In God we trust (nEle a gente pode confiar)

Então disse o Senhor a Moisés: Eis que vos farei chover pão dos céus, e o povo sairá, e colherá diariamente a porção para cada dia, para que eu o prove se anda em minha lei ou não. – Êxodo 16:4

O pão nosso de cada dia nos dá hoje; – Mateus 6:11

Deus é um deus provedor.

Ele cuida de nós e deseja o nosso melhor.

Deus nunca nos prometeu riquezas, poder, luxo ou que satisfaria nossos desejos egoístas frutos da nossa sociedade consumista, mas Ele nos prometeu saciar as necessidades mais básicas, o que, na pirâmide de Maslow, corresponde às necessidades fisiológicas, como alimento, saúde, e de segurança, como a moradia, abrigo.

É nesse contexto que o Salmista diz que o Senhor é o nosso pastor, e nada nos faltará (em nada passaremos necessidade), conforme Salmos 23:1, ou ainda no contexto da oração do Pai Nosso, ensinada como modelo de relacionamento com o Pai por nosso mestre Jesus, que Deus veste os lírios do campo em riqueza que nem Salomão usou, e alimenta os pardais que não precisam se preocupar, como não o faria conosco, seus filhos e infinitamente mais preciosos para Ele do que meras flores ou passarinhos?

Vejamos bem que o mesmo que Deus promete para Israel, em Cristo nós também temos acesso, a esse Deus de provisão, à sua generosa oferta de cuidado, de que não precisamos ficar ansiosos, preocupados, muito embora vivamos em um cenário de crise econômica onde muitos de nós estejamos momentaneamente apertados ou mesmo desempregados, esse é o momento de crer, esse é o momento de confiar.

Israel não confiou em Deus, nos versos seguintes vemos que o povo colheu mais do que podia comer com medo de faltar no dia seguinte, e a comida apodreceu.

O desafio portanto é confiar, entregar-nos nas mãos poderosas de Deus e não temos como confiar desconfiando, como diz a bela música do Vencedores por Cristo.

Não!

Ou confiamos ou não confiamos, não há meio termo, e a ansiedade é sinônimo de desconfiança.

Mas como eu, eu sei que você também é humano e fraco, então ainda que tenha apenas uma fagulha de fé e esperança, exercite essa confiança no Pai dando o primeiro passo pela fé, faça como aquele pai desesperado que deseja a cura de seu filho quando vai ao encontro de Jesus, conforme Marcos 9:24, reconheça sua incredulidade e peça a Deus que fortaleça ou aumente a sua fé!

A minha oração hoje é para que eu e você não sejamos teimosos e faltos de fé como aquele povo de Israel no Êxodo, que aprendamos a confiar e depender completamente em Deus, pois Ele nos sustenta e guarda, e diferentemente de nós que somos infiéis, Ele é fiel, Ele permanece fiel pois Ele é constante, Ele não muda, Ele está sempre disposto a estender a sua mão para nos abençoar!

Deus nos abençoe.

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Quando a religiosidade nos paralisa

Então disse o Senhor a Moisés: Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem. – Êxodo 14:15

Quando a religiosidade nos paralisa.

Moisés foi provavelmente uma das pessoas que se relacionou com Deus de maneira mais próxima, com maior intimidade.

Porém, nem ele escapou de levar um “puxão de orelha” do Senhor, por uma simples razão, ele foi clamar a Deus, orar, quando deveria estar agindo.

Como pode?

A Bíblia nos diz que para tudo há um tempo determinado (Eclesiastes 3), inclusive o tempo para meditação na Palavra de maneira particular, ou oração, mas a grande parte do tempo que temos é tempo para ação mesmo.

Deus não quer que seus filhos sejam crianças dependentes e que não conseguem fazer nada por si mesmas, sempre tendo que recorrer ao Pai por ajuda nas coisas mais banais. Ao contrário, Ele espera que adquiramos sabedoria e maturidade no nosso caminhar diário consigo, de modo que a maior parte das decisões poderemos tomar por conta própria, pois já teremos internalizado, já saberemos de antemão qual é a boa, perfeita e agradável vontade do Pai para nós naquela circunstância, e dessa forma ganharemos tempo precioso deixando de estar ansiosos e inseguros.

Como Moisés naquele momento, somos incentivados por Deus, mandados mesmos a agir, chega de meditar apenas, calcular somente, o momento de planejar já passou, temos de ter coragem de começar, sair da inércia, confiando que se Deus nos trouxe até aqui Ele é capaz de nos levar até o final.

Isso é depender em Deus, não esperar que em tudo Ele nos puxe pela mão ou pior, nos leve em seus braços, como crianças pequenas ou raquíticas. Não é esse o tipo de fé que Deus deseja de seus filhos, antes, Ele deseja que desenvolvamos o tipo de fé prática que teve Neemias (Neemias 2:2,3) quando perguntado pelo rei o que afligia seu coração, ele não saiu correndo para seu quarto orar, pedir uma resposta miraculosa ou sobrenatural, a sua intimidade com Deus, a sua vida de oração culminou em que ele já estava sensível à voz do Senhor e à necessidade de seus irmãos em Israel, e pode, dessa forma, falar ao rei tudo que precisava ser feito, com coragem e determinação, sem pestanejar, sem gaguejar, sem ter medo de errar.

