Estudo 2 Pedro 3 – Uma mensagem de despedida

Estudo EBD – Jovens – PIB Fortaleza – 10/03/2019
2 Pedro 3 – Uma mensagem de despedida

Pedro, em suas palavras finais, reafirma que em ambas as cartas que escreveu, ele procurou relembrar seus leitores, a igreja, a quem ele tinha em alta consideração (“queridos irmãos” – NTLH), fatos, ou seja, acontecimentos, não apenas sua opinião sobre assuntos diversos ou mesmo “teológicos”.

Eram fatos.

Não se questionam fatos. Podemos até ter diferentes interpretações sobre os fatos, mas eles continuam lá, sujeitos a novo escrutínio, podemos a qualquer tempo visitá-los novamente na memória de nossas experiências pessoais, por meio de um filme, uma fotografia, às vezes até um cheiro, ou mesmo a leitura de um livro ou outro documento que nos faça relembrar de cada detalhe. Como Pedro lhes havia feito ao escrever suas cartas.

Fatos que eram:

  1. de conhecimento comum (“público e notório”). Não era algo escondido ou “criptografado”, limitado a um público específico, particular, um grupo de “iniciados”… Não! Cristo veio em carne, morreu, ressuscitou e foi visto por muitos em carne até que subiu novamente aos céus. Havia um número grande de testemunhas “oculares” desses fatos, muitos dos quais ainda viviam nesse período.
  2. aprendidos dos santos profetas. Os profetas, como vimos várias vezes em aulas passadas, mencionaram o Cristo, seu nascimento, ministério, detalhes de sua vida. Isso também era conhecido dos leitores de Pedro, em sua maioria, porque isso era de acesso livre a todo judeu, que desde criança estudava a Lei e os Profetas.
  3. aprendidos dos apóstolos. Mesmo que parte dos leitores não tivesse visto pessoalmente a Jesus, ou mesmo que eventualmente alguns tivessem outra herança cultural (os “gentios”) e não conhecessem profundamente a Lei e os Profetas, os próprios apóstolos, quem melhor conheceram a Jesus, tinham sido fontes originais da pregação da mensagem do evangelho, a mensagem da salvação que alcançou aqueles leitores – as palavras do próprio Mestre.


A importância de ter em mente as promessas

Quem foi fiel para cumprir as promessas do passado sobre a vinda de Cristo, permanece fiel para cumprir a promessa de seu retorno.

Isso significa uma coisa: podemos confiar em Deus!

Sim! Deus é altamente, perfeitamente confiável!

Sempre houve pessoas que duvidaram das promessas de Deus e infelizmente sempre haverá. Desde a peregrinação de Israel pelo deserto, é difícil para muitos crer, porque crer não é apenas “acreditar”, é confiar, e confiar significa entregar o controle de nossas vidas a Deus.

Pedro vai além ao citar “escarnecedores”, pessoas que não só não creem, mas também debocham dos que creem. Como os samaritanos fizeram na época da reconstrução do templo, do muro e da cidade de Jerusalém que estavam em ruínas quando do retorno de Israel do exílio babilônico, conforme narrado em Esdras e Neemias.

Fica pior. Às vezes, os maiores incrédulos, os escarnecedores estão no nosso meio. Inadvertidamente ou de propósito, muitos irmãos parecem querer apagar o pavio, em vez de reacender a nossa fé.

Assim, como muitos líderes religiosos judeus questionaram a divindade de Cristo na cruz mandando Ele descer, salvando a si mesmo, sem compreenderem que morrer ali era a única maneira de salvar a humanidade, muitos de nós hoje podem questionar o propósito de Deus na “aparente” demora do retorno de Jesus.

Aparente. O próprio Pedro traz luz a essas dúvidas, muitas vezes dúvidas justas e razoáveis que podemos ter. Sim, porque ter dúvidas justas e razoáveis podem fazer parte da vida e da caminhada de um cristão, não é necessariamente um sinal de falta de fé, mas de reconhecer sua/nossa incapacidade de crer como deveríamos, buscando sair de um lugar de menor fé para um de maior fé.

