Cristianismo, o verdadeiro comunismo

João respondia: "Quem tem duas túnicas reparta-as com quem não tem nenhuma; e quem tem comida faça o mesmo". – Lucas 3:11

O evangelho de Cristo, pregado por si, por seus discípulos, por João Batista, e pelos profetas do Antigo Testamento (sim, pois possui a mesma essência dos princípios dados por Deus por meio da Lei mosaica), é a única realidade verdadeiramente comunista que conheço, pois é a única que manda todos trabalharem e todos usufruírem do fruto do trabalho, sem que haja pessoas explorando economicamente outras, nem pessoas passando necessidades.

O comunismo de Marx, conforme experiência russa, cubana, chinesa e todas as demais só serviu para enriquecer uns em detrimento de outros, ou seja, a diferença com relação ao capitalismo, resumindo muito, é que neste último todos são livres (embora certamente nem todos possuam as mesmas oportunidades) para, por meio de sua iniciativa e criatividade, alcançarem o sucesso e desenvolvimento pessoal, liberdade que é tolhida nos regimes comunistas, cujas oportunidades são disponibilizadas apenas à cúpula governante, aos burocratas, aos membros de alto escalão do partido comunista.

Curiosa experiência, em um país capitalista, de um certo comunismo, talvez por sua histórica relação com sua religião, o judaísmo, também em essência "comunista" como o cristianismo, é a dos assentamentos israelenses, onde todos trabalham, todos estudam, todos participam de modo igual das oportunidades.

Não adianta, olhando o exemplo israelense do qual muito temos a aprender, fazer reforma agrária sem dotar o trabalhador de condições econômicas para plantar, adquirir equipamentos, defensivos, e até conhecimento para gerir o seu negócio.

Seria melhor o governo permanecer dono da terra e prover todos os meios necessários para que aquela terra fosse produtiva, pagando salários aos trabalhadores das terras, e participação nos lucros obtidos após a venda da produção.

Essa me parece uma ideia bem melhor do que garantir aposentadoria rural a quem nunca contribuiu, por exemplo, tornando deficitária a previdência oficial, e penalizando aqueles que contribuem de fato para o sistema; também do que bolsa família no campo, incentivando ao invés do contrário, que mulheres tenham mais e mais filhos sem a menor condição de criá-los, gerando uma massa de indigentes e vagabundos (com o perdão da força da expressão) dependentes do auxílio governamental.

Tem horas que discutir esquerda ou direita não serve ao propósito de Deus de que todos tenham dignidade, a mesma perdida no Eden e que nos é novamente disponibilizada por meio de Cristo Jesus.

Nessas horas, é mais uma questão de quem ganha um argumento, ao invés de quem vai e faz, seja o partido que tome, infelizmente.

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Contentamento e Honestidade

Então alguns soldados lhe perguntaram: “E nós, o que devemos fazer?” Ele respondeu: “Não pratiquem extorsão nem acusem ninguém falsamente; contentem-se com o seu salário”. – Lucas 3:14

Esse texto da Bíblia nos traz um ensinamento muito importante de não sermos gananciosos. A história aqui é a de João Batista que, preparando o caminho para o Mestre, angariou junto de si discípulos de todos os tipos, entre os quais alguns soldados romanos.

Os soldados romanos, que corresponderiam hoje às forças armadas e às forças de segurança pública (polícias em geral), eram compostos tanto de homens nascidos já sob a cidadania romana, tanto quanto de homens que desejavam obter essa cidadania por meio do serviço militar, uma das formas de adquiri-la na época, sendo as patentes mais baixas ocupadas pelos povos de cada região, cabendo apenas aos romanos natos as patentes mais altas. Assim, nesse texto podemos imaginar, com boa chance de razão, que se tratavam de soldados judeus a serviço de Roma.

