Perseverança, compromisso e prioridade

E Jesus lhe disse: Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás, é apto para o reino de Deus. – Lucas 9:62

Essa fala de Jesus é a culminação de uma história em que muitos parecem se comprometer com Cristo mas na verdade têm só o impulso inicial, e depois param pelo caminho.

De fato, muitas das histórias que se passaram com o Senhor, ou mesmo que Ele contou, falam da perseverança que todo crente salvo deve vivenciar, como bem lembramos da parábola do semeador (Mateus 13), cujas espécies de terrenos demonstram que tipo de coração possuímos: 1) um coração que não entende a palavra de Deus semeada em nossa vida (semente caída à beira do caminho); 2) um coração que recebe a Palavra com alegria mas não desenvolve perseverança, fraquejando ao primeiro sinal de perseguição (semente plantada em meio às pedras); 3) um coração que recebe a Palavra, e a permite até brotar, mas não consegue produzir frutos, por causa da quantidade de coisas que coloca como prioridade em sua vida na frente das coisas sagradas (semente planta em meio a espinhos); 4) e, por fim, um coração que recebe a Palavra do Senhor e põe em prática, coloca em primeiro lugar em sua vida, que passa então a produzir, a frutificar, a dar resultado de maneira plena e farta.

No caso do texto de Lucas 9, vemos um homem que com intrepidez afirma que seguiria ao Senhor onde quer que Ele fosse, talvez da boca pra fora, talvez para aparecer, ou mesmo por uma razão ingênua e sincera, mas Cristo vem ao seu encontro com uma afirmação que lhe joga um balde de água fria na cabeça: você tem certeza realmente de que irá me seguir onde quer que eu for? Saiba que hoje mesmo não sei onde vou comer ou dormir! Será que você consegue viver uma vida de dependência completa e absoluta de Deus, pois essa é a vida que levo e a vida que proponho.

Em segundo lugar, um homem é chamado a segui-Lo, ao que responde dizendo que necessita atender aos costumes religiosos e morais para com sua família, algo de valor, senão constituísse num mero pretexto. Muitos de nós, como aquele homem, colocamos na frente de Deus muitas coisas que são em si mesmo boas, seriam uma boa “desculpa” se as dirigíssemos em direção a um amigo qualquer, mas não a Jesus. Ele quer prioridade, e o compromisso é baseado em prioridade. No mesmo sentido o próximo homem, que pede primeiro para se despedir dos seus, como se o seguir a Cristo fosse lhe impedir de revê-los, ou coisa parecida. Desculpas, sempre elas, desculpas.

Em outra parábola, para concluir, que temos em Lucas 14, vemos um rei que faz um convite para muitas pessoas para estarem com ele em uma festa, uma solenidade única, ao que todos passam a responder ao mensageiro com toda sorte de desculpas, as quais, isoladamente, não parecem esfarrapadas, mas que quando colocadas em uma balança com o evento para o que tinham sido convidados, vemos que são totalmente fora de propósito e tempo, como: 1) inventariar uma propriedade (como se ela fosse sair dali para outro lugar, ou se perder com um dia de atraso); 2) testar uma junta de bois recém adquiridos (algo que, na verdade, deveria ter sido feito – e provavelmente o foi – antes da compra, e, caso contrário, não seria um dia a mais que faria alguma diferença no negócio); 3) a realidade do casamento (como se a mulher fosse lhe impedir de participar de uma festa, normalmente elas que são as primeiras a quererem participar). O que significa tudo isso? Será que, em plena consciência alguém, tendo recebido um convite para uma festa da realeza, daria esse tipo de desculpa? Ou será que, convenhamos, tudo deve ficar em segundo plano e postergado um pouco para atender aquilo que é realmente mais importante, provavelmente único?

Cristo quando nos fala sobre nossos valores, nosso compromisso e nossas prioridades, nos convida e ao mesmo tempo confronta com o fato de que Ele deve ser a prioridade número um em nossa vida. Se somente fizermos isso, tudo passará a receber a prioridade certa, pois, ao contrário, costumamos dar prioridade às coisas erradas e relegar o importante a segundo plano. Assim o é quando colocamos os negócios à frente da nossa família, e tudo à frente de Deus, e acabamos perdendo negócios, família e sem experimentar tudo de bom que Deus tem preparado para nós. Quando perseveramos em Cristo, desenvolvemos esse sentido correto de prioridade, passamos a ter um relacionamento saudável com os nossos, e isso também impacta diretamente no tipo de profissional que somos em nossas relações no dia a dia.

