Áridos

Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, faz da carne mortal o seu braço e aparta o seu coração do SENHOR! Porque será como o arbusto solitário no deserto e não verá quando vier o bem; antes, morará nos lugares secos do deserto, na terra salgada e inabitável. – Jeremias 17:5,6

Interessante esse verso de Jeremias ressaltar que o homem que confia no homem não verá não o mal que o homem poderá lhe fazer, pois não é essa a idéia central do texto, mas o bem que é o Senhor.

Isso tanto pode como também pode não vir a acontecer, ou seja, aqueles em que confiamos podem nunca nos trair ou nos fazer o mal propriamente dito.

O texto vai além dizendo que quando dependemos do homem e não do Senhor perdemos o melhor.

É como se habitássemos em um lugar seco, em terra salgada, ou seja, incapaz de produzir qualquer fruto ou mantimento, realmente inabitável, e, no entanto, permanecessemos ali pois nos perdemos no tempo e na história, o momento em que o bem passou, a oportunidade passou, e nós ficamos para trás.

E cabe lembrar que não é meramente confiar no homem que nos traz tamanho malefício, mas apartarmos o nosso coração do Senhor, uma vez que o seu Santo Espírito flui de dentro do nosso coração como um rio de águas vivas, assim o homem que se esquece, abandona esse rio, acaba ficando seco.

Por último penso aqui na figura do arbusto solitário e fico pensando no homem sem Deus, que acaba se afastando também da sua própria humanidade e do seu semelhante.

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Falta de fé

Imediatamente o pai do menino exclamou: Creio, ajuda-me a vencer a minha incredulidade! – Marcos 9:24

Essa passagem das escrituras é uma passagem muito interessante e vem ao encontro de muitos questionamentos que ocorrem em situações que as vezes passamos, onde nossa fé parece vacilar. Parece não, sendo muito honestos iremos admitir que vacila mesmo.

Aquele homem conhecia Jesus de ouvir falar em sua fama, mas ainda não tinha uma experiência pessoal com Ele. Ele cria em tudo aquilo que ouvira falar, mas como não tinha experimentado "na pele" sua crença ficou mais na teoria, na pele, não tendo chegado ao âmago do seu ser.

Mas nós muitas vezes, mesmo conhecendo o Senhor de longa data, ainda somos acometidos de incredulidade. Talvez não a ponto de negarmos com nossa boca ao Senhor, mas ao exercitarmos um tipo de fé vazia que diz crer, mas crê pela metade.

Ora, assim como não dá para confiar pela metade, também é impossível crermos pela metade.

No entanto, aquilo que tenho ouvido da parte de Deus não é nem sobre esse aspecto em particular, embora verdadeiro, mas sim sobre termos a coragem de admitirmos a Deus que não conseguimos crer.

Muitas vezes por termos nascido em lares de cultura cristã nos sentimos forçados a acreditar em algo porque nossos parentes assim o fazem, ou temos uma vergonha arrogante de dizer que não acreditamos.

Creio pessoalmente que Deus prefere a honestidade de um coração que clama aflito como aquele homem, pedindo ajuda na sua própria incredulidade. Ele queria crer e não conseguia, e Jesus viu isso em seu coração.

A versão da tradução católica dessa passagem é ainda mais enfática quando diz "vem em socorro à minha falta de fé" porque as vezes tudo que basta é um empurrãozinho à nossa fé, mas outras vezes não temos absolutamente forças sequer para levantar a cabeça, então temos que ter primeiro o socorro, primeiro a resposta da oração, primeiro o milagre e só então a fé aparece, por mais contraditório que isso seja, sabendo que o potencial milagre muitas vezes está "condicionado" à nossa própria fé, como no contexto desse versículo Jesus mesmo deixa claro, e sabendo que devemos viver não por vista, não por experiências, mas pela fé mesmo na falta delas.

O primeiro passo, portanto, para termos fé é, muitas vezes, admitirmos que não temos fé. Não termos orgulho desse fato por si, mas termos coragem e sinceridade de coração de aceitar esse fato, embora não nos contentarmos em permanecer nesta situação.

Algo que acordei pensando sobre teologia da prosperidade

É curioso como Deus fala conosco.

