Uma reflexão sobre as mães

Está chegando o dia das mães e fui convidado a levar uma palavra durante o culto ecumênico que houve onde trabalho, hoje pela manhã. Depois de meditar um dia sobre o assunto, escrevi o texto abaixo, "baseado" no texto de 1º Samuel 1:1-8 da vida de Ana, mãe de Samuel. O texto segue abaixo:

Leitura texto 1º Samuel 1:1-8

I Samuel 1:1 Houve um homem de Ramataim-Zofim, da região montanhosa de Efraim, cujo nome era Elcana, filho de Jeroão, filho de Eliú, filho de Toú, filho de Zufe, efraimita.

I Samuel 1:2 Tinha ele duas mulheres: uma se chamava Ana, e a outra, Penina; Penina tinha filhos; Ana, porém, não os tinha.

I Samuel 1:3 Este homem subia da sua cidade de ano em ano a adorar e a sacrificar ao SENHOR dos Exércitos, em Siló. Estavam ali os dois filhos de Eli, Hofni e Finéias, como sacerdotes do SENHOR.

I Samuel 1:4 No dia em que Elcana oferecia o seu sacrifício, dava ele porções deste a Penina, sua mulher, e a todos os seus filhos e filhas.

I Samuel 1:5 A Ana, porém, dava porção dupla, porque ele a amava, ainda mesmo que o SENHOR a houvesse deixado estéril.

I Samuel 1:6 (A sua rival a provocava excessivamente para a irritar, porquanto o SENHOR lhe havia cerrado a madre.)

I Samuel 1:7 E assim o fazia ele de ano em ano; e, todas as vezes que Ana subia à Casa do SENHOR, a outra a irritava; pelo que chorava e não comia.

I Samuel 1:8 Então, Elcana, seu marido, lhe disse: Ana, por que choras? E por que não comes? E por que estás de coração triste? Não te sou eu melhor do que dez filhos?

Quem é a mãe que sinceramente responderia sim a esta pergunta?

Como falar das mães sem soar clichê? Não tenho como expressar tudo aquilo que uma mãe é porque assim como este homem eu não sou mãe, nem nunca poderei ser mãe; somente pai, e pai não é a mesma coisa. Só posso falar das mães que conheço, em especial da minha mãe e das minhas avós.

Na bíblia vemos diversos exemplos de mães:

– Eva, a primeira mãe, a primeira a sentir as dores do parto, a mulher pela qual entrou o pecado no mundo (não, não foi culpa somente dela, mas de Adão também, e antes ainda dos dois, da serpente); sua história encontra-se em Gênesis 3:20, dentre outros textos.

– Sara, esposa de Abraão, pai de uma grande nação, conforme a promessa do Senhor, e se ele foi o pai de uma grande nação, ela, por conseqüência, foi a mãe, ainda que em sua velhice; sua história encontra-se em Gênesis 11:29, dentre outros textos.

– Joquebede, a mãe de Moisés, que usou de artifícios para manter seu filho vivo em meio à perseguição e morte no Egito; sua história encontra-se em Êxodo 6:20, dentre outros textos.

– Ana, a estéril que chorou ao ponto de ser chamada de bêbada pelo sacerdote Eli, humilhada por sua rival Penina, mas que teve sua oração respondida, sendo mãe de Samuel, o último dos juizes de Israel; sua história encontra-se em 1º Samuel 1 e 2.

– Rute, uma mulher estrangeira que veio a ser bisavó do rei Davi; amou tanto a sua sogra que decidiu seguir a seu Deus, sendo por Ele ricamente abençoada; sua história encontra-se no livro de Rute.

– Maria, uma mulher escolhida por Deus para ser a mãe terrena de seu filho Jesus, Deus encarnado. Sua história se encontra principalmente nos evangelhos de Mateus e Lucas.

– Lóide e Eunice, duas mulheres citadas por Paulo como sendo as responsáveis pela fé de Timóteo, uma vez que eram sua avó e mãe, respectivamente, tendo-o ensinado na fé e na palavra desde jovem. Sua história encontra-se em 2ª Timóteo 1:5.

