Oremos pelos nossos amigos

Depois que Jó orou por seus amigos, o Senhor o tornou novamente próspero e lhe deu em dobro tudo o que tinha antes. – Jó 42:10

A Bíblia nos exorta a chorarmos com os que choram e nos alegrarmos com os que se alegram (Romanos 12:15), no entanto muitos de nós estamos tão centrados, focados em nós mesmos que não conseguimos pensar ou orar sobre qualquer coisa que não seja nós mesmos, nossos sonhos, nossas inquietações, nossos problemas. É tudo na primeira pessoa, eu, eu, eu, nós, nós, nós.

Também vemos nas escrituras que muitas das coisas que pedimos a Deus não recebemos por serem pedidos egoístas (Tiago 4:3 e outros).

A lição que aprendemos na vida de Jó nesse verso é para desligarmos um pouco de nós mesmos e olharmos para o lado, para o nosso próximo, nosso vizinho, nosso semelhante, nosso amigo, e nos importarmos com ele, ajudá-lo, compartilharmos um pouco de sua história, dedicarmos um pouco do nosso tempo de maneira altruísta em favor de outra pessoa.

Vemos que o Senhor abençou Jó e o tornou novamente próspero APÓS Jó orar por seus amigos. Não que devamos fazer isso com esse propósito, ou seja, devemos fazer isso em favor deles APENAS, sem visar a prosperidade como segunda intenção, ou sem sermos altruístas por fora mas com o mesmo pensamento egoísta no coração.

Ao contrário, quando Deus percebe que somos generosos em nosso coração em favor de outras pessoas, quando oramos gratuitamente e fervorosamente por nossos amigos, percebemos que nossos problemas muitas vezes são irrisórios, irrelevantes, eles quase que diminuem quando percebemos que outros também sofrem, que os problemas fazem parte da vida de todo ser humano.

A benção que Deus nos dá, a sua prosperidade começa com a própria mudança de mente, de um coração egoísta e centrado em si mesmo para um coração generoso e altruísta. Outras bençãos até de caráter material podem ou não seguir a essa, e, quem sabe, pode haver algumas “presas” aguardando pela nossa iniciativa de sermos generosos para que possam ser derramadas em nossas vidas, o que nem sempre acontece, ou necessariamente acontece.

Que Deus nos ajude hoje a sermos pessoas que olham para fora, para além de nossos próprios umbigos, pessoas que oram, intercedem e agem em favor de seus amigos, sabendo que Deus pode reverter a sua sorte, e também a nossa, quando oramos por eles.

Deus nos abençoe.

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Relacionar, conhecer, comprometer, amar

Ouvindo o homem e sua mulher os passos do Senhor Deus que andava pelo jardim quando soprava a brisa do dia, esconderam-se da presença do Senhor Deus entre as árvores do jardim. – Gênesis 3:8

Existe uma música que gosto bastante de um cantor chamado Jorge Drexler, cujo refrão diz o seguinte: “eu sou um muçulmano judeu que vive com os cristãos; não sei qual é o meu deus nem quais são meus irmãos…”.

Deixem-me fazer algumas poucas perguntas, mas, por favor, não façam pouco caso antes de eu explicar com calma o porquê de eu fazê-las.

Você acredita em Deus?

Como você prova isso?

Qual o Deus que você diz crer?

Cristianismo é relacionamento. Rituais, formas são coisas que nascem da opinião do homem, da religião.

Há umas semanas eu estava conversando com uma colega da faculdade quando ela me disse que não sabia se pensava em Deus como uma pessoa, mas sim como uma energia, uma força que faz a gente viver.

Com relação à fé, é difícil alguém dizer a outro que o que a pessoa crê é certo ou errado. Porém, quando alguém se denomina cristã, implicitamente assume certos princípios como verdades, como por exemplo, a Bíblia ser a palavra de Deus. É como quando a pessoa se diz praticante do judaísmo e aceita a Torá, que é o nosso Velho Testamento, como sendo a palavra de Deus, ou um seguidor do islamismo o Al Corão, e por aí vai.

