A obediência como sinal da confiança

E o Senhor disse a Moisés: “Pegue a vara, e com o seu irmão Arão reúna a comunidade e diante desta fale àquela rocha, e ela verterá água.
Vocês tirarão água da rocha para a comunidade e os rebanhos beberem”.
Então Moisés pegou a vara que estava diante do Senhor, como este lhe havia ordenado.
Moisés e Arão reuniram a assembleia em frente da rocha, e Moisés disse: “Escutem, rebeldes, será que teremos que tirar água desta rocha para lhes dar?”
Então Moisés ergueu o braço e bateu na rocha duas vezes com a vara. Jorrou água, e a comunidade e os rebanhos beberam.
O Senhor, porém, disse a Moisés e a Arão: “Como vocês não confiaram em mim para honrar minha santidade à vista dos israelitas, vocês não conduzirão esta comunidade para a terra que lhes dou”. – Números 20:7-12

A desobediência nem sempre é decorrência clara de um ato de rebelião.

No caso de Moisés, Deus lhe confronta dizendo que ele não havia confiado no Senhor, e isso é válido para nós também hoje em dia que alegamos que não somos rebeldes, que obedecemos a sua vontade, mas na verdade tentamos fazer a sua vontade da nossa própria maneira, o que significa que não confiamos no seu plano original, na sua forma, enfim, na sua vontade, já que fazer “a vontade de Deus” no nosso tempo e não no seu, ou à nossa maneira e não à sua, é, de fato, fazer a nossa vontade e não a dEle.

Curiosamente, se prestarmos bastante atenção ao texto, vemos que Moisés chama o povo de rebelde, e na mesma “cena”, na mesma ocasião, ele igualmente age com rebeldia, e isso nos ensina que ninguém está imune a cair, todos estão aptos a se rebelar um ou outra vez contra o Senhor, ninguém em absoluto é perfeito, e que, por melhor que seja o servo, por mais amado que seja o filho (e somos todos amados por Deus), a rebeldia, seja qual for a sua faceta, mesmo que (como se isso justificasse ou amenizasse alguma coisa) se reflita em falta de confiança, esse ato trará sérias consequências, no caso de Moisés perda da benção de entrar na terra prometida, no nosso caso perda de outras bençãos, incluindo a maior delas que é a comunhão com Deus, abalada momentaneamente por esse pecado, embora Ele mesmo voluntariamente busque sempre a comunhão conosco, apesar de nossa infidelidade e rebeldia.

Um segundo aspecto que percebemos no texto é que Moisés, ao bater na rocha ao invés de falar com ela como o Senhor ordenara, muda o foco do milagre, de ser proveniente da ação benevolente de um Deus amoroso, para uma ação de um mero homem em resposta à rebeldia do povo.

Ora, Moisés por conta própria nunca poderia realizar o milagre, e nós igualmente não, já que tanto ele quanto nós “somente” podemos ser meros instrumentos nas mãos de Deus, se obedecermos, se confiarmos, o que, convenhamos, já é um imenso privilégio.

Além disso, como Deus mesmo fala a Moisés, eles (ele e Arão, seu irmão) perderam a oportunidade de testemunhar da santidade, honrar a beneficência e fidelidade de Deus em meio ao povo que, rebelde, poderia reconhecer o seu pecado e converter-se de seus maus caminhos, ou seja, pecaram duas vezes com um só ato de “desconfiança”.

A minha oração hoje é para que paremos de fazer a nossa vontade disfarçada em “vontade de Deus” e aceitemos de bom grado obedecê-lo, fazer sua vontade que é boa, agradável e perfeita (Romanos 12:2), por mais que não a compreendamos, por mais que tenhamos uma fé pequena em acreditar em seu resultado, por mais que confiemos mais como um ato de obediência do que de fé muitas vezes.

Deus nos abençoe.

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Na política, nem milagre

Vocês cobiçam coisas, e não as têm; matam e invejam, mas não conseguem obter o que desejam. Vocês vivem a lutar e a fazer guerras. Não têm, porque não pedem.
Quando pedem, não recebem, pois pedem por motivos errados, para gastar em seus prazeres. – Tiago 4:2-3

Lendo notícias sobre evangélicos orando pedindo que Deus tirasse o PSDB do governo de São Paulo, lembrei-me da minha própria oração para que Deus tirasse o PT do governo da nação.

Egoístas, é isso que somos quando pedimos para Deus fazer a vontade dele desde que essa vontade seja igual a nossa, quando pensamos primeiro no nosso bolso, no nosso estômago, e não no bem estar coletivo, da sociedade brasileira como um todo.

Ainda bem que Deus não responde muitas das nossas orações, imagine se Ele tivesse obrigação (como muitos acham e outros tantos fazem crer) de responder positivamente todas e cada uma de nossas orações, especialmente nesse período eleitoral?

Teríamos não 513 deputados federais, e sim alguns milhares, e possivelmente nenhum presidente, seria uma anarquia, pois todos são em alguma medida bons e ruins, e cada um tem seu séquito clamando cada um a sua divindade ou santo protetor (e muitos ao próprio Deus mesmo) que seja o seu candidato o escolhido, e não o outro.

