Sonhos

Não, esse post não é sobre meus sonhos futuros.

É difícil explicar o que é ter uma experiência sobrenatural para quem nunca teve uma, ou para quem não acredita. Já disse antes que não sou pentecostal, no sentido mais amplo da palavra, e não é esse o ponto aqui, mas já tive experiências pentecostais, digamos assim, e Deus tem me dado o discernimento, muitas vezes, de saber o que e quando acontecem.

Essa noite tive um sonho, mas não qualquer sonho. Sonhei um tipo de sonho que fazia alguns anos não sonhava. Sonhei um sonho que me pareceu mais uma palavra de Deus, um aviso, algo assim, como se Deus tivesse querendo falar comigo ou através de mim, e transmitir dessa forma sua mensagem. No meu sonho, sonhei que ainda era criança, por volta de 7 ou 8 anos, algo assim, e estava do lado de fora de uma porta na primeira casa que minha vó Edna morou em natal, e eu olhava para dentro por um vidro na porta, e via todo mundo reunido em família. Em determinado instante, no entanto, todo mundo saiu e quando minha vó saiu eu corri e pulei em cima dela abraçando-a, e ela me abraçou de volta. Quando eu estava abraçando a minha vó, olhei como de relance para o interior da casa onde a família estava reunida e, mesmo abraçado à minha vó do lado de fora, eu a vi também do lado de dentro.

Além dessa cena já me ter sido bastante impactante, lembro que no sonho aconteceu como se fosse um segundo momento, onde eu via claramente Deus me revelando mais ou menos o que significaria aquele sonho, e tinha a ver com a minha avó. Não vou entrar em detalhes aqui do que teria significado isso, mas sei que acordei muito mal, de madrugada mesmo, e comecei a orar a Deus pela minha vó. Hoje de manhã, quando acordei novamente, lembrei-me do encontro do profeta Isaías com o rei Ezequias, quando o Senhor o envia a dizer-lhe que é chegada sua hora, para preparar a sua casa pois ele morreria, e imediatamente fiz essa associação com o meu sonho, com a minha avó, e decidi orar de novo e ligar pro meu pai, pra saber como minha vó estava.

Ele disse que minha vó estava bem, graças a Deus, mas que ligaria pra ela depois e me daria um retorno. Espero que ela esteje bem.

É muito difícil você lidar com alguns tipos de sonhos. Essa não foi minha primeira experiência do gênero, mas lembro-me que todas as que tive semelhantes a essa tiveram um impacto muito forte em minha vida. Logo quando criança sonhei algumas vezes que via Jesus voltando e meus pais e irmãos subindo e só eu ficando, e às vezes tentando subir agarrando-me aos seus pés. Louvo a Deus porque entendi o seu chamado e hoje dou graças ao seu Filho por me salvar. Se tivesse esse sonho novamente, certamente teria outro final. Houve outros sonhos, e não estou me comparando a José do Egito, mas creio firmemente que Deus ainda fala por sonhos, talvez por nosso estado de in-sub-consciência, onde estamos com os ouvidos espirituais possivelmente mais abertos e atentos que quando acordados, nas perturbações do dia-a-dia.

Deus nos abençoe, e cuide da minha vó.

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Ponte para Terabithia

Passei o dia doente hoje, como aliás estou desde quinta feira da semana passada, aproximadamente. Saí logo cedo pela manhã para o hospital com a minha sogra e só retornei quase no final da tarde. Resultado: sinusite forte, mesmo. Passei com Sarinha na farmácia para comprar os R$ 160,00 de remédios aproximadamente, para vocês sentirem a gravidade da doença, e depois vim para casa.

Hoje a noite, e esse é o assunto do post, tava morto pra fazer qualquer coisa, até jogar videogame, e resolvi assistir um filme. Fui na minha pasta de filmes e escolhi Bridge to Terabithia, um filme da Disney. O filme gira em torno de um casal de pre-adolescentes por volta de 12 anos de idade que "desenham para si", atraves da escrita, do desenho, e das aventuras que compartilham juntos, um mundo ideal, um lugar chamado Terabithia, onde eles vão se esconder das mazelas particulares do dia a dia de cada um.

