Todos somos pecadores

Todavia, não há um só justo na terra, ninguém que pratique o bem e nunca peque. – Eclesiastes 7:20

Voltando hoje da academia, passei em frente a uma loja de baterias que tem aqui nas proximidades, e ouvi de rabo de orelha um senhor, um simples mecânico, conversando com seus colegas sentados na porta do estabelecimento comercial, falando mais ou menos o seguinte:

“…Rapaz, todos nós somos pecadores. Sabe como é, passa uma mulher, a gente logo olha, e começa a imaginar as coisas…”

Mulher é sempre tema fácil em qualquer roda de homens, mas aquela conversa me chamou a atenção pela palavra utilizada pelo cidadão, “pecadores”, e porque na continuação, enquanto eu ainda pude ouvir, percebi que ele tentava a seu modo explicar o evangelho de Jesus de maneira muito simples e eficiente aos seus colegas de trabalho, de uma maneira que eu mesmo infelizmente não consigo, do “alto” da minha inteligência e capacidade.

Lembrei, continuando meu caminho, das palavras de Jesus em resposta a alguém que lhe chamou de bom (embora percebamos pelas palavras que se tratava de um elogio não sincero com razões secundárias):

E Jesus lhe disse: Por que me chamas bom? Ninguém há bom senão um, que é Deus. – Marcos 10:18

Ora, se mesmo Jesus somente considerava bom a Deus, nem a si mesmo, imagine nós mesmos hoje em dia como não somos ou deveríamos ser? De fato, em sua época, a luta mais dura que ele empreendeu foi justamente contra os religiosos de plantão, que se achavam superiores, suprassumos da santidade e espiritualidade, mas que no entanto não conseguiam cumprir a lei e ainda impediam outros em sua caminhada de fé por adicionar coisas ainda mais difíceis de serem realizadas, como se já não bastasse o fato da lei em si mesmo ser absolutamente impossível de ser cumprida em sua integralidade o tempo todo por qualquer ser humano.

Com isso em mente, a minha oração hoje é para que Deus retire de nós toda hipocrisia de nos acharmos santos, melhores do que os nossos semelhantes, como aquele fariseu da parábola que Jesus contou em Lucas 18:11, nos faça reconhecer que somos carentes da sua misericórdia e graça, que não possuímos mérito nenhum da nossa salvação e de tudo de bom que Deus tem nos concedido, e que nos capacite a também agir em favor daqueles que estão em nosso redor, com compaixão e não com julgamento.

Deus nos abençoe.

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Más companhias, maus costumes

Não se deixem enganar: “as más companhias corrompem os bons costumes”. – 1 Coríntios 15:33

Recentemente Deus falou comigo sobre as amizades que nós cristãos cultivamos no mundo, sobre a dualidade que existe entre os valores de Deus e o sistema corrompido de valores opostos aos seus a que chamamos mundo, uma realidade não geográfica mas moral e espiritual, e de como, nesse contexto, não devemos nos relacionar em profundidade com pessoas que não possuem o mesmo Deus como Senhor, que não fazem parte da mesma família da fé. Na ocasião Deus me falou através dos textos de Tiago 4:4-5 e 1 João 2:15-17.

Ontem novamente senti Deus falar comigo sobre esse assunto, embora tendo outro “gatilho”, no caso uma pessoa que conheço que já frequentou a igreja e hoje está afastada, e a diferença que eu pude perceber em seu comportamento, em seus valores, até mesmo na maneira de falar, nas palavras e expressões usadas, quando conversei com essa pessoa esses dias.

O texto que Deus me tocou hoje, ontem na verdade, foi o de 1 Coríntios 15:33 que fala sobre as más companhias, como elas promovem uma mudança ruim nos valores, na moral, nos costumes de quem, embora sendo servo do Senhor, deixa-se contaminar, passa a compartilhar (“dividir o pão”) a vida, se relaciona com frequência e intimidade com quem escolheu caminhar longe do Senhor.

