Saudações espaciais

Ontem à noite, às 23:30 horas no horário de Brasília, ascendeu ao espaço o primeiro astranauta brasileiro, tenente-coronel Marcos Pontes.
 
Fiquei orgulhoso, chorei até. Lembrei-me dos pioneiros Yuri Gagarin e John Glenn, que nos idos da guerra fria lançaram as duas potências da época, União Soviética e Estados Unidos da América, na chamada corrida espacial. Lembrei-me também de Santos Dummont, pai da aviação, que este ano completa o seu primeiro centenário de vôo autopropelido utilizando um veículo mais pesado que o ar, o 14 Bis.
 
Será que Santos Dummont sequer imaginava que um século depois outro brasileiro iria fazer a nação olhar para além das mazelas? Não, não estou esquecendo dos milhões de desempregados, semi-analfabetos e sem saúde que são meus irmãos neste país. Tampouco estou esquecendo que o custo de mandar apenas este homem ao espaço talvez seja maior que todo o orçamento para o programa espacial brasileiro. Não me cabe aqui julgar mérito ou interesses. Quero apenas destacar um sonho, sonho que creio que toda criança tem ou teve, de ser um astronauta (eu mesmo já tive esse sonho inúmeras vezes) e que o militar brasileiro conseguiu concretizar.
 
A visão do foguete Soyut subindo me fez lembrar que nem sempre o país mais desenvolvido do mundo, com a tecnologia mais de ponta, é o melhor em alguma coisa. A NASA é muito mais avançada tecnologicamente que a agência russa. Os EUA é um país muito mais desenvolvido tecnologicamente que a Rússia, que o Brasil, que qualquer outro país no mundo. No entanto, um foguetinho cujo projeto tem mais de quarenta anos somente para a cápsula espacial, e outros cinquenta ou mais para os motores, um verdadeiro "fusca" do espaço, como cheguei a ler em alguns sítios que falavam sobre o assunto, me faz acreditar um pouco mais que o Brasil, se quiser, pode fazer muito mais.
 
Eu tenho muita coisa passando na minha cabeça agora, tanto casos de sucesso tecnológico como a Petrobrás e o alcool combustível, quanto de saanagens como os burocratas de Brasília mamando nas tetas do governo, impedindo que essa nação possa não só se desenvolver, mas ser a número um do mundo.
 
É, Marcos Pontes, sinto inveja de você. Quem sabe um dia também não estarei eu aí em cima mandando uma mensagem do meu celular pro vizinho mais próximo da lua…
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