Porque creio em Adão e Eva

Recentemente vi um vídeo onde uma adepta do espiritismo em tom de chacota pergunta a um padre se ele acreditava em Adão e Eva, primeiros humanos criados por Deus segundo a narrativa bíblica do Gênesis, como se por essa narrativa a Bíblia perdesse a sua credibilidade, como se fosse impossível ter havido dois seres criados da forma que a Palavra de Deus narra.

O padre respondeu que cria que a narrativa de Adão e Eva, como aliás a parte inicial do Gênesis, no relato da criação, tratava-se não de descrição literal da criação do universo, mas uma alegoria do processo através do qual Deus criou todas as coisas, uma forma pela qual Deus explicou de modo simplificado aos homens pela revelação de uma maneira que eles, que não possuíam uma capacidade desenvolvida de ciência, astronomia, física entre outras, pudessem entender, como uma pedagogia em que um adulto tenta explicar algo extremamente complexo para uma criança de modo que lhe satisfaça pelo menos parcialmente a curiosidade, mas que não irá expô-la desnecessariamente a crises intelectuais que não terá condição de assimilar e lidar.

Para tanto lembrou bem os termos “ish”/”isha” que no hebraico significam Adão e Eva, e podem também ser traduzidos por homem/mulher, ou seja, ao invés de serem nomes próprios de dois indivíduos recém criados por Deus, significavam um coletivo, como o gênero masculino e o feminino, e, segundo ele, para os judeus antigos o relato da criação era entendido dessa forma, de modo alegórico e não literal.

É verdade que existe essa corrente teológica séria, a qual muitos pastores evangélicos também acreditam.

Não é uma posição esdrúxula, por assim dizer, embora talvez não seja majoritária.

No entanto, existem pelo menos três razões que me fazem, pessoalmente, crer que Deus criou efetivamente Adão e Eva da maneira como descrita no Gênesis, e não apenas eles, mas todo o universo, da exata maneira como ali descrita, não sendo portanto um mito ou uma alegoria, mas a realidade das coisas como elas aconteceram:

  1. O evangelista Lucas, ao trazer o relato da genealogia de Cristo, diferentemente de Mateus que vai somente até Abraão, pai do povo judeu, por razões e público alvos diferentes, vai além, indo até Adão.
    Ora, não faz sentido haver genealogias de pessoas mitológicas, especialmente quando se consegue, partindo-se de um descendente em particular, e subindo na árvore genealógica, chegar até ao patriarca, a quem começou tal linhagem.
    Assim vemos na genealogia de Adão descrita em Gênesis 5, e da mesma forma em Lucas 3.
    Ademais, Lucas era além de médico, historiador, e como tal usou de método científico, na medida do conhecimento da época, para examinar de maneira exaustiva como tudo relacionado à vida de Jesus tinha acontecido (conforme descrito em Atos 1), de modo a dar respaldo ao seu relato, ele foi fiel ao conhecimento histórico, citando lugares, contextos, personagens políticos, enfim, não faz sentido supor que ele usou de tamanho rigor em todo seu texto do evangelho e da carta de Atos dos apóstolos mas deixou de lado na hora de citar a genealogia de Jesus que segue até Adão, e de Adão a Deus, tendo usado de mitologia ao invés de parâmetros e fatos historicamente comprováveis e verificáveis por seus leitores, especialmente pelos judeus da época que conheciam bem de linhagens e genealogias, ao ponto de brigarem por esse tipo de assunto (Tito 3:9).
  2. O apóstolo Paulo, maior teólogo do Novo Testamento, cita Adão por diversas vezes não como uma figura mitológica mas como um ser real, e não apenas isso, como uma pessoa, um indivíduo, criado por Deus, por meio de quem entrou o pecado no mundo, o que corrobora o texto do Gênesis, que de fato era o que os judeus, ao menos os religiosos (o que na época era a maioria), acreditavam.
    Como exemplo dessa afirmação vemos os textos de 1 Timóteo 2:13 e 14, 1º Coríntios 15:22 e 45, Romanos 5:14, etc.
    Paulo estudou sob o mais importante e renomado rabino de seu tempo, Gamaliel, então fosse o caso de ser apenas um mito ou de ter sido empregado por Deus como uma alegoria ou metáfora ou algo do gênero, certamente Paulo faria menção a isso.
    Além disso, apesar do desenvolvimento literário e teológico em Moisés, escritor do Gênesis, não ser tão evoluído, em diversas passagens vê-se construções como figuras de linguagem, como aliterações, hipérboles e outras sendo utilizadas para suprir deficiências da própria linguagem como, por exemplo, pela falta do superlativo, onde o mesmo verbo era repetido, ou a estrutura gramatical usava desse tipo de construção, além da própria narrativa repetida, garantindo a ênfase que não poderia ser dada pela falta de um negrito, por exemplo.
    Não apenas isso, mas em Paulo já vemos, milhares de anos depois de Moisés, um verdadeiro estilo literário, com construções complexas que a própria língua grega permitia, ausentes no hebraico e aramaico do Velho Testamento.
    Isso depõe a favor da existência de Adão como pessoa ao invés de mito.
  3. A possibilidade ou melhor a capacidade de Deus ter criado todas as coisas como descrito no Gênesis.
    Creio que se Deus pôde se encarnar em Jesus Cristo, ter vindo ao mundo, morrido por nossas transgressões, ressuscitado ao terceiro dia, sem contar a vida e obra nesta terra, os muitos milagres que realizou por seu Filho, a obra que em mim opera e em todos os crentes em todas as épocas, passadas, presentes e vindouras, e como bem diz a Palavra nada é impossível para Deus (Lucas 1:37), não creio que seja mais difícil para Deus formar o universo, ter criado as dimensões que existem inclusive o tempo, as leis da física que regulam a natureza e os corpos celestes, ter desenhado o ser humano e os animais e tudo mais que há de vivo.
    Aliás, na narrativa bíblica, o relato da criação “ex nihilo” do Gênesis é provavelmente o menor dos “absurdos” e dos “impossíveis” que Deus se encarregou de realizar porque quis, porque achou por bem fazer, porque desejou, porque viu que era bom (Gênesis 1:31), porque tinha a capacidade, o poder, o intelecto para fazer.

