Pensando mais uma vez sobre a parábola do filho pródigo

Fiquei pensando de ontem para hoje mais uma vez sobre a parábola do filho pródigo. Nela existem três personagens, o filho pródito, o pai e o filho que fica em casa.

Não vou contar a estória novamente, quem nunca tiver ouvido falar dela pode ler na Bíblia, em Lucas 15:11-32. Mas fiquei pensando aqui em algumas coisas a respeito de cada um desses personagens que gostaria de compartilhar com vocês.

Algumas dessas coisas talvez você já tenha ouvido falar; talvez não. De qualquer modo eu me senti tocado por elas, então aí seguem.

Começando pelo filho pródigo, este é chamado assim por ter desperdiçado toda sua herança com prostitutas e outros prazeres efêmeros. Às vezes a gente se prende muito ao como ele gastou o dinheiro, mas pense comigo que o pródigo é aquele que não consegue reter o dinheiro, economizar, mas gasta desenfreadamente, de maneira descontrolada, e dessa forma, ainda que a pessoa não gaste com prostitutas o cara será chamado de pródigo.

Analisando por esta perspectiva, talvez muitos de nós possamos nos identificar com esse personagem porque alguém pode dizer “eu nunca gastei” ou “eu nunca gastaria dinheiro com prostitutas”, mas talvez já tenha desperdiçado seu dinheiro com roupas que não precisa, trocar de carro todo ano sem necessidade, comer mais do que o que deve… Isso sem falar em ser irresponsável mesmo com os recursos que Deus lhe tem dado, gastando mais do que o que recebe, estourando seus limites do cheque especial e cartão de crédito com um sem número de supérfluos e depois vivendo uma vida estressada para pagar por tudo aquilo.

Outra coisa a respeito desse filho é que ele não tinha direito efetivamente sobre a herança. Isso é o que no Direito se chama de expectativa de direito, ou seja, há a esperança de que o direito venha a ser exercido, mas como não se cumpriram os prerequisitos o mesmo ainda não pode ser fruido, ainda não se concretizou. Nesse caso, o pai retratado na estória ainda está vivo, então esse jovem não possui realmente o direito. Na verdade, ao pedir seu quinhão da herança ele diz ao pai “gostaria que você estivesse morto, para então administrar aquilo que passará a me pertencer”.

Uma terceira verdade que vemos nessa estória é sobre a rebeldia que havia no coração desse filho. Ele certamente vivia uma vida abastada, tanto que no decorrer da estória vemos referências aos “trabalhadores de meu pai”, e à festa que é dada pelo pai no final; sendo assim não precisava provavelmente pedir nada ao pai que já não tivesse, e pedindo certamente tudo o pai lhe daria. Sendo assim, o que mais ele poderia querer? Por que ele resolve largar tudo que tem de bom para experimentar algo que é ruim, ainda que com aparência de prazeroso? Não sabemos. O que sabemos é que eu e você agimos da mesma forma muitas vezes. Agimos como crianças mal criadas ou mal agradecidas e desprezamos o conforto do nosso lar, tudo que de bom nosso seio familiar oferece e partimos para o que achamos que é desconhecido, mas infelizmente somente nós parecemos desconhecer que aquilo que nos espera é ruim, e só resulta em frustrações, traumas e dor.

Agora vejamos o lado do filho mais velho.

O filho não pródigo me parece também nutrir um sentimento de querer administrar sua própria vida, os bens que receberia quando seu pai morresse, apenas não teve a coragem de fazer o que o mais novo fez e confrontar o pai. Não sei nem se digo que é ponto positivo de ele não ido adiante com essa estúpida idéia, considerando a possibilidade do que se passava em seu coração.

Vemos que o filho mais velho é obediente ao pai, mas até que ponto isso resulta em vantagem, ou melhor, por que ele é obediente, por medo do pai ou do que aconteceria com ele se não obedecesse; ou por ter um relacionamento de intimidade, respeito e consideração com seu genitor? Mais uma vez digo, não sei se considero o obedecer dele sem ser de coração como algo positivo.

Novamente vejo uma semelhança entre os dois irmãos, quando percebo o filho mais velho ser mal agradecido com o muito que o pai constantemente lhe dava, ao cobrar do pai um novilho para celebrar com seus amigos, jogando na cara que o pai nunca lhe dava nada, esquecendo-se de que tudo aquilo era também dele, como o próprio pai vai frisar posteriormente.

