Serviço mal feito, qualquer coisa para oferta ao Senhor

Quando a oferta de alguém for sacrifício de comunhão, assim se fará: se oferecer um animal do gado, seja macho ou fêmea, apresentará ao Senhor um animal sem defeito. – Levítico 3:1

Deus não exige de ninguém ofertas ou sacrifícios, em dinheiro ou de outra forma, nem cobra de ninguém que trabalhe em sua obra (somente que viva o evangelho que afirma crer, e obedeça à sua Palavra), mas quando o fizermos, sempre em caráter voluntário, uma coisa deve ser observada: a Deus sempre o melhor.

Devemos nos lembrar da diferença do coração, do propósito, da intenção das ofertas de Caim e Abel (Gênesis 4:3-7), e qual foi aceita. A de Abel não foi aceita por ser de um tipo e a de Caim rejeitada por ser de outro (animal x colheita), mas sim por Abel ter oferecido seu melhor, suas primícias, enquanto Caim ter escolhido qualquer coisa, o que lhe sobrava, coisas de menor valor, com pequenos defeitos talvez, algo que não era digno de ser usado e portanto escolheu “dedicar ao Senhor”, como se o Senhor fosse merecedor de coisa de segunda mão ou de “qualquer porcaria”.

De maneira semelhante lembro do exemplo da viúva pobre das palavras de Jesus em Lucas 21:1-4, ela deu moedas de pequeno valor se consideradas individualmente, mas que eram tudo que possuía, revelando um enorme sacrifício e, por essa mesma razão, um profundo amor e dedicação ao Senhor.

Esses dois exemplos devem nos ensinar essa lição, de dedicarmos nosso melhor a Deus, seja nos dízimos e ofertas (que repito, devem ter o caráter voluntário, com alegria, conforme 2º Coríntios 9:7), seja naquilo que fazemos. Deus é a pessoa mais santa, mais pura, mais perfeita, e o seu padrão moral, ético, e de tudo o mais deve nos inspirar a buscar isso em nossa vida, em tudo quanto fazemos, especialmente se o que fazemos é supostamente em prol do seu reino ou dedicado à sua obra.

Não somos forçados a trabalhar em nenhum ministério na igreja, mas devemos ser responsáveis e dedicados no compromisso que assumimos, com assiduidade, pontualidade, qualidade e zelo naquilo que iremos fazer. Muitas vezes achamos que porque o trabalho é voluntário, que ele pode ser feito de qualquer jeito, e quando bem entendermos, o que demonstra que não aprendemos verdadeiramente a ser servos, nem conhecemos com intimidade o Pai que temos e a quem chamamos Senhor e Deus. Isso me lembra quando criança em que eu não conseguia entender porque era dada a “oportunidade” a qualquer pessoa que se oferecesse para “levar uma palavra” ou cantar uma música em igrejas que eu frequentei, quando claramente a pessoa não estava minimamente capacitada a fazê-lo, o que me parecia um enorme desleixo para com a obra de Deus.

Também não custa lembrar, tomando-se em conta o contexto do trecho acima, entre o final do livro de Êxodo e o livro de Levítico, no qual são instituídas regras por vezes incompreensíveis e aparentemente sem sentido para nós no século 21, mas que Deus por trás de tudo isso tem um plano e um propósito, Deus é um Deus de ordem, e se não podemos obedecer naquilo que é pequeno e aparentemente desprezível, como é de esperar que obedeçamos naquelas coisas que requerem verdadeiro sacrifício da nossa parte?

Por fim, lembro do que aconteceu em apenas uma das várias ocasiões em que o povo de Deus resolver fazer as coisas “de qualquer jeito”, ou “do seu jeito”, ignorando, pra não dizer desobedecendo mesmo, as regras que Deus havia estabelecido, em rebeldia, rebelião à sua palavra e vontade, no episódio narrado em 1 Crônicas 13, onde Deus havia dado uma ordem específica sobre o manuseio da arca da aliança, a qual foi desobedecida, quando o Rei David mandou transportá-la não como ordenado por Deus, mas como achou melhor, de acordo com sua vontade pessoal, o que levou à morte de uma das pessoas que a transportavam pois não lhe era permitido tocar na arca e ele assim o fez.