Enfim, não é que seja um assunto tão relevante ao ponto de que, se crido de outra forma, e existem várias formas possíveis e intelectualmente aceitáveis de compreender, teologicamente falando, a narrativa da criação, seria uma heresia ou blasfêmia, embora não seja também irrelevante, até porque se está na Bíblia tem o seu valor, inclusive porque aqui está descrita também a queda do homem com a introdução do pecado no mundo, e minha fé não seria particularmente diminuída ou afetada se Deus viesse a revelar, um dia, quando O encontrar nas moradas celestiais, que toda essa história era apenas uma metáfora para me ensinar a caminhar com Ele e me relacionar com Ele fugindo do pecado, penso que se Jesus cria no Gênesis, e tudo indica que creu, e Ele era Deus, afora os demais argumentos que coloquei acima, são razões suficientes para acreditar que realmente as coisas aconteceram dessa forma, e não é nada absurdo se olharmos as possíveis explicações, inclusive as supostamente científicas (embora a Bíblia não seja um texto científico).

Anúncios

Ló, a misericórdia de Deus e a hospitalidade

E vieram os dois anjos a Sodoma à tarde, e estava Ló assentado à porta de Sodoma; e vendo-os Ló, levantou-se ao seu encontro e inclinou-se com o rosto à terra; e disse: eis agora, meus senhores, entrai, peço-vos, em casa de vosso servo, e passai nela a noite, e lavai os vossos pés; e de madrugada vos levantareis e ireis vosso caminho.
E eles disseram: Não, antes na rua passaremos a noite.
E porfiou com eles muito, e vieram com ele, e entraram em sua casa; e fez-lhes banquete, e cozeu bolos sem levedura, e comeram. – Gênesis 19:1-3

Pensando aqui com meus botões sobre a história de Ló, Deus avisou a Abraão que destruiria Sodoma e Gomorra, cidades principais de uma planície próximo ao mar Mediterrâneo, conhecidos pela vileza de seus habitantes, e esse capítulo 19 começa com uma atitude de hospitalidade por parte de Ló que é muito parecida com aquela de seu tio Abraão descrita no capítulo anterior (18).

A hospitalidade verdadeiramente é um dom de Deus e dificilmente alguém poderia ser hospitaleiro sem ter um mínimo de amor divino em seu coração, pois a hospitalidade requer desprendimento, altruísmo, compaixão, marcas de um coração afetado por tão grande amor.

De fato, Ló em seu relacionamento com Deus difere completamente dos habitantes daquela cidade, no que vemos por duas vezes nesse próprio capítulo: 1) os homens dali, impiedosos, maus, queriam que Ló entregasse aqueles homens que ele havia hospedado em sua casa, e que na verdade eram anjos, para que eles, o povo da cidade, os estuprasse e fizesse toda sorte de abominações para com os anjos; 2) Ló, avisado pelos anjos que a cidade seria destruída ainda tentou alertar os seus futuros genros, prometidos em casamento às suas duas filhas, mas eles o ignoraram solenemente, que o tomaram com louco, como um velho gagá.