Historicamente, tanto os soldados quanto os cobradores de impostos (chamados de publicanos, os fiscais e auditores das Receitas estadual e federal da época, por assim dizer) eram extremamente mal vistos pelos demais judeus, que os consideravam traidores da nação, e eram assim marginalizados, destratados, principalmente pelos líderes religiosos, mas também pela população em geral. Colaborava para isso o fato de que ambas as categorias profissionais utilizavam de seu cargo e função para chantagear ou extorquir a população, cobrando das pessoas muito além do que deveriam pagar de imposto ou taxa ao império romano.

Nesse sentido podemos entender melhor a passagem acima que não é uma ode ao comodismo, nem nos exorta a permanecermos inertes em nossas profissões, sem aspiração de crescimento profissional. Ao contrário, somos exortados em diversas outras passagens das Escrituras a dedicarmos tudo que temos ao Senhor, inclusive o nosso trabalho, o suor do nosso esforço, de modo a servir de testemunho àqueles que nos cercam.

De fato, quando dou o meu melhor no trabalho, tenho a possibilidade de propagar a ética que Cristo ensinou, viveu e deixou de exemplo para nós seus seguidores mostrarmos ao mundo. Quando me esforço posso abençoar mais vidas, posso alcançar até posições de liderança e destaque que permitirão que muitas outras pessoas recebam das bençãos com que Deus me abençoa. Um exemplo que me vem claramente à memória é a de Mardoqueu e sua sobrinha, a rainha Ester, cuja história encontramos no livro bíblico de mesmo nome (Ester), que utilizou de sua posição de destaque para salvar todo seu povo da morte.

Voltando, então, ao texto acima, o que João Batista nos ensina é o valor da honestidade, algo que há dois mil anos a sociedade de então já padecia da falta, imagine mesmo hoje em dia onde vemos escândalos e mais escândalos envolvendo desde as funções mais baixas às mais altas, políticos, e infelizmente até pessoas que se dizem líderes religiosos.

Não é pecado aspirar por posições de responsabilidade ou desejar crescer profissionalmente. O problema é como se deseja chegar lá. Se para crescermos como profissionais nós pisamos nos nossos colegas de trabalho ou subalternos, se oferecemos propinas ou nos calamos frente a situações de que deveríamos reclamar, se ignoramos a lei, ou mesmo que não seja algo ilegal, se agimos de modo contrário aquilo que Cristo nos deixou de exemplo, se damos um jeitinho nem sempre honesto, se abrimos mão de valores que sabemos serem os certos para atingirmos um propósito por meio de “gambiarras”, como podemos cobrar que nossos políticos sejam honestos, como podemos reclamar que esse país não vai pra frente?

Infelizmente várias categorias profissionais hoje em dia padecem do mesmo estigma dessas duas citadas, inclusive, infelizmente, as polícias e fiscais são vilões muitas vezes, onde não podemos mais distinguir qual é o profissional honesto do bandido disfarçado. Talvez nessas categorias ainda mais do que em outras precisamos urgentemente de homens e mulheres servos verdadeiros do Senhor que demonstrem com seu caráter irreprovável os valores de Deus para este mundo perdido.

Uma última coisa percebo no texto acima e que tem tudo a ver com o que falei até agora é a questão do agradecimento e generosidade. Um coração agradecido dificilmente (eu diria até impossível mesmo) fica descontente com seu salário ao ponto de abdicar de seus valores para alcançar um maior lucro ou ganho. Um coração generoso sabe que o mais importante é dar, ao invés de receber, e que se dou, até sacrificialmente se for o caso, tantas vidas são abençoadas que meu momentâneo descontentamento só pode ser santo, e nunca chegar ao ponto de praticar algo que vá de encontro aos valores de Deus.

