Extra! Extra! Ressuscitou!

– Extra! Extra! Notícias bombásticas hoje para vocês! Diretamente de Jerusalém nosso enviado especial relata esse surpreendente acontecimento. É com você, Lucas!

– Bom dia, caros telespectadores do Brasil e do mundo, é com grande surpresa, e devo ser sincero com vocês, de maneira inexplicável, o homem chamado Jesus que foi morto juntamente com dois outros marginais em uma crucificação que não parecia imediatamente muito diferente de qualquer outra daquelas realizadas pelo império romano, salvo por relatos do véu do santuário sendo rasgado, e do eclipse que coincidentemente aconteceu, este homem que estava enterrado em uma cova selada e guardada por soldados, aparentemente ressuscitou. Vamos falar agora com algumas das testemunhas oculares que presenciaram o fato.

(O repórter vira-se para falar com um dos soldados que guarnecia o local)

– Aparentemente, não, senhor, Ele ressuscitou! Nós não havíamos entendido direito muitas profecias que falavam sobre o Messias, nem mesmo quando Jesus falou sobre isso ao dizer que reconstruiría aquele templo 3 dias após o terem derrubado (nós achávamos que se referia ao templo de Herodes e por essa razão mesmo o acusamos) mas é verdade! Nós que estávamos guardando a entrada da cova para que seus discípulos não viessem porventura furtar seu corpo e alegar a sua pretensa ressurreição, nós mesmos, pagos pelos líderes do Sinédrio, vimos quando aconteceu um grande terremoto, um anjo moveu a rocha que tapava a entrada. Senhor, eu sei que é difícil de acreditar, mas nós vimos com nossos próprios olhos que a terra há de comer! Não tivemos sequer coragem de entrar, mas de fora pudemos perceber que já não havia ninguém enterrado ali, apenas os lençóis que o cobriam estavam lá guardados, e não apenas largados, mas como se alguém os tivesse dobrado! E eu garanto a você, senhor, nós somos profissionais, não estávamos dormindo, não havíamos bebido. Não sei como explicar, mas foi isso que aconteceu!

– Calma, calma, amigo, me explique direito essa história. Como assim um anjo?

– É isso mesmo, alguém com as roupas brilhantes e aparência diferente, como que um brilho emergia de seu rosto, sua voz era muito profunda, eu mesmo o vi quando falou para uma das mulheres que costumava seguir o homem que estava enterrado ali.

– E quem é essa mulher?

– Moço, eu não a conheço direito, mas creio que se chamava Maria Madalena. Você pode perguntar por aí, creio que ela está no meio daquelas outras mulheres.

(Lucas então caminha um pouco com o cinegrafista em direção a um grupo de mulheres aparentemente histéricas)

– Qual de vocês é Maria Madalena?

(Quando ele fala o nome Maria, várias se viram para responder, por ser um nome bastante comum, mas apenas uma delas responde ao “sobrenome” Madalena)

– Eu, senhor.

– Você pode contar o que aconteceu?

– Senhor, eu vim aqui de manhã cedo, na verdade ainda era madrugada, o sol estava nascendo, vim trazer perfumes, flores e outras coisas para ornamentar o meu senhor que mataram injustamente sexta-feira passada. Você não soube o que aconteceu?

– Senhora, vamos manter o foco nos acontecimentos de hoje, depois podemos discutir os outros eventos, mas continue sua história, por favor.

– Bem, como eu estava falando, eu cheguei cedo pela manhã juntamente com minhas amigas, você sabe, nós éramos seguidoras de Jesus quando Ele estava vivo. Corrigindo, nós somos suas seguidoras ainda, pois Ele ressuscitou!

– Essa parece ser a história por trás de todo esse alvoroço, mas fale aqui dos detalhes para aqueles que estão nos assistindo.

– Sim, chegamos de manhã cedo e vimos a rocha movida, aquela que tapava a entrada. Não entendemos, a princípio, o que era aquilo, afinal aquela era uma rocha muito pesada, senhor, e não teria como uma só pessoa mover uma pedra daquele tamanho. Achamos estranho e fomos ver o interior e imediatamente percebemos algo errado, pois nosso mestre não estava onde deveria estar.

