Dando a César o que é de César (o papel do cristão na política)

Texto base: 2 Crônicas 7:14 (pregação realizada na Igreja de Cristo Salinas em 07/10/2018, dia das eleições)

E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.

Introdução
Alguém saberia dizer que dia é hoje?

Hoje é o dia em que o país irá eleger seus próximos representantes para diversas esferas de poder, algo que irá impactar nossa nação e nossas vidas pelo menos pelos próximos quatro anos.

Pensando nisso, minha ideia hoje é conversarmos um pouco sobre um assunto que pode ser bastante árido, não é fácil, normalmente não é agradável e dificilmente termina em um consenso, que é sobre política, ou, mais precisamente, sobre o nosso papel como cristãos em uma sociedade que parece cada dia mais dividida e intolerante.

Vou tentar ser breve, mas antes de mais nada, gostaria apenas de esclarecer que quando falo sobre política, NÃO estou me referindo a um candidato, partido político, ou mesmo ideologia em particular, muito embora esses assuntos sejam importantes, não venham recebendo a relevância devida no nosso meio evangélico, e quando são tratados, normalmente adquirem um viés de curral eleitoral, onde as lideranças eclesiásticas tentam tornar-se, elas próprias, seus parentes ou amigos, lideranças políticas, arregimentando os votos de seus fiéis e agora eleitores, ou ainda quando fazem do culto e do púlpito um palanque para defender candidatos e propostas que buscam não o benefício da sociedade como um todo, mas apenas os interesses particulares daquela liderança, igreja local ou denominação.

1 Timóteo 2:1,2 diz assim:

Antes de tudo, recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões e ação de graças por todos os homens; pelos reis e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e pacífica, com toda a piedade e dignidade.

Com esse texto em mente, gostaria de fazer uma pergunta que tenho feito a mim mesmo: Será que temos, eu e vocês, orado por nossos governantes e autoridades públicas?

E quando falo em termos orado, por razões óbvias não estou me referindo a pedir a Deus egoisticamente para candidato A ou B ganhar essas eleições em particular, mas, levando em conta que acabamos de sair de uma série de mensagens sobre oração, se estamos incluindo em nossas orações diárias, em nossos momentos a sós com Deus, nossos políticos que adoramos odiar…

Sério.

Tendo ou não votado nos políticos que estão exercendo seus mandatos, seja qual for nosso sentimento para com eles, será que ao invés de apenas reclamarmos, nós não levantamos sequer uma única vez um clamor ao Senhor para abençoá-los?

Perceba que eu me incluo nessa pergunta; isso é uma angústia pessoal minha há algum tempo, e é algo que, mesmo a contragosto, eu tenho tentado fazer, dedicar alguns minutos do meu dia não para falar mal dos nossos políticos, mas para orar por suas vidas, quem sabe de alguma maneira me colocar na brecha e interceder pelo nosso país.

Ponto 1
Então, aqui eu gostaria de falar sobre o primeiro papel do cristão com relação a esse tema – e eu não vou falar muitos – que é ter sua vida alicerçada em oração. Aliás, a oração deve ser uma parte essencial em nossas vidas em razão de tudo, não apenas da nossa relação com a política.

Como o texto base fala, devemos em oração nos humilhar e admitir nossa própria parcela de culpa para o problema que todos passamos.

Isaías 6:1-7 diz assim:

No ano em que o rei Uzias morreu, eu vi o Senhor assentado num trono alto e exaltado, e a aba de sua veste enchia o templo.
Acima dele estavam serafins; cada um deles tinha seis asas: com duas cobriam o rosto, com duas cobriam os pés, e com duas voavam.
E proclamavam uns aos outros: “Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos, a terra inteira está cheia da sua glória”.
Ao som das suas vozes os batentes das portas tremeram, e o templo ficou cheio de fumaça.
Então gritei: Ai de mim! Estou perdido! Pois sou um homem de lábios impuros e vivo no meio de um povo de lábios impuros; e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos!”
Então um dos serafins voou até mim trazendo uma brasa viva, que havia tirado do altar com uma tenaz.
Com ela tocou a minha boca e disse: “Veja, isto tocou os seus lábios; por isso, a sua culpa será removida, e o seu pecado será perdoado”.

