Nervosismo

Ontem, como tem sido as últimas segundas e quartas, houve apresentação pelos colegas de uma aula na disciplina de Antropologia.

As equipes são formadas por seis membros, e ontem (mais uma vez a palavra ontem, mmm…) um dos colegas ficou nervoso demais e passou mal, não conseguindo apresentar a sua parte.

Não vou falar do colega em si, só um parêntesis para dizer que fomos alguns de nós ver se como ele estava do lado de fora da sala para ver se havia algo que pudéssemos fazer para ajudá-lo, mas sim do nervosismo.

Como eu sei o que é esse sentimento! Você sente o peito queimar; o estômago embrulhar e encher-se de “borboletas” como diria uma pessoa acolá; sua respiração aumenta, até ao ponto de hiperventilar; sua pressão sobe demais, ou pode até cair bastante; as mãos são acometidas por suores, sudorese que se propaga por outros locais do corpo; pode haver uma perda momentânea do equilíbrio, sensação de náusea ou de desmaio, ou mesmo, em casos extremos, um descontrole emocional e físico que pode passar por arritmias cardíacas ou mesmo dores de cabeça ou no estômago e desconforto intestinal.

Longe de ser um post médico, até porque de medicina eu não entendo nada e o máximo que eu faço é me autoreceitar (shame on me, I know) uma aspirina vez ou outra, eu citei acima o que acontece com muitos de nós que ficam nervosos ao ponto de somatizar, transformar em sintomas toda nossa ansiedade, nossa angústia frente a uma circunstância que nosso corpo entende como uma situação de perigo, algo à semelhança de nossos antepassados se encontrarem frente a frente com uma onça, por exemplo, talvez possamos pensar assim, com um pânico digno, muitas vezes, de toda a descarga de adrenalina que nosso corpo puder jogar no nosso sangue (digamos que seja assim que isso aconteça, eu sinceramente não sei com certeza).

O nervosismo ataca especialmente pessoas tímidas como eu (sim, eu sou tímido, mas não é esse o assunto deste post, então deixem-me voltar para ele), e há situações em que ataca mais, assim como outras em que ataca menos.

Dentre as possíveis circunstâncias que causam uma angústia prévia e um nervosismo crescente eu posso citar o ato de falar em público (eu poderia citar o “chegar junto” de uma paquera, mas como foi-se a época, não vou entrar nessa seara). Quem me conhece ou convive comigo sabe que sempre que tenho que me manifestar em aula, por exemplo, perguntando para tentar tirar uma dúvida com um professor é bem comum eu me embolar todo na hora da pergunta, nao porque não saiba o que perguntar, mas porque fiquei nervoso e comecei a trocar as palavras, falar mais rápido, e até o bendito branco me dá justo na hora que tenho a atenção do professor e de toda a turma (pronto, lá foram mais sintomas).

Eu já fui professor de Escola Bíblica Dominical (EBD) de uma classe de jovens por mais de 6 meses na igreja que sou membro, já terminei um curso universitário (o que sou formado, de Informática) onde vez por outra tínhamos seminários para apresentar, sem contar a especialização e o mestrado que fiz onde também tive que dar as minhas aulinhas (não concluí nenhuma das duas, mas não vou entrar no mérito aqui, agora), e vez por outra sou chamado a proferir palestras sobre a minha área de trabalho (que também não vou discutir aqui), já li livros sobre o assunto (ou seja, como se portar numa situação dessas), mas ainda assim cada vez que alguma dessas oportunidades aparece, lá vem o nervosismo atacando com qualquer um (ou todos) dos sintomas que descrevi antes.

Os livros (ou o livro que li pelo menos, pra não mentir dizendo que li mais de um) dizem muitas coisas de como fazer para diminuir a tensão e o nervosismo numa hora dessas. Dizem que devemos checar o material de apoio que iremos usar, não confiarmos (ou melhor, dependermos) na tecnologia, estudarmos de maneira consistente o assunto proposto, olharmos nos olhos das pessoas com quem estamos falando, especialmente alguém com quem tenhamos alguma relação de amizade, o que nos dá uma sensação de paz e confiança naquilo que estamos fazendo, e por aí vai.

Particularmente, eu costumo, além do que falei acima e de outras coisas que não vem ao caso, orar. Orar me conecta ao meu Deus, a quem peço paz, tranquilidade, confiança e domínio próprio. Pela fé sinto tudo isso, e mais ainda, a certeza que preciso ter de que farei um bom trabalho. Além disso, tomo sempre um propanolol de 10 mg (lá vou eu me automedicando de novo, os médicos de plantão me perdoem, por favor), que serve para diminuir os batimentos cardíacos me deixando bem “zen” para a apresentação que irei fazer.

Com o tempo, para as pessoas “normais”, ou não tímidas, melhor dizendo, fica mais fácil controlar tudo isso, aliás, tão fácil que é internalizado, deixando de racionalizar sobre esse nervosismo. Para mim, contudo, ainda hoje sou atacado por esse sentimento, essas sensações, então tenho que me agarrar ao que posso para chegar ao final da minha aula, palestra ou seminário, e chegar vivo, consciente e com um resultado satisfatório, seja a compreensão daquilo que falei, seja a aprovação por meio de uma nota boa vinda da professora.

Deus nos abençoe.

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