Não há no cristianismo a figura do yin-yang taoísta onde há uma parcela de bom no mau, e vice-versa, uma parcela de mau no bom. Somos chamados a ser santos, separados, pois somos filhos de um Deus que é santo, e deseja para sua família os mais altos padrões morais e éticos.

Quando andamos em más companhias, e por más companhias não quero dizer bandidos, ou prostitutas, ou pessoas de má fama, pelo contrário, pode ser seu vizinho ou colega de trabalho, da faculdade ou, pasme, até mesmo da igreja, conforme exortação do apóstolo Paulo em 1 Coríntios 5:9-11, somos vítimas não apenas do falatório, que não é tão importante dentro do contexto da obra sendo feita, de resgate de vidas, mas sim da influência, essa sim que merece nossa atenção e cuidado, que eles mesmos podem exercer sobre nós, um fardo pesado que requer ombros fortalecidos na Palavra do Senhor para conseguir suportar.

Já lhes disse por carta que vocês não devem associar-se com pessoas imorais.
Com isso não me refiro aos imorais deste mundo, nem aos avarentos, aos ladrões ou aos idólatras. Se assim fosse, vocês precisariam sair deste mundo.
Mas agora estou lhes escrevendo que não devem associar-se com qualquer que, dizendo-se irmão, seja imoral, avarento, idólatra, caluniador, alcoólatra ou ladrão. Com tais pessoas vocês nem devem comer. – 1 Coríntios 5:9-11

Devemos ser sal e luz nesta terra (Mateus 5:13-14), então Deus não quer que nos isolemos das pessoas perdidas, sobre as quais devemos exercer nossa influência positiva para que elas mesmas entendam o amor de Deus por elas, e os valores eternos do reino, de modo que sejam salvas e venham com isso a abandonar paulatinamente seus vícios e pecados. Isso requer de nós interação e apoio. Muitas vezes doação de tempo e estarmos presente em ocasiões especiais em suas vidas. Mas não nos obriga a partilharmos de ambientes, locais e situações que podem comprometer nosso testemunho, fazer tropeçar um irmão mais fraco na fé, ou ao invés de causar-lhes uma boa influência, poderá nos fazer desviar do caminho nós mesmos.

É realmente uma dificuldade conciliar a tarefa de pregar a Palavra sem preconceito sem se deixar contaminar pelos valores morais corrompidos, como Jesus fez por exemplo, que preferia a companhia dos mais rejeitados socialmente falando, prostitutas e bandidos mesmo, coisa que dificilmente conseguiríamos fazer sem sofrer algum tipo de consequência no mínimo de reprovação social, ou de cunho vexatório.

No entanto, a Palavra mais de uma vez é clara com relação a esse assunto, afirmando, por exemplo, que feliz é o homem que não anda conforme o conselho dos ímpios, não se detém no caminho de pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores, antes o seu prazer está na Lei do Senhor, Lei na qual medita durante todo o dia (Salmos 1). Quando damos ouvidos aos conselhos daqueles que não confiam em Deus, somos instigados a confiar mais em nós mesmos e depender menos do Pai; quando caminhamos diariamente com amigos cujos padrões morais, comportamentais, sociais diferem muito dos nossos enquanto cristãos, somos pouco a pouco anestesiados com relação a seus desvalores, a suas posições contrárias à vontade do Pai; quando sentamos numa roda onde o assunto dificilmente passará longe de futilidades, entrando normalmente por pecados como a fofoca e imoralidade, seremos coniventes com tudo aquilo que está sendo dito ou feito, passaremos a considerar como normal aquele tipo de conversa, de atitude, de ação, e cedo ou tarde estaremos tão parecidos com os demais que o mundo já não conseguirá enxergar em nós a luz de Cristo que deveria estar brilhando, o sal terá perdido o seu sabor e não prestará para nada.