Se o filho mais velho não é rebelde como o irmão mais novo (ou pelo menos na mesma proporção), também nutre dentro de si uma outra rebeldia. Ele não consegue ver o amor do pai, apenas a vara, não vai além da lei para enxergar a graça.

É curioso notar que nenhum dos filhos parece conhecer bem o pai que têm, ambos possuem problemas de relacionamento com o próprio pai, além de priorizar coisas que não tinham tanta importância quanto o relacionamento familiar.

É triste ver a rivalidade no ambiente doméstico, onde o filho mais velho não consegue ver o mal que o filho mais novo está cometendo ao pedir sua parte da herança, nem sequer lhe dirige a palavra para lhe aconselhar como irmão mais velho que é a não fazer tamanha besteira. Talvez pensou consigo mesmo “agora que meu irmão foi embora tudo me pertence, sou o senhor de tudo”.

Mas ainda pior é ver que não há reconciliação após toda a tragédia. O filho mais novo chega e o pai demonstra claramente a importância dele estar de volta ao lar, mas o irmão mais velho ao invés de se alegrar fica revoltado com a presença do irmão. O filho não pródigo não consegue ter um sentimento positivo e de carinho nem com relação ao seu irmão mais novo nem com relação ao pai.

Por último, vejamos a estória pelos olhos do pai.

O pai vê seus dois filhos crescerem em um ambiente de rivalidade, e embora dê todo carinho e condições para seu desenvolvimento, vê os dois seguirem rumos diferentes, embora com motivações egoistamente parecidas.

O pai vê seus dois filhos tomarem decisões erradas, e embora não vejamos isso explicitamente com relação ao filho mais novo, sei que o pai certamente tentou seu máximo argumentar para demovê-lo da idéia bizarra de sair pelo mundo, nem tanto pela herança, mas por tudo de ruim que sua experiência dizia que ele sofreria. Penso nisso pela forma com que ele tratou do mais velho quando este estava birrento, emburrado como criança pequena não querendo participar da festa do irmão.

O pai respeita os filhos, enquanto pessoas e até suas decisões, embora não concorde com elas. E acho muito massa que quando o filho mais novo retorna, com a cara quebrada, sem dignidade, o pai não o julga, não o expulsa de casa, pelo contrário, não apenas estende a mão para alcancá-lo, mas corre em sua direção, o agarra, o beija mesmo o filho estando imundo e fedorento de ter vindo pé no chão após trabalhar com porcos…

A gente muitas vezes vê a estória dos dois filhos, mas não olha para o coração do pai, como ele deve ter ficado, talvez anos a fio angustiado, preocupado sem notícia do seu filho que para ele estava realmente perdido, morto, e da súbita alegria ao vê-lo retornando, farrapo de homem, para o seu lar que nunca de fato deixara de ser seu. Não vê a decepção do pai que contava com seu filho mais velho, seu braço direito, com quem passou toda sua vida, de repente revoltar-se; não bastava um filho ter se revoltado, agora que este retorna o outro parece surtar. A frustração de ter dado o melhor, sido o melhor, e seus dois filhos não terem valorizado tudo isso.

Mas trazendo essa estória para nossa realidade, é difícil não nos imaginar na pele de um dos dois filhos. Temos um Deus maravilhoso que tem nos dado uma infinidade de bençãos, desde a natureza, a saúde, família, um lar, e nós nos revoltamos, queremos “matá-lo” somente para ter nossa herança e depois gastar tudo que recebemos dEle em coisas que não valem a pena, ou ainda vivemos uma vida de proximidade física, geográfica, por assim dizer, frequentando templos religiosos, mas sem compreender a profundidade do seu amor por nós, Ele que deu sua própria vida por nós, seus ingratos filhos.

Que a gente possa refletir sobre essa estória contada por Jesus para explicar o relacionamento de Deus pai para com os vários tipos de pessoas, de filhos, e percebermos que apesar de todos os pesares, o próprio Jesus usa a referência de filhos, e isso diz muito, isso diz que por pior que seja a nossa rebeldia, seja por ter saído no mundão cometendo toda sorte de loucuras, ou ficado em casa sem conhecer Deus em profundidade, ainda somos filhos e Deus está sempre de braços abertos esperando para nos receber de volta à sua presença. Sendo assim, não percamos tempo nem oportunidade de experimentar esse relacionamento de amor com o Pai, incomparável, sacrificial, eterno, infinito e insuperável.

Deus nos abençoe.