Hoje acordei com a lembrança viva de um famoso pregador da teologia da prosperidade que tive a oportunidade de conhecer chamado Mike Murdock.

Já tinha lido alguns de seus livros (embora não engula a teologia da prosperidade, nem poderia, creio que de tudo podemos tirar alguma lição positiva, e algumas coisas que ele escreveu servem para a pessoa aplicar em sua vida financeira, ter mais disposição empreendedora, etc.) e um dia fui assistir uma de suas palestras em Fortaleza, e pude apertar sua mão, conversar alguns instantes com ele pessoalmente, porque um primo meu serve de tradutor dele para o português em eventos no Brasil.

Fiquei pensando (posso até arriscar dizer que Deus me ‘revelou’) em algo que os pregadores da teologia da prosperidade dizem, tocam muito na tecla de que "se a riqueza fizesse o homem se corromper, o diabo faria todo mundo rico", mas não necessariamente o inimigo precisa dar grandes quantidades de dinheiro para todo mundo porque nem todo mundo tem: 1) a mesma inclinação para o pecado na área financeira, 2) o mesmo limite para o pecado nesta área.

Explico. Eu sei que minha fraqueza pessoal NÃO é na área financeira, é em outras áreas que infelizmente tenho lutado um bocado para conseguir vitórias as vezes inexpressivas (na minha perspectiva, pelo menos), então penso que dificilmente satanás iria me tentar em uma área que não tenho propensão para cair, mas em outras áreas onde ele sabe que se tentar bobamente dificilmente me manterei em pé. Mas existem pessoas cuja fraqueza reside na área financeira, por possuírem uma tendência natural ao amor pelo dinheiro, seja por avareza, consumismo, ganância, corrupção ou outra razão, então já tendo uma inclinação para o pecado nesta área, creio que é mais fácil de estas pessoas serem tentadas desta forma.

Com relação ao limite, e é aqui que está uma chave para entendimento do problema, os pregadores da teologia da prosperidade, ao afirmarem que "se a riqueza fizesse o homem se corromper, o diabo faria todo mundo rico", esquecem que o padrão de riqueza varia com cada pessoa, de acordo com seu limite pessoal. Por exemplo, há pessoas que analisam o custo-benefício de se corromperem, ou seja, avaliam se o risco da punição compensa o valor recebido. Penso ainda em diferentes graus do mesmo problema, onde o ‘esforço’, por assim dizer, do inimigo, para desviar o homem pode ser de dez reais para o cara que não tem onde cair morto, pode ser de um salário mínimo, alguns milhares de reais, e para outros pode até ser que seja riqueza absoluta, como, quem sabe, ganhar na loteria.

Parece-me óbvio que o inimigo não vai ‘desperdiçar’ alguns milhões de reais em uma pessoa que sabe que irá se corromper com apenas dez reais, mas há pessoas que ele sabe que tem fraqueza nessa área mas cujo limite é mais alto, então o ‘investimento’ que ele faz também é mais vultoso.

Enfim, é nisso que fiquei pensando e o fato curioso de Deus falar conosco, repetindo o que coloquei no início, é que sempre Ele confirma no nosso coração por outros meios, não creio que seja um fato isolado, uma lembrança apenas, e isso aconteceu comigo agora há pouco, navegando nas minhas redes sociais, onde recebi um link para um vídeo sobre o pr. Silas Malafaia, que no inicio de seu ministério criticava sem dó nem piedade os mentores da teologia da prosperidade, e hoje "vendeu a alma ao diabo", por assim dizer, abraçando com unhas e dentes essa teologia, e esculhambando quem porventura discordar dele.

Cada um pelo falar, pelo pensar ou agir, demonstra o deus que prega, que crê e que serve, e se alguns pregam a Jesus, outros pregam a mamom.

Humildade

Porque pela graça que me é dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, conforme a medida da fé que Deus repartiu a cada um. – Romanos 12:3

O conceito de humildade bíblica corre longe da mera pobreza, como se para ser pobre de espírito (este sim, humilde), conforme as bem-aventuranças (Mateus 5:3), o ser humano precisasse fazer voto de pobreza, como um franciscano, e vejam que, por mais contraditório que possa parecer, há pobres que não são humildes, mas na sua falta de provisão de bens conseguem achar espaço para um espírito altivo.