A minha oração hoje não é pedindo a Deus para que nos retire do mundo, mas para que nos dê fé suficiente e prática de modo a impactarmos nossos amigos que não entregaram ainda suas vidas a Cristo, não nos deixando contaminar no caminho, permitindo que sejamos nós a fonte de influência e não eles, pois estaremos sempre em menor número e as pressões sociais tendem a produzir em nós um constrangimento de nos levar a repetir os mesmos padrões de comportamento, palavras, e valores que não glorificam ao Pai que eles possuem. É uma tarefa árdua mas possível.

Deus nos abençoe.

Quando a religiosidade nos paralisa

Então disse o Senhor a Moisés: Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem. – Êxodo 14:15

Quando a religiosidade nos paralisa.

Moisés foi provavelmente uma das pessoas que se relacionou com Deus de maneira mais próxima, com maior intimidade.

Porém, nem ele escapou de levar um “puxão de orelha” do Senhor, por uma simples razão, ele foi clamar a Deus, orar, quando deveria estar agindo.

Como pode?

A Bíblia nos diz que para tudo há um tempo determinado (Eclesiastes 3), inclusive o tempo para meditação na Palavra de maneira particular, ou oração, mas a grande parte do tempo que temos é tempo para ação mesmo.

Deus não quer que seus filhos sejam crianças dependentes e que não conseguem fazer nada por si mesmas, sempre tendo que recorrer ao Pai por ajuda nas coisas mais banais. Ao contrário, Ele espera que adquiramos sabedoria e maturidade no nosso caminhar diário consigo, de modo que a maior parte das decisões poderemos tomar por conta própria, pois já teremos internalizado, já saberemos de antemão qual é a boa, perfeita e agradável vontade do Pai para nós naquela circunstância, e dessa forma ganharemos tempo precioso deixando de estar ansiosos e inseguros.

Como Moisés naquele momento, somos incentivados por Deus, mandados mesmos a agir, chega de meditar apenas, calcular somente, o momento de planejar já passou, temos de ter coragem de começar, sair da inércia, confiando que se Deus nos trouxe até aqui Ele é capaz de nos levar até o final.

Isso é depender em Deus, não esperar que em tudo Ele nos puxe pela mão ou pior, nos leve em seus braços, como crianças pequenas ou raquíticas. Não é esse o tipo de fé que Deus deseja de seus filhos, antes, Ele deseja que desenvolvamos o tipo de fé prática que teve Neemias (Neemias 2:2,3) quando perguntado pelo rei o que afligia seu coração, ele não saiu correndo para seu quarto orar, pedir uma resposta miraculosa ou sobrenatural, a sua intimidade com Deus, a sua vida de oração culminou em que ele já estava sensível à voz do Senhor e à necessidade de seus irmãos em Israel, e pode, dessa forma, falar ao rei tudo que precisava ser feito, com coragem e determinação, sem pestanejar, sem gaguejar, sem ter medo de errar.

A minha oração hoje é para que deixemos de lado a religiosidade que paralisa, aquela infantilóide, imatura, dependente em excesso, e passemos a desenvolver um relacionamento saudável de intimidade com o Pai que resulte não em cerimônias, não em afastamento do mundo (no sentido dos ermitões ou daqueles que vivem em clausuras), mas em ações práticas, bem pensadas, responsáveis, aquelas que o Pai poderia olhar para nós, seus filhos, e dizer que se orgulha.

Deus nos abençoe.