A minha oração hoje, é que Deus nos dê corações agradecidos e generosos em primeiro lugar, de modo a estarmos satisfeitos, contentes com o emprego que temos, até porque muitos que não têm emprego desejariam estar em nosso lugar, com o salário que ganhamos, por menores ou piores que sejam, sabendo que se estamos onde estamos algum propósito Deus tem para nós, e para as pessoas que estão ao nosso redor que podemos ajudar; em segundo lugar nos dê em grande quantidade da virtude da honestidade, de modo que onde quer que cheguemos na nossa vida profissional, a posição que galguemos, tenha sido tudo de modo que tenha abençoado outras vidas, ao invés de maltratado, com o fim de que pelo nosso proceder, pelo nosso trabalhar, vidas tenham sido impactadas pelo evangelho de amor de Deus por nós; e em terceiro lugar que o Pai retire de nós todo espírito de covardia e acomodação, preguiça que nos impede de chegarmos mais longe, de atingirmos com plenitude os propósitos de Deus em nossas vidas, sem os quais muitas vidas deixarão de ser abençoadas, inclusive nós mesmos e aqueles que estão perto de nós.

Deus nos abençoe.

A parábola da bússola

A Bíblia fala sobre o processo de conversão como pré-requisito necessário para a salvação pessoal de cada indivíduo. Mas o que seria essa conversão?

Conversão não significa a mudança de uma religião para outra. Na verdade, gosto muito do termo grego utilizado, metanoia, que significa mudança de mente. Nesse sentido, o processo de mudança de mente que ocorre em alguém é como algo que surge em etapas, que tem seu início em um evento instantâneo mas que se aperfeiçoa com o decorrer do tempo.

Imagino, assim, a figura de algum aventureiro e viajante que depende de sua bússola para chegar em um alvo que traçou em sua mente. A bússola carece de um norte magnético para funcionar, e no caso da conversão, a vida anterior é como se um viajante resolvesse sair em seu caminho sem bússola, ou com uma bússola sem norte, ou ainda com o norte oscilando. Seria impossível chegar ao seu destino, qualquer que tivesse sido. Quando ocorre o processo de mudança de mente, o evento inicial seria portanto fixarmos um norte.

Uma vez definido o parâmetro mais básico, podemos avançar para o segundo, qual seja o alvo, o destino. Não adianta termos uma bússola devidamente ajustada, se não soubermos para onde ir. Na nossa vida antes da conversão, é como se estivéssemos andando sem rumo e, de repente, a bússola fixa o norte então paramos para ver onde estamos em relação ao referencial. Em seguida podemos ver através da Bíblia, da oração, do testemunho de outros irmãos, onde estamos em relação a Deus, nosso destino, e agora sabemos para onde devemos ir, e como chegar nele.

Mas na verdade, não adianta termos ajustado a bússola, termos parado de andar de modo errático, termos fixado nosso destino se não efetivamente começarmos a caminhar. De outro modo nunca chegaremos lá. Aqui cabe a parcela do processo, em que a conversão se aperfeiçoa na caminhada cristã do dia a dia.

Nessa metáfora, o destino final é Deus, nossa bússola é o Espírito Santo e o norte é Cristo. Sabemos, portanto qual o destino, temos o meio necessário para chegar lá e sabemos qual é o caminho. Basta, portanto, apenas caminharmos por Ele.

Deus nos ama

Disse-lhe Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá; e quem vive e crê em mim, não morrerá eternamente. Você crê nisso?” – João 11:25-26

Sinto enorme alegria em ler sobre a comovente história de Lázaro, pessoa que Cristo amava profundamente e que veio a falecer, não sem um propósito, que uma vez ressuscitado por Jesus pudesse servir de testemunho e para glória do Filho de Deus.

Mas o que mais me chama a atenção nessa história é que o amor que Jesus sentia por Lázaro e sua família, e o poder que Ele teve de trazer aquele homem de volta à vida não foi esquecido nem cessou quase dois mil anos atrás. Ao contrário, esse mesmo amor e poder estão disponíveis hoje a todo aquele que crê em seu nome.

