Perseverança, compromisso e prioridade

E Jesus lhe disse: Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás, é apto para o reino de Deus. – Lucas 9:62

Essa fala de Jesus é a culminação de uma história em que muitos parecem se comprometer com Cristo mas na verdade têm só o impulso inicial, e depois param pelo caminho.

De fato, muitas das histórias que se passaram com o Senhor, ou mesmo que Ele contou, falam da perseverança que todo crente salvo deve vivenciar, como bem lembramos da parábola do semeador (Mateus 13), cujas espécies de terrenos demonstram que tipo de coração possuímos: 1) um coração que não entende a palavra de Deus semeada em nossa vida (semente caída à beira do caminho); 2) um coração que recebe a Palavra com alegria mas não desenvolve perseverança, fraquejando ao primeiro sinal de perseguição (semente plantada em meio às pedras); 3) um coração que recebe a Palavra, e a permite até brotar, mas não consegue produzir frutos, por causa da quantidade de coisas que coloca como prioridade em sua vida na frente das coisas sagradas (semente planta em meio a espinhos); 4) e, por fim, um coração que recebe a Palavra do Senhor e põe em prática, coloca em primeiro lugar em sua vida, que passa então a produzir, a frutificar, a dar resultado de maneira plena e farta.

No caso do texto de Lucas 9, vemos um homem que com intrepidez afirma que seguiria ao Senhor onde quer que Ele fosse, talvez da boca pra fora, talvez para aparecer, ou mesmo por uma razão ingênua e sincera, mas Cristo vem ao seu encontro com uma afirmação que lhe joga um balde de água fria na cabeça: você tem certeza realmente de que irá me seguir onde quer que eu for? Saiba que hoje mesmo não sei onde vou comer ou dormir! Será que você consegue viver uma vida de dependência completa e absoluta de Deus, pois essa é a vida que levo e a vida que proponho.

Em segundo lugar, um homem é chamado a segui-Lo, ao que responde dizendo que necessita atender aos costumes religiosos e morais para com sua família, algo de valor, senão constituísse num mero pretexto. Muitos de nós, como aquele homem, colocamos na frente de Deus muitas coisas que são em si mesmo boas, seriam uma boa “desculpa” se as dirigíssemos em direção a um amigo qualquer, mas não a Jesus. Ele quer prioridade, e o compromisso é baseado em prioridade. No mesmo sentido o próximo homem, que pede primeiro para se despedir dos seus, como se o seguir a Cristo fosse lhe impedir de revê-los, ou coisa parecida. Desculpas, sempre elas, desculpas.

Em outra parábola, para concluir, que temos em Lucas 14, vemos um rei que faz um convite para muitas pessoas para estarem com ele em uma festa, uma solenidade única, ao que todos passam a responder ao mensageiro com toda sorte de desculpas, as quais, isoladamente, não parecem esfarrapadas, mas que quando colocadas em uma balança com o evento para o que tinham sido convidados, vemos que são totalmente fora de propósito e tempo, como: 1) inventariar uma propriedade (como se ela fosse sair dali para outro lugar, ou se perder com um dia de atraso); 2) testar uma junta de bois recém adquiridos (algo que, na verdade, deveria ter sido feito – e provavelmente o foi – antes da compra, e, caso contrário, não seria um dia a mais que faria alguma diferença no negócio); 3) a realidade do casamento (como se a mulher fosse lhe impedir de participar de uma festa, normalmente elas que são as primeiras a quererem participar). O que significa tudo isso? Será que, em plena consciência alguém, tendo recebido um convite para uma festa da realeza, daria esse tipo de desculpa? Ou será que, convenhamos, tudo deve ficar em segundo plano e postergado um pouco para atender aquilo que é realmente mais importante, provavelmente único?