A minha oração então, hoje, é para que, entendendo essa Palavra de Deus, e a recebendo, possamos dar-lhe a importância devida, e pô-la em prática. Isso não significa que, num passe de mágica, tudo em nossa vida passará a dar certo e os problemas cessarão, apenas que, a pessoa que resolvemos priorizar, Deus, será por nós facilmente encontrada sempre que precisarmos (e sempre precisamos) em todas as outras áreas de nossa vida. O tipo de relacionamento que Cristo espera de nós é aquele baseado em confiança, em perseverança, em compromisso, algo que apenas nasce num dia, mas que deve crescer e amadurecer com a caminhada, uma caminhada que não tem volta, que requer termos um senso correto de prioridade, um caminho que não nos permite ficar parados e acomodados com nosso estado atual, mas lutarmos com Deus ao nosso lado contra nossa própria natureza egoísta e pecadora, sabendo que ao final seremos vencedores.

Deus nos abençoe.

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Más companhias, maus costumes

Não se deixem enganar: “as más companhias corrompem os bons costumes”. – 1 Coríntios 15:33

Recentemente Deus falou comigo sobre as amizades que nós cristãos cultivamos no mundo, sobre a dualidade que existe entre os valores de Deus e o sistema corrompido de valores opostos aos seus a que chamamos mundo, uma realidade não geográfica mas moral e espiritual, e de como, nesse contexto, não devemos nos relacionar em profundidade com pessoas que não possuem o mesmo Deus como Senhor, que não fazem parte da mesma família da fé. Na ocasião Deus me falou através dos textos de Tiago 4:4-5 e 1 João 2:15-17.

Ontem novamente senti Deus falar comigo sobre esse assunto, embora tendo outro “gatilho”, no caso uma pessoa que conheço que já frequentou a igreja e hoje está afastada, e a diferença que eu pude perceber em seu comportamento, em seus valores, até mesmo na maneira de falar, nas palavras e expressões usadas, quando conversei com essa pessoa esses dias.

O texto que Deus me tocou hoje, ontem na verdade, foi o de 1 Coríntios 15:33 que fala sobre as más companhias, como elas promovem uma mudança ruim nos valores, na moral, nos costumes de quem, embora sendo servo do Senhor, deixa-se contaminar, passa a compartilhar (“dividir o pão”) a vida, se relaciona com frequência e intimidade com quem escolheu caminhar longe do Senhor.

Não há no cristianismo a figura do yin-yang taoísta onde há uma parcela de bom no mau, e vice-versa, uma parcela de mau no bom. Somos chamados a ser santos, separados, pois somos filhos de um Deus que é santo, e deseja para sua família os mais altos padrões morais e éticos.

Quando andamos em más companhias, e por más companhias não quero dizer bandidos, ou prostitutas, ou pessoas de má fama, pelo contrário, pode ser seu vizinho ou colega de trabalho, da faculdade ou, pasme, até mesmo da igreja, conforme exortação do apóstolo Paulo em 1 Coríntios 5:9-11, somos vítimas não apenas do falatório, que não é tão importante dentro do contexto da obra sendo feita, de resgate de vidas, mas sim da influência, essa sim que merece nossa atenção e cuidado, que eles mesmos podem exercer sobre nós, um fardo pesado que requer ombros fortalecidos na Palavra do Senhor para conseguir suportar.

Já lhes disse por carta que vocês não devem associar-se com pessoas imorais.
Com isso não me refiro aos imorais deste mundo, nem aos avarentos, aos ladrões ou aos idólatras. Se assim fosse, vocês precisariam sair deste mundo.
Mas agora estou lhes escrevendo que não devem associar-se com qualquer que, dizendo-se irmão, seja imoral, avarento, idólatra, caluniador, alcoólatra ou ladrão. Com tais pessoas vocês nem devem comer. – 1 Coríntios 5:9-11

Devemos ser sal e luz nesta terra (Mateus 5:13-14), então Deus não quer que nos isolemos das pessoas perdidas, sobre as quais devemos exercer nossa influência positiva para que elas mesmas entendam o amor de Deus por elas, e os valores eternos do reino, de modo que sejam salvas e venham com isso a abandonar paulatinamente seus vícios e pecados. Isso requer de nós interação e apoio. Muitas vezes doação de tempo e estarmos presente em ocasiões especiais em suas vidas. Mas não nos obriga a partilharmos de ambientes, locais e situações que podem comprometer nosso testemunho, fazer tropeçar um irmão mais fraco na fé, ou ao invés de causar-lhes uma boa influência, poderá nos fazer desviar do caminho nós mesmos.

