A profecia de Deus para ontem e para hoje

Ai daqueles que fazem leis injustas, que escrevem decretos opressores, para privar os pobres dos seus direitos e da justiça os oprimidos do meu povo, fazendo das viúvas sua presa e roubando dos órfãos!
Que farão vocês no dia do castigo, quando a destruição vier de um lugar distante? Atrás de quem vocês correrão em busca de ajuda? Onde deixarão todas as suas riquezas?
Nada poderão fazer, a não ser encolher-se entre os prisioneiros ou cair entre os mortos. Apesar disso tudo, a ira divina não se desviou; sua mão continua erguida. – Isaías 10:1-4

Eu honestamente não sei qual a pior situação, quando você é um profeta de Deus, ser chamado a denunciar as injustiças, mazelas, pecados do próprio povo, o povo de Deus, sabendo de antemão que as pessoas não darão ouvidos, a situação não irá se remediar, as mesmas coisas continuarão acontecendo, como foi Isaías desde o seu envio (Isaías 6:8-13), ou quando você é enviado a uma terra distante, a um povo que é seu pior inimigo, pregar a mesma mensagem (é, e sempre será, a mesma!), de arrependimento, confissão e conversão, sob pena de serem castigados, exterminados, varridos do mapa, mas sabendo, também antecipadamente, que Deus, grande e rico em misericórdia, estaria disposto a lançar no mar do esquecimento todos os pecados que esse povo, em sua humilhação, resolvesse admitir, como foi o caso de Jonas (Jonas 3:10, 4:1,2).

Isaías 10 nos fala de como o povo de Deus estava completamente corrompido, os líderes e governantes aceitavam suborno, oprimiam os pobres, faziam leis que beneficiavam somente a eles mesmos em detrimento da justiça… Nada muito diferente do Brasil de hoje, não é verdade?

Infelizmente, como Israel daqueles dias, o nosso país também está maculado desde sua raiz, suas entranhas estão podres, vomitamos pecados sobre pecados, ao ponto de, como aquele povo de outrora, Deus não ter mais misericórdia sequer do desvalido porque até esse também se corrompeu (Isaías 9:13-17), não há mais um justo, nem um sequer.

Aqueles que guiam este povo o desorientam, e aqueles que são guiados deixam-se induzir ao erro.
Por isso o Senhor não terá nos jovens motivo de alegria, nem terá piedade dos órfãos e das viúvas, pois todos são hipócritas e perversos, e todos falam loucuras. Apesar disso tudo, a ira dele não se desviou; sua mão continua erguida. – Isaías 9:16,17

Ouvimos muito em nosso meio religioso sobre a poderosa mão de Deus, usada em um contexto de benção (e como queremos a benção de Deus, muitas vezes esquecemos do próprio Deus, convertido em gênio da lâmpada), mas aqui em Isaías ela é constantemente retratada como a mão de castigo, a mão que traz a justiça e a ira de Deus. Essa mão dificilmente alguém aceitaria de bom grado ou cantaria louvores pedindo a Deus por “sua mão”…

Quando será que começaremos nós a revolução que desejamos ver no mundo? Quando será que eu, que sou povo de Deus, assumirei minha auto-responsabilidade e farei como o profeta Isaías, reconhecendo meu pecado, e pedindo misericórdia a Deus porque sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios (Isaías 6:5). Infelizmente, porém, não são apenas os nossos lábios que precisam ser convertidos, mas também nossos olhos, nossas mãos, nossa mente, nosso coração.

Talvez nós, como o profeta, precisemos ver a Deus, sermos tocados pela brasa do altar, sermos convertidos e termos nossos pecados extirpados de nós, como um câncer retirado por uma cirurgia, cuja pessoa, entre a vida e a morte, somente espera convalescente que sobreviva por um milagre, por alguma obra do destino ou do acaso…

Não podemos esperar que nossos políticos sejam melhores do que nós por que é de nós que eles vêm. Pedimos por uma renovação dos quadros de modo que, quem sabe, novos nomes possam trazer algum alívio à população e reverta esse cenário de violência e corrupção que nos assola, mas malditos somos por confiar em homens e não em Deus (Jeremias 17:5), malditos somos por não buscarmos nós renovar a nossa mente para que, só assim, experimentemos a boa, agradável e perfeita vontade de Deus (Romanos 12:2) em nós, sobre nós e por meio de nós.