Cuidado ao falar

Quem é cuidadoso no que fala evita muito sofrimento. – Provérbios 21:23

Rapidamente podemos ver nesse versículo algumas lições sobre o falar:

  1. devemos ter cuidado com o que falamos. Muitas vezes falamos sem pensar, sem meditar, sem avaliar se o que estamos falando é verdade, é útil, faz bem, e quais as implicações do que dizemos, se edifica, se maltrata, se destrói. O cuidado não significa ficar calado, significa falar no tempo certo, da forma certa, a coisa certa, à pessoa certa;
  2. o cuidado no falar evita muito sofrimento, não todo o sofrimento, simplesmente porque há coisas que não se pode evitar, e há sofrimentos necessários, por assim dizer, como no caso da verdade que causa um desconforto, até uma dor imediata, mas que promove o crescimento, o amadurecimento, a transformação positiva. Evitar significa que aquilo que está ao nosso alcance fazer, ou no caso dizer, deverá será feito ou dito, de modo que minimizaremos o sofrimento;
  3. o sofrimento evitado é o da própria pessoa que fala, de quem está próximo, ou seja, do interlocutor, ou de terceiros sobre quem se fala. Idealmente não se deve falar de terceiros é de jeito nenhum, porque dificilmente tem-se a sabedoria necessária para falar sem cair num pecado “grave” que é a fofoca. De fato, quando falamos sobre alguém ao invés de evitar o sofrimento alheio, acabamos pro promovê-lo, ainda que justifiquemos nossas ações com mil desculpas. Lembrem-se, de boas intenções o inferno está cheio, muitas das quais certamente dizem respeito a fofocas.

A minha oração hoje é para que Deus nos dê o dom do silêncio, ou do cuidado ao falar, para que aprendamos a falar somente o necessário, temperando nossas palavras com mel para que sejam doces, suaves aos ouvidos das pessoas que nos cercam, promovendo apenas o bem e o crescimento, evitando ao máximo sermos pedra de tropeço aos irmãos naquilo que falamos, trazendo problemas para nós e para os outros.

Deus nos abençoe!

A pedagogia do exemplo

Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele. – Provérbios 22:6

Hoje de manhã, na academia, vi uma senhora malhando, e seu filho pequeno, de uns seis anos, estava sentado próximo a ela em um colchonete, parcialmente entretido pelo celular, mas também prestando atenção no que ela fazia, nos exercícios, nos pesos, e vez ou outra perguntava alguma coisa à mãe sobre o que ela estava fazendo.

Isso me fez lembrar de mim mesmo, quando era criança (eu sei, faz muito tempo, foi no milênio passado) e acompanhava a minha mãe quando ia fazer sua ginástica, com as coloridas roupas coladas e com meias compridas parecendo jogador de futebol (ah, década de 80 e suas modas extravagantes, para dizer pouco), e da diferença que seu exemplo teve em minha vida.

A pedagogia que é mais eficaz na vida de uma criança é a do exemplo, aquele em que a criança é ensinada NO caminho, ou seja, quando seus pais caminham com ela, instruem o certo e o errado não de longe, mas dentro da situação, fazendo o que é certo.

Eu lembro claramente quando eu era pequeno (não em altura, convenhamos, que ainda sou) e via meu pai, que é médico, sentado após um dia exaustivo de trabalho, estudando até altas horas da noite, para ser o excelente profissional que sempre foi.

Esses dois exemplos, da minha mãe fazendo atividades físicas, e de meu pai estudando, me levaram a nunca precisar ser empurrado a estudar, nunca dei trabalho a meus pais nesse aspecto, e pelo menos enquanto estava sob sua supervisão, sempre fui bom aluno, em decorrência do exemplo dado. Do mesmo modo até hoje, nos meus trinta e poucos anos, poucas vezes na vida deixei de fazer atividades físicas ou algum esporte pelo que fui acostumado desde criança.

O problema é que nós adultos queremos ensinar nossas crianças “de longe”, sem participar, sem dar o exemplo. Cobramos delas determinadas posturas e comportamentos quando fazemos as vezes o imediatamente oposto, e ainda achamos ruim e brigamos com elas quando as vemos repetir os nossos erros. Ora, a culpa maior nessa história é nossa mesmo!

