa que pensei foi que às vezes as pessoas mais importantes na nossa caminhada cristã só aparecem depois que remamos um bocado, não são aquelas que nos levaram inicialmente a Cristo, ou aquelas com quem começamos a caminhada, como uma amiga minha que é a mais próxima dos que foram comigo, e só apareceu depois, não chegou à tempo do começo do passeio.

Pensei ainda que a nossa caminhada cristã é cheia de obstáculos, como o passeio de caiaque, seja manter o equilíbrio, em ambos os casos, tentando não cair, seja as adversidades iniciais de vencer as primeiras ondas, seja nossa inexperiência com o que estávamos fazendo, ou tantas outras que podem frustrar nosso passeio.

Além disso, como na vida em geral, o passeio de caiaque é uma analogia que nos permite ver que quando estamos cansados, mas possuímos alguém que nos ajude a remar, tudo fica mais fácil. Estávamos em quatro, e dois a dois íamos nos revezando para vencermos a distância e a corrente. Já uma amiga que estava só tinha bem mais dificuldade de progredir, e isso é bem parecido com o que acontece conosco se tentamos seguir nossa caminhada com Cristo sem o apoio dos irmãos, ficaremos bem mais sucetíveis a desanimar, a nos cansarmos, perder o fôlego e o foco.

Outra coisa pude aprender do nosso passeio, no decorrer da nossa vida, pessoas vem e vão, como um pessoal conhecido que passou num caiaque de três e deu um alô e foram embora. Pensei que às vezes podemos passar mais tempo com essas pessoas, mas por razões que talvez não compreendamos, por mais que façamos algo positivo, ou as impactemos de maneira cristã, elas se desviarão do caminho, ou ainda sairão do nosso convívio indefinidamente ou de maneira definitiva.

Aprendi ainda que há momentos em nossa caminhada que precisamos parar para descansar, e apenas nos “jogar no mar” e curtir o passeio, curtir aquilo que Deus tem feito por nós. São momentos como esse que nos permitem recuperar nossas forças, nossa energia, para voltarmos à caminhada com todo o gás.

Por outro lado, no caiaque, quando paramos de remar, fosse para descansar, fosse para curtir o mar, sentíamos a correnteza nos levando embora e isso me lembrou da metáfora da escada rolante, em que se ficarmos parados começamos a descer, e assim é na nossa vida cristã, que se não estivermos constantemente remando, seremos levados na direção oposta da que gostaríamos de chegar, seremos levados pela maré.

Aliás, a própria correnteza me lembra de que constantemente andamos na contra cultura do sistema, do “mundo”, e devemos remar para nos mantermos na direção certa, e isso demanda esforço, e muito, concentração, e perseverança. Não adianta darmos aquele gás inicial e depois ficarmos cansados demais para continuar remando e então sermos levados pela correnteza dos problemas desta vida. Devemos ser firmes e constantes, sabendo a direção que nos propusemos seguir.

Pensei também que às vezes temos que carregar pessoas nas nossas costas, porque elas precisam, ou simplesmente porque elas dependem de nós, ou ainda porque elas se encostam na gente meio que tirando vantagem da nossa situação. Não apenas isso, algumas vezes pessoas próximas de nós estarão se afogando ao nosso redor, ou precisando do nosso apoio para se reerguerem, para subirem novamente no caiaque depois de uma queda no mar.

Por último lembro da alegria que foi quando chegamos ao final do nosso passeio, exaustos, molhados, após levarmos chuva, mas felizes pela companhia, pelo passeio, pela vista da natureza e da cidade apreciada pelo mar. Nenhuma dificuldade desta vida se compara às alegrias que temos ainda nesta vida em companhia dos irmãos, e muito menos à esperança da glória que há por vir quando chegarmos finalmente ao nosso destino final, o céu, para estarmos eternamente na presença de Jesus.

Deus nos abençoe.

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Eu aceitei a Jesus(?), e agora?

Escrevi o texto abaixo como uma mensagem que eu levaria ao meu grupo pequeno esta última terça feira. Como fiquei doente acabei adiando a entrega da mesma para outro dia para a galera, mas resolvi entragá-la por aqui também, quem sabe Deus não trabalha através dela de alguma outra forma. Não pretendi responder nenhuma das perguntas polêmicas que levantaram no meu grupo, e que me motivou a escrever esse texto, como perda da salvação, santificação, arrebatamento, quem vai, quem fica. Pensei em voltar às raízes, à origem, ao básico. Espero ter conseguido, e ter sido simples o suficiente.