Somente quando não mais nos conformarmos ao padrão deste mundo (Romanos 12:1), é que poderemos caminhar o caminho do Senhor. Somente quando nos adequarmos ao seu padrão é que poderemos ver nossa sociedade florescer. Se hoje “precisamos” de políticos que se dizem evangélicos (ou católicos, ou religiosos, tanto faz) para tentar contrapor os interesses gananciosos dos demais, nos enganando a nós mesmos (se é que alguém ainda cai nesse “conto do vigário”, senão lembrem-se daqueles políticos flagrados em uma reunião de “oração”, agradecendo a deus – em minúscula mesmo, mamon – pela propina recebida), se nós nos convertermos de verdade, a sociedade como um todo será impactada pelos valores do reino e os políticos que dela saírem também terão em seu coração um pouco do Espírito do Senhor, também desejarão o benefício da coletividade e não apenas de seu próprio bolso.

Não precisamos mais de profetas de uma prosperidade vã e falsa dizendo que tudo vai bem, quando, na verdade, tudo vai mal. Não! Somente quando reconhecermos o nosso verdadeiro estado lastimável é que seremos capazes de compreender a extensão e a profundidade do nosso problema e, tendo chegado ao fundo do poço, saberemos que estamos perdidos, poderemos gritar por socorro, perceberemos que precisamos de um Salvador, Cristo o Senhor, e clamaremos como já muitos em seu tempo fizeram: filho de Davi, tem compaixão de mim!

A minha oração hoje então é de arrependimento e confissão. Como aquele hino antigo (HCC, 275) fala,…

Perdoa-me, Senhor, se eu não vivi pra te servir,
se em meu agir o teu amor também não refleti.
Perdoa-me, Senhor,
se em teu caminho não segui,
se falhas cometi,
se tua doce voz não quis ouvir.
Escuta minha oração, Senhor,
desejo aqui viver pra teu louvor;
ensina-me a te ouvir e com amor servir
e os santos passos teus aqui seguir.

Perdoa-me, Senhor, se eu de ti me afastei,
se em meu caminho escuro tua luz não procurei;
perdoa-me, Senhor, se na aflição não te busquei,
se eu não te sondei,
se teu querer pra mim não procurei.
Escuta minha oração, Senhor,
desejo aqui viver pra teu louvor;
ensina-me a voltar e junto a ti estar
e em tua graça sempre confiar.

Perdoa-me, Senhor, se frutos eu não produzi,
se, indiferente a tudo, a missão eu não cumpri;
perdoa-me, Senhor,
se os campos brancos eu não vi,
se só pra mim vivi,
se meus talentos não desenvolvi.
Escuta minha oração, Senhor,
desejo aqui viver pra teu louvor;
ensina-me a agir e meu dever cumprir
e frutos dignos dedicar a ti.

Que Deus nos ajude a sermos melhores homens e mulheres, verdadeiramente servos seus, convertidos pela justiça e para a justiça, que sua vara e sua mão estejam sempre estendidas sobre nós para nos disciplinar, quem sabe assim, talvez, nós possamos ser purificados e cheguemos a ver um mundo melhor.

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Para recebermos perdão

E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores;
Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós;
Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas. – Mateus 6:12,14-15

Jesus, ao ensinar seus discípulos (e nós, como um dos tais) a orar, coloca ênfase no perdão, perdão que se pede e perdão que se dá.

Ora, a primeira coisa que Ele ensina é que a medida do perdão que pedimos é a medida do perdão que concedemos, nem mais, porque não merecemos, nem menos porque também não somos tão generosos, convenhamos.

