Pequeno comentário acerca do vestuário de pastores

Hoje pela manhã comecei meu dia vendo algumas fotos do orkut. Dentre as fotos que olhei, vi uma foto de uma tia minha com o pastor da igreja dela.

O que me chamou a atenção na foto foi o vestuário do pastor, camisa social, gravata e prendedor de gravata; era tudo que dava pra ver na foto, e veio na minha mente uma vontade de falar sobre o assunto, a maneira de se vestir de pastores.

Não quero me prolongar, e também não estou dizendo que é o caso do pastor da foto, até porque não o conheço, mas sinceramente, fico pensando, o que será que passa na cabeça do pastor quando ele escolhe uma roupa para ir ao culto, para dirigir o rebanho de Deus num domingo pela manhã ou à noite?

Por que será que muitos pastores, cercados de ovelhas de classes sociais menos favorecidas, e habitantes de cidades de temperatura elevada, teimam em usar terno e gravata, por exemplo, em clara dessintonia com a realidade que os cerca?

Não, não estou dizendo que é pecado ou errado em si, mas fico pensando se não seria mera vaidade, no sentido literal da palavra, de querer sentir-se mais bonito, arrumado ou importante. Talvez pensem que a roupa bonita, ainda que dissoante, dê a eles o status de líder que precisam ter, e que poderiam obter servindo, como Jesus ensinou. Quem sabe, através das roupas de marca e elegantes, pensem eles que Deus estaria cumprindo a sua crença particular (e não necessariamente algo que Ele tenha, de fato, prometido) de prosperidade, riqueza, abundância…

Não sei o que pensar, sinceramente. Fico feliz quando vejo na Internet cultos de igrejas modernas onde o pastor pode chegar ao púlpito, se é que se pode chamar o altar dessas igrejas de um nome tão solene, de bermuda e camiseta, claramente de acordo com a realidade de seus fiéis, surfistas, por exemplo. Certamente eu não acharia estranho o pastor de uma igreja de uma cidade rica, e talvez de clima mais temperado, usar terno e gravata.

Terminando, analiso tanto a minha realidade, ou seja, os pastores das igrejas que frequento, quanto a que vejo na tv e internet, e comparo… graças a Deus não vejo nos pastores mais próximos de mim essa urgência pela aparência, estética ou "de prosperidade", que se traduz em suas roupas ou outras atitudes. Infelizmente, no entanto, ainda vejo que isso é a realidade da maioria dos pastores e igrejas que vejo nesses meios de comunicação, e outras tantas que existem por aí.

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Será que o evangelho mudou?

O Evangelho
Grupo Logos

Composição: Paulo Cezar

Eu sinto verdadeiro espanto no meu coração
Em constatar que o evangelho já mudou.
Quem ontem era servo agora acha-se Senhor
E diz a Deus como Ele tem que ser …

Mas o verdadeiro evangelho exalta a Deus
Ele é tão claro como a água que eu bebi
E não se negocia sua essência e poder
Se camuflado a excelência perderá!

Refrão
O evangelho é que desvenda os nossos olhos
E desamarra todo nó que já se fez
Porém, ninguém será liberto, sem que clame
Arrependido aos pés de Cristo, o Rei dos reis.

O evangelho mostra o homem morto em seu pecar
Sem condições de levantar-se por si só …
A menos que, Jesus que é justo, o arranque de onde está
E o justifique, e o apresente ao Pai.

Mostra ainda a justiça de um Deus
Que é bem maior que qualquer força ou ficção
Que não seria injusto se me deixasse perecer
Mas soberano em graça me escolheu

É por isso que não posso me esquecer
Sendo seu servo, não Lhe digo o que fazer
Determinando ou marcando hora para acontecer
O que Sua vontade mostrará.

Refrão
O evangelho é que desvenda os nossos olhos
E desamarra todo nó que já se fez
Porém, ninguém será liberto, sem que clame
Arrependido aos pés de Cristo, o Rei dos reis.

Porém, ninguém será liberto, sem que clame
Arrependido aos pés de Cristo, o Rei dos reis.

 

Comecei esse post com essa música do Grupo Logos, música antiga de um dos grupos de música cristã evangélica a mais tempo na estrada, e que nunca pareceu tão atual como nos dias em que vivemos, dias onde o evangelho tem sido jogado na sarjeta, motivo de escárnio, "vendido" como se se pudesse comprar a benção de Deus ou a salvação de Cristo.

