Estudo sobre Gênesis 48

1. Jacó adoece (vv. 1-10)

Jacó já é idoso e sabe que seu tempo de vida está chegando ao fim.Em seus momentos finais, ele chama a José, seu filho preferido, para se despedir dele e abençoá-lo com uma benção especial.

Veremos no capítulo seguinte, 49, as bênçãos com que ele abençoa cada um de seus filhos, mas aqui ele tem algo diferente para seu filho amado.

A primeira coisa que Jacó faz quando José chega em sua presença, a mais importante, é relembrar e reconhecer a promessa de Deus sobre suas vidas, de que eles seriam uma grande nação; daquelas 70 almas que entraram no Egito e que descendiam de Jacó, herdeiro de Isaque e Abraão, uma numerosa multidão nasceria.

Percebam que diferentemente do que as pessoas e povos que não conhecem a Deus querem impor à nação de Israel hoje, aquela terra de Canaã era uma possessão eterna aos filhos da promessa.

Deus, por meio de Moisés, quem escreve essa história e narra ao povo durante o êxodo no deserto, resgata seus filhos da escravidão do Egito, mas uma escravidão que vai além das amarras e cadeias físicas.

Deus precisa renovar as mentes e os corações de seu povo ontem e hoje em corações e mentes que enxerguem para além das circunstâncias e adversidades da vida (cf. Rm 12:2). É um povo que precisa ser ensinado a caminhar por fé e não por vista (cf. 2 Co 5:7).

O povo de Israel no deserto deixa de ter a mente de escravo para ter a mente de guerreiro que seria necessária para conquistar, com a liderança do próprio Deus, a terra que há muitos anos era sua e voltaria novamente ao seu domínio, ainda que com muita luta, suor e sangue.

Mas, voltando à benção especial, a José caberia, ao menos em tese, apenas um doze avos da herança de seu pai, mesma porção que deveria caber a cada um de seus irmãos à exceção da parte da herança que seria devida ao primogênito, Rubén, que, como sabemos, pela cultura da época, receberia mais, em termos patrimoniais, mas também espirituais e sociais, pois o primogênito receberia o encargo de liderar o clã quando o patriarca falecesse.

Aqui então Jacó chama José e diz que seus dois filhos seriam considerados como filhos de Israel, ou seja, a porção que cada um receberia, seria a porção de filho e não de netos, vindo José, então a receber porção dobrada da herança.

Por que isso?

Deuteronômio 18:1 nos fala que toda a tribo de Levi não teria herança em Israel, e receberiam um chamado e uma missão de liderar o povo no seu relacionamento com Deus.

Ao contrário de pensarmos que foram “castigados” ou “preteridos” na distribuição das terras e das riquezas, Deus seria sua herança, como diz o verso 2, ou seja, o Senhor estabelece aqui um princípio de que Ele é o nosso provedor, não devemos nos confiar na nossa própria força, inteligência ou suor, mas entender que Ele mesmo é o nosso sustento.

Assim, a parte das terras que caberia a Levi seria juntada à porção de José e distribuído entre seus dois filhos. De fato, toda a tribo de Levi deveria receber uma porção de cidades e terras para seu gado nos arredores dessas cidades, que seria distribuído em meio às terras de seus irmãos, como dando a entender, pedagógica e metaforicamente, que Deus estaria presente em meio ao seu povo (cf. Nm 35:1-3).

 

2. Jacó abençoa José e os filhos deste (vv. 11-22)

Não obstante José fosse o filho preferido de Jacó, ele se prostra em sua presença demonstrando que sua posição de governador geral do Egito não lhe tornava superior a seu pai. Ele demonstra honra, um princípio que muitas vezes esquecemos, mas que faz parte da ética de Deus para com seu povo.

Mais uma vez a Bíblia descreve, pela boca de Jacó, o reconhecimento deste de que Deus tinha sido seu sustento e livramento durante toda sua vida (vv. 15-16).

Jacó, em seguida, como aconteceu consigo mesmo, entende da parte de Deus que não seria o primogênito de José, Manassés, que receberia a posição de destaque, mas Efraim, seu filho mais moço. Aqui não era favoritismo de avô, era direcionamento divino.

Finalmente, Jacó separa algo em especial para José, um pedaço de terra que ele mesmo havia conquistado quando jovem, mas que muitos anos depois Israel teria de reconquistar quando entrasse novamente em Canaã (cf. Dt 3:12-22).

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In God we trust (nEle a gente pode confiar)

Então disse o Senhor a Moisés: Eis que vos farei chover pão dos céus, e o povo sairá, e colherá diariamente a porção para cada dia, para que eu o prove se anda em minha lei ou não. – Êxodo 16:4

O pão nosso de cada dia nos dá hoje; – Mateus 6:11

Deus é um deus provedor.

Ele cuida de nós e deseja o nosso melhor.

Deus nunca nos prometeu riquezas, poder, luxo ou que satisfaria nossos desejos egoístas frutos da nossa sociedade consumista, mas Ele nos prometeu saciar as necessidades mais básicas, o que, na pirâmide de Maslow, corresponde às necessidades fisiológicas, como alimento, saúde, e de segurança, como a moradia, abrigo.