Deus não espera de nós perfeição ou santidade absoluta (nesta vida pelo menos), embora espere que reconheçamos que a mesma condição de pecadores que temos e somos também alcança nosso próximo, e por isso ele é tão merecedor do nosso perdão como nós somos do perdão de Deus, ou seja, não é (como não somos), mas ainda assim devemos estender a nossa mão de perdão para ele como Deus também o faz para conosco.

Então somos apresentados a uma condição para termos os nossos pecados perdoados: perdoarmos a quem nos ofendeu. Simples assim.

Na verdade, Deus está sempre disposto a nos perdoar, sempre que pedirmos perdão com um coração quebrantado e arrependido, e uma das coisas que demonstra cabalmente o estado sincero de arrependimento é justamente o fato de termos perdoado a quem nos ofende, por que quem é aquele que nunca teve alguém nesta condição, alguém que nunca passou por isso, de ser ofendido, de guardar uma certa mágoa ou ressentimento?

O perdão de Deus está disponível atrás da porta que se encontra fechada com chave, mas curiosamente a chave está na nossa mão, e a chave é o perdão.

Será que não passamos tempo demais com a porta fechada sem perceber a chave que está perto, ao nosso alcance?

Pense nisso hoje, a quem será que tenho negado o perdão, de quem tenho guardado mágoa ou ressentimento mesmo a pessoa tendo vindo pedir o meu perdão, será que sou mesmo tão importante assim que posso negar o perdão a alguém que me ofendeu?

A minha oração hoje é para que reconheçamos a nossa própria necessidade de perdão, a nossa própria fraqueza perante um Deus que, sendo santo, estende a nós a sua mão de graça e bondade, e somente espera de nós essa reciprocidade em direção daqueles que também precisam, e, portanto aprendamos a dispensar também esse perdão a quem nos tem ofendido.

Deus nos abençoe.

In God we trust (nEle a gente pode confiar)

Então disse o Senhor a Moisés: Eis que vos farei chover pão dos céus, e o povo sairá, e colherá diariamente a porção para cada dia, para que eu o prove se anda em minha lei ou não. – Êxodo 16:4

O pão nosso de cada dia nos dá hoje; – Mateus 6:11

Deus é um deus provedor.

Ele cuida de nós e deseja o nosso melhor.

Deus nunca nos prometeu riquezas, poder, luxo ou que satisfaria nossos desejos egoístas frutos da nossa sociedade consumista, mas Ele nos prometeu saciar as necessidades mais básicas, o que, na pirâmide de Maslow, corresponde às necessidades fisiológicas, como alimento, saúde, e de segurança, como a moradia, abrigo.

É nesse contexto que o Salmista diz que o Senhor é o nosso pastor, e nada nos faltará (em nada passaremos necessidade), conforme Salmos 23:1, ou ainda no contexto da oração do Pai Nosso, ensinada como modelo de relacionamento com o Pai por nosso mestre Jesus, que Deus veste os lírios do campo em riqueza que nem Salomão usou, e alimenta os pardais que não precisam se preocupar, como não o faria conosco, seus filhos e infinitamente mais preciosos para Ele do que meras flores ou passarinhos?

Vejamos bem que o mesmo que Deus promete para Israel, em Cristo nós também temos acesso, a esse Deus de provisão, à sua generosa oferta de cuidado, de que não precisamos ficar ansiosos, preocupados, muito embora vivamos em um cenário de crise econômica onde muitos de nós estejamos momentaneamente apertados ou mesmo desempregados, esse é o momento de crer, esse é o momento de confiar.

Israel não confiou em Deus, nos versos seguintes vemos que o povo colheu mais do que podia comer com medo de faltar no dia seguinte, e a comida apodreceu.

O desafio portanto é confiar, entregar-nos nas mãos poderosas de Deus e não temos como confiar desconfiando, como diz a bela música do Vencedores por Cristo.

Não!

Ou confiamos ou não confiamos, não há meio termo, e a ansiedade é sinônimo de desconfiança.

