15 anos de polícia

12/01/2019, hoje faz 15 anos que trabalho na Polícia Federal.

Como diria um tio meu, “Até aqui nos ajudou o Senhor” (1 Samuel 7:12).

Há 15 anos esse versículo tem sido verdade em minha vida, desde que caminhei com meu pai as escadarias da Superintendência Regional em Salvador, onde ele me entregou para aquela que seria minha primeira chefe, Ângela, que me recebeu como a um filho, com carinho e ao mesmo tempo de forma rígida como ela mesmo teria feito com seus filhos que tinham aproximadamente a minha idade, o que certamente foi decisivo na minha formação profissional como Perito Criminal Federal.

O Senhor tem cuidado da minha segurança e saúde, física, mental e espiritual nesse ambiente que por melhor que seja, e em muitos aspectos é, um lugar de excelência, também sofre os problemas de todo serviço público, além dos riscos inerentes à profissão, inclusive os de cunho psicológico, devido ao stress cotidiano e ao tipo de gente e situações a que somos expostos.

Foi Deus que me colocou aqui, desde antes de eu entrar, em todo o concurso e na academia de polícia foram constantes e presentes os seus muitos milagres (um testemunho à parte), e tenho dedicado a Ele e à sociedade brasileira, meu povo, todo o esforço do meu trabalho, pois como afirmou João Calvino, o trabalho não apenas dignifica o homem, mas também glorifica a Deus, e essa é a maior honra que um homem pode possuir, glorificar a Deus, esse é o meu “orgulho”, se é que posso dizer que tenho algo de me orgulhar, me orgulho no Senhor e nas suas misericórdias, que se renovam a cada manhã sobre a minha vida.

Nesses quinze anos, trabalhei em centenas de casos de combate à pedofilia e exploração infantil, fraudes previdenciárias, desvios de verbas públicas federais envolvendo prefeituras e políticos… participei de tantas operações policiais que perdi a conta; depus em juízo muitas vezes no interesse da verdade, não a favor ou contra ninguém; e fiz mais de mil laudos, o produto principal da minha função, sobre coisas tão diversas, as vezes aparentemente banais, outras cuja dificuldade escapava em muito a minha capacidade técnica, sendo que até nisso o Senhor foi o meu socorro, aquele que me deu a inteligência e criatividade para responder a cada questionamento, mesmo os mais infundados e até talvez injustos que me foram formulados.

Hoje eu tenho um coração agradecido, um pouco mais maduro do que a criança que tomou posse em 12/01/2004 com menos de 24 anos de idade, o Perito mais novo da Polícia Federal na época, mas ainda profundamente dependente da mão do Pai.

Todos os dias pela manhã em minhas orações dedico a Ele meu trabalho, meu serviço, como tudo em minha vida. Peço inteligência, sabedoria, proteção contra os maus e que eu mesmo não caia em qualquer tentação. Que eu não venha a ser instrumento de injustiça, mas de sua justiça.

Minha oração hoje é para que Ele continue sendo meu Deus e Senhor nos próximos anos de trabalho, enquanto Ele quiser que eu seja policial, uma função de muito orgulho, uma carreira que é mais do que o meu sustento e ganha pão, é o meu ministério, não meu por vontade e esforço próprio, mas presente de Deus para minha vida e daqueles que são próximos de mim.

Obrigado, meu Deus, por esses 15 anos de Polícia Federal, que o Senhor continue guiando os meus passos onde quer que eu for, até o dia que eu me aposentar e além, aqui nesta casa ou onde o Senhor quiser me levar, se assim te aprouver, pois nada tenho por precioso que não seja teu, que não tenha sido o Senhor que tenha me dado, muito embora eu seja sim muito feliz onde estou e onde o Senhor me trouxe.

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Estudo sobre Gênesis 48

1. Jacó adoece (vv. 1-10)

Jacó já é idoso e sabe que seu tempo de vida está chegando ao fim.Em seus momentos finais, ele chama a José, seu filho preferido, para se despedir dele e abençoá-lo com uma benção especial.

Veremos no capítulo seguinte, 49, as bênçãos com que ele abençoa cada um de seus filhos, mas aqui ele tem algo diferente para seu filho amado.

A primeira coisa que Jacó faz quando José chega em sua presença, a mais importante, é relembrar e reconhecer a promessa de Deus sobre suas vidas, de que eles seriam uma grande nação; daquelas 70 almas que entraram no Egito e que descendiam de Jacó, herdeiro de Isaque e Abraão, uma numerosa multidão nasceria.