Os argumentos de Pedro são os seguintes:

  1. esquecimento deliberado, ou memória seletiva. As pessoas contam a história conforme lhes convêm, e deixam de lado o que não lhes convêm. São as famosas “fake news”, histórias contadas pela metade, ou verdades incompletas, onde há parte de verdade e parte fantasia, ou mentira deslavada mesmo. Cheira à verdade, parece com a verdade, tem gosto de verdade, mas é mentira, e quando engolimos se torna veneno em nosso estômago e pode envenenar nosso coração, nossa alma. Isso funciona em tudo na vida, inclusive em matéria de fé e religião.
  2. Deus ordena e coordena a história. Ele é presente e não ausente. Ele não está distante nem alheio ao que se passa conosco, individualmente, no detalhe, muito menos com a igreja e o mundo em larga escala.
  3. também por essa razão, Deus não está preso ou limitado pelo tempo. Diferentemente do que pensam alguns hoje, e até a ciência tem compreendido isso à sua maneira, a matéria e o tempo surgiram no mesmo instante, e estão ligados, interconectados. Deus criou e controla o tempo. Horas, dias, meses e anos são meras “abstrações” para o ser humano perceber a sua finitude e ao mesmo tempo ter esperança de renovo que reside no amanhã.
  4. a aparente “demora” de Deus é, na verdade, sinal de sua paciência e misericórdia para conosco e, principalmente, para com os ainda não salvos. É do interesse e da iniciativa de Deus que todo pecador se arrependa, e não que pereça.

Pedro relembra as palavras de Jesus quando afirma que a vinda de Cristo, seu retorno, é certo mas “inesperado”, e, por isso, devemos estar sempre alertas, vigilantes, para que não sejamos pegos desprevenidos como as virgens néscias da parábola (cf. Mateus 25:1-13).

É um retorno à mensagem da primeira carta, de encorajamento, de uma espera produtiva, em que ansiamos pela vinda de Jesus, não de braços cruzados, mas sim vivendo vidas santas, piedosas, nos esforçando para não pecar, uma luta diária mesmo, o evangelho vivido na prática e não apenas na teoria, andando em paz com todos, não para glória e honra própria, mas para agradar o noivo, que é Cristo.

Além disso, nesse tempo que nos aguarda, nossa missão é partir para o resgate de outras almas perdidas!


Conclusão

Concluindo, Pedro nos exorta a não agirmos como esses escarnecedores, principalmente os que se passam por irmãos, que são os mais perigosos. É o caminho descrito no Salmo 1, onde é feliz o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Andar, se deter, se assentar. Saímos da condição de movimento e paramos, começando a descer a escada rolante da vida cristã. Primeiro apenas um conselho, depois um caminho, uma vida de pecado que vai anestesiando o coração e a mente até ao ponto onde nós mesmos seremos como um daqueles escarnecedores, fazendo pouco-caso das coisas espirituais, irreverentes, contando piada de coisas muito sérias.

O remédio para isso é, nas palavras do salmista, ter prazer na Lei do Senhor e na sua Lei meditar de dia e de noite, e perceba que Lei aqui não são as doces palavras do Salvador capturadas em alguma passagem dos evangelhos ou das cartas de Paulo ou Pedro, mas era o pentateuco, a parte mais “árida”, por assim dizer, do Velho Testamento, mas que para o salmista tinha um sabor muito doce, pois trazia vida.

O gnosticismo, seita que Pedro também busca combater, era como um câncer atacando a igreja por dentro, por meio de homens que se apresentavam como servos do Senhor, mas eram joio, e não trigo, pessoas que deturpavam de propósito a verdade.

O autor aqui reconhece que há coisas nas Escrituras que são de difícil compreensão – não impossível! – e que esses falsos irmãos se aproveitam disso para dar um significado completamente diferente, fora do comum. Ele fala isso sobre as cartas de Paulo, equiparando umas às outras, reconhecendo a inspiração daquilo que viria a se tornar boa parte do Novo Testamento.

Finalmente, o antídoto para esse veneno seria crescermos em força espiritual e conhecermos melhor o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, a quem todos devemos dar a glória, ontem, hoje e eternamente.

Deus nos abençoe.

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