A humildade bíblica passa mais perto do sentido de noção correta de valor pessoal, ou auto-estima, ou melhor ainda “Jesus-estima”, se me permitem o neologismo, no sentido da pessoa se perceber como pecador e não merecedor de nenhuma graça e, portanto, não poder se considerar melhor do que nenhuma outra pessoa. É perceber que tudo que somos e temos devemos a alguém maior, superior a nós todos que é Cristo.

Assim, não cabe dizer também que o humilde é aquele que sempre se coloca para baixo, subserviente, que não questiona nada, situação em que pode demonstrar ou depressão ou complexo de inferioridade.

Humildade está mais para saber as suas potencialidades e não sentir orgulho delas/nelas, nem se considerar superior em razão delas.

Nesse sentido, um versículo que completa este, e está logo abaixo no mesmo contexto, é o de Romanos 12:10 que diz: “Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros.”

A medida da humildade é o amar (decisão e ações correspondentes) uns aos outros, cumprindo assim o mandamento de Cristo (João 13:34, João 15:12, João 15:17), cordialmente (que dá ênfase ao como, retirando o caráter de obrigação ou pesar), lembrando que somos irmãos uns dos outros (vide a palavra fraternal), preferindo o outro em sinal de honra, ou seja, reconhecendo o valor do próximo, e sabendo que, apesar de ambos, eu/você e o outro termos o mesmo valor, em Cristo eu cedo meu lugar, eu me submeto, se for o caso até meu direito (a razão que creio possuir) eu devo abrir mão.

Lembrando aqui de Aristóteles, para quem a virtude encontra-se no equilíbrio, no meio-termo, vejo que uma boa maneira de exercitar a humildade é através da moderação, conforme o próprio versículo nos ensina.

Por fim concordo com as palavras do pr. Mark Driscoll que, em um sermão sobre esse tema, afirmou que humildade aponta para Cristo. Não tem como ser humilde aquele que pensa em si mesmo. Quando, no entanto, focamos nossa mente em Cristo, na pessoa do Jesus, em sua vida, ministério, obras, palavras, naturalmente o Espírito Santo opera em nós tornando-nos pessoas humildes.

Deus nos abençoe.

Disciplina na igreja

Se o seu irmão pecar contra você, vá e, a sós com ele, mostre-lhe o erro. Se ele o ouvir, você ganhou seu irmão.
Mas se ele não o ouvir, leve consigo mais um ou dois outros, de modo que ‘qualquer acusação seja confirmada pelo depoimento de duas ou três testemunhas’.
Se ele se recusar a ouvi-los, conte à igreja; e se ele se recusar a ouvir também a igreja, trate-o como pagão ou publicano. – Mateus 18:15-17

Jesus Cristo é conhecido não por abolir a lei, mas por cumpri-la (Mateus 5:17). Aqui o mesmo Senhor que é especialista e abundante em graça e perdão mostra a faceta de justiça e disciplina, afinal esses dois lados caminham juntos como trilhos paralelos de um trem. Aliás, não é novidade, já que Jesus cita aqui a Lei contida em Deuteronômio 17:6 e novamente em Deuteronômio 19:15.

O padrão de disciplina na Igreja é instituída pelo próprio Senhor, a saber:

