Ló, a misericórdia de Deus e a hospitalidade

E vieram os dois anjos a Sodoma à tarde, e estava Ló assentado à porta de Sodoma; e vendo-os Ló, levantou-se ao seu encontro e inclinou-se com o rosto à terra; e disse: eis agora, meus senhores, entrai, peço-vos, em casa de vosso servo, e passai nela a noite, e lavai os vossos pés; e de madrugada vos levantareis e ireis vosso caminho.
E eles disseram: Não, antes na rua passaremos a noite.
E porfiou com eles muito, e vieram com ele, e entraram em sua casa; e fez-lhes banquete, e cozeu bolos sem levedura, e comeram. – Gênesis 19:1-3

Pensando aqui com meus botões sobre a história de Ló, Deus avisou a Abraão que destruiria Sodoma e Gomorra, cidades principais de uma planície próximo ao mar Mediterrâneo, conhecidos pela vileza de seus habitantes, e esse capítulo 19 começa com uma atitude de hospitalidade por parte de Ló que é muito parecida com aquela de seu tio Abraão descrita no capítulo anterior (18).

A hospitalidade verdadeiramente é um dom de Deus e dificilmente alguém poderia ser hospitaleiro sem ter um mínimo de amor divino em seu coração, pois a hospitalidade requer desprendimento, altruísmo, compaixão, marcas de um coração afetado por tão grande amor.

De fato, Ló em seu relacionamento com Deus difere completamente dos habitantes daquela cidade, no que vemos por duas vezes nesse próprio capítulo: 1) os homens dali, impiedosos, maus, queriam que Ló entregasse aqueles homens que ele havia hospedado em sua casa, e que na verdade eram anjos, para que eles, o povo da cidade, os estuprasse e fizesse toda sorte de abominações para com os anjos; 2) Ló, avisado pelos anjos que a cidade seria destruída ainda tentou alertar os seus futuros genros, prometidos em casamento às suas duas filhas, mas eles o ignoraram solenemente, que o tomaram com louco, como um velho gagá.

Deus poupou Ló por causa de seu tio Abraão, que insistiu consigo no texto do capítulo 18, em curiosa demonstração de quanto a intimidade do homem-criatura com seu Deus-criador permite um diálogo franco e muita liberdade entre os dois, mas também por causa de seu próprio relacionamento com ele. De fato, como Ló já era velho, Ló também argumentou, veja só, com os anjos, para que fugisse não para o monte, um lugar mais afastado, completamente a salvo da tragédia que se abateria sobre aquela planície, mas para uma cidade ainda na planície, chamada Zoar, cidade que também seria destruída, mas que por causa da misericórdia de Deus sobre Ló que já era velho e teria dificuldade de subir a montanha apressadamente, o Senhor permitiu que ele fosse até a cidade próxima e por essa razão a cidade sobreviveu.

A história de Abraão e Ló, contada no velho testamento, nos ensina muita coisa sobre o relacionamento individual do homem com Deus desenvolvendo intimidade na caminhada diária, e do impacto que um só homem com tal relacionamento pode ter na vida de uma cidade, podendo ser a razão da salvação de uma cidade que de outro modo iria sucumbir em seus pecados e iniquidades. Que isso nos sirva de lição para nosso relacionamento vertical com Deus, que possa impactar também na horizontalidade, tanto no aspecto próximo da hospitalidade, quanto no aspecto mais distante, fazendo a diferença no meio em que estamos inseridos.

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