– Certo, mas não poderiam os discípulos dele ter aproveitado uma folga dos soldados para afastarem a pedra e sumirem com o corpo para depois espalharem a notícia falsa que ele tinha ressuscitado?

– Não, senhor, Deus nos livre! Os discípulos, cá entre nós, estão morrendo de medo de também serem mortos pelos líderes do Sinédrio, tanto que ficaram escondidos e não podemos dizer onde. Além disso, nós mesmos vimos um anjo…

– Novamente essa história de anjo…

– …Sim, um anjo! Ele nos lembrou daquilo que o próprio mestre havia falado, que ressuscitaria ao terceiro dia! E não apenas isso, senhor (seus olhos brilham de alegria, lágrimas escorrem do olhar enquanto fala), mas nós vimos Jesus ressuscitado, Ele falou conosco!

– Opa, alto lá, caros ouvintes esse é um furo de reportagem exclusivo para vocês que compõem a nossa seleta audiência! Minha senhora, Maria, não é isso? Fale exatamente o que aconteceu para que não haja qualquer dúvida.

– Sim, senhor, nós achávamos que era o jardineiro, e por isso perguntamos se ele não tinha movido o corpo, mas quando ele falou meu nome, senhor, foi como se escamas tivessem caído dos meus olhos, eu logo reconheci sua voz tão doce, tão familar, tão carinhosa… (a mulher se emociona)

– Senhora, mas, convenhamos, Maria é um nome relativamente comum, você nesse estado de nervos poderia facilmente ter confundido o jardineiro pelo seu mestre, ora, até comigo talvez… (dá uma risada de descrédito)

– Não, senhor, desculpe mas o senhor não conhece a minha história. Eu era uma prostituta, e não apenas isso, possuída por diversos demônios, mas o Mestre me libertou! Ele mudou a minha história, ele teve a coragem de caminhar publicamente comigo que sempre fui uma rejeitada social, você sabe como são os meus conterrâneos a respeito de prostitutas, não é mesmo?

– Sim, estou familiarizado com os costumes daqui. Mas então, voltando, ele, o Jesus, que estava morto, reviveu, e falou com vocês?

– Isso mesmo! E mais, Ele disse que eu fosse avisar seus discípulos, para que eles recobrassem o ânimo e não tivessem mais medo.

(O repórter vira então para a câmera e faz suas considerações finais)

– Caros telespectadores, eu não sei o que dizer, mas essa certamente é uma impressionante história! Vocês ouviram os relatos dos soldados, também dessa mulher, pelas imagens vocês podem perceber todo o tumulto que está acontecendo aqui. Uma coisa posso dizer, pessoalmente já vi muitas pessoas loucas nesses anos de repórter, e eles não parecem assim. Um tanto emocionados, certamente, mas não loucos. Essa história parece realmente ser a verdade. Eu posso quase crer nesse Jesus que eles falaram tanto. Mas vocês sabem que não me contento com meia verdade e essa história não para aqui, voltamos agora para nossos estúdios mas não sem antes deixar claro que investigarei de maneira profissional, entrevistarei todos os discípulos e até a mãe do morto, digo, do ressuscitado, os religiosos, não descansarei até que todos os envolvidos tenham dado seu parecer. Até a próxima!

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Pessach

Eis que, quando nós entrarmos na terra, atarás este cordão de fio de escarlata à janela por onde nos fizeste descer; e recolherás em casa contigo a teu pai, e a tua mãe, e a teus irmãos e a toda a família de teu pai.
Será, pois, que qualquer que sair fora da porta da tua casa, o seu sangue será sobre a sua cabeça, e nós seremos inocentes; mas qualquer que estiver contigo, em casa, o seu sangue seja sobre a nossa cabeça, se alguém nele puser mão.
Porém, se tu denunciares este nosso negócio, seremos desobrigados do juramento que nos fizeste jurar.
E ela disse: Conforme as vossas palavras, assim seja. Então os despediu; e eles se foram; e ela atou o cordão de escarlata à janela. – Josué 2:18-21

Páscoa origina-se do “pessach” judaico, celebração da libertação do povo hebreu da escravidão do Egito por Jeová, onde um cordeiro fora imolado e seu sangue espargido nos umbrais de cada porta por onde passaria o anjo da morte que daria cabo da 10a praga, a matança dos primogênitos, matança que permitiu finalmente o povo ser despedido após a dor chegar na casa do próprio faraó.