A minha oração hoje é para que deixemos de lado a religiosidade que paralisa, aquela infantilóide, imatura, dependente em excesso, e passemos a desenvolver um relacionamento saudável de intimidade com o Pai que resulte não em cerimônias, não em afastamento do mundo (no sentido dos ermitões ou daqueles que vivem em clausuras), mas em ações práticas, bem pensadas, responsáveis, aquelas que o Pai poderia olhar para nós, seus filhos, e dizer que se orgulha.

Deus nos abençoe.

Reconciliação

Então Esaú correu-lhe ao encontro, e abraçou-o, e lançou-se sobre o seu pescoço, e beijou-o; e choraram. – Gênesis 33:4

Reconciliação.

Desde o antigo testamento, poucas coisas me deixam tão emocionado como as histórias de reconciliação que vemos na Palavra, e essa mais ainda por tratar-se de dois irmãos separados por 20 anos de ódio e uma promessa de morte e vingança, que felizmente Deus tratou de sarar.

Esaú tinha todo direito de querer vingar-se de Jacó pois, apesar da intempestividade, imaturidade, até desprezo pelas coisas importantes da vida que o levaram a perder as bênçãos de seu pai Isaque sobre sua vida, muito de sua desgraça foi também responsabilidade de seu irmão Jacó que o usara e enganara.

Além disso, Esaú tinha todos os meios para exercer a sua “justiça”, uma vez que vinha ao encontro de Jacó com 400 guerreiros, um pequeno exército, especialmente se compararmos com os servos, servas, mulheres e gado que acompanhavam Jacó, povo simples do campo, e ele mesmo manquitolando da recente luta que tivera com o próprio Deus no vale de Jaboque.

Mas Esaú foi humano, aliás, foi soberano, pois exercitou o perdão, promovendo a paz, que abriu as portas para restabelecerem o relacionamento outrora arruinado.

Aliás, normalmente o perdão é uma atitude dos fortes, apenas estes conseguem perdoar. Os fracos podem até esquecer, mas dificilmente perdoam, pois o perdão requer sacrifício, requer submissão, humilhação, o superior colocando-se como inferior.

Esse foi o caso de Esaú, superior a seu irmão, com mais recursos, mais gente, com toda a condição de luta a seu favor, resolver baixar a guarda, desarmar-se e estender a mão, ele mesmo correu ao encontro do seu irmão que um dia lhe ofendera para abraçá-lo e beijá-lo.

Somos também chamados ao ministério da reconciliação (2 Coríntios 5:18,19), a sermos pacificadores (Mateus 5:9); só assim o mundo experimentará a paz e conhecerá verdadeiramente o amor de Deus que em nós habita.

Chamado à conversão

E será que, sobrevindo-te todas estas coisas, a bênção ou a maldição, que tenho posto diante de ti, e te recordares delas entre todas as nações, para onde te lançar o SENHOR teu Deus, e te converteres ao SENHOR teu Deus, e deres ouvidos à sua voz, conforme a tudo o que eu te ordeno hoje, tu e teus filhos, com todo o teu coração, e com toda a tua alma, então o SENHOR teu Deus te fará voltar do teu cativeiro, e se compadecerá de ti, e tornará a ajuntar-te dentre todas as nações entre as quais te espalhou o SENHOR teu Deus. – Deuteronômio 30:1-3

Disse também o Senhor: Simão, Simão, eis que Satanás vos pediu para vos cirandar como trigo; mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, quando te converteres, confirma teus irmãos. – Lucas 22:31-32

Esses dois textos acima são exemplos claros de que nem sempre estar na igreja ou pertencer a uma religião significa necessariamente ser salvo, convertido, verdadeiro filho de Deus.

No primeiro caso vemos Moisés falando ao povo de Israel, povo chamado por Deus para ser sua propriedade exclusiva, farol entre as nações para guiá-los ao Pai, para que eles se convertessem de seus maus caminhos.

Como assim, eles não eram o povo de Deus, como precisavam ainda assim se converter?

O segundo texto fica “pior”, Pedro era líder entre os discípulos de Jesus, estava entre um de seus amigos mais próximos e ainda assim não havia compreendido a dimensão do evangelho transformador, uma boa nova que aponta para o alto, para os lados e para dentro, uma mensagem de arrependimento e mudança de rumo, uma boa nova, de verdade, pois nos tira a desesperança do jugo da lei e do pecado e nos garante a vida eterna ao lado de Deus por Cristo Jesus, recebendo como selo da promessa seu próprio Espírito.

O que você está esperando?

Não importa de que religião você seja, ou mesmo que não pertença a qualquer religião.

Cristo não chama os religiosos ou aqueles que se consideram perfeitos, Ele veio para todos, especialmente todos quantos o quiserem receber como Mestre e Senhor, pelos quais Ele derramou seu sangue precioso na cruz do calvário, nos elevando perante o Pai à condição de filhos.

Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo. – Apocalipse 3:20

Qual será sua resposta?

Deus nos abençoe.

