Cristo no lado de fora da porta

Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo.
Aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas. – Apocalipse 3:20,22

Ao lermos os 3 primeiros capítulos de Apocalipse, somos confrontados com as cartas que Jesus enviou às igrejas da Ásia Menor, região da Turquia de hoje, como mencionei antes, então não deixa de causar uma certa surpresa e, posteriormente, angústia ao saber que Jesus não está dentro de casa, está do lado de fora batendo, incessantemente, insistindo para que alguém Lhe abra a porta.

Sim. Esse texto, muito usado para evangelizar os perdidos, aqueles que não receberam ainda a Jesus como Senhor e Salvador de suas vidas é na verdade um chamado ao arrependimento dos de dentro, pois é direcionado não ao mundo mas à Igreja. Jesus ontem e hoje diz para sua noiva, a Igreja: arrependa-se! Volte-se para mim e volte para mim, venha ao meu encontro, case-se comigo e vamos morar juntos, não me deixe esperando no altar, não me deixe aqui do lado de fora enquanto você mantem relações incestuosas com terceiros que não lhe querem bem. Somente eu dei minha vida por você!

O texto é bem claro, se alguém ouvir, ou seja, boa parte das pessoas infelizmente está surda à voz de Deus e não consegue mais ouvir uma forte pancada na porta. É, porque Jesus não está sussurrando, Ele está batendo na porta com força, quase forçando a entrada mas não, Ele espera ser convidado a entrar, a participar da nossa vida, da nossa história, do nosso dia a dia, das coisas importantes tanto quanto das banais, como um familiar, como um amigo.

Vemos ao final do capítulo o aviso: aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas. O estilo literário dos judeus mais uma vez pode ser visto aqui quando, por meio da repetição dessas palavras no decorrer do texto, temos a ênfase necessária da mensagem, o caráter de urgência e importância. É como se Jesus gritasse nos alertando, nos avisando de um perigo iminente, grave e real. Não é brincadeira. Aquele que tem ouvidos, mas não ouvidos físicos e sim a sensibilidade da alma e do espírito para ouvir a voz de Deus, a voz de Cristo à porta nos chamando, nos convidando, e desejando a reciprocidade da oferta. É Jesus quem fala através do seu Espírito, e o destinatário da mensagem é a igreja, eu e você que temos a Deus por Pai e a Jesus como Senhor e ao Espírito Santo como guia e consolador. Resta saber o que iremos responder, se iremos convidá-lo a entrar e cear conosco, ou se o deixaremos batendo do lado de fora até que se canse e vá embora. A responsabilidade de convidá-lo a morar em nosso lar, em nossa casa e coração é nossa!

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A igreja moribunda

Ao anjo da igreja em Sardes escreva: Estas são as palavras daquele que tem os sete espíritos de Deus e as sete estrelas. Conheço as suas obras; você tem fama de estar vivo, mas está morto.
Esteja atento! Fortaleça o que resta e que estava para morrer, pois não achei suas obras perfeitas aos olhos do meu Deus. – Apocalipse 3:1-2

Existe uma corrente teológica que entende as 7 igrejas do Apocalipse como 7 períodos históricos da Igreja do Senhor, desde a igreja primitiva dos Atos dos Apóstolos até a igreja dos tempos finais, pre arrebatamento pelo Senhor (para os que acreditam em arrebatamento, de todo modo).

Quando li esse versículo, imediatamente pensei na Igreja Católica (e nem sei ao certo se, segundo essa teoria, a igreja de Sardes corresponderia à Igreja Católica, em algum momento), uma igreja que aparenta estar viva mas em muitos aspectos já morreu e parece não saber, como aquele chefe dos dois rapazes do filme “Um morto muito louco” que morreu e no entanto todos pensam que está vivo por causa de uma encenação montada pelos dois farsantes, levado para cá e para lá e “participando” da vida comum, bem como a igreja que tem cara de igreja, cheiro de igreja, soa como igreja, parece igreja mas não é mais igreja enquanto organismo vivo, como o corpo de Cristo a que o apóstolo Paulo compara a igreja do Senhor. Na verdade a mera religiosidade, o sincretismo, a hierarquização, a luta pelo poder e preemineência, e tantas outras heresias tiveram o efeito de doenças em uma vítima imunodeprimida.

