A pedagogia do exemplo

Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele. – Provérbios 22:6

Hoje de manhã, na academia, vi uma senhora malhando, e seu filho pequeno, de uns seis anos, estava sentado próximo a ela em um colchonete, parcialmente entretido pelo celular, mas também prestando atenção no que ela fazia, nos exercícios, nos pesos, e vez ou outra perguntava alguma coisa à mãe sobre o que ela estava fazendo.

Isso me fez lembrar de mim mesmo, quando era criança (eu sei, faz muito tempo, foi no milênio passado) e acompanhava a minha mãe quando ia fazer sua ginástica, com as coloridas roupas coladas e com meias compridas parecendo jogador de futebol (ah, década de 80 e suas modas extravagantes, para dizer pouco), e da diferença que seu exemplo teve em minha vida.

A pedagogia que é mais eficaz na vida de uma criança é a do exemplo, aquele em que a criança é ensinada NO caminho, ou seja, quando seus pais caminham com ela, instruem o certo e o errado não de longe, mas dentro da situação, fazendo o que é certo.

Eu lembro claramente quando eu era pequeno (não em altura, convenhamos, que ainda sou) e via meu pai, que é médico, sentado após um dia exaustivo de trabalho, estudando até altas horas da noite, para ser o excelente profissional que sempre foi.

Esses dois exemplos, da minha mãe fazendo atividades físicas, e de meu pai estudando, me levaram a nunca precisar ser empurrado a estudar, nunca dei trabalho a meus pais nesse aspecto, e pelo menos enquanto estava sob sua supervisão, sempre fui bom aluno, em decorrência do exemplo dado. Do mesmo modo até hoje, nos meus trinta e poucos anos, poucas vezes na vida deixei de fazer atividades físicas ou algum esporte pelo que fui acostumado desde criança.

O problema é que nós adultos queremos ensinar nossas crianças “de longe”, sem participar, sem dar o exemplo. Cobramos delas determinadas posturas e comportamentos quando fazemos as vezes o imediatamente oposto, e ainda achamos ruim e brigamos com elas quando as vemos repetir os nossos erros. Ora, a culpa maior nessa história é nossa mesmo!

Por fim lembro do exemplo deixado pelos meus avós paternos, e também da minha mãe, de ter um tempo diário com o Senhor. O relacionamento que hoje nutro com meu Pai nunca teria ocorrido da maneira como o é se não fosse por influência desses exemplos marcantes. Minha mãe nos lia um livro chamado “Horinhas com Deus” (não lembro o autor), a própria Palavra, orava com a gente e cantávamos alguma música apropriada ao universo infantil. Ela não simplesmente nos mandava ler a Bíblia ou orar e saia para fazer suas coisas, como muitas vezes os pais fazem, ela vinha fazer isso com a gente porque sabia que aquilo era importante, era fundamental.

Ensina a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velha não se desviará dele. A criança um dia cresce, amadurece, e passa a tomar decisões sozinhas, inclusive a possibilidade, dada pelo seu livre arbítrio, de decidir por caminhar para longe daquilo que aprendeu. Dificilmente, no entanto, aquilo que internalizou deixará de ter impacto em sua vida, naquilo que é, em seus valores, sua maneira de pensar, falar, agir, seu modo de ver o mundo. Se foi bem ensinada, com o melhor exemplo, ela terá um parâmetro adequado para decidir, não o fará de qualquer jeito, e sempre saberá para onde retornar, e o que lhe aguarda no caminho de volta.

A minha oração hoje é para que possamos ser bons exemplos para nossos filhos (não os tenho ainda), para nossas crianças, andando junto, brincando junto, educando junto, fazendo junto o que é bom, o que é certo. A criança é uma esponja, aprende aquilo que menos imaginamos então precisamos ter muito cuidado sobre nossas atitudes e palavras (lembro aqui de uma propaganda sobre dar exemplo que vi recentemente de pessoas com crianças ao lado, onde um pai gritava com a mãe e o filho fazia o mesmo, uma mulher fumava e a criança imitava seu exemplo, de alguém que xingava no trânsito e a menina ao lado fazia a mesma coisa, todos exemplos ruins, que demonstram o poder do mau exemplo, mas que fossem bons exemplos seriam aprendidos e imitados do mesmo jeito), de maneira que possam aprender conosco o que é bom, o que é justo, o que é saudável para si, para o seu convívio social, e para o seu relacionamento com Deus.

Deus nos abençoe.

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Seria Carol

Seria Carol se fosse menina, mas terá nome bíblico, Miguel ou Gabriel, já que nasceu menino, assim me disse a mulher que pede esmolas no sinal da câmara dos vereadores.

Curiosamente ela me disse mais, que seu leite materno não era suficiente e iria comprar um suplemento.

Vi verdade em suas palavras e em seu olhar.

Um menino que nasce e não tem nem um peito direito para mamar pela magreza daquela mulher, não tem nem um nome ainda, muito embora vagamente aquela mãe imagine que um nome bíblico traga consigo alguma esperança de dignidade.

Qual será o nome escolhido, o de um anjo ou de um cobrador de impostos tornado discípulo?

Que Deus ande com essa criança, seja como for não o desampare…