Mas como eu, eu sei que você também é humano e fraco, então ainda que tenha apenas uma fagulha de fé e esperança, exercite essa confiança no Pai dando o primeiro passo pela fé, faça como aquele pai desesperado que deseja a cura de seu filho quando vai ao encontro de Jesus, conforme Marcos 9:24, reconheça sua incredulidade e peça a Deus que fortaleça ou aumente a sua fé!

A minha oração hoje é para que eu e você não sejamos teimosos e faltos de fé como aquele povo de Israel no Êxodo, que aprendamos a confiar e depender completamente em Deus, pois Ele nos sustenta e guarda, e diferentemente de nós que somos infiéis, Ele é fiel, Ele permanece fiel pois Ele é constante, Ele não muda, Ele está sempre disposto a estender a sua mão para nos abençoar!

Deus nos abençoe.

A insuficiência da Lei

Fará restituição plena, acrescentará a isso um quinto do valor e dará tudo ao proprietário no dia em que apresentar a sua oferta pela culpa. – Levítico 6:5b

A Lei, embora justa em seus princípios e finalidade, tinha um condão apenas fiscalizatório, guiando o homem pelo caminho correto como uma espécie de tutor, de babá, como afirma o apóstolo Paulo em Gálatas 3:24,25, sendo portanto falha e insuficiente, pois não almejava mudar o homem de dentro para fora, e sim apenas freá-lo em seus instintos egoístas, proporcionando, em caráter pedagógico, uma punição CASO alguém fosse pego descumprindo alguma de suas ordenanças, tanto positivas (fazer) quanto negativas (não fazer).

O evangelho, por outro lado, tanto requer quanto inspira mudanças: mudança de comportamento, que é externo, e semelhantemente de temperamento, que tem feições externas mas também internas, e por último de valores, que embora tenham repercussões de caráter público, são predominantemente internas, de foro íntimo, experienciadas no privado, no particular, onde apenas uns poucos podem saber quem realmente é a pessoa que aparente ser algo que talvez não seja de fato.

Um grande exemplo da mudança que o evangelho causa na vida de uma pessoa vemos na história de Zaqueu, um cobrador de impostos, do tipo de gente mais desprezada na sociedade judaica por ser considerado corrupto e traidor à pátria, que quando conhece Jesus, VOLUNTARIAMENTE, movido por uma profunda transformação vivenciada, resolve devolver não o que a Lei ordenava, acrescido da multa de 20%, mas 4 vezes mais, ou seja 400%, conforme vemos no texto abaixo:

Mas Zaqueu levantou-se e disse ao Senhor: “Olha, Senhor! Estou dando a metade dos meus bens aos pobres; e se de alguém extorqui alguma coisa, devolverei quatro vezes mais”. – Lucas 19:8

Vejam que a Lei dizia que SE alguém fosse pego furtando, SE alguém fosse condenado, ou seja, necessitava um processo judicial onde a pessoa poderia ainda escapar de ser condenada, sair ilesa sem cumprir a pena, somente se confrontada ela devolveria o valor extorquido e pagaria a multa. Era a “mão do Estado”, por assim dizer, naquele proto-sistema judiciário de então, fazendo valer a justiça humana, em que pese baseada na vontade de Deus.

O evangelho vai muito mais além. Não é à toa que Jesus disse que se levássemos um tapa deveríamos oferecer a outra face, ou ainda se tirassem a capa, não deveríamos recusar também a túnica (Lucas 6:29), é o poder radical do amor de Deus que nos constrange de tal modo que não nos sentimos bem ao pecarmos, ao defraudarmos alguém. Não é preciso vir alguém e apontar o dedo, pois o próprio Espírito Santo nos incomoda, não para nos acusar, mas para nos ensinar e nos corrigir e trazer novamente para o caminho correto, para perto do Senhor, cuja vontade e valores são bons para nós como indivíduos e como membros da sociedade.