Então para nós que somos cristãos a Bíblia descreve Deus como sendo um ser pessoal que mesmo sendo um, subsiste nas pessoas do Pai, do Filho e do Espírito Santo, o que é um pouco difícil de imaginar, porque não faz muito sentido pra gente que é de carne e osso. Mas tipo, nós seres humanos somos corpo, alma e espírito, então a gente meio que pode, por analogia, entender Deus como um só e ser ao mesmo tempo Pai, Filho e Espírito Santo.

Minha amiga então me disse que mesmo assim não conseguia pensar em Deus como alguém em carne e osso.

Na verdade Deus é uma pessoa porque tem inteligência, tem sentimentos, “movimenta-se”, por assim dizer, vê, ouve, fala, mas não significa que tem um corpo físico. De fato, João 4:24 diz o seguinte a respeito da natureza de Deus: “Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.”, ou seja, Deus é incorpóreo, intangível, você não pode ver Deus, pegar em Deus, ainda que você possa sentir sua presença, tanto quanto você sente uma brisa mesmo sem enxergar o vento, e mesmo que existam diversas manifestações visíveis de Deus descritas na Bíblia, as quais chamamos de teofanias, como por exemplo quando Moisés vê uma moita se queimando no monte Orebe sem contudo virar cinza, e da moita ele ouve a voz de Deus.

O fato de Deus ser uma pessoa então é justamente porque Deus não é apenas uma força, afinal uma “mera” força não tem inteligência, vontade, desígnios, planos, sonhos, sentimentos, sensações. É interessante porque os gregos, os romanos, os egípcios e muitos outros povos atribuíam às suas divindades características humanas quando na verdade nós é que herdamos de Deus parte de suas características. Quando Deus diz em Gênesis 1:26 “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” é justamente Deus nos moldando com características pessoais suas como inteligência, paixão, amor, bondade etc. Nenhuma força impessoal poderia fazer isso.

E no decorrer da Bíblia a gente vê claramente Deus buscando se relacionar com o homem. Eu imagino que uma força impessoal não teria razão de buscar isso. Nem faz sentido, nem seria necessário, nem teria por que.

Tem umas coisas sobre Deus que você só aprende de duas formas que andam juntas que é lendo a Bíblia e experimentando. Tipo, não tem como ninguém desenvolver um relacionamento na teoria, então quando Jesus diz em Mateus 22:29 “Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus.”, está falando justamente disso, porque as pessoas buscam a Deus em diversas coisas e situações, mas esquecem-se de buscá-lo em sua Palavra. Por outro lado, só a leitura da Bíblia sem “experienciar” é como a gente ler a Constituição do país sem por em prática, sem saber do que se trata, sem entender direito, fica só na teoria.

Agora voltando à “metáfora” do relacionamento, se eu disser que conheço meu pai e me relaciono com ele, mas não ligar pra ele, não sair com ele, não bater papo com ele, que raios de relacionamento é esse? Como posso conhecer alguém sem gastar tempo com essa pessoa, não é verdade?

E aqui vem algo que me entristece bastante que é quando muitos que se dizem cristãos não conseguem se relacionar bem, nem dar atenção à própria família, mentem, dissimulam, brigam com os pais, pessoas mais importantes na vida de qualquer pessoa, e aí se dizem cristãos, sem conseguir manter um relacionamento com Jesus, porque se não conseguem com as pessoas que estão ali do lado, que podem ver, como dar atenção a alguém que mesmo que faça tudo por elas não está ali corporalmente? De fato, a própria palavra nos fala sobre isso em 1 João 4:20 “Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?”

Então na nossa caminhada com Deus eu enxergo quatro etapas, a primeira delas sendo justamente esse relacionamento.

E quanto a nos relacionarmos com Deus, eu posso tirar duas lições desse texto que lemos em Gênesis 3:8.