  1. individualmente cada pessoa ofendida trata a ofensa com o ofensor, assim o pecado não se torna público causando escândalo, e o pecador tem a oportunidade de se defender e de se arrepender. Cabe destacar que o pecado aqui do texto é nos relacionamentos um a um, como por exemplo a mentira que alguém proferiu, um negócio mal concretizado, ou uma fofoca, entre outros.
  2. se o ofensor permanece impenitente, não se arrepende, o ofendido deve chamar uma ou duas testemunhas, não por obediencia à Lei, mas para que a verdade dos fatos possa ser obtida por essa "acareação", termo muito usado no meio policial que significa o confronto entre os dois envolvidos para saber quem fala a verdade. As testemunhas podem então servir para avaliar o que se passa, e se o ofendido fala a verdade.
  3. ao ofensor é dada ainda uma terceira oportunidade para o arrependimento, quando o caso é apresentado à igreja. A igreja aqui é o corpo de irmãos que, solidariamente e em um mesmo Espírito, tem o privilégio e o dever de corrigir em amor a situação em análise, atentando para a comunhão do corpo para que o corpo em unidade permaneça saudável. Não pode portanto extirpar o ofensor como uma verruga ou um vírus, sem dar condições que o mesmo demonstre seu arrependimento.
  4. caso, ainda assim, aquele que prejudicou o terceiro permaneça irredutível, a igreja deve considerá-lo não como parte do corpo, mas como um estranho. Aqui Jesus usa as expressões "pagão" e "publicano", duas das consideradas mais ofensivas para um judeu, os quais eram condenados publicamente ao ostracismo. É interessante que estas palavras parecem duras vindas de Jesus, Ele mesmo que andava rodeado de publicanos. A lição que aprendo aqui é que embora não devamos permitir o ímpio dentro do corpo, não podemos tratá-lo mal. Considerar o outro como "pagão" e "publicano" traz mais a idéia de pregar para ele como para alguém que não conhece ainda o amor, a graça, o perdão e a justiça de Deus do que simplesmente abandoná-lo à própria sorte.

Paulo, considerado o doutrinador maior do Novo Testamento, e que "estendeu" ou explicou melhor o conceito da graça no Evangelho, por sua vez, vai ainda mais longe na questão da disciplina pois percebe a gravidade de se acolher o pecado, a ofensa, dentro do corpo:

Mas agora estou lhes escrevendo que não devem associar-se com qualquer que, dizendo-se irmão, seja imoral, avarento, idólatra, caluniador, alcoólatra ou ladrão. Com tais pessoas vocês nem devem comer. – 1 Coríntios 5:11

Por que Paulo faz tal afirmação? Não sei com certeza o que se passou em sua mente, mas penso que o medo da contaminação do corpo pela doença do pecado deve ter gerado nele uma atitude tão radical a ponto de dizer com todas as letras para os irmãos não manterem relacionamento com aqueles que cometessem pecados de maneira pública e notória embora se dissessem irmãos, dando um péssimo testemunho de sua fé, onde os mais novos ou mais fracos seriam certamente escandalizados por aquilo.

Novamente Paulo, em sua carta Pastoral ao jovem Timóteo, trata do tema do pecado público na Igreja:

Os que pecarem deverão ser repreendidos em público, para que os demais também temam. – 1 Timóteo 5:20

Nota-se, portanto, o caráter da disciplina igualmente enquanto remédio para o que peca como vacina para os demais se sentirem desmotivados a cometer o mesmo erro. O erro que permanece impune gera nos demais a sensação de descaso, de libertinagem.

Nesse mesmo sentido, ele continua dizendo:

Os pecados de alguns são evidentes, mesmo antes de serem submetidos a julgamento; enquanto que os pecados de outros se manifestam posteriormente.
Da mesma forma, as boas obras são evidentes, e as que não o são não podem permanecer ocultas. – 1 Timóteo 5:24-25

É interessante vermos que tanto o Mestre quanto o apóstolo Paulo são coerentes em seu discurso ao apresentarem a graça como meio salvífico, algo não merecido. Mas eles repetidas vezes tratam do problema do pecado não confessado, o pecador não arrependido como, em último caso, uma pessoa estranhe e não como um irmão.

A disciplina na igreja mostra que a igreja se importa com o pecador o suficiente para não aceitar que ele permaneça no estado em que se encontra, mas busque o socorro médico denominado graça, refletindo assim o amor de Deus para com seus filhos, pois Deus corrige a quem ama e assim devemos nós também.

A graça está a nossa disposição, mas para recebê-la de mãos abertas devemos nos despir daquilo que nos impede. Não é nos limparmos para alcançá-la, é simplesmente admitirmos que estamos sujos, pois não há doente que busque tratamento sem que primeiro reconheça que precisa.

Deus nos abençoe.