É realmente uma dificuldade conciliar a tarefa de pregar a Palavra sem preconceito sem se deixar contaminar pelos valores morais corrompidos, como Jesus fez por exemplo, que preferia a companhia dos mais rejeitados socialmente falando, prostitutas e bandidos mesmo, coisa que dificilmente conseguiríamos fazer sem sofrer algum tipo de consequência no mínimo de reprovação social, ou de cunho vexatório.

No entanto, a Palavra mais de uma vez é clara com relação a esse assunto, afirmando, por exemplo, que feliz é o homem que não anda conforme o conselho dos ímpios, não se detém no caminho de pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores, antes o seu prazer está na Lei do Senhor, Lei na qual medita durante todo o dia (Salmos 1). Quando damos ouvidos aos conselhos daqueles que não confiam em Deus, somos instigados a confiar mais em nós mesmos e depender menos do Pai; quando caminhamos diariamente com amigos cujos padrões morais, comportamentais, sociais diferem muito dos nossos enquanto cristãos, somos pouco a pouco anestesiados com relação a seus desvalores, a suas posições contrárias à vontade do Pai; quando sentamos numa roda onde o assunto dificilmente passará longe de futilidades, entrando normalmente por pecados como a fofoca e imoralidade, seremos coniventes com tudo aquilo que está sendo dito ou feito, passaremos a considerar como normal aquele tipo de conversa, de atitude, de ação, e cedo ou tarde estaremos tão parecidos com os demais que o mundo já não conseguirá enxergar em nós a luz de Cristo que deveria estar brilhando, o sal terá perdido o seu sabor e não prestará para nada.

A minha oração hoje não é pedindo a Deus para que nos retire do mundo, mas para que nos dê fé suficiente e prática de modo a impactarmos nossos amigos que não entregaram ainda suas vidas a Cristo, não nos deixando contaminar no caminho, permitindo que sejamos nós a fonte de influência e não eles, pois estaremos sempre em menor número e as pressões sociais tendem a produzir em nós um constrangimento de nos levar a repetir os mesmos padrões de comportamento, palavras, e valores que não glorificam ao Pai que eles possuem. É uma tarefa árdua mas possível.

Deus nos abençoe.

Cristo no lado de fora da porta

Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo.
Aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas. – Apocalipse 3:20,22

Ao lermos os 3 primeiros capítulos de Apocalipse, somos confrontados com as cartas que Jesus enviou às igrejas da Ásia Menor, região da Turquia de hoje, como mencionei antes, então não deixa de causar uma certa surpresa e, posteriormente, angústia ao saber que Jesus não está dentro de casa, está do lado de fora batendo, incessantemente, insistindo para que alguém Lhe abra a porta.

Sim. Esse texto, muito usado para evangelizar os perdidos, aqueles que não receberam ainda a Jesus como Senhor e Salvador de suas vidas é na verdade um chamado ao arrependimento dos de dentro, pois é direcionado não ao mundo mas à Igreja. Jesus ontem e hoje diz para sua noiva, a Igreja: arrependa-se! Volte-se para mim e volte para mim, venha ao meu encontro, case-se comigo e vamos morar juntos, não me deixe esperando no altar, não me deixe aqui do lado de fora enquanto você mantem relações incestuosas com terceiros que não lhe querem bem. Somente eu dei minha vida por você!

O texto é bem claro, se alguém ouvir, ou seja, boa parte das pessoas infelizmente está surda à voz de Deus e não consegue mais ouvir uma forte pancada na porta. É, porque Jesus não está sussurrando, Ele está batendo na porta com força, quase forçando a entrada mas não, Ele espera ser convidado a entrar, a participar da nossa vida, da nossa história, do nosso dia a dia, das coisas importantes tanto quanto das banais, como um familiar, como um amigo.