Por essa e por outra, antes de orarmos para Deus abençoar A ou B, deveríamos ser mais cidadãos, pois de bons cidadãos Deus pode fazer muito pela nação, que o diga os exemplos bíblicos entre os quais Neemias, usado por Deus para restaurar os muros de Jerusalém e fazer tornar o povo do exílio, ou Moisés, que tirou o povo de Deus do Egito, ou Samuel, que liderou o processo de escolha do primeiro rei de Israel, ou tantos outros casos, agora se somos todos um bando de corruptos egoístas, “nem milagre” resolve essa situação…

4 verdades em 1 João 5

Escrevi-lhes estas coisas, a vocês que crêem no nome do Filho de Deus, para que vocês saibam que têm a vida eterna.
Esta é a confiança que temos ao nos aproximarmos de Deus: se pedirmos alguma coisa de acordo com a sua vontade, ele nos ouve.
E se sabemos que ele nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que temos o que dele pedimos. – 1 João 5:13-15

Texto tão pequeno da Palavra que nos traz tão preciosas verdades:

  1. Nós, os que cremos em Jesus, temos a vida eterna. Não é pouca coisa. De fato, é a coisa mais preciosa que um ser humano poderia desejar. E somente nós os que creem, pois fora de Cristo não há salvação nem vida eterna.
  2. Podemos nos aproximar de Deus. Deus não é um deus distante, um ente metafísico impessoal que não se importa conosco, nem um deus mau que se ausentou do mundo. Não! Ele, de fato, deseja que nós O busquemos e nos acheguemos a Ele com coragem e ousadia! Ele é bem presente em TODOS os momentos da nossa vida, mas especialmente na hora da angústia e da aflição, pronto a nos socorrer sempre que gritarmos por auxílio.
  3. Não precisamos tentar manipular a Deus como os pagãos fazem com seus “deuses”, mediante sacrifícios de animais ou mesmo pessoais, com dinheiro, comida ou outra coisa. De fato, a única coisa que precisamos fazer é pedir pois Deus é pai e tem prazer em fazer e dar coisas boas a seus filhos. O único “requisito” é que esteja de acordo com a sua vontade, e isso não é algo ruim nem inalcançável, uma vez que sua própria Palavra diz que ela é boa, agradável e perfeita, e não apenas para o Pai, em seus planos e propósitos eternos, nem para a humanidade de modo geral, mas individualmente para mim e você!
  4. Não precisamos passar por A, B ou C para nos achegarmos a Deus. Ninguém tem maior influência com Deus entre nós homens que faça com que precisemos de pastores, padres, rezadeiras ou um irmão de fé, “do fogo”, porque não é porque fulano ou beltrano é mais “poderoso” que eu que minha oração deixará de ser ouvida enquanto a dele será. Não! Esse é outro conceito pagão que Deus desencoraja veementemente quando nos diz para irmos diretamente a Ele, por meio de seu Filho. Somente Jesus nos reconciliou, somente Ele abriu as portas, Deus nos ama porque amou seu Filho e porque nós também O amamos, então nenhum “santo” ou figura histórica tem o poder ou a necessidade de interceder a nosso favor perante Deus, como se Deus fosse alguém que precisasse ser convencido para agir, como se Ele fosse difícil de estender o seu favor aos homens, ou mesmo como se fosse surdo ou ocupado demais para nos ouvir ou atender. De fato, se você pensa assim de Deus, que deus é esse que você está crendo? Porque certamente não é o Deus das Escrituras, o Deus que nos amou tão profundamente a ponto de enviar seu único Filho para morrer em nosso lugar! Deus é onipotente, onisciente e onipresente, e não apenas isso, SÓ ELE tem esses atributos! Ninguém mais. Será que você consegue entender isso em sua profundidade? Será que você pode crer nisso?!

Escravos

O homem é sempre um escravo.

Não escolheu nem pediu pra nascer, nem quando, nem onde, nem porque, nem como, de que pais, família, nacionalidade…

Daí, de sua própria genética, de Adão, recebeu o pecado que o aprisiona, por mais que empine o nariz e diga ser livre, revolta-se contra Deus, mas não conseguiria nunca, por si só salvar-se, afastar-se dessa carga genética maldita, essa inclinação para o mal que todo ser humano traz dentro de si desde o ventre de sua mãe e que dela só se desapega na cova, ao partir desta para a melhor (ou não).

E se dizemos ser donos de nossos próprios narizes nos enganamos, pois não conseguimos vencer o vício do cigarro, da bebida, do sexo, da necessidade de autoafirmação, de autodeterminação, do egoísmo que nos separa em classes diferentes de pessoas que já não sabem ser a mesma gente, ser sequer gente.

E então Deus na sua infinita bondade resolve se inclinar para a criatura que criou e que O dispensou, renegou sua origem, e comprá-la do diabo, das amarras de sua própria carne, e oferece em seu lugar o seu Filho, seu único Filho, Jesus, o único que possuía uma outra natureza, uma outra genética, em nosso resgate.

Somos então comprados e de servos do pecado tornamos-nos servos de Deus, e servo não possui vontade própria.

Se antes dizíamos ou pensávamos seguir nossa própria vontade e interesses mas na verdade éramos escravos do pecado que brotava da nossa pele e coração, agora devemos obediência a esse Deus que nos amou, mas que nos oferece uma inédita escolha.

Como os escravos antigos que voluntariamente serviam seus senhores após o término de seu período de servidão, também furamos nossas orelhas em sinal de que voluntariamente o servimos, quase uma redundância ou mesmo uma contradição um escravo comprado e alforriado decidir permanecer servindo ao seu Senhor, mas é assim mesmo, antes voluntariamente e em gratidão O servirmos do que, sob a pretensa sensação de liberdade voltarmos cegamente aos grilhões de nosso pretérito senhor, a morte.

Mas Deus não é qualquer senhor, Ele não nos traz acorrentados ao qual obedecemos mediante coação e medo.

Ele nos tange como ovelhas de seu aprisco, chamando-nos pelo nome, guiando-nos mansamente à águas tranquilas onde teremos repouso e alimento, ainda que, no caminho, precise eventualmente intervir com sua vara e cajado para corrigir nosso comportamento ou o rumo que decidimos seguir, evitando que caiamos em abismos ou nos percamos do destino que Ele mesmo nos preparou, as moradas celestiais.