O filme é muito bom, realmente, e não sei se foi a fragilidade do estado físico pela doença, mas cheguei a me emocionar em uma parte que não vou contar senão estraga o final. No entanto, sendo o filme, teoricamente, para crianças, não gostei de uma cena onde o garoto conversa com sua amiguinha e sua irmã mais nova sobre o fato deles irem para a igreja no domingo pela manhã, onde nas entrelinhas do diálogo sobre crer ou não crer no que a bíblia diz, e no ser chato ou não ir a igreja, há muitas mensagens não tão subliminares assim. Quando você vê essa cena você percebe que não foi por acaso, que foi declaradamente de caráter anti-cristão. No entanto, tirando do contexto em que foi empregado, uma das falas sarcásticas poderia revelar uma idéia muito interessante. Ei-la:

"Você acha chato essa história de Jesus porque você é obrigado a acreditar nela pra não ir para o inferno. Eu, como não sou obrigada a acreditar, acho ela linda."

É mais ou menos essa a fala da Leslie para o Jess e a May Bell, que no contexto, especialmente de um diálogo entre crianças, num filme que é para crianças, ficou muito feio. Mas, se abstrairmos esse contexto, e pegarmos apenas a lógica da coisa, eu pensei depois que fica muito interessante, tipo, e faz até sentido para mim, que quando somos obrigados a acreditar na bíblia, especialmente para essa finalidade, não ir para o inferno, tudo parece realmente fantasioso e chato, enquanto torna-se prazeiroso, vivo, eficaz e verdadeiro quando aceitamos em amor o seu conteudo, a Palavra de Deus.

Finalizando deixo as palavras do rei Davi, em dois versos de salmos de sua autoria:

"Lâmpada para os meus pés é a tua palavra, e luz para os meus caminhos." Salmos 119:105

"Bem aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos impíos, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes, o seu prazer está na lei do Senhor, e na sua Lei medita dia e noite." Salmos 1:1

Choque e revolta

Domingo, dia 22 próximo passado, voltando de uma missa, um ex-professor meu da graduação, Arnaldo Dias Belchior, foi abordado na porta de sua casa, esperando o porteiro abrir o portão para estacionar seu carro, por três adolescentes que, em uma tentativa frustrada de assalto, assassinaram este homem simples, sereno, dedicado, inteligente, pai de dois garotos. O carro do professor era um Renault Cliot, cujo botão para acionamento dos vidros se encontra próximo ao câmbio, e para abrir o vidro ele precisou esticar o braço para apertá-lo. Foi seu último movimento.

Aqueles três jovens ceifaram a vida deste mestre, três adolescentes de dezesseis anos que, devido à nossa "justiça", se condenados, uma vez que somente 0.2% de todos os crimes cometidos são de fato julgados, sairão da unidade de "correção" juvenil quando completarem dezoito anos, ou seja, se cumprirem a "pena", será no máximo dois anos antes de poderem praticar novamente atos hediondos como esse.

É de dar revolta. Dá revolta nós policiais não termos condições de trabalho e por isso mal conseguimos cumprir nossas atribuições. É de dar revolta ver a impunidade reinar, a sensação de violência nos manter reféns dentro de apartamentos cada vez mais parecidos com celas ou clausuras. É revoltante ver os ímpios prosperarem. Não, isso não é justiça. Justiça era na época da Lei de Moisés (não, não anseio a volta da Lei), onde um assassino deveria ser morto.

Minha solução para a violência e criminalidade? Bem, não creio que ela exista, até porque não importa apenas combater a violência se não tratar de evitá-la com ações voltadas à religião, educação, saúde, esportes, moradia e tantas outras coisas que faltam à população carente. No entanto, com uma massa de 150 milhões de pobre e miseráveis neste país, por que só alguns poucos descambam para a violência em meio a tantos outros que são honestos e só querem viver sua vidinha tranquila sem ser molestados pelos bandidos ou pelos maus policiais que tratam todos como farinha do mesmo saco? E como explicar o recente caso da quadrilha de jovens de classe média em Salvador, presos por interceptação de mercadoria roubada, com armas, e acusados ainda da morte de um policial civil na saída de uma boate?