Assim como no “pessach” o anjo passaria por sobre a casa marcada pelo sangue, também o exército de Israel passou ao largo da casa de Raabe que resolveu confiar em um Deus que não conhecia pessoalmente, pois sua cidade, Jericó, adorava os deuses dos cananeus, confiar em um Deus estrangeiro, desconhecido senão por ter livrado um povo que escolheu como seu do faraó do Egito, um mero homem que se auto-intitulava deus, um Deus que abriu o mar Vermelho e controlava as forças da natureza pois Ele mesmo as criara. Que deus seria então como o Deus de Israel?

Muitos anos depois outro cordeiro seria imolado, por causa de seu sangue então o anjo da morte novamente passa ao lado sem tocar naqueles por ele marcados. O sangue do cordeiro pascoal, Jesus Cristo, Filho do Deus altíssimo, é o preço pago em nosso resgate, lavou-nos do pecado e selou-nos como povo de propriedade exclusiva do Pai.

Uma vez na história um povo foi liberto pelo sangue, outra vez a história de repete, dessa vez de forma definitiva, não apenas o povo de Israel mas um povo que se chama pelo nome do Senhor, uma igreja formada de homens e mulheres imperfeitos, pecadores chamados para serem santos, separados de todos os povos, tribos, línguas e nações.

Faça como o povo de Israel no Egito, aceite o sangue do cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo em sua vida. Como Raabe, confie em um Deus que talvez você não conheça direito, alguém de quem você apenas ouviu falar, sabendo que Ele foi fiel para aquele povo, para aquelas pessoas, e permanecerá sendo fiel a nós também.

Faça isso hoje. Que a “pessach” também signifique passagem para você hoje, a passagem de uma vida de escravo do pecado, para filho liberto, de alguém sem esperança vivendo num mundo vazio e corrompido, para um novo homem que foi adotado pelo próprio Deus, o Deus que ofereceu seu Filho na cruz do Calvário por mim e por você.

Deus nos abençoe.

Resumo da lei

Portanto, dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra.
A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei.
Com efeito: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não cobiçarás; e se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.
O amor não faz mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o amor. – Romanos 13:7-10

Romanos 13 fala de sermos submissos às leis e autoridades governamentais, instituídas que são por Deus (ainda que não entre no mérito de explicar como se dá esse processo, se de modo ativo ou passivo/permissivo).

Fala ainda de que devemos pagar nossos impostos, por mais injustos que pareçam.

De fato, Paulo aqui é coerente com o ensino de Jesus em Lucas 20:25.

Portanto não cabe a nós que nos dizemos cristãos deixarmos de pagar os nossos impostos ou fraudá-los de qualquer maneira sob qualquer pretexto.

Alegue o que quiser, invente a desculpa que lhe parecer melhor, mas saiba disso, declarou o que não devia para obter uma maior restituição na sua declaração do IR, por exemplo gastos médicos e de saúde, trouxe produtos de fora do país com valor maior que o limite de U$ 500,00 e não declarou nem pagou o imposto devido, ou mesmo que o tenha feito, trouxe com fins indevidos, como vender para obter algum trocado, sabendo que isso é proibido, você está agindo exatamente igual a qualquer pessoa desse mundo e completamente o oposto do que a Bíblia ensina, que é a vontade de Deus para seus filhos.

Mas uma das coisas que me chama atenção nesse texto é essa passagem que transcrevi acima, que guarda bastante semelhança com texto de 1 Corintios 13, que fala sobre o amor.

O amor é o resumo da Lei e dos profetas, como vemos várias vezes nas Escrituras ser anunciado.

Portanto amemos, não como obrigação ou por força de lei, muito embora este seja também um sinal de obediência e filiação.

Mostremos na prática, e talvez na mais difícil e dura delas, que somos verdadeiramente família de Deus.

O mundo está carente de muitas coisas, mas certamente a mais importante de todas é o amor, amor este que na prática supre todas as demais necessidades.

Amor que não é sentimento, embora até provoque o mesmo, mas ações benéficas em prol do próximo, do nosso semelhante.

Deus nos abençoe.