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98 anos

Estamos em 2078 e estou a poucos dias do meu aniversário de noventa e oito anos. Honestamente nunca cogitei viver tanto, mesmo quando mais jovem brincava que chegaria aos cento e vinte, e mesmo tendo tido pais e avós que morreram em idade bastante avançada me imaginar chegando onde cheguei era algo que eu não tinha em mente. Até hoje pelo menos, quando a ficha começa a cair.

É difícil parar para constatar que meus pais já morreram há mais de vinte anos, ambos, meus dois irmãos mais velhos, irmãos de pai e mãe também já se foram, embora há bem menos tempo. Que saudades de lembrar de cada momento que passei com eles, passamos juntos na verdade. É impossível conter algumas lágrimas que descem de cada olho e param na minha barba, ou o que resta dela, completamente branca… Meu pai e meu irmão, dois exemplos e amigos inestimáveis, para vocês só digo uma coisa, me esperem aí junto ao Pai que chego já para abraçá-los…

Meus dois irmãos mais novos, embora também já velhos, ainda gozam de saúde, e ambos têm uma vida ativa, até porque pelos avanços da ciência, poderia muito bem retirar uns bons quinze anos de um e de outro, se fosse comparar com os velhos de setenta e poucos anos de quando eu ainda era moço.

Acho que talvez por ter feito exercícios físicos a minha vida inteira, e não ter me excedido tanto quanto poderia na alimentação, não tenho tantos problemas assim de saúde, e olhe que já não posso dizer que sou um dos poucos da minha idade, porque a população brasileira envelheceu bastante junto comigo.

Ainda faço muitas coisas que costumava fazer quando era jovem: dirijo só, embora o conceito de direção e de automóvel em si tenha mudado muito nos últimos trinta anos (só para constar, hoje para você dirigir sozinho sozinho mesmo você tem que ir para um interior bem afastado da civilização, se é que ainda existem, e achar uma maneira de desabilitar o computador que dirige por você); ainda me arrumo e visto sozinho, não preciso de nenhuma enfermeira me ajudando; saio sozinho sem me perder (embora também, se me perdesse, essas pulseiras com localizador GPS não me deixariam perdido por muito tempo)…

A solidão é que é difícil. Já me disseram que todo velho é solitário por natureza. Talvez por seus conhecidos já quase todos terem partido, não sei. No meu caso minha esposa também já se foi há muitos anos, muitos mais do que gostaria de lembrar. Dela guardo tantas recordações, as viagens que fizemos, fotografias que tiramos, filmagens… Seus desenhos ainda hoje me parecem novidade, têm o cheiro de frescor que sua risada trazia consigo… São muitos, nunca tive coragem de me desfazer deles, embora saiba que são igualmente valiosos, financeiramente, pelo que o mercado pagaria, e pelo apelo sentimental, que para mim é o que mais importa, afinal, não tenho muito mais de vida pela frente, então que se desfaçam deles por mim quando eu mesmo não os puder mais apreciar… Mas eu sempre fui solitário, acho que estou acostumado com esse sentimento que tem sido meu companheiro já há tantos anos, embora meus filhos, noras, netos me visitem com bastante frequencia. São como flechas na minha aljava, metáfora tirada de algum versículo bíblico…

Às vezes me sinto perdido nesse admirável mundo novo. Aldous Huxley que me perdoe, mas não tem muita coisa de admirável, aliás, acho que ele não fazia muita idéia do que estava escrevendo… A violência continua a mesma. As pessoas continuam dizendo “na minha época isso não era assim”, o que, do alto dos meus noventa e oito eu posso afirmar com certeza que eram sim, daí pra pior, na verdade… Uma coisa que infelizmente posso afirmar que piorou foi os valores humanos. Se há cinquenta ou sessenta anos se perseguiam os homossexuais, hoje são os heterossexuais que sofrem perseguição. Vejam bem o cúmulo do absurdo, não sei como a espécie humana continua existindo. Aliás, sei sim. Não fossem as inúmeras tentativas fracassadas de clonagem humana, talvez tivesse sido esse o meio de perpetuação da nossa malfadada espécie, mas o que aconteceu é que a fertilização in vitro hoje é mais comum do que testes de gravidez o eram na década de noventa do século passado, e como não existem mais leis que proibam o aborto, afinal o nenezinho dentro da mulher é para a lei só mais um apêndice que, se inflamar, pode-se sacar fora a qualquer momento, a pessoa pode engravidar e desengravidar quando der na telha. Não vou nem falar da legalização das drogas e de práticas sexuais abomináveis como a pedofilia… Que mundo é este, meu Deus?…