Deus poupou Ló por causa de seu tio Abraão, que insistiu consigo no texto do capítulo 18, em curiosa demonstração de quanto a intimidade do homem-criatura com seu Deus-criador permite um diálogo franco e muita liberdade entre os dois, mas também por causa de seu próprio relacionamento com ele. De fato, como Ló já era velho, Ló também argumentou, veja só, com os anjos, para que fugisse não para o monte, um lugar mais afastado, completamente a salvo da tragédia que se abateria sobre aquela planície, mas para uma cidade ainda na planície, chamada Zoar, cidade que também seria destruída, mas que por causa da misericórdia de Deus sobre Ló que já era velho e teria dificuldade de subir a montanha apressadamente, o Senhor permitiu que ele fosse até a cidade próxima e por essa razão a cidade sobreviveu.

A história de Abraão e Ló, contada no velho testamento, nos ensina muita coisa sobre o relacionamento individual do homem com Deus desenvolvendo intimidade na caminhada diária, e do impacto que um só homem com tal relacionamento pode ter na vida de uma cidade, podendo ser a razão da salvação de uma cidade que de outro modo iria sucumbir em seus pecados e iniquidades. Que isso nos sirva de lição para nosso relacionamento vertical com Deus, que possa impactar também na horizontalidade, tanto no aspecto próximo da hospitalidade, quanto no aspecto mais distante, fazendo a diferença no meio em que estamos inseridos.

Um desconhecido bíblico para indicar a Pangeia

E a Éber nasceram dois filhos: o nome de um foi Pelegue, porquanto em seus dias se repartiu a terra, e o nome do seu irmão foi Joctã. – Gênesis 10:25

Muitos trechos da Bíblia contêm genealogias sem fim, textos que não parecem fazer muito sentido ou terem algum propósito.

No entanto, além de explicar a origem das linhagens e dos povos ao redor de Israel, e do próprio povo de Deus, cá e lá vemos pequenas revelações da própria história da terra em que vivemos, e alguns personagens que, por mínima que seja a narrativa contada de sua passagem por aqui, mostra-nos a relevância que tiveram, seja pelo relacionamento que construíram com Deus, seja porque em sua época aconteceu um fato de proporções mundiais.

Uma dessas pessoas, como vimos poucos capítulos atrás, foi Noé, responsável por construir a arca que foi usada para salvar a humanidade e os animais terrestres do grande dilúvio que lavou o mundo, fato histórico contado por diversas civilizações antigas e que encontra respaldo também na narrativa bíblica.

Outra figura assim é Pelegue, que somente aparece citado nesse trecho, e cuja relevância foi marcar o tempo em que ocorreu a separação da terra, que até então era um grande e único continente, Pangeia, e que a partir daí foi-se dividindo nos continentes, adquirindo a conformação que hoje conhecemos.

Isso explica o porque de haver civilizações florescendo em lugares tão distantes, aparentemente incomunicáveis, mas que possuem traços tão particulares em comum, como a construção de monumentos piramidais no Egito, império Inca, e em outros lugares do mundo, e com narrativas do dilúvio, por exemplo, também em comum.

Até Pelegue a Terra era uma só, sem divisões, e a língua era a mesma e as pessoas viviam geograficamente próximas até Babel (mas não vou me antecipar a isso), então ficava “fácil” o conhecimento se propagar, as histórias serem passadas de pai para filho, entre as quais o relato da criação e do dilúvio.

Gênesis 5

“Este é o livro das gerações de Adão. No dia em que Deus criou o homem, à semelhança de Deus o fez.” – Gênesis 5:1

Deus criou o homem à sua imagem e semelhança, conforme o relato do livro de Gênesis.
Isso não significa que o homem seja clone de Deus, ou um ser de natureza divina, senão que recebemos de Deus atributos comunicáveis, como amor, bondade, razão, emoções, entre outros.