A Lei representa então a religião, em que vivemos apenas andando sobre uma linha, como a corda bamba (ou o moderno slackline), de fazer e não fazer, de proibições e obrigações, mas que na verdade não geram verdadeira transformação nem impactam o mundo, ao contrário, qualquer coisa é motivo para cairmos, não há um relacionamento genuíno com o Pai já que impera o medo e no medo não há amor, não há paz, não há benevolência, paciência, fraternidade, não há voluntariedade nem generosidade (1º João 4:18, entre outros).

O evangelho demonstra, no sentido oposto, a graça de Deus por nós e que em nós opera em favor dos outros. Só a graça percebida e experimentada pode traduzir-se em generosidade, de tempo, dinheiro e outros recursos, à obra de Deus e aos outros (que também é obra de Deus, convenhamos), só essa graça perdoadora faz com que um homem reconheça publicamente sem ninguém lhe apontar o dedo que é pecador, que errou, que deseja restaurar sua vida e seus relacionamentos, pedir perdão a quem machucou, e procurar restituir não apenas o que a lei manda, como um limite máximo, e sim, quando muito, como um “piso”, por assim dizer, ou seja o que ele mesmo reconhece como justo sabendo que também Deus lhe perdoou infinitamente mais do que merecia ou poderia fazer por merecer.

A minha oração hoje é para que possamos experimentar o verdadeiro, doce, simples evangelho de Cristo que vai além de qualquer religião, cujo fardo é leve e não pesado (Mateus 11:28-30), e que, com isso, vivamos uma vida mais plena, sem medo, sem limites senão o próprio amor e graça que Deus derrama em nossas vidas cada dia.

Deus nos abençoe.

Serviço mal feito, qualquer coisa para oferta ao Senhor

Quando a oferta de alguém for sacrifício de comunhão, assim se fará: se oferecer um animal do gado, seja macho ou fêmea, apresentará ao Senhor um animal sem defeito. – Levítico 3:1

Deus não exige de ninguém ofertas ou sacrifícios, em dinheiro ou de outra forma, nem cobra de ninguém que trabalhe em sua obra (somente que viva o evangelho que afirma crer, e obedeça à sua Palavra), mas quando o fizermos, sempre em caráter voluntário, uma coisa deve ser observada: a Deus sempre o melhor.

Devemos nos lembrar da diferença do coração, do propósito, da intenção das ofertas de Caim e Abel (Gênesis 4:3-7), e qual foi aceita. A de Abel não foi aceita por ser de um tipo e a de Caim rejeitada por ser de outro (animal x colheita), mas sim por Abel ter oferecido seu melhor, suas primícias, enquanto Caim ter escolhido qualquer coisa, o que lhe sobrava, coisas de menor valor, com pequenos defeitos talvez, algo que não era digno de ser usado e portanto escolheu “dedicar ao Senhor”, como se o Senhor fosse merecedor de coisa de segunda mão ou de “qualquer porcaria”.

De maneira semelhante lembro do exemplo da viúva pobre das palavras de Jesus em Lucas 21:1-4, ela deu moedas de pequeno valor se consideradas individualmente, mas que eram tudo que possuía, revelando um enorme sacrifício e, por essa mesma razão, um profundo amor e dedicação ao Senhor.

Esses dois exemplos devem nos ensinar essa lição, de dedicarmos nosso melhor a Deus, seja nos dízimos e ofertas (que repito, devem ter o caráter voluntário, com alegria, conforme 2º Coríntios 9:7), seja naquilo que fazemos. Deus é a pessoa mais santa, mais pura, mais perfeita, e o seu padrão moral, ético, e de tudo o mais deve nos inspirar a buscar isso em nossa vida, em tudo quanto fazemos, especialmente se o que fazemos é supostamente em prol do seu reino ou dedicado à sua obra.

Não somos forçados a trabalhar em nenhum ministério na igreja, mas devemos ser responsáveis e dedicados no compromisso que assumimos, com assiduidade, pontualidade, qualidade e zelo naquilo que iremos fazer. Muitas vezes achamos que porque o trabalho é voluntário, que ele pode ser feito de qualquer jeito, e quando bem entendermos, o que demonstra que não aprendemos verdadeiramente a ser servos, nem conhecemos com intimidade o Pai que temos e a quem chamamos Senhor e Deus. Isso me lembra quando criança em que eu não conseguia entender porque era dada a “oportunidade” a qualquer pessoa que se oferecesse para “levar uma palavra” ou cantar uma música em igrejas que eu frequentei, quando claramente a pessoa não estava minimamente capacitada a fazê-lo, o que me parecia um enorme desleixo para com a obra de Deus.