A primeira coisa que me chama a atenção é a vontade e predisposição de Deus de se relacionar com o homem. A gente vê que todos os dias Deus vem ao encontro de Adão e Eva no jardim, sempre ao entardecer. A iniciativa é de Deus! Deus sabe todas as coisas então Ele poderia simplesmente ler, à distância, a mente dos dois e dar-se por satisfeito. Mas não há como existir um relacionamento de verdade e completo à distância e principalmente tendo um lado só. O relacionamento precisa ter os dois lados da moeda, o tête–à–tête, então é Deus vir caminhar no nosso meio nos puxando pra um bate papo, no qual Ele irá falar, e nós O ouviremos, e depois nós falaremos e Ele nos ouvirá. É um diálogo, e não um monólogo, no qual Deus nos conhece mais e nós conhecemos mais a natureza de Deus, a pessoa de Deus, quem Deus é.

A segunda é que o pecado nos afasta de Deus, mas não é Deus que foge da nossa presença, nós é que fugimos da sua, nós como que viramos as costas para Ele e saímos correndo pelados e com vergonha, nos sentindo culpados, pra nos esconder no meio das árvores, bem do jeito que Adão e Eva fizeram, e quanto mais distantes tivermos corrido da presença do Senhor, quanto mais nos afastamos dEle, mais difícil ficará ouvir a sua voz e sentir a sua presença.

Deus nunca deixará de nos amar. De fato, Paulo lista uma porção de situações que podem acontecer e mesmo assim Ele não nos deixa de amar. Essa lista encontra-se em Romanos 8:35,38,39 que diz:

Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.

O amor de Deus por nós é infinito de um jeito que nunca poderemos compreender, tanto que não há nada que possamos fazer de bom que faça com que Ele nos ame mais, ou de mal que faça com que Ele nos ame menos. O que fazemos de bom, ou deixamos de fazer de mal, é em resposta e agradecimento, em consideração a esse amor.

Mas agora que entendemos que Deus é proativo em querer se relacionar conosco, há uma segunda etapa que é necessária se quisermos desenvolver um relacionamento mais profundo com esse ser pessoal e indescritível. O relacionamento pode ser superficial, mas somos convidados a conhecê-lo pessoal e intimamente.

Nesse sentido, eu gostaria de fazer outra pergunta: você conhece Jesus?

Essa pergunta pode soar estranha em um mundo onde existem tantos filmes falando sobre Jesus, onde tantas religiões anunciam sua vida e obra, onde tantos livros foram escritos sobre sua pessoa, onde tanto espaço e tempo foram dedicados ao estudo deste personagem histórico.

No entanto, trago esse questionamento, e antes de explicar o porquê de ter feito essa pergunta, gostaria de explicar um pouco “da pergunta em si”.

Deixe-me ser mais preciso, o que você entende por “conhecer”?

Por exemplo, se eu perguntasse a você se você conhece seu pai, mãe ou algum irmão, provavelmente você diria que sim. Isso implicaria que você sabe a idade deles, cor de cabelo e tom da pele de cada um, o que gostam ou não gostam, peso, altura etc.

Além disso, pense em seus amigos, aqueles que você conhece de fato. Pense em como eles frequentam a sua casa, e você a deles, como vocês compartilham tempo juntos, conversam, saem, se divertem ou dividem momentos de tristeza. Você certamente, ainda que não tão profundamente quanto com relação aos seus familiares, sabe o que lhes agrada ou desagrada, quais seus sonhos, ambições, qualidades e defeitos…

Conhecer, como exemplificado acima nos casos da sua família ou amigos indica a presença de intimidade entre você e eles, o que é uma via de mão dupla, se o relacionamento é recíproco. De fato, João Ferreira de Almeida, tradutor da Bíblia para a língua portuguesa, considerava a palavra conhecer tão profundamente ligada com o aspecto de intimidade, que ele a usou para, em diversas ocasiões, referir-se ao relacionamento sexual entre homem e mulher nas Escrituras.