Eu me lembro de algo que presenciei há alguns anos quando estava começando o curso de Direito na UFBA. Houve um processo “eleitoral”, por assim dizer, para ver quem seriam os representantes estudantis que iriam compor o Centro Acadêmico Rui Barbosa, no qual disputaram três chapas.

Perceba que esse é o ambiente onde normalmente surgem muitas das lideranças políticas em nosso país, no passado e ainda hoje, e aqui veja o que aconteceu, um evento importante para o ambiente estudantil, no qual seriam discutidas propostas de interesse daquela coletividade, e no entanto, uma das chapas se chamava “Dinheiro”, e tinha como uma de suas principais propostas colocar “escadas rolantes” no prédio da faculdade, que eram tipo 4 lances de escada, e a “propaganda eleitoral” eram notas de dinheiro daquele jogo Banco Imobiliário… Zueira pura.

Meus irmãos, o mal do Brasil não são os políticos, é o brasileiro, sou eu e você, infelizmente! Os políticos são só um reflexo nosso enquanto sociedade pecadora.

O mal dessa nação – corrupção, violência, pobreza – mais do que um problema social, é um problema espiritual, e se nós não formos a solução do problema, enquanto embaixadores de Cristo, enquanto aqueles que podem apresentar o verdadeiro libertador a todos quanto precisam de salvação, nós seremos parte do problema.

Efésios 6:12, no trecho que fala da armadura de Deus, o apóstolo Paulo afirma que “…a nossa luta não é contra pessoas, mas contra os poderes e autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais”.

Essa luta, somente podemos travar com o poder da Palavra e da oração, pelo Espírito Santo de Deus atuando em nossas vidas, não é argumentando em textões de redes sociais, como se tivéssemos sempre 100% da razão, fôssemos os donos absolutos da verdade, e o próximo fosse obrigado a deixar de votar em seu candidato para aceitar aquele a quem apoiamos. Mas volto a isso depois.

A “pequena corrupção” que cometemos, eu e você, no nosso dia a dia, tipo pagar a “cervejinha do guarda” para evitar uma multa, jogar lixo pela janela do carro, levar o cachorro pra fazer suas necessidades e não recolher, enfim, que não estou comparando em gravidade aos muitos crimes que vemos os políticos cometerem nos jornais e na imprensa – lembro de um episódio que se tornou público de “irmãos” orando pela propina recebida, para vergonha não deles, mas do Cristo a quem dizem servir – ISSO ajuda a alimentar o problema da nossa nação.

Não há um justo, nem um sequer. Então é com muita vergonha que eu me coloco perante Deus como Isaías, reconhecendo que eu sou um miserável, um pecador, que não mereço ter um bom governo. De fato, na oração que tenho feito, digo ao Pai: “Senhor, tem misericórdia de nós, povo brasileiro, mesmo sem merecermos, porque sei que por merecimento, só teremos o castigo de um mal governante”.

E quando falo sobre castigo, é porque bons ou maus, entendo que os governantes e autoridades lá estão porque ou foram diretamente alçadas a essa posição por Deus, ou porque Ele assim o permitiu para castigar o nosso povo ímpio e corrompido.

Amós 2:6,7 nos fala:

Assim diz o SENHOR: “Por três transgressões de Israel, e ainda mais por quatro, não anularei o castigo. Vendem por prata o justo, e por um par de sandálias o pobre. Pisam sobre a cabeça dos necessitados como pisam no pó da terra, e negam justiça ao oprimido…”

Já o apóstolo Pedro em 1 Pedro 2:11-17 nos fala:

Amados, insisto em que, como estrangeiros e peregrinos no mundo, vocês se abstenham dos desejos carnais que guerreiam contra a alma.
Vivam entre os pagãos de maneira exemplar para que, naquilo em que eles os acusam de praticarem o mal, observem as boas obras que vocês praticam e glorifiquem a Deus no dia da sua intervenção.
Por causa do Senhor, sujeitem-se a toda autoridade constituída entre os homens; seja ao rei, como autoridade suprema, seja aos governantes, como por ele enviados para punir os que praticam o mal e honrar os que praticam o bem.
Pois é da vontade de Deus que, praticando o bem, vocês silenciem a ignorância dos insensatos.
Vivam como pessoas livres, mas não usem a liberdade como desculpa para fazer o mal; vivam como servos de Deus.
Tratem a todos com o devido respeito: amem os irmãos, temam a Deus e honrem o rei.