Pessach

Eis que, quando nós entrarmos na terra, atarás este cordão de fio de escarlata à janela por onde nos fizeste descer; e recolherás em casa contigo a teu pai, e a tua mãe, e a teus irmãos e a toda a família de teu pai.
Será, pois, que qualquer que sair fora da porta da tua casa, o seu sangue será sobre a sua cabeça, e nós seremos inocentes; mas qualquer que estiver contigo, em casa, o seu sangue seja sobre a nossa cabeça, se alguém nele puser mão.
Porém, se tu denunciares este nosso negócio, seremos desobrigados do juramento que nos fizeste jurar.
E ela disse: Conforme as vossas palavras, assim seja. Então os despediu; e eles se foram; e ela atou o cordão de escarlata à janela. – Josué 2:18-21

Páscoa origina-se do “pessach” judaico, celebração da libertação do povo hebreu da escravidão do Egito por Jeová, onde um cordeiro fora imolado e seu sangue espargido nos umbrais de cada porta por onde passaria o anjo da morte que daria cabo da 10a praga, a matança dos primogênitos, matança que permitiu finalmente o povo ser despedido após a dor chegar na casa do próprio faraó.

Assim como no “pessach” o anjo passaria por sobre a casa marcada pelo sangue, também o exército de Israel passou ao largo da casa de Raabe que resolveu confiar em um Deus que não conhecia pessoalmente, pois sua cidade, Jericó, adorava os deuses dos cananeus, confiar em um Deus estrangeiro, desconhecido senão por ter livrado um povo que escolheu como seu do faraó do Egito, um mero homem que se auto-intitulava deus, um Deus que abriu o mar Vermelho e controlava as forças da natureza pois Ele mesmo as criara. Que deus seria então como o Deus de Israel?

Muitos anos depois outro cordeiro seria imolado, por causa de seu sangue então o anjo da morte novamente passa ao lado sem tocar naqueles por ele marcados. O sangue do cordeiro pascoal, Jesus Cristo, Filho do Deus altíssimo, é o preço pago em nosso resgate, lavou-nos do pecado e selou-nos como povo de propriedade exclusiva do Pai.

Uma vez na história um povo foi liberto pelo sangue, outra vez a história de repete, dessa vez de forma definitiva, não apenas o povo de Israel mas um povo que se chama pelo nome do Senhor, uma igreja formada de homens e mulheres imperfeitos, pecadores chamados para serem santos, separados de todos os povos, tribos, línguas e nações.

Faça como o povo de Israel no Egito, aceite o sangue do cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo em sua vida. Como Raabe, confie em um Deus que talvez você não conheça direito, alguém de quem você apenas ouviu falar, sabendo que Ele foi fiel para aquele povo, para aquelas pessoas, e permanecerá sendo fiel a nós também.

Faça isso hoje. Que a “pessach” também signifique passagem para você hoje, a passagem de uma vida de escravo do pecado, para filho liberto, de alguém sem esperança vivendo num mundo vazio e corrompido, para um novo homem que foi adotado pelo próprio Deus, o Deus que ofereceu seu Filho na cruz do Calvário por mim e por você.

Deus nos abençoe.

Amigos. Conselhos. Escolhas.

Então ele e toda a assembléia de Israel foram ao encontro de Roboão e disseram: “Teu pai colocou sobre nós um jugo pesado, mas agora diminui o trabalho árduo e este jugo pesado, e nós te serviremos”.
Roboão respondeu: “Voltem a mim daqui a três dias”. Então o povo foi embora.
O rei Roboão perguntou às autoridades que haviam servido ao seu pai Salomão durante a vida dele: “Como vocês me aconselham a responder a este povo?”
Eles responderam: “Se hoje fores um servo desse povo e servi-lo, dando-lhe uma resposta favorável, eles sempre serão teus servos”.
Roboão, contudo, rejeitou o conselho que as autoridades de Israel lhe tinham dito e consultou os jovens que haviam crescido com ele e o estavam servindo.
Perguntou-lhes: “Qual é o conselho de vocês? Como devemos responder a este povo que me diz: ‘Diminui o jugo que teu pai colocou sobre nós’?”
Os jovens que haviam crescido com ele responderam: “A este povo que te disse: ‘Teu pai colocou sobre nós um jugo pesado; torna-o mais leve’ — dize: ‘Meu dedo mínimo é mais grosso do que a cintura do meu pai.
Pois bem, meu pai lhes impôs um jugo pesado; eu o tornarei ainda mais pesado. Meu pai os castigou com simples chicotes; eu os castigarei com chicotes pontiagudos’”.
Três dias depois, Jeroboão e todo o povo voltaram a Roboão, segundo a orientação dada pelo rei: “Voltem a mim daqui a três dias”.
Mas o rei lhes respondeu asperamente. Rejeitando o conselho das autoridades de Israel, seguiu o conselho dos jovens e disse: “Meu pai lhes tornou pesado o jugo; eu o tornarei ainda mais pesado. Meu pai os castigou com simples chicotes; eu os castigarei com chicotes pontiagudos”.
Quando todo o Israel viu que o rei se recusava a ouvi-los, responderam ao rei: “Que temos em comum com Davi? Que temos em comum com o filho de Jessé? Para as suas tendas, ó Israel! Cuide da sua própria casa, ó Davi!” E assim os israelitas foram para as suas casas.
Quanto, porém, aos israelitas que moravam nas cidades de Judá, Roboão continuou como rei deles.
O rei Roboão enviou Adonirão, chefe de trabalhos forçados, mas todo o Israel o apedrejou até à morte. O rei, contudo, conseguiu subir em sua carruagem e fugir para Jerusalém.
Desta forma Israel se rebelou contra a dinastia de Davi, e assim permanece até hoje.
Quando todos os israelitas souberam que Jeroboão tinha voltado, mandaram chamá-lo para a reunião da comunidade e o fizeram rei sobre todo o Israel. Somente a tribo de Judá permaneceu leal à dinastia de Davi. – 1 Reis 12:3-14, 16-20