Certamente você, assim como eu, já deve ter ouvido ou visto em alguma igreja, mesmo ao passar pela frente e ver em algum anúncio ou faixa, uma frase que tem tomado conta da mente do evangélico moderno, a famosa "pare de sofrer". Não sei se, como eu, você pensou "que audácia, como alguém pode prometer a outro que ele irá parar de sofrer, especialmente no mundo cercado de violências e tanto caos em que vivemos". Se pensou, não sei se seu pensamento parou aí ou se você teve a curiosidade de saber em que eles baseiam essa afirmação. Porque, cá entre nós, é muito sério você dizer para alguém que írá fazer com que ele ou ela pare de sofrer, especialmente se lembrarmos de tantas pessoas com depressão, ou que estão passando por enfermidades sérias na família, situações adversas como desemprego ou morte de alguém próximo.

Pensando nessa frase, quem não gostaria de deixar de sofrer, para sempre, nunca mais ter um aborrecimento, ou alguma dessas coisas que falei acima, que podem nos sobrevir a qualquer tempo e nos afligir, como a qualquer outra pessoa no mundo? Bem, acho que todo mundo, afinal, se não somos masoquistas, ninguém quer ou gosta de sofrer.

Mas, chegando no ponto onde quero chegar, a razão do título desse post, será que o evangelho mudou, é o fato dessas promessas serem supostamente baseados na bíblia, na vida de Jesus, em seu nome, ou algo do gênero. Sem discorrer muito sobre a parte teológica da coisa até porque qualquer pessoa que se dê ao mínimo de trabalho de ler um pouco da bíblia verá claramente que não tem fundamento nela essa frase, não tem sustentação, assim como não tem lógica, cito as palavras de Jesus em João 16:33 "Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.". Essas palavras claramente diz que teremos aflições, sofrimento, e não o contrário como prometem essas igrejas que propagam esse pseudo-"evangelho" do "pare de sofrer". O contexto desse texto, para quem se interessar em ler, é Jesus falando a seus discípulos como Ele mesmo iria padecer grandemente, sofrer bastante, e como sofreu, e que aqueles que decidissem por segui-lo fielmente, também sofreriam um bocado. Note que a vida já nos traz, naturalmente, uma grande quantidade de coisas e razões para sofrermos. No entanto, esse texto nos ensina que o simples fato de seguirmos a Jesus é um motivo ainda maior para perseguições, sofrimento e dor, então será que esse versículo foi cortado da bíblia dos líderes dessas igrejas? Jesus não nos promete uma vida livre de dor, de sofrimento, de tribulações. Ele nos promete sua paz, uma paz que não é a que o mundo nos dá (João 14:27) que é o conceito de paz como sendo a ausência de sofrimento, de angústias, medos e problemas, mas é a paz exatamente no meio do problema, quando a tempestade mais cresce é aí que sentimos a paz de Cristo, a paz que exede todo entendimento (Filipenses 4:7). Lógico! Faria sentido ter a paz em momentos em que não precisamos dela? Não, e se olharmos na história de diversos personagens da bíblia veremos diversos exemplos que corroboram isso. Senão vejamos: os três amigos de Daniel, lançados na fornalha ardente, não foram livrados do problema, que poderia ser fatal, mas um anjo estava lá junto com eles; as diversas tempestades enfrentadas pelos discípulos de Jesus no mar da Galiléia, com o Mestre a bordo, e nem por isso deixaram de ter o sofrimento a ponto de quase ir a pique que tiveram…

Aliás, a própria vida de Jesus mostra-nos que o sofrimento é algo inerente à condição humana. Jesus sofre quando seu amigo Lázaro morre, ainda que saiba que tem o poder para ressucitá-lo. Ele se angustia no jardim do Getsêmani, poucos instantes antes de ser preso, a ponto de suar gotas de sangue. Não quero nem entrar aqui no mérito da questão financeira de Jesus, e tocar num ponto correlato a esse que é a falsa teologia da prosperidade, porque senão daria muito mais pano pra manga e esse tópico já está ficando grande, mas concluindo, não há razão para crermos em tal afirmação, de que alguém teria condição de nos oferecer uma vida livre de sofrimento. Deus não o faz, Cristo muito menos, então a quem eles (quem prega esse "evangelho") representam? Talvez a si mesmos.

Custo a crer que o evangelho simples de Jesus mudou tanto, transformando-se nessa caricatura de evangelho que vemos por aí. Onde está o amor que Jesus ensinou às vezes de forma tão dura mas tão profunda? Esse evangelho de "porta larga" é bastante diferente do "cada um tome a sua cruz e siga-me" anunciado pelo Mestre. Arrependimento, confissão de pecados, estão ambos fora de moda. Jesus nos promete uma vida abundante sim, mas em graça para suportarmos as adversidades com a cabeça erguida sabendo que tudo isso é temporário, e que caminhamos para um alvo maior, abundante em seu amor e perdão.

"Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego." Romanos 1:16