Percebam que diferentemente do que as pessoas e povos que não conhecem a Deus querem impor à nação de Israel hoje, aquela terra de Canaã era uma possessão eterna aos filhos da promessa.

Deus, por meio de Moisés, quem escreve essa história e narra ao povo durante o êxodo no deserto, resgata seus filhos da escravidão do Egito, mas uma escravidão que vai além das amarras e cadeias físicas.

Deus precisa renovar as mentes e os corações de seu povo ontem e hoje em corações e mentes que enxerguem para além das circunstâncias e adversidades da vida (cf. Rm 12:2). É um povo que precisa ser ensinado a caminhar por fé e não por vista (cf. 2 Co 5:7).

O povo de Israel no deserto deixa de ter a mente de escravo para ter a mente de guerreiro que seria necessária para conquistar, com a liderança do próprio Deus, a terra que há muitos anos era sua e voltaria novamente ao seu domínio, ainda que com muita luta, suor e sangue.

Mas, voltando à benção especial, a José caberia, ao menos em tese, apenas um doze avos da herança de seu pai, mesma porção que deveria caber a cada um de seus irmãos à exceção da parte da herança que seria devida ao primogênito, Rubén, que, como sabemos, pela cultura da época, receberia mais, em termos patrimoniais, mas também espirituais e sociais, pois o primogênito receberia o encargo de liderar o clã quando o patriarca falecesse.

Aqui então Jacó chama José e diz que seus dois filhos seriam considerados como filhos de Israel, ou seja, a porção que cada um receberia, seria a porção de filho e não de netos, vindo José, então a receber porção dobrada da herança.

Por que isso?

Deuteronômio 18:1 nos fala que toda a tribo de Levi não teria herança em Israel, e receberiam um chamado e uma missão de liderar o povo no seu relacionamento com Deus.

Ao contrário de pensarmos que foram “castigados” ou “preteridos” na distribuição das terras e das riquezas, Deus seria sua herança, como diz o verso 2, ou seja, o Senhor estabelece aqui um princípio de que Ele é o nosso provedor, não devemos nos confiar na nossa própria força, inteligência ou suor, mas entender que Ele mesmo é o nosso sustento.

Assim, a parte das terras que caberia a Levi seria juntada à porção de José e distribuído entre seus dois filhos. De fato, toda a tribo de Levi deveria receber uma porção de cidades e terras para seu gado nos arredores dessas cidades, que seria distribuído em meio às terras de seus irmãos, como dando a entender, pedagógica e metaforicamente, que Deus estaria presente em meio ao seu povo (cf. Nm 35:1-3).

 

2. Jacó abençoa José e os filhos deste (vv. 11-22)

Não obstante José fosse o filho preferido de Jacó, ele se prostra em sua presença demonstrando que sua posição de governador geral do Egito não lhe tornava superior a seu pai. Ele demonstra honra, um princípio que muitas vezes esquecemos, mas que faz parte da ética de Deus para com seu povo.

Mais uma vez a Bíblia descreve, pela boca de Jacó, o reconhecimento deste de que Deus tinha sido seu sustento e livramento durante toda sua vida (vv. 15-16).

Jacó, em seguida, como aconteceu consigo mesmo, entende da parte de Deus que não seria o primogênito de José, Manassés, que receberia a posição de destaque, mas Efraim, seu filho mais moço. Aqui não era favoritismo de avô, era direcionamento divino.

Finalmente, Jacó separa algo em especial para José, um pedaço de terra que ele mesmo havia conquistado quando jovem, mas que muitos anos depois Israel teria de reconquistar quando entrasse novamente em Canaã (cf. Dt 3:12-22).