Amigos. Conselhos. Escolhas.

Toda escolha implica em consequências. De fato, muitas das escolhas que fazemos todos os dias significam a renúncia de outras tantas que estariam à nossa disposição e que, no momento em que optamos pela primeira, são como portas que nos são automaticamente fechadas, algumas para sempre, e as quais nunca saberemos em que resultariam, se em algo melhor ou pior para nossas vidas e para a das demais pessoas envolvidas, ou com quem convivemos e nos relacionamos.

A história que lemos hoje nos fala do resultado de uma dessas escolhas, que é algo que experimentamos também em nossas vidas, e diz respeito a que tipo de conselhos ouvimos e colocamos em prática.

Essa história começa no momento da sucessão para rei em Israel. A situação política era de calmaria, após muitos anos de lutas contra inimigos tanto externos quanto internos desde a época do Rei Davi, Salomão realizou várias obras entre as quais podemos destacar o grande templo, nunca posteriormente igualado, e também construiu alianças políticas, embora estas tenham sido à base de casamentos arranjados com as filhas dos reis e governantes dos reinos em redor de Israel e que serviram infelizmente ao declínio moral desse que foi o homem mais rico e sábio que já viveu nesta terra.

Então Roboão, filho de Salomão, havia herdado uma Israel rica, próspera, fortalecida econômica e militarmente, e em paz com seus vizinhos. Estava, portanto, com a faca e o queijo na mão para poder empreender um governo cheio de realizações, e ter seu nome escrito nos anais da história dos reis de Israel, tinha realmente tudo para ter sido um grande, um excelente governante, quem sabe ainda maior do que seu pai que o precedeu.

No entanto, já no primeiro dia de seu governo Roboão é confrontado com uma pergunta e em razão dela toma conselhos e uma decisão, e as consequências de seus atos foram muito mais longe do que sua própria vida, ecoaram em toda a existência de uma nação e um povo.

A pergunta, conforme vimos no texto que lemos, referia-se a como o novo rei iria lidar com o povo, pois muito do que Salomão conquistou e realizou foi em razão de aumento de taxas e imposição de trabalhos forçados ao seu povo, então este, reunido pela liderança de Jeroboão, inquiriu do rei se ele manteria a mesma postura dura de seu pai ou se aliviaria o fardo, até porque já não era necessário, e assim o povo voluntariamente se submeteria a seu senhorio.

Roboão então recebe os anciãos do povo, as autoridades que haviam servido junto ao seu pai e que sabiam tudo que havia se passado, os prós e os contras da maneira como a administração sob Salomão era conduzida, e as implicações de suas políticas para o povo, e esses anciãos ensinam a Roboão tudo que ele deveria fazer para ser um bom rei, como deveria conduzir seu povo. O texto fala no verso 7 que os anciãos, homens experimentados pela idade e por terem trabalhado junto ao rei Salomão, aconselharam Roboão a afrouxar as amarras do povo, conselho que infelizmente ele rejeitou.

Logo em seguida a Bíblia nos fala que Roboão tomou um segundo conselho, dessa vez com seus amigos mais chegados, que haviam crescido com ele, verdadeiros filhinhos de papai, os quais o aconselharam a tratar o povo de maneira ainda pior que Salomão, agindo como tirano, oprimindo-o para além de todo limite possível e aceitável, o que acabou sendo a sua decisão e escolha, da qual ele provavelmente se arrependeu pelo resto de sua vida.

Conselhos e escolhas. Depois de ouvir essa história, será que você consegue se lembrar de alguma decisão que você tomou em algum ponto de sua vida da qual você se arrepende até hoje? Será que existe algo que você olha para trás e gostaria de, se pudesse, ter feito diferente, ter seguido outro rumo, ter tomado outra decisão? Será, enfim, que de posse de muitos conselhos, você tomou ou tem tomado boas e sábias decisões, ou será que você tem se deixado influenciar por más companhias que tem lhe levado a tomar um rumo do qual você certamente virá a se arrepender?

Vejam que na história de Roboão, a decisão que ele tomou afetou não só sua própria vida, mas sua nação, seu povo, seus descendentes. O povo a partir dali decidiu não o reconhecer mais como rei e em seu lugar colocaram Jeroboão, e a nação de Israel rachou em duas, permanecendo fiéis a Roboão apenas as tribos de Judá e Benjamim.