Não vou discutir o antes, porque já foi, é passado, ainda que seja presente na vida de muita gente. Mas as soluções para aqueles que já cometeram os crimes, e nesse caso particular, crimes hediondos, para mim, devem ser drásticas. Um animal, porque não ouso chamar de gente quem comete esse tipo de ação, deve pagar, e caro, por seus atos de salvageria. Na minha opinião, e essa foi a sugestão que enviei à Associação dos Magistrados do Brasil – AMB, que estava recolhendo sugestões para propostas de melhorias e modernização dos códigos penal e de processo penal, criminosos culpados, com trânsito em julgado, por crimes hediondos, deveriam ser condenados à prisão perpétua, em regime de isolamento. Aqueles que porventura fossem reincidentes neste tipo de crime deveriam pagar com a vida; cadeira elétrica, injeção letal, fuzilamente, não importa, de preferência o que fosse mais barato para não dar mais custo à sociedade. Aqueles presos por crimes não hediondos deveriam ser condenados à penas maiores, em sistema de trabalhos forçados. Diz o ditado que "mente vazia, oficina do diabo", e essa é mais uma razão pela qual deveriam ser submetidos a este tipo de regime. Adolescentes matando ou cometendo outro tipo de crime e serem recolhidos a uma instituição para passarem dois anos? Isso é um absurdo. Quem mata, independente de ter 10 ou 80 anos deve ser punido da mesma forma, e de preferência de maneira exemplar, de modo que quem sequer ouvir falar na pena sinta-se desencorajado a cometer tal crime. E digo mais, visita íntima, celas coletivas, banho de sol, saídas em fim de ano e outras tantas regalias que me fazem questionar se de fato estão presos, somente para quem é gente, e não para esses animais. Quem destrói a vida de outro, e de sua família, por consequência, não é gente, que dirá cidadão, e não merece, nem pode ser tratado como tal.

Fica o meu desabafo, de choque e revolta.

Pentecostal

Esse será um post breve. Eu prometo.

Não, não sou pentecostal. Fui criado em parte como um mas não sou pentecostal, sou batista, e por opção. Não ficarei aqui exaltando como o sistema batista de administração eclesiástica funciona bem, de maneira democrática e blá e blá e blá. Sou batista porque creio que a doutrina pregada nas igrejas verdadeiramente batistas é a doutrina mais próxima da realidade e contextualidade do novo testamento em sua simplicidade. Também escolhi ser batista pela liberdade praticada em seu seio. Liberdade inclusive para discordar, e no meu caso já discordei até de "gente grande", digamos assim, coisa impensável em muitas igrejas por aí, que o diga o episódio que aconteceu na comunidade da Igreja Betesda Aldeota no Orkut, onde fui expulso ao responder com o posicionamento teológico que considero correto às perguntas de alguns usuários sobre a Teologia Relacional, heresia aceita por parte do corpo daquela igreja a começar do seu pastor.

Mas voltando ao tema, e já não estou conseguindo deixar o post pequeno, não sou pentecostal se ser pentecostal implica crer na perda da salvação. Não, não creio na perda da salvação, porque sei que "nada poderá nos separar do amor de Deus", como diz Paulo, em um dos inúmeros textos que fortalecem a minha fé. Não vou, até porque este não é o espaço e nem o momento adequado, discorrer sobre a doutrina da perda da salvação, ou da não perda, por um lado ou pelo outro, já que tenho conhecimento de ambos os lados. Durante um tempo, inclusive, admito que não possuía respostas a muitas questões nesse sentido por parte dos pentecostais, respostas que hoje tenho e que me fazem crer que entender de outra forma é possível apenas retirando-se do contexto os textos utilizados para embasar tal afirmação.