Também não custa lembrar, tomando-se em conta o contexto do trecho acima, entre o final do livro de Êxodo e o livro de Levítico, no qual são instituídas regras por vezes incompreensíveis e aparentemente sem sentido para nós no século 21, mas que Deus por trás de tudo isso tem um plano e um propósito, Deus é um Deus de ordem, e se não podemos obedecer naquilo que é pequeno e aparentemente desprezível, como é de esperar que obedeçamos naquelas coisas que requerem verdadeiro sacrifício da nossa parte?

Por fim, lembro do que aconteceu em apenas uma das várias ocasiões em que o povo de Deus resolver fazer as coisas “de qualquer jeito”, ou “do seu jeito”, ignorando, pra não dizer desobedecendo mesmo, as regras que Deus havia estabelecido, em rebeldia, rebelião à sua palavra e vontade, no episódio narrado em 1 Crônicas 13, onde Deus havia dado uma ordem específica sobre o manuseio da arca da aliança, a qual foi desobedecida, quando o Rei David mandou transportá-la não como ordenado por Deus, mas como achou melhor, de acordo com sua vontade pessoal, o que levou à morte de uma das pessoas que a transportavam pois não lhe era permitido tocar na arca e ele assim o fez.

A minha oração hoje é que Deus nos faça entender, internalizar, que aquilo que dedicarmos a Ele deve ser sempre o nosso melhor, o melhor do nosso tempo, da nossa vida, do nosso coração, dos nossos sentimentos, do nosso dinheiro, do nosso trabalho, enfim, até de maneira sacrificial se for preciso, e nunca fazendo as coisas de qualquer jeito, só por fazer, pois Ele fez o seu melhor por nós dando o seu próprio filho Jesus para morrer na cruz em nosso lugar, e tão grande sacrifício e bondade não é digno nem merecedor de uma coisa mal feita, feita “nas coxas”, algo que já não temos a obrigação de fazer em primeiro lugar.

Deus nos abençoe.

Más companhias, maus costumes

Não se deixem enganar: “as más companhias corrompem os bons costumes”. – 1 Coríntios 15:33

Recentemente Deus falou comigo sobre as amizades que nós cristãos cultivamos no mundo, sobre a dualidade que existe entre os valores de Deus e o sistema corrompido de valores opostos aos seus a que chamamos mundo, uma realidade não geográfica mas moral e espiritual, e de como, nesse contexto, não devemos nos relacionar em profundidade com pessoas que não possuem o mesmo Deus como Senhor, que não fazem parte da mesma família da fé. Na ocasião Deus me falou através dos textos de Tiago 4:4-5 e 1 João 2:15-17.

Ontem novamente senti Deus falar comigo sobre esse assunto, embora tendo outro “gatilho”, no caso uma pessoa que conheço que já frequentou a igreja e hoje está afastada, e a diferença que eu pude perceber em seu comportamento, em seus valores, até mesmo na maneira de falar, nas palavras e expressões usadas, quando conversei com essa pessoa esses dias.

O texto que Deus me tocou hoje, ontem na verdade, foi o de 1 Coríntios 15:33 que fala sobre as más companhias, como elas promovem uma mudança ruim nos valores, na moral, nos costumes de quem, embora sendo servo do Senhor, deixa-se contaminar, passa a compartilhar (“dividir o pão”) a vida, se relaciona com frequência e intimidade com quem escolheu caminhar longe do Senhor.

Não há no cristianismo a figura do yin-yang taoísta onde há uma parcela de bom no mau, e vice-versa, uma parcela de mau no bom. Somos chamados a ser santos, separados, pois somos filhos de um Deus que é santo, e deseja para sua família os mais altos padrões morais e éticos.