A minha oração hoje é que Deus nos faça entender, internalizar, que aquilo que dedicarmos a Ele deve ser sempre o nosso melhor, o melhor do nosso tempo, da nossa vida, do nosso coração, dos nossos sentimentos, do nosso dinheiro, do nosso trabalho, enfim, até de maneira sacrificial se for preciso, e nunca fazendo as coisas de qualquer jeito, só por fazer, pois Ele fez o seu melhor por nós dando o seu próprio filho Jesus para morrer na cruz em nosso lugar, e tão grande sacrifício e bondade não é digno nem merecedor de uma coisa mal feita, feita “nas coxas”, algo que já não temos a obrigação de fazer em primeiro lugar.

Deus nos abençoe.

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Dando de sobra

Receberam de Moisés todas as ofertas que os israelitas tinham trazido para a obra de construção do santuário. E o povo continuava a trazer voluntariamente ofertas, manhã após manhã.
Por isso, todos os artesãos habilidosos que trabalhavam no santuário interromperam o trabalho
e disseram a Moisés: “O povo está trazendo mais do que o suficiente para realizar a obra que o Senhor ordenou”.
Então Moisés ordenou que fosse feita esta proclamação em todo o acampamento: “Nenhum homem ou mulher deverá fazer mais nada para ser oferecido ao santuário”. Assim, o povo foi impedido de trazer mais, pois o que já haviam recebido era mais que suficiente para realizar toda a obra. – Êxodo 36:3-7

Algumas coisas me chamaram a atenção nesse texto:

  1. a voluntariedade do povo de Israel em trazer ofertas para a construção do tabernáculo, lugar dedicado à adoração de Deus. Não foram constrangidos a fazê-lo, ninguém os obrigou, ninguém os censurou, nem por outro lado lhes prometeu vitórias, prosperidade ou bençãos, materiais ou espirituais, naturais ou sobrenaturais. Foi algo totalmente voluntário, de coração, fruto de um reconhecimento de que o Senhor os havia livrado da escravidão do Egito e tinha se mostrado mais do que confiável, um Deus próximo, amigo.
  2. a voluntariedade do povo de Israel superou em muito as necessidades da obra, o que hoje em dia, infelizmente, a começar por este que vos escreve, não é o caso. Muitas vezes os pastores e líderes se encontram em posição difícil de ter quase que implorar ao povo que ajude a sustentar a obra que muitas das vezes é honesta e verdadeiramente colabora para a implantação do reino de Deus e a pregação do evangelho neste mundo, o que é constrangedor, e mostra que infelizmente ainda falta muito para nos convertermos, especialmente o bolso, demonstrando que nossa boca pode até dizer que adoramos a Deus, mas nosso coração não está ainda 100% comprometido com seus valores e sua obra.
  3. as necessidades da obra foram supridas de tal forma que começou a sobrar, e por essa razão, para evitar desperdícios e corrupção, os próprios líderes mandaram o povo parar de doar. Vejam só que “novidade” seria se isso também acontecesse em nossas igrejas e comunidades de fé hoje em dia, primeiro as pessoas doando voluntariamente, segundo em grande quantidade de modo a sobejar e, terceiro, os líderes não usassem isso para usufruto próprio, para locupletar-se às custas dos fiéis, vivendo vidas nababescas quando muitos de seu próprio rebanho passam necessidade.

A minha oração hoje diz respeito às nossas ofertas, a começar em mim mesmo, que possamos ser mais fiéis naquilo que possuímos e podemos contribuir, de coração, para a obra de Deus, para salvação de vidas, proclamação das boas novas que necessitam sustento e apoio, em oração, mas também financeiramente. Como diz o texto de 2 Coríntios 9:7, “Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria.”

Deus nos abençoe.