A profecia de Deus para ontem e para hoje

Ai daqueles que fazem leis injustas, que escrevem decretos opressores, para privar os pobres dos seus direitos e da justiça os oprimidos do meu povo, fazendo das viúvas sua presa e roubando dos órfãos!
Que farão vocês no dia do castigo, quando a destruição vier de um lugar distante? Atrás de quem vocês correrão em busca de ajuda? Onde deixarão todas as suas riquezas?
Nada poderão fazer, a não ser encolher-se entre os prisioneiros ou cair entre os mortos. Apesar disso tudo, a ira divina não se desviou; sua mão continua erguida. – Isaías 10:1-4

Eu honestamente não sei qual a pior situação, quando você é um profeta de Deus, ser chamado a denunciar as injustiças, mazelas, pecados do próprio povo, o povo de Deus, sabendo de antemão que as pessoas não darão ouvidos, a situação não irá se remediar, as mesmas coisas continuarão acontecendo, como foi Isaías desde o seu envio (Isaías 6:8-13), ou quando você é enviado a uma terra distante, a um povo que é seu pior inimigo, pregar a mesma mensagem (é, e sempre será, a mesma!), de arrependimento, confissão e conversão, sob pena de serem castigados, exterminados, varridos do mapa, mas sabendo, também antecipadamente, que Deus, grande e rico em misericórdia, estaria disposto a lançar no mar do esquecimento todos os pecados que esse povo, em sua humilhação, resolvesse admitir, como foi o caso de Jonas (Jonas 3:10, 4:1,2).

Isaías 10 nos fala de como o povo de Deus estava completamente corrompido, os líderes e governantes aceitavam suborno, oprimiam os pobres, faziam leis que beneficiavam somente a eles mesmos em detrimento da justiça… Nada muito diferente do Brasil de hoje, não é verdade?

Infelizmente, como Israel daqueles dias, o nosso país também está maculado desde sua raiz, suas entranhas estão podres, vomitamos pecados sobre pecados, ao ponto de, como aquele povo de outrora, Deus não ter mais misericórdia sequer do desvalido porque até esse também se corrompeu (Isaías 9:13-17), não há mais um justo, nem um sequer.

Aqueles que guiam este povo o desorientam, e aqueles que são guiados deixam-se induzir ao erro.
Por isso o Senhor não terá nos jovens motivo de alegria, nem terá piedade dos órfãos e das viúvas, pois todos são hipócritas e perversos, e todos falam loucuras. Apesar disso tudo, a ira dele não se desviou; sua mão continua erguida. – Isaías 9:16,17

Ouvimos muito em nosso meio religioso sobre a poderosa mão de Deus, usada em um contexto de benção (e como queremos a benção de Deus, muitas vezes esquecemos do próprio Deus, convertido em gênio da lâmpada), mas aqui em Isaías ela é constantemente retratada como a mão de castigo, a mão que traz a justiça e a ira de Deus. Essa mão dificilmente alguém aceitaria de bom grado ou cantaria louvores pedindo a Deus por “sua mão”…

Quando será que começaremos nós a revolução que desejamos ver no mundo? Quando será que eu, que sou povo de Deus, assumirei minha auto-responsabilidade e farei como o profeta Isaías, reconhecendo meu pecado, e pedindo misericórdia a Deus porque sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios (Isaías 6:5). Infelizmente, porém, não são apenas os nossos lábios que precisam ser convertidos, mas também nossos olhos, nossas mãos, nossa mente, nosso coração.

Talvez nós, como o profeta, precisemos ver a Deus, sermos tocados pela brasa do altar, sermos convertidos e termos nossos pecados extirpados de nós, como um câncer retirado por uma cirurgia, cuja pessoa, entre a vida e a morte, somente espera convalescente que sobreviva por um milagre, por alguma obra do destino ou do acaso…

Não podemos esperar que nossos políticos sejam melhores do que nós por que é de nós que eles vêm. Pedimos por uma renovação dos quadros de modo que, quem sabe, novos nomes possam trazer algum alívio à população e reverta esse cenário de violência e corrupção que nos assola, mas malditos somos por confiar em homens e não em Deus (Jeremias 17:5), malditos somos por não buscarmos nós renovar a nossa mente para que, só assim, experimentemos a boa, agradável e perfeita vontade de Deus (Romanos 12:2) em nós, sobre nós e por meio de nós.

Somente quando não mais nos conformarmos ao padrão deste mundo (Romanos 12:1), é que poderemos caminhar o caminho do Senhor. Somente quando nos adequarmos ao seu padrão é que poderemos ver nossa sociedade florescer. Se hoje “precisamos” de políticos que se dizem evangélicos (ou católicos, ou religiosos, tanto faz) para tentar contrapor os interesses gananciosos dos demais, nos enganando a nós mesmos (se é que alguém ainda cai nesse “conto do vigário”, senão lembrem-se daqueles políticos flagrados em uma reunião de “oração”, agradecendo a deus – em minúscula mesmo, mamon – pela propina recebida), se nós nos convertermos de verdade, a sociedade como um todo será impactada pelos valores do reino e os políticos que dela saírem também terão em seu coração um pouco do Espírito do Senhor, também desejarão o benefício da coletividade e não apenas de seu próprio bolso.