Cristo quando nos fala sobre nossos valores, nosso compromisso e nossas prioridades, nos convida e ao mesmo tempo confronta com o fato de que Ele deve ser a prioridade número um em nossa vida. Se somente fizermos isso, tudo passará a receber a prioridade certa, pois, ao contrário, costumamos dar prioridade às coisas erradas e relegar o importante a segundo plano. Assim o é quando colocamos os negócios à frente da nossa família, e tudo à frente de Deus, e acabamos perdendo negócios, família e sem experimentar tudo de bom que Deus tem preparado para nós. Quando perseveramos em Cristo, desenvolvemos esse sentido correto de prioridade, passamos a ter um relacionamento saudável com os nossos, e isso também impacta diretamente no tipo de profissional que somos em nossas relações no dia a dia.

A minha oração então, hoje, é para que, entendendo essa Palavra de Deus, e a recebendo, possamos dar-lhe a importância devida, e pô-la em prática. Isso não significa que, num passe de mágica, tudo em nossa vida passará a dar certo e os problemas cessarão, apenas que, a pessoa que resolvemos priorizar, Deus, será por nós facilmente encontrada sempre que precisarmos (e sempre precisamos) em todas as outras áreas de nossa vida. O tipo de relacionamento que Cristo espera de nós é aquele baseado em confiança, em perseverança, em compromisso, algo que apenas nasce num dia, mas que deve crescer e amadurecer com a caminhada, uma caminhada que não tem volta, que requer termos um senso correto de prioridade, um caminho que não nos permite ficar parados e acomodados com nosso estado atual, mas lutarmos com Deus ao nosso lado contra nossa própria natureza egoísta e pecadora, sabendo que ao final seremos vencedores.

Deus nos abençoe.

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Refletindo sobre as pragas

E os magos fizeram também assim com os seus encantamentos para produzir piolhos, mas não puderam; e havia piolhos nos homens e no gado.
Então disseram os magos a Faraó: Isto é o dedo de Deus. Porém o coração de Faraó se endureceu, e não os ouvia, como o Senhor tinha dito. – Êxodo 8:18-19

O início do livro de Êxodo narra a trajetória de Moisés para livrar o povo de Deus do Egito, por meio de pragas que vieram castigar Faraó e seu povo pela dureza do seu coração, por terem escravizado Israel e não terem permitido que eles saíssem para adorar ao Senhor.

As diversas pragas vão de encontro às muitas divindades que, na forma de fenômenos ou objetos da natureza, como o sol, o rio Nilo e diversos animais, eram considerados sagrados para os egípcios, ou seja, era Deus mostrando que Ele e somente Ele é Deus, Senhor, Soberano, Poderoso, e essas coisas eram meras criaturas suas, sujeitas ao seu controle e poder.

Os magos egípcios bem que tentaram por algumas vezes por meio de truques mimetizar o milagre, imitar a demonstração sobrenatural de poder de Deus realizada por meio de Moisés e Arão, mas chega um ponto onde toda a ciência, toda a sabedoria, toda a cultura, todo o engenho e criatividade humanos sucumbem perante o poder de Deus, e esse foi o caso quando da praga dos piolhos, onde eles tentaram, tentaram mas não conseguiram reproduzir aquilo que só Deus foi capaz de fazer.

Duas questões me fazem refletir hoje sobre esse texto:

  1. será que a ciência, a filosofia, o conhecimento, o estudo não têm sido usados como pretexto para nos afastar de Deus? Eles por si só não são maus, ao contrário, muitas pessoas se achegam a Deus por descobrir sua atuação sobrenatural na natureza criada. Por outro lado, muitos se afastam de Deus crendo serem autossuficientes em seu estudo e em sua busca incessante por respostas, muitas das quais talvez nunca venham(os) a ter.
  2. Será que estamos com nossos corações tão endurecidos que não cremos mais na intervenção sobrenatural de Deus, no seu agir de maneira proativa na história do homem e, especialmente, na proteção e socorro dos seus?

Que Deus nos ajude a sermos mais sensíveis à sua voz, reconhecendo o seu constante agir em tudo que nos cerca, não creditando a terceiros, à ciência (por mais importante que ela seja e de fato o é), aquilo que é milagre do Pai, por mais simples e comum que possa parecer, pois o surpreendente de Deus as vezes se esconde nas coisas mais comuns e banais, como piolhos naquela praga dos egípcios.