Mas não apenas isso, como a história conta, a nação de Israel, a começar do próprio Jeroboão que liderou as dez tribos revoltosas, voltaram-se para longe da presença do Senhor, uma vez que o novo rei, por medo de que as demais tribos acabassem se reconciliando com as duas que permaneceram sob Roboão devido às festas religiosas que ocorriam em Jerusalém várias vezes ao ano, resolveu instituir sua própria religião e colocou dois bezerros de ouro como “divindades” para que o povo adorasse e não precisasse ou pudesse ir a Jerusalém.

A história de Roboão nos serve de exemplo para que possamos refletir não só sobre nossas escolhas pessoais e suas consequências, como elas afetam a nossa vida e a das pessoas ao nosso redor, e os impactos que podem ir muito mais longe, mas também sobre que tipo de conselhos temos ouvido, que tipo de companhia mantemos, que tipo de amizades cultivamos, por quem nos deixamos influenciar, e se temos sido bons amigos, se temos oferecido bons conselhos, se temos sido boa influência ou companhia.

Quanto a isso, gostaria de trazer à memória o texto do salmo 1, verso 1 que diz: “Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores”.

Novamente aqui vemos o conselho tendo relevância, pois o salmo diz que é feliz a pessoa que não anda segundo o conselho dos ímpios; em outra tradução vemos “que não segue o conselho dos ímpios”. É uma decisão de seguir ou não, de andar conforme o mau conselho ou não.

Mas como eu posso saber se é um mau conselho? É lógico que nem toda pessoa boa só dá bons conselhos, nem que tudo que uma pessoa má fala é necessariamente mau, mas esse salmo nos indica que dar ouvidos a quem não é bom, a pessoas que sabidamente não são de Deus, acabará nos levando a aceitar eventualmente um de seus maus conselhos, talvez até inadvertidamente ludibriados como se fossem bons.

Em verdade, o processo de sermos enganados e acabarmos nos tornando mais um na multidão é algo paulatino, como o próprio salmo enfatiza: primeiro a pessoa anda com alguém que é má influência, alguém que dá mau testemunho, por exemplo, e dele passa a receber conselhos, como um “amigo”, “muy amigo”, que te recomenda algo que sabe que vai te causar um mal, ou alguém que diz ser seu amigo mas fala de você pelas costas, ou alguém que pode até parecer ser uma pessoa de bem mas que quando você começa a analisar seus valores, seu comportamento, suas palavras, pensamentos externados, você percebe que essa pessoa não anda o caminho que Deus preparou para seus próprios filhos, não compartilha dos mesmos conceitos e valores.

A segunda etapa é, influenciado por essa pessoa, fisgado por seu mau testemunho e conselho, e veja bem, esse mau conselho pode vir travestido de algo muito bonito ou prazeroso, até porque se o pecado não causasse alguma sensação de prazer ou bem estar ninguém pecaria, a pessoa para, a pessoa se detém no caminho dos pecadores. Em outra tradução o texto lê “imita a conduta dos pecadores”.

Acho muito legal ambas as traduções porque elas falam inicialmente de você estar caminhando, ou seja, temos uma noção de movimento em direção a algo ou algum lugar, e então você para, algo te leva a tomar uma decisão, uma escolha, que é justamente uma das coisas em que estamos meditando. Mas o que te faz tomar essa decisão de parar é um mau conselho e aqui o bicho pega. De fato, o mau conselho te leva a imitar a conduta dos pecadores e eu vejo isso como duplamente problemático.

O primeiro problema é que de tantas condutas que poderíamos imitar, supondo inicialmente que devêssemos imitar o comportamento de alguém, escolhemos – e vejam bem a nossa ação pois realmente demanda uma escolha, ainda que impensada, irrefletida – imitar os pecadores, pessoas que por sua vez escolheram, decidiram viver uma vida de rebelião contra o Senhor, e se isso traz repercussões negativas presentes e futuras para essas pessoas, certamente nós também seremos afetados na medida em que passamos a compartilhar dos mesmos valores e a ter os mesmos maus comportamentos.

De fato, a imitação me lembra logo uma farsa, algo que não é autêntico, e esse é o segundo problema, passarmos a desenvolver nossas vidas como imitação dos outros, dos nossos “amigos”, por exemplo, quando queremos ser bem aceitos em uma roda de convívio social, quando queremos nos enturmar, quando não queremos ser tachados de chatos, quadrados, intolerantes, nós tendemos a abrir mão dos nossos valores, abrir mão de tomar posições bem definidas, abrir mão da nossa individualidade e até criatividade eu poderia dizer, e não agimos mais enquanto indivíduos, mas como parte de uma massa de pessoas que pensa, age, fala igual, algo “pasteurizado”, sem vida, sem cor.

A terceira etapa então é, uma vez que damos ouvidos e cedemos às tentações, paramos nosso movimento e mudamos de rota, ou melhor, deixamos para lá, agora nós sentamos na mesa dos escarnecedores, ou seja, nós viramos mais um na multidão, nós agora também somos um com o ímpio, com o pecador. Escarnecer significa zombar, e não apenas tirar sarro dos outros, ou ser irreverente, fazer pequenas brincadeiras de mal gosto, significa ainda não ter limites para com esse tipo de comportamento, ou seja, em bom e velho “cearês” significa frescar com assuntos com os quais sabemos que não tem graça nenhuma, e pior, ser desrespeitosos com as coisas de Deus, com o próprio Deus, como se fôssemos completamente indiferente para com Ele, como se não existisse ou como se não nos importássemos consigo.