Não precisamos mais de profetas de uma prosperidade vã e falsa dizendo que tudo vai bem, quando, na verdade, tudo vai mal. Não! Somente quando reconhecermos o nosso verdadeiro estado lastimável é que seremos capazes de compreender a extensão e a profundidade do nosso problema e, tendo chegado ao fundo do poço, saberemos que estamos perdidos, poderemos gritar por socorro, perceberemos que precisamos de um Salvador, Cristo o Senhor, e clamaremos como já muitos em seu tempo fizeram: filho de Davi, tem compaixão de mim!

A minha oração hoje então é de arrependimento e confissão. Como aquele hino antigo (HCC, 275) fala,…

Perdoa-me, Senhor, se eu não vivi pra te servir,
se em meu agir o teu amor também não refleti.
Perdoa-me, Senhor,
se em teu caminho não segui,
se falhas cometi,
se tua doce voz não quis ouvir.
Escuta minha oração, Senhor,
desejo aqui viver pra teu louvor;
ensina-me a te ouvir e com amor servir
e os santos passos teus aqui seguir.

Perdoa-me, Senhor, se eu de ti me afastei,
se em meu caminho escuro tua luz não procurei;
perdoa-me, Senhor, se na aflição não te busquei,
se eu não te sondei,
se teu querer pra mim não procurei.
Escuta minha oração, Senhor,
desejo aqui viver pra teu louvor;
ensina-me a voltar e junto a ti estar
e em tua graça sempre confiar.

Perdoa-me, Senhor, se frutos eu não produzi,
se, indiferente a tudo, a missão eu não cumpri;
perdoa-me, Senhor,
se os campos brancos eu não vi,
se só pra mim vivi,
se meus talentos não desenvolvi.
Escuta minha oração, Senhor,
desejo aqui viver pra teu louvor;
ensina-me a agir e meu dever cumprir
e frutos dignos dedicar a ti.

Que Deus nos ajude a sermos melhores homens e mulheres, verdadeiramente servos seus, convertidos pela justiça e para a justiça, que sua vara e sua mão estejam sempre estendidas sobre nós para nos disciplinar, quem sabe assim, talvez, nós possamos ser purificados e cheguemos a ver um mundo melhor.

Para recebermos perdão

E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores;
Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós;
Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas. – Mateus 6:12,14-15

Jesus, ao ensinar seus discípulos (e nós, como um dos tais) a orar, coloca ênfase no perdão, perdão que se pede e perdão que se dá.

Ora, a primeira coisa que Ele ensina é que a medida do perdão que pedimos é a medida do perdão que concedemos, nem mais, porque não merecemos, nem menos porque também não somos tão generosos, convenhamos.

Deus não espera de nós perfeição ou santidade absoluta (nesta vida pelo menos), embora espere que reconheçamos que a mesma condição de pecadores que temos e somos também alcança nosso próximo, e por isso ele é tão merecedor do nosso perdão como nós somos do perdão de Deus, ou seja, não é (como não somos), mas ainda assim devemos estender a nossa mão de perdão para ele como Deus também o faz para conosco.

Então somos apresentados a uma condição para termos os nossos pecados perdoados: perdoarmos a quem nos ofendeu. Simples assim.

Na verdade, Deus está sempre disposto a nos perdoar, sempre que pedirmos perdão com um coração quebrantado e arrependido, e uma das coisas que demonstra cabalmente o estado sincero de arrependimento é justamente o fato de termos perdoado a quem nos ofende, por que quem é aquele que nunca teve alguém nesta condição, alguém que nunca passou por isso, de ser ofendido, de guardar uma certa mágoa ou ressentimento?

O perdão de Deus está disponível atrás da porta que se encontra fechada com chave, mas curiosamente a chave está na nossa mão, e a chave é o perdão.

Será que não passamos tempo demais com a porta fechada sem perceber a chave que está perto, ao nosso alcance?

Pense nisso hoje, a quem será que tenho negado o perdão, de quem tenho guardado mágoa ou ressentimento mesmo a pessoa tendo vindo pedir o meu perdão, será que sou mesmo tão importante assim que posso negar o perdão a alguém que me ofendeu?