Deus nos abençoe.

Texto base: Lucas 3:7-16

Dizia, pois, João à multidão que saía para ser batizada por ele: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira que está para vir?

Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento, e não comeceis a dizer em vós mesmos: Temos Abraão por pai; porque eu vos digo que até destas pedras pode Deus suscitar filhos a Abraão.

E também já está posto o machado à raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não dá bom fruto, corta-se e lança-se no fogo.

E a multidão o interrogava, dizendo: Que faremos, pois?

E, respondendo ele, disse-lhes: Quem tiver duas túnicas, reparta com o que não tem, e quem tiver alimentos, faça da mesma maneira.

E chegaram também uns publicanos, para serem batizados, e disseram-lhe: Mestre, que devemos fazer?

E ele lhes disse: Não peçais mais do que o que vos está ordenado.

E uns soldados o interrogaram também, dizendo: E nós que faremos? E ele lhes disse: A ninguém trateis mal nem defraudeis, e contentai-vos com o vosso soldo.

E, estando o povo em expectação, e pensando todos de João, em seus corações, se porventura seria o Cristo,

Respondeu João a todos, dizendo: Eu, na verdade, batizo-vos com água, mas eis que vem aquele que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de desatar a correia das alparcas; esse vos batizará com o Espírito Santo e com fogo.

Você já pensou em si próprio como uma víbora? Víbora é uma mistura de cobra com lagarto e é um animal que é peçonhento. Mas por que João usou uma figura de um animal tão repugnante para referir-se às pessoas a quem pregava?

Creio que o mundo precisa de novos João Batistas, pessoas que tenham a coragem de por o dedo na ferida e pressionar até sair o pus, aquilo que não presta, até porque a ferida somente pode ser curada se primeiro sair toda imundície e creio que esta é uma anologia válida para o modo de evangelizar de João Batista.

João Batista não apelava para sentimentalismos, discursos prontos, doutrinas ou teologias mirabolantes; não, ele apenas dizia aquilo que era a mais pura verdade, doesse a quem doesse, verdade vinda direto da parte de Deus, que todos somos pecadores, e que precisamos urgentemente nos arrepender do mal que fazemos, nos converter da vida distante de Deus, vida independente do Pai que levamos, para uma vida de relacionamento íntimo e pessoal com Ele.

Mas talvez você nunca tenha tido algum João Batista em sua vida para te dizer que você é pecador, então deixe-me fazer essa pergunta, você sabe que você é pecador? Sim, isso mesmo, você é pecador. Aliás, infelizmente você, eu, todos somos pecadores. A Bíblia fala a esse respeito em várias passagens, entre as quais:

Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; Romanos 3:23

Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram. Romanos 5:12

Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós. 1 João 1:8

Se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós. 1 João 1:10

Esses versículos podem ter te feito pensar “poxa, porque Adão pecou, eu sou pecador? Isso não me parece justo”, então pense comigo, será que você, independente do que Adão fez, nunca pecou? Você tem alguma razão em pensar assim, tanto que Deus mesmo já tinha dito que cobraria o pecado apenas de quem tivesse pecado:

Então disse o SENHOR a Moisés: Aquele que pecar contra mim, a este riscarei do meu livro. Êxodo 32:33.

O problema então é, ninguém, à exceção de Jesus, ficou sem pecar. Simplesmente não conseguimos. É uma questão que parece ser genética, carregada no nosso DNA, a nossa inclinação para o mal, conforme Romanos 8:7:

Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser.

Mas você pode pensar consigo “ora, eu sou gente boa…” Bem, não vou nem considerar o fato de que o próprio Jesus disse que bom, somente o Pai que está nos céus (Marcos 10:18). Talvez você realmente não tenha a noção do que seja pecado, então deixe-me explicar em poucas palavras.

Pecado é tudo aquilo que desagrada a Deus, que ofende a sua santidade, que foge do seu propósito, um desvio do alvo e do plano estabelecidos por Deus para nossa vida. Mas isso pode parecer ainda muito genérico e abstrato, então vamos tentar explicar melhor, pecado é a demonstração de independência de Deus, de que não precisamos dEle, de que somos auto-suficientes. Melhorou?