É nesse contexto que o Salmista diz que o Senhor é o nosso pastor, e nada nos faltará (em nada passaremos necessidade), conforme Salmos 23:1, ou ainda no contexto da oração do Pai Nosso, ensinada como modelo de relacionamento com o Pai por nosso mestre Jesus, que Deus veste os lírios do campo em riqueza que nem Salomão usou, e alimenta os pardais que não precisam se preocupar, como não o faria conosco, seus filhos e infinitamente mais preciosos para Ele do que meras flores ou passarinhos?

Vejamos bem que o mesmo que Deus promete para Israel, em Cristo nós também temos acesso, a esse Deus de provisão, à sua generosa oferta de cuidado, de que não precisamos ficar ansiosos, preocupados, muito embora vivamos em um cenário de crise econômica onde muitos de nós estejamos momentaneamente apertados ou mesmo desempregados, esse é o momento de crer, esse é o momento de confiar.

Israel não confiou em Deus, nos versos seguintes vemos que o povo colheu mais do que podia comer com medo de faltar no dia seguinte, e a comida apodreceu.

O desafio portanto é confiar, entregar-nos nas mãos poderosas de Deus e não temos como confiar desconfiando, como diz a bela música do Vencedores por Cristo.

Não!

Ou confiamos ou não confiamos, não há meio termo, e a ansiedade é sinônimo de desconfiança.

Mas como eu, eu sei que você também é humano e fraco, então ainda que tenha apenas uma fagulha de fé e esperança, exercite essa confiança no Pai dando o primeiro passo pela fé, faça como aquele pai desesperado que deseja a cura de seu filho quando vai ao encontro de Jesus, conforme Marcos 9:24, reconheça sua incredulidade e peça a Deus que fortaleça ou aumente a sua fé!

A minha oração hoje é para que eu e você não sejamos teimosos e faltos de fé como aquele povo de Israel no Êxodo, que aprendamos a confiar e depender completamente em Deus, pois Ele nos sustenta e guarda, e diferentemente de nós que somos infiéis, Ele é fiel, Ele permanece fiel pois Ele é constante, Ele não muda, Ele está sempre disposto a estender a sua mão para nos abençoar!

Deus nos abençoe.

Dando de sobra

Receberam de Moisés todas as ofertas que os israelitas tinham trazido para a obra de construção do santuário. E o povo continuava a trazer voluntariamente ofertas, manhã após manhã.
Por isso, todos os artesãos habilidosos que trabalhavam no santuário interromperam o trabalho
e disseram a Moisés: “O povo está trazendo mais do que o suficiente para realizar a obra que o Senhor ordenou”.
Então Moisés ordenou que fosse feita esta proclamação em todo o acampamento: “Nenhum homem ou mulher deverá fazer mais nada para ser oferecido ao santuário”. Assim, o povo foi impedido de trazer mais, pois o que já haviam recebido era mais que suficiente para realizar toda a obra. – Êxodo 36:3-7

Algumas coisas me chamaram a atenção nesse texto:

  1. a voluntariedade do povo de Israel em trazer ofertas para a construção do tabernáculo, lugar dedicado à adoração de Deus. Não foram constrangidos a fazê-lo, ninguém os obrigou, ninguém os censurou, nem por outro lado lhes prometeu vitórias, prosperidade ou bençãos, materiais ou espirituais, naturais ou sobrenaturais. Foi algo totalmente voluntário, de coração, fruto de um reconhecimento de que o Senhor os havia livrado da escravidão do Egito e tinha se mostrado mais do que confiável, um Deus próximo, amigo.
  2. a voluntariedade do povo de Israel superou em muito as necessidades da obra, o que hoje em dia, infelizmente, a começar por este que vos escreve, não é o caso. Muitas vezes os pastores e líderes se encontram em posição difícil de ter quase que implorar ao povo que ajude a sustentar a obra que muitas das vezes é honesta e verdadeiramente colabora para a implantação do reino de Deus e a pregação do evangelho neste mundo, o que é constrangedor, e mostra que infelizmente ainda falta muito para nos convertermos, especialmente o bolso, demonstrando que nossa boca pode até dizer que adoramos a Deus, mas nosso coração não está ainda 100% comprometido com seus valores e sua obra.
  3. as necessidades da obra foram supridas de tal forma que começou a sobrar, e por essa razão, para evitar desperdícios e corrupção, os próprios líderes mandaram o povo parar de doar. Vejam só que “novidade” seria se isso também acontecesse em nossas igrejas e comunidades de fé hoje em dia, primeiro as pessoas doando voluntariamente, segundo em grande quantidade de modo a sobejar e, terceiro, os líderes não usassem isso para usufruto próprio, para locupletar-se às custas dos fiéis, vivendo vidas nababescas quando muitos de seu próprio rebanho passam necessidade.

A minha oração hoje diz respeito às nossas ofertas, a começar em mim mesmo, que possamos ser mais fiéis naquilo que possuímos e podemos contribuir, de coração, para a obra de Deus, para salvação de vidas, proclamação das boas novas que necessitam sustento e apoio, em oração, mas também financeiramente. Como diz o texto de 2 Coríntios 9:7, “Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria.”

Deus nos abençoe.