Vemos ao final do capítulo o aviso: aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas. O estilo literário dos judeus mais uma vez pode ser visto aqui quando, por meio da repetição dessas palavras no decorrer do texto, temos a ênfase necessária da mensagem, o caráter de urgência e importância. É como se Jesus gritasse nos alertando, nos avisando de um perigo iminente, grave e real. Não é brincadeira. Aquele que tem ouvidos, mas não ouvidos físicos e sim a sensibilidade da alma e do espírito para ouvir a voz de Deus, a voz de Cristo à porta nos chamando, nos convidando, e desejando a reciprocidade da oferta. É Jesus quem fala através do seu Espírito, e o destinatário da mensagem é a igreja, eu e você que temos a Deus por Pai e a Jesus como Senhor e ao Espírito Santo como guia e consolador. Resta saber o que iremos responder, se iremos convidá-lo a entrar e cear conosco, ou se o deixaremos batendo do lado de fora até que se canse e vá embora. A responsabilidade de convidá-lo a morar em nosso lar, em nossa casa e coração é nossa!

Purgatório? Não!

Em que pese a crença católica, que respeito embora não concorde, na possibilidade de redenção por meio da purgação de pecados, isso não pode ser verdade por diversas razões.

A primeira porque baseia-se em doutrina contida em livros apócrifos, que renderiam uma tese própria, que não pertencem ao canon dos livros veterotestamentários seguido pelos judeus entre os quais o próprio Jesus, e de origem e autoria duvidosas.

A segunda porque vai de encontro ao sacrifício de Jesus que é único, último e suficiente.

Se não for suficiente, se couber a necessidade de purgação de pecados pelo pecador ou por terceiros em seu favor já não se fazia necessário o sacrifício de Cristo, conforme Efésios 2:8,9, Gálatas 2, especialmente versos 16 e 21, e de fato somente o sacrifício de Cristo era e é aceitável, porque se o nosso fosse minimamente aceitável bastava a lei e não precisava Cristo ter entregue sua vida, conforme Efésios 1:7, Romanos 6, 8, etc.

Além disso, em interpretação sistemática com outros textos da própria Palavra, em especial com os ensinos de Jesus no novo testamento, vemos que quando morremos vamos a um lugar de descanso, se salvos, ou já começamos a pagar nossa pena, conforme Lucas 16:19-31 (passagem sobre o rico e o Lázaro, que por não ser uma parábola não se trata de alegoria, ou metáfora, mas da realidade que cada um de nós haverá de enfrentar) e ainda Mateus 25:31-46, Apocalipse 21:7,8 e diversos outros textos que confirmam a nós cristãos aquilo que os judeus já criam (e continuam crendo), ou seja, a existência de céu e inferno, não um meio termo.

A única “etapa intermediária” que muitos teólogos divergem é essa do texto de Lucas 16, já que na verdade o Seio de Abraão, lugar dos salvos, seria “ato preparatório” para os novos céus, a nova Jerusalém onde Cristo está preparando lugar para nós, conforme João 14:2, enquanto o de sofrimento do rico, não seria o purgatório, pois ele já estaria condenado, mas o seol, ou sheol, conforme os judeus, ou hades conforme os gregos, que também é lugar intermediário mas não para purgar pecados, mas para aguardar o juízo final onde o próprio inferno será lançado no lago de fogo e enxofre onde o sofrimento será eterno, conforme Apocalipse 20:10-15, em consonância com Mateus 13:50.

A nossa chance é aqui e agora, ou a gente se arrepende e se converte ou iremos padecer eternamente por termos desprezado o sacrifício de Cristo.

A paz!

Primeiro amor

Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. – Apocalipse 2:4

Jesus elogia a igreja de Éfeso por suas obras, sua dedicação, sua integridade, caráter, mas tem algo que deixou a desejar, eles haviam abandonado o primeiro amor.

Estar apaixonado é uma sensação interessante. Nossos corações batem apressadamente, nossas mãos ficam bulinando umas nas outras suando frio, borboletas no estômago só pela antecipação de ver aquela pessoa alvo do nosso sentimento.

Era com isso em mente que creio que Cristo se referia quando escreveu à igreja em Éfeso, a “noiva” já não estava mais apaixonada por seu noivo, o relacionamento meio que caiu em monotonia, já não havia mais espaço para a novidade, o sabor do vinho novo, tudo havia se tornado em rotina, em mero automatismo religioso sem entendimento, sem verdadeiro relacionamento.

Será que nós também não estamos sendo afetados pela rotina em nossa prática cristã? Será que nosso relacionamento com Deus não está apenas morno, ou pior, frio? Será que aquela paixão que sentíamos por nosso Senhor não ficou para trás, como fotografia em preto e branco que marcou em instantâneo um momento passado e que não volta mais?