Ainda nesse ponto do pecado, você pode se questionar “mas eu nem peco tanto assim, meus pecados nem são tão graves…” Bem, vamos por partes. Pense que o pecado ofende a santidade de Deus. Agora pense no seguinte aspecto, pense que alguém fez algo que te desagradou, que te ofendeu. Lembre-se de como você se sentiu a respeito. Agora lembre-se que você, como essa pessoa, também é ser humano, também é falho, também está sujeito a erros, e talvez você mesmo já desapontou, já ofendeu essa pessoa. Agora imagine que Deus nunca falhou. Deus nunca errou. Deus é perfeito. Como se sentirá uma pessoa que é perfeita quando alguém falha com Ele? O que Deus pensa quando desobedecemos a Ele, quando nos orgulhamos em nós mesmos e fugimos de sua presença, fazemos coisas que muitas vezes são abomináveis aos nossos próprios olhos mortais e pecadores, imagine aos seus santos olhos?

Agora quanto à gravidade do seu pecado. Não vemos na Bíblia distinção entre “pecadinho” ou “pecadão”; existem pecados, e para Deus todos são igualmente ofensivos à sua santidade, apesar de que em sociedade sabemos que as consequencias são diferentes entre diferentes pecados. Isso não serve para justificar ou como consolo para você achar que peca pecados menores, por serem “socialmente aceitáveis”, como uma mentirinha aqui e acolá, por exemplo, enquanto outro, segundo a sua lógica, esse sim é um pecador porque adulterou ou matou alguém. Sinto muito te informar que você é tão pecador quanto ele, alias, nós somos, eu me incluo nessa, tão pecadores quanto um pedófilo, um estuprador, um assassino, um corrupto, uma prostituta. O nosso pecado ofende a Deus tanto quanto o pecado deles e em termos espirituais é isso que importa. Sobre esse aspecto, consultemos novamente as Escrituras:

Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las. Gálatas 3:10

A Bíblia nesse ponto é bem clara, e acho que posso encerrar esse ponto acerca do pecado aqui, se você errou uma vírgula da Lei, e não falo das leis e constituições humanas, mas da Lei de Deus, seja qual tenha sido seu erro, você é maldito, inescusável, e não tem, por condição própria, como chegar-se à presença de um Deus santo que abomina o pecado.

Tendo estabelecido que somos, todos, pecadores, resta-nos saber qual a consequencia do nosso pecado. A Bíblia fala em Romanos 6:23:

Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor.

É isso mesmo, o resultado do nosso pecado, ainda que tenha sido apenas uma mentirinha uma única vez na vida, e não foi, eu sei que na minha vida não foi e tenho quase certeza que na sua também não terá sido, é a morte. E morte aqui não significa apenas a morte física, pela qual todos haveremos de passar. Morte aqui é a morte espiritual, morte eterna, eterna separação de Deus. Essa é a verdadeira morte. E não estou entrando aqui nem no assunto do inferno, lago de fogo, choro e ranger de dentes e tantas outras expressões utilizadas no decorrer da Bíblia para expressar esse lugar e estado de completa desolação e desespero. Não é o escopo dessa mensagem, mas apenas queria deixá-lo com essa imagem, de que a morte que o pecado nos leva é a pior de todas as possíveis mortes, o pior de todos os sofrimentos, que é a ausência por toda a eternidade do amor, do carinho, do consolo, do conforto, do cuidado do nosso Pai amoroso. Essa é a morte a que se refere esse texto, ainda que com todas as outras consequencias que apenas mencionei, uma morte que sem Jesus todos irão experimentar.

Mas, boa notícia! Como terminei o parágrafo anterior, sabendo da nossa condição de pecadores, e do destino que nos aguarda, a morte, a separação eterna de Deus, podemos finalmente perceber e reconhecer que precisamos de ajuda, e urgente, e eficiente, algo que seja capaz de nos livrar desse tão terrível destino. Como já vimos, o salário do pecado é a morte, mas como um Deus santo, uma vez ofendido, poderia aceitar o pedido de desculpas de alguém como eu, pecador? Cada vez que eu me achegasse à sua presença para pedir perdão por um pecado, traria em minhas vestes as manchas de tantos outros pecados que ofenderia ainda mais o Senhor, o fedor do meu pecado traria repugnância às suas santas narinas. Seria impossível que minha própria morte ou qualquer outra coisa pudesse pagar o preço do meu pecado, e isso vale também para qualquer outra pessoa nesta terra pois somos todos pecadores, todos falhos.