Também não sou pentecostal se para ser pentecostal eu tiver que obrigatoriamente falar em línguas (apesar de já ter tido essa experiência algumas vezes), ou profetizar, ou expulsar demônios ou qualquer outra demonstração externa de "poder sobrenatural" que se possa citar. Aliás, para mim, demonstração externa de "fogo" que não seja respaldada por amor ao próximo e testemunho da obra salvífica de Jesus é mais "pensamento positivo" do que qualquer outra coisa. Lembro-me da igreja de Corinto, a mais carismática, e ainda assim a mais problemática. Ainda me vem um texto à lembrança, de pessoas dizendo a Jesus, no dia do juízo, "Senhor, em teu nome profetizamos, expulsamos demônios, etc etc" e Ele respondendo "Apartai-vos de mim, vós que praticais iniquidades". Adianta, sejam sinceros, em alguma coisa, demonstrações meramente exteriores de poder, se esse mesmo poder não transformar o interior? Seríamos como sepulcros caiados, cheios de podridão no interior, mas bem cuidados por fora.

Outra coisa, não sou pentecostal porque não admito que a minha compreensão da palavra possa determinar, ou delimitar, a atuação da soberania de Deus em dizer quem vai receber que tipo de dom, para que irá usá-lo, e quando e como irá usá-lo. Querer dizer que o batismo do Espírito Santo é manifestado pelo dom de línguas, que esse é o sinal da ação sobrenatural na vida do crente é o mesmo que dizer que Deus tem obrigatoriamente que dar esse dom para todos os que tiverem o seu Espírito, e quem sou eu para obrigar a Deus a dar qualquer dom, ou um que seja em especial, para qualquer pessoa. Deus pode muito bem dar o dom de profetizar e não dar o de falar em línguas, de interpretá-las, inclusive, seria muito mais útil nesses dias ondem muito se fala e pouco se entende.

No entanto, sou sim, e sempre serei pentecostal se isso significar aceitar que os sinais seguirão aos que crerem, se admitir-se que a finalidade, o propósito, dos dons do Espírito estão definidas nos últimos versículos dos evangelhos e nos primeiros dos Atos, ou seja, para sermos testemunhas de Jesus tanto em Jerusalém, como na Judéia e Samaria e até aos confins do mundo. Se não for assim, os dons perdem o seu valor, servem mais para o orgulho e vaidade pessoal, e não para edificação dos santos, como diz a Palavra.

Também não admito virem me enfiar goela abaixo que o texto de Joel se aplica e se encerra na época apostólica. Estamos, desde a subida de Jesus aos céus, vivendo essa época então vir me dizer que um verbo em grego assim e assado quer dizer que encerrou naquela época, quando as pessoas que escreveram estavam ainda experimentando, me parece contraditório. Creio que o Espírito é tão atual em sua atuação, em todos os aspectos, como sempre foi, apesar do "mal uso" dos dons por Ele dispensados.

Bem, como esse post já ficou muito maior do que o que devia, não vou entrar em detalhes teológicos, até porque nem sou o dono da verdade, nem tão preparado assim para embates nessa seara, bem como também tenhos muitas questões que nem sei se serão respondidas algum dia. Mas, ao terminar de ler a Palavra, e estou quase lá, fico feliz em perceber que a maturidade chega, as dúvidas são sanadas, e quando não são ainda assim sentimos a paz de Deus nos dando o entendimento necessário, e seu Espírito nos ensinando, nos relembrando tudo aquilo que aprendemos, na teoria, e mais ainda na prática da sua Palavra.

Saco vazio e saco cheio (no bom sentido)

Sabe quando você vê um saco vazio solto no chão? O saco está amorfo, e qualquer vento o leva.

Por outro lado, tão logo você começa a preencher o seu interior, o saco toma a forma daquilo com que é preenchido.