A minha oração hoje é para que reconheçamos a nossa própria necessidade de perdão, a nossa própria fraqueza perante um Deus que, sendo santo, estende a nós a sua mão de graça e bondade, e somente espera de nós essa reciprocidade em direção daqueles que também precisam, e, portanto aprendamos a dispensar também esse perdão a quem nos tem ofendido.

Deus nos abençoe.

In God we trust (nEle a gente pode confiar)

Então disse o Senhor a Moisés: Eis que vos farei chover pão dos céus, e o povo sairá, e colherá diariamente a porção para cada dia, para que eu o prove se anda em minha lei ou não. – Êxodo 16:4

O pão nosso de cada dia nos dá hoje; – Mateus 6:11

Deus é um deus provedor.

Ele cuida de nós e deseja o nosso melhor.

Deus nunca nos prometeu riquezas, poder, luxo ou que satisfaria nossos desejos egoístas frutos da nossa sociedade consumista, mas Ele nos prometeu saciar as necessidades mais básicas, o que, na pirâmide de Maslow, corresponde às necessidades fisiológicas, como alimento, saúde, e de segurança, como a moradia, abrigo.

É nesse contexto que o Salmista diz que o Senhor é o nosso pastor, e nada nos faltará (em nada passaremos necessidade), conforme Salmos 23:1, ou ainda no contexto da oração do Pai Nosso, ensinada como modelo de relacionamento com o Pai por nosso mestre Jesus, que Deus veste os lírios do campo em riqueza que nem Salomão usou, e alimenta os pardais que não precisam se preocupar, como não o faria conosco, seus filhos e infinitamente mais preciosos para Ele do que meras flores ou passarinhos?

Vejamos bem que o mesmo que Deus promete para Israel, em Cristo nós também temos acesso, a esse Deus de provisão, à sua generosa oferta de cuidado, de que não precisamos ficar ansiosos, preocupados, muito embora vivamos em um cenário de crise econômica onde muitos de nós estejamos momentaneamente apertados ou mesmo desempregados, esse é o momento de crer, esse é o momento de confiar.

Israel não confiou em Deus, nos versos seguintes vemos que o povo colheu mais do que podia comer com medo de faltar no dia seguinte, e a comida apodreceu.

O desafio portanto é confiar, entregar-nos nas mãos poderosas de Deus e não temos como confiar desconfiando, como diz a bela música do Vencedores por Cristo.

Não!

Ou confiamos ou não confiamos, não há meio termo, e a ansiedade é sinônimo de desconfiança.

Mas como eu, eu sei que você também é humano e fraco, então ainda que tenha apenas uma fagulha de fé e esperança, exercite essa confiança no Pai dando o primeiro passo pela fé, faça como aquele pai desesperado que deseja a cura de seu filho quando vai ao encontro de Jesus, conforme Marcos 9:24, reconheça sua incredulidade e peça a Deus que fortaleça ou aumente a sua fé!

A minha oração hoje é para que eu e você não sejamos teimosos e faltos de fé como aquele povo de Israel no Êxodo, que aprendamos a confiar e depender completamente em Deus, pois Ele nos sustenta e guarda, e diferentemente de nós que somos infiéis, Ele é fiel, Ele permanece fiel pois Ele é constante, Ele não muda, Ele está sempre disposto a estender a sua mão para nos abençoar!

Deus nos abençoe.

A insuficiência da Lei

Fará restituição plena, acrescentará a isso um quinto do valor e dará tudo ao proprietário no dia em que apresentar a sua oferta pela culpa. – Levítico 6:5b

A Lei, embora justa em seus princípios e finalidade, tinha um condão apenas fiscalizatório, guiando o homem pelo caminho correto como uma espécie de tutor, de babá, como afirma o apóstolo Paulo em Gálatas 3:24,25, sendo portanto falha e insuficiente, pois não almejava mudar o homem de dentro para fora, e sim apenas freá-lo em seus instintos egoístas, proporcionando, em caráter pedagógico, uma punição CASO alguém fosse pego descumprindo alguma de suas ordenanças, tanto positivas (fazer) quanto negativas (não fazer).

