O consolo do Senhor

“Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.” Salmos 23:4

Quem de nós poderia associar alguma vez nas nossas vidas o consolo com uma paulada, um castigo?

Consolo, ao contrário, no senso comum indica justamente o afago para tentar remediar uma dor, um sofrimento.

Mas pensei aqui com meus botões como a Palavra de Deus às vezes precisa chacoalhar com a gente pra desfazer alguns conceitos e reconstruí-los de uma maneira muito mais profunda, e esse conceito de consolo é refeito nesse trecho de um dos mais belos salmos de Davi.

Não vou analisar o salmo todo, aliás, nem mesmo o versículo todo, só comentar um pouco sobre o final dele, “a tua vara e o teu cajado me consolam”.

Ora, só como pano de fundo, temos que lembrar que Davi foi pastor de ovelhas, então falava de algo que lhe era bem próprio e relevante para sua própria vida, para seu contexto, da figura de Deus como um pastor de ovelhas, que cuida delas, que não as deixa serem arrebatadas por um lobo ou um malfeitor.

Para não chover no molhado, aqui vai uma descrição do que seria o cajado do pastor, que retirei da Wikipedia:

Um cajado é uma vara de pastor, caracteristicamente tendo a extremidade superior recurvada em forma de gancho ou semicírculo. Ele é usado para tocar nas patas das ovelhas de leve para que elas retornem ao seu caminho não se desviando doi caminho. Em algumas ocasiões, o cajado podia ser utilizado como arma. A ovelha conhecia o Pastor pelo cheiro do cajado que se apegava a sua mão, sendo assim, ela conhecia o Pastor e o seu cajado.

O cajado tem duas funções principais: quando segurado pelo lado da curva, serve de vara para corrigir ou castigar as ovelhas que se desviam, e segurando-o pelo lado reto serve para socorrer a ovelha caída em buracos ou precipício, puxando-a pela curva do cajado.

Agora voltando ao assunto, como é que essa ferramenta de trabalho do pastor poderia ser usada para nos consolar? Penso que não há maior consolo do que o livramento de um acidente, de uma catástrofe. Às vezes Deus permite que sejamos esfolados por uma situação, arranhando nossos joelhos, para evitar que quebremos muitos ossos, “so to speak”…

Além disso, a pancadinha é uma maneira pedagógica extremamente eficiente para nos dizer o que é e o que não é bom, saudável, qual o caminho correto que devemos trilhar. Aliás, isso me lembra a educação dos antigos, onde o filho era castigado de maneira a corrigi-lo. Hoje, infelizmente, os psicólogos afirmam que castigar a criança traumatiza, etc. Eu, particularmente, apanhei um bocado e posso afirmar que amo minha mãe, e que fiz por merecer em boa parte das surras que levei, e penso eu como seria se minha mãe não tivesse usado de seu “cajado” para “tocar em minha patinha”, e até para me puxar de volta para o caminho adequado, talvez um delinquente ou vagabundo.

De fato, lembrei de dois versículos que servem para amarrar bem esse conceito:

“Porque o Senhor corrige o que ama, E açoita a qualquer que recebe por filho.” Hebreus 12:6

“Porque o SENHOR repreende aquele a quem ama, assim como o pai ao filho a quem quer bem.” Provérbios 3:12

O consolo do Senhor através de sua correção, da repreensão do Pai, e até mesmo do seu açoite, da sua bordoada com o cajado, com a vara, nos deixa duas lições finais:

  1. Deus repreende quem ama. Somente vemos a correção de Deus aos que por Ele são amados. Se na sua vida você não tem passado por momentos de correção, de repreensão, ou uma ou outra: ou você não tem se desviado do rumo (o que, pelo menos comigo, não acontece) não carecendo, portanto, de correção; ou você não está sendo amado por Deus, e você pode se perguntar, então, se você tem um relacionamento com o Pai, pois querer amar você Ele quer, basta você querer, e convidá-Lo para fazer parte da sua vida.
  2. Deus castiga seus filhos. Lógico! Ele não quer que vivamos de qualquer jeito, e nos tornemos pessoas inconsequentes. Não vou me estender, mas como qualquer pai que deseja o melhor para seu filho e eventualmente tem que corrigi-lo quando faz algo que não é bom, assim é Deus para conosco.

O consolo do Senhor às vezes vem acompanhado de uma batidinha, de uma palmada. Não se assuste, nem fique triste pensando que o Senhor não te ama porque é justamente o oposto, é por amá-lo tanto que o Pai cuida de você, de mim, nos puxa para mais perto dEle.

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3 pensamentos sobre “O consolo do Senhor

  1. “O consolo do Senhor às vezes vem acompanhado de uma batidinha, de uma palmada. Não se assuste, nem fique triste pensando que o Senhor não te ama porque é justamente o oposto, é por amá-lo tanto que o Pai cuida de você, de mim, nos puxa para mais perto dEle.” Perfeito, e mais uma vez essa lição me foi muito importante!!! Bjs.

  2. Eliade,

    quantas vezes eu por exemplo jah li e ouvi esta passagem do salmo 23:4 – ” a tua vara e o teu cajado me consolam.” e nao captei o sentindo da vara e do cajado! ainda bem q tem seu post para nos ensinar!!

    Eu nao gostava de ser corrigida por um amigo(a), achava isso um desaforo!! nao aceitava!! era rebelde!! e agora depois de algum tempo, aprendi q eh preciso ser pronto para ouvir e tardio para falar! e sabio eh aquele que aceita a repreensao e depois se corrige. A pessoa que exorta e confronta no principios biblicos com outro nao tem o proposito de condenar e sim te ajudar a crescer e amadurecer!!!

    Que o Senhor possa ter a liberdade para nos corrigir acoitar, dar uns cajados na gente, pois sei q isto eh uma prova de seu amor e do seu cuidado zeloso!!

    Seus textos traz luz para o nosso entendimento!!
    abco,

    Renata Peixoto

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