Então, irmãos, esses textos que vimos nos ensinam que:
1) Deus NÃO se esquece da injustiça cometida, especialmente contra os pobres e necessitados;
2) Por essa razão, Deus mesmo envia governantes maus para punir a sociedade que assim age; ou seja, os maus governantes que temos são castigo de Deus por sermos um povo tão ruim e obstinado;
3) Somos chamados a ser exemplos para a sociedade, luz para o mundo, farol para as nações, mostrando os valores do Reino que são MUITO diferentes dos valores que a sociedade ensina, na verdade, em muitos casos, serão opostos, e por essa razão seremos perseguidos, pois quem está nas trevas não quer que a luz exponha seus pecados e sua corrupção;
4) Devemos nos sujeitar às autoridades e honrá-las, não desrespeitá-las e acreditem quando eu digo que isso, pelo menos pra mim, é MUITO difícil. É muito difícil honrar políticos em quem não votamos, com quem discordamos veementemente, mas aqui reside a nossa diferença para o mundo.

Perceba que honrar não significa concordar, não significa sequer obedecer se eles aprovarem, por exemplo, leis que promovam a injustiça e forem contra os valores do Reino. Lembro do exemplo do pastor Martin Luther King Jr., que liderou um movimento de desobediência civil contra as leis de segregação racial e lutou a favor de direitos civis para a população negra nos Estados Unidos da década de 50 e 60.

No entanto, onde o mundo prega o ódio e é intolerante, nós devemos pregar o amor, o respeito e a tolerância, o que infelizmente nem sempre acontece e pior, nós, muitas vezes, temos sido os mais intolerantes de todos.

Ponto 2
O segundo ponto que eu gostaria de enfatizar sobre nosso papel como cristãos nesse contexto e momento atual, diz respeito ao que fazemos ou deixamos de fazer, os pecados que temos cometido, os nossos maus caminhos…

Antes de mais nada, meus irmãos, não sou EU quem vai dizer a VOCÊS, o que fazer ou deixar de fazer. Aliás, de modo geral, não “deveria” ser o pastor, uma liderança religiosa ou outra pessoa a fazer isso e sim vocês mesmos, avaliando sua própria vida à luz das Escrituras e buscando ouvir a voz de Deus!

Nesse mesmo texto de Timóteo que lemos, apenas um pouco antes no capítulo 1, temos o seguinte conselho do apóstolo Paulo:

Partindo eu para a Macedônia, roguei-lhe que permanecesse em Éfeso para ordenar a certas pessoas que não mais ensinem doutrinas falsas, e que deixem de dar atenção a mitos e genealogias intermináveis, que causam controvérsias em vez de promoverem a obra de Deus, que é pela fé.
O objetivo desta instrução é o amor que procede de um coração puro, de uma boa consciência e de uma fé sincera.
Alguns se desviaram dessas coisas, voltando-se para discussões inúteis, querendo ser mestres da lei, quando não compreendem nem o que dizem nem as coisas acerca das quais fazem afirmações tão categóricas. – 1 Timóteo 1:3-7

Antes de passar a algumas lições de cunho mais prático, uma vez que nossa vida já seja, ao menos em tese, uma vida construída sobre o fundamento da oração, deixe-me contar uma história da minha infância.

Quando eu era pivete, ouvi duas mulheres comentando entre si em quem votariam, se no candidato A ou B, ao que uma delas comentou “Em A, claro, ele é lindo!”…

Perceba o que levou essa pessoa a votar nesse candidato em particular naquela eleição. O problema é que, tantos anos depois, nós como nação continuamos votando assim.

Nós cristãos, então, deveríamos ter os princípios e valores de Deus em nossos corações de maneira a escolhermos melhor os candidatos que procurassem o bem da sociedade como um todo, e não apenas nossa satisfação egoísta imediata.

Isso só é possível por meio da informação, da educação, de nos despirmos de nossos preconceitos e passarmos a agir com mais prudência e inteligência, verificando quais as propostas que os diversos candidatos fazem, se são minimamente realizáveis, ou se são apenas para captar votos de maneira populista.