A Bíblia afirma em diversos textos que nós mesmos estávamos mortos em nossa imensidão de pecados, pois o salário do pecado é a morte, mas quando Cristo chega em nossas vidas com seu amor, e nós aceitamos a sua obra salvadora e seu senhorio, então somos ressuscitados, voltamos à vida e não apenas à mediocridade da vida biológica que vivemos, ou sobrevivemos na maior parte, mas à vida eterna.

Jesus chorou. Disseram, pois, os judeus: Vede como o amava. – João 11:35-36

Novamente o texto nos mostra a faceta humana de Jesus, o quanto Ele se importava com Lázaro ao ponto de isso ser notório em meio aos judeus. Hoje também Cristo chora por nós, sua igreja, seus filhos, enquanto permanecemos mortos espiritualmente, enquanto Ele espera pacientemente que nos convertamos de nossos maus caminhos e nos entreguemos completamente a Ele, dispostos a ouvir sua voz a chamar o nosso nome, a clamar “venha para fora”!

Nunca permita, portanto, que pensamentos de baixa auto-estima ou falta de amor próprio lhe escravizem ou que queiram te dizer que Deus não te ama, que você é pecador demais e não tem jeito, ou que você não é merecedor de seu amor, por que em Cristo Jesus, pelo seu sangue derramado por nós na cruz, somos feitos dignos, somos aceitos na presença de Deus, somos de fato adotados como filhos pelo Pai.

Deus não é um deus distante, que não se importa com o mundo e muito menos comigo e com você. Se tem algo que podemos aprender com esse e muitos outros textos da Palavra é que Deus se importa sim, e muito, com seus filhos, a quem carinhosamente ele trata como ovelhas de seu aprisco pessoal, pintinhos que uma galinha quer aninhar sob suas asas. Deus nos ama tanto, de modo tão incondicional, que foi capaz de sacrificar seu único Filho legítimo, para resgatar todos nós, inicialmente bastardos, mas cuja dignidade foi restaurada, e que agora possuímos como herança, já em vida, o seu amor, o seu perdão, a sua paz, a sua companhia.

Deus nos abençoe.

Deus é o meu policial

O SENHOR é o meu pastor, nada me faltará. – Salmos 23:1

Davi é um cara que admiro muito. Ele é um alguém como eu e você, que erra, infelizmente comete pecados, mas se arrepende, se humilha na presença do Senhor e alcança graça e misericórdia.

Esse salmo tão batido foi escrito por Davi, e acho fantástico o fato de Davi se utilizar de recursos de sua própria cultura e experiência de vida para criar e transmitir esse louvor, afinal ele próprio fora pastor de ovelhas um dia, então ele sabe muito bem do que está falando.

Mas esse pano de fundo foi apenas para lançar luz em algo que Deus revelou ao meu coração através de diversos salmos e da experiência de Davi e da minha própria experiência cotidiana, que Davi vivia Deus, experimentava Deus em seu dia a dia, não era algo abstrato, longínquo, meramente transcendental. Longe disso, Davi atribui a Deus algo tirado de sua própria profissão, em vários momentos da sua vida.

Inicialmente pastor de ovelhas, enquanto menino, Davi soube bem reconhecer em Deus as características de um pastor, e não de qualquer pastor, mas do melhor pastor que possivelmente haveria de existir. Davi compara Deus a um pastor, e nós seus filhos a ovelhas, e então usa essa ilustração bem contextualizada em sua realidade, para demonstrar a extensão do amor de Deus para conosco.

Quem é este Rei da Glória? O SENHOR forte e poderoso, o SENHOR poderoso na guerra. Levantai, ó portas, as vossas cabeças, levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória. Quem é este Rei da Glória? O SENHOR dos Exércitos, ele é o Rei da Glória. – Salmos 24:8-10

Aqui vemos novamente Davi fazer essa extrapolação de uma característica sua pessoal, enquanto general de exércitos e rei, para a figura do Deus que adorava, verdadeiro antropomorfismo, e somos obrigados a reconhecer novamente que Davi não fala de algo que lhe é estranho, mas algo profundamente ligado à sua história de vida e que fazia total sentido.