Mas voltemos à pergunta. Você já se sente mais confiante para respondê-la? Vamos lá, você conhece Jesus? Você sabe do que Ele gosta, do que não gosta? Sabe qual sua opinião sobre determinado assunto, quais seus sonhos, aquilo que está em seu pensamento ou em seu coração? Sabe como Ele reagiria frente a uma situação A ou B, que conselhos daria a alguém que passasse por um problema? É, talvez seja um pouco mais “complicado” do que você imaginava. Vamos em frente.

Como eu falei, conhecer implica em se relacionar, então se você não faz a menor ideia de quais seriam as respostas para as perguntas acima, talvez você deva repensar o seu relacionamento com Cristo, se é que você um dia abriu a porta do seu coração e convidou Jesus para entrar (Apocalipse 3:20), morar com você, se relacionar com você, comer com você, sair com você, bater papo com você, ou seja, fazer tudo aquilo que se espera que um amigo ou um familiar próximo faça. Somente se relacionando com Jesus é que você irá conhecê-lo e Ele irá conhecer você também.

Então, você pode se perguntar, como eu me relaciono com Jesus? A resposta não é muito diferente do que seria o imaginável para qualquer outro relacionamento, ou seja, gastando tempo com Ele. Se você deseja conhecer o Mestre e ser conhecido por Ele, tem que necessariamente investir nesse relacionamento. Relacionamento é uma via de mão dupla onde ambos devem investir.

No nosso relacionamento com Cristo, a parte dEle já está feita, e não estou falando apenas da obra salvadora na cruz do Calvário, senão também pela predisposição em demonstrar o Seu amor, o Seu perdão, em se fazer realmente conhecer por nós. Falta o que então? A nossa parte. Buscá-lo através da oração, conversando com Ele, contando como foi nosso dia, quais são nossas angústias, nossas aflições, nossas dificuldades, nossas alegrias, nossos sonhos, nossos desejos. Mas lembre-se que esta conversa não é um monólogo, então temos que ouvir a Sua voz através da Palavra, da Bíblia sagrada, estarmos atentos para o que Ele quer ministrar ao nosso coração de maneiras tão sutis quanto uma suave brisa, ou talvez de maneiras bem explícitas e sobrenaturais como por tantas vezes lemos nas Escrituras, ou que, com o tempo e a experiência, nós mesmos poderemos experimentar em nossas próprias vidas.

Conhecer Jesus, como conhecemos nossos familiares e amigos, implica em ter intimidade com Ele, deixá-Lo frequentar a nossa casa, saber o que Ele gosta ou não gosta, e fazê-Lo saber o que nós também gostamos ou não gostamos, conversar com Ele, compartilhar com Ele nossos momentos de alegria e tristeza, gastar tempo com Ele, ou seja, ter um relacionamento de verdade com o Senhor e Salvador que deu a sua própria vida por amor de mim e você.

Mas a mensagem de Deus não para aqui. Ele nos convida hoje a termos um relacionamento com Ele, a conhecer seu Filho, mas também a nos comprometermos com Ele.

Veja bem, quando duas pessoas se conhecem, podemos olhar para esse relacionamento como uma escala de progressão, primeiro superficial, onde você ouve falar da pessoa, depois conhece um pouco, mas nem tanto assim, ou seja, não tem verdadeira intimidade com ela, mas no decorrer do tempo e do relacionamento você passa a conhecê-la melhor e tornam-se amigos, depois melhores amigos. A real diferença começa então com o compromisso, quando a pessoa se torna tão importante para mim e eu para ela que ambos nos comprometemos mutuamente. Qualquer relacionamento é assim e o nosso relacionamento com Deus não é diferente, de fato precisa ser semelhante aos relacionamentos que cultivamos com as pessoas próximas de nós, e não uma forma mecânica, automática, cheia de formalismos ou rituais, distante, com medo.