Estava, e de certa forma um pouco ainda estou, me sentindo como um saco vazio. Vazio da presença de Deus. Estou orando com freqüencia, conversando com o Pai sobre diversos assuntos, mas careço de ouvir a sua voz tão preciosa, tão gostosa, acalentadora, motivadora, consoladora. Conversa em que só um participa é um monólogo, e certamente não quero que esse monólogo seja pela minha voz. Ainda que fosse um monólogo da parte de Deus em minha direção… Estou também lendo a bíblia, procuro meditar em Sua lei de dia e de noite, como afirma o salmista e rei Davi. E quão preciosa é sua palavra. Palavras de vida, como disse Pedro a Jesus. Não sei o que seria de mim sem essas verdades. Elas mudam meu interior, transformam o iníquo em santo, mudam minha concepção de realidade e quanto mais me confronto (ou defronto, se é que essa palavra existe) com a Palavra, mais percebo, como o profeta Isaías, que sou um homem impuro que habito no meio de um povo impuro. Mas ainda assim não tenho conseguido experimentar, conhecer mais a Deus, praticar aquilo que diariamente leio. A distância entre a teoria e a prática às vezes se torna em abismo.

Ontem, depois de muito adiar, voltei a Igreja Batista Metropolitana. Fui receoso. Penso que me apoio severamente no comodismo fácil de dizer que não vou pro culto sozinho por respeito a minha namorada, o que é apenas em parte verdade. Às vezes, talvez pelo saco vazio que tenho sido ou pela falta de motivação, deserto longe da presença de Deus, ou de sentir a sua presença pra tentar ser mais preciso nas minhas palavras, me sinto como Elias, em seus inúmeros momentos de "fraqueza", ou "inanição" espiritual. Acho que é isso, inanição. Se bem que mesmo inanição talvez não descreva exatamente o que estou passando ou sentindo, porque inanição dá a idéia de falta de comida, e o que estou sentindo, a meu ver, não tem muito a ver com isso. Acho que é a falta de palavra que melhor descreva que me faz usar essa mesmo. De qualquer modo, voltando ao assunto, ontem fui ao culto das 5 horas na IBAM. E que culto. Eu realmente estava precisando me deleitar novamente na presença do Senhor. Sentir um pouquinho o calor do seu Espírito. Os louvores muito bons, em todos os aspectos, e a palavra do pastor Abraão, "coincidentemente", embora eu não acredite em coincidências, sempre tão relevante, que me fala sempre tanto assim. Foi um banquete espiritual.

Posteriormente fui pra minha igreja. Isso mesmo, fui a dois cultos em seguida, e não, não irei falar mal da minha igreja. Mas adimito que também fui receoso, dessa vez por medo de tomar uma ducha fria depois de momentos tão gostosos. Agradeço a Deus por suas misericórdias, pois o culto lá também foi muito bom. A pregação ficou a cargo de um ex pastor de lá que não lembro de ter visto pregar antes, talvez uma vez no máximo, e ao ser perguntado por uma amiga que sabe um pouco como estou me sentindo, ao final da mensagem, se eu tinha "me alimentado" espiritualmente, eu disse a ela que a mensagem tinha tido "um sabor de sobremesa".

Assim um saco vazio toma a forma daquilo que é colocado em seu interior. Eu, saco vazio, ontem me senti preenchido pelo Espírito, por sua doce presença, me guiando no meio deste deserto, tão bem colocado pelo pastor Abraão em sua palavra. Hoje estou "de saco cheio", no bom sentido, e é assim que pretendo ficar pelo tempo que Deus me permitir.

Perfeccionista

Atenção: o post a seguir pode apresentar conteúdo de caráter "auto-afirmativo", quiçá "egoísta".

Sou perfeccionista. Esta é uma das minhas principais qualidades, e, por vezes, um dos meus piores defeitos.

Explico. Não me contento com algo mal-feito, feito "na tora", "nas coxas". Pra mim há uma séria diferença entre "amador", "não profissional" e mal feito. Aliás, praticamente toda improvisação, pra mim, cheira a algo mal feito.

Na minha vida sempre busquei (e ainda busco) a excelência. Tanto em mim quanto nos outros, e quando não consigo atingir esse nível, por alguma razão, acabo me frustrando ou ficando aborrecido. Isso, no decorrer do tempo, foi tendo um caráter menos deterministíco na minha vida (porque com os anos ganha-se paciência) mas não menos importante. Continuo, no que posso, buscando o melhor, e não consigo me contentar com um "segundo lugar", se for possível atingir o primeiro.