Deus… Ele é o único que não mudou nesses setenta e tantos anos de caminhada, mas permanece firme como uma rocha. Eu nasci num lar cristão mas só fui cair em mim mesmo e me decidir por seguir a Cristo na minha juventude. Ele eu sei que nunca me decepcionou, embora eu tenha vergonha de admitir que certamente o desapontei inúmeras vezes… O mundo inteiro hoje como nunca parece ter abandonado o conceito de deus, de algo eterno e superior, principalmente se essa divindade for uma pessoa, um ser que se relaciona conosco. O pouco de religião que vemos por aí é alguma evolução de conceitos exotéricos, que vai e vem ressurge com algum guru da moda capitaneado pela imprensa ou por algum artista famoso. Eu quase sinto falta dos auto-proclamados apóstolos, profetas e tantos outros líderes evangélicos que eu ainda tinha sede de confrontar pelas incontáveis heresias que propagavam como se fossem o evangelho de Jesus. Foi-se a época, depois de muita perseguição e outros tantos escândalos, quem admitia que era cristão se não tivesse que literalmente carregar uma cruz, virava o escárnio da sociedade.

Eu sempre tive a profunda esperança que não alcançaria esta idade que cheguei nem tanto pela genética ou pela saúde, mas porque nutria a esperança que meus olhos fossem ver o Redentor Jesus Cristo voltando para buscar sua agora tão pequena igreja. As condições para isso há um século já se desenrolaram, as profecias estão aí para quem quiser ver, todas cumpridas, seu tempo já chegou e meus olhos cansados continuam aguardando a volta do Mestre. Eu sei que Ele ainda voltará, e por certo não tarda, e enquanto isso não acontece eu guardo firme esta esperança ainda que minha vista não venha a alcançar este glorioso dia.

Eu poderia continuar falando do mundo que me cerca mas creio que nem todos compreenderiam de imediato ou totalmente. Lembro-me da descrição do apocalipse feita pelo apóstolo João… Era algo tão surpreendente e desconhecido que o máximo que ele conseguiu fazer foi aproximar à realidade daquelas pessoas cuja mensagem ele queria transmitir. As guerras, sempre houverão e continuam havendo. Doenças novas surgem cada dia, a ciência tentando se desculpar por incontáveis desvios éticos que fizeram com que cada genocídio parecesse menor frente ao próximo… Terremotos, enchentes, quantos desastres naturais parecem afrontar a tecnologia e engenharia humana… O ser humano continua ignorando os avisos de Deus através da natureza. Quantos outros desastres como a explosão da usina nuclear de Canindé do São Francisco que destruiram completamente o que pouco que restava do velho Chico precisarão acontecer para o homem desistir desse tipo de energia, já tão ultrapassada?

Chega, minha mente está cansada e a fila parece que está andando. Ah, onde estou com a cabeça, esqueci de dizer no começo onde estou pensando em tudo isso. Não é só Deus que permanece o mesmo, as filas da Caixa Econômica onde vim sacar meu dinheiro digital (não usamos mais dinheiro real há décadas) continuam ignorantes. E continua impressionante a pessoa não conseguir usar a Internet (1, 2, 3, nem sei qual versão se usa estes dias) para realizar sua movimentação financeira de maneira fácil, pelo menos não nesse banco estatal. Ou talvez eu tenha ficado velho demais e já não entenda dessas coisas de informática, logo eu que um dia estudei isso na minha longíqua graduação…

P.S.: esse texto é fictício. Hoje ainda tenho trinta anos, embora qualquer semelhança com a realidade que nos espera possa não ser mera coincidência. Pensei nesse texto sentado realmente na fila de atendimento da minha gerente na Caixa Econômica, enquanto esperava uma velhinha de seus muitos anos discutindo com a gerente algo que parecia ser banal, mas que de alguma maneira ela não estava entendendo.

Sobre a necessidade de um grupo pequeno: uma visão

O que é uma b4se? B4se são os grupos pequenos do ministério jovem da Igreja Batista Candeias, que, a propósito, chama-se Unid4de.

Mas qual a necessidade de uma base ou pequeno grupo? A necessidade dá-se devido ao crescimento da igreja instituição, uma vez que fica difícil senão impossível que o pastor ou pastores acompanhem diariamente todas suas ovelhas, e as ovelhas necessitam ser pastoreadas, cuidadas, tratadas, alimentadas, limpas e tudo mais que uma ovelha, ou nós seres humanos precisamos.