Então o nosso comprometimento com Deus é um comprometimento de coração, de sentimentos, mas também um comprometimento com a causa de Deus, com a família de Deus, com a obra de Deus e com a pessoa de Deus.

E é importante deixar bem claro que qualquer compromisso requer um nível de renúncia pessoal, abdicação e dedicação, renúncia a vontades pessoais, dedicação de tempo, dinheiro, suor e obediência, então eu te pergunto: você tem se comprometido com Deus? Como você tem feito isso? Você tem dedicado uma parte do seu dia a ler a Palavra de Deus? Você tem participado das programações preparadas para você? Você tem se voluntariado em algum ministério na igreja?

Mas as pessoas em seus relacionamentos entre si podem parar por aqui, somente se dedicando, se comprometendo até certo ponto, quando, por exemplo, nos comprometemos com o nosso trabalho, ou com uma causa, como doar sangue, mas o verdadeiro compromisso é aquele que só vem quando amamos alguém, que é a quarta etapa no relacionamento.

Quando amamos atingimos o ápice do relacionamento, o ápice do comprometimento, o ápice do conhecimento do outro, estamos novamente nus um para o outro, sem vergonhas, sem receios, sem reservas, estamos como que olhando para um espelho e vendo a nós mesmos no outro, e assim deve ser com Deus.

Então, as religiões nos mostram divindades que não costumam se relacionar pessoalmente com os seres humanos, são forças, energias ou mesmo que assumam a forma humana, como Buda, os deuses gregos e romanos, elas permanecem distantes, no máximo conseguimos aprender algo sobre elas, mas nunca quem elas verdadeiramente são, o seu interior, a sua mente, o seu coração, enquanto Deus toma a iniciativa de caminhar com o homem, de estar lado a lado com sua criatura.

O nosso relacionamento com Deus pode e deve ser comparado ao nosso relacionamento com qualquer pessoa: primeiro ouvimos falar dEle, conhecemos um pouco a seu respeito e decidimos ter um relacionamento com ele. Então desenvolvemos esse relacionamento conhecendo mais da pessoa de Deus gastando tempo com Ele, falando com Ele, ouvindo-O. Depois que conhecemos quem Deus é nós temos a oportunidade de decidir se queremos nos comprometer com sua causa, sua família, sua obra, sua pessoa. E por fim, a expressão máxima de intimidade é quando o amamos e percebemos o amor incondicional que tem por nós.

Então a lógica é que você pode se relacionar com alguém sem de fato conhece-la bem, mas só poderá conhecê-la bem se você se relacionar com ela. Você pode até conhecer alguém sem se comprometer com ela, e de fato fazemos isso todos os dias, mas você só pode se comprometer com alguém que você conhece. E você pode até se comprometer com alguém sem de fato amá-la, mas você não tem como amar alguém sem se comprometer com ela.

Os dois primeiros, relacionar e conhecer, se separam do comprometer e amar porque há quase um abismo entre os dois. É bem mais difícil você chegar ao ponto de se comprometer sem amar, mas é possível. Eu penso logo em como nós funcionamos: eu ouço falar de alguém, conheço um pouco sobre essa pessoa, então alguém nos apresenta, passamos a ser “conhecidos”, mas na verdade nosso nível de relacionamento é mínimo, não podemos de fato sequer nos chamar de amigos. Depois, com o tempo, pode nascer uma amizade, mas por enquanto a gente se relaciona superficialmente, como colegas de trabalho ou de faculdade, por exemplo. Daí nascem os amigos, e entre eles ainda há um grupo de melhores amigos os quais a gente confia mais, tem mais liberdade, se abre mais, conta nossas coisas, com esses a gente se compromete de verdade, a gente até faz alguns sacrifícios. Mas tem aquele sacrifício que a gente só faz por quem ama, tipo família, pai, mãe, filhos, irmãos, esposa ou esposo.