Deus é rei, é soberano, e como tal pode fazer como bem lhe aprouver com relação a seus súditos, Ele mesmo estabelece as leis e princípios pelos quais vivemos, mas diferentemente de reis terrenos, falhos e gananciosos por poder, Deus prefere se relacionar conosco não por medo mas por amor.

Semelhantemente, Davi vê em Deus as características de um general, e ele sabia bem do que estava chamando Deus porque ele mesmo era um general dos exércitos de Israel, então em Deus Davi exalta a sabedoria, a liderança, o cuidado com seus subordinados, a estratégia contra o inimigo de nossas almas, a vitória final na guerra pela humanidade, vitória esta vencida por Cristo Jesus na cruz do Calvário.

Penso que Davi como general deve ter dobrado seus joelhos perante Deus como alguém que reconhece que outro é superior e deseja dar reverência, como uma pessoa em alta patente reconhece de imediato seu superior e lhe presta continência em sinal de respeito e honra.

Igualmente como rei, Davi pôde experimentar glórias indescritíveis que somente podemos imaginar ou perceber através de filmes ou histórias, mas que dificilmente poderíamos entender o sentimento de alguém que vive esse tipo de vida. Então Davi nos fala de um deus, o Deus de Israel, que é o Rei dos reis, ou seja, Ele está acima de todo homem, de toda majestade, de todo domínio, sua glória não pode ser comparada nem com a totalidade das glórias de todas as monarquias deste mundo.

Mas tudo isso, se não trouxermos para nossa realidade pessoal hoje, em pleno século XXI, serviria apenas como um bom modelo de alguém perdido no tempo, como um mestre antigo em quem poderíamos meditar.

Davi nos ensina algo mais profundo, afinal, quantos de nós poderíamos com sinceridade olhar para Deus e atribuir a Ele algo próprio nosso? Quantos de nós teríamos a coragem de dizer “Deus é o meu policial”, ou ainda, “Deus é o meu professor”, “Deus é o meu fisioterapeuta, psicólogo, bombeiro, dentista, engenheiro”?

Estamos acostumados com algumas figuras que os antigos usaram para descrever a Deus, a seu Filho Jesus e ao Espírito Santo, como Pai, Advogado, Consolador, Médico, mas quantos de nós entendemos verdadeiramente o que isso significa? Talvez um médico entenda o que quer dizer quando chamamos a Cristo de o médico dos médicos, ou ainda um advogado quando João diz que se pecarmos temos um advogado junto ao Pai (1 João 2:1), mas quantos de nós conseguimos vislumbrar em Deus algo de parecido conosco, quantos de nós usamos nossa profissão para a glória do Pai?

Especialmente nós jovens, e aqueles que estão entrando na faculdade agora ou apenas decidindo ou começando a sua vida profissional, será que você se imagina um dia fazendo como Davi, podendo olhar para Deus, o Deus que você conhece e se relaciona, e dizer a Ele o quanto Ele representa, agradecendo a Ele por sua profissão, porque é algo de que você pode se orgulhar, porque é algo que colabora para a construção de uma sociedade mais justa, ou você apenas repete palavras soltas que aprendeu na Bíblia de ouvir falar, ou mesmo de ter lido sem meditar a respeito, de algo que não tem a menor relevância para você, não se relaciona com sua vida hoje e talvez não faça mais o menor sentido uma vez que você não vive uma vida agropastoril ou em alguma situação vivida pelos personagens descritos nas Escrituras?