Antes de continuar eu gostaria que nós parássemos um minuto e refletíssemos novamente sobre o que foi dito até agora e qual a nossa situação frente a tudo isso. Será que temos feito boas escolhas baseadas em bons conselhos que temos recebido de bons amigos, amigos que têm nos levado para mais perto de Deus e de seus caminhos, ou será que temos feito más escolhas baseadas em maus conselhos que temos recebido de maus amigos, amigos que têm nos levado para mais longe de Deus e de seus caminhos? E não apenas isso, não vamos nos fazer de vítimas ou de santos-do-pau-oco e jogar a culpa nos nossos amigos por seus maus conselhos, uma vez que já vimos que nós temos a responsabilidade sobre as nossas próprias decisões.

A pergunta que não quer calar não se resume a em que parte desse processo acima que vimos descrito no salmo 1 estamos, ou qual nosso papel em tudo isso, mas também se não temos sido nós os vilões dessa história, verdadeiros lobos maus querendo comer as chapeuzinhos, com o perdão do trocadilho, digo novamente, dando maus conselhos, maus testemunhos, arrastando outros para longe das coisas do Senhor, sendo mais um a dizer ao irmão para deixar disso, deixar de ser careta, que não tem problema se desviar só um pouquinho, ceder só um pouquinho, pois afinal, Deus perdoa não é mesmo?

Agora voltemos. Falamos por último sobre imitação de comportamentos, então se havemos de imitar alguma conduta, façamos como Paulo nos recomenda em 1 Coríntios 11:1 que diz “sede meus imitadores como eu sou de Cristo”, então aqui vemos Paulo nos dando o exemplo de conduta que ele imitava, ou seja, o estilo de vida de Jesus, o que Ele ensinou e viveu, seus valores. De fato, no mesmo contexto, em poucos versos antes no capítulo 10, Paulo nos diz o “como”, a maneira com que imita a Cristo:

Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus.

Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à igreja de Deus.

Como também eu em tudo agrado a todos, não buscando o meu próprio proveito, mas o de muitos, para que assim se possam salvar. – 1 Coríntios 10:31-33

Tudo, absolutamente tudo que fizermos deve glorificar a Deus, mesmo as coisas mais banais e corriqueiras como diz o apóstolo quando fala em comida ou bebida. Assim, nosso trabalhar, estudar, ir ao shopping, à praia, ao museu, teatro, jogo de futebol, eu poderia citar muitas outras atividades mas acho que vocês já captaram a idéia.

Por outro lado, segundo a mesma lógica NÃO devemos imitar a conduta dos pecadores pois cedo ou tarde a nossa consciência estará cauterizada, não acusando mais em nossos corações os pecados que cometemos, os nossos maus pensamentos e atitudes. Sobre isso temos dois versos que dizem:

Não se deixem enganar: “as más companhias corrompem os bons costumes”. – 1 Coríntios 15:33

E ainda:

Já lhes disse por carta que vocês não devem associar-se com pessoas imorais.

Com isso não me refiro aos imorais deste mundo, nem aos avarentos, aos ladrões ou aos idólatras. Se assim fosse, vocês precisariam sair deste mundo.

Mas agora estou lhes escrevendo que não devem associar-se com qualquer que, dizendo-se irmão, seja imoral, avarento, idólatra, caluniador, alcoólatra ou ladrão. Com tais pessoas vocês nem devem comer. – 1 Coríntios 5:9-11

Aqui a palavra do apóstolo Paulo é muito dura, como aliás deve ser, pois Paulo cuidava de seus filhos na fé, como nós também devemos cuidar uns dos outros. No primeiro versículo, em outra tradução temos “as más conversações corrompem os bons costumes”, ou seja, de tanto ouvirmos abobrinhas, de tanto ouvirmos besteiras, imoralidades, zombarias, acabaremos nós também falando, praticando esse tipo de comportamento. Os bons costumes que recebemos por herança de nossos pais, avós, de nossos pastores acabarão sendo substituídos pelos maus costumes que aprendemos dos nossos maus amigos.

E no segundo texto a situação é ainda pior, pois se Paulo nos recomenda cautela e zelo com relação aos maus amigos deste mundo, para não nos deixarmos influenciar por seus maus pensamentos e valores, com relação aos que estão dentro da família ele é ainda mais severo e isso tem uma razão, nós da família de Deus, ou pelo menos nós que nos dizemos crentes, que nos chamamos por igreja, corpo de Cristo, temos a tendência natural, como família, de nos abrirmos, confiarmos, e inadvertidamente acabarmos sendo mais facilmente influenciados uns pelos outros, então se alguém diz fazer parte da igreja, mas dá um mau exemplo, sua vida não condiz com aquilo que prega ou diz crer, seu péssimo testemunho irá servir de pedra de tropeço na vida de muitos irmãos, especialmente os novos convertidos ou fracos na fé que por qualquer razão se escandalizam, e isso pode até acabar afastando muitas pessoas da comunhão dos santos, da convivência com sua família, com seus irmãos, pode levar muitos a se desviar também do caminho e a apresentar também esse tipo de comportamento, afinal, se fulano faz, eu também posso fazer, e muitos acabam pensando assim infelizmente.