Hoje eu vi um absurdo

Hoje eu vi um absurdo. Voltando do almoço vi um cachorro abandonado na rua.

Como assim um cachorro abandonado na rua ser um absurdo? É, por comum que seja não me é menos absurdo, não deixou de ser muita maldade abandonar um cachorro na rua.

Mas não foi esse o absurdo. O cachorro era de raça. Quem em sã consciência abandona um cachorro de raça, que deve ter custado uma grana pra adquirir em primeiro lugar?

Na verdade pouco importa, não é porque tem pedigree que seu abandono terá causado maior constrangimento em seu ex-dono, e, portanto, não é pela mesma razão mais absurdo.

Talvez então por que era da raça Boxer. Então se não é incomum vermos cães abandonados nas ruas, talvez mais incomum vermos cachorros que não seja vira-latas, é verdade, tenho que admitir que Boxer foi a primeira vez. Mas ainda não foi este o absurdo.

Poxa, você deve estar se perguntando, o que foi então o absurdo que você viu? Vi um cachorro abandonado, de raça, Boxer, tatuado. Sim, tatuado, não estou de sacanagem, não vi coisas, era um cachorro Boxer tipo aqueles Pitbulls que os playboyzinhos costumam ter, com a pelagem bem curta, exibindo uma enorme tatuagem de escorpião.

Não parecia perdido, parecia abandonado mesmo, e olhe que era bonito, apesar da tatuagem.

Sim, gosto de tatuagem, mas em mim, ser humano, que pude escolher a loucura de sentir dor para ter um desenho na pele, aliás o próprio desenho também escolhi.

Não em um animal supostamente irracional que não teve qualquer direito de escolha, nem de nascer, ser adotado por um imbecil irresponsável que o abandonou também contra sua vontade, e ainda por cima ser marcado desta forma, que imagino deva ter doído bastante.

Esse é o absurdo.

Peço a Deus que não volte a ver outros absurdos do gênero, embora seja um pedido que tenho certeza não será atendido, não porque Deus não seja Deus, mas porque o ser humano é muito pouco humano, com os de sua própria espécie, e pior ainda com os de outras.

Que algo pior não nos ocorra

Mais tarde Jesus o encontrou no templo e lhe disse: “Olhe, você está curado. Não volte a pecar, para que algo pior não lhe aconteça”. – João 5:14

João 5 narra a história de um homem paralítico que jazia na beira de uma piscina chamada Betesda, onde uma vez ao ano um anjo descia e agitava as águas, onde quem primeiro entrasse seria curado de qualquer doença.

Aquele homem, no entanto, por ser paralítico, nunca conseguira entrar a tempo, sempre outra pessoa pulava à sua frente e conseguia a benção.

Jesus no entanto chega para fazer uma revolução na vida daquele homem. Mostra que não é a água benta que vai curá-lo, não é a atuação de um anjo, mas a fé do homem em Deus, no Cristo mesmo que cura, que é o médico dos médicos, que poderá operar o milagre que tanto espera.

Esse episódio nos traz algumas preciosas lições:

  1. era crença daquele povo e período histórico que toda doença era castigo de Deus por algum pecado. Jesus em outra ocasião refuta essa idéia (João 9:2) dizendo que as doenças não eram castigo de Deus, nem vontade do Pai, embora muitas vezes até servissem para algum propósito, como glorificar a Deus através de algum aprendizado, de modo que a doença nos permitisse ser mais humanos, sensíveis às necessidades uns dos outros;
  2. mas o salário do pecado é a morte (Romanos 6:23), então muitas doenças são castigo de Deus. Espere, como assim? Você acabou de dizer que as doenças não são castigo de Deus e agora vem dizer que são? O que quero dizer é que as doenças não possuem uma conotação espiritual enquanto castigo de Deus (embora até haja exceções, veja bem, exceções, em que o castigo de Deus se dá por meio de uma doença, como o caso da lepra em Geazi, servo do profeta Eliseu, que quis enganar Naamã, conforme 2 Reis 5), mas no sentido físico, biológico, elas agem como castigo de Deus na medida em que são consequências naturais de ações irresponsáveis nossas. Então não é Deus criando do nada uma doença para afligir o ser humano, mas o próprio ser humano se colocando em uma situação que irá experimentar as consequências da doença que ele próprio foi atrás, como as pessoas que experimentam as dificuldades de um sistema imunológico deprimido em consequência de terem contraído o HIV por via de drogas, sexo promíscuo e fora dos propósitos de Deus, e outros comportamentos que não glorificam o Pai nem valorizam o ser humano de modo geral;
  3. o pecado pode sim nos trazer consequências sérias. O perdão de Deus nos proporciona a cura para a alma e muitas vezes também retira as aflições do corpo, então o desafio de Cristo hoje é para que não voltemos ao lamaçal de onde Ele nos tirou. Uma vez limpos, sarados de nossas enfermidades, somos chamados a viver em santidade, a termos um padrão de vida, de valores, de comportamentos, que façam permanecer a cura em nossas vidas e em nossos relacionamentos. Jesus não faz uma ameaça, Ele como amigo que é, que deseja o nosso bem, nos avisa que o pecado traz consequências sérias, que destrói as nossas vidas, os nossos sonhos, os nossos relacionamentos inclusive com o Pai, que mata nossa saúde e vitalidade, em suma, que devemos nos manter o mais longe possível do pecado e de suas consequências.