A minha oração hoje é de agradecimento a Deus porque posso dizer com orgulho “Deus é o meu policial”, e não apenas como uma interpretação aproximada do texto de Salmos 127:1, mas porque realmente me sinto seguro e protegido à sombra de seu poder, algo que nenhuma polícia do mundo poderia garantir, uma paz que excede todo entendimento (Filipenses 4:7); é também de pedido, que Deus se revele de modo pessoal e íntimo a cada um de nós, para que nós, seus filhos, Lhe conheçamos como é, não de ouvir falar, não de histórias do passado – por melhores que sejam, mas pela experiência pessoal, individual, única e ao mesmo tempo constante e duradoura que viermos a ter consigo.

Deus nos abençoe.

Deus não lança em rosto

E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada. – Tiago 1:5

Quantas vezes temos vergonha de chegar junto de alguém e pedir um favor por medo do que o outro vai pensar de nós, por falta de coragem deixamos de pedir aquilo que precisamos a pessoas que poderiam nos ajudar em coisas até simples.

Pior é sabermos que muitas pessoas, quando enfim criamos coragem, irão fazer o favor, irão nos ajudar, mas em momento oportuno irão jogar na nossa cara que só chegamos onde estamos, só conseguimos realizar tal tarefa com sua ajuda, parece que fazem questão de se colocar superior a nós, de nos humilhar, e isso infelizmente acontece com melhores amigos, e mesmo dentro de casa, no seio familiar, com aqueles que mais amamos.

Mas Deus não é assim. Gosto muito desse texto pela parte da sabedoria mas também pelo finzinho que nos diz que Deus dá liberalmente, ou seja, de maneira abundante, sobejando, e não lança no rosto, Ele tem verdadeiro prazer de dar, de maneira generosa, e nunca, nunca mesmo, vai nos humilhar por causa disso, como um pai perfeito que faz de tudo pelo filho, e mesmo filhos mal agradecido como nós somos tantas vezes Ele não diz “tá vendo, eu bem que avisei”, nem mesmo faz questão de enfatizar que em tudo dependemos dEle, ainda que isso seja verdade.

Deus nos abençoe para que possamos cada dia mais desfrutar desse relacionamento aberto e honesto com o Pai, sabendo que podemos pedir tudo, como filhos que somos, que de tudo quando Ele nos der (e não significa que Ele vá dar necessariamente tudo), Ele nos dará de modo generoso e gratuito, sem lançar em nosso rosto, sem nos humilhar, que não precisamos ter vergonha ou receio de pedir, sejam coisas realmente importantes, sejam as mais banais e cotidianas.

Palestina

Na guerra não há santos, embora certamente nem todos sejam demônios.

Palestra interessante sobre a Palestina, e o contexto de opressão sob pretexto religioso.

Lembrei-me, contudo, a despeito de toda opressão imposta por Israel aos palestinos, do texto bíblico de Lucas 14:31 que diz: “Ou qual é o rei que, indo à guerra a pelejar contra outro rei, não se assenta primeiro a tomar conselho sobre se com dez mil pode sair ao encontro do que vem contra ele com vinte mil?”.

E ainda de Sun Tzu quando afirmou em sua Arte da Guerra “Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas.”

A Palestina sofre muito por causa da política expansionista de Israel, que teima, por exemplo: em promover assentamentos de colonos em áreas sabidamente palestinas; ou ainda quando, a despeito de razões de segurança nacional contra ataques terroristas, fecha suas fronteiras aos palestinos, isolando-os já que os territórios da Palestina não são contíguos, sendo entrecortados pelo Estado de Israel, tendo construído até muralhas semelhantes ao muro de Berlim separando famílias inteiras; quando bloqueia as contas do governo palestino, já que a Palestina não possui bancos e realiza sua movimentação financeira através dos israelenses; quando realiza o bloqueio naval impedindo que ajuda humanitária cheque à Faixa de Gaza…

Por outro lado, não cabe a Palestina insurgir-se da forma como tem feito, misturando seus combatentes em meio à população civil, usada como escudo, sem contar os atentados terroristas que não respeitam a população civil de Israel, muitos dos quais até contrários a essa guerra e opressão são.