No Antigo Testamento, a Lei estabelecia que para cada pecado de alguém, deveria ser oferecido em sacrifício um animal puro, perfeito, sem manchas ou defeitos. Esse animal tinha o caráter expiatório onde sobre ele era lançado o pecado da pessoa. O problema é que constantemente pecamos, sendo assim teríamos que diariamente oferecer sacrifícios pedindo o perdão de nossos pecados, e isso era o que acontecia até que Jesus veio a este mundo. Além disso, a própria Bíblia nos esclarece em Gálatas 3:24 que a Lei era apenas uma sombra das coisas por vir, como uma babá que cuida de nós enquanto não podemos andar com nossas próprias pernas:

De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados.

A lei era algo temporário, conforme Gálatas 3:19:

Logo, para que é a lei? Foi ordenada por causa das transgressões, até que viesse a posteridade a quem a promessa tinha sido feita; e foi posta pelos anjos na mão de um medianeiro.

E ainda Gálatas 3:25:

Mas, depois que veio a fé, já não estamos debaixo de aio.

Na verdade, a Lei não salvava ninguém, nem podia; apenas apontava para o pecado do homem e a necessidade da graça de Deus em seu próprio Filho prometido desde Gênesis 3:15. Ainda sobre esse tema vemos em Gálatas 2:16:

Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada.

Aliás, recomendo a todos a leitura em profundidade desta carta de Paulo que nos explica “por A mais B” o porque da antiga aliança, a Lei, ser insuficiente para salvar-nos, pelo que dependemos unicamente de Cristo, aquele cujo sacrifício na cruz foi perfeito e suficiente (João 19:30).

Vimos, portanto, que Jesus é o ministro da nova aliança, um pacto pelo qual pela fé no Filho de Deus somos feitos Filhos do Pai, conforme João 1:12:

Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome.

Apenas pela fé, não carecendo de obras prévias para cativar Deus ou ganhar seu favor, conforme Efésios 2:8,9:

Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.

É graça, favor imerecido, algo que nunca poderíamos conquistar por esforço ou mérito pessoal, mas pelo esforço e mérito de Cristo.

Continuando, a nossa salvação se opera em nós ao crermos em Cristo, recebendo-O como Senhor e Salvador em nossas vidas, e aqui quero só deixar um aviso aos navegantes. Muitos dizem acreditar em Jesus. Muito bem, mas a Bíblia fala em Tiago 2:19 o seguinte:

Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o crêem, e estremecem.

E nós que muitas vezes não acreditamos, ou até dizemos acreditar mas não temos o menor respeito, não trememos frente ao poderoso nome do Filho de Deus? O negócio é que quando a Palavra fala em Romanos 10:9:

A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.

as pessoas pensam que ocorre um fenômeno paranormal como passe de mágica que lhes permite sair por aí com a mesma vida que levavam antes de conhecer a Jesus. Pensam

ah, eu cri em Jesus, então estou garantido

De fato, ao pé da letra, até estaria mesmo, se isso for verdade. Mas será que realmente essa pessoa creu em Jesus? Crer, na Palavra de Deus, nunca significou “apenas” acreditar. Crer na Bíblia significa confiar, depender completamente, entregar o controle remoto da nossa vida a Jesus. Isso sim é crer, então eu pergunto, quem tem esse tipo de pensamento será que um dia realmente creu em Jesus? Penso que não. Romanos 7 mesmo nos afirma, nas palavras de Paulo, que nossa luta diária contra o pecado leva-nos muitas vezes a derrotas, onde acabamos pecando. Mas mesmo que isso seja uma coisa corriqueira, duas coisas me fazem crer que existe uma diferença significativa entre o santo pecador, ou seja, o filho de Deus que ainda cai em pecado, e aquele que nunca foi salvo por Cristo Jesus, mas pensa que sim, e demonstra pelas suas ações que isso nunca aconteceu de verdade.