Então, na Bíblia o nosso relacionamento com Deus é descrito primeiramente como servos, depois somos alçados a posição de amigos, depois somos adotados como filhos, e por fim Cristo nos chama de sua própria noiva, é uma intimidade cada vez maior, ao ponto de Jesus dar a própria vida por nós, o maior de todos os sacrifícios.

Lembre-se, Deus estava no princípio, no jardim do Éden, caminhando com os homens, e depois o homem se distancia dEle, novamente é iniciativa de Deus caminhar entre os homens através de seu filho Jesus, e o convite de Deus hoje é para andarmos novamente com Ele e ele conosco, e mais do que isso, Ele deixa de habitar em nosso meio para morar dentro de nós com seu Espírito Santo.

Hoje mais do que nunca precisamos nos relacionar, conhecer, nos comprometer e amar Deus que está do nosso lado de braços abertos, disposto, esperando. O primeiro passo Ele já deu quando enviou seu Filho para morrer na cruz em nosso lugar. Só falta o nosso. O que então você está esperando? O que te impede de prosseguir?

O desafio que deixo a você, e que tenho tomado como inspiração e motivação para minha vida, é que você busque conhecer esse Jesus. Que seu relacionamento com Ele não seja mera religião, pois cá entre nós, eu tenho certeza que você não se relaciona com quem é próximo a você, quem você ama e que te ama de volta, cheio de dedos, com medo ou com excesso de formalismos, por mais rigorosa que possa ter sido sua criação, por exemplo.

O convite de Deus hoje, e é essa minha oração, é que nós aprendamos a conhecer e nos relacionar de modo pessoal e íntimo com o Deus que a gente diz crer. Uma fé que não causa mudança na nossa vida não tem como causar impacto na sociedade e no mundo que a gente vive e não pode ser considerado cristianismo, e sim uma mera religiosidade vazia e sem sentido.

Deus nos abençoe.

Salmo 23

O SENHOR é o meu pastor, nada me faltará. – Salmo 23:1

O pastor toma conta de seu rebanho, e eu sou seu rebanho! Nada me falta porque Ele providencia para que nada me falte do que eu precise para viver!

Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranquilas. – Salmo 23:2

Não sou eu que simplesmente me deito por estar cansado ou preguiçoso, o pastor reconhece a minha necessidade de descanso e escolhe o melhor local para fazê-lo, um lugar tranquilizador onde minha alma pode esquecer dos problemas do dia, e ser reconfortada pelas águas vivas de seu Espírito.

Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu nome. – Salmo 23:3

Não é água de torneira ou qualquer outro refresco que pode fazer minha sede ir embora, mas Ele mesmo, como Jesus falou à mulher no poço de Jacó. Não vagueio, Ele está lá bem na minha frente mostrando o caminho, desta forma posso confiar nEle.

Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam. – Salmo 23:4

Mesmo quando não consigo enxergar o que está à minha frente eu não preciso temer o que virá à minha dianteira, ao meu redor ou mesmo abaixo de mim porque Ele está lá em meu auxílio e socorro, de modo algum Ele me deixa ou abandona. E ainda assim, se o medo me cercar, suas promessas me asseguram e consolam em minha aflição.

Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda. – Salmo 23:5

É o Senhor quem me exalta para um lugar de honra e me dá tanto de suas bençãos que quase sou esmagado pelo peso de sua bondade. Assim o faz de modo que meus inimigos possam ver sua glória em minha vida, e então me respeitar e O magnificar.

Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na casa do SENHOR por longos dias. – Salmo 23:6

Essa é uma promessa certa, não é algo vago ou difícil de acontecer. A bondade e amor de Deus me seguirão como um pai segue seu bebê que apenas começa a dar os primeiros passos. Isso não é algo que vem e vai, isso é algo que permanece. Com Ele viveremos e Ele em nós por toda eternidade!

Escravos

O homem é sempre um escravo.