Por fim lembro do exemplo deixado pelos meus avós paternos, e também da minha mãe, de ter um tempo diário com o Senhor. O relacionamento que hoje nutro com meu Pai nunca teria ocorrido da maneira como o é se não fosse por influência desses exemplos marcantes. Minha mãe nos lia um livro chamado “Horinhas com Deus” (não lembro o autor), a própria Palavra, orava com a gente e cantávamos alguma música apropriada ao universo infantil. Ela não simplesmente nos mandava ler a Bíblia ou orar e saia para fazer suas coisas, como muitas vezes os pais fazem, ela vinha fazer isso com a gente porque sabia que aquilo era importante, era fundamental.

Ensina a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velha não se desviará dele. A criança um dia cresce, amadurece, e passa a tomar decisões sozinhas, inclusive a possibilidade, dada pelo seu livre arbítrio, de decidir por caminhar para longe daquilo que aprendeu. Dificilmente, no entanto, aquilo que internalizou deixará de ter impacto em sua vida, naquilo que é, em seus valores, sua maneira de pensar, falar, agir, seu modo de ver o mundo. Se foi bem ensinada, com o melhor exemplo, ela terá um parâmetro adequado para decidir, não o fará de qualquer jeito, e sempre saberá para onde retornar, e o que lhe aguarda no caminho de volta.

A minha oração hoje é para que possamos ser bons exemplos para nossos filhos (não os tenho ainda), para nossas crianças, andando junto, brincando junto, educando junto, fazendo junto o que é bom, o que é certo. A criança é uma esponja, aprende aquilo que menos imaginamos então precisamos ter muito cuidado sobre nossas atitudes e palavras (lembro aqui de uma propaganda sobre dar exemplo que vi recentemente de pessoas com crianças ao lado, onde um pai gritava com a mãe e o filho fazia o mesmo, uma mulher fumava e a criança imitava seu exemplo, de alguém que xingava no trânsito e a menina ao lado fazia a mesma coisa, todos exemplos ruins, que demonstram o poder do mau exemplo, mas que fossem bons exemplos seriam aprendidos e imitados do mesmo jeito), de maneira que possam aprender conosco o que é bom, o que é justo, o que é saudável para si, para o seu convívio social, e para o seu relacionamento com Deus.

Deus nos abençoe.

Amigos do mundo

Adúlteros, vocês não sabem que a amizade com o mundo é inimizade com Deus? Quem quer ser amigo do mundo faz-se inimigo de Deus.
Ou vocês acham que é sem razão que a Escritura diz que o Espírito que ele fez habitar em nós tem fortes ciúmes? – Tiago 4:4-5

Não amem o mundo nem o que nele há. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele.
Pois tudo o que há no mundo — a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens — não provém do Pai, mas do mundo.
O mundo e a sua cobiça passam, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre. – 1 João 2:15-17

Dois textos muito semelhantes escritos pelo irmão de Jesus e por seu melhor amigo, será que temos alguma razão para duvidar de suas palavras e daquele que as inspirou?

O mundo não é um local geográfico, é um sistema de valores, um paradigma, uma forma de enxergar a vida, uma cosmovisão que se choca frontal e radicalmente contra os valores de Deus.

São valores egoístas, que buscam o prazer pelo prazer, imediato, sem consequências, que não olha para o amanhã, para o eterno, apenas para o hoje, para o agora, para o eu.

Diversas são as passagens das Escrituras que nos falam que Deus e o mundo são duas realidades auto excludentes, uma contradiz a outra, e ainda que não podemos servir a dois senhores, pois inevitavelmente amaremos a um e aborreceremos ao outro (Lucas 16:13).