Mas esse pensamento curiosamente ficou apenas uma fração de segundo em minha mente, pois logo foi substituído por outro que me deixou ainda mais apreensivo. E se a igreja de Sardes na verdade fosse o meio evangélico atual, onde o fogo é a demonstração de que a pessoa é cheia do Espírito, mas me pergunto, de onde virá esse fogo e de que espírito mesmo temos nos enchido. É, porque de milagres fantasiosos o diabo é expert, como o mister M, cheio de truques. Ele sabe fazer com que bonecos pareçam vivos, e na verdade não estaremos glorificando ao Espírito com nossas ações, palavras, atitudes, nossa adoração será ao espírito do dinheiro, do sexo, da fama, do poder, que infelizmente têm reinado em muitas igrejas hoje em dia. Na verdade, adoramos muitas vezes ao espírito de porco e não ao Espírito Santo, nossas obras passam longe da perfeição que Deus espera e que Ele é digno, estamos como pacientes terminais em um leito de UTI esperando não sair do coma, mas passar dessa para a melhor. Ou seria pior?

Apocalipse, felicidade e desafio

Feliz aquele que lê as palavras desta profecia e felizes aqueles que ouvem e guardam o que nela está escrito, porque o tempo está próximo. – Apocalipse 1:3

Começando a ler novamente o livro de Apocalipse, que por tanto tempo tive medo, por tanto tempo ignorei completamente o seu conteúdo maravilhoso, embora de difícil compreensão, me senti privilegiado por ser um dos chamados felizes por ler as palavras dessa profecia, e por que feliz?

Porque o Apocalipse fala de boas notícias, do retorno do meu Senhor e Salvador Jesus Cristo para buscar a sua igreja, da qual faço parte, para habitar nas moradas celestiais que hoje Ele se encontra preparando para nós vivermos eternamente ao lado do Pai.

É um livro que traz severos avisos para a igreja permanecer vigilante num mundo que caminha a passos largos para o inferno e está fadado a morrer em trevas e sofrimento, terrível notícia para quem está se perdendo, é verdade, embora alegria para os que se salvam, ao mesmo tempo que é um estímulo para que nós que conhecemos esta verdade proclamemos a todos que conhecemos que Jesus Cristo é a resposta, o caminho, a verdade e a vida, e ninguém vai ao Pai senão por meio dEle, conforme suas próprias palavras.

Mas a Palavra é ao mesmo tempo dura e clara, somente são felizes os que em primeiro lugar leem, ou seja, tomam conhecimento do que ela trata, ouvem, ou seja, prestam atenção, não são displicentes no trato com a Palavra, e por fim guardam o que nela está escrito, obedecendo, meditando, alimentando-se e sendo transformados pelo Espírito Santo que age por meio de sua Palavra. Não adianta lermos e não ouvirmos, sermos surdos à voz de Deus que fala, ou ainda ouvirmos e não praticarmos, desobedecermos a sua vontade que é boa, agradável e perfeita.

Finalmente, o que me dá ainda mais alegria e esperança ao ler esse livro é que João, seu autor, diz que o tempo do fim, do retorno de Cristo, da salvação da Igreja, do encontro com o Pai, de não haver mais choro, nem dor, nem tristeza, nem sofrimento, somente paz, está próximo, e se já estava próximo há 1900 anos quando ele escreveu esse livro, hoje está ainda mais, e o tempo não poderia ser mais propício para a volta de Jesus, terminando de cumprir por completo esse livro de profecias, como já o fez com todas as demais profecias a seu respeito contidas no antigo testamento.