Quando andamos em más companhias, e por más companhias não quero dizer bandidos, ou prostitutas, ou pessoas de má fama, pelo contrário, pode ser seu vizinho ou colega de trabalho, da faculdade ou, pasme, até mesmo da igreja, conforme exortação do apóstolo Paulo em 1 Coríntios 5:9-11, somos vítimas não apenas do falatório, que não é tão importante dentro do contexto da obra sendo feita, de resgate de vidas, mas sim da influência, essa sim que merece nossa atenção e cuidado, que eles mesmos podem exercer sobre nós, um fardo pesado que requer ombros fortalecidos na Palavra do Senhor para conseguir suportar.

Já lhes disse por carta que vocês não devem associar-se com pessoas imorais.
Com isso não me refiro aos imorais deste mundo, nem aos avarentos, aos ladrões ou aos idólatras. Se assim fosse, vocês precisariam sair deste mundo.
Mas agora estou lhes escrevendo que não devem associar-se com qualquer que, dizendo-se irmão, seja imoral, avarento, idólatra, caluniador, alcoólatra ou ladrão. Com tais pessoas vocês nem devem comer. – 1 Coríntios 5:9-11

Devemos ser sal e luz nesta terra (Mateus 5:13-14), então Deus não quer que nos isolemos das pessoas perdidas, sobre as quais devemos exercer nossa influência positiva para que elas mesmas entendam o amor de Deus por elas, e os valores eternos do reino, de modo que sejam salvas e venham com isso a abandonar paulatinamente seus vícios e pecados. Isso requer de nós interação e apoio. Muitas vezes doação de tempo e estarmos presente em ocasiões especiais em suas vidas. Mas não nos obriga a partilharmos de ambientes, locais e situações que podem comprometer nosso testemunho, fazer tropeçar um irmão mais fraco na fé, ou ao invés de causar-lhes uma boa influência, poderá nos fazer desviar do caminho nós mesmos.

É realmente uma dificuldade conciliar a tarefa de pregar a Palavra sem preconceito sem se deixar contaminar pelos valores morais corrompidos, como Jesus fez por exemplo, que preferia a companhia dos mais rejeitados socialmente falando, prostitutas e bandidos mesmo, coisa que dificilmente conseguiríamos fazer sem sofrer algum tipo de consequência no mínimo de reprovação social, ou de cunho vexatório.

No entanto, a Palavra mais de uma vez é clara com relação a esse assunto, afirmando, por exemplo, que feliz é o homem que não anda conforme o conselho dos ímpios, não se detém no caminho de pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores, antes o seu prazer está na Lei do Senhor, Lei na qual medita durante todo o dia (Salmos 1). Quando damos ouvidos aos conselhos daqueles que não confiam em Deus, somos instigados a confiar mais em nós mesmos e depender menos do Pai; quando caminhamos diariamente com amigos cujos padrões morais, comportamentais, sociais diferem muito dos nossos enquanto cristãos, somos pouco a pouco anestesiados com relação a seus desvalores, a suas posições contrárias à vontade do Pai; quando sentamos numa roda onde o assunto dificilmente passará longe de futilidades, entrando normalmente por pecados como a fofoca e imoralidade, seremos coniventes com tudo aquilo que está sendo dito ou feito, passaremos a considerar como normal aquele tipo de conversa, de atitude, de ação, e cedo ou tarde estaremos tão parecidos com os demais que o mundo já não conseguirá enxergar em nós a luz de Cristo que deveria estar brilhando, o sal terá perdido o seu sabor e não prestará para nada.

A minha oração hoje não é pedindo a Deus para que nos retire do mundo, mas para que nos dê fé suficiente e prática de modo a impactarmos nossos amigos que não entregaram ainda suas vidas a Cristo, não nos deixando contaminar no caminho, permitindo que sejamos nós a fonte de influência e não eles, pois estaremos sempre em menor número e as pressões sociais tendem a produzir em nós um constrangimento de nos levar a repetir os mesmos padrões de comportamento, palavras, e valores que não glorificam ao Pai que eles possuem. É uma tarefa árdua mas possível.