Precisamos nos envolver em um grupo pequeno para que tenhamos intimidade como corpo de Cristo, para que encontremos um lugar onde possamos compartilhar nossas vitórias e nossas mazelas no meio de pessoas em quem possamos confiar e com quem possamos contar, para que possamos nos afiar mutuamente (Provérbios 27:17) e ter responsabilidade e cuidado mútuo.

Essa é, em resumo, a finalidade e o propósito de uma b4se, mas gostaria de ver algumas características na vida do próprio Jesus de como ele conduzia seu grupo pequeno, como Ele vivia o discipulado com aqueles que o seguiam, para que possamos entender melhor o funcionamento disso que considero a maneira mais antiga e ao mesmo tempo mais atual de se viver igreja.

A primeira coisa que um grupo pequeno precisa ter é um líder. Vemos que Jesus foi o líder dentro de seu pequeno grupo. É natural que as pessoas se reúnam e a figura do líder, antes de ser alguém que mande, é de alguém que serve, alguém que, apesar de suas fraquezas e dificuldades (não no caso de Jesus, óbvio, mas no nosso caso enquanto líderes) procura estar disponível para ajudar os outros a caminhar, é aquele que procura dar o exemplo de Cristo, espelhar Cristo de modo que os outros através do seu exemplo possam seguir ao Mestre, entendendo que não somos perfeitos, mas isso ao invés de servir de desculpa para desistirmos, serve de incentivo para caminharmos cada vez mais perto do Senhor! O líder também tem a responsabilidade de zelar por aqueles que estão sob seu cuidado, ver o que pode ajudar, chegar junto quando precisar dar um conselho ou até um “puxão de orelha”, em amor. Lembro do exemplo de Paulo: “Tornem-se meus imitadores, como eu o sou de Cristo.” 1 Coríntios 11:1

A segunda coisa que vejo num grupo pequeno é que muitas vezes mais de uma pessoa se destacará como líder, terá esse perfil, e isso não precisa ser algo ruim, não precisa ser algo negativo, ao contrário, isso pode ser muito útil na edificação do corpo de Cristo, e até facilita quando um dia o grupo pequeno precisar se multiplicar por ter chegado a um tamanho suficiente, em que pela quantidade de pessoas o líder não terá mais condições de, sozinho, cuidar de todos. A existência de várias pessoas com perfil de líder também pode ser útil para que cada pessoa assuma um papel, uma função, um ministério, por exemplo um pode puxar o louvor, outro pode trazer a palavra, outro pode ser responsável por manter uma lista de pedidos de oração e por aí vai. No GP de Jesus, o apóstolo Pedro tinha um perfil de liderança bem forte, os apóstolos Tiago e João também, e isso pode servir de exemplo para bem e para mal, e falando nisso queria só deixar uma palavra de cuidado, para que os demais líderes em potencial possam aprender a serem submissos ao líder, respeitarem uns aos outros, saberem o tempo e a forma certa de se manifestarem até para não gerarem conflito.

A terceira coisa que enxergo como característica de um grupo pequeno é que ele não é um culto. Como assim não é um culto? Vamos por partes. O grupo pequeno não é um culto, ou não deveria ser, pelo menos pela minha ótica, porque quando pensamos num culto algumas coisas nos vêm à mente, como uma ordem definida, um certo grau de formalismo, pregação, apelo, dízimos e ofertas, ou seja, uma liturgia, e para mim, nesse aspecto, um grupo pequeno é tudo menos culto. Um gp pode ter louvor? Deve! Pode ter palavra? Com certeza! Se alguém se dispuser a levantar uma oferta para a igreja ou para uma causa específica deve ser impedido? De forma nenhuma. Mas o grupo pequeno não deve fazer dessas coisas rituais, não deve se prender, na minha percepção, a essas formas de fazer, afinal para isso já existem outros espaços de adoração comunitária. Um grupo pequeno para mim é para cuidar de vidas, trazer mensagens mais próximas às necessidades particulares daquele grupo em particular, ouvir as dúvidas quem sabe até existenciais dos seus membros, aconselhar (até certo ponto, a não ser que alguém do grupo seja um pastor ou psicólogo), estabelecer e aprofundar laços de amizade e companheirismo. Grupo pequeno, nesse sentido, pode ser numa praia, numa partida de futebol, num filme visto no cinema, ou como muito frequentemente acontecia na vida de Jesus, à mesa, comendo, compartilhando histórias, quem sabe até piadas (sem baixaria, por favor). É algo casual, descontraído, informal, onde viveremos o evangelho, onde experimentaremos o amor de Cristo fora da religião, que infelizmente muitas vezes tem é nos afastado daquilo que deveria aproximar, o Senhor!