Assim nos fala Tiago, chegando a dizer que Deus, como nosso criador, Senhor e Pai, tem ciúmes de nós no momento em que dizemos sim ao mundo, como igreja sua que somos, comparados por toda a Bíblia a uma noiva, sendo Cristo o noivo, é de se entender dEle sentir ciúmes quando O traímos e nos prostituímos com o mundo, novamente, sistema de valores opostos ao seus. É como se disséssemos a Ele que encontramos felicidade em outros braços, quem não se sentiria mal em ouvir tais palavras de seu/sua amado/a?

João mais adiante deixa bem claro o que é o mundo, ou seja, a cobiça da carne, também chamada concupiscência, que nos faz escravos de nossos próprios instintos animais, escravos novamente pois Cristo já nos libertou, agimos como um porco que, depois de tomar um banho, corre novamente para o lamaçal. Cobiça que tem gatilhos externos é verdade mas que nasce de um coração egoísta, nasce de nossos próprios desejos pecaminosos. Cobiça que não se satisfaz com o que possuímos, mas quer sempre mais, não porque precisamos, mas porque precisamos mostrar aos outros que somos melhores, que somos felizes, que somos bem sucedidos. Estes são os valores do mundo.

O alerta dos dois é bem claro: quem quer ser amigo do mundo faz-se (ação própria e voluntária) inimigo de Deus, se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele, como água que não se mistura naturalmente com o óleo, o amor de Deus vai sendo expulso do coração da pessoa que prefere amar os prazeres dessa vida.

Certa vez ouvi de um pastor muito sábio que um cristão verdadeiro não tem como desenvolver relacionamentos profundos, íntimos, com quem não é cristão, pois não há como a luz ter comunhão com as trevas (2 Coríntios 6:14), palavras de Paulo usadas para o relacionamento conjugal entre um crente e um incrédulo, mas que na verdade não é algo taxativo, numerus clausus, e sim exemplificativo, como o relacionamento mais íntimo que alguém pode ter, sem prejuízo de outros que também requerem ou ensejam intimidade e companheirismo (compartir, partir o pão junto), como uma amizade profunda ou até mesmo uma sociedade empresária.

A minha oração hoje é para que Deus nos dê sabedoria e discernimento para avaliarmos bem os tipos de valores que estamos abraçando, o tipo de relacionamento que desejamos ter e que de fato estamos construindo, seja de que tipo for, se será agradável a Deus, ou o contrário, agradando ao mundo, pois ambos não possuem comum acordo.

Deus nos abençoe.

Prioridades: Marta ou Maria

Caminhando Jesus e os seus discípulos, chegaram a um povoado, onde certa mulher chamada Marta o recebeu em sua casa.
Maria, sua irmã, ficou sentada aos pés do Senhor, ouvindo-lhe a palavra.
Marta, porém, estava ocupada com muito serviço. E, aproximando-se dele, perguntou: “Senhor, não te importas que minha irmã tenha me deixado sozinha com o serviço? Dize-lhe que me ajude!”
Respondeu o Senhor: “Marta! Marta! Você está preocupada e inquieta com muitas coisas; todavia apenas uma é necessária. Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada”. – Lucas 10:38-42

Prioridades.

O mundo em que vivemos é um sistema cruel para as mulheres, cobrando delas posturas quase masculinas, igualando-as à força a nós homens, como se pudessem ou devessem assumir exatamente as mesmas responsabilidades, ignorando as diferenças genéticas, fisiológicas, comportamentais, o modo de pensar e de agir que são diferentes (nem melhores, e muito menos piores).

Não estou querendo com isso dizer que mulheres são inferiores, ou que não podem arcar com responsabilidades igualmente complexas. Não se trata disso. Complexidade se refere mais ao aspecto intelectual, nesse caso, e muito menos físico, condição que naturalmente favorece o homem no desempenho de determinadas atividades (cito apenas uma como exemplo, a função de estivador portuário, realmente não consigo imaginar uma mulher nesse tipo de tarefa; em outras, por outro lado, elas se saem muito melhor).

Nesse texto, voltando mais ao assunto, vemos duas mulheres assumirem posicionamentos diferentes que demonstram claramente aquilo que consideravam mais prioritário em sua vida: Marta e Maria.