Deus nos abençoe.

Amigos do mundo

Adúlteros, vocês não sabem que a amizade com o mundo é inimizade com Deus? Quem quer ser amigo do mundo faz-se inimigo de Deus.
Ou vocês acham que é sem razão que a Escritura diz que o Espírito que ele fez habitar em nós tem fortes ciúmes? – Tiago 4:4-5

Não amem o mundo nem o que nele há. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele.
Pois tudo o que há no mundo — a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens — não provém do Pai, mas do mundo.
O mundo e a sua cobiça passam, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre. – 1 João 2:15-17

Dois textos muito semelhantes escritos pelo irmão de Jesus e por seu melhor amigo, será que temos alguma razão para duvidar de suas palavras e daquele que as inspirou?

O mundo não é um local geográfico, é um sistema de valores, um paradigma, uma forma de enxergar a vida, uma cosmovisão que se choca frontal e radicalmente contra os valores de Deus.

São valores egoístas, que buscam o prazer pelo prazer, imediato, sem consequências, que não olha para o amanhã, para o eterno, apenas para o hoje, para o agora, para o eu.

Diversas são as passagens das Escrituras que nos falam que Deus e o mundo são duas realidades auto excludentes, uma contradiz a outra, e ainda que não podemos servir a dois senhores, pois inevitavelmente amaremos a um e aborreceremos ao outro (Lucas 16:13).

Assim nos fala Tiago, chegando a dizer que Deus, como nosso criador, Senhor e Pai, tem ciúmes de nós no momento em que dizemos sim ao mundo, como igreja sua que somos, comparados por toda a Bíblia a uma noiva, sendo Cristo o noivo, é de se entender dEle sentir ciúmes quando O traímos e nos prostituímos com o mundo, novamente, sistema de valores opostos ao seus. É como se disséssemos a Ele que encontramos felicidade em outros braços, quem não se sentiria mal em ouvir tais palavras de seu/sua amado/a?

João mais adiante deixa bem claro o que é o mundo, ou seja, a cobiça da carne, também chamada concupiscência, que nos faz escravos de nossos próprios instintos animais, escravos novamente pois Cristo já nos libertou, agimos como um porco que, depois de tomar um banho, corre novamente para o lamaçal. Cobiça que tem gatilhos externos é verdade mas que nasce de um coração egoísta, nasce de nossos próprios desejos pecaminosos. Cobiça que não se satisfaz com o que possuímos, mas quer sempre mais, não porque precisamos, mas porque precisamos mostrar aos outros que somos melhores, que somos felizes, que somos bem sucedidos. Estes são os valores do mundo.

O alerta dos dois é bem claro: quem quer ser amigo do mundo faz-se (ação própria e voluntária) inimigo de Deus, se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele, como água que não se mistura naturalmente com o óleo, o amor de Deus vai sendo expulso do coração da pessoa que prefere amar os prazeres dessa vida.

Certa vez ouvi de um pastor muito sábio que um cristão verdadeiro não tem como desenvolver relacionamentos profundos, íntimos, com quem não é cristão, pois não há como a luz ter comunhão com as trevas (2 Coríntios 6:14), palavras de Paulo usadas para o relacionamento conjugal entre um crente e um incrédulo, mas que na verdade não é algo taxativo, numerus clausus, e sim exemplificativo, como o relacionamento mais íntimo que alguém pode ter, sem prejuízo de outros que também requerem ou ensejam intimidade e companheirismo (compartir, partir o pão junto), como uma amizade profunda ou até mesmo uma sociedade empresária.

A minha oração hoje é para que Deus nos dê sabedoria e discernimento para avaliarmos bem os tipos de valores que estamos abraçando, o tipo de relacionamento que desejamos ter e que de fato estamos construindo, seja de que tipo for, se será agradável a Deus, ou o contrário, agradando ao mundo, pois ambos não possuem comum acordo.

Deus nos abençoe.