O convite de Jesus hoje é para voltarmos ao primeiro amor, nos apaixonarmos novamente por Ele, desfrutarmos da sua doce presença por meio do Espírito Santo que habita em nós, cultivarmos essa paixão, esse relacionamento de ansiedade gostosa, de cuidado, de carinho, de olhar no olho do outro sem conseguir desgrudar, contando os minutos para rever um ao outro.

Ele sempre está assim, continua apaixonado por nós mesmo após tanto o trairmos. Apesar disso ainda hoje Ele nos chama, nos estende a mão para que voltemos aos seus braços de amor.

Oportunidades desperdiçadas

Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo. – Apocalipse 3:20

Não sei quanto a vocês, mas eu já perdi inúmeras oportunidades em minha vida, muitas das quais ainda hoje me arrependo, tenha sido em razão de medo, timidez, orgulho pessoal, “timing” errado, ou alguma outra causa diretamente sob meu controle.

Sim, porque não adianta chorar o leite derramado por coisas que fugiram ao nosso controle, assim, se eu perdi supostas oportunidades em razão de terceiros, paciência, mas se perdi por burrice ou preguiça, por exemplo, não devo culpar a ninguém senão a mim mesmo.

Lembro que quando estava ainda no começo da faculdade de Informática, lá pelos idos de 1998, ou cerca de um ano, um ano e meio antes de estrearem sítios de comparação de preços entre as, à época, incipientes lojas de informática da ainda nova Internet brasileira, como por exemplo o Buscapé e o Bondfaro, eu e um colega meu fizemos um protótipo parcialmente operacional de um mecanismo de busca e comparação de preços em diversas lojas virtuais que existiam para um trabalho de uma disciplina da faculdade, o qual foi bastante elogiado pelo professor pela inovação e qualidade.

No entanto o trabalho permaneceu assim, apenas um protótipo e nunca foi ao ar.

Pouco tempo depois estrearam esses dois sítios, e eu cheguei a comentar com meu colega sobre o nosso trabalho e como eles eram parecidos com a idéia que nós tivemos, mas também não fizemos nada a respeito e ficou por isso mesmo.

Alguns anos depois, um dos sítios foi vendido por alguns milhões de reais, e minha oportunidade de ficar rico permaneceu como uma mera lembrança.

Todos perdemos oportunidades em nossas vidas, isso infelizmente é um fato do qual não temos de que nos orgulhar, e por mais que nos esforcemos contra, vez ou outra seremos vítimas do “destino”, de nós mesmos sejamos bem francos.

Lembro de pelo menos duas vezes ter ficado a fim de alguma garota na época da faculdade, e ela de mim, concometantemente, e no entanto nunca rolou nada entre nós, só depois de muito tempo, quando ambos já não sentíamos nada um pelo outro, é que ficamos sabendo, sem ter nada mais a fazer senão lamentar.

Isso pra não dizer de casos em que eu fiquei a fim de alguém e a pessoa nada, e tempos depois me vi em situação inversa, a pessoa a fim de mim e eu nada.

Eu costumo dizer que todos somos presenteados com oportunidades, uns mais do que outros, umas melhores, outras piores, e as vezes aparece para nós a oportunidade de uma vida, seja em que sentido for, e é melhor estarmos preparados, de olhos e ouvidos bem abertos para  identificá-la como tal, agarrar essa oportunidade com unhas e dentes, não deixá-la escapar, para não nos lamentarmos posteriormente e para o resto da vida.

Com relação a oportunidades uma das coisas que ao mesmo tempo me causa surpresa, espanto e tristeza é como as pessoas desperdiçam as oportunidades de um relacionamento com Deus.

É, porque seja dentro ou fora de um ambiente religioso, as vezes fazemos pouco caso do sacrifício de Jesus na cruz ao dizermos “agora não, talvez mais tarde”, não queremos um compromisso, nada sério, pensamos que Deus é alguém que vai cortar o nosso barato e não queremos “perder a nossa juventude”, como se desfrutar de um relacionamento com o Pai fosse perder alguma coisa e não ganhar, na verdade.

Tomamos essa oportunidade como eterna, como se a porta sempre fosse ficar aberta para nos relacionarmos com Deus, nos esquecendo que se Cristo hoje bate à nossa porta esperando que nós abramos, sua imensa paciência um dia pode se esgotar, como na parábola das virgens loucas (Mateus 25:1-13) em que aquelas que não responderam por não estarem preparadas, por não reconhecerem a relevância, a importância daquela oportunidade, acabaram ficando de fora do casamento, sozinhas, amargando a escuridão.