Marta e Maria eram irmãs, receberam portanto igual ou semelhante criação de seus pais, viveram sob o mesmo contexto social, mas ainda assim eram pessoas completamente diferentes.

Marta era proativa em servir, em desempenhar tarefas, se fosse no mundo de hoje seria talvez a executiva batendo todo tipo de metas que lhe colocassem à frente. Workaholic, alguém que leva o trabalho para casa, trabalha até tarde, varando até noites se necessário.

Maria por sua vez possui uma atitude mais contemplativa, deixa um pouco de lado os afazeres do dia a dia sentando-se aos pés de Jesus somente para ouvi-lo falar, para estar mais junta do mestre.

Ambas demonstram qualidades e defeitos, se analisarmos bem, Maria realmente poderia ter dado uma mãozinha à sua irmã, liberando-a talvez para junta-se a ela aos pés do Senhor.

Por outro lado, Marta não teve a sensibilidade para perceber que o mais importante estava sendo negligenciado, que era a comunhão com Jesus, com seus irmãos e discípulos, e preferiu atender a coisas que eram realmente necessárias, mas que não eram nem tão urgentes nem tão importantes quanto a que deixou para lá.

O relato acima nos traz uma preciosa lição, especialmente no contexto que falei sobre a mulher no mundo de hoje: qual tem sido a postura da mulher no mercado, na faculdade, dentro de casa, na igreja, e quais tem sido as prioridades que tem assumido?

Hoje poucas mulheres poderiam se identificar mais com Maria do que com Marta, como falei a pressão do mundo para que trabalhem, produzam, sejam independentes, vençam, façam mais e melhor do que nós homens tem tornado as mulheres em verdadeiras neuróticas, que não têm conseguido resistir a tamanha pressão, relegando a segundo plano (quando muito, senão a terceiro, quarto ou quinto) suas famílias, seus maridos, filhos, pais, amigos, aquilo que é verdadeiramente importante e eterno.

Marta tinha e continua tendo muita razão, especialmente no mundo de hoje. Maria, porém, soube escolher o melhor, e hoje mais do que nunca o mundo precisa de Marias, nós homens principalmente, não porque queiramos uma segunda mãe ou uma empregada doméstica, alguém que nos adore e nos idolatre num pedestal, mas alguém que não esteja concorrendo conosco numa corrida doméstica, ao contrário, alguém que nos ajude a fugir nós mesmos da loucura cotidiana que também nos aflige.

Interessante também avaliarmos um último aspecto, de que Marta estava atarefada com serviços domésticos, e isso me traz a lembrança que muitas mulheres conseguem reconhecer aquilo que é importante, mas dedicam-se tanto àquela atividade que aquilo passa a lhe consumir, deixando de ser positivo para tornar-se em algo prejudicial. Quantas mães dedicadas aos seus filhos não escanteiam seus maridos? Quantas esposas amorosas deixam de participar ativamente na igreja por medo do que seu marido irá pensar? Quantas mulheres atuantes no ministério acabam por negligenciar a própria saúde, física, mental ou até espiritual. por exagerarem em algo que deveria ser positivo em suas vidas e na de seus irmãos de fé, o que cedo ou tarde irá resultar em esgotamento e até abandono dos caminhos do Senhor?

É hora de sentarmos todos aos pés de Jesus por um momento e ouvi-lo falar, acalmarmos nossos corações, deixarmos de lado por um instante as tarefas que não sejam tão urgentes assim e considerarmos aquilo que é mais importante, essencial, fundamental, e dedicarmos mais do nosso tempo, atenção e sentimentos. Com certeza não teremos prejuízo ao final, as responsabilidades continuarão(am) sendo atendidas a contento, e os relacionamentos, mentes e corações terão experimentado renovado vigor.

Deus nos abençoe;