Entrando no texto que lemos por último, Paulo exorta Timóteo a não nos ocuparmos com fábulas, genealogias e discussões. O que isso significa? Pode significar, por exemplo, deixar de brigar por besteira nas redes sociais!

Aliás, só um parêntese com relação a isso. Esse é um assunto tão sério, que o apóstolo Paulo repetiu o conselho a Timóteo em sua segunda carta, e também a Tito…

Voltando, o verso 6 do capítulo 1 diz que alguns chegam a se desviar da fé em razão de discussões inúteis. Embora o contexto aqui seja de discussões “religiosas” ou “teológicas”, na verdade a maneira como muitos de nós têm tratado a política e suas convicções ideológicas beira a religião, o fanatismo e até a idolatria.

Meus irmãos, todos temos a liberdade de pensamento e expressão que tanto a fé cristã quanto a Constituição nos oferecem. No entanto, algo que deveria ser senso comum, ou pelo menos bom senso, que o nosso direito termina onde começa o do outro, infelizmente tem sido esquecido em nossos comentários infindáveis tentando convencer uns aos outros de que nosso candidato é santo e que o do outro é o satanás…

De fato, no verso 7 Paulo afirma que muitos se passam por entendidos sem na verdade saberem de muita coisa, e será que nós não temos visto muitas pessoas assim na imprensa e nas redes sociais agindo como verdadeiros especialistas no assunto, sem na verdade talvez nunca terem lido nada a respeito?

De repente, NÓS, com um apertar de mouse ou teclar de uma tela viramos especialistas em tudo…

Novamente, eu não quero dizer o que você precisa fazer ou deixar de fazer, mas digo apenas isso: vamos deixar de agir como meninos! Podemos seguir usando da irreverência típica do cearense para fazer nossos “memes” de Internet, mas o limite, além da verdade, claro, é o respeito ao outro, ao direito que tem de ter uma opinião diferente da nossa, talvez oposta; assim como temos nossos espaços nas redes sociais, deixar os espaços alheios em paz!

É o Espírito Santo quem convence do pecado, da justiça e do juízo, e nós também temos que aplicar essa verdade espiritual no aspecto político ou ideológico e entender que nem todos sairão convencidos de certas discussões, e muito provavelmente alguém sairá machucado, talvez alguém próximo ou mesmo alguém da família, a quem amamos e que pode pensar bem diferente de nós.

Aliás, sobre ideologias, aqui cabe algo que para mim parece básico, fundamental: acredito que toda ideologia possivelmente terá suas vantagens e desvantagens, mas acima de tudo, não será a esquerda, a direita ou mesmo o centro que irá salvar nossa nação, meus irmãos, mas o alto! Nosso Salvador de fato já veio e é Jesus Cristo e não um político qualquer, por melhor que seja!

Em Mateus 5:20, Jesus diz o seguinte: “Pois eu lhes digo que se a justiça de vocês não for muito superior à dos fariseus e mestres da lei, de modo nenhum entrarão no Reino dos céus”.

Qual tem sido a nossa “justiça”, a nossa “ética”? Será que temos nos comportado exatamente igual às pessoas que não conhecem a Cristo, ou até pior muitas vezes?

Será que temos apelado em nossas discussões com argumentos flagrantemente mentirosos, usando indiscriminadamente as famosas “fake news”, afinal “os fins justificam os meios”, só que não!?

Se para fazer valer a minha opinião eu desrespeito o próximo, eu engulo o outro, eu minto ou propago mentiras, meus irmãos, em que, absolutamente, Cristo tem feito diferença em minha vida?

Na Palavra, não temos, ao menos não lembro aqui de memória, muita coisa escrita especificamente sobre o tema da política.

Há duas passagens na vida de Jesus que eu acho que se aproximam um pouco desse tema, mas antes de falar sobre elas, devemos nos lembrar que uma das razões porque os judeus não creram em Jesus é porque a expectativa deles sobre o Messias estava errada. Ao invés de esperar o servo sofredor de Isaías 53, eles esperavam um redentor político, alguém que restaurasse a glória de Israel no aspecto econômico, e sua influência política e militar na região, expulsando os dominadores romanos.