O evangelho, por outro lado, tanto requer quanto inspira mudanças: mudança de comportamento, que é externo, e semelhantemente de temperamento, que tem feições externas mas também internas, e por último de valores, que embora tenham repercussões de caráter público, são predominantemente internas, de foro íntimo, experienciadas no privado, no particular, onde apenas uns poucos podem saber quem realmente é a pessoa que aparente ser algo que talvez não seja de fato.

Um grande exemplo da mudança que o evangelho causa na vida de uma pessoa vemos na história de Zaqueu, um cobrador de impostos, do tipo de gente mais desprezada na sociedade judaica por ser considerado corrupto e traidor à pátria, que quando conhece Jesus, VOLUNTARIAMENTE, movido por uma profunda transformação vivenciada, resolve devolver não o que a Lei ordenava, acrescido da multa de 20%, mas 4 vezes mais, ou seja 400%, conforme vemos no texto abaixo:

Mas Zaqueu levantou-se e disse ao Senhor: “Olha, Senhor! Estou dando a metade dos meus bens aos pobres; e se de alguém extorqui alguma coisa, devolverei quatro vezes mais”. – Lucas 19:8

Vejam que a Lei dizia que SE alguém fosse pego furtando, SE alguém fosse condenado, ou seja, necessitava um processo judicial onde a pessoa poderia ainda escapar de ser condenada, sair ilesa sem cumprir a pena, somente se confrontada ela devolveria o valor extorquido e pagaria a multa. Era a “mão do Estado”, por assim dizer, naquele proto-sistema judiciário de então, fazendo valer a justiça humana, em que pese baseada na vontade de Deus.

O evangelho vai muito mais além. Não é à toa que Jesus disse que se levássemos um tapa deveríamos oferecer a outra face, ou ainda se tirassem a capa, não deveríamos recusar também a túnica (Lucas 6:29), é o poder radical do amor de Deus que nos constrange de tal modo que não nos sentimos bem ao pecarmos, ao defraudarmos alguém. Não é preciso vir alguém e apontar o dedo, pois o próprio Espírito Santo nos incomoda, não para nos acusar, mas para nos ensinar e nos corrigir e trazer novamente para o caminho correto, para perto do Senhor, cuja vontade e valores são bons para nós como indivíduos e como membros da sociedade.

A Lei representa então a religião, em que vivemos apenas andando sobre uma linha, como a corda bamba (ou o moderno slackline), de fazer e não fazer, de proibições e obrigações, mas que na verdade não geram verdadeira transformação nem impactam o mundo, ao contrário, qualquer coisa é motivo para cairmos, não há um relacionamento genuíno com o Pai já que impera o medo e no medo não há amor, não há paz, não há benevolência, paciência, fraternidade, não há voluntariedade nem generosidade (1º João 4:18, entre outros).

O evangelho demonstra, no sentido oposto, a graça de Deus por nós e que em nós opera em favor dos outros. Só a graça percebida e experimentada pode traduzir-se em generosidade, de tempo, dinheiro e outros recursos, à obra de Deus e aos outros (que também é obra de Deus, convenhamos), só essa graça perdoadora faz com que um homem reconheça publicamente sem ninguém lhe apontar o dedo que é pecador, que errou, que deseja restaurar sua vida e seus relacionamentos, pedir perdão a quem machucou, e procurar restituir não apenas o que a lei manda, como um limite máximo, e sim, quando muito, como um “piso”, por assim dizer, ou seja o que ele mesmo reconhece como justo sabendo que também Deus lhe perdoou infinitamente mais do que merecia ou poderia fazer por merecer.

A minha oração hoje é para que possamos experimentar o verdadeiro, doce, simples evangelho de Cristo que vai além de qualquer religião, cujo fardo é leve e não pesado (Mateus 11:28-30), e que, com isso, vivamos uma vida mais plena, sem medo, sem limites senão o próprio amor e graça que Deus derrama em nossas vidas cada dia.

Deus nos abençoe.

Serviço mal feito, qualquer coisa para oferta ao Senhor

Quando a oferta de alguém for sacrifício de comunhão, assim se fará: se oferecer um animal do gado, seja macho ou fêmea, apresentará ao Senhor um animal sem defeito. – Levítico 3:1

Deus não exige de ninguém ofertas ou sacrifícios, em dinheiro ou de outra forma, nem cobra de ninguém que trabalhe em sua obra (somente que viva o evangelho que afirma crer, e obedeça à sua Palavra), mas quando o fizermos, sempre em caráter voluntário, uma coisa deve ser observada: a Deus sempre o melhor.