O capítulo 5 de Gênesis traz curiosas e importantes lições para nós que desejamos conhecer mais a Deus e a história da nossa própria humanidade:

  1. “E Adão viveu cento e trinta anos, e gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem, e pôs-lhe o nome de Sete.” – Gênesis 5:3.
    Nenhum outro versículo desse capítulo traz a descrição da geração de um filho como a de Sete, descrito como à imagem e semelhança de Adão.
    A curiosidade está na igualdade da descrição da criação do próprio Adão.
    Tal pai, tal filho, diria o ditado, e assim de Adão, Sete (Seth) também herdou características que foram além da carga genética, qual seja a natureza pecadora, a qual infelizmente também nos deixou por herança.
    Assim como Adão não era clone de Deus, possuindo semelhanças, mas também características únicas e pessoais, assim foi Sete em relação a Adão, e assim somos nós em relação a nossos pais, portanto é até lógico esperar certa semelhança física ou comportamental, mas nunca seremos iguais a eles, nem corresponderemos 100% à educação que deles aprendemos.
  2. “E andou Enoque com Deus, depois que gerou a Matusalém, trezentos anos, e gerou filhos e filhas.
    E foram todos os dias de Enoque trezentos e sessenta e cinco anos.
    E andou Enoque com Deus; e não apareceu mais, porquanto Deus para si o tomou.” – Gênesis 5:22-24
    Enoque é talvez o cara que eu tenho mais inveja na Bíblia.
    Sério.
    Há muito poucos versículos que falam sobre sua vida; além desses 3, talvez alguns outros tantos espalhados pelo restante da Palavra, mas eles são suficientes para aprendermos que Enoque era um cara que andava com Deus, de fato, era um cara tão colado em Deus, com tamanha intimidade, que Deus o levou para si.
    Certa vez ouvi de um pastor que nossa relação com Deus deve espelhar a relação de Cristo com o Pai e com o Espírito Santo, conforme as próprias palavras do Senhor em oração em nosso favor segundo João 17:20-23, em que a intimidade é tão grande, a comunhão é tão perfeita que já não sabemos onde começa o Pai, onde entra o Filho e onde sai o Espírito, ou se estivermos nessa relação, onde será nós, onde terá sido Deus, porque teremos a mente de Cristo, jorraremos de dentro de nós a água da vida que é o Espírito, glorificaremos ao Pai com tudo que temos, tudo que somos, nossos pensamentos, palavras, ações e atitudes serão aquelas que o próprio Deus teria se estivesse calçando as nossas sandálias e pisando as nossas pegadas.
  3. “E foram todos os dias de Matusalém novecentos e sessenta e nove anos, e morreu.” – Gênesis 5:27
    Metusalém é a pessoa que mais viveu na história, novecentos e sessenta e nove anos, deveria estar registrado no Guinness Book caso ele já existisse desde então.
    É curioso vermos que pessoas viviam tanto, alguns até conspiram contra a contagem de tempo da narrativa bíblica do Gênesis por essa razão, mas não temos razão para duvidar, se analisarmos que de geração em geração, nesse mesmo capítulo da Palavra, as pessoas vão vivendo cada vez menos, e então podemos pensar em algumas razões para que isso tenha ocorrido, e em espaço relativamente curto de tempo: a) o efeito do pecado que afeta a própria natureza, conforme Romanos 8:22, a cada geração que se passava o efeito era cumulativo, as pessoas infelizmente se afastavam cada vez mais de Deus abraçando o próprio egoísmo e suas paixões descontroladas que resultavam em violência, morte e destruição; b) as doenças surgidas por essa mesma razão; c) a poluição e destruição do meio ambiente pela ação do homem, ainda que de maneira incipiente nas primeiras cidades que foram sendo edificadas, certamente não seria mais a natureza virgem e pura de quando Adão foi criado por Deus no jardim do Éden.
    Mas a Bíblia nos fala em Isaías 65:20 que nos últimos dias, quando da volta do Senhor, a natureza será restaurada, e a nossa saúde e vitalidade de mesmo modo, de maneira que voltaremos a viver muito.
    Isso não é apenas fruto do desenvolvimento da ciência, das vacinas e tratamentos médicos e nutricionais, nem ainda resultado de exercícios físicos e dietas, é algo “quase” sobrenatural, no sentido de que terá sido o próprio Deus que terá restaurado a natureza, dando-nos novamente as condições iniciais do mundo nas quais era natural viver muito, morrer com 100 anos, como diz o texto de Isaías, será morrer “menino”.
  4. “E viveu Lameque cento e oitenta e dois anos, e gerou um filho, a quem chamou Noé, dizendo: Este nos consolará acerca de nossas obras e do trabalho de nossas mãos, por causa da terra que o Senhor amaldiçoou.” – Gênesis 5:28-29
    São descritas 10 gerações de Adão até Noé, nas quais apenas duas vezes vemos os cabeças de cada linhagem parecerem ter um relacionamento com Deus (Enoque, de fato, teve, como já mencionado).
    A esse respeito temos 2 coisas a considerar: a) como cada geração vivia cerca de 800, 900 anos ou até mais, é natural supor que os pais convivessem com os filhos, os filhos dos filhos, e assim sucessivamente por pelo menos 5 ou 6 gerações. Assim, Adão conheceu seus netos, bisnetos, etc., ou pelo menos alguns deles dado a grande quantidade. Por que isso é importante? Porque a história da criação, que não é uma lenda nem um mito, passou de pai para filho de Adão a Sete, de Sete a Enos e assim sucessivamente até Noé, com uma riqueza de detalhes que se não nos chegou até aqui, pelo menos temos a certeza de que de fato ocorreu e da maneira como está descrita nas Escrituras. Por essa mesma razão, sabemos que, pela narrativa, cada patriarca, por assim dizer, teve dezenas, talvez centenas de filhos, se considerarmos uma média razoável de um filho a cada 2 anos, a proporção da descendência seria hiperbólica, apenas na 2 geração teríamos milhares de pessoas, na 3 talvez milhões, o que gerou cidades prediluvianas de grandes proporções, conforme temos relatos na própria Palavra e que explica, por exemplo, onde Caim, filho mais velho de Adão, foi habitar, com quem casou, etc, já que na narrativa de Gênesis 5 só temos a linhagem masculina, já que, à época, a mulher não era contada da maneira como fazemos hoje. b) As milhares, provavelmente milhões de pessoas não tinham aprendido a se relacionar com Deus por não terem recebido isso de seus pais. Ora, Deus visitava Adão no paraíso todo entardecer para se dar a conhecer, para se relacionar, e vemos que em pouco tempo praticamente mais ninguém conhecia ou se relacionava com Deus e isso é sintomático de como nós enquanto seres humanos não buscamos ativamente a presença de Deus, ao contrário, desde o Éden nós escolhemos voluntariamente fugir de sua presença em busca de nossas próprias necessidades, prazeres e interesses, tentando ser senhores dos nossos narizes. Tendo esse cenário de violência como pano de fundo, vemos que Deus, ao invés de abandonar por completo e destruir de uma vez por todas a humanidade pecadora que lhe era rebelde, traz um salvador, prefigurando Cristo na pessoa de Noé, que em hebraico significa consolo, conforto, mesma missão ou denominação dada ao Espírito Santo, dando a toda a humanidade, a mim e a você, uma nova chance de se relacionar com Ele, uma nova oportunidade de receber de seu amor na pessoa de seu filho Jesus, hoje, como Senhor e Salvador de nossas vidas.