Por outro lado, como Jesus expôs a corrupção e a hipocrisia dos líderes religiosos de sua época, atraindo uma fama considerável, apesar dos pesares, essa mesma cúpula religiosa foi a responsável por, finalmente, denunciá-lo ao governador romano não simplesmente como um “herege”, mas usando um pretexto de um argumento político, como se ele incitasse as massas a uma revolta…

Mas agora os textos. O primeiro encontra-se em Lucas 20:21-26, que diz:

E perguntaram-lhe, dizendo: Mestre, nós sabemos que falas e ensinas bem e retamente, e que não consideras a aparência da pessoa, mas ensinas com verdade o caminho de Deus.
É-nos lícito dar tributo a César ou não?
E, entendendo ele a sua astúcia, disse-lhes: Por que me tentais?
Mostrai-me uma moeda. De quem tem a imagem e a inscrição? E, respondendo eles, disseram: De César.
Disse-lhes então: Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.
E não puderam apanhá-lo em palavra alguma diante do povo; e, maravilhados da sua resposta, calaram-se.

Não sei se vocês têm a mesma percepção que eu tenho. Jesus foi instado em seu tempo a se manifestar sobre um assunto controverso envolvendo política, e assim como naquela época, hoje muitos de nós também somos e, da mesma maneira, a intenção da pergunta nem sempre é genuína e honesta. Eles quiseram fazer Jesus cair em uma pegadinha, mas Jesus respondeu, basicamente, e penso que virando os olhos, com um “cada um no seu quadrado”, ou seja, religião e política não se misturam.

De fato, sempre que a religião e a política se misturaram na história da humanidade, a primeira serviu apenas como pretexto e instrumento de dominação para a segunda, como aconteceu, por exemplo, durante a idade média com a Igreja Católica e suas alianças, muitas vezes espúrias, com reis e soberanos que iam e vinham com o sabor do vento, sempre que eram a favor ou contra essa dominação.

O segundo texto é o diálogo que Jesus tem com Pilatos em João 18:33-36 e João 19:7-11:

Tornou, pois, a entrar Pilatos na audiência, e chamou a Jesus, e disse-lhe: Tu és o Rei dos Judeus?
Respondeu-lhe Jesus: Tu dizes isso de ti mesmo, ou disseram-te outros de mim?
Pilatos respondeu: Porventura sou eu judeu? A tua nação e os principais dos sacerdotes entregaram-te a mim. Que fizeste?
Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui.

Responderam-lhe os judeus: Nós temos uma lei e, segundo a nossa lei, deve morrer, porque se fez Filho de Deus.
E Pilatos, quando ouviu esta palavra, mais atemorizado ficou.
E entrou outra vez na audiência, e disse a Jesus: De onde és tu? Mas Jesus não lhe deu resposta.
Disse-lhe, pois, Pilatos: Não me falas a mim? Não sabes tu que tenho poder para te crucificar e tenho poder para te soltar?
Respondeu Jesus: Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado…

Jesus reconhece o poder político de Pilatos, e de onde provem esse poder temporal. No entanto, Ele deixa bem claro de que reino ele é Rei, um reino que não é deste mundo, não apenas geográfica ou fisicamente, mas espiritualmente, cujos valores, como falei, são outros.

Isso significa que devemos ficar em cima do mundo quando confrontados? Que não podemos ter nossa opinião? Claro que não! Com relação à fé, mas aplico também a qualquer tema, inclusive esse, Pedro nos afirma em 1 Pedro 3:15 que devemos estar preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que nos pedir a razão da nossa esperança.

Aqui temos um modelo para como devemos nos comportar em nossas “discussões” sobre política:
1) responder quando perguntado. Isso parece meio óbvio, mas muitos de nós temos invadido conversas e espaços alheios para falar algo que ninguém nos perguntou… Eu tenho certeza que ninguém aqui gosta quando alguém se mete em sua conversa, então porque a gente vai importunar os outros?
2) responder com mansidão e temor. Meus irmãos, muitas vezes importa tanto ou mais quanto a “verdade” que achamos que vamos falar, a forma como essa “verdade” será dita.

Só pra fechar esse segundo ponto sobre aspectos mais práticos que nós podemos adotar como postura, eu gostaria de falar sobre a consciência do voto. Meu irmão, ninguém é obrigado a ter um posicionamento sobre todo e qualquer assunto, não!