A primeira é um coração arrependido, arrasado mesmo por ter entristecido o Espírito que habita em seu interior, por haver ofendido o Pai. Davi é um exemplo clássico desse comportamento. Quem olha para a vida de Davi não tem como não ver um cara que pecava constantemente, e não só isso, mas pecados considerados por nós como “pecadões”, como o adultério e o homicídio. Mas o mesmo Davi foi chamado de homem segundo o coração de Deus, e o que a Palavra de Deus nos ensina a esse respeito é que Davi não escondia do Senhor o seu pecado, antes reconhecia sua falha, pedia perdão honestamente a Deus, e tentava mudar de comportamento. O santo pecador, aquele que foi salvo por Jesus verdadeiramente, mas luta diariamente contra o pecado e sofre pesadas baixas, é aquele que embora peque, não sente prazer em continuar pecando, não fica feliz em desagradar ao Pai, faz o seu possível para não pecar. Esse é o seu esforço e luta cotidiana. Não é algo que faça para angariar o favor e, eventualmente, uma possível salvação de Deus. É algo que faz em decorrência de ser salvo e não se conformar em continuar como era, em fazer essa desfeita a Deus, o Pai, que o amou de maneira tão pessoal e profunda. Já o falso salvo traça artimanhas para pecar, justifica-se em seu pecado, dificilmente reconhece sua culpa, quando muito “arrepende-se” não do pecado, mas de ter sido pego em flagrante ou da consequência do mesmo. Exemplo desse caso vemos em Saul, o primeiro rei de Israel.

A segunda é baseada nas palavras de Jesus em Mateus 7:16:

Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos?

Pode uma pessoa salva viver somente em pecado? Pode um filho de Deus não estar “nem aí” para o que o Pai pensa? Penso que são comportamentos e estados tão incompatíveis entre si quanto uma figueira dar uvas como frutos. Simplesmente não é natural, não existe. A esse respeito bem fala o apóstolo Paulo em Romanos 6:1,2:

Que diremos pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde? De modo nenhum. Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?

Logo, o testemunho diário do cristão demonstra que ele é de fato de Cristo. Senão vejamos, nas palavras do próprio Mestre:

Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele. João 14:21.

Jesus não especula sobre se a pessoa disse crer nEle, Ele vai direto ao ponto e diz que o que O ama, aquele que é verdadeiramente filho de Deus, é quem obedece a Deus.

Recapitulando, como vemos que alguém é salvo ou não? Pelo coração arrependido e pelos frutos. Aliás, novamente Gálatas nos mostra que tipo de fruto produz o homem e a mulher de Deus e o homem e a mulher que não são de Deus, nos versos 19-22 do capítulo 5, que por ser um texto bastante conhecido, deixarei para consulta posterior.

Vimos até agora que somos pecadores, onde demonstramos claramente a nossa necessidade de salvação externa por meio de Jesus Cristo. Vimos também que não basta acreditar, mas confiar, depender, entregar-se por completo, e produzir frutos que demonstrem essa salvação.

É muito fácil para as pessoas dizerem que recebem a Jesus como Salvador de suas vidas. Quem não gostaria de ter um salvador sabendo que está indo para o inferno? Ninguém em sã consciência diria que não. Já quanto ao Senhorio de Cristo é aí que “o bicho pega”. Quando admitimos finalmente o senhorio de Jesus em nossas vidas isso significa que não mais somos donos do nosso próprio nariz, não somos independentes dEle, muito ao contrário, em tudo pedimos sua orientação, dependemos dEle das coisas mais simples para as mais complexas, entregamos verdadeiramente o controle remoto da nossa vida a Jesus. Nesse ponto eu tenho um pequeno testemunho para contar. Sabe aquele texto de Isaías 6:8 que diz:

Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim.

Eu nunca tinha coragem de dizer esse texto, de confessar essa verdade, morria de medo mesmo de falar isso e Deus me mandar, sei lá, pro Zimbábue. Isso demonstrava pra mim mesmo que eu não dependia completamente do Pai. Foi só no dia que Deus me deu essa compreensão, de que Ele é um Pai amoroso e que quer o nosso melhor, que cuida de nós, que entendi que ao dizer “eis-me aqui”, estou sendo fiel à sua vontade, estou admitindo finalmente que Ele é Senhor em minha vida, estou dependendo e confiando integralmente nEle, e à partir desse dia tive paz em relação a esse texto, e senti mais ainda a filiação com que o Pai me adotou, que se eventualmente Deus efetivamente me mandasse pro Zimbábue esse seria o melhor dEe pra mim e eu não teria porque ter medo.