Quero concluir citando o exemplo de um cara que não se deixou influenciar pelos maus valores da cultura em que estava inserido. Seu nome era Daniel, e ele possuía três amigos que, como ele, eram profundamente dedicados ao Senhor. Sua história está descrita no livro de mesmo nome, que não vou colocar o texto aqui mas recomendo sua leitura, e fala que logo que chegaram à Babilônia, Daniel e seus amigos foram colocados junto com os demais jovens tanto de Israel que tinham sido levados escravos, quanto com os jovens da Babilônia, para comer e beber das iguarias reais, que consistiam, entre outros, de comida oferecida aos “deuses” daquela terra.

É interessante perceber na história de Daniel várias coisas, a saber: ele era muito jovem, talvez uns 16, 18 anos, idade de muitos aqui, e mesmo com o desejo natural de se sentir incluído, de fazer parte, ele percebeu que os costumes daquela terra iam frontalmente de encontro aos valores do Deus que ele cria, e então, ao invés de abrir mão de seus valores, de tentar dar um jeitinho de encaixar, acomodar sua fé aos costumes daquele povo ímpio, ele e seus amigos procuram fazer uma dieta como sinal de testemunho de que aquilo ali faria a diferença em suas vidas, serviria como marca entre os demais jovens, e é de fato o que aconteceu quando vemos posteriormente que ele estava mais saudável que os outros jovens que estavam no palácio real, demonstrando aos demais que a benção do Senhor estava sobre ele.

Talvez para alguns, como Daniel, tudo que seja preciso fazer para se manter puro no meio de uma geração adúltera e imoral como a nossa seja uma mera dieta de alimentos. Para outros, por outro lado, pode ser uma “dieta” de determinados lugares, comportamentos, situações, palavras e até relacionamentos, pessoas.

De fato, a beleza de termos um Deus que se relaciona de maneira tão pessoal e individual com cada um de nós é essa, que embora haja padrões e valores comuns a todos os seus filhos, tem coisas que Ele nos recomenda pessoalmente, até porque sabe que cada um possui uma história de vida diferente, tem limitações diferentes, experiências diferentes, ou seja, pode lidar com pessoas e situações de modo diferente umas das outras.

Até por essa razão, não me cabe ditar normas sobre o que podemos ou não podemos fazer, falar, os lugares a frequentar etc. Eu não tenho o poder nem a autoridade para isso, nem faz sentido. E convenhamos, muitas coisas são boas de per si, a maldade às vezes está nos olhos de quem vê e não de quem pratica, e outras vezes o mal está mais na quantidade, na forma, na ocasião e na intenção muito mais do que na coisa em si que dizemos ou fazemos.

Por isso devemos sempre buscar ter nossos ouvidos, olhos, mente, coração sensíveis à voz de Deus, à sua vontade, para que saibamos caminhar como convém. Vejam bem, como convém, porque no mesmo texto de 1º Coríntios 10 que lemos, o verso 23 diz que “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam.”, que é uma repetição de 1º Coríntios 6:12, salvo com a diferença no final, onde o apóstolo Paulo dá ênfase a não se deixar dominar por nenhuma das coisas que ele pode (ou seja, tem a liberdade de) fazer. Nós como cristãos podemos fazer tudo, literalmente, pois antes éramos escravos do pecado então nem tudo que um escravo quer fazer ele efetivamente consegue, como por exemplo um alcoólatra ou fumante inveterado não consegue, senão sob muito esforço e muitas vezes com acompanhamento médico, psicológico e de remédios, largar o seu vício. Hoje temos sempre a escolha entre fazer e não fazer. E mesmo aquilo que é bom, como diz o apóstolo Paulo, não pode nos dominar, não pode se tornar em um vício, não pode passar de remédio para veneno.

A minha oração hoje é para que possamos estar sensíveis à voz de Deus e ao seu Espírito, que possamos nos permitir sermos transformados dia a dia conforme sua imagem e semelhança buscando sempre tomar as melhores decisões, ouvir e por em prática os melhores conselhos, andar com as melhores companhias e tendo as melhores amizades, evitando nós mesmos ser os vilões dessa história, seja por nos colocarmos em situações que não convêm, dando mau testemunho a outras pessoas, sendo por nos tornarmos apenas mais um na multidão, de tão influenciados que teremos sido pelos maus conselhos dos nossos maus amigos, o que nos levará, indubitavelmente a cometermos más escolhas, escolhas que terão repercussões negativas na nossa vida e na das pessoas que amamos e que estão ao nosso redor. Essa é uma responsabilidade que cabe muito mais a nós (ou talvez totalmente) do que a Deus, do que a outras pessoas.

Deus nos abençoe.

Palestina

Na guerra não há santos, embora certamente nem todos sejam demônios.