Um amor proativo

E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás. – Gênesis 2:16-17

O amor de Deus para com o homem está sempre pensando além, indo adiante, sendo proativo em prepará-lo para enfrentar as dificuldades da vida, buscando livrá-lo do mal e das adversidades e lutas da vida que, em excesso, abateriam nossa alma, abalariam nossa confiança nEle, fariam com que a vida não valesse a pena ser vivida.

O homem foi criado para ser livre, mas os limites de sua liberdade eram bem claros, limites feitos do que era bom, agradável e perfeito que é a vontade de Deus.

Deus proibiu ao homem o acesso a árvore por diversas razões, mas uma deles talvez seja porque sabia que, conhecendo o bem e o mal, o homem preferiria o mal, pois o homem só enxerga o agora, o hoje, não o amanhã, o homem egoísta não percebe que suas ações irão impactar o mundo e não apenas o seu umbigo.

Deus enfim estava protegendo o homem dele mesmo, de seu egoísmo, das consequências de sua própria maldade que ainda não havia germinado, e que de maneira nenhuma poderia sair impune; de fato, pelo pecado decorrente da maldade do homem vem a morte, a de Adão, a sua e a minha.

Não é bom estar só

E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora idônea para ele. – Gênesis 2:18

Na narrativa da criação, após cada ato criador Deus vê o que fez como bom.

No entanto, ao olhar para o homem, ser criado à sua imagem e semelhança, Deus sabe que ele nunca será perfeito só, a solidão de um ser criado à imagem e semelhança do Pai, do Filho e do Espírito Santo não poderia ser mesmo considerada boa.

Deus não estava desfazendo de sua própria relação com o homem, não!

O que Ele enxergava era a necessidade humana de relacionamento, de comunidade, algo que só outra pessoa ou pessoas poderiam proporcionar àquela criatura.

Vemos aqui a necessidade da mulher na vida do homem, e abstraindo mais, a necessidade que temos uns dos outros: matar a solidão, ajudar-nos mutuamente.

Como num prenúncio do evangelho que haveria de ser anunciado, Deus nos chama a uma religião comunitária, que não pode ser vivida escondida, à sós, enclausurados em mosteiros, mas voltados, jogados para o mundo, como luzes para ajudar pessoas que se encontram na escuridão das trevas.