Uma quarta coisa eu percebo como característica de um grupo pequeno e espero que você não se assuste mas entenda o que eu vou dizer, um grupo pequeno é sim um culto! Perceba, para mim TUDO o que vivemos deve ser um culto a Deus. Como diz aquele texto: “Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus.” 1 Coríntios 10:31. Então sentar com o pessoal que você conhece e confia é culto a Deus, pegar uma praia juntos é culto a Deus, compartilharmos sua palavra através da Bíblia, uma meditação, um livro, um aconselhamento, algo do nosso dia a dia passa a ser culto a Deus, e como Deus se agrada desse culto! É também um culto porque não podemos nunca nos afastar da presença de Deus nem do seu amor, ainda que quiséssemos (Romanos 8:39), e onde houverem dois ou três reunidos em nome de Jesus, Ele se faz presente (Mateus 18:20). Sem o foco espiritual, o grupo pequeno poderia virar apenas uma reunião de um grupo de apoio, como alcóolicos anônimos, por exemplo, ou mesmo um grupo de amigos jogando conversa fora, portanto é necessário termos a compreensão que estamos ali mais do que apenas nos reunindo como amigos, mas como irmãos que buscam a face do Pai, conhecê-lo cada vez mais, inclusive através da vida uns dos outros.

Outra característica que percebo, a quinta, é que o grupo pequeno é o espaço por excelência de edificação e crescimento espiritual através do aprendizado. A maturidade vem de diversas formas, mas normalmente através da experiência, e como em um grupo pequeno você pode construir relações de confiança, os testemunhos mútuos podem ser a chave para que alguém mais experimentado ajude outros a vencer dificuldades pelas quais ele já pode ter passado e, com a ajude de Deus, ter vencido. Além disso, através de estudos bíblicos gerais, ou específicos para uma necessidade particular, o crescimento no conhecimendo do Senhor acontece, dúvidas são sanadas, e a fé é fortalecida. Vejamos que na vida de Jesus, apesar de ele recorrer constantemente às parábolas para tentar ensinar alguma lição às multidões, era apenas no seu grupo pequeno, entre seus discípulos escolhidos à dedo, que ele abria o jogo, que ele entrava em detalhes, que ele respondia às perguntas mais sérias e difíceis.

Ainda uma última característica que gostaria de comentar, embora certamente não encerre o assunto, é que o grupo pequeno é o lugar ideal para se construir relacionamentos de confiança. Aqui vou tocar em dois pontos, o primeiro sendo que Jesus tinha uma multidão que sempre o seguia, mas possuía um círculo menor de setenta pessoas, destas um grupo menor que chamamos de seu grupo pequeno, que eram os doze apóstolos, destes doze possuía um grupo de amigos mais chegados que eram Pedro, Tiago e João, e destes ainda João era seu melhor amigo, em quem ele podia contar em todas as horas, chamado apóstolo amado. O outro ponto que quero tocar se divide em dois, sendo um deles referente a que mesmo nossos melhores amigos, aqueles chapas com quem compartilharemos a nossa vida, os nossos altos e baixos, às vezes darão bolas foras, às vezes nos decepcionarão, julgarão, abondanarão, como os discípulos de Jesus chegaram ao ponto de negá-lo, abandoná-lo, e o outro ponto é que talvez no nosso círculo, no nosso grupo pequeno, haja alguém que seja realmente um traidor, uma persona non grata, alguém que na frente finja ajudar, ouvir, mas fale mal pelas costas, ou faça coisa ainda pior. Isso não é para nos desestimular a não compartilharmos nossas coisas no grupo pequeno, ao contrário, mas para que abramos nossos olhos para as pessoas que estão ao nosso lado, para que aprendamos a conhecer primeiro, para confiar depois, e só então abrir nosso coração, e ainda assim, sabendo que teremos amigos e amigos, e determinados assuntos devem se restringir a compartilhar com o líder do pequeno grupo, ou mesmo com seu melhor amigo.

Era isso o que eu tinha em mente, à princípio. Espero que Deus possa de alguma maneira ter me usado para falar às suas vidas sobre a necessidade e a importância de um grupo pequeno de amigos que querem caminhar juntos e juntos conhecer a Cristo, nosso Senhor. Deus nos abençoe e aplique tudo isso em nossos corações, em nossa vida.