Deus nos abençoe.

Um coração que não muda

A multidão que ia adiante dele e os que o seguiam gritavam: “Hosana ao Filho de Davi!” “Bendito é o que vem em nome do Senhor!” “Hosana nas alturas!” – Mateus 21:9

Esse verso me fala de uma maneira bastante peculiar. Mesmo sendo uma confirmação pública do ministério messiânico de Jesus pelas pessoas de Jerusalém, pouco depois vemos essas mesmas pessoas gritando “Crucifica-o”, ao invés de “Hosana” e “Bendito é o que vem”.

O que poderia ter acontecido àquelas pessoas para fazê-las mudar seus corações tão rapidamente?

Primeiro, eles não esperavam um redentor espiritual, mas um político, já que eles não compreendiam o que realmente significavam as profecias do antigo testamento.

Segundo, eles estavam interessados não em um novo estilo de vida proclamado pelo messias, chamado por Ele de “o reino dos céus”, um caminho de perdão, amor, compartilhar e respeito; ao contrário, eles estavam centrados em si mesmos, interessados apelas nos milagres que Ele podia operar, o pão e o peixe que Ele era capaz de multiplicar, as doenças que Ele era capaz de curar, os demônios que Ele expulsava.

Terceiro, sua fé era baseada numa fundação bem frágil e sem substância: circunstâncias, que eles podiam ver, os milagres, suas expectativas, ao invés de na pessoa de Jesus, naquilo que as Escrituras realmente diziam a respeito do Pai e do Filho.

Mas antes de sermos precipitados em julgá-los, vamos examinar a nós mesmos para ver se também nós não estamos caminhando pelo mesmo exato caminho: estamos interessados em Jesus como nosso Senhor, ou somente como nosso Salvador? Que tipo de expectativas temos colocado em Jesus? Será que O temos tratado como um tipo de gênio da lâmpada, ou temos nos humilhado em sua presença em sinal de obediência, reconhecendo que Ele, e não nós, é o mestre, e nós, e não Ele, somos os servos? Será que temos vivido nossas vidas como Ele ordenou, como Ele viveu, uma vida de amor, perdão e compartilhar, ou temos perseguido somente nossos desejos egoístas, tratando outros apenas como um meio para atingirmos nossos objetivos? Qual tem sido a base da nossa fé, a pessoa de Jesus, seu sacrifício, sua cruz, sua ressurreição, o amor reconfortante do nosso Pai, o ministério da reconciliação operado em nossos corações por seu Santo Espírito, OU naquilo que Ele pode fazer por nós, naquilo que Ele pode nos dar? Temos realmente entendido o que Ele veio fazer aqui, todo o propósito de sua vida e morte?

No decorrer de poucos dias os judeus voltaram-se de aceitar a Jesus como seu rei, para acusá-lo de traição e crucificá-Lo. Mas honestamente, quem de nós poderia realmente dizer que não fazemos isso, “quase” (?) diariamente, pela menor das razões e decepções? Nossos corações vivem mudando a cada vento que sopra, nossa fé tropeça como se não confiássemos verdadeiramente nAquele a quem chamamos de Senhor. Mesmo que não gritemos publicamente “crucifica-o” como eles fizeram, é exatamente isso que continuamos a fazer em nossos corações todas as vezes que deixamos de perdoar a quem nos tem ofendido, cada vez que pedimos a Ele em oração por algo que sabemos que não é sua vontade, e como poderia ser se nosso pedido serve apenas para glorificar a nós mesmos e não a Ele?

Minha oração hoje é que: 1) o Senhor Jesus me perdoe por não confiar nEle plenamente, ou por não confiar nEle pelas razões certas; 2) que Ele me dê um coração firme, constante, um coração que não muda da noite pro dia, um coração que todo e cada dia confirma, pela confiança, pela obediência, pelo amor, pelo perdão, o que a minha boca diz que creio.

