Icthus

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O peixe é um símbolo do cristianismo quase tão conhecido, popularizado, e antigo quanto à cruz de Cristo.

Para escrever esse post, preferi não consultar muito a Internet, e me ater mais às minhas lembranças, ao que está interiorizado na minha cabeça e coração a respeito desse símbolo cristão, do que li e ouvi a respeito durante minha vida como servo do Senhor, e colocar para fora o sentimento que guardo aqui dentro.

A primeira coisa que me vem à mente acerca desse símbolo é a chamada dos primeiros discípulos por Jesus quando o Mestre apenas iniciava seu ministério. Os primeiros discípulos que Jesus chamou para serem seus seguidores foram os pescadores Pedro, Tiago, João e André.

De pescadores de peixes, Jesus fez uma proposta revolucionária àquelas pessoas de algo que mudaria suas vidas; utilizando a metáfora que eles entenderiam, o Mestre os convidou a serem pescadores de homens, responsáveis por algo muito maior do que a simples alimentação gerada como fruto do seu trabalho, a salvação e transformação de vidas perdidas.

Alguém poderia encarar essa ousada proposta como um belo trabalho de marketing, uma vez que Jesus utilizou-se do contexto sociocultural daqueles homens, a pesca, para atraí-los a um investimento em que não teriam como avaliar as dimensões, o resultado final, que sou eu e mais de um bilhão de pessoas que professam a fé em Cristo hoje no mundo, sem contar os muitos outros que já partiram para junto do Pai no decorrer da história.

Uma segunda lembrança que tenho a respeito do peixe é o lanche que um garoto trazia consigo quando foi ouvir aquele jovem de trinta e poucos anos falar a respeito de vida, de Deus, de coisas que ele talvez não compreendesse bem, mas que, movido talvez pela curiosidade, levado por algum parente ou amigo, achou-se em meio a uma multidão que passou o dia a ouvi-Lo falar, e devido ao ermo do local em que se reuniram, e o horário, percebeu-se que não haveria como alimentar a todas aquelas pessoas. Isso, obviamente como a história conta, seria assim não fosse o pronto atendimento do Senhor Jesus, que com apenas o lanche daquele garoto, composto de poucos pedaços de pães e, novamente eles, peixes, efetuou um de seus muitos milagres, multiplicando aquela refeição de modo a alimentar milhares de pessoas a ponto de sobrar cestos e mais cestos de restos de comida.

Assim, o peixe torna à sua função original como alimento, sustento, e leva-nos a uma nova dimensão, quando compreendemos o caráter profético daquele ato (e deixe-me aqui tentar retirar qualquer carga de “profetada” ou “determinação”, ou ritual neo-pentecostal que o valha; não, não era esse um “ato profético” como se diz hoje em dia nos círculos mais heterodoxos do meio evangélico), onde Cristo alimenta a fome terrena, como faria com a fome espiritual através de sua própria carne e sangue vertidos na cruz do Calvário.

O peixe trouxe ali um renovo, uma nova esperança de vida para aquelas pessoas que estavam famintas, tanto quanto Cristo tem a cada dia a oportunidade de, resgatando alguém do fundo do poço em que se encontra, mostrar-lhe a vida, e vida em abundância, que Deus reservou para ele.

Lembro-me também de um episódio ocorrido depois que Pedro negou Jesus, o Mestre havia sido crucificado e até ressuscitado, mas os discípulos primeiros, aqueles mesmos pescadores voltaram à sua atividade inicial. Parece que a vergonha da renúncia, a dor da perda havia desmotivado e desconsolado aqueles homens que abdicaram do seu propósito de pregar aos homens a salvação prometida e trazida por Cristo, a vida eterna com o Pai, e retornaram ao seu trabalho cotidiano.