Ouça o especialista

Ou como podes dizer a teu irmão: Irmão, deixa-me tirar o argueiro que está no teu olho, não atentando tu mesmo na trave que está no teu olho? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então verás bem para tirar o argueiro que está no olho de teu irmão. Lucas 6:42

Acho muito interessante a abordagem de Jesus para um problema. Jesus não fica divagando, não usa de palavras difíceis, ao contrário, ele apresenta o seu ponto de vista sempre utilizando retratos do cotidiano das pessoas com quem conversa.

Nesse texto em particular, o qual não vou analisar em si mesmo (muito, pelo menos), queria pensar de certa forma nos dois aspectos que Jesus compara, o argueiro e a trave.

Mas o que é o argueiro? Argueiro é um cisco, um grão de pó por exemplo ou uma farpa, um pedaço de qualquer coisa sem importância e de tamanho insignificante. Insignificante até entrar no nosso olho, como no caso do texto acima, ou no dedo de alguém e é nesse particular que eu quero entrar realmente no que gostaria de falar.

Jesus é alguém que possui longa experiência em lidar com argueiros e traves, pois como era carpinteiro, utilizava de diversas ferramentas para trabalhar com a madeira, retirando todos os excessos e dando-lhe formas diversas, então devia ser algo muito corriqueiro ele ter suas mãos feridas por farpas que se desprendiam do material com que trabalhava, ou mesmo a poeira, fuligem ou serragem do seu ambiente de trabalho virem a temporariamente cegar seus olhos fazendo-lhe verter lágrimas, ter sua vista escurecida por essas coisas que não possuem valor nenhum, são restos daquilo que realmente viria a ter valor, como uma viga por exemplo, usada na construção para manter o telhado de uma casa.

O nosso mestre carpinteiro sabia que aquelas pessoas entenderiam bastante a realidade que Ele estava narrando. Como eles poderiam lhe ouvir, se por exemplo falasse de detalhes da natureza e do corpo humano que Ele mesmo desenhou, moldou e finalmente executou? Não, Jesus utiliza de vocabulário do seu dicionário pessoal de especialista em trabalhar manualmente com a madeira para lidar com aquelas pessoas que não sabiam muito mais do que aquilo.

Hoje pelo desenvolvimento da ciência, nós mesmos aprendemos como funciona o nosso corpo até ao nível celular e de maneira mais profunda até, então Jesus poderia, contextualizando, chegar e falar conosco “eu conheço o teu coração", ou mesmo “eu sei o que se passa na tua mente”!

Jesus é o especialista em seres humanos, pois assim como trabalhou um dia nesta terra com a madeira fazendo cadeiras, mesas, vigas, um dia Ele do pó formou algo que tem muito mais valor do que os objetos acima, Ele criou a mim e a você, Ele mesmo nos projeto, nos deu forma, conteúdo, propósito e valor!

Ele ainda hoje é o carpinteiro que tira todo o excesso de nossas vidas, ainda que para isso Ele mesmo fira suas mãos e olhos com farpas e argueiros durante o processo, para no final, que obra prima surgiu esculpida em suas mãos! Alguém que não era tornou-se uma pessoa de valor; uma mera criatura, como um pedaço de pau, tornou-se filho de Deus, um bem de alto preço para o Pai, preço de sangue derramado na cruz!

Jesus escreveu o nosso manual de instruções, a sua Palavra – Bíblia, e escreve conosco o desenrolar de nossa nova história, de nossa nova vida, portanto, se Ele é o nosso especialista em quem somos, por que não ouví-Lo? Façamos isso e viveremos! Deus nos abençoe.

O cavalo e a borboleta

Essa estória é bastante conhecida e uma de minhas favoritas. Não sei porque lembrei-me dela de ontem pra hoje. Aliás, sei sim, é analisando algumas amizades que costumo chamar de amizades “gato”, que só dão atenção e carinho quando precisam, ao contrário das amizades “cachorro”, que são altruístas. Mas voltando ao assunto do post, esse texto é de autor desconhecido, mas, sem mais delongas, vamos ao mesmo.

 

O cavalo e a borboleta

Esta é a história de duas criaturas que viviam numa floresta distante, há muitos anos atrás.

Eram elas, um cavalinho e uma borboleta.

Na verdade, não tinham praticamente nada em comum, mas em certo momento de suas vidas se aproximaram e criaram um elo.