Não escolheu nem pediu pra nascer, nem quando, nem onde, nem porque, nem como, de que pais, família, nacionalidade…

Daí, de sua própria genética, de Adão, recebeu o pecado que o aprisiona, por mais que empine o nariz e diga ser livre, revolta-se contra Deus, mas não conseguiria nunca, por si só salvar-se, afastar-se dessa carga genética maldita, essa inclinação para o mal que todo ser humano traz dentro de si desde o ventre de sua mãe e que dela só se desapega na cova, ao partir desta para a melhor (ou não).

E se dizemos ser donos de nossos próprios narizes nos enganamos, pois não conseguimos vencer o vício do cigarro, da bebida, do sexo, da necessidade de autoafirmação, de autodeterminação, do egoísmo que nos separa em classes diferentes de pessoas que já não sabem ser a mesma gente, ser sequer gente.

E então Deus na sua infinita bondade resolve se inclinar para a criatura que criou e que O dispensou, renegou sua origem, e comprá-la do diabo, das amarras de sua própria carne, e oferece em seu lugar o seu Filho, seu único Filho, Jesus, o único que possuía uma outra natureza, uma outra genética, em nosso resgate.

Somos então comprados e de servos do pecado tornamos-nos servos de Deus, e servo não possui vontade própria.

Se antes dizíamos ou pensávamos seguir nossa própria vontade e interesses mas na verdade éramos escravos do pecado que brotava da nossa pele e coração, agora devemos obediência a esse Deus que nos amou, mas que nos oferece uma inédita escolha.

Como os escravos antigos que voluntariamente serviam seus senhores após o término de seu período de servidão, também furamos nossas orelhas em sinal de que voluntariamente o servimos, quase uma redundância ou mesmo uma contradição um escravo comprado e alforriado decidir permanecer servindo ao seu Senhor, mas é assim mesmo, antes voluntariamente e em gratidão O servirmos do que, sob a pretensa sensação de liberdade voltarmos cegamente aos grilhões de nosso pretérito senhor, a morte.

Mas Deus não é qualquer senhor, Ele não nos traz acorrentados ao qual obedecemos mediante coação e medo.

Ele nos tange como ovelhas de seu aprisco, chamando-nos pelo nome, guiando-nos mansamente à águas tranquilas onde teremos repouso e alimento, ainda que, no caminho, precise eventualmente intervir com sua vara e cajado para corrigir nosso comportamento ou o rumo que decidimos seguir, evitando que caiamos em abismos ou nos percamos do destino que Ele mesmo nos preparou, as moradas celestiais.

Luz do mundo

Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa.
Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus. – Mateus 5:14-16

Existem duas conclusões óbvias que podemos assumir do fato de sermos a luz do mundo:

  1. já que somos a sua luz, o mundo deve residir em trevas, sejam trevas morais, natureza escura do pecado, trevas oriundas da completa ausência de bondade, de amor, de Deus;
  2. nenhuma luz pode ser escondida do mesmo modo que é impossível não ver uma cidade construída sobre uma montanha, então se somos de verdade luzes, mesmo que não digamos nada, ou façamos nada de propósito, ou para sermos vistos, ainda assim seremos facilmente reconhecidos como praticantes do bem, por causa da luz que brilha nos nossos corações trazendo o seu calor às vidas de outras pessoas.

Minha oração hoje é que eu coloque essa pequena faísca de luz que Jesus colocou em mim para bom uso, guiando aqueles que estão morrendo, ao invés de vivendo, nos cantos mais escuros deste mundo, levando-os de uma vida de miséria e desespero para uma nova vida repleta de felicidade, amor e paz conhecidos apenas por aqueles que estão em um relacionamento verdadeiro com Deus através de Jesus Cristo.

Desta forma Deus será conhecido com o único Deus, desta forma todo mérito, honra e louvor que eu receber serão Seus.

Milagres

Então Jesus começou a denunciar as cidades em que havia sido realizada a maioria dos seus milagres, porque não se arrependeram. – Mateus 11:20

Esse texto não é nenhuma novidade pra mim, já que ele anuncia uma verdade sobre a vida de Jesus que ainda é tão válida hoje quanto era na sua época: as pessoas não serão convencidas de seus pecados, as pessoas não serão transformadas por causa de milagres, nenhuma obra sobrenatural ou espetacular de quem quer que seja irá mudar um coração de pedra novamente em carne.