Entre as inúmeras mulheres citadas na Palavra, essas me chamaram a atenção não apenas por serem, talvez, as mais conhecidas, mas também porque em sua história, narrada em poucos versículos, podemos ver a influência que tiveram em sua família, e as lições que ainda hoje aprendemos.

Como exemplo dos desafios que a história de vida destas mães nos apresenta, boa parte, inclusive, que nós homens nunca poderemos experimentar, eu posso citar:

1) A dor física experimentada durante a gestação, e durante o parto.

2) A dor emocional de não poder ter filhos.

3) A gravidez na adolescência e a gravidez tardia e suas implicações na sociedade, e no próprio lado emocional da mulher.

4) A incompreensão e perseguição sofridas durante a gravidez.

5) O relacionamento mãe e filho, e entre a mãe e as demais pessoas que a cercam.

6) O exemplo que uma mãe dá ao filho, quando o educa mesmo que sem palavras, especialmente no seu relacionamento com Deus, uma vez que a mãe é, sem dúvida, o parente que mais tempo convive e mais proximidade tem com a criança.

Mas, voltando à minha mãe, lembro-me que foi mãe muito nova, e por minha causa, já que sou o filho mais velho, experimentou diversas angústias próprias do primeiro filho, a inexperiência, e muitas outras tribulações, como o fato de ainda ser estudante secundarista à época do meu nascimento, o fato de casar grávida, coisa que hoje já causa diversos transtornos no seio da família, 27 anos atrás era muito pior, especialmente no interior do Ceará, e mais ainda em uma família evangélica tradicional.

Por mim minha mãe brigou com professoras que teimavam em me voltar de ano na escola, por causa de uma lei sem noção que impedia o acesso ao primário para alunos muito novos; brigou até com “amigos” de rua que se aproveitavam que eu era franzino para zoar comigo.

Lembro que minha mãe me ensinou a gostar de esportes, meu pai nunca foi chegado; ela lia para mim um livro chamado “horinhas com Deus”, que de tão usado acredito que não chegou ao final da minha infância. Aliás, boa parte da minha formação, seja cultural, seja espiritual e até parte do meu gosto musical devo a ela, pois foi ela quem me ensinou a ler antes mesmo de eu freqüentar a sala de aula.

Contei um pouco sobre a minha história com relação à minha mãe mas sei que cada um aqui tem uma história particular com a sua, e sei que mesmo aqueles que não tiveram um bom relacionamento com a sua mãe, experimentaram de alguma maneira, seja com avó, seja com sogra, seja com a esposa, aquilo que a mãe representa.

Voltando a história de Ana, ela orou a Deus incessantemente até que Deus ouviu sua oração e lhe concedeu um filho, Samuel. Ela dedicou então seu filho ao Senhor, e posteriormente teve muitos outros filhos, conforme consta na Palavra de Deus. Eu gosto bastante da história de Ana enquanto mulher, enquanto mãe, porque a bíblia registra toda sua angústia, não a coloca em um pedestal de força sobre humana mas descreve ela como alguém cujo maior desejo era ser mãe, e esse é um desejo que tantas mulheres têm hoje em dia e não conseguem realizar, e outras ainda conseguem e simplesmente abortam seu filho, quando não fazem coisa pior como infelizmente temos cansado de ver na televisão.

Terminando, lembro-me de Mateus 1, um texto que contém a genealogia de Jesus. Genealogias nunca são interessantes de se ler, são maçantes mesmo. No entanto, a genealogia de Jesus traz referência a cinco mulheres, cinco mães: Tamar, Raabe, Rute, Bateseba e Maria, e é curioso sabermos que destas, Tamar e Raabe eram prostitutas, Rute estrangeira, Bateseba adúltera e Maria casou grávida, e percebermos que, apesar dos preconceitos que ainda hoje temos de pessoas, especialmente mulheres nessa situação, e na época de cada uma delas, no meio do povo que pertenciam, isso era muito pior. Vemos como as mães sofrem por causa de seus filhos, e essas mulheres foram citadas na bíblia por terem originado homens e mulheres que fizeram diferença em seu tempo, e acima de tudo, por terem trazido ao mundo aquele que dividiu a história. Quem sabe quantas mães tem feito diferença no mundo através da nossa criação, da educação e do amor incondicional que nutrem por nós?

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