A borboleta era livre, voava por todos os cantos da floresta enfeitando a paisagem.

Já o cavalinho, tinha grandes limitações, não era bicho solto que pudesse viver entregue à natureza.

Nele, certa vez, foi colocado um cabresto por alguém que visitou a floresta e a partir daí sua liberdade foi cerceada.

A borboleta, no entanto, embora tivesse a amizade de muitos outros animais e a liberdade de voar por toda a floresta, gostava de fazer companhia ao cavalinho, agradava-lhe ficar ao seu lado e não era por pena, era por companheirismo, afeição, dedicação e carinho.

Assim, todos os dias, ia visitá-lo e lá chegando levava sempre um coice, depois então um sorriso.

Entre um e outro ela optava por esquecer o coice e guardar dentro do seu coração o sorriso.

Sempre o cavalinho insistia com a borboleta que lhe ajudasse a carregar o seu cabresto por causa do seu enorme peso.

Ela, muito carinhosamente, tentava de todas as formas ajudá-lo, mas isso nem sempre era possível por ser ela uma criaturinha tão frágil.

Os anos se passaram e numa manhã de verão a borboleta não apareceu para visitar o seu companheiro.

Ele nem percebeu, preocupado que ainda estava em se livrar do cabresto.

E vieram outras manhãs e mais outras e outras, até que chegou o inverno e o cavalinho sentiu-se só e finalmente percebeu a ausência da borboleta.

Resolveu então sair do seu canto e procurar por ela.

Caminhou por toda a floresta a observar cada cantinho onde ela poderia ter se escondido e não a encontrou.

Cansado se deitou embaixo de uma árvore.

Logo em seguida um elefante se aproximou e lhe perguntou quem era ele e o que fazia por ali.

– Eu sou o cavalinho do cabresto e estou a procura de uma borboleta que sumiu.

– Ah, é você então o famoso cavalinho? – Famoso, eu? – É que eu tive uma grande amiga que me disse que também era sua amiga e falava muito bem de você.

Mas afinal, qual borboleta que você está procurando? – É uma borboleta colorida, alegre, que sobrevoa a floresta todos os dias visitando todos os animais amigos.

– Nossa, mas era justamente dela que eu estava falando.

Não ficou sabendo? Ela morreu e já faz muito tempo.

– Morreu? Como foi isso? – Dizem que ela conhecia, aqui na floresta, um cavalinho, assim como você e todos os dias quando ela ia visitá-lo, ele dava-lhe um coice.

Ela sempre voltava com marcas horríveis e todos perguntavam a ela quem havia feito aquilo, mas ela jamais contou a ninguém.

Insistíamos muito para saber quem era o autor daquela malvadeza e ela respondia que só ia falar das visitas boas que tinha feito naquela manhã e era aí que ela falava com a maior alegria de você.

Nesse momento o cavalinho já estava derramando muitas lágrimas de tristeza e de arrependimento.

– Não chore meu amigo, sei o quanto você deve estar sofrendo.

Ela sempre me disse que você era um grande amigo, mas entenda, foram tantos os coices que ela recebeu desse outro cavalinho, que ela acabou perdendo as asinhas, depois ficou muito doente, triste e sucumbiu e morreu.

– E ela não mandou me chamar nos seus últimos dias? – Não, todos os animais da floresta quiseram lhe avisar, mas ela disse o seguinte: "Não perturbem meu amigo com coisas pequenas, ele tem um grande problema que eu nunca pude ajudá-lo a resolver.

Carrega no seu dorso um cabresto, então será cansativo demais pra ele vir até aqui."

 

 

Pensei aqui em algumas coisas, você pode ter pensado em outras, mas reflita nisso:

1) nossos amigos são diferentes da gente, e todos possuímos nossos próprios problemas e dificuldades que também são diferentes.

2) nossos problemas podem ser pesados para nós, mas às vezes nossos amigos querem nos ajudar com ele mesmo sendo muito mais pesado para eles.

3) deixemos de olhar apenas para nosso próprio problema nos esquecendo que nossos amigos estão ao nosso lado.

4) ao invés de nos preocupar em tirar nosso cabresto, vamos cuidar de não dar patada nos outros.

5) amigo que é amigo tenta ajudar, e mesmo levando patada, não fala mal do amigo.

6) vamos cuidar e nos preocupar com nossos amigos enquanto eles ainda estão vivos, perto, e ainda são nossos amigos, porque pode ser que um dia eles, por alguma e qualquer razão venham a deixar de ser.

Pensem nisso!