A minha oração hoje é para que consigamos ver em Jesus e não na “piscina em Betesda” a fonte da nossa cura, cura física, emocional e espiritual. Que possamos confiar nEle de maneira integral e irrestrita. Que fujamos para longe do pecado, não apenas por medo de que algo pior possa nos acontecer, como nos alerta o Mestre e Senhor, mas em decorrência de um senso de responsabilidade e consideração com o Pai que nos cura, e não deseja que qualquer de seus filhos sofra de maneira desnecessária as consequências de seus próprios pecados.

Deus nos abençoe.

Zelo sem entendimento

Porque lhes dou testemunho de que têm zelo de Deus, mas não com entendimento. – Romanos 10:2

Li ontem o capítulo 10 de Romanos e na hora esse versículo passou batido… até que hoje vi uma enxurrada de baboseiras evangélicas pospentecostais inundando meu face, postadas por amigos mais chegados que irmãos que agem exatamente como diz esse texto, com zelo de Deus, mas sem qualquer entendimento.

Não têm sua fé firmada nas Escrituras sagradas, preferindo escorar-se em qualquer suposta experiência espiritual, mas não possuem discernimento, nem haveriam de ter já que não guardam a Palavra como respaldo, como parâmetro para dizer o certo do errado do duvidoso, são como meninos de uma fé imatura, levados para lá e para cá por qualquer vento de doutrina, qualquer novidade, qualquer suposto “mover de Deus”, esquecendo-se eles que os diabo também tem das suas…

Quem é aquele que diz, e assim acontece, quando o Senhor o não mande? – Lamentações 3:37

O profeta de Deus não é aquele que cospe palavras de ordem, crendo que pelas suas palavras algo “mágico” virá a acontecer. Não fala daquilo que nasce meramente em seu coração, nem da boca pra fora. Não é nem de longe isso que significa “tudo quando pedirdes em meu nome eu o farei” (João 14:13). Não é tampouco um adivinho, embora muitas “profecias” tenham a ver com o futuro.

E na história do povo de Deus narrada nas Escrituras, poucas foram as vezes que o profeta trouxe palavras de alento e esperança, todas focadas em Cristo ou baseadas no arrependimento que nunca chegou a acontecer. De resto foi só sofrimento, angústias, tragédias, a vida do próprio profeta era muitas vezes sua palavra e não sandálias, shofares, água, vinho, azeite ou outro elemento qualquer que supostamente perderia sua qualidade física inerente e ganharia outras de cunho espiritual, capazes de influenciar a Deus ou a seus anjos em nosso favor como querem crer os meninos da fé de ontem e de hoje.

Tanto é verdade que Acabe tinha para si 400 profetas que “profetizavam”, supostamente, a palavra do Senhor, que no entanto, embora fossem palavras de vitória e estímulo, nada tinham de verdade, não procediam da boca de Deus, eram apenas aquilo que o rei queria e gostava de ouvir. História bem diferente de Micaías, esse sim um profeta, que expunha tudo que de vergonhoso e errado que o rei fazia. De fato, o “espírito” pelo qual profetizavam os 400 profetas era um espírito enganador, como bem diz o texto de 1 Reis 22, e não o Espírito Santo de Deus.

