Quase lá…

Temamos, pois, que, porventura, deixada a promessa de entrar no seu repouso, pareça que algum de vós fica para trás. – Hebreus 4:1

Parecer ficar para trás. Esse texto poderia talvez significar ser deixado para trás, como uma multidão em fuga em que alguns acabam ficando pelo meio do caminho por não conseguirem acompanhar o grupo. Na verdade, não é esse o caso, já que o Senhor não abandona os seus.

Uma análise mais atenta desse texto levando em conta seu contexto, como deveríamos, inclusive, fazer com toda leitura bíblica, reve-la o que há por trás dessa metáfora (sim, é uma metáfora), pois o escritor da carta aos hebreus está fazendo uma referência já desde o capítulo anterior ao êxodo do povo de Deus sendo por Ele retirado do Egito e levado a Israel pela liderança de Moisés.

De fato, em outra tradução de outro idioma, esse ficar para trás aparece como “quase chegar”, aquele quase que infelizmente não é suficiente, que falta um pouco para atingir aquele objetivo, e é importante vermos isso sob duas óticas, uma implícita no texto e a outra explícita.

A primeira, que está nas entrelinhas do texto (embora não muito escondido), refere-se ao próprio Moisés, que quase entra na terra prometida, quase entra no descanso do Senhor, mas, em razão de sua desobediência, Deus, em muita generosidade, permitiu apenas que ele contemplasse o prêmio à distância, que ele mesmo, por suas ações, havia perdido. Moisés quase chega lá, chegou a “centímetros” de conquistar seu sonho mas ficou para trás.

A segunda, que vem logo em seguida no texto, refere-se aos israelitas que, embora liderados pelo homem de grande fé que era Moisés, não possuíam fé própria, ao contrário, com seus pensamentos, ações, atitudes e palavras demonstravam claramente que eram mesquinhos, desobedientes, insubordinados, maledicentes, reclamões, enfim, rebeldes não contra a liderança do servo de Deus, mas contra o próprio Deus que havia lhes feito uma promessa e que eles teimavam em não crer apesar de todos os milagres experimentados dia a dia e que conspiravam fortemente a favor.

Como fim dessa reflexão fica para nós os seguintes questionamentos: será que nossa desobediência tem nos impedido de receber o nosso descanso, a nossa promessa? Será que, semelhantemente, nossa falta de fé, que se desdobra em rebeldia contra o Pai, tem nos feito voltar para trás, ficar para trás, deixarmos de andar o caminho proposto para nós pelo Senhor, caminho de paz e sabedoria, de valores diferentes daquilo que o mundo oferece e que por vezes cheira bem, tem boa aparência, mas nos leva diretamente para o despenhadeiro de morte?

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