Ovelhas sem pastor

E, vendo as multidões, teve grande compaixão delas, porque andavam cansadas e desgarradas, como ovelhas que não têm pastor. – Mateus 9:36

Há muitos anos fui numa missa na igreja do Bonfim em Salvador e Deus me lembrou desse texto ao ver a multidão ali prestando suas homenagens a santos e praticando uma religiosidade cheia de superstições, sem qualquer embasamento na Bíblia e desprovida de qualquer senso lógico ou razão.

Esses dias Deus tem falado ao meu coração usando a mesma palavra mas agora voltada ao meio evangélico onde vivo. Que espécie de religiosidade está sendo vivida, que espécie de pastores estão liderando essas ovelhas, que caminho está sendo trilhado, para onde estão sendo guiadas as pessoas?
Em Marcos 6:34, outra versão do mesmo episódio, o texto continua dizendo que Jesus passou a ensinar a multidão… Como falta gente que se preocupe com as pessoas e ensine o correto, a despeito do desconforto que possa provocar.

Quando estamos doentes necessitamos tratamento e a depender do estágio da doença o tratamento pode causar temporariamente mais dor até do que a própria doença, e passar por injeções, cirurgia ou até ao amputamento do membro afetado antes que gangrene e contamine o resto do corpo, ou mesmo isolamento da pessoa caso a doença seja contagiosa.

É uma pena que os pastores não deixam mais as 99 ovelhas no aprisco em busca da 1 que se desgarrou, não se vê mais a vara e o cajado trazendo de volta ao caminho correto ainda que através da "pancada", uma pena que os doentes assumiram a direção desse hospital que se chama igreja e não querem mais tomar suas medicações, e o pior, são os doentes da ala psiquiátrica que estão dando as ordens…

Não diga nada a ninguém

E disse-lhe: Olha, não digas nada a ninguém; porém vai, mostra-te ao sacerdote, e oferece pela tua purificação o que Moisés determinou, para lhes servir de testemunho. – Marcos 1:44

Sou muito reticente com relação a programas de TV evangélicos, quem me conhece sabe disso, e já publiquei aqui outras vezes razões porque não gosto. Esse versículo é uma das razões porque não gosto. Por muito tempo matutei comigo mesmo do por quê Jesus ter curado algumas pessoas e ter mandado elas ficarem caladas, não contarem pra ninguém exceto para os sacerdotes. Uma razão clara que o tempo (ou Deus, talvez) me ensinou é que Jesus queria ter um relacionamento pessoal com cada indivíduo e não um relacionamento utilitarista, mercantilista, tipo resolvedor particular de problemas. Isso não somente desvia o foco da sua mensagem de salvação, que é retirar o homem do seu lamaçal de pecados e afastamento de Deus e do próximo e levá-lo a um relacionamento íntimo com o Pai na condição de filho, mais do que afastando-o do conceito de inferno como lugar mas removendo-o do inferno que é viver longe do seu Criador, como também diminui o impacto e "necessidade" do seu sacrifício, como ainda muda sua posição de Senhor nosso para de servo nosso.

Jesus nunca quis ser conhecido pelos milagres que fazia, pelo contrário, na verdade os milagres e bençãos eram apenas sinais que apontavam para o que Deus tinha de maior e de melhor para oferecer que era Ele mesmo e nesse sentido, o próprio Mestre chega uma hora que censura aqueles que O estavam buscando pelo que Ele podia oferecer, ao invés de por Quem Ele era, como no texto de João 6:26 "Jesus respondeu-lhes, e disse: Na verdade, na verdade vos digo que me buscais, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes."

É certo que Jesus opera curas, abençoa, faz prosperar, mas se for por essa razão que nos aproximamos dEle é melhor que nem o façamos. Ele não quer um relacionamento utilitarista do tipo "gênio da lâmpada". Ele quer um relacionamento pessoal e íntimo de e em amor, do tipo Pai para filho, do tipo amizade profunda entre amigos, como Ele mesmo fez questão de nos alçar a essa categoria (de meros servos a amigos e filhos) em diversos textos das Escrituras.

Com isso em mente e sob a orientação do Espírito Santo, passemos portante a ser mais criteriosos no tipo de programa "evangélico" que estamos assistindo, que tipo de fé estamos praticando, que tipo de relacionamento estamos tendo com nosso Pai celeste.