Devemos nos lembrar da diferença do coração, do propósito, da intenção das ofertas de Caim e Abel (Gênesis 4:3-7), e qual foi aceita. A de Abel não foi aceita por ser de um tipo e a de Caim rejeitada por ser de outro (animal x colheita), mas sim por Abel ter oferecido seu melhor, suas primícias, enquanto Caim ter escolhido qualquer coisa, o que lhe sobrava, coisas de menor valor, com pequenos defeitos talvez, algo que não era digno de ser usado e portanto escolheu “dedicar ao Senhor”, como se o Senhor fosse merecedor de coisa de segunda mão ou de “qualquer porcaria”.

De maneira semelhante lembro do exemplo da viúva pobre das palavras de Jesus em Lucas 21:1-4, ela deu moedas de pequeno valor se consideradas individualmente, mas que eram tudo que possuía, revelando um enorme sacrifício e, por essa mesma razão, um profundo amor e dedicação ao Senhor.

Esses dois exemplos devem nos ensinar essa lição, de dedicarmos nosso melhor a Deus, seja nos dízimos e ofertas (que repito, devem ter o caráter voluntário, com alegria, conforme 2º Coríntios 9:7), seja naquilo que fazemos. Deus é a pessoa mais santa, mais pura, mais perfeita, e o seu padrão moral, ético, e de tudo o mais deve nos inspirar a buscar isso em nossa vida, em tudo quanto fazemos, especialmente se o que fazemos é supostamente em prol do seu reino ou dedicado à sua obra.

Não somos forçados a trabalhar em nenhum ministério na igreja, mas devemos ser responsáveis e dedicados no compromisso que assumimos, com assiduidade, pontualidade, qualidade e zelo naquilo que iremos fazer. Muitas vezes achamos que porque o trabalho é voluntário, que ele pode ser feito de qualquer jeito, e quando bem entendermos, o que demonstra que não aprendemos verdadeiramente a ser servos, nem conhecemos com intimidade o Pai que temos e a quem chamamos Senhor e Deus. Isso me lembra quando criança em que eu não conseguia entender porque era dada a “oportunidade” a qualquer pessoa que se oferecesse para “levar uma palavra” ou cantar uma música em igrejas que eu frequentei, quando claramente a pessoa não estava minimamente capacitada a fazê-lo, o que me parecia um enorme desleixo para com a obra de Deus.

Também não custa lembrar, tomando-se em conta o contexto do trecho acima, entre o final do livro de Êxodo e o livro de Levítico, no qual são instituídas regras por vezes incompreensíveis e aparentemente sem sentido para nós no século 21, mas que Deus por trás de tudo isso tem um plano e um propósito, Deus é um Deus de ordem, e se não podemos obedecer naquilo que é pequeno e aparentemente desprezível, como é de esperar que obedeçamos naquelas coisas que requerem verdadeiro sacrifício da nossa parte?

Por fim, lembro do que aconteceu em apenas uma das várias ocasiões em que o povo de Deus resolver fazer as coisas “de qualquer jeito”, ou “do seu jeito”, ignorando, pra não dizer desobedecendo mesmo, as regras que Deus havia estabelecido, em rebeldia, rebelião à sua palavra e vontade, no episódio narrado em 1 Crônicas 13, onde Deus havia dado uma ordem específica sobre o manuseio da arca da aliança, a qual foi desobedecida, quando o Rei David mandou transportá-la não como ordenado por Deus, mas como achou melhor, de acordo com sua vontade pessoal, o que levou à morte de uma das pessoas que a transportavam pois não lhe era permitido tocar na arca e ele assim o fez.

A minha oração hoje é que Deus nos faça entender, internalizar, que aquilo que dedicarmos a Ele deve ser sempre o nosso melhor, o melhor do nosso tempo, da nossa vida, do nosso coração, dos nossos sentimentos, do nosso dinheiro, do nosso trabalho, enfim, até de maneira sacrificial se for preciso, e nunca fazendo as coisas de qualquer jeito, só por fazer, pois Ele fez o seu melhor por nós dando o seu próprio filho Jesus para morrer na cruz em nosso lugar, e tão grande sacrifício e bondade não é digno nem merecedor de uma coisa mal feita, feita “nas coxas”, algo que já não temos a obrigação de fazer em primeiro lugar.

Deus nos abençoe.