Aqui vemos uma história interessante. Aqueles pescadores, homens experientes em seu trabalho, passaram a noite inteira mar adentro e nada conseguiram pegar. No entanto, aparece Jesus, e talvez por isso mesmo que já falei, vergonha ou dor, eles não o reconheceram, e diz aos “ex”-discípulos que lançassem novamente as redes para o lado direito do barco. Provavelmente aqueles homens já tinham lançado as redes para todos os lados do barco durante aquela noite, eles não tinham começado recentemente nesta atividade e conheciam “os segredos do mar”, então talvez tenham pensado “quem é este homem que chega querendo nos ensinar a fazer nosso próprio trabalho, nós que temos pescado a nossa vida inteira?”, mas a despeito de tudo que pudesse indicar o contrário, eles obedeceram e lançaram novamente as redes na água.

O resultado é história, pescaram tantos peixes que as redes quase rasgaram, o barco quase veio a pique com a enorme quantidade de pescados. O peixe aqui fez aqueles homens reconhecerem novamente o Mestre. Quem se atenta para o fato é o discípulo amado, João. Pedro ao saber disso corre, ou melhor, nada até a praia onde o Senhor o espera para confrontá-lo de uma vez por todas contra sua própria natureza. Até quando o velho Pedro iria ser apenas mais um pescador (e não estou querendo diminuir essa importante profissão), sendo que o próprio Senhor já o havia chamado e dedicado a um trabalho sem dúvida inigualável?

Cristo nesse momento faz com Pedro o que muitas vezes precisa fazer conosco, dá um tranco. Quando o Senhor pergunta aquele homem se ele O ama, Ele já sabe a resposta, já sabe que Pedro O ama, mas, não querendo envergonhá-lo que não é esse seu perfil (se é que podemos “profilar” Jesus) ou intenção, deseja ouvi-lo reconhecer publicamente que uma vez tomada aquela decisão, de amar, ele não mais voltaria atrás.

Amar, como já muito dediquei tempo aqui no meu espaço sem espaço, é uma decisão e não um sentimento, e o que Jesus estava “cobrando” de Pedro era justamente onde se encontrava a decisão que ele havia feito anteriormente, ao ponto de declarar em alto e bom som que morreria pelo Mestre se possível fosse, sendo que ele foi o primeiro a nega-Lo e a fugir.

A pergunta de Cristo a Pedro era o ponto de partida para todas as decisões que ele deveria tomar a partir dali. Sua vida não pertencia mais a si, mas aos outros, a tantos quanto ele pudesse pregar.  A responsabilidade era grande, poderia e acabou levando a sua morte.

O peixe, voltando ao fio da meada, serviu no curso da história para identificar os seguidores de Jesus, os pescadores de homens, também conhecidos como pescadores de almas, símbolo desbastado nas tumbas onde a igreja se reunia durante a perseguição pelo império romano.

Mas como eu li na Internet recentemente sobre o tema, não adianta usarmos toda forma de símbolo para tentar nos associar ou identificar com o cristianismo, se de fato não agimos como cristãos, se nossa vida não reflete aquilo que dizemos crer, ou se não vivemos como Jesus viveu.

Colocar um adesivo do peixe no carro (e eu tenho um no meu), usar um crucifixo ou até uma tatuagem de nada serve se a nossa vida não refletir o caráter de Jesus em nós, se não formos como Ele quer que sejamos. Alguém já disse que devemos pregar em todo tempo, se necessário usando palavras. Aqui vejo o símbolo do peixe nessa conotação. Se vivermos aquilo que pregamos, não será o peixe que nos identificará como cristãos, mas tudo que fizermos demonstrará isso. Por outro lado, por mais que afirmemos ser cristãos, e não agirmos como tais, esses símbolos de nada adiantam. Que tenhamos tatuado em nosso coração, portanto, a palavra de Deus e a coloquemos em pratica.

A propósito, encerrando este post, Ichtus vem do grego Ixthus que significa peixe. A última associação com o cristianismo que queria citar era que em grego, peixe também é um acróstico das palavras: Iesus Xristos Theo Uios Sopter, que significa Jesus Cristo, Filho de Deus, o Salvador.

Deus nos abençoe.

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