Quero concluir trazendo somente mais uma verdade a respeito de sermos ou não filhos de Deus, ou como sabemos que de fatos somos seus filhos. A Bíblia nos exorta a desenvolvermos a nossa salvação, conforme Filipenses 2:12:

De sorte que, meus amados, assim como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito mais agora na minha ausência, assim também operai a vossa salvação com temor e tremor.

Desenvolver a salvação não significa que por meios meritórios alcançaremos a salvação. Salvação nesse contexto significa santificação. Foge ao escopo dessa mensagem falar sobre salvação e santificação em detalhes, mas aqueles que são filhos de Deus procuram desenvolver uma vida de comunhão com o Pai e com os irmãos. Assim já diz Hebreus 12:14:

Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor.

A busca pela santificação, pelo arrependimento genuíno, é o que demonstra que somos filhos de Deus. A conversão não é uma mudança de religião, não é uma mudança de credo apenas. Conversão significa mudança de rumo e assim vemos a exortação de Paulo em Efésios 4:28:

Aquele que furtava, não furte mais; antes trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tiver necessidade.

Não se estresse se você continuar com suas lutas pessoais contra o pecado, afinal não adianta ter paranóia a esse respeito, e quem planta esse tipo de sentimento no nosso coração é o diabo e não Deus. Também não desanime. O apóstolo João nos deixa essa exortação em 1 João 2:1:

Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo.

Cristo sabe as dificuldades pelas quais passamos afinal Ele veio a este mundo e experimentou cada uma delas, embora sem ter cedido à tentação. Sendo assim, Ele é mais do que capaz de nos defender frente às acusações no nosso inimigo.

Se você entendeu o que eu tentei explicar da maneira mais simples possível, a diferença entre ser filho e não ser filho, faça essa oração comigo:

Pai, eu reconheço que sou pecador e que meus pecados fazem separação entre mim e Ti. Reconheço também que por essa razão preciso desesperadamente de Jesus em minha vida, como Salvador, mas principalmente como Senhor. Paizinho, eu sei que posso te chamar assim porque a tua Palavra nos diz claramente que Tu nos amou e nos fez teus filhos, por isso te peço, caminha comigo em um relacionamento pessoal e íntimo, não permita que eu volte aos meus erros do passado, mas aqui estou confessando, ainda que mentalmente, meus erros, dificuldades e pecados a Ti, confiando que Tu irás me perdoar e me ajudar a lutar contra eles. Deus, eu não quero ser mais quem eu era, mas admito que não tenho forças por minha própria conta pra mudar essa situação, por isso vem com a tua força na minha fraqueza fazer a diferença. Eu entrego minha vida completamente a Ti, confio em Ti, dependo de Ti. Em nome de Jesus, teu Filho, hoje meu Senhor e Salvador, amém!

Uma lição no começo do livro de Josué

“E cessou o maná no dia seguinte, depois que comeram do fruto da terra, e os filhos de Israel não tiveram mais maná; porém, no mesmo ano comeram dos frutos da terra de Canaã.” Josué 5:12

O maná que o povo de Israel comeu por 40 anos significava o cuidado e a provisão de Deus durante o deserto. Longe de significar que Deus os estava abandonando, não ter mais o maná significou que Deus cumpriu sua promessa de levar o povo a uma terra que produzia leite e mel, ou seja, variedade e abundância!

Isso me lembra algo que experimentei já muitas vezes em minha vida, quando o bom de Deus parece estar acabando em nossas vidas, devemos não reclamar, mas nos preparar porque o melhor de Deus está para chegar! Glória a Deus!

Aliás, "curiosamente", lendo aqui o começo do livro de Josué, vejo como sua vida lembra um bocado a de Moisés. Creio que Deus parece querer confirmar para o povo de Israel e até para ele mesmo que Josué era o escolhido de Deus para aquela obra de liderar o povo no cumprimento da promessa que fora feita a Moisés muitos anos antes.

Isso vejo no episódio da travessia do rio Jordão, onde semelhantemente ao mar Vermelho aberto por Deus por intermédio de Moisés, aqui o Jordão é aberto por intermédio de Josué. Logo depois temos um anjo que diz a ele para descalçar as sandálias, pois a terra onde ele pisa era terra santa, que nos lembra da sarça ardente.

Deus não tem necessariamente que fazer em nossa vida algo que Ele fez na vida de outra pessoa, mas é muito interessante quando Ele resolve fazer assim para nos mostrar algo a seu respeito, ou mostrar algo a outras pessoas a nosso respeito.