Com frequência alegamos que hoje não vemos mais tantos milagres ou sobrenatural como está escrito na Bíblia que acontecia quando Jesus estava “na área”; mas assumir isso de modo a viver nossas vidas em devoção ao Senhor é enganarmos a nós mesmos, porque podemos ver claramente nesse texto, como em muitos outros através das escrituras, que o povo de Israel, e não somos em nada diferentes deles, no tempo de Moisés, dos profetas ou mesmo de Jesus, mesmo quando experimentavam curas, demônios sendo expulsos ou ainda ressurreições, eles simplesmente não se arrependiam e existe uma razão para isso: arrependimento vem de dentro, de um coração verdadeiramente regenerado que é tocado pela misericórdia, amor e perdão do Pai.

A chave para o entendimento desse texto, e a chave para vivermos uma vida na dependência de Deus, é não basearmos nossa fé e confiança em Deus em qualquer fenômeno miraculoso. Somos chamados para viver pela fé e não por vista porque se dependermos demais naquilo que vemos, em nossos sentidos humanos, nós poderemos ser enganados, conduzidos erroneamente, porque nossos sentidos nem sempre são confiáveis.

Que esse texto seja um aviso para nossas vidas, e também uma oração: Senhor, por favor, que eu aprenda a viver o “natural” que Você já colocou à minha disposição, porque há tanto a aprender e viver no reino do “natural” que eu fico envergonhado de pedir para experimentar o teu “sobrenatural”, e por favor permita-me entender que o verdadeiro perdão, amor e graça são o que muda uma pessoa, não milagres, e eles agem de dentro para fora, e não no sentido inverso.

O fardo da inconstância

O homem de coração dobre é inconstante em todos os seus caminhos. – Tiago 1:8

O fardo da inconstância nos impede de crescermos no nosso relacionamento com Deus e com o próximo. Relacionamento, lembram-se dele?

Quem de vocês, de fato, pensem bem, poderia ser bem sucedido em algum propósito, em um relacionamento, por exemplo, em uma meta a bater no trabalho, nos estudos, em um objetivo estipulado, se não se dedicar integralmente àquilo que procura ter ou fazer?

Como algo escrito na areia do mar que é apagado pela onda que vem e que, quando vai, a leva embora, assim é a pessoa que hoje assume uma posição para logo em seguida contradizê-la por suas próprias palavras, atitudes ou ações.

Assim, não posso eu, dizendo-me cristão, abrir a boca para maldizer o próximo, mentir, escarnecer (zombar), ou ainda agir como se o Espírito Santo não habitasse em meu coração, ou seja, dar um péssimo testemunho daquilo que digo crer.

Podemos, e considerando o processo de renovação de mente até devemos, mudar de opinião, mas a pessoa que muda constantemente de opinião demonstra aos outros que não é confiável, passa por tola e ridícula, não tem bases sólidas.

A Nova Versão Internacional traz para o mesmo texto a tradução de “mente dividida” e “instável em tudo que faz”, então pense comigo se você realmente quer ser conhecido como uma pessoa assim, ou independente de ser conhecido ou não se você gostaria de ser dessa forma? Eu mesmo que não, embora admita que isso acontece comigo com muito mais frequência do que eu gostaria.

A minha oração hoje é para que a gente se examine pessoalmente para vermos se estamos sendo incongruentes, instáveis, vacilantes e oscilantes em nossas palavras, opiniões, comportamentos, temperamento, e ações, para com Deus, para com o próximo, para com nós mesmos, e que Deus nos capacite a sermos pessoas íntegras (inteiras, não divididas) e autênticas (genuínas, não falsificações, pessoas que passam a vida usando máscaras para disfarçar algo).

Deus nos abençoe.