Novamente lembro do versículo e da palavra de Sun Tzu, quem não tem condições de lutar uma guerra, ou procura a paz antes mesmo dela ter início, ou busca uma libertação de modo pacífico, como temos os exemplos recentes do século XX da Índia frente a Inglaterra, com Ghandi, ou mesmo na figura de Martin Luther King Jr em sua luta pelos direitos civis dos afrodescendentes americanos, em ambos os casos na forma de desobediência civil, sem o emprego de armas ou de violência, embora saibamos que houveram casos de lutas armadas na Índia, e também no caso americano com Malcolm X e as Panteras Negras, sem os quais, honestamente, questiono se tanto Ghandi quanto King Jr teriam tido sucesso em suas empreitadas (a violência, nesses casos, também servia para mostrar que a moeda tem dois lados, fazendo os olhos de todos desejarem o pacífico).

É difícil avaliarmos a situação da palestina criticando Israel, sem percebermos que a autoridade palestina é dividida tanto quanto é seu território, pois a Cijordânea é controlada pelo braço político do grupo terrorista Fatah, enquanto na Faixa de Gaza, por sua vez, domina o Hamaz, ainda pior que o primeiro, em ambos os casos supostamente eleitos democraticamente, mas cujas eleições poderiam ser questionadas sob um escrutínio e auditoria de organismos internacionais. No entanto, a despeito de eventual fraude, aquele povo que é doutrinado desde criança a odiar Israel, escolheu por vontade própria eleger não um grupo de paz mas de guerra.

Também questionamos o sofrimento dos palestinos, que não são árabes (árabe é uma etnia), mas sim muçulmanos, regidos não por um governo laico e que respeita os direitos humanos de liberdade de crença e religião (como o de Israel é), por exemplo, mas por radicais defensores da Sharia, lei religiosa baseada em interpretações perdidas no tempo do Al Corão, segundo a qual é completamente justificável o apedrejamento de mulheres, a castração feminina, entre outras atrocidades não condizentes com o século que vivemos (eu questionaria em sua essência, independente do tempo), mas não lembramos que o Egito também faz fronteira com a Faixa de Gaza e também as fechou com o mesmo receio de ser usada por terroristas, nem ainda que no processo histórico de criação do estado palestino no pós segunda guerra, nenhum país da região aceitou ceder parte de seu território, ainda que fosse um deserto desabitado, para a criação da Palestina.

Esse conflito, enfim, não tem esperança de fim, afinal, dificilmente dois inimigos aceitariam conviver pacificamente lado a lado, sendo o território da Palestina descontíguo, tendo que, necessariamente, os palestinos passar por Israel para ir de um canto a outro de seu próprio país. Além disso, sob o prisma religioso, é um desejo antigo de uma parcela religiosa do povo judeu de reconstruir o templo de Salomão, no local original, que hoje é ocupado pela 3ª mesquita do mundo em importância para os muçulmanos, palco de peregrinações em caráter mundial, construída em Jerusalém, cidade que nenhum dos dois lados abdicaria.

Seria então o caso de a Palestina, maior prejudicado nessa guerra, abrisse mão do conflito e procurasse soluções pacíficas. Ao invés de elegerem homens de guerra, alçassem ao poder um pacificador. Certamente ganhariam o apoio mundial, e favoreceriam as relações com seu vizinho mais poderoso e do qual dependem tão viceralmente.

Mas, num conflito onde pelo menos um dos lados baseia seus argumentos tão fortemente em torno da religião, é difícil você dizer não a pretensões supostamente legítimas, mesmo que essa batalha aparentemente perdida levasse à vitória na guerra, politicamente pelo reconhecimento do Estado e Nação, pela conquista finalmente do seu território, e pela paz e segurança para sua população.