De fato, isso é uma virtude porque as pessoas que trabalham comigo podem contar que serei criterioso, buscarei dar o melhor de mim, farei tudo com esmero. Por outro lado, o "vício" é que passo a ser muito "judmental", ou seja, crítico de tudo e todos. Não, não fico analisando "psicologicamente" todo mundo por aí, mas sim, analiso criticamente tudo que é feito ao meu redor, especialmente aquilo que direta ou indiretamente me afeta. Isso nem sempre é bom, especialmente porque para quem é perfeccionista, 99% às vezes é pior que 0%. Se não tiver excelente não serve, e logo onde moro, Salvador, Bahia, Brasil, tudo é "mais ou menos", quase nada é ótimo, ou "de primeira". Dessa forma, acabo me estressando bastante, ficando intolerante com muitas coisas e pessoas ao meu redor. Circunstâncias que para muitas pessoas são normais realmente testam minha paciência, especialmente quando percebo a má vontade empregada, ou que há claramente a possibilidade de mudança para o melhor, e é simplesmente ignorada porque as pessoas se acomodam com o "simplesmente bom".

O "bom", pra mim é medíocre. É pouco, muito pouco. É atraso de vida, como o é todo comodismo.

Pre-ocupações, pra quê?

Estou refletindo esses dias sobre a ansiedade, em particular aquela gerada pela preocupação com o futuro.

Ora, o futuro a Deus pertence, assim afirma o ditado popular, então por que nos preocuparmos, ou seja, no ocuparmos previamente sobre algo que não temos controle, sobre algo que ainda virá?

Mais um ditado popular, e Sarinha vez por outra me lembra que sou o homem dos ditados, diz que quem morre de véspera é peru. Seja na festa tradicional americana de ação de graças, onde o peru realmente morre de véspera, ou na nossa vida diária, onde "morremos" todos os dias preocupados com os problemas que ainda não experimentamos porque simplesmente ainda não chegaram, esse ditado nos traz uma lição importante, de darmos graças a Deus pelo presente, e confiarmos nEle para o futuro.

Deus é o nosso Jeová Nissi, Deus Provedor, então não temos porque nos preocupar com as coisas vindouras. Trago à memória os ensinos de Jesus em Lucas 12, 22-29:

"E disse aos seus discípulos: Portanto vos digo: Não estejais apreensivos pela vossa vida, sobre o que comereis, nem pelo corpo, sobre o que vestireis.
Mais é a vida do que o sustento, e o corpo mais do que as vestes.
Considerai os corvos, que nem semeiam, nem segam, nem têm despensa nem celeiro, e Deus os alimenta; quanto mais valeis vós do que as aves?
E qual de vós, sendo solícito, pode acrescentar um côvado à sua estatura?
Pois, se nem ainda podeis as coisas mínimas, por que estais ansiosos pelas outras?
Considerai os lírios, como eles crescem; não trabalham, nem fiam; e digo-vos que nem ainda Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles.
E, se Deus assim veste a erva que hoje está no campo e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé?
Não pergunteis, pois, que haveis de comer, ou que haveis de beber, e não andeis inquietos."

Por último, lembro-me daquele filme "Sociedade dos poetas mortos". Não pela história em si, mas pelo "Carpe Diem". É isso mesmo, carpe diem, aproveitem o dia. "Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal." Mateus 6:34. Com esse texto final, deixo a minha reflexão, que devemos nos preocupar apenas com o que podemos lidar, com aquilo que está a nosso alcance, "on a daily basis", ou seja, vivendo cada dia individualmente no tocante as proprias dificuldades e lutas. Não adianta se desesperar pelo que ainda não aconteceu, ou viver na ansiedade de problemas futuros. Se vivermos as dificuldades (e alegrias) diárias, e contarmos as bençãos, como diz aquele antigo hino, certamente aproveitaremos bem melhor a vida que Deus nos proporciona.