Palestra interessante sobre a Palestina, e o contexto de opressão sob pretexto religioso.

Lembrei-me, contudo, a despeito de toda opressão imposta por Israel aos palestinos, do texto bíblico de Lucas 14:31 que diz: “Ou qual é o rei que, indo à guerra a pelejar contra outro rei, não se assenta primeiro a tomar conselho sobre se com dez mil pode sair ao encontro do que vem contra ele com vinte mil?”.

E ainda de Sun Tzu quando afirmou em sua Arte da Guerra “Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas.”

A Palestina sofre muito por causa da política expansionista de Israel, que teima, por exemplo: em promover assentamentos de colonos em áreas sabidamente palestinas; ou ainda quando, a despeito de razões de segurança nacional contra ataques terroristas, fecha suas fronteiras aos palestinos, isolando-os já que os territórios da Palestina não são contíguos, sendo entrecortados pelo Estado de Israel, tendo construído até muralhas semelhantes ao muro de Berlim separando famílias inteiras; quando bloqueia as contas do governo palestino, já que a Palestina não possui bancos e realiza sua movimentação financeira através dos israelenses; quando realiza o bloqueio naval impedindo que ajuda humanitária cheque à Faixa de Gaza…

Por outro lado, não cabe a Palestina insurgir-se da forma como tem feito, misturando seus combatentes em meio à população civil, usada como escudo, sem contar os atentados terroristas que não respeitam a população civil de Israel, muitos dos quais até contrários a essa guerra e opressão são.

Novamente lembro do versículo e da palavra de Sun Tzu, quem não tem condições de lutar uma guerra, ou procura a paz antes mesmo dela ter início, ou busca uma libertação de modo pacífico, como temos os exemplos recentes do século XX da Índia frente a Inglaterra, com Ghandi, ou mesmo na figura de Martin Luther King Jr em sua luta pelos direitos civis dos afrodescendentes americanos, em ambos os casos na forma de desobediência civil, sem o emprego de armas ou de violência, embora saibamos que houveram casos de lutas armadas na Índia, e também no caso americano com Malcolm X e as Panteras Negras, sem os quais, honestamente, questiono se tanto Ghandi quanto King Jr teriam tido sucesso em suas empreitadas (a violência, nesses casos, também servia para mostrar que a moeda tem dois lados, fazendo os olhos de todos desejarem o pacífico).

É difícil avaliarmos a situação da palestina criticando Israel, sem percebermos que a autoridade palestina é dividida tanto quanto é seu território, pois a Cijordânea é controlada pelo braço político do grupo terrorista Fatah, enquanto na Faixa de Gaza, por sua vez, domina o Hamaz, ainda pior que o primeiro, em ambos os casos supostamente eleitos democraticamente, mas cujas eleições poderiam ser questionadas sob um escrutínio e auditoria de organismos internacionais. No entanto, a despeito de eventual fraude, aquele povo que é doutrinado desde criança a odiar Israel, escolheu por vontade própria eleger não um grupo de paz mas de guerra.

Também questionamos o sofrimento dos palestinos, que não são árabes (árabe é uma etnia), mas sim muçulmanos, regidos não por um governo laico e que respeita os direitos humanos de liberdade de crença e religião (como o de Israel é), por exemplo, mas por radicais defensores da Sharia, lei religiosa baseada em interpretações perdidas no tempo do Al Corão, segundo a qual é completamente justificável o apedrejamento de mulheres, a castração feminina, entre outras atrocidades não condizentes com o século que vivemos (eu questionaria em sua essência, independente do tempo), mas não lembramos que o Egito também faz fronteira com a Faixa de Gaza e também as fechou com o mesmo receio de ser usada por terroristas, nem ainda que no processo histórico de criação do estado palestino no pós segunda guerra, nenhum país da região aceitou ceder parte de seu território, ainda que fosse um deserto desabitado, para a criação da Palestina.

Esse conflito, enfim, não tem esperança de fim, afinal, dificilmente dois inimigos aceitariam conviver pacificamente lado a lado, sendo o território da Palestina descontíguo, tendo que, necessariamente, os palestinos passar por Israel para ir de um canto a outro de seu próprio país. Além disso, sob o prisma religioso, é um desejo antigo de uma parcela religiosa do povo judeu de reconstruir o templo de Salomão, no local original, que hoje é ocupado pela 3ª mesquita do mundo em importância para os muçulmanos, palco de peregrinações em caráter mundial, construída em Jerusalém, cidade que nenhum dos dois lados abdicaria.

Seria então o caso de a Palestina, maior prejudicado nessa guerra, abrisse mão do conflito e procurasse soluções pacíficas. Ao invés de elegerem homens de guerra, alçassem ao poder um pacificador. Certamente ganhariam o apoio mundial, e favoreceriam as relações com seu vizinho mais poderoso e do qual dependem tão viceralmente.

Mas, num conflito onde pelo menos um dos lados baseia seus argumentos tão fortemente em torno da religião, é difícil você dizer não a pretensões supostamente legítimas, mesmo que essa batalha aparentemente perdida levasse à vitória na guerra, politicamente pelo reconhecimento do Estado e Nação, pela conquista finalmente do seu território, e pela paz e segurança para sua população.