Uma troca injusta

Encanta-me a “religião” das crianças, do pai de família que sai ainda de madrugada para com o suor de seu trabalho prover o sustento dos seus, aquela dos velhos jogando dominó ou qualquer outra coisa no parque, rindo feito besta sem metade dos dentes, a do operário tão suado batendo no ferro quente que infinitos banhos não serão suficientes para limpá-lo por completo, de cada animal ou pássaro que vejo quando uma vez perdida resolvo largar por essa uma vez que seja o carro e vou à pé nem que seja até à esquina, à esquina da outra rua, a religião de um órfão ou menor abusado que mesmo tendo todas as razões para desconfiar do “tio” que vai visitá-lo apenas quando a conveniência do tempo e “coincidência dos astros” permite ainda assim corre e se joga em seus braços, sem fazer idéia mas ao mesmo tempo tendo a certeza de que ele irá recolhê-lo, segurá-lo e não o deixará cair, mesmo sabendo em suas memórias sufocadas que fosse seu pai ou sua mãe talvez não o segurassem. É dos doentes, de corpo, de alma e de espírito, daqueles que sabem que precisam de ajuda, dos esquecidos no corredor do hospital tão cheio que nem a privacidade de um quarto coletivo eles têm o direito. Dos vagabundos, drogados, sujos, desesperados, aqueles que conseguem tirar força para viver e esperança não se sabe da onde. E para todos esses Deus olha com um triste sorriso, caminha em sua direção e oferece o seu Filho. Ele por nós, e nós por Ele. Uma troca bem injusta. Graças a Deus.

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