Na minha percepção, não há essa história de “votar errado”. Quando eu ouço alguém dizer “vou votar em A, porque eu queria votar em B mas B não tem chance”, eu respeito, é o chamado “voto útil”, mas pra mim, todo voto que é fruto de uma reflexão, de usarmos a nossa cabeça, é um voto consciente e é um “voto útil”, um “voto certo”.

Pra mim, pessoalmente, só “vota errado” quem vota sem refletir, sem se informar, porque alguém “mandou”, porque viu alguém famoso ou uma liderança religiosa, no nosso caso, apoiar…

E quando eu falo isso, eu quero dizer a você, meu irmão, que se após analisar os candidatos, partidos, ideologias, propostas, você ainda não consegue se sentir confortável em votar em A ou B ou C ou D ou Z, que sua dúvida também é um exercício de honestidade, e se você decidir votar em branco, ninguém tem nada a ver com isso!

Por fim, imagine o cenário em que uma igreja local possui diversas lideranças que vêm a público apoiar candidato A, ou B, ou C, como ficariam suas ovelhas, especialmente aquelas que podem “considerar fortemente”, digamos assim, suas opiniões na hora de se decidirem por seus candidatos, ao invés de elas próprias buscarem o caminho da informação e a orientação de Deus?

A confusão seria grande… Como aliás, parece ser o caso no cenário evangélico nacional, onde cada grande igreja, denominação ou líder faz exatamente isso, e não apenas isso, mas incorre nos erros que já conversamos aqui de espalhar mentiras, invadir os espaços alheios, e a igreja e o Evangelho viram campo de batalha…

Conclusão
Concluindo, o texto que lemos de 2 Crônicas 7:14 diz novamente o seguinte: E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra.

Deus aqui fala conosco, seu povo. Devemos assumir uma postura de responsabilidade pessoal: Se EU, que ME chamo cristão, ME humilhar, e orar, e buscar a face do Senhor, e ME converter dos meus maus caminhos, ENTÃO o Senhor ouvirá dos céus, perdoará os meus pecados, e sarará a minha terra.

Veja bem, a responsabilidade de fazer do Brasil um lugar melhor para se viver começa conosco e começa com a oração, com nos humilharmos reconhecendo nossos pecados, como fez Isaías, nos convertermos de nossos maus caminhos, ou seja, sendo nós o exemplo que nossa sociedade precisa… Aí, só aí, o Senhor agirá, não apenas em NOSSO favor, nós “crentes”, mas em favor de TODA nossa nação.

1 Coríntios 10:31-33 diz o seguinte:

Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus.
Não se tornem motivo de tropeço, nem para judeus, nem para gregos, nem para a igreja de Deus.
Também eu procuro agradar a todos de todas as formas. Porque não estou procurando o meu próprio bem, mas o bem de muitos, para que sejam salvos.

O mesmo apóstolo Paulo que escreveu “Dediquem-se uns aos outros com amor fraternal. Prefiram dar honra aos outros mais do que a si próprios. ” (Romanos 12:10) nos ensina que devemos fazer TUDO para a glória de Deus, inclusive nossas manifestações de cunho político ou ideológico, TUDO, com o propósito não de convencer alguém, como um incrédulo normalmente faria, mas com o propósito da SALVAÇÃO dessa pessoa, o que pode significar desistir de uma discussão ou deixar para lá um argumento.

Infelizmente, e me coloco em primeiro lugar nesse pedido coletivo de perdão ao Senhor, não temos tido a mesma intrepidez para anunciar as boas novas e os valores do Reino com que temos brigado por nossos políticos e defendido suas ideias.

Pra terminar, vou ler uma curta reflexão que recebi esses dias pelo celular e que creio tem tudo a ver com o que vimos hoje:

“Tímidos para agir com amor e ensinar o evangelho, ávidos e incisivos quando o assunto é defender nosso candidato, nas eleições.
Medrosos para pôr a mão na massa e ajudar o necessitado, intensos e frenéticos quando o que está em jogo é nossa ideologia político-partidária.
Retraídos quando o assunto é perdoar e dar a outra face ao perverso, mas extremamente agressivos ao atacar aquele(a) que se faz adversário(a) nas eleições.
Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus, disse Jesus. Parafraseando, dai ao político a proporção de intensidade e a atenção própria da realidade política (que tem sua importância), mas a Deus, dai a proporção de entrega que lhe é devida. ” – Desconheço o autor.

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