Quando um pedido a Deus vira um ídolo

Hoje lembrei brevemente dos 7 anos da minha vida que vivi em Salvador, nos quais orei todos os dias, incessantemente, pra que Deus me trouxesse de volta para Fortaleza até o dia em que Ele mesmo me revelou que eu estava idolatrando essa cidade.

Só então cai em mim e percebi que era verdade, que Fortaleza tinha virado um ídolo em meu coração, e eu não poderia me relacionar com Deus com sinceridade e integridade enquanto essa situação continuasse. Deus era bom independente de me trazer de volta para cá ou não, pois Ele é bom, simplesmente é, não importa a circunstância ou resposta aos nossos pedidos.

Então descansei, afinal, Deus é pai, e Ele mesmo já tinha me confrontado e revelado em outras tantas vezes sua vontade como boa, perfeita e agradável em minha vida, dizendo-me claramente e com todas as letras que ou eu confiava nEle ou não confiava, não existe meio termo, não tem como confiar desconfiando ou confiar pela metade, e eu escolhi confiar.

Depois de seis meses que havia descansado, Deus me trouxe de volta. Simples assim. Poderia não ter trazido, e ainda assim continuaria sendo meu Deus, meu Pai, meu Senhor, e bom, muito bom.

Isso é apenas um pequeno testemunho de que as vezes Deus tem algo preparado para nós e não nos dá não é nem porque não seja bom, nem porque não seja sua vontade, mas porque nós em nosso coração não temos nos relacionado de maneira adequada com aquele pedido, alçando-o a uma condição de ídolo, e enquanto algo ocupar o lugar de Deus em nosso coração, reinando desde o trono da nossa alma, esse pedido não será concedido.

Esta é uma lição que aprendi um dia, mas ainda careço de aprender hoje, e amanhã, e enquanto eu viver e precisar pedir algo a Deus, alguma coisa de que deseje o meu coração.

Quando um amor nos desvia o coração

E o rei Salomão amou muitas mulheres estrangeiras, além da filha de Faraó: moabitas, amonitas, edomitas, sidônias e hetéias, das nações de que o SENHOR tinha falado aos filhos de Israel: Não chegareis a elas, e elas não chegarão a vós; de outra maneira perverterão o vosso coração para seguirdes os seus deuses. A estas se uniu Salomão com amor. E tinha setecentas mulheres, princesas, e trezentas concubinas; e suas mulheres lhe perverteram o coração. Porque sucedeu que, no tempo da velhice de Salomão, suas mulheres lhe perverteram o coração para seguir outros deuses; e o seu coração não era perfeito para com o SENHOR seu Deus, como o coração de Davi, seu pai, porque Salomão seguiu a Astarote, deusa dos sidônios, e Milcom, a abominação dos amonitas. Assim fez Salomão o que parecia mal aos olhos do SENHOR; e não perseverou em seguir ao SENHOR, como Davi, seu pai. 1 Reis 11:1-6

Salomão pagou um alto preço por ter desobedecido ao Senhor ao casar com as mulheres estrangeiras dos povos que eram abomináveis a Deus. A lição que nós, homens, podemos tirar de sua vida é para escolhermos bem a esposa com quem iremos passar o resto de nossas vidas, para que elas não acabem pervertendo o coração e nos desviando do caminho do Senhor.

Ao final da sua vida Salomão abandonou ao Senhor para servir aos deuses de suas esposas. Este é o mesmo rei a quem Deus deu toda a sabedoria disponível, cometendo atos de loucura e insensatez! Vaidade de vaidade, diria Ele mesmo após observar toda a besteira que cometera…

O filho do homem segundo o coração de Deus não se relacionou com Ele da mesma forma sincera, honesta que seu pai. A quem temos seguido? Que tipo de conselhos temos aceitado? Será que a vida que levamos honra aquilo que nossos antepassados fizeram, e mais ainda a Deus, ou será que somos dia a dia objeto de vergonha e chacota?