Não, isso não é cristianismo, isso é paganismo, dizer que palavras têm em si qualquer efeito sobrenatural, e algumas das experiências vividas eu diria que nem do Espírito Santo têm origem, mas são fruto da imaginação de mentes facilmente sugestionáveis, histeria, alucinação ou outra alteração da percepção individual ou coletiva, charlatanismo puro e simples ou, não duvide, até obra do inimigo que muito bem se disfarça em anjo de luz, verdadeiro lobo em pele de cordeiro.

E sim, eu acredito em milagres, e vivo diariamente a operação natural e sobrenatural do Espírito Santo em minha vida e nas vidas de pessoas próximas, mas temos que ser sagazes como a cobra, e não apenas simples como a pomba, como Cristo nos ensinou, de modo a não cairmos nas artimanhas de enganadores do povo de Deus que vêm, em sua maioria, de dentro do próprio povo, embora nunca façam parte da família de Deus propriamente dita.

Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus. – Mateus 22:29

Quanto mais distantes estivermos da Palavra, mais frágil será nossa base, menos sólida e mais vacilante nossa fé, mais sucetíveis a cairmos nesses comportamentos ingênuos, permaneceremos estagnados, parados em nossa caminhada de relacionamento com Deus, já que teremos um deus com letras minúsculas, uma divindade qualquer que idealizamos, como um fantoche à nossa disposição, bem diferente do Senhor descrito em sua Palavra; a não ser que consideremos tão inspirados por Deus palavras vindas de homens que se autodenominam apóstolos em pleno século XXI, esquecendo-nos que apóstolo, diferente de um cargo, uma posição hierárquica, significa enviado, tipo um missionário, e que esse ministério, muito mais que um ofício, nos moldes como vemos no Novo Testamento, encerrou-se com Paulo, que por si mesmo se considerava um abortivo (1 Coríntios 15:8), um apóstolo já fora de tempo, por não ter convivido pessoalmente com Jesus.

A minha oração hoje é por sabedoria, sabedoria construída por uma caminhada contínua pautada na Palavra de Deus, nossa bússola, direcionados pelo Espírito Santo a vivermos não por vista, por sinais, supostos milagres (embora eles aconteçam ainda hoje e com bastante frequência), que possamos comer dessa Palavra, meditar nessa mensagem, entender profundamente a vontade e os desígnios de Deus para a humanidade e para a nossa própria vida.

Deus nos abençoe.

Igreja, o melhor lugar para se estar

Como é agradável o lugar da tua habitação, Senhor dos Exércitos!
A minha alma anela, e até desfalece pelos átrios do Senhor; o meu coração e o meu corpo cantam de alegria ao Deus vivo.
Até o pardal achou um lar, e a andorinha um ninho para si, para abrigar os seus filhotes, um lugar perto do teu altar, ó Senhor dos Exércitos, meu Rei e meu Deus.
Como são felizes os que habitam em tua casa; louvam-te sem cessar!
Como são felizes os que em ti encontram sua força, e os que são peregrinos de coração!
[…]
Melhor é um dia nos teus átrios do que mil noutro lugar; prefiro ficar à porta da casa do meu Deus a habitar nas tendas dos ímpios. – Salmos 84:1-5, 10

Assim como o salmista tinha a percepção, dada por Deus e recebida por seu espírito que permanecia sensível à voz do Pai, de que a casa do Senhor é o melhor lugar para estar, lugar de comunhão com Deus e com seu povo, que nenhum outro lugar, por mais prazeroso que possa ser, pode sequer ser comparado a estar na presença do Eterno, que eu e você possamos hoje olhar em volta, para nossas vidas, e percebermos quais os lugares, as programações, os eventos que têm ocupado primazia, preferência, prioridade em nossa agenda.

Nós somos casa, não um templo feito por mãos humanas, mas ainda hoje o melhor lugar para estarmos certamente é na igreja onde podemos desfrutar de modo coletivo e comunitário da festa, do banquete oferecido por Deus a seus filhos, onde podemos retribuir como família em agradecimento e louvor ao Pai por todas as bençãos que nos tem concedido.