Buscai ao SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. – Isaías 55:6

Deus hoje nos oferece a oportunidade de nossas vidas, oportunidade de voltar de onde quer que estejamos para os seus braços de amor, para recebermos o seu perdão, o seu conforto, a sua amizade.

Será que temos desperdiçado também essa oportunidade?

Não sejamos loucos nem desprevenidos, ou como diz as Escrituras no livro de Hebreus, se hoje ouvirmos a voz de Deus não devemos endurecer os nossos corações como na época do Faraó do Egito e do povo que caminhou pelo deserto, antes, abramos com diligência a porta e convidemos a Jesus para entrar e cear conosco, ocupando o lugar principal da mesa, de modo que possamos ouvi-Lo falar de maneira pessoal e íntima ao nosso coração.

A minha oração hoje, com base em tudo acima, é que a gente possa aproveitar as boas oportunidades que a vida, Deus, nos dá a cada dia, das quais a principal é um relacionamento de intimidade consigo por meio de seu Filho Jesus.

Deus nos abençoe.

Pessach

Eis que, quando nós entrarmos na terra, atarás este cordão de fio de escarlata à janela por onde nos fizeste descer; e recolherás em casa contigo a teu pai, e a tua mãe, e a teus irmãos e a toda a família de teu pai.
Será, pois, que qualquer que sair fora da porta da tua casa, o seu sangue será sobre a sua cabeça, e nós seremos inocentes; mas qualquer que estiver contigo, em casa, o seu sangue seja sobre a nossa cabeça, se alguém nele puser mão.
Porém, se tu denunciares este nosso negócio, seremos desobrigados do juramento que nos fizeste jurar.
E ela disse: Conforme as vossas palavras, assim seja. Então os despediu; e eles se foram; e ela atou o cordão de escarlata à janela. – Josué 2:18-21

Páscoa origina-se do “pessach” judaico, celebração da libertação do povo hebreu da escravidão do Egito por Jeová, onde um cordeiro fora imolado e seu sangue espargido nos umbrais de cada porta por onde passaria o anjo da morte que daria cabo da 10a praga, a matança dos primogênitos, matança que permitiu finalmente o povo ser despedido após a dor chegar na casa do próprio faraó.

Assim como no “pessach” o anjo passaria por sobre a casa marcada pelo sangue, também o exército de Israel passou ao largo da casa de Raabe que resolveu confiar em um Deus que não conhecia pessoalmente, pois sua cidade, Jericó, adorava os deuses dos cananeus, confiar em um Deus estrangeiro, desconhecido senão por ter livrado um povo que escolheu como seu do faraó do Egito, um mero homem que se auto-intitulava deus, um Deus que abriu o mar Vermelho e controlava as forças da natureza pois Ele mesmo as criara. Que deus seria então como o Deus de Israel?

Muitos anos depois outro cordeiro seria imolado, por causa de seu sangue então o anjo da morte novamente passa ao lado sem tocar naqueles por ele marcados. O sangue do cordeiro pascoal, Jesus Cristo, Filho do Deus altíssimo, é o preço pago em nosso resgate, lavou-nos do pecado e selou-nos como povo de propriedade exclusiva do Pai.

Uma vez na história um povo foi liberto pelo sangue, outra vez a história de repete, dessa vez de forma definitiva, não apenas o povo de Israel mas um povo que se chama pelo nome do Senhor, uma igreja formada de homens e mulheres imperfeitos, pecadores chamados para serem santos, separados de todos os povos, tribos, línguas e nações.

Faça como o povo de Israel no Egito, aceite o sangue do cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo em sua vida. Como Raabe, confie em um Deus que talvez você não conheça direito, alguém de quem você apenas ouviu falar, sabendo que Ele foi fiel para aquele povo, para aquelas pessoas, e permanecerá sendo fiel a nós também.

Faça isso hoje. Que a “pessach” também signifique passagem para você hoje, a passagem de uma vida de escravo do pecado, para filho liberto, de alguém sem esperança vivendo num mundo vazio e corrompido, para um novo homem que foi adotado pelo próprio Deus, o Deus que ofereceu seu Filho